Archives for posts with tag: Exposição Internacional do Rio de Janeiro – 1922

Macau cidade pitoresca IIMacau cidade pitoresca IUm artigo (com fotografias legendadas) de M. Antunes Amor, inspector de Instrução Primária do Estado da Índia, publicado na “Ilustração Portugueza“, n.º 896, 1923 pp. 495-497.
Manuel Antunes Amor esteve em Macau, em 1922, onde realizou um “filme” destinado à Exposição do Rio de Janeiro (1)

     “Quem não conhecer Macau de visu, não poderá fazer idéa das belezas naturais que ornam aquela nossa pérola do Extremo Oriente.
Gozando duma prosperidade, hoje inegualada por qualquer outra das nossa colonias, mercê dos milhões de patacas auferidos pelo Estado, com os monopólios do fabrico do opio (2), do jogo do fan-tan, das loterias do san-pio e p´u-pio, do sal, etc. (3)

Macau cidade pitoresca IIIA bahia da Praia Grande

     Macau deslumbra o visitante, pela actividade fabril e comercial dos seus oitenta mil habitantes da raça chineza, pela elegancia e riqueza das construções, pela limpeza e boa conservação do pavimento das ruas, pelo cuidado com que são tratados os seus jardins, pelas belas perspectivas que os acidentes do terreno oferecem e, finalmente, pelas grandiosas obras do porto de navegação oceanica, ha pouco iniciadas por uma companhia holandeza.

Macau cidade pitoresca IV1 – A Praia Grande vista do Jardim de S. Francisco

Macau cidade pitoresca V2 – Um Junco  chinez

          Para os chinezes multi-milionarios é lugar de repouso, gozo e segurança nos seus palacios encantadores. Para o viajante é a cidade rica de prazeres, o clima suave, a estancia pitoresca, onde os dias passam velozes, sem que os seus olhos se fatiguem de vêr.

Macau cidade pitoresca VI3 – O porto interior, visto de bordo de um navio

 Macau cidade pitoresca VII4 – O vapor Sui-An, da carreira de Macau-Hong Kong  (Este navio foi, recentemente, saqueado pelos piratas) (4)

             Para o militar e para o funcionario civil, se não fôr o Eldorado onde a «arvore da pataca» floresce e frutifica prodigamente, é pelo menos, o sitio do Ultramar que, no clima e nos hábitos de vida dos coloniais, mais se irmana à Mãe-Pátria.”

Macau cidade pitoresca VIII5 – O porto interior, coalhado de juncos e lorchas

 (1) “1922  (Maio) – Exibiu-se no Cinematógrafo “MACAU” um filme de Macau destinado à Exposição do Rio de Janeiro. Apesar de algumas passagens escuras, é muito interessante e foi inteiramente feita por um amador, Sr. Manuel Antunes Amor (Inspector de Instrução Primária do estado da Índia).” (2)
(2) Regista-se que com a realização da Terceira Conferência Internacional do Ópio, em 1914,  Macau iniciou a supressão total do uso do ópio com redução da sua importação. No ano de 1923, publicou-se no Território novo Regulamento do comércio do ópio. Na verdade, a boa situação económica de Macau de 1918 a 1921, deveu-se sobretudo ao rendimento do exclusivo do ópio.
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)
(3) A data aproximada da criação do jogo de fan-tan é 1849.  O Pac-Hap-Piu foi regulamentado em 1876. O artigo, sendo de 1923, não menciona ainda a exploração de corridas de cavalo que terá começado em 1924.
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3.  Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)
(4) “19-10-1922 – Durante a sua viagem de Macau a Hong Kong, o barco “Sui-An”´ da carreira entre estas duas cidades, foi assaltado e pilhado por 50 piratas chineses, disfarçados  em passageiros, e comandados por uma mulher, que foi logo prostrada por um tiro de revólver, disparado pelo comissário Frederico d´Eça, o qual lhe acertara num ombro. Durante o assaltado ficaram feridos o capitão do barco Birss e outros passageiros ingleses. O produto da pilhagem foi de $50.600 patacas
VER: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/19/noticias-de-pirataria-19-de-outubro-de-1922/
GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.

