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Versos na língu maquista, “Laia-laia, Rabusénga”, (1) como classificou o próprio autor, José dos Santos Ferreira (Adé), (2) publicado neste dia, 7 de Dezembro de 1963, no Jornal «Gazeta Macaense», a propósito de uma visita de um grupo de macaenses a Lisboa. (3) 

(1) Laia-laia, Rabusénga – De várias espécies; Ninharia (bagatela)

(2) Ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-dos-santos-ferreira/

(3) Retirado de FERREIRA, José dos Santos – Macau sã Assi, 1967, p. 80

Livro de José dos Santos Ferreira publicado em 1967, (1) composto e impresso na Tipografia da Missão do Padroado (2), com versos (Laia-laia rabusénga) e prosas no dialecto macaense e breve vocabulário de alguns termos utilizados. A maioria dos versos foram publicados anteriormente no jornal «O Clarim», de 1953 a 1955 e depois na «Gazeta Macaense» de 1963. Inclui ainda uma comédia em 1 acto “Mui-mui Sua Neto” e uma opereta em 2 actos (para rir) “Cabo Tamêm Sã Gente”. A ilustração é de Leonel A. S. Barros.

Retiro da Introdução (pp. 9-11) , o seguinte: “O dialecto macaense, como muito bem ensinou João Feliciano Marques Pereira, (3) não se apresenta sob uma única forma, mas sem debaixo de três pelo menos, que é conveniente distinguir: a) o macaísta cerrado ou macaísta puro (se assim se pode chamar) e que é o mais interessante; era falado principalmente pelas classes humildes; b) o macaísta modificado pela tendência a aproximar-se do português corrente, era usado pela gente mais polida e que estava mais em contacto com o elemento metropolitano; c) o macaísta falado pelos chineses. Das duas primeiras formas, sobretudo a primeira, se aproximam mais os escritos contidos neste volume. Sob a última, vem publicado um original, em simples monólogo – MERENDA AI! – que o autor põe na boca de um conhecido chinês de Macau.

Desenho de Leonel A. S. Barros (pág. 7)

MERENDA AI! “Iou sã Merenda Ai!. Tudo gente na Macau, assi chamá pa iou, Seléa nóme nunca muto agradá. Masqui geniado, tamêm pacéncia… Qui cuza pôde fazê, si ilôtro querê batizá iou com estunga nóme? Merenda Ai tamêm sã nóme cristám… Iou sã Macau-filo. Quelê-modo iou sã Macau-filo ? Iuo sã já nacê na Macau, j´olá? Têm tanto ano-iá … Mamã fica na Básso-mónti, quelóra larga iou vêm fora. Cavá crecê, Mamã já ensiná iou fazê merenda, pa ganhá sapéca. Sã assi que iou nuncassá vai escola, j´olá? “…. (continua)

(1) Na última página “Acabou de se imprimir este livro aos 2 de Janeiro de 1968

(2) Trata-se do primeiro livro impresso de Adé Santos Ferreira em “língu maquista” (patuá). Anteriormente, publicou o 1.º, um relato de viagens “Escandinávia, Região de Encantos Mil, em 1960, FERREIRA, José dos Santos – Macau Sã Assi. Macau, 1967, 138 p + Índice., 20, 5 cm x 14 cm x 0,7 cm.

(3) Pequeno trecho de João Feliciano Marques Pereira assinalado na capa (interior)

