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“O Correio Macaense,” Vol. V, n.º 230, 17-02-1888,  (1)

Os Estatutos do “Club União” (autoria de Pedro Nolasco da Silva)  foram aprovados em 28 de Agosto de 1879 (Portaria Provincial n.º 99) depois, reformados pela Portaria Provincial  n.º 58 de 13 de Abril de 1887. Esta Associação transformou-se em duas posteriormente: “Associação dos Proprietários do Teatro D.Pedro V” e “Associação do Club União” – estatutos aprovados pelo Governo em 9 de Julho de 1896 – Portaria Provincial n.º 89 (Boletim Oficial n.º 28). Mais tarde, a Associação “Club União” dissolveu-se , sendo substituída pelo “Clube de Macau”. (2)
Do «Directório de Macau de 1885», retiro o seguinte:
e do «Directório de Macau» de 1890
(1) O semanário político, literário e noticioso «O Correio Macaense» apareceu a 2 de Setembro de 1883, fundado por António Gomes da Silva Teles, tendo sido suspenso, em 1888.(3)
Do Directório de Macau, 1885
(2) TEIXEIRA, M. – Galeria de Macaenses Ilustres, 1942, p. 297
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

Do «Boletim do Governo de Macau» (1) de 1868, retirei esta “reportagem” duma “soirée” no Palácio do Governo.
(1) «Boletim do Governo de Macau», n.º 8 de 24 de Fevereiro de 1868.
NOTAS:
Domingo Gordo
Na sua origem, a palavra Carnaval significa “adeus, carne”, marcando o dia seguinte, a Quarta-Feira de Cinzas, o início da Quaresma e da abstinência que é sua característica.
Assim, a terça-feira de Carnaval e o domingo que antecede a Quaresma são dias gordos, de excessos, onde se comem diversas iguarias de carne, em contraste com os dias magros ou dias de peixe típicos da Quaresma.
https://www.calendarr.com/portugal/domingo-gordo/
Soirée (palavra francesa)
Serão; espectáculo que acontece à noite, por oposição a matiné.
https://www.priberam.pt/dlpo/soir%C3%A9e

BOM CARNAVAL PARA TODOS

No dia  27 de Fevereiro de 1968, (DIA DE CARNAVAL) realizou-se no Teatro D. Pedro V uma récita em «patois», cujo relato inicial publiquei no ano passado (2017) (1)
“Depois, irrompeu pela plateia a Tuna, marchando e executando antigas marchas populares do Carnaval (marchas duma animação típica e inconfundível, que faziam as delícias da sociedade macaense de há trinta anos ou quarenta anos e têm, hoje, o gosto amargo duma saudade…). As 11 figuras que a formavam tomaram o seu lugar entre o palco e a primeira fila da plateia. E tocou, preenchendo os breves intervalos de cada número da representação. Reconhecemos neles os nomes de Francisco Freira Garcia, Mário Nogueira, Américo Vital, Manuel Rego, Luís A. da Rocha, Eduardo Siqueira, F. Siqueira, Domingos de Assunção, Filomeno da Rocha, António A. Amante e João Baptista M. K. Lam. Tocaram e agradaram plenamente, e fizeram o «milagre» de ressuscitar, ao som das violas e bandolins, uma época que já lai vai e não volta mais.
Três peças cómicas de um acto subiram à cena.
Na primeira, «Velho sevadízio», actuaram Lobato de Faria (já conhecido no meio local), no papel de velha «rabujenta» e «pelizona»; «Giga» Robarts (outra figura já evidenciada nas anteriores récitas), no papel de «Mena » linguareira e sem-papas na língua, e Tranquilino da Silva (para nós uma revelação), no papel de «Chencho, um tipo antigo de abastado cidadão macaense. O diálogo, fluente e pitoresco, entre as três personagens foi acompanhado com ao mais vivo interesse pela assistência. Risos não faltaram e gargalhadas também. Um trio modelar, no género. Nem sequer faltou, na cena final, um polícia (Alberto Alecrim, que apenas entremostrou – nesta cena – o seu papelão de cómico nato e consumado.
«Já fazê asnéra» deliciou a assistência dum «menino bonito» que se enamorou da «bicha» da vizinha do lado. Santos Ferreira, no papel da «bicha» foi simplesmente impagável. Álvaro da Silva, no papel de «senhora» à moda antiga, distinguiu-se pela sobriedade com que interveio e largou das «suas» (em «patois» de pura gema»). Maria Machado Correia Marques, no papel da mãe do «menino bonito» , revelou-se uma artista da primeira plana. Naturalidade e presença de espírito. Fala o «patois» com uma fluência antiga. E a senhora de Tranquilino da Silva, como «menino bonito», fez maravilhas. Só vista e ouvida. O quadro foi harmonioso. Completo. Evidentemente que fez rir toda a gente.
E «Chico vai escola» deu-nos um diálogo de típico sabor local. Alberto Alecrim (o professor) confirmou as suas qualidades, de actor nato e consumado. A sua actuação em português, a contrastar com a actuação de Tarcício da Luz (Chicho), este no papel de matriculando, um «pitoresco»  dialecto macaense, foi magistral. Chicho, por seu turno, mostrou dotes até então desconhecidos do grande público. Duma calma e duma espontaneidade raras, representa bem. O seu «patois» e a sua mímica têm piada, mesmo muita piada, como depois confirmou, exuberantemente, noutros números em que interveio. Foi a a revelação da noite.  ….” continua
Na primeira fila: (da esq. para a dta): Mário José Nogueira, Filomeno Rocha, e os irmãos Siqueira.
(1) Continuação do artigo iniciado em 27 de Fevereiro de 2017, extraído de TEIXEIRA, P. Manuel – O Teatro D. Pedro V, 1971; ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/02/27/noticia-de-27-de-fevereiro-de-1968-recita-de-carnaval-no-teatro-d-pedro-v/
As fotos foram retiradas da Revista «MacaU», II série, n.º 13 de Maio de 1993, pp. 44 e 49

Os alunos da Escola Comercial festejaram o velho Carnaval, no ano de 1973, no ginásio da Escola, com danças modernas.
macau-b-i-t-ix-1-2-mar-abr-1973-carnaval-da-esola-comercial-iNão faltou uma exibição dos últimos modelos de vestidos próprios para a estação
macau-b-i-t-ix-1-2-mar-abr-1973-carnaval-da-esola-comercial-iiE ainda uma competição para os/as modelos em “mini” e “maxi”
macau-b-i-t-ix-1-2-mar-abr-1973-carnaval-da-esola-comercial-iiiFotos de “MACAU BIT, 1973″.

Duas fotografias dos alunos do Liceu Nacional Infante D. Henrique no Carnaval de 1973

MACAU B.I.T. IX 1-2 MAR-ABR 1973- Carnaval no Liceu IUma representação cómica
MACAU B.I.T. IX 1-2 MAR-ABR 1973- Carnaval no Liceu IIO baile

Decorreram animadas, em Macau, as festas do Carnaval no ano de 1952 nas diversas associações e clubes. No Clube de Macau (Teatro D. Pedro V) realizou-se um arraial minhoto, onde se apresentaram vários ranchos que cantaram e dançaram ao som de músicas do folclore português

MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - CARVAVAL NO CLUBE DE MACAU IO baile foi inaugurado pelo Governador que dançou com a esposa do Presidente do Clube, Dr. Alberto Pacheco Jorge, dançando este com a esposa do Governador.
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - CARVAVAL NO CLUBE DE MACAU IIO rancho folclórico de Mong Há
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - CARVAVAL NO CLUBE DE MACAU IIIO rancho de Mong Há numa das suas danças
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - CARVAVAL NO CLUBE DE MACAU IVO rancho folclórico da Penha
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - CARVAVAL NO CLUBE DE MACAU VAs alentejanas “lavadeiras” do rancho da Penha
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - CARVAVAL NO CLUBE DE MACAU VI“As peixeiras ” de Mong Há
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - CARVAVAL NO CLUBE DE MACAU VIIOs filhos dos sócios do clube também, tiveram a sua “matinée” no domingo de Carnaval
MOSAICO IV 19-20 MAR-ABR1952 - CARVAVAL NO CLUBE DE MACAU VIIIO chá para os filhos dos sócios do Clube de Macau

Fotos da revista «MOSAICO», 1952

No dia 8 de Fevereiro de 1864, realizou-se nos salões do Teatro D. Pedro V um baile de máscaras (Carnaval), por meio de subscrição, sendo o primeiro que, no género, se efectuou em Macau. (1)

Os bailes carnavalescos tornaram-se muito populares em Macau, nas décadas de 40 e 50. Os chamados “baile de máscaras” eram muito concorridos e havia uma grande rivalidade entre os vários clubes de Macau, na organização da “melhor” festa. Alguns deles organizavam além do baile de máscaras (para adultos), sessões especiais para os filhos dos sócios (festa infantil de Carnaval) e representações teatrais.

No ano de 1955, os três principais clubes organizaram as suas festas em dias separados (curiosamente, o Governador de Macau Joaquim Marques Esparteiro e família estiveram presentes em todas elas).
Assim, o Clube de Macau realizou a sua festa no dia 19 de Fevereiro de 1955.

MBI II 1955 Clube de MacauNo Clube de Macau

A festa se prolongou até altas horas da noite e “com a presença de um grupo folclórico de holandeses residentes em Hongkong que muito contribuiu com as suas interessantes danças e canções, para a alegria que reinou durante a noite”. (2)

O baile carnavalesco do Clube Recreativo 1.º de Junho realizou-se no dia 20 de Fevereiro, com afluência dos seus numerosos sócios e de muitos convidados.

MBI II 1955 Clube RecreativoNo Clube Recreativo 1.º de Junho, vendo-se a presença do Governador e Família.

Na segunda feira de Carnaval, dia 21 de Fevereiro, efectuou-se o baile do Clube Militar onde predominou, sobretudo, a alegraia da gente moça que se divertiu até de madrugada e onde os grupos típicos, especialmente o chinês e o havaiano, atraíram as atenções gerais e mereceram de todos os presentes entusiásticas referências (2)

MBI II 1955 Clube MilitarNo Clube Militar, os participantes de trajes carnavalescos.

(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(2) MACAU  Boletim Informativo, 1955.