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EDITAL DE 1 DE JANEIRO DE 1809
O Vice-rei de Cantão, Kiu-iung-kuang, publicou um edital dizendo que, por os ingleses terem efectuado um desembarque, em Macau, em Setembro de 1808, sob o pretexto de defenderem esta cidade contra os franceses, tropa essa que se retirou antes do fim de Dezembro, “jamais se lhes devia permitir comerciar n´este império. Comtudo, lembrando-nos que o seu rei offerecera tributo ao nosso imperador, relevamos a offensa que nos fizeram pela entrada em Macau.
Agora, depois de enviarem os soldados às suas terras, pedem os sobrecargas, arrependidos, perdão com muita humildade, afim de se lhes permitir comerciar n´este imperio. Conhecendo a misericordia do nosso imperador, cedemos às repetidas supplicas dos sobrecargas, deixando que desembarquem as suas mercadorias e possam vende-l´as n´esta cidade. Devem receber esta graça como um beneficio extraordinário. Vê-se que as leis chinesas teem enfraquecido com o tempo, mas no futuro haverá mais rigor. De aqui em diante, se algum europêo se atrever a quebrar as leis do imperio, será expulso para sempre.” (1)
NOTA: Governava Macau, Lucas José Alvarenga que chegou a Macau em 25 de Setembro de 1808, vindo de Bombaim no «Comboio Inglês». Estava marcada a tomada de posse a 26-12-1808 após a saída dos ingleses (2), mas só a tomou «por moléstia que lhe sobreveio inesperadamente» na tarde do dia 1 de Janeiro de 1809. Governou até 19 de Julho de 1810, data em que lhe sucederia Bernardo Aleixo de Lemos e Faria.
Seria nomeado em 1814 para um segundo mandato mas não chegou a tomar posse.
Há uma notícia de 4 de Outubro de 1814 em que o Mandarim de Heong-San, Ma, escreveu ao Procurador do Senado, exigindo uma resposta a um ofício anterior, acerca de Lucas José de Alvarenga, que regressara, com segunda nomeação, no ano de 1814, mas sem efectuar posse. Dizia o referido ofício: «Já sobre o mesmo objecto enviei chapa a Vmce. sr. procurador e por ela lhe adverti indagasse se o dito novo governador Lucas se comportava bem ou não. A que fim veio ele outra vez para Macau? Quais são os seus intentos? Recomendei também a Vmce. avisasse ao Governador actual que advertisse ao novo Governador Lucas para que sem demora voltasse à sua terra e ao mesmo tempo lhe exigi me informasse do comportamento desse sujeito e me anunciasse o dia da sua partida … »
(1) GOMES, Luía G. – Efemérides da História de Macau.
(2) Com o pretexto de defender a cidade de Macau dos ataques franceses, o Almirante inglês William Drury (3) desembarcou em Macau, em Setembro de 1808, com tropas e bagagens, apesar da oposição do Governador de Macau. Ocupou as Fortalezas da Guia e do Bonparto, tendo depois trocado esta por S. Francisco. O Governador, Bernardo Aleixo de Lemos e Faria tentou por vias diplomáticas demover os ingleses desse acto e foram as autoridades chineses – Mandarins de Casa Branca e de Heong San que receando que os ingleses “conquistassem” Macau por este meio, pressionaram a saída dos ingleses em Dezembro. Segundo fontes, os chineses terão concentrado uma força de cerca 80 000 homens do exército diante das portas da cidade.

In September 1808 a British fleet commanded by Admiral William Drury had landed troops at Macao to prevent a French occupation of the Portugueses Colony. After three months of diplomatically awkward occupation, the troops were witddrawn because the Chinese emperror, who maintained that he could defend Macao should the French try to seize it, was threatening to prohibit British trade at Canton.” (PARKINSON, Cyril Northcote – War in the Eastern Seas 1793-1815.)

Sobre este episódio da História de Macau, recomendo a leitura de WAKEMAN JR, Frederic – Drury´Occupation of Macau and China´s Response to Early Modern Imperialism. Publicado no East Asian History, n.º 28 (Dezembro de 2004) pp. 27 – 34. Pode-se ler em:
http://www.eastasianhistory.org/sites/default/files/article-content/28/EAH28_02.pdf

William Drury(3) William O´Brien Drury, (1754- 1811) da marinha inglesa, que interveio nos conflitos militares da Revolução Francesa (1792-1802) e nas guerras peninsulares (1803-1815), foi promovido a contra-Almirante em 1804 e em 1808, nomeado comandante – chefe faz forças navais britânicas (“East Indies Station”). Faleceu a 6 de Março de 1811 em Madras (Índia).