Assinalando a passagem do aniversário do nascimento de Louis Braille – organizador do sistema da escrita para os invisuais que tem o seu nome – realizou-se, à semelhança dos anos anteriores, no dia 4 de Janeiro de 1973, pelas 16.00 horas, uma festa no Centro de Reabilitação de Cegos, (1) mantido pela Santa Casa da Misericórdia e estabelecido na Avenida do General Castelo Branco, n.º 4, junto ao canídromo.
Entre os convidados notavam-se a Sra. D. Julieta Nobre de Carvalho, Presidente da Obra das Mães pela Educação Nacional, o Sr. Jan Orner, Representante em Macau do Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, a Sra. Ingrid McCoy, esposa do antigo Representante em Macau do ACNUR, o Comendador Joas José Lopes, Provedor do Instituto de Assistência Social,  e outras individualidades.
Estiveram também presentes os professores, pessoal do Centro, seus educandos e respectivos familiares.
Numa sala do edifício, o Provedor da Santa Casa, Dr. Diamantino de Oliveira Ferreira, em breves palavras, agradeceu a presença da Senhora de Nobre de Carvalho, das demais Senhoras da Obra das Mães e dos restantes convidados àquela singela festa. O Director do Centro, Sr. Mário Edmundo Aires da Silva Barros anunciou os prémios que foram distribuídos, referindo – se à sua natureza e esclareceu o objectivo do concurso que foi realizado entre os próprios invisuais sobre o item «Sugestões para melhorar as condições de vida dos educandos dentro e fora do Centro»
Um dos professores do Centro explicou, em chinês, aos invisuais presentes o significado daquela festa e a finalidade dos referidos prémios e concurso.
Prémios anuais
I – Classe de produtividade (1,º prémio: $50,00; 2.º prémio: $30,00; 3.º prémio: $20,00)
Grupo A – Trabalhos de rota
Grupo B – Trabalhos de vime
Grupo C – Trabalhos de malha
Total: 9 prémios
II – Classe de assiduidade (1,º prémio: $50,00; 2.º prémio: $30,00; 3.º prémio: $20,00)
Grupo A – Mulheres
Grupo B – Homens
Total: 6 prémios
III – Classe de aplicação (1,º prémio: $50,00; 2.º prémio: $30,00; 3.º prémio: $20,00)
Grupo A – Mulheres
Grupo B – Homens
Total: 6 prémios
Concurso com prémios
O concurso entre os invisuais na modalidade de «slogans» sobre o tema «Sugestões para melhorar as condições de vida dos educandos dentro e fora de Centro» foi apreciado por um júri, formado «ad hoc» entre algumas individualidades presentes, tendo sido atribuídos prémios pecuniários de $ 50,00, $ 30,00 e $20,00 respectivamente aos 1.º, 2.º e 3.º classificados e sete prémios de consolação, de $ 10,00 cada um , aos restantes concorrentes classificados.
A cada um dos educandos foi ainda distribuído um «lai si» de $10,00 cada, e aos seus filhos como prendas, agasalhos, brinquedos e doces. A reunião continuou com uma merenda aos educandos, seus familiares e demais presentes e a festa terminou com um jantar de confraternização para os educandos no refeitório do Centro.
Durante o jantar os invisuais, à semelhança dos anos anteriores, tomaram a iniciativa de abrir, entre si, uma subscrição para a «Operação Leprosos», que rendeu a soma de $81,90. Esta quantia foi entregue ao jornal «Gazeta Macaense» por intermédio do Director do Centro.
Extraído de «MACAU Bol. I. T.» 1973.
(1) O Centro de Reabilitação de Cegos – 澳門仁慈堂 – está em funcionamento desde 12 de Outubro de 1960. O Centro foi criado sob os auspícios da “American Foundation For Overseas Blind Inc“, sendo dirigido e administrado desde 1963 pela Santa Casa da Misericórdia de Macau. Refira-se também que, já desde 1900 a Irmandade vinha prestando auxílio aos “invisuais chineses” através de um subsídio concedido às Irmãs Canossianas, que os recolhiam e sustentavam.
Actualmente as instalações o Centro tem as salas devidamente apetrechadas, equipadas com sistema de ar condicionado, dispondo de infra-estruturas de qualidade que auxiliam o processo de aprendizagem e desenvolvimento dos utentes.
O Centro de Reabilitação de Cegos possui capacidade para 50 invisuais, tendo as obras de remodelação sido concluídas em Novembro de 2003 permitindo um maior conforto e valências.
http://www.scmm.mo/frontend/content/index.php?id=13&hl=pt

Extraído de «BGU» XLI-483, 1965.
Extraído de PEREIRA, A. Marques –  Ephemerides Commemorativas da História de Macau …., 1868.

Em 24 de Setembro de 1865, acendeu–se pela primeira vez, nesta cidade o Farol da Guia, oferecido ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral, pela comunidade estrangeira de Macau, chefiada por H. D. Margesson (1) sendo o primeiro que se acendeu, na costa da China.

