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A propósito do temporal / ciclone que se abateu sobre Macau no dia 12 de Julho de 1883, (1) mais três relatórios datados de 14 de Julho de 1883, publicados no «Boletim da Província de Macau e Timor», no suplemento n.º 28 (Vol. XXIX), de 19-07-1883, respectivamente do Administrador (substituto) do Concelho de Macau, F. C. Lobo, do Director das Obras Públicas, Constantino José de Brito, (2)  do administrador do Concelho da Taipa e Colovane, tenente José Correa de Lemos, (3) bem como uma tabela de “Observações meteorológicas feitas no porto interior a bordo da canhoneira Tâmega” durante o cyclone” assinada pelo comandante A. J. Pinto Basto. (4)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/07/12/noticia-de-12-de-julho-de-1883-temporal-ciclone-sobre-macau-i/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/constantino-jose-de-brito/
(3)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-correia-de-lemos/
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/06/leitura-cruzador-s-gabriel-viagem-de-circumna-vegacao/

Ordem à Força Armada n.º 19 de 1 de Julho de 1871 publicada no «Boletim da Provincia de Macau e Timor», XVII- n.º 27 de 3 de Julho de 1871 em que a junta da justiça (1) condena António Dias, soldado n.º 307 da 2.ª companhia do batalhão de linha de Macau na pena 30 dias de prisão no calabouço, por na noite de 10 para 11 de Novembro do ano 1757, no posto de sentinela, se deixou dormir e roubar a sua arma, devendo ainda pagar à fazenda por meio de desconto a arma, que deixou roubar.
(1) Junta de justiça composta por:
António Sérgio de Sousa (vice almirante) Governador (2)
Vicente Nicolau de Mesquita, tenente-coronel (3)
José António da Costa, tenente-coronel (4)
J.P. Leite tenente coronel (5)
Lourenço  Marques (6)
Júlio Ferreira Pinto Basto (7)
Francisco de Assis e Fernandes.
(2) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-sergio-de-sousa/
(3) O tenente-coronel Vicente Nicolau Mesquita reformou-se em 1873 (27-11-1873) no posto de coronel estando nessa altura como comandante da Fortaleza do Monte (inaugurada a 01-07-1873). Vicente Nicolau Mesquita tinha sido comandante da Fortaleza da Taipa, e depois comandante da Fortaleza de S. Tiago (Barra).
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/vicente-nicolau-de-mesquita/
(4) O então tenente Vicente Nicolau de Mesquita foi substituído no comando da Taipa em 24-09-1849 pelo alferes Caetano Gomes da Silva, mas este morreu pouco depois, afogado pelo que foi substituído pelo então tenente José António da Costa em Outubro de 1850.
(5) Jerónimo Pereira Leite tenente coronel foi  ajudante de campo do governador Ferreira do Amaral , depois nomeado  comandante da Polícia.
(6) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/
(7) Dr Júlio Ferreira Pinto Basto foi Procurador dos Negócios Sínicos a partir de 1872 tendo depois sido eleito Deputado pelo círculo de Macau. Em 1880, nomeado Cônsul Geral de Portugal em Shanghai.

Fotos de Macau (com as respectivas  legendas) publicados na imprensa brasileira em 1933.

“O farol da Guia, o primeiro construído nos mares da China”

NOTA: creio que a esta estrada foi-lhe dada o nome de “Estrada do Engenheiro Trigo”. Começa entre a Calçada do Paiol e a Estrada de Cacilhas, em frente da estrada dos Parses e circunda a Colina da Guia a meia encosta e vem terminar na própria estrada, um pouco acima do ponto de partida. Adriano Augusto Trigo foi director das Obras Públicas de Macau entre 1919 e 1925. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II, 1997)

“A linda Avenida da Praia Grande”

NOTA: a Rua da Praia Grande foi cimentada em 1924-1925. Nesta rua erguiam-se as mais elegantes mansões do território como as dos condes de Senna Fernandes, de Carlos Pais de Assunção, Luís Aires da Silva, Major Aurélio Xavier, General António Joaquim Garcia, José Ribeiro, Simplício de Almeida, Dr. João Jaques Floriano Alvares, Constâncio José da Silva, Alexandrino Gonzaga de Melo, Maria do Carmo Piter e também algumas famílias chinesas ricas. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II, 1997)

“A fachada da célebre Igreja de S. Paulo, construída em 1602 com o auxílio dos japoneses católicos, devorada por um incêndio no dia 26 de Janeiro de 1835”

NOTA: A igreja originariamente feita de palha é de 1565; esta igreja foi incendiada e foi construída outra de madeira e coberta a telha, em 1573. Nova igreja foi edificada na colina e no local onde existem as actuais ruínas de S. Paulo em 1579. Esta igreja foi incendiada em 1601 e nesse mesmo ano iniciaram a reconstrução (1602-1603), com motivos decorativos feitos por artistas japoneses. Embora a igreja reconstruída tenha sido reaberta na véspera de Natal de 1603, e que terá custado 30,00 taéis, só ficou concluída em 1640. (TEIXEIRA, Manuel – Japoneses em Macau)

“Vista parcial do Porto”

NOTA: Vista do Porto Interior, com a Ilha da Lapa no fundo à esquerda.

