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“Ergue-se no centro da cidade o majestoso edifício dos Paços de Concelho ou Leal Senado, sede do município macaense.
O Senado de Macau foi instituído, em 1583, vinte e seis anos após a data da fundação da Povoação de Macau (1557). Nasceu duma assembleia dos moradores, convocada por iniciativa do bispo D. Melchior Carneiro, a qual escolheu para sua administração a forma senatorial, baseada nas franquias municipais outorgadas pelo rei a algumas cidades de Portugal.
No ano seguinte, foi adoptado o nome de “Senado da Câmara”, sendo este composto de dois juízes ordinários, três vencedores e um procurador da cidade, escolhidos, anualmente, por eleição popular.
Em 10 de Abril de 1585, o vice-rei da Índia, D. Duarte de Meneses, concedeu, em nome de Filipe I, a carta de privilégio com que este rei fez mercê, à Cidade do Nome de Deus do Povo de Macau, na China, e aos seus moradores, dos privilégios da cidade de Évora, carta essa que foi confirmada em 3 de Março de 1595.

Não existe nenhum documento iconográfico respeitante à traça e delineamento arquitectónicos do primitivo edifício, a não ser uma gravura chinesa, na obra «Ou-Mun-Kei-Leok», publicada no século XVIII, que mostra um pavilhão no estilo colonial fantasiosamente concebido pelo artista chinês, seu autor.
MOSAICO I.3, 1950 Leal Senado OU-MUN-KEI-LOK

O risco do actual edifício data de 1783, pois, como se verifica dum documento que se encontra nos arquivos do Senado em 6 de Dezembro desse ano, o juiz-sindicante, Joaquim José Mendes da Cunha, oficiara, remetendo a planta da reconstrução dos Paços do Concelho e da Cadeia, que lhe estava anexa, e comunicando ter ajustado com o senhorio a compra das casas e do terreno necessários para esse fim.

MOSAICO I.3, 1950 Leal Senado 1940Em 1940, fez-se a restauração completa do edifício, sendo respeitada a nobreza e a sobriedade das suas linhas tão características das antigas construções apalaçadas e, em 2 de Junho desse ano, foi reaberta a benzida a capela dedicada a Santa Catarina de Sena, patrona desta cidade, desde 2 de Maio de 1646.

MOSAICO I.3, 1950 Leal Senado dísticoNo átrio, encimando o primeiro lanço de escadaria de granito, lê-se o seguinte dístico:

“CIDADE DO NOME DE DEUS, NÃO HÁ OUTRA MAIS LEAL.
EM NOME D´EL REI NOSSO SENHOR DOM JOÃO IV MANDOU O CAPITÃO GERAL D´ESTA PRAÇA JOÃO DE SOUZA
PEREIRA PÔR ESTE LETREIRO EM FÈ DA MUITA LEALDADE QUE CONHECEU NOS CIDADÃOS D´ELLA EM 1654”

A atestar, eternamente, o fervoroso culto ao qual, com nunca desmentida lealdade, se entregaram sempre os moradores desta cidade, pela Pátria distante, tanto nas angustiosas horas das maiores incertezas, como em épocas de despreocupadas e afortunadas bonanças.
Em recompensa dos esforços envidados no extermínio dos piratas, principalmente pela retumbante e decisiva derrota infligida pelo ouvidor Arriaga à esquadra de Cam-Pau-Sai bem como pelos importantes socorros pecuniários prestados em muitas ocasiões ao Estado da Índia, D. João VI concedeu, em 13 de Maio de 1810, ao Senado de Macau, o título de LEAL.
Quando se criou o Museu de Macau, instalando-o no edifício do Senado, foi resolvido colocarem-se no átrio, onde ainda hoje se encontram, todas as pedras com instruções, e de valor histórico, descobertas na cidade. Uma das mais antigas, e que foi encontrada no jardim de San Fá Un, diz, como se vê na gravura, o seguinte:

MOSAICO I.3, 1950 Leal Senado Pedra históricaREINAD FELIPE
4.º NOSSO SÔR E
SENDO CAPT.M DE
STA FORTALEZA
FRCº dE SOUZA
DE CASTRO, SE
FES ESTE BEL
VARTE NAERA
D 1633

Presume-se que esta pedra tivesse sido retirado do antigo fortim de S. Pedro, na Praia Grande, que estava construído mesmo em frente do antigo Palácio das Repartições, depois Tribunal Judicial da Comarca de Macau.