AVISO AOS NAVEGANTES 

(1)  H. D. Margesson era negociante/ comerciante em Macau durante mais de vinte anos (até finais da década de 80 do século XIX) e tinha a sua firma na Rua Central, n.° 17. Com o nome de “MARGESSON & CA”. O gerente era Mortimer E. Murray.
Em 1879, trabalhava nessa firma Francisco P. de Senna e António C. da Rocha.
Em 1885, trabalhava (ainda) na firma Francisco P. de Senna e outro funcionário, Themiro Maria Gutierrez. Publicitava como agentes de várias companhias de seguro e de companhias de vapores

Directório de Macau para o anno de 1879
Directório de Macau para o anno de 1885

NOTA: as duas fotografias são da Cristiana, tiradas em Maio de 2017.

Faleceu em Hong Kong no dia 24 de Março de 1993, José Santos Ferreira (Adé). (1)
José Inocêncio dos Santos Ferreira, nasceu a 28-07-1919. Foi com a idade de 7 anos que começou a aprender as primeiras letras. Matriculou-se em 1931 no Liceu mas devido a falta de dinheiro para as propinas escolares frequentou até ao 5.º ano. O seu primeiro emprego foi na Repartição das Obras Públicas como amunuense recebendo apenas algumas dezenas de patacas. Cumpriu o serviço militar obrigatório de 1939 a 1940 mas devido à Guerra Sino-nipónica e à Guerra do Pacífico foi forçado a prestar o serviço militar mais alguns meses. Foi chefe de secretaria do Liceu. Trabalhou na Sociedade de Turismo e Diversões de Macau apór reformado.
Quando trabalhou no Liceu colaborava com jornais de Macau como por exemplo: “Notícias de Macau”, o “Clarim”, “Gazeta Macaense”. Foi um grande desportista praticando várias modalidades em especial o hóquei no Campo de Tap-Seac. Além disso tomava parte nas representações no Teatro D. Pedro com diálogo em patuá. Foi Mesário da “Santa Casa da Misericórdia de Macau”, director do “Club de Macau”, presidente do “Rotaty Club de Macau”. Condecorado com a medalha de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique em 1979” (2)

JARDIM ABENÇOADO
Nôsso Macau, terá sánto
Sã unga jardim bendito
Co fula di más bonito,
Semeado na tudo cánto
 
Tudo fula são abençoado,
Pôs Dios j´ajudá semeá
Gente antigo regá
Co lágri adocicado.
 
Coraçám, triste, chorá,
Almá fica margurado
Si têm gente mal-prestado
Dessá fula cai, muchá.

Macau sã casa cristám
Qui Portugal já ergui;
Tudo gente vivo aqui
Têm fé na su coraçam.
 
Olá fé co amor juntado,
Sã cuza Dios más querê …
Vôs ne-bom disparecê,
Macau, jardim abençoado
José dos Santos Ferreira (3)

(1) Ver anteriores referências a este grande promotor das récitas em Patuá, além de praticante e dirigente desportivo em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-dos-santos-ferreira/
(2) BARROS, LeonelHomens Ilustres e Benfeitores de Macau, 2007, pp. 103-105.
(3) Poesia em dialecto macaense, primeiro poema do livro “Macau Jardim Abençoado” com poesia e prosa em “língu maquista”, publicado em 1988, pelo Instituto Cultural de Macau. Capa de Ung Vai Meng. O livro está dividido em duas partes. A 1.ª parte, os textos são no dialecto macaense e a 2.ª parte,  os textos são em português.
FERREIRA, José dos Santos – Macau Jardim Abençoado. Instituto Cultural de Macau, 1988, 181 p.

“MACAU. JARDIM ABENÇOADO é um livrinho simples e despretensioso, como o são, afinal, a terra de sonhos e o bom povo de quem fala. Tudo que há nele, página a página, de verso em verso, foi ditado pelo coração, escrito com o amor que Macau nos inspira em todos os momentos e actos da nossa vida.
         Macau cristã
         Minha única riqueza,
         Meu tudo na vida…
O maior bocado deste volume é apresentado na doce “língu maquista”, esse aliciante dialecto antigo criado pelos nossos maiores e que constitui, sem dúvida, uma das mais características tradições desta terra repassada de glórias e sentimentos cristãos, bem orgulhosa da Pátria que jurou amar para todo o sempre…” (“Aos leitores” na pág. 9) (3)

Nos enleios subtis de fantasia,
Florido é o jardim da vida bela!
Quantos há que, sonhando, vivem nela
De doces ilusões em prenhe orgia!
 