“O Forte do Monte da Guia construída em 1765 que fez frente às forças holandesas que marchavam sobre a cidade, naqueles dias tristes em que os holandeses queriam tirar a Portugal o poderio ultramarino”

NOTA: A foto mostra a fortaleza de S. Paulo do Monte (e não Monte da Guia), originariamente chamada de Nossa Senhora do Monte. A conclusão da Fortaleza de S. Paulo foi em 1626 (e não em 1765), conforme inscrição epigráfica sobre a porta de acesso. Esta fortaleza teve um papel decisivo no repelir o ataque holandês no dia 24 de Junho de 1622.

O “novo” Mercado Municipal de S. Domingos (1), concluída em 12 de Outubro de 1949, foi inaugurada a 31 de Janeiro de 1950 (dia comemorativa da Revolta Republicana Portuguesa) pelo Governador da Colónia, Capitão-tenente Albano Rodrigues de Oliveira (1909-1973) (Governador de Macau entre 1 de Setembro de 1947 e 19 de Abril de 1951). Obra dos engenheiros Arnaldo Basto e Gaby Senna Fernandes. (2) A construção do novo Mercado de S. Domingos importou em $550.000,00 patacas.
Esta inauguração mereceu uma “reportagem” publicada no Boletim Geral da Colónias (3)
(1) Nesse local existia um mercado conhecido como o de S. Domingos que se incendiou no dia 15 de Novembro de 1893.

Boletim Official do Governo da Província de Macau e Timor, XXXIX-47, 1893.

Quatro anos depois, em 16 de Novembro de 1897, Lu-Cau e Vong-Atai, comerciantes de Macau, enviaram uma carta ao Leal Senado de Macau, requerendo para a construção dum Mercado no mesmo sítio (incluindo áreas para o comércio) que terá sido construído nos finais do século XIX e que foi designado como “Novo Mercado”.

O Mercado de S. Domingos no princípio do século XX (IICT/AHU)

Terá sido reconstruído e concluído em 28 de Novembro de 1927, sob a orientação de um arquitecto de Hong Kong.  Em 1949 por falta de higiene e com a estrutura debilitada, foi demolida totalmente pela Câmara Municipal e construída um novo Mercado, inaugurado em 31 de Janeiro de 1950. Por sua vez, este foi demolido em 1996 para construção dum novo, actualmente em funcionamento, inaugurado em Outubro de 1998.
http://www.archives.gov.mo/pt/featured/detail.aspx?id=91
(2) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/10/mercado-municipal-de-s-domingos/
(3) «BGC» XXVI-298, 1950.

1.º dia de circulação da emissão pelos Correios e Telecomunicação de Macau, do bloco filatélico com o tema:  “FORTALEZAS DE MACAU”, no dia 3 de Outubro de 1986. Os quatro selos são do mesmo valor (2 patacas) com desenhos de quatro fortalezas (de S. Paulo do Monte, da Taipa, de S. Francisco e de Nossa Senhora da Guia) de Luís Duran.
Apresento a pagela/brochura N.º 23 , em português, chinês e inglês, com os dados técnicos.


10.º Aniversário das Forças de Segurança de Macau – FORTALEZAS
As Forças de Segurança de Macau (FSM) foram criadas em 1 de Janeiro de 1976, por Decreto-Lei do extinto Conselho da Revolução na fase de reorganização das forças militares e militarizadas e de outros órgãos de Segurança de Macau, visando uma maior eficiência na salvaguarda dos bens colectivos e privados, na garantia de segurança pública de defesa civil contra calamidades e na contribuição para o progresso e desenvolvimento social e económico da população de Macau.
As FSM compreendem além do Comando e Quartel General, as seguintes Corporações: Polícia de Segurança Pública, Polícia Marítima e Fiscal, Corpo de Bombeiros e Polícia Municipal. Dispõem ainda de um Centro de Instrução Conjunto.
As FSM herdaram as tradições históricas das Instituições Militares Portuguesas, as quais, estiveram nos finais do século XVI na origem da construção das primeiras fortificações permanentes em Macau destinadas à protecção das populares e do comércio local em especial das acções da pirataria marítima.
“ No início do século XVII, os ataques desencadeados pelos holandeses levaram à construção do primeiro sistema de defesa para a cidade que incluía fortalezas, fortes, outros recintos abaluartados e muralhas que abrangiam toda a orla marítima e que visava especialmente a detenção dos ataques provenientes do mar.
O conceito de defesa mantem-se inalterável até meados do século XIX, altura em que o esforço defensivo foi orientado para as acções ofensivas provenientes de terra, sendo então construídos os fortes dos locais dominantes de interior da cidade. É ainda deste período a construção das fortalezas nas ilhas.
Finalmente, já no século XX o sistema de defesa incluiu a construção de galerias, de instalações subterrâneas de comando, observação e controlo de tiro e paióis e ainda de novas posições, nos pontos dominantes da cidade, tendo em vista a defesa em todas as direcções.”

