Archives for posts with tag: Estátua de Jorge Álvares
António Manuel Couto Viana, 17.07.1986 (1)

(1) In «Macau», suplemento da revista «Via Latina», Maio 1991, p. 60

Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-couto-viana/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/

“Slide”digitalizado da colecção “MACAU COLOR SLIDES  KODAK EASTMAN COLOR” comprado em finais da década de 60 ou princípio de 70 (séculoXX), se não me engano, na Foto Princesa (1) Foi inaugurada a 16 de Setembro de 1954, em Macau, no então recente aterro da Praia Grande, em frente do antigo Palácio das Repartições Públicas o pedestal e a estátua que foi feita em pedra liós, da autoria do escultor Euclides Vaz, ao primeiro português que veio à China, Jorge Álvares. (2) (3)
O Engenheiro José dos Santos Baptista, Chefe da Repartição Técnica da Obras Públicas discursou, tendo salientado:
“ … após abertura do concurso promulgado pelo Ministro do Ultramar , o júri do concurso classificou , em primeiro lugar, o trabalho do escultor Euclides Vaz, a quem, em Setembro de 1953 , foi feita a adjudicação da obra. Em Maio deste ano (1954) chegaram a Macau, no paquete «Índia», todas as peças do monumento.
Elaborado o projecto da sua localização e montagem pela Repartição Técnica das Obras Públicas, é a respectiva execução posta a concurso e, depois, adjudicada ao empreiteiro Vá San. A montagem foi iniciada em fins de Julho e ficou concluída em fins de Agosto…. (…)
Falou de seguida, o Presidente do Leal Senado, António de Magalhães Coutinho, que traçou resumidamente a biografia de Jorge Àlvares.
Finalmente o Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro usou da palavra, enaltecendo profundamente o acto. Saliento uma pequena passagem:
“A viagem de Jorge Álvares e a documentação que lhe confirma o lugar de pioneiro nos contactos do Ocidente com o Imperio Celeste não foram completamente esclarecidos senão há cerca de 20 anos, conservando-se o seu nome injustamente esquecido durante mais de quatro séculos. Diversas causas para tal contribuíram, salientando-se dentre elas os terramotos de Janeiro de 1531 e de Novembro de 1755 que destruíram boa parte dos arquivos de Lisboa sobre os nossos feitos na ìndia e terras do Oriente e que dificultaram consequentemente trabalho de estudiosos e investigadores.
Por sua vez, o autor Ljungstedt, que escreveu o «Esboço histórico dos Estabelecimentos Portugueses na China» – obra editada em Boston em 1836 – prestou-nos muito mau serviço pelos erros e incorrecções que deixou escrito a nosso respeito que infelizmente fizeram escola por esse mundo fora. Segundo Ljungstedt fora o português Rafael Perestrelo quem primeiramente tinha chegado à China embora se saiba que só aqui esteve pelo menos um ano mais tarde… (…)”
Findo os discursos, a esposa do Governador, D. Laurinda Marques Esparteiro puxou o laço que prendia a Bandeira Nacional descerrando assim a estátua de Jorge Álvares.
Numa das faces de pedestal estão gravadas a profecia que sobre Jorge Álvares nos deixou o cronista João de Barros:
«E peró que aquela região de idolatria coma o seu corpo, pois por honra de sua pátria em os fins da terra pôs aquele padrão e seu descobrimento, não comerá a memória da sua sepultura, enquanto esta nossa escritura durara»
Recorda-se que em 1513, Jorge Álvares que largara algum tempo antes de Malaca num junco tendo a bordo o seu filho, aportava ao largo da barra do Rio cantão e lançava ferro no ancoradouro da Ilha de Tamão (Jack Braga identificou-a como a Ilha de Lintin) que nessa época era o centro de todo o comércio da China com o exterior.
Faleceu na Ilha de Tamão na sua quarta viagem para estas paragens, tendo desembarcado em Cantão onde ficou pouco tempo, no regresso à Ilha de Tamão faleceu, a 8 de Julho de m 1521, oito anos depois de ali ter aportado, ficando ali sepultado junto do padrão que ele havia levantado e ao lado do filho que aí falecera em 1513.
NOTA: A cerimónia da inauguração da estátua Jorge Álvares foi filmada por uma equipa técnica da empresa cinematográfica «Eurásia Filmes, Limitada» (4) sob a direcção de Eurico Ferreira para um documentário, que não sei se foi exibido mas que se perdeu a cópia.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/foto-princesa/
(2) «MACAU Boletim Informativo», Ano II, n.º 28 de 30-09-1954.
(3) Ver referências anteriores a este navegador, nomeadamente à inauguração da estátua:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/estatua-de-jorge-alvares/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/22/leitura-caminhos-do-futuro-dos-horizontes-da-nacao-ii/
(4) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/23/noticias-23-11-1955-caminhos-longos-uma-iniciativa-arrojada-da-eurasia-filmes/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/03/filme-caminhos-longos-de-1955-artistas-chineses-de-cinema/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/07/noticia-filme-caminhos-longos/