Uma das relíquias dispersas por esta terra, é a capelinha de S. Tiago, construída dentro da Fortaleza da Barra, aonde acorrem os portugueses e chineses, anualmente, a pagar as suas promessas ou a cumprir um voto, em romaria tão característica do povo português.

Ano III Capela de S. Tiago 1956

A Capela de S. Tiago, em 1955

Coisa curiosa é a devoção que até os gentios mantém por S. Tiago. Os pescadores quando passam em frente da capela, a caminho da sua faina piscatória, curvam-se reverentes – no dizer deles, batem cabeça – perante a sua imagem, cientes de que a sua intervenção lhes trará às redes grande abundância de peixe. Quantos não atribuem milagres a S. Tiago, embora vivendo em pleno paganismo.
A imagem de S. Tiago, venerada até cerca de 1920, na referida capelinha, era a que maior devoção mantinha da parte do povo.

Ano III Festa S. Tiago 1956A veneranda imagem de S. Tiago da Barra no dia da sua festa, 25 de Julho de 1956

E diz uma lenda antiga, cuja veracidade desconhecemos, mas ainda hoje bem conhecida, que aparecia, todas as noites, um oficial a passear no recinto da Fortaleza. Com as portas trancadas e sem ninguém as ter aberto, como explicar o caso?
Pessoas que ainda vivem contam que, quando crianças, iam por graça engraxar as botas da imagem, as quais apareciam novamente sujas de lodo, no dia seguinte, como se ele tivesse a passear em terra.
Diz a lenda que o oficial pedia aos soldados de serviço que lhe limpassem o calçado, e que ele lhes dava pontapés se se recusavam a fazê-lo.
Seja o que for, a imagem foi levada para Roma, considerada como milagrosa, e substituída pela actual, também antiga e muito respeitada.” (1)

A Fortaleza (Forte da Barra) situada na ponta sul da península de Macau, à margem da colina da Barra do porto interior, foi construída de 1616 a 1629 (2) no local de uma primitiva bateria, com a função de defesa do ancoradouro interior. A Capela de S. Tiago (com uma sacristia) foi construída em 1740 (data que estava na capela, mas que já desapareceu) no interior do Forte da Barra, quando esta foi ampliada e reforçada. No entanto, há quem afirme que a ermida é do tempo da construção da fortaleza ou seja 1629, por documento dessa data: “…Detrás da Capela de S. Tiago outra peça (canhão) de 18 libras invocava S. Lino, Papa…” É curioso que os nomes dos protectores que estavam gravados em cada peça existente na fortaleza, como S. Miguel, S. Gabriel, Sto. António, Sto. Afonso, Sta. Úrsula e outras, não se encontrou porém, nenhuma com a invocação de S. Tiago (existia duas mas na Fortaleza do Monte). O certo é que os portugueses têm consagrado especial devoção a S. Tiago da Barra.

Pousada de Santiago 1988A Pousada de Santiago inaugurada em 1982, dentro da Fortaleza da Barra
(Revista MACAU n.º 13, 1988)

Actualmente, a Capela encontra-se dentro da Pousada de S. Tiago da Barra, podendo ser visitada a capela em seu interior onde se destacam a imagem da Virgem e do padroeiro.
NOTA: Das capelas que se ergueram dentro de muralhas fortificadas, conservam-se intactas apenas a da Guia e a de S. Tiago da Barra.
(1) Macau Boletim Informativo n.º 72 de 1956
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II. Instituto Cultural de Macau, 1997, 560 p. ISBN 972-35-0244-5.

Fotos de Macau de 1952, tiradas da Fortaleza da Guia, aquando da visita do Ministro do Ultramar a Macau, nesse ano. (1)

Postal de 1952 Vista da Guia I

 Da Fortaleza da Guia , vista de Macau para o lado SE.

Postal de 1952 Vista da Guia II

Da Fortaleza da Guia, vista de Macau para o lado NW.

OLIVEIRA, Barradas de (coord.) – Relação da Primeira Viagem do Ministro do Ultramar às Províncias do Oriente no Ano de 1952, II Volume. Agência Geral do Ultramar, 1954, 500 p.

Do álbum da colecção Duarte de Sousa, (1) (2), reproduz-se um dos quinzes desenhos a lápis de Macau presente no livro: “Macau, Cidade do Nome de Deus na China” (3), sem nome do autor, mas referenciado como do ano de 1831-1832.