Coronel José Eduardo C. de Paiva Morão
2.º Comandante das Forças de Segurança de Macau

(1) António José Teles de Meneses tomou posse do Governo de Macau em 30 de Agosto de 1747. Governou até 1749. Foi depois nomeado Governador de Timor e Solor entre 1768 e 1776. Em Timor , ficou conhecido o episódio de 11-08-1769: “As dificuldades de se conservar a capital de Timor Lifau, eram tais que o Governador António José Teles de Meneses, ali chegado em 1768, incendeia essa cidade e com o céu e o mar iluminados pelas chamas embarca, a 11 de Agosto em direcção a Dili onde fundeia a 10 de Outubro, ficando esta a capital de Timor. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997.)
NOTAS:
POLÉ – antigo instrumento de tortura no qual se pendurava o punido pelas mãos com uma corda e se prendia pesos de ferro nos pés, deixando-o cair com violência.
CLAVINA – nome dado à carabina antiga – arma de fogo parecida com a espingarda de cano curto.
Ver anterior referência a este governador em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/21/noticias-de-21-de-junho-de-1748/

No dia 9 de Agosto de 1698, tomou posse da capitania e governo de Macau, Pedro Vaz de Siqueira, (1) filho do embaixador ao Japão Gonçalo de Siqueira e Sousa. (2) Participou na reconquista de Ceilão e na defesa de Cochim, em 1659-1663. Seu filho António Siqueira Noronha (3) foi também Governador de Macau (durante o seu governo houve o episódio da morte de um chinês por um timorense, criado de João Soares Lisboa).  (4) (5)
(1) Pedro Vaz de Siqueira foi governador até 4 de Agosto de 1700. Viria a ser novamente governador de 22 de Julho de 1702 a 14 de Agosto de 1703.
(2) Gonçalo de Siqueira de Sousa, Capitão de Mar-e Guerra dos Galeões de Portugal primeiro embaixador enviado por D. João IV ao Japão, embaixada feita por sugestão do Padre António Cardim, S. J.. Gonçalo de Sousa reuniu.se, em 3 de Junho de 1645, em conferência com o Senado de Macau, com o Capitão-Geral Luiz Carvalho de Sousa, com o Governador do Bispado e Juízes, para tomar conhecimento das instruções sobre a embaixada ao Japão. Siqueira fora designado por decisão de D. Joaõ IV, em Lisboa a 29 de Dezembro de 1643. Para as despesas da embaixada, o Capitão Geral Luiz de Carvalho e Sousa convocou o povo do Senado no dia 6 de Junho desse ano, para o informar da necessidade de o mesmo concorrer com 40 mil patacas, pedido este que foi aceite unanimemente. (4) (6)
Em 9 de Agosto de 1645, o Senado resolveu não se arriscar a enviar a embaixada de Gonçalo de Siqueira de Sousa ao Japão sem advertir, primeiramente, a  El-Rei, que o embaixador não podia garantir consentimento para a pregação do Evangelho no Japão e que o rei deste país, após a malograda embaixada anterior de 1640, proibira a entrada dos portugueses por qualquer via. (4) (6)
(3) António Siqueira Noronha fidalgo-Cavaleiro, natural de Macau Tomou posse do Governo de Macau a 11 de Julho de 1711, segundo Charles R. Boxer. Outros autores propõem outras datas: 18 de Julho ou 22 de Julho. (4) (6) (7) Governou até 13-07-1714, data da posse de Dom Francisco Alarcão Sotto-Maior, que foi também Governador de Moçambique e Rios de Sena e Capitão-Mór da Armada do Canará e Costa do Sul. (4)
(4) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(5) “23-03-1712 – Neste dia mandou o Governador mattar hum moço de João Soares Lisboa na boca de huma pessa na Fortaleza do Monte pela morte que fes a hum China que se achava no matto cortando palha, e aos oito companheiros que não tiverão tanto culpa os mandou açoitar pelas ruas publicas da Cidade e depois vendidos em Manila para se pagarem os gastos que se fiserão com os Mandarins que os agarrarão, e com os parentes do defunto.”.(7)
Ver o mesmo episódio relatado em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/21/noticia-de-1743/
(6) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 1, 1997
(7) BRAGA, Jack  M. – A Voz do Passado, 1987.