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 Desembarque Governador Tamagnini Barbosa 12-10-1918 I

Em o dia 12, pelas 15 horas, desembarcou no caes da Praia Grande, em frente das Repartições Públicas, o governador sr. Artur Tamagnini de Sousa Barbosa, vindo de Hong Kong na canhoneira «Pátria».

Desembarque Governador Tamagnini Barbosa 12-10-1918 II“Em Macau – O governador sr. Artur Tamagnini Barbosa, acompanhado do governador interino dr.- Vieira de Matos, passando revista à guarda de honra, que lhe prestou as homenagens militares

Do caes até ao palácio do Governo, estava esse trecho da Praia Grande belamente ornamentado de arcos de folhagem e bandeirolas.
Levantava-se em frente do mesmo caes uma torre de bambu para servir de sustentáculo a um extenso molho de panchões, que é de costume queimarem-se por estas paragens chinesas nos dias de grande gala.

Desembarque Governador Tamagnini Barbosa 12-10-1918 III“Um aspeto dos ornamentos das repartições publicas, junto ao caes, onde desembarcou o sr. Artur Tamagnini Barbosa”

Escusado é dizer que todos os funcionários, como todo o povo o esperou e, diga-se, não foi uma espera curiosa, mas uma esperança e uma prova de aféto que o Governo da Republica dava ao povo de Macau na pessoa do ilustre governador.
Trocados rápidos cumprimentos entre o Governador e as pessoas que d´ele se acercaram, seguiu o sr. Tamagnini Barbosa, no meio da multidão, para os Paços do Conselho do Leal Senado, onde deveria tomar posse do Govêrno da Província.
Foi na sala do Leal Senado, após um breve discurso do governador interino, sr. Fernando A. Vieira de Matos, que fazia entrega do Governo, assegurando a cooperação dos funcionários, como o desejo d´uma administração feliz, que, o sr. Artur Tamagnini, pronunciou um discurso ouvido com o maior respeito, afirmando que hesitára em aceitar o cargo de que se acha investido, por reconhecer a falta dos seus recursos junta aos cuidados que lhe inspiram a governação publica e a política em geral.

Desembarque Governador Tamagnini Barbosa 12-10-1918 IV“O Leal Senado ornamentado, e uma torre de bambu com panchões, no dia da chegada do governador sr. Tamagnini Barbosa”

Acima de tudo, porém, estava o consagrar-se à terra que embalára a sua meninice e dourára os sonhos da sua juventude, terra cheia de recordações, em que seu pae trabalhou longos anos para legar a si e aos irmãos um riquíssimo tesouro: o seu nome.
Felicitava-se pelo regozijo e pelas demonstrações que lhe prestava o povo de Macau, representando tudo uma homenagem que se reflectiu no primeiro magistrado de Portugal e no governo da Republica
Pediu o concurso dos que, pela ordem, progresso, ilegalidade, sempre pugnaram para o engrandecimento da linda colonia de Macau. E esses haviam de ser, talvez, os seus companheiros de outr´ora, alguns dos seus mestres mais diletos que, pela experiência dos anos e pelo saber, seriam imprescindíveis orientadores. “(1)

Artur Tamagnini BarbosaNOTA: Artur Tamagnini de Sousa Barbosa (1881-1940) veio para Macau no transporte África, ainda bebé,  (1882) tinha quatro meses, trazido pelo pai, conselheiro Artur Tamagnini Barbosa.. Fez os estudos em Macau no seminário e no liceu até aos 19 anos de idade regressando a Portugal com o pai. Chefe de Repartição do Ministério das Colónias quando foi nomeado pela primeira vez para o cargo de Governador de Macau (12-X-1918 a 17-VII-1919). Desempenhou por três vezes o cargo de Governador de Macau (2.ª vez de 8-12-1926 a 2-1-1931 (2) e a 3.ª vez, nomeado em 19-12-1936 e tomada de posse a 11-04-1937).  Casado com a poetisa Maria Ana Acciaioli Tamagnini. Faleceu em Macau, a 5-10- 1940, durante o seu terceiro mandato como governador.
Ver anteriores referências a este Governador em;
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-tamagnini-barbosa/ 

(1)   Artigo de Ayres Pires de 20-09-1918, intitulado “Macau”, publicado na revista “Ilustração Portugueza” em Fevereiro de 1919, n.º 679.
Os Clichés é do distinto amador sr. Carlos Cabral, de Macau, que obsequiosamente os cedeu à Ilustração Portuguesa
(2)   SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7).
Outras fontes indicam 1930 (a foto refere 1926-1930)