Por longes terras, leda correria,
Libando em cada flor, em cada estrela,
Não temem o perigo de perdê-la.
Que ditoso sonhar, doce magia!
Mas não é de sensatos tal viver,
Pois a vida não é flor, é amargura
E a ilusão do  prazer mui pouco dura.
 
Na vida é mor fortuna mais sofrer;
Ter espinhos, martírios suportar.
Que prazeres e gozo é vão sonhar!

Rolando das Chagas Alves (1)
O Clarim“, 1950

(1) Poema de Rolando das Chagas Alves incluído nas duas antologias : “Trovas Macaenses” (1992), p. 163 e “Antologia de Poetas de Macau” (1999), p. 93.
Rolando das Chagas Alves, nasceu em Macau em 1923. Foi funcionário dos Serviços de Saúde e do Banco Nacional Ultramarino em Macau. Um dos fundadores do jornal «O Clarim» (2) e colaborador em vários jornais de Macau, nomeadamente «O Clarim», «Notícias de Macau» e «Gazeta Macaense»
É seguramente, um dos melhores poetas da sua geração e de até ao tempo actual, nada justificando o semi-anonimato em que permanece a sua poética, de tão impressiva como genuína qualidade.
Poeta de grande sensibilidade e de observação impressionista, tem-se por grande pesar não haver ainda publicado em forma de livro, o melhor da sua poesia“(REIS, João C. – Trovas Macaenses, 1992.)
(2) O jornal “O Clarim” que iniciou como semanário, a sua publicação em 2 de Maio de 1948 , só apareceu quando um grupo de jovens católicos (composto por José Patrício Guterres, Herculano Estorninho, José Silveira Machado, Abílio Rosa, Gastão de Barros, José de Carvalho e Rego, Rui da Graça Andrade e Rolando das Chagas Alves) apresentou aos padres Fernando Leal Maciel e Júlio Augusto Massa a ideia de publicarem um jornal.
https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Clarim_(Macau)
Anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rolando-das-chagas-alves/

Publicado no Boletim Oficial de Macau n.º 9 de 27-02-1954:
Foi fixada a residência na Ilha da Taipa, pelo prazo de quinze dias, ao sr. Leonel Milcíades dos Passos Borralho, correspondente dum jornal de Hong Kong, pelos abusos cometidos no noticiário que envia para esse jornal acerca de Macau e ainda pela circunstância de que se serviu para lançar nas colunas do jornal de que é correspondente notícias desprestigiantes para o Governo e Administração da Província, o que não pode passar sem o devido correctivo, tanto mais que o referido correspondente, é useiro e vezeiro em façanhas desta natureza. (1)

Era governador da província, Joaquim Marques Esparteiro (1951-1957) que não terá gostado duma notícia enviada por Leonel Borralho à agência UPI (2) de que era correspondente, sobre a explosão de uma bomba no Porto Interior, colocado por uma das seitas de Macau.

Leonel Milcíades dos Passos Borralho, (李安奴) jornalista, deputado da Assembleia Legislativa de Macau (1980-1984), foi proprietário e administrador da «Gazeta Macaense» (o 1.º número saiu a 30-09-1963) como semanário até 1966, depois bissemanário até 1971 e depois, diário (o único no território nessa data) até 1979 (?), Devido a doença deixou nesta data a direcção do diário passando a assumir o cargo de director-adjunto, João Severino. Presidente fundador da Associação Recreativa e Desportiva dos Deficientes de Macau. (ARDDM).

(1) MACAU Boletim Informativo, 1954.
(2) «United Press International», agência de notícias internacional fundada em 1907.
(3) A denominação ARDDM, em 2009, foi alterada para Comité Paraolímpico de Macau-China – Associação Recreativa e Desportiva dos Deficientes de Macau-China. (CPM ARDDM)