Archives for posts with tag: Fei Chengkang

23-03-1759 – data de nascimento de Andrew Ljungstedt, (1) mercador da companhia sueca «East India», escritor sueco, historiador e autor de «An Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China, and of the Roman Catholic Church and Mission in China, Boston, 1835» (2) (esboço histórico sobre os estabelecimentos portugueses na China), obra póstuma e raríssima (3), por ter sido o primeiro trabalho estrangeiro (escrita em inglês) que se publicou sobre a história de Macau. Não obstante a parcialidade do seu autor, as inúmeras inexactidões que o desvalorizam em grande parte e as precipitadas conclusões que levaram vários autores estrangeiros a formarem juízos erróneos sobre diversos acontecimentos referentes à história de Macau, foi, no entanto, noutros tempos, obra de muito apreço, pois não existia outra que versasse, como o mesmo desenvolvimento, idêntica matéria (4) (5)

Fei Chengkang no prefácio para a versão inglesa do seu livro “Macao 400 Years“, (6) refere que o Padre Manuel Teixeira, apesar de reconhecer que o sueco compilou muitos erros na sua história, reconhece no entanto que ao contrário de muitos historiadores contemporâneos, adoptou uma visão “in sticking to truth
The Portuguese historians that came afterwards borrowed from him; but instead of declaring thus indebtedness to him, attacked him violently. The reason is this: Ljungstedt, based in historical documents, asseretd that Macau was chinese territory. They denied it, declaring that the Emperor of China gave it to Portuguese, which he never did. Therefore Ljungstedt was right and they are wrong

Segundo Padre Teixeira, Ljungstedt utilizou os documentos pertencentes ao Bispo D. Joaquim de Souza Saraiva, Bispo de Pequim para escrever o livro.

                        Andrew LjungstedtRetrato de Andrew Ljungstedt pintado por George Chinnery

 (1) Andrew Ljungstedt (龍思泰; pinyin: Lóng Sītài; cantonense jyutping: lung4 (dragão) si3 (pensador) taai3 (grande). Com a idade de 38 anos (em 1797), encontrou colocação na Companhia Sueca da Índia Oriental e embarcou para a China (Cantão/Guangzhou) no barco «The Queen». Em 1804 , foi nomeado representante da Companhia em Macau. Quando a companhia sueca liquidou os seus negócios na China, Ljungstedt estabeleceu-se definitivamente em Macau. Faleceu aí a 10-11-1835. Está sepultado no Cemitério dos Protestantes. Na “wikipédia” encontra-se registado como “Anders Ljungstedt“.
(2) LJUNGSTEDT, Andrew. An Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China, and of the Roman Catholic Church and Mission in China; a Supplementary Chapter, Description of the City of Canton. Boston: James Munroe & Co., 1836. Reprint, Hong Kong: Viking Hong Kong Publications, 1992.
Poderá ler este livro em:
http://books.google.pt/books/about/An_Historical_Sketch_of_the_Portuguese_S.html?id=Q7gNAAAAIAAJ&redir_esc=y
(3) A obra original «Contribution to an Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China principally of Macao, of the Portuguese Envoys &Ambassadors to China, of the Roman Catholic Mission in China and of the Papal Lagates to China, Macau, 1832” é de excepcional raridade, já que do prelo local só saíram 100 exemplares. Após o seu falecimento, publicou-se, em Boston, em 1836, uma nova edição, porém, inteiramente refundida com o título referido em (2)
A 2.ª edição do trabalho de Ljungstedt foi vertida para português e publicada em folhetins, no hebdomadário «Echo Macaense», propriedade de Francisco Hermenegildo  Fernandes, cuja administração estava situada na Rua da Casa Forte, n.º 3. Esta tradução foi publicada na íntegra pela Imprensa Nacional de Macau, em 1909 com o título « Impressão Confidencial e Reservada dos Documentos Respeitantes à península de Macau e suas dependências»
(4) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 358 p. ISBN: 978-99937-45-38-9
(5)  SENA, Teresa – Da Polémica à História in MACAU, n.º 28, 1990, pp. 55-58.
(6) FEI Chengkang – Macao 400 Years. The Publishing House of Shanghai Academy of Social Sciences, 1996, 360 p. ISBN 7-80618-266-7

NOTA: anterior referência a esta personalidade em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/andrew-ljungstedt/

…………. Faz hoje, 457 anos.