MOSAICO I.3, 1950 Frontaria Igreja MisericórdiaNo alto da parede que fica ao fundo do patamar da escadaria principal e em cima do arco que dá para um pequeno jardim interior, foi colocado um admirável baixo-relevo, em granito, que estava incrustado na frontaria da antiga igreja da Misericórdia, cuja demolição fora decidida em 21 de Setembro de 1883.
Representa esta obra-prima de escultura local a Virgem Mãe da Misericórdia, cujo manto protector e acolhedor dos crentes é assegurado em cada lado por um querubim. À sua direita, o cardial de Alpedrinha e o Papa Alexandre VI r; e, à sua esquerda, a rainha D. Leonor, D. Martinho da Costa e o frade Miguel Contreiras. Um pouco atrás, o rei D. Manuel.
MOSAICO I.3, 1950 Leal Senado Salão

Em 1940, ao mesmo tempo que se fez a restauração do edifício do Senado, tratou-se igualmente de provê-lo com recheio condigno, tendo assim sido encomendado à firma Lane Crawford, de Hong Kong, o rico mobiliário em estilo D. João V que enche o vasto salão nobre, de tão honrosas tradições onde se faziam as aclamações dos reis, tomavam e tomam posse os governadores e se decidiram os assuntos mais graves da acidentada existência desta cidade quadrissecular.

MOSAICO I.3, 1950 Leal Senado BibliotecaNo primeiro andar e na ala direita, está instalada a Biblioteca de Macau, que encerra nas estantes trabalhadas ao gosto das bibliotecas da época de D. Joaõ IV, alguns valiosos exemplares de obras respeitantes aos primeiros tempos da nossa expansão no Oriente.

Fotos e informação retirados de
O Leal Senado da Câmara de Macau. Reportagem fotográfica de José Neves Catela e comentários de Luís Gonzaga Gomes in MOSAICO,1950.

25NOV1974 Bicentenário Chinnery ENVELOPE+SELOEnvelope, selo com o valor de 30 avos e carimbo comemorativos do Bi-centenário (1774-1974) (1) do nascimento do pintor George Chinnery (2) emitidos pelos C.T.T. de Macau

25NOV1974 Bicentenário Chinnery SELOForam emitidos 5 milhões de selos postais (Portaria n.º 625/74), da taxa de 30 avos, com as dimensões de 30 mm x 40 mm, tendo como motivo o auto-retrato do pintor, impressos nas cores amarelo, vermelho, azul, preto, castanho e violeta.

25NOV1974 Bicentenário Chinnery PORTARIAQuatro pinturas de George Chinnery foram reproduzidas em selos (cada: 3,5 patacas), lançados posteriormente em 21-03-1994 com a descrição “Macau visto por George Chinnery”

Os quatro quadros reproduzidos são:

CHINNERY - Mosteiro e Fortaleza de S. FranciscoAguarela em papel (sem data) – Mosteiro e Fortaleza de S. Francisco. Ao longe as colinas do Monte e da Guia

CHINNERY - Forte e Igreja de S. Francisco do Fortim de S. PedroAguarela em papel (sem data) – Forte e Igreja de S. Francisco do Fortim de S. Pedro

CHINNERY - Praia Grande do Fortim de S. PedroAguarela sobre papel  (c. 1833-38) – Praia Grande do Fortim de S. Pedro. Ao longe, a colina da Penha

CHINNERY - Paisagem com sampana-habitaçãoAguarela sobre papel (c. 1833-38) – Paisagem com sampana-habitação. Ao longe a Ilha da Lapa

(1) “A Rua de George Chinnery começa na Rua de S. Lourenço entre a Rua de Inácio Baptista e o Pátio da Casa Forte, e termina na Rua do Bazarinho, entre os prédios n.º 24 e 28. Chamava-se antes Rua do Hospital dos Gatos, sendo este nome mudado para o de Chinnery em 1974, bicentenário do seu nascimento
Quando chegou a Macau a 29 de Setembro de 1825, viveu alguns meses na Rua do Hospital, numa casa de Christopher August Fearon, empregado da East India C.º, mas logo no  ano seguinte arrendou o prédio n.º 8 da Rua de Inácio Baptista e ali viveu até à morte, ocorrida a 30 de Maio de 1852″. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau Volume II)
NOTA: Referências anteriores a este pintor em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/george-chinnery/

Construção de um abrigo e bateria na Colina da Guia. Já antes tinha havido e depois voltaram a ser construídos abrigos, subterrâneos e baterias . Às duas primeiras foi dado o nome de «5 de Outubro» que depois passou a «Almirante Gago Coutinho e Sacadura Cabral» sem perder o nome inicial, por ocasião da viagem aérea ao Brasil (1)

A propósito desta notícia de 1913, a Ilustração Portuguesa apresentava em Janeiro de 1914 uma foto
Artilhreiros 1914com a seguinte legenda: “A companhia europeia de artilharia depois do transporte d´um canhão do Fortim da Bahia (2) para o abrigo da colina da «Guia» sob a direcção do tenente d´artilharia sr. Farinha e Relvas no que foram empregados apenas 37 homens.”