Macau Cidade do Nome de Deus na China The Guia Fort MacaoTHE GUIA FORT. Macao from the East

(1) A colecção Duarte de Sousa foi reunida pelo bibliófilo António Alberto Marinho Duarte de Sousa (1896-1950) e proprietário da Livraria Duarte de Sousa, em Lisboa, e é constituída por 1975 obras ricamente encadernadas em cuja temática se distinguem as obras sobre Portugal visto por estrangeiros e também aos editados por autores portugueses noutros países: http://unimarc.bn.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=200&Itemid=223  
A colecção foi adquirida pelo Estado Português em 1951 e depositada, como património nacional, na Biblioteca do Secretariado Nacional de Informação, no Palácio Foz (actualmente inactiva). Foi posteriormente transferida para a Biblioteca Nacional. É constituída por 2500 obras dos séculos XVI a XX : http://www.gmcs.pt/palaciofoz/pt/biblioteca.
(2) Álbum de Desenhos a Lápis Sobre Macau e Ilhas do Atlântico e Índico – 50 desenhos:  http://purl.pt/index/porCulture/aut/EN/933589_P6.html.
(3) Um dos desenhos desta Colecção já reproduzido, em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/05/noticia-de-5-de-fevereiro-de-1842-igreja-e-convento-de-s-francisco/
Ver também em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/24/leitura-macau-cidade-do-nome-de-deus-na-china-nao-ha-outra-mais-leal/

Praia Grande 1840 O Panorama

“O pequeno territorio que occupâmos em Macáu tem uma legua escaça de comprimento, e meia legua ainda mais escaça na maior largura: uma muralha de pedra ensôssa, collocada n´uma língua de terra distante das portas da cidade, marca os limites do terreno chamado portuguez, que com todo o ciume e vigilancia são guardados pelos chins, o que não é dado a europeus ultrapassar, salvo em auxílio para apagar fogos, conduzindo agua e instrumentos adequados. Tanto da parte do norte como da do sul é murada a cidade; daquella tem sahida para o campo de S. Paulo do Monte; pela outra a limitam dois fortes os qaues a cavalleiro se vê a ermida de N. S.ª da Penha, que já foi fortificação. Outros tres fortes defendem a bahia e entrada do porto; n´uma alcantilada montanha, fóra das mencionadas portas, apparece o forte de N. S.ª da Guia dominando o mar e todo o espaço adjacente. Um extenso caes, chamado praia-grande, da parte de leste, em frente da bahia, offerece uma morada aprazível, pois alem da vantagem da posição é ventilado pelas aragens refrigerantes no verão, e resguardado das furias das nortadas no inverno.”

Parte do artigo extraído de “Macau – Commercio do Anfião”, s/ autor, in “O Panorama”, 1840.

Destaques a “bold” da minha autoria.

Cada uma das bases para copos, referidas nos anteriores “posts”  (1) (2)

Base para copos IXO farol da Guia … a capela da Nossa Senhora das Neves. … a fortaleza… o mastro para a bandeira e os sinais de tufão….e as modernas antenas para as transmissões.

Base para copos X A largada para mais um Grande Prémio de Macau.

 Base para copos XIA culinária macaense (?) … com vinhos portugueses.

 (1)   https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/10/01/caixa-com-bases-para-copos-i/
(2)   https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/10/07/caixa-com-bases-para-copos-ii/

Guia Fortress DSTMACAU 1986“Guia Fortress and lighthouse (the oldest lighthouse on South China Coast)” (1)

Subi ao Farol da Guia
sem me vir mal de tontura:
Os homens vistos de cima
são todos da mesma altura.

Rio da Pérola, Rio
Que mais pareces o mar.
Jorge Álvares foi o primeiro
que chegou para ficar

Vieram Pinto e Camões,
com a Dinamene e o Jau,
e também eles beberam
da água fresca do Lilau.

Outros lusos aportaram,
com as naus da iniciação.
falavam a mesma língua;
tinham um só coração.

Mudam o vento e a idade.
Caem cedros altaneiros
Só permaneceu verdade
que «os últimos são primeiros».

Enquanto o oceano for livre
e enquanto o céu for azul,
seremos p´ra Portugal
a sua última Tule !

Benjamin Videira Pires (2)
Macau, 23 de Junho de 1976

(1)    Postal emitido pela “Dept. of Tourism (D.S.T.) MACAU – 5000 -86-12”
(2)   PIRES, Benjamim Videira – Espelho do Mar. Instituto Cultural de Macau,  1986, 57 p + |1|
 
Referências anteriores do Padre Benjamin Videira Pires, em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-benjamin-videira-pires/

Continuação do artigo de Adolfo D´Eça, publicado numa revista portuguesa, em 1918 (1)

“Avista-se então a cidade de Macau, edificada nas encostas dos montes. É de pitoresco e magnífico aspéto aquele anfiteatro subindo desde o semi-circulo de Praia Grande como em escalões pelas alpenduradas das  montanhas os edifícios pintados  de diversas côres, destacando no meio  de frondentes arvoredos e por cima de todos coroando os mais altos pico as velhas fortalezas do Monte e da Guia; o elegante e grandioso Hospital de S. Januário, o magestoso frontespício da destruída Igreja de S. Paulo, pesada  mole de maçiça cantaria, adornada de estruturas de bronze em tamanho natural; a branca ermida da Senhora da Penha, residencia favorita do ultimo prelado de Macau e o magestoso Hotel de Boa Vista, hoje transformado no Liceu Nacional.

Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU IV“O grandioso edifício do hospital militar de S. Januário. no meio de frondentes arvoredos e n´um dos pontos mais altos da peninsula”

            Entrando a seguir no porto interior a vista é tambem linda, mas d´um aspéto diferente. Filas de juncos chinezes de varias dimensões ancorados em ambas margens do rio, deixam vago um estreito caminho para a entrada e saída dos vapores da carreira. Minutos depois chega-se ao terminus de uma viagem de 44 milhas. O vapor atraca-se ao caes, onde se efectuam o desembarque dos passageiros e a descarga dos passageiros e a descarga das mercadorias. O turista conduzido em automoveis ou em jerinshas (carros puxados á mão) percorre por momento algumas das estreitas ruas do bairro chines, entra na Nova Avenida (Ribeiro d`Almeida), onde estão construídos edifícios novos e elegantes, que dão uma impressão mais agradável do que as antigas lojas avistadas logo á entrada do porto interior; ao mesmo tempo que o seu movimento comercial dá de conhecer ao forasteiro que está n´uma cidade, que, embora pequena, conta com uma população de 80 mil almas.

Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU V” Um panoramico aspéto da Praia Grande, vendo-se ao fundo o magestoso Hotel de Boa-Vista, onde atualmente está instalado o Liceu Nacional”

             Minutos depois encontra-se em Praia Grande a curva graciosa que de bordo atraiu a atenção do viajante: edifícios grandiosos, taes como: Palacio de Justiça, Palacio do Governo, residencias de capitalistas chinezes e edificios construídos à europeia.

Ha varios passeios em Macau. O mais preferido pelos turistas é: a Avenida Vasco da Gama de uma extensão de 600 metros e fechado n´uma extremidade por um rico jardim cuidadosamente tratado e nóutra pelo elegante monumento dedicado a Vasco da Gama.

 Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU VI

“O portico tradicional «As Portas do Cerco», que perpetuam a memoria de dois heroes macaenses, a cuja vida se encontra ligada a historia da peninsula“.

Saindo d´esta Avenida percorre o viajante estradas bem lançadas e assombradas por grandes arvores até que atinge «As Portas do Cerco», portico historico onde existem lapides atestando os feitos dos dois heroes tão bemquistos e venerandos  pelos macaenses Amaral e Mesquita.

Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU VII

O interior da historica Gruta de Camões, onde o notavel poeta escreveu a maior parte da sua grandiosa obra «Os Lusíadas»”

Voltando continua o viajante o seu passeio atravessando a antiga povoação da Patane, hoje transformada em um local assás prazenteiro, até chegar à Gruta de Camões , onde, segundo a tradição, o grande poeta passou horas bem amargas para concluir a sua gigantesca obra “Os Luziadas”.

Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU VIII“A escadaria e o frontespicio da destruida egreja de S. Paulo, que se avista da entrada do canal de Macau”

            Não deixa turista algum a cidade de Macau sem visitar as ruinas da Egreja de S. Paulo , cujo frontespício começou a contemplar de bordo do vapor. Só depois de admirar estas antiguidades que atestam o dominio secular de Portugal sobre aquela possessão genuinamente portugueza é que o turista regressa a Hong Kong contente, satisfeito e bem impressionado do que viu, estudou e admirou n´essa velha cidade portugueza, que possue paginas tão brilhantes na história das conquistas portuguezas.”

(1) “Ilustração Portuguesa“, n.º 633, 1918, pp. 373-374
A primeira parte deste artigo está em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/07/18/lei tura-roteiro-turistico-de-macau-de-1918-i/

Artigo de Adolfo D´Eça publicado numa revista portuguesa, em 1918 (1)

Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU I“Visita geral da cidade de Macau, vendo-se a curva graciosa, chamada Praia Grande”

“Qual é o itenerário a seguir para evitar o calor intenso do verão ou para fugir à densa humidade dos mezes invernosos? E qual é o local proximo, para onde se possa ir procurar descanço para a fadiga d´uma longa viagem.

             São estas as perguntas  que os turistas, ao entrarem nas companhias dos vapores, em Hong Kong, costumam fazer.

Macau !!! … Eis tambem a unica resposta que sempre obtéem. É que esta colonia portuguesa, colocada n´uma das margens da ilha de Heung-Shan, medindo cinco kilometros no seu maior comprimento, sobre trez na sua maior largura, oferece, pelo seu aspéto pitoresco e encantador, uma agradável impressão áquele que a visitar pela primeira vez.

Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU II

“O farol da fortaleza da Guia, que conta quasi um seculo de existencia, e está situado n´um dos pontos mais culminantes da península de Macau”

Deixando Hong Kong n´um dos vapores comodos de 6 pés de cala, o turista, depois de 4 horas de uma travessia atravez inumeras ilhas, descobre na eminencia um dos pontos mais culminantes da peninsula, a Fortaleza da Guia, com o seu farol, que conta perto de um seculo de existencia; o primeiro farol rotativo que iluminou a navegação nos mares da China: farol construído pelo distinto macaense, que , em vida, se chamou Carlos Vicente da Rocha. No museu das Janelas Verdes, em Lisboa, deve ainda estar o farol em miniatura que serviu de molde e que foi feito pelo referido extinto. Chegada a esta altura o vapor é obrigado a reduzir o seu andamento para entrar no canal.

 Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU III“O porto interior de Macau, onde o movimento comercial, que é já agora notavel, tende a atingir um incremento de vulto”

(1) “Ilustração Portuguesa“, n.º 633, 1918, pp. 373-374

O firmamento não voga à força das águas.
Na atmosfera, o Sol ambiciona o espaço.
O fundeadouro dos barcos fica ao largo de S. Paulo.
A porta dos marés encontra-se no meio de Sâp-Tchi (Canal da Taipa).
Os peixes voam encobrindo o desordenado fogo.
O arco-íris rompe, penetrando através da barreira das nuvens.
Chegam mercadorias estrangeiras vindas de Leste e Oeste.
Os veleiros singram dez mil lei, arrastados pelo vento.

Sêk Kâm Tchông (1)

Fortaleza Guia década 60Fortaleza da Guia – década de 60

Estes versos sobre a Fortaleza da Guia, tradução de Luís Gonzaga Gomes (1) tem outra versão, tradução de Jin Guo Ping em (2) (o tópico não é a fortaleza mas um miradouro do mar, aliás, tradução mais adequada)

VERSOS DO MIRADOURO DO MAR

Não é pela força das águas  que se sustenta o firmamento,
Por onde está o Sol sabe-se que está enevoado.
Os ancoradouros ficam fora de Sanba, (S. Paulo)
As marés vêm pela Shizimen. (3)
Peixes saltam para fora da água, agitando as ondas que parecem chamas,
Com a quebra do arco-íris, o céu livrou-se de nuvens pestilenciais,
Chegam mercadorias bárbaras vindas de leste e de oeste.
Os barcos à vela percorrem 10 000 li a favor do vento

Shi Jinzhong (2)
 
(1) OU-MUN KEI-LÉOK Monografia de Macau por Tcheong-U-Lam e Ian-Kuong-Iâm. Tradução do chinês por Luís G. Gomes. Editada pela Repartição Central dos Serviços Económicos- Secção de Publicidade e Turismo, Macau. Imprensa Nacional, 1950, 252 p.
(2) YIN Guangren; ZHANG Rulin – Breve Monografia de Macau. Tradução de Jin Guo Ping. Instituto Cultural do Governo da R.A.E. de Macau, 2009, 485 p., ISBN 978-99937-0-11-6
(3) “A baía de Haojing encontra-se registada na Mingshi (História Oficial dos Ming) com o nome de Aomen. Pelo facto de existirem ao sul desta baía quatro ilhas, que surgem do mar separadas umas das outras, levando a água a distribuir-se de uma forma semelhante ao carácter dez, deu-se a este lugar o nome de Shizimen (2)
Anteriores referências ao livro:
LEITURA – OU MUN KEI LEOK – MONOGRAFIA DE MACAU
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/09/leitura-ou-mun-kei-leok-monografia-de-macau/
POESIA – VERSOS SOBRE O FAROL DA GUIA
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/02/poesia-versos-sobre-o-farol-da-guia/