Em 20 de Novembro de 1555, Fernão Mendes Pinto, então noviço da Companhia de Jesus, escreveu de Lampacau, uma carta, na qual descreveu a sua chegada a Sanchoão, neste ano, e a sua viagem a Lampacau, na companhia do Pe. Belchior Nunes.(1)  Esta carta dirigida ao Pe. Baltasar Dias, Reitor do Colégio de Goa, é o primeiro documento conhecido em que aparece o nome de Macau, sob a designação de Amaquao ou Ama Cuao.” (2) (3)

(1) “Em 23-11-1555, o padre jesuíta Belchior Nunes Barreto, que esteve nas costas da China, de Agosto de 1555 a 7 de Junho de 1556 e exerceu o seu apostolado entre os 300 portugueses que se encontravam, então em Macau, escreveu para o Colégio de Goa,
                               “Deste Machoam porto da China….”
dando conta dos usos, costumes, governo etc, da China, particularmente de Cantão, para onde teve de efectuar duas viagens, a fim de negociar a libertação de Mateus Brito, que ali se encontrava preso, há seis anos, com mais dois portugueses e três nativos cristãos, mediante o resgate de 1.000 taes, por cabeça. Tanto esta sua carta como a de Fernão Mendes Pinto, de 20 de Novembro de 1955 são datadas de Macau, sendo nestes dois documentos que se menciona pela primeira vez o nome de Macau.” (3)
(2) Embora alguns críticos afirmam ser engano do copista, Amaquao deveria ser Lampacao (4), Fernão Mendes Pinto na carta é claro quando diz «Amaquao, distante seis  léguas de Lampacau que é o porto onde estamos…»
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(4) Segundo Albert Kamerer (citado por Beatriz Basto da Silva ) (5), ” …mas a crítica afirma ser engano do copista, por Lampacao”
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Séculos XVI-XVII, Volume 1, Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997,198 p (ISBN 972-8091-08-7)

NOTA:  AMAQUAO – um dos possíveis nomes de Macau: Diz a lenda que a Deusa Neang Ma, patrona dos marinheiros de Fukien, (*) salvou a tripulação de um junco. Em sinal de gratidão, eles construíram um altar na praia em honra da Deusa, dando-lhe o diminutivo de A-Ma(**); o lugar passou a ser chamado de A- Ma-Kao (porto de A-Ma). Os portugueses, a partir de 1557 passaram a chamar-lhe Povoação do Nome de Deus de Amacao na China (5).
Até meados da dinastia Ming (***) , não existia o nome de Macau (****). A parte norte da península chamava-se Wangxia (MongHa) (*****)  e a parte sul tinha o nome de Haojing. O mar era rico  de ostras (ostras em chinês pronuncia-se “hao”) . Tinha duas baías nesta parte do sul que eram redondas como espelhos ( em chinês “jing”) Daí o nome de Haojing (******) (espelho de ostras)  (6)

Theodor de Bry (1528-1598) – circa 1598
Observa-se estrangeiros sendo transportados in palaquins acompanhados de criados com chapéus.
O porto Interior concorrido com navios estrangeiros. (7)

 (*) Fujian ( 福建) romanizado como Fukien ou Foukien é uma província do sudeste da China, a norte da província de Guangdong.
(**) Templo de Á-Má – 媽閣廟 mandarin Pinyin: Māgé miào; cantonense Jyutping: maa1 Gok3 Miu6
(***) Dinastia  Ming (1368-1644):  明朝 mandarin Pinyin; Ming cháo; cantonense Jyutping:  ming4 ziu1
(****) Macau  澳門 mandarin Pinyin: Àomén; cantonense Jyutping: Ou3 Mun4
(*****) Mong Ha 望廈 mandarim Pinyin wàng xià; cantonense jyutping mong6 haa6. (olhar/avistar a mansão)
(******) Haojing 濠鏡  cantonense jyutping hou4 geng3 (espelho de ostras)  ou Jinghai 鏡海cantonense jyutping geng3 hoi2 (espelho de mar)
(6) FEI Chengkang – Macao 400 Years. The Publishing House of Shanghai Academy of Social Sciences, 1996, 360 p. ISBN 7-80618-266-7
(7) http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/gallery_places/pages/cwM_1598_AH8121_Amacao_sc.htm
Segundo Beatriz Basto da Silva (5), trata-se de Macau no final do século XVI, segundo gravura em cobre (c. 1598) do artista Teodore de Bry. Foi copiado por Meinsner c. 1625 (Dervent Collection)
VER: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/tufoes