Lorchas, juncos e outros barcos I

Ilustrado com estampas coloridas (1) e gravuras extra texto, desdobráveis. Apresenta-se  com glossário bilingue, português-chinês, dos termos náuticos, dos nomes das embarcações, do calendário da pesca e de outras actividades marítimas.
Muitos dos desenhos desta publicação foram copiados posteriormente no opúsculo editado pela Repartição Provincial dos Serviços de Marinha (Comando da Polícia Marítima e Fiscal), em 1968 intitulado “Tipos de barcos chineses, usados na pesca, tráfego, diversões etc, cujos desenhos foram copiados do relatório do Ex. mo Senhor Contra-Almirante Artur Leonel Barbosa Carmona“.  Este opúsculo tem 17 páginas, de 30 cm e foi compilado por Nunes da Silva (almirante). Poderá ver este opúsculo em:
http://cronicasmacaenses.files.wordpress.com/2011/08/barcos-chineses-calm-artur carmona.pdf

NOTA:  O 1º tenente Artur Leonel Barbosa Carmona, (1889-1965) teve uma  notável acção em Macau, onde serviu doze anos nos Serviços de Marinha (de 1920 a 1924, como adjunto da Capitania, de 1927 a 1931 no Comando da Polícia Marítima e Capitão do Porto e depois novamente em 1933 -1934. Regressou à Metrópole em 1934 como Capitão-tenente). Dirigiu o Observatório Meteorológico e como director, introduziu-lhe valiosos melhoramentos, o que permitiu uma intensiva cooperação com os de Manila e Xangai na previsão de tufões. Foi em 1930 a Timor, proceder à instalação de um posto rádio por si construído, que tornou possível efectuar comunicações daquela colónia com a metrópole, via Macau, as quais se faziam, antes por intermédio do Timor holandês. Regressado de Macau, comandou diversos navios, o último dos quais o “Afonso de Albuquerque”, em missões de soberania, durante a II Guerra Mundial. Dirigiu tambem as Obras Públicas de Macau (particularmente no sector da electricidade, em que era especializado).
É lembrado porque reuniu um valioso espólio para a criação (proposta sua ao Governador Artur Tamagnini Barbosa) do Museu Marítimo e de Pesca, primeiramente instalada numa dependência da Capitania dos Postos (1919)  e depois no Hangar do Porto Exterior (depósito de petróleo da Província).  Recorda-se que o Hangar foi bombardeado em 1945, e com o incêndio se perdeu todo o recheio (3).
Preparou a representação de Macau na Exposição Internacional do Rio de Janeiro, em 1922 onde foram exibidos alguns dos curiosos modelos de lorchas, juncos e outras embarcações dos mares da China.

(1) CARMONA, Artur Leonel Barbosa – Lorchas, juncos e outros barcos usados no sul da China : a pesca em Macau e arredores. 2.ª edição, Obra Social dos serviços de Marinha, 1985, 77 p. : il. ; 27 x 21,5 cm. Tem esta edição, uma nota introdutória do Cap.-Frag. João Manuel Nobre de Carvalho

Lorchas, juncos e outros barcos IIA 1.ª edição é de 1954, Macau – Imprensa Nacional, 26 cm X 21 cm, com 73 p.

(2) As estampas foram feitas pelo Senhor Eurico Fonseca, desenhador da Escola Naval.
(3) Incluindo cinco modelos de barcos, notáveis pela sua precisão que fizeram parte do mostruário da Província de Macau na Exposição Universal de Paris de 1900, ao qual foi atribuído o «Grand Prix»
This beginning ironically symbolised an outflow of heritage, rather than the contrary. The episode was repeated when Lisbon requisitioned items linked to fishing and vessels from Macao and Timor to be put on show in Portugal’s pavilion at the 1900 Paris World Fair. The aim was to affirm a country’s place on the international scene and its presence on various continents. In any case, the articles only returned to Macao after the Maritime and Fishing Museum opened in 1919, with the addition of some items collected in the meantime by the assistant to Artur Leonel Barbosa Carmona, then director of Macao’s port authorities.”
MESQUITA, Pedro Dá – artigo publicado no “Macao Magazine“:
http://www.macaomagazine.net/index.php?option=com_content&view=article&id=83:macao-museums&catid=38:issue-3