Mais dois “slides” digitalizado da colecção  “MACAU COLOR SLIDES  – KODAK EASTMAN COLOR)”comprado na década de 60 (século XX), se não me engano , na Foto PRINCESA (1)

O edifício das Repartições Públicas, na Praia Grande, inaugurado no dia 21 de Maio de 1952 (2) e a estátua de Jorge Álvares, do escultor Euclides Vaz, inaugurada a 16 de Setembro de 1954. (3)

O Ministro do Ultramar Sarmento Rodrigues na sua deslocação a Macau em Junho de 1952, acompanhado pelo Governador da província, visitou no dia 20 de Junho de 1952, o Palácio das Repartições Públicas que tinha sido inaugurado no dia 21 de Maio de 1952 e presidiu à inauguração do Tribunal Judicial da Comarca.
Com a progressiva saída das repartições que aí estavam instaladas (Serviços de Fazenda e Contabilidade, Serviços de Administração Cívil e Administração do Concelho), em finais da década de 70 o edifício passou a ter os serviços dos vários tribunais, pelo que normalmente era referido como “O Tribunal” , na década de 80.

O Palácio das Repartições à esquerda (foto tirada provavelmente do edifício D. Leonor), a Avenida Almeida Ribeiro à direita (o Hotel Central, o edifício mais alto).

(1) Ver anteriores slides desta colecção em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/
(2) Este edifício denominado Palácio das Repartições Públicas substituiu o antigo Palácio das Repartições que tinha sido construído entre 1872-1874, no mesmo lugar (começou por ser residência de governadores, depois diversos  serviços públicos e mesmo o início do Banco Nacional Ultramarino). Como foi construído de tijolo e madeira, com o tempo, devido à formiga branca e tufões, degradou-se e foi necessário demoli-lo em 1946.O projecto do novo edifício foi de António Lei , de 1949  e conforme regime da altura, estilo monumental com colunas altas em pedra. (4)
Anteriores referências ao Palácio das Repartições
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/06/20/noticia-de-20-de-junho-de-1952-o-palacio-das-reparticoes-publicas-e-o-tribunal-judicial/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/05/21/noticia-de-21-de-maio-de-1951-edificio-das-reparticoes/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1862-visconde-da-praia-grande/
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/
(4) Descrição mais pormenorizada, aconselho consulta em:
http://www.hpip.org/def/pt/Homepage/Obra?a=499

Jorge Álvares morre nos braços do seu grande amigo Duarte Coelho, na tarde do dia 8 de Julho de 1521: « … e foi enterrado ao pé de hum padrão de pedra com as Armas deste Reyno, que elle mesmo Jorge Àlvares alli puzera hum ano ante que Rafael Perestrello fosse aquellas partes no qual ano que ali esteve, ele tinha enterrado hum seu filho que lhe faleceo…» (1)
« … Estando os nossos no qual trabalho em perigo, em vinte e sete de Junho de quinhentos e vinte e um, chegou Duarte Coelho em um junco seu aperecebido, e com êle outro dos moradores de Malaca. O qual, tanto que soube dos nossos o estado da terra, e como o Itau, que era Capitão-mor do Mar, os cometera já por vezes, quisera-se logo tornar a sair; mas, vendo que os nossos não estavão apercebidos pera isso, po-los ajudar a salvar, ficou com êles. E principalmente por amor de Jorge Álvares, que era grande seu amigo, o qual estava tam enfêrmo, que da chegada dêle, Duarte Coelho, a onze dias, faleceu e foi enterrado ao pé de um padrão de pedra com as armas dêste reino, que êle mesmo Jorge Álvares ali pusera um ano ante que Rafael Perestelo fêsse àquelas partes; no qual ano que ali esteve, êle tinha enterrado um seu filho que lhe faleceu…» (2)
Numa postagem anterior sobre Jorge Álvares (3) sublinhei o seguinte:
Por falar em Jorge Álvares, consta-se que foi Sarmento Rodrigues, nessa viagem a Macau, em 1952, quem mandou erguer uma estátua a Jorge Álvares. Coincidência ou não… eram ambos de Freixo de Espada à Cinta.
Ora este Jorge Álvares embora venha mencionado em muitos trabalhos como natural de Freixo de Espada à Cinta, não há documento que comprove tal facto.
Artur Basílio de Sá, autor do livro “Jorge Álvares”, (2) retrata não o Jorge Álvares (cuja naturalidade não se conhece) escrivão, por mercê do capitão de Malaca e modesto armador de um junco, primeiro europeu a aportar a China por via marítima em 1513 mas outro Jorge Álvares, este sim, natural de Freixo de Espada à Cinta, abastado mercador e capitão de um navio, homem do mar, navegador por vocação, primeiro cronista do Japão, grande amigo do padre Mestre Francisco Xavier, a quem tanto procurou auxiliar nos seus trabalhos apostólicos, pondo ao serviço do santo o seu navio, o seu saber e a sua fé de zeloso e instruído cristão.
Assim mesmo na Introdução, o mesmo autor escreve:
“Com sobejos motivos e fundamentos se interessou pois, o Sr. Comandante Sarmento Rodrigues quando ainda Ministro do Ultramar, por uma justa consagração daquele seu conterrâneo na sua vila natal. E para que naquela terra transmontana se pudesse erguer um condigno monumento ao insigne navegador dos ares do Oriente e primeiro cronista do Japão, teve intervenção decisiva e generosa o Sr. Governador de Macau, contra-almirante Joaquim Marques Esparteiro, concedendo para esse efeito um subsídio, retirado da verba destinada ao levantamento em Macau da estátua do outro Jorge Álvares, o primeiro navegador ocidental que foi à China e cuja naturalidade ainda se não conhece.”
Cita o mesmo autor: “ … no período situado entre 1511 e 1550, o nome de Jorge Álvares aparece-nos a designar alguém que desempenha ofícios vários em datas diferentes:
– Em 1511, o escrivão da nau «S. João Rumessa» chamava-se Jorge Álvares
-Em 1514, o primeiro português qua vai à China como feitor da fazenda de el-rei embarcada no junco do bendara de Malaca, chamava-se Jorge Álvares.
-Em 1518, o homem de armas que sabia a língua malaia e traduziu três cartas dos reis das Moluscas tinha igualmente o nome de Jorge Álvares.
– Finalmente, em 1548, um dos grandes amigos do Padre Mestre Francisco chama-se também Jorge Álvares., que Fernão Mendes Pinto diz ser natural de Freixo de Espada à Cinta.”
A estátua que está em Freixo de Espada à Cinta (foto anterior) é deste navegante (e não o da China) embora a escultura dele seja de Euclides da Silva Vaz (1916), o mesmo escultor que fez a estátua do Jorge Álvares colocada em  Macau (foto seguinte).

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_%C3%81lvares

A estátua foi colocada frente ao edifício das Repartições, na então zona de aterro da baía da Praia Grande, a 16 de Setembro de 1954 (data do descerramento)
(1) BARROS, João de – Da Ásia (edição de 1777), Década III, Liv VI, Cap. II in KEIL, Luís – Jorge Álvares O Primeiro Português que foi à China (1513). Instituto Cultural de Macau, 1990.
(2) SÁ, Artur Basílio de – Jorge Álvares, Quadros da sua biografia no Oriente. Agência Geral do Ultramar, 1956, 143 p.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/01/07/noticia-de-7-de-janeiro-de-1514-leitura-jorge-alvares-o-primeiro-portugues-que-foi-a-china-1513/
Anteriores referências a Jorge Álvares
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/

Estátua Jorge ÁlvaresMonumento a Jorge Álvares

 “Ergue-se em frente do palácio das Repartições, na Praia Grande a figura simpática e imponente de Jorge Álvares, o primeiro português que veio à China em 1513 e que faleceu em Taimão, perto de Cantão, em 1521.
Por iniciativa do ministro do Ultramar, almirante Manuel Maria Sarmento Rodrigues, foi-lhe levantado em Macau um monumento.” (1)
Foi mutilado nos acontecimentos de 1-2-3, a 3-12-1966, tendo sido posteriormente reparado.
Referências anteriores a Jorge Álvares e a esta estátua, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/

Colégio D. BoscoColégio de D. Bosco, onde os salesianos constroem a sua obra de aprendizado e de Fé.

 “Em 1951, o Colégio de D. Bosco passou para o edifício próprio, sito na Estrada Ferreira do Amaral, tendo o respectivo terreno sido concedido gratuitamente pelo Governo `Associação dos Padres Salesianos portugueses, em 29 de Janeiro de 1940, para a erecção dum colégio e Oratório Festivo, para rapazes europeus e macaenses. A primeira pedra da erecção do actual edifício deste Colégio foi benzina e lançada pelo bispo D. José da Costa Nunes, em 1941, antes de deixar esta diocese, por ter sido eleito Patriarca das Índias Orientais. Com o rompimento das hostilidades no Pacífico, em Dezembro desse ano, os trabalhos não puderam continuar, tendo o ferro e o cimento para a obra sido vendidos para compra de arroz.
A 6 de Fevereiro de 1949, o então bispo desta diocese, D. João de Deus Ramalho, benzeu a nova pedra angular do edifício.“(2)

Av. Marginal Porto InteriorAvenida marginal, em Macau

 Esta foto abrange parte da Avenida Marginal do Porto Interior (que ia desde as Oficinas Navais até ao Canídromo) da Barra até à Ponte cais n.º 16. Era o local (em 1958) onde atracava os vapores de menor calado da carreira Macau-Hong Kong (“Fat-Shan”, “Tai-Lóy”, “Tak-Shing”, «Lee Hon» e «Golden City»), os barcos (pequenos) de carga e descarga e os juncos e sampanas.
Foi o Governador Januário de Almeida, Visconde de S. Januário quem ordenou a execução da primeira fase do alargamento do aterro marginal do Porto Interior (a aterragem da Barra até ao Patane tinham sido iniciadas em 1868) e simultaneamente regularização do regime da corrente do rio. (3). As obras de aterragem ficaram concluídas em 1881.
Fotogravuras do livro de:
GONÇALVES, Manuel Henriques – Roteiro do Ultramar. Lisboa, 1958, 131 p.
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II. Instituto Cultural de Macau, 1997, 560 p.
(2) Macau Boletim Informativo, 1956.
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Jornal de Notícias, 1954, 267 p.

Nunca é demais recordar que este ano se comemora os 500 anos da chegada de Jorge Álvares à costa sudeste da China, no mar da China Meridional, com um carregamento de pimenta da Samatra destinado a Cantão (1) (2)
Em 1513, quinze anos após a chegada de Vasco da Gama à Índia, Jorge Álvares partiu de Malaca para a China num pequeno barco e ancorava na ilha de Tamão, (3) a qual segundo documentos portugueses, figurava como a Ilha do Comércio.
Ali ergueu o navegador um padrão, uma coluna de pedra encimada por uma cruz e pelas armas de Portugal, para marcar a descoberta duma nova terra pelos Portugueses.
Alguns meses depois, Jorge Álvares, dava sepultura aos restos mortais de um dos seus filhos no sopé daquele monumento. Este foi o primeiro português a quem o solo da China ofereceu morada para o derradeiro descanso.
Em Abril ou Maio de 1514, Jorge Álvares regressou da China a Malaca.

MAPA ÁSIA 1571Atlas de 1571 (4)

Sabe-se que Jorge Álvