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Extraído de «B.G.P.M.T.S.», 1 de Julho de 1854, p. 130

“Que de hoje em diante o signal de alarme geral ou rebate passará a ser de três tiros de peça disparada pelo Forte de S. Pedro com intervalo de 10 segundos, e repetido pela Fortaleza do Monte, em lugar de um tiro e um foguete, como estava determinado em o & 4.º da ordem do dia N.º 17 de 15 de Maio de 1851”

Relatos dos inícios dos festejos públicos em Macau no dia 9 de Abril de 1837, pelo casamento da Rainha D. Maria II (em segunda núpcias) com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, depois Rei Consorte de Portugal, como D. Fernando II, (1) realizado presencialmente na Sé Patriarcal de Lisboa em 9 de Abril de 1836 (casamento em Coburgo por procuração em 1 de janeiro de 1836). Os festejos públicos prolongaram-se até 11 de Abril, merecendo também uma notícia no mesmo jornal, (já foi postado em 11-04-2020). (2)

Extraído de «O Macaísta Imparcial», I- 87 de 10 de Abril de 1837, p. 350
Dona Maria II (1835) por John Zephaniah Bell (3)

(1) D. Maria II, em 1836 casou em segunda núpcias com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, baptizado Fernando Augusto Francisco António de Saxe-Coburgo-Gotha e Koháry, nascido em Viena em 29 de Outubro de 1816 e falecido em Lisboa a 15 de Dezembro de 1885, no Paço Real das Necessidades, estando sepultado no mosteiro de São Vicente de Fora. O contrato matrimonial foi assinado no fim de 1835. Meses depois, chegou o marido. Haviam casado em Coburgo por procuração em 1 de janeiro de 1836 e, em Lisboa, em pessoa, na Sé Patriarcal em 9 de Abril de 1836. O casamento formal deu origem à Casa Real de Bragança-Saxe-Coburgo-Gotha e o príncipe alemão passou a Rei Consorte de Portugal, como D. Fernando II, em 16 de setembro de 1837, após o nascimento de um filho varão. Regente do reino (entre 1853 e 1855) durante a menoridade do filho D. Pedro V e, depois da morte deste, até à chegada a Portugal do filho D. Luís I. Tiveram 11 filhos. https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_II_de_Portugal

D. Fernando II, Rei Consorte de Portugal, em 1861. (4)

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/04/11/noticia-de-11-de-abril-de-1837-festejos-pelo-consorcio-da-rainha/

(3) Por Joannes Paulus – Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=63969447

(4) https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_II_de_Portugal

Acerca da viagem à Europa, em 1865, do 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo e sua esposa, Guilhermina Pamela Gonzaga, apareceram várias notícias nos jornais da época nomeadamente no semanário “Ta-Ssi-Yang-Kuo” dando conta das despedidas ao casal. Assim no dia 8 de Novembro realizou-se um “pic-nic” (não foi divulgada o local) oferecido por “alguns cavalheiros espanhóis e peruanos”; no dia 15 de Novembro uma ceia de despedida aos “seus amigos, nacionais e estrangeiros”, no Teatro D. Pedro V e na data da partida, no dia 23 de Novembro (há uma notícia no mesmo semanário que refere ser a 26 de Novembro). Partiram a 23 de Novembro de 1865 para Hong Kong da ponte cais de Macau, a bordo do navio “White Cloud”, para daquela colónia, seguir viagem num paquete francês.

TSYK, III – 6 de 9 de Novembro de 1865, p. 24
TSYK, III – 7 de 16 de Novembro de 1865, p. 28
TSYK III – 8 de 23 de Novembro de 1865, p. 31
TSYK III – 8 de 23 de Novembro de 1865, p. 33
TSYK III – 13 de 28 de Dezembro de 1865, p. 54

António Alexandrino de Melo (1837 – 1885) – 2.º Barão de Cercal. (recebeu o título em 16 de Setembro de 1863), filho de Alexandrino António de Melo (1809-1877) – | 1.º Barão do Cercal (Decreto de 11 de Dezembro de 1851 e Carta de 5 de Janeiro de 1852) em duas vidas e 1.º Visconde (Decreto de 13 de Março e Carta de 5 de Abril de 1867) |, e de Carlota Josefa Botelho (1820 -). Casamento I: Macau, São Lourenço 08.11.1858 com Guilhermina Pamela Gonzaga (1841-1893)

Anteriores referências a este ilustre macaense em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-alexandrino-de-melo/

Extraído de «TSYK» III ano, n.º 30 de 26 de Abril de 1866, p. 142

NOTA: O governador de Hong Kong era Sir Richard Graves MacDonnell (麥當奴), (1814-1881) (1) que tomou posse em 11 de Março de 1866 (até 11 de Abril de 1872). Chegou a Hong Kong a 15 de Março no navio “Princess Royal” tendo estado anteriormente em governos coloniais na Gâmbia, St. Vicent, Sul da Austrália e Norte da Scotia. Foi nesse ano de 1866 que o comando da marinha dos EUA que estava sediada em Macau, se transferiu para Hong Kong. O Governador de Macau era José Rodrigues do Amaral (22-06-1863 a 26-10-1866)

Acompanhava-o Contra-Almirante George St. Vincent King, (2) Comandante em Chefe da China e estação Naval do Japão de 17 de Janeiro de 1865 a 18 de Janeiro de 1867.

(1) Ver anteriores referências a este governante de HK bem como anterior postagem desta visita relatada no «BGM» em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/04/21/noticia-de-21-de-abril-de-1866-visita-do-governador-de-hong-kong/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sir-richard-g-macdonell-1814-1881/

(2) George St. Vincent King – 2.º filho do Vice almirante Sir Richard King (1774-1834) e de Sara Anne (filha do Almirante Sir John Thmoas Duckworth); Contra Almirante em 4 de Abril de 1862; Vice-almirante em 20 de Março de 1867 e Almirante em 20 de Abril de 1875. Por morte do seu irmão Sir Richard tornou-se Barão em 2 de Novembro de 1887,  e por licença a real de 13 de Fevereiro de 1888, tomou o nome de Sir George St. Vincent B. Duckworth King Morreu a 18 de Agosto de 1891 (aos 83 anos). PARKINSON, Jonathan – The China Station, Royal Navy: A History as seen through  the careers of the Commanders in Chief , 1864 – 1941, 2018

Jules Alphonse Eugéne Itier (1802-77), (1) francês, inspector de alfândegas, diplomata e amador fotográfico “daguerreotipista” (2) acompanhou Joseph Théodose Marie Melchior de Lagrené, (1800-1862, diplomata francês) na sua jornada para a China, em Dezembro de 1843, para concluir um tratado comercial com a China.(3) Itier documentou a conclusão do Tratado de Whampoa e viajou pela China de 1943 a 1846, escrevendo e tirando daguerreótipos do dia-a-dia do povo chinês, paisagens e monumentos chineses. Entre estes constam os da região de Guangdong nomeadamente Macau onde realizou vários “daguerreótipos” em 1844. Ao retornar à França, Itier escreveu um extenso diário da sua viagem à China“. (4).

Templo de Á Má, Outubro de 1844
Templo de Á Má, Outubro de 1844
Águas de Macau, Outubro de 1844
Águas da Ilha da Taipa, Outubro de 1844
Praia Grande com o Fortim de S. Pedro, Outubro de 1844

Anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jules-itier/
(1) http://en.wikipedia.org/wiki/Jules_Itier
(2) Daguerreótipo foi o primeiro processo comercial fotográfico (sem imagem negativa) com sucesso inventado por volta de 1837 por Louis Jacques Mandé Daguerre.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Daguerre%C3%B3tipo
(3) Tratado de Huangpu ou Whampoa, 1.º tratado franco-chinês em 1844. As negociações decorreram entre 13 de Outubro e 24 de Outubro de 1844
(4)Journal d´un Voyage en Chine 1843-1846 Vol 1
Por M Jules Itier, 1848
Journal d´un Voyage en Chine 1843-1846 Vol 2
Por M Jules Itier, 1848

A publicação “ Description of a View of Macao in China, now Exhibiting at the Panorama, Leicester Square”, de 1840, (1) apresenta dois desenhos de Robert Burford, (2) do Porto Interior de Macau.
O primeiro – uma vista do Porto Interior (da Penha à Guia), assinalando com uma numeração os principais pontos de interesse (salientando as residências dos britânicos) acompanhados depois no texto com uma pequena descrição de alguns destes pontos;
o segundo – a mesma vista mas dos barcos ancorados nas águas do Porto Interior.
Reproduzo o primeiro destes desenhos, decompondo-o em três partes, acompanhado dos textos:
………………………………………………………………………….continua
(1) “Description of a view of Macao in China now exhibiting at panorama , Leicester Square, painted by the proprietor Robert Buford, London, 1840″, 12 p. Digitalizado por “Internet Archive”/ “Google” de “The Getty Research Institute” / Cornell University
https://babel.hathitrust.org/cgi/pt?d=gri.ark:/13960/t6938b464&view=1up&seq=7
https://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=coo.31924023217676&view=1up&seq=16
(2) Robert Burford, 1791-1861. Artista conhecido pela série de “Panoramas” dos muitos sítios que visitou e que foi publicando de 1827 a 1846 – disponível na net.

Neste dia, 27 de Julho de 1862 (ver também anterior postagem de 27-07-2012) (1) perderam-se 40.000 vidas em Cantão, Hong Kong, e Macau, devido a um horrível tufão.
Retirei este extracto – descrição do temporal e os estragos – do «Boletim do Governo de Macau», VIII- n.º 35 de 2 de Agosto de 1862.

Antigamente, o aviso de aproximação dos tufões, aos habitantes e gentes do mar, era feito com hasteamento de bandeira e com tiros de canhão quando o ciclone caía sobre a cidade. Em 1898, a Repartição da Administração Marítima de Macau começou a adoptar as “Bandeiras do Código Internacional para as Letras”, (1) concebidas pelos Serviços Meteorológicos de Xangai, para informar os cidadãos da vinda e direcção dos tufões. O actual sistema de aviso por código de sinais numerados foi adoptado pela Capitania dos Portos de Macau em 1912, em consonância com os sistemas usados nas zonas costeiras da China e de Hong Kong.(2) 
Mas a adopção dum “signal para indicar a probabilidade de taes temporaes, com uma bandeira “toda branca com um quadrado vermelho no centro” acompanhado “com um tiro de peça”, já é de 1862, com a publicação do AVISO emitido pelo Conselho do Governo no Boletim Oficial de 16 de Agosto de 1862.
Extraído do «Boletim do Governo de Macao» VIII – n.º 37 de 16 de Agosto de 1862
(1)
(2) Retirado do Catálogo “Em Tempo de Tufões” do Instituto Cultural do Governo da RAEM., 2014.
Ver anteriores referências a sinais de tufão em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sinais-de-tufao/

Fotografais de Macau publicadas no Boletim da «S. L. A. do Rio de Janeiro», em 1935  e 1936.

Artur Lobo de Ávila (1) relata o tufão de 31 de Maio de 1875:
O Governador, Visconde de S. Januário, (2) aconselhara a família do seu sucessor, a transferir-se para a ala direita do palácio, (3) por ter sido a menos batida pelo tufão.
Assim fizemos , mas com resultado exactamente negativo, pois foi essa ala a que ruiu com a nova tormenta de Maio de 1875.
O tufão começou, como de costume, por uma lestada. E quando da Secretaria da junta  (4) , quis regressar a casa, já os cules não puderam trazer-me na cadeira; e, de gatas, tive de atravessar o jardim na parte posterior do palácio para entrar em casa.
Os tufões ficam assinalados com os nomes dos governadores. No de S. Januário, o barómetro desceu tanto, que acabou por estoirar a coluna de mercúrio, a ponto de o oficial às ordens – 1.º tenente Júlio Elbão de Sampaio – dizer ao Governador, que a agulha doidejava, marcando o nome do fabricante.
Durante essas tormentas, os telhados são descosidos e, em pedaços, voam pelos ares. Quem se arrisca a sair, corre perigo de vida, mesmo resguardado com um tundum, espécie de capacete de duríssimo bambu. . . .
António de Azevedo e Cunha defendeu o palácio, enquanto foi possível. As janelas foram interiormente, revestidas com taipans de madeira e escoras.
mas, mesmo assim, o mar, rugindo furiosamente, despedaçou as da secretaria, instalada no rés-do-chão.
Foi neste momento que o Cunha, o ajudante do Governador, a ordenança Carlos, – filho de macaístas – eu, alguns soldados e operários, descemos ao referido andar, onde a tremenda inundação começava a causar terríveis e trágicos efeitos.
O Cunha, que empunhava uma pequena lanterna, vendo os da frente atingidos por uma derrocadas, gritou aos que o seguiam:
– Para trás, rapazes. . .
Quinze pessoas, entre europeus e chinas, ficaram soterrados nos escombros negros e tristes.
Quando foi possível, à luz de archotes desenterrámos o ajudante-de-ordens do Governador, Alferes Caetano Deniz Junior, que tinha ficado entre as ruínas, a sua figura era confrangedora e arrepiante.
Tinha perdido os sentidos e ao recobrá-los todo ensanguentado e de olhos esbugalhados, muito a custo, disse-nos:
– Lembrei-me de meu pai . . . Vi-o . . .  Foi ele que me salvou . . .
Depois foram desenterrados e socorridos, como era possível, os demais sinistrados, que, entre ais e gemidos, aflitivamente, pediam que os salvassem.
A ordenança de cavalaria, Carlos de Manila, achou-se também às portas da morte; o china, Paulo, morreu.
Um pesado banco chinês, revestido de mármore, depois de despedaçadas as janelas, deslocou-se com o furacão e veio bater nas pernas do Governador, meu pai, ferindo-o profundamente. Este desastre, porém, evitou que ele caísse do primeiro andar para o montão de ruínas que aumentava no pavimento inferior.
Até ao amanhecer, os que escaparam aos horrores desta tragédia e os feridos, estiveram refugiados num godão – pequena arrecadação, semi-subterrânea, em que entrava a água do amor, depois de ter galgado as ruínas do aterro da Paria Grande – sobre feixes de lenha.
A população de Macau, passada a tormenta, julgou que no palácio só havia cadáveres…
E pela tarde, uma proclamação do Governador terminava assim:
“Macaenses – A cidade de Macau, que ia ressurgindo das ruínas do terrível tufão do ano passado, foi novamente experimentada por idêntico flagelo.
Peço-vos serenidade, conformidade e trabalho, para vencermos esta nova crise, pois que, como vosso Governador, velarei por vós, assim como convosco partilhei os horrores do cataclismo que, como é notório, esteve a ponto de deixar sem família: . . .
(1) Artur Lobo de Ávila (1855-1945),  romancista (dedicou-se mais ao romance histórico), ensaísta e dramaturgo, é filho de José Maria Lobo de Ávila (1817-1889)  que tomou posse como governador de Macau em 7 de Dezembro de 1874 (governou até 30 de Dezembro de 1876), sucedendo ao Visconde de S. Januário, Januário Correia de Almeida (governador entre  1872-74).
Publicou “Memórias de  Artur Lobo d´Ávila“, 1945, cujas páginas 43-47 estão transcritas (de onde retirei) em TEIXEIRA, Padre Manuel – Residência dos Governadores de Macau, pp.14-15.
Sobre  Artur Eugénio Lobo de Ávila, ver anterior referência em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/13/macau-apontamentos-historicos-a-incuria-portugueza-nas-relacoes-com-a-china/
(2) O maior tufão de Macau foi a 22 e 23 de Setembro de 1874 (era governador de Macau, o Visconde de S. Januário).
O director das Obras Públicas relata os danos causados ao Palácio do Governo: ” Os danos que sofreu este palácio, foram causados pelo tufão e pela grande enchente da Praia Grande. Com o tufão, sofreram todos os telhados, foi arrombada uma janela e houveram mais alguns pequenos estragos nos estuques.
Com a enchente, sofreram as casas do pavimento inferior, nos sobrados, portas e janelas; – a escada de cantaria da entrada principal foi deslocada completamente, saindo do seu lugar todos os degraus e alguns levados pela força das vagas para a grande distância – a balaustrada que a guarnecia foi completamente destruída também pela força das vagas”.
(3) O Palácio referido estava instalado num edifício da Praia Grande, em frente do fortim de S. Pedro. O Palácio foi construído pelo Governador Isidoro Francisco Guimarães (1851-1863) , Visconde Praia Grande. Mais tarde, em 1884, a sede do governo passou para o Palácio do Visconde Cercal, onde continua hoje como sede do Governo da RAEM.
Ver em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1862-visconde-da-praia-grande/
(4) Artur Lobo de Ávila que acompanhou o seu pai enquanto governador de Macau, trabalhou como escriturário da Secretaria da Junta da Fazenda, recebendo 60 patacas mensais.