A construção de um abrigo e bateria na Colina da Guia está relatada no Processo n.º 51 (Série B) do Arquivo Histórico de Macau com a data de 16 de Janeiro de 1913.

Posteriormente estes abrigos e baterias foram alargados e construíram-se túneis subterrâneos de ligação entre eles que, à época da Segunda Guerra Mundial, tinham a função de proteger a guarnição dos ataques aéreos. Serviam também de instalações militares com os seus próprios geradores de energia eléctrica, salas de descanso e depósitos de combustíveis e de mantimentos. O túnel mais comprido tem 456 metros e o mais curto apenas 47. Pode-se ler mais sobre estes “Túneis para uso militar na Colina da Guia” no portal do Instituto para os Assuntos Cívicos  e Municipais (3) e merecem uma visita. A entrada faz-se por este portão (foto seguinte) assinalada: “Salão de Exposições do abrigo Aéreo da Colina da Guia”

Túnel da Guia 2005(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)
(2) Não há nenhuma referência histórica, em Macau, dum Fortim chamado da “Bahia”. Muito possivelmente o jornalista se referia ao Fortim de S. Pedro , existente na Baía da Praia Grande. Este fortim estava situado no ponto médio da margem da Praia Grande (onde hoje se situa a Estátua de Jorge Álvares) e destinava-se a defender a costa adjacente ao Porto Exterior contra a possibilidade, duma invasão inimiga em embarcações pequenas. O Fortim de S. Pedro foi demolido em 1934 durante os trabalhos de recuperação de terras na baía da Praia Grande. . Em 1867 existia neste Fortim, 6 canhões.
Informações do fortim retiradas de
GRAÇA, Jorge – Fortificações de Macau. Instituto Cultural de Macau, s/ data, 144 p.

Chinnery Praia Grande com Fortim S. Pedro 1930Praia Grande em 1830 com o fortim de S. Pedro à direita (pintura de George Chinnery)

Ver ainda outra pintura de Chinnery, do Fortim de S. Pedro em 1825 em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1862-visconde-da-praia-grande/chinnery-fortim-s-pedro-1825/
(3) http://www.iacm.gov.mo/museum/viewinfo.aspx?museum=guiapop&lang=p

O pirata inglês, William Fenton, cúmplice do assassinato do tenente José António Pereira de Miranda, da lorcha Adamastor que em Julho do ano anterior(1), cruzara os mares da costa oriental chinesa, em serviço do Governo Português, sob o comando do 2.º tenente Vicente B. Barrunche (2) , tendo sido preso por algumas somas chinas que ele intentara roubar, foi conduzido a Hong Kong mas, contra toda a expectativa, o tribunal dessa colónia inglesa absolveu-o” (3)

Chinnery Praia Grande com Fortim S. Pedro

Praia Grande com o Fortim de S. Pedro à direita de George Chinnery (viveu em Macau de 1825 a 1852)

 (1) Esta notícia enquadra-se nos vários episódios de repressão da pirataria nos mares da China, este ocorrido a 30 de Junho de 1851, e descrito por vários autores. (4)
Esta versão foi retirada de Montalto de Jesus (5):
“…Quando a corveta D. João I voltou a Macau, depois de um cruzeiro da Ningpo, onde devia descobrir e impedir os abusos que o governo de Hong Kong alegava estarem a ser cometidos pelas lorchas portuguesas, o governador Cardoso (6) despachou de imediato a lorcha Adamastor (7). Na baía de Wanchow, deparou-se ao Adamastor uma frota de juncos de aspecto suspeito, entre os quais figurava uma lorcha arvorando a bandeira inglesa. Um pequeno grupo comandado pelo ten. Miranda abordou-a e revistou-a, encontrando potes de mau cheiro e outros apetrechos de pirataria. O patrão Fenton, detido, alegou que o verdadeiro patrão era um jovem china, cuja prisão encontrou forte resistência. Durante a briga, Miranda foi atirado pela borda fora com uma espada a trespassar-lhe o peito. O grupo de busca, com alguns feridos, teve de abandonar os prisioneiros e retirar-se. O Adamastor abriu então fogo. Apesar de uma feroz perseguição a lorcha de Fenton escapou…. (…)
Fenton, posteriormente capturado pelos chineses, foi julgado em Hong Kong em 1852 como cúmplice  o assassínio do ten. Miranda, mas saiu absolvido não obstante provas que – como o China Mail justificadamente observou – teriam bastado para condenar um china. De Macau veio então a azeda pergunta sobre se o peso da evidência dependia da nacionalidade do criminoso. Julgado de novo, Fenton foi sentenciado a três anos de trabalhos forçados, apenas por acompanhar piratas…(…)”
(2) Vicente Ferrer Barruncho, foi 2.º Tenente, em Macau, ao comando da lorcha Adamastor (entre 1850-1852) e Governador de Benguela, no período de 1854-1859.
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(4) Um dos relatos encontra-se no:
The Chinese Repository,Volume XV. Elibron Classics series, 2006 Adamant Media Corporation, ISBN 1-4212-7780-8 (facsimile of the edition published in 1851, Canton Journal of Occurrences, 1851)
“July 8th. The captain of the Portuguese armed lorcha Adamastor, killed on the East coast by the crew of a piratical boat commanded by a foreigner”
(5) JESUS, C. A. Montalto de – Macau Histórico. Livros do Oriente, 1990, 352 p. ISBN 972-9418-01-2
(6) O Conselheiro Francisco António Gonçalves Cardoso, governou Macau pouco tempo pois tomou posse do seu cargo, em 3 de Fevereiro de 1851 e em 19 de Novembro do mesmo ano passava as rédeas da província ao Conselheiro Isidoro Francisco Guimarães (sobre este governador, ver anterior post:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/isidoro-guimaraes/
(7) 16 de Junho de 1851 – Partiu de Macau para Shanghai a lorcha portuguesa Adamastor, armada em guerra e comandada pelo 2.º Tenente Vicente Ferreira Barruncho, sendo o primeiro navio português que, em serviço de Estado, aportou àquelas paragens
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 1995, 467 p., ISBN 972-8091-10-9

NOTA: O termo lorcha designa uma embarcação cujo casco obedece a um traçado europeu e cujo leme e aparelho vélico são de concepção oriental, combinando assim várias características que lhe davam rapidez e facilidade de manobra.
A tonelagem destes navios era bastante variável, podendo ir desde 30 a 50 toneladas. Normalmente construídas em madeira de cânfora e teca, as lorchas possuíam dois ou três mastros e estavam armadas com inúmeras peças de calibres diferentes.
No séc.XIX as lorchas eram utilizadas quer no transporte de carga quer no serviço de vigilância e defesa contra os piratas. Para este fim as lorchas foram armadas com peças de artilharia e utilizadas, em particular pelos portugueses em Macau (em meados do séc.XIX existiam no porto de Macau mais de 60 lorchas) como embarcações de combate à pirataria no Mar da China. Algumas destas acções são conhecidas, com descrições da época, bem como os seus nomes: Adamastor, Leão Terrível, Amazona, Tritão. No auge da luta contra a pirataria, as lorchas de Macau (então sob controlo português), tinham uma tripulação mista composta habitualmente por terço de portugueses e o restante de orientais, com predomínio de chineses. A tripulação rondava os 30 homens.
A pouco e pouco, por diversos motivos, as lorchas de Macau foram desaparecendo, sendo substituídas por embarcações a vapor, que transportavam mais rapidamente as mercadorias ao longo do litoral da China. Apesar da sua construção não ter sido feita apenas em Macau, pois havia lorchas contruídas em Bangkok, Ningpo e Singapura, estas embarcações desapareceram completamente das águas do Sul da China nas primeiras décadas do século XX.
Informações recolhidas de:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lorcha_(embarca%C3%A7%C3%A3o
http://www.ancruzeiros.pt/ancv-macau.html

Pelo Dec. de 10 de Dezembro de 1862, o Governador de Macau, Conselheiro Isidoro Francisco Guimarães, foi agraciado com o título de Visconde da Praia Grande, pelos relevantes serviços prestados à província durante o seu longo governo. (1)
Isidoro Guimarães Isidoro Francisco Guimarães (1808-1883), primeiro e único Visconde da Praia Grande de Macau, foi Par do Reino (Carta Régia de 28 de Dezembro de 18719), Presidente Suplementar da Câmara dos Dignos Pares (em 1878 e 1879), do Conselho de Sua Majestade Fidelíssima, Deputado da Nação (na legislatura de 1864 a 1868), Ministro de Estado Honorário, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Marinha (1865 a 1868). Foi Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário no Reino de Sião e nos Impérios da China e do Japão. (2)
Esteve como Governador de Macau durante doze anos (reconduzido três vezes) (Dec.de 13 de setembro de 1851- 1863). Foi durante o seu mandato como governador que o jogo, hoje a actividade económica mais importante de Macau, foi legalizado.
Desempenhou ainda muitos outros cargos (3)  e foi agraciado com os graus de várias ordens nacionais e estrangeiras.
Oficial da Marinha, foi reformado no posto de Vice-Almirante.

Genoveva LoureiroCasou em Macau, no ano de 1860, com D. Genoveva Rosa Inocência do Espírito Santo de Almeida Loureiro.

Chinnery Fortim S. Pedro 1825Praia Grande e Fortim de S. Pedro no desenho e aguarela em papel de George Chinnery (1825-52) (4)

À frente do fortim de S. Pedro, na Praia Grande, Isidoro Francisco Guimarães construiu um grandioso palácio adquirido pelo artista Visconde do Cercal, após o regresso do Visconde de Praia Grande  à metrópole.
É um dos principais edifícios públicos das nossas Colónias. Situado proximamente no centro da Praia Grande de Macau foi mandado construir pelo governador fallecido visconde da Praia Grande , se bem nos recorda de empreitada por 35 mil pesos” (5)

Antigo Palácio Praia GrandeO antigo Palácio da Praia Grande (6)

Em 1851, o governador Isidoro Francisco Guimarães, visconde da Praia Grande, mandou construir um palácio na avenida da Praia Grande, em frente do fortim de S. Pedro, para nele instalar o Palácio do Governo e diversos serviços. Em 1884, a sede do governo passou para o palácio do visconde do Cercal, ficando no anterior palácio apenas os serviços públicos. Em 1951, o Palácio das Repartições (demolido em 1946) foi substituído pelo Edifício das Repartições Públicas, que a partir da década de 80 albergou o Tribunal de Macau.”(7)

ITIER Praia Grande 1844FOTO de Jules Alphonse Eugène ITIER (1802-1877) – Praia Grande com o fortim de S. Pedro em Outubro de 1844 (8)

Os Viscondes da Praia GrandeOs dados biográficos foram recolhidos do opúsculo CAMPOS E SOUSA, José de – Os Viscondes da Praia Grande de Macau. Separata dos N.º 24/25 do Boletim da Junta de Província da Estremadura. Lisboa, 1953, 13 p.
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(2) Como ministro plenipotenciário, esteve à frente da delegação portuguesa no Tratado Luso-Chinês de Tien-Tsin. Localizada a cerca de 100 quilómetros de Pequim, na China, a cidade de Tien-Tsin (ou Tientsin) foi palco da assinatura, a 13 de agosto de 1862, de um acordo diplomático entre o império chinês e o reino de Portugal, no sentido daquele reconhecer a plena soberania e posse do território de Macau pelos Portugueses. Este acordo legitimou assim a plena posse por parte de Portugal, perante a China e a comunidade internacional, de Macau, que teve em Tien-Tsin a formulação de uma base legal legitimadora da presença lusa naquela cidade no estuário do Rio da Pérola. Recorde-se que este acordo diplomático era imperativo e urgente, pois, na mesma cidade, quatro anos antes, em 26-27 de junho de 1858, os chineses tinham acordado com Ingleses, Franceses (depois destes terem ocupado a cidade um mês antes) e também com Norte-Americanos e Russos, facilidades de navegação nos mares da China por estas potências e a possibilidade de abrirem representações diplomáticas em Pequim. Assim, era de todo necessário a Portugal regularizar legalmente a sua posição em Macau, na China Meridional, de forma a manter os seus interesses na região e a posse do território.
http://www.infopedia.pt/$tratado-luso-chines-de-tien-tsin
(3) Como Capitão-Tenente (promovido a 15 de Fevereiro de 1844), foi incumbido da missão, com o seu cunhado, o 1.º Tenente José Maria da Fonseca, de pedir aos chineses a entrega da cabeça e da mão do malogrado Governador de Macau, Conselheiro João Maria Ferreira do Amaral.
(4) http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/cw_gal_01_thumb.html
(5) Revista “As Colónias Portuguesas” (Lisboa, 1880, p. 115 ) in (6)
(6) TEIXEIRA, Padre Manuel – Residência dos Governadores de Macau. Direcção dos Serviços de Turismo e Comunicação Social, 53 p.
(7) COSTA, Maria de Lourdes Rodrigues- História da Arquitectura em Macau. Instituto Cultural de Macau, 1997, 137 p.
(8)  http://collections.photographie.essonne.fr/board.php?PAGE=1&DISPLAYSIZE=small&razQuery=y&facet:location