Também os nossos compatriotas residentes em Macau quizeram testemunhar o seu acedrado patriotismo e patentear o preito que dedicam aos soldados portuguezes que, em luta com os inimigos da civilização honram as gloriosas tradições herdadas.(1)

Batalha das Flores 1918 I“Carro do Governador da província de Macau, capitão-tenente sr. Vieira de Matos, com a sua esposa a sr.ª D. Raquel Swart Vieira de Matos, promotora da festa e sua filha

            Por inicitaiva da sr.ª D. Raquel de Matos, esposa do distinto capitão-tenente sr. Vieira de Matos (2),  governador interino d´aquela florescente colonia, realisaram-se ali varias festas a favor dos nossos mobilisados e da indingencia local, entre elas uma batalha de flores (3), em que tomaram parte 60 carros, ornamentados com fino gosto, e a que ocorreu quanto ha de mais distinto na nossa província ultramarina do Extremo-Oriente.

Batalha das Flores 1918 II“Menina Ondine Vieira de Matos, filha do governador da província de Macau

Batalha das Flores 1918 III“Batalha de flôres em Macau – Na Avenida Vasco da Gama onde se realisou a festa, alguns dos carros que n´ela tomaram parte. No primeiro plano o submarino «23», de Mr. Gellion, (4) tripulado por senhoras de sua família, vestidos de oficiaes de marinha, vendo-se entre elas Mrs. Gellion, trajando um vestido que simbolisava a Inglaterra”

            O produto d´estas festas, que, levadas a efeito com manifesto entusiasmo, decorreram com grande brilhantismo, atingiu uma soma  consideravel, para o que contribuiu devéras o muito prestígio de que gosa o sr. Vieira de Matos, cujas excelentes qualidades de caracter e esclarecida inteligencia, são justamente apreciadas por todos que anceiam o desenvolvimento d´aquela nossa possessão, no que ele acha devéras empenhado.

Batalha das Flores 1918 IVCarro do sr. Americo de Sousa, juiz de direito, e a sua família

          Sua esposa, que com grande devotamento se desobrigou da espinhosa missão, a que se propoz, de minorar a sorte dos nossos soldados e dos que o infortunio  avassala, tem recebido inumeros testemunhos de homenagem e de gratidão. E, nunca foram melhor e mais justificadamente merecidos.” (5)

 Batalha das Flores 1918 VCarro de Madame Ricou” (4)

Batalha das Flores 1918 VI Um aspecto da Avenida Vasco da Gama, onde se realisou a batalha de flôres, vendo-se ao primeiro plano a nau »S. Gabriel». Recorte da Revista (5)

(1) Outras manifestações a favor dos soldados portugueses  na I Guerra Mundial, já foram relatados em anteriores post´s:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/30/noticia-de-30-de-janeiro-de-1915-i-guerra-mundial/ 
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/07/noticia-sarau-dos-marinheiros-do-patria/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/04/noticia-de-uma-quermesse-a-favor-dos-soldados-da-guerra-em-1918/
(2) Fernando Augusto Vieira de Matos foi nomeado governador interino a 21-12-1917. O próximo Governador seria Artur Tamagnini de Sousa Barbosa que tomou posse a 12-10-1918 (6)
(3) “Em Celorico de Bastos efectuou com todos os requintes de galantaria uma «Batalha de Flores». O combate tornou-se por vezes renhidissimo sendo abundante o número dos deliciosos projécteis que as jovens senhoras, que tomaram parte na liça, recebiam sorridentes e alegres, retribuindo os seus adversários com flores que antes pendiam do seus colos e que d´eles levavam os seus deliciosos e estonteantes perfumes.” (“Ilustração Portugueza”, n.º 661, 1918)
(4) A «Société Électrique d´Extreme Orient» em 1907 transferiu o seu contrato de concessão de iluminação eléctrica da cidade de Macau para Charles E. W. Ricou que passou a ser o  Gerente da «The Macao Electric Ligting Company Limited» (MELCO) de 1907 a 1915.  Após esta data, este negociante aparece como Gerente da «Macao Ice Cold Storage» que existiu até 1922 (6).
Frederik Johnson Gellion era nesse ano (1917/1918) o gerente da The Macao Electric Ligting Company Limited» (MELCO).
(5) Artigo e fotos retirados da “Ilustração Portugueza” n.º 642, 1918
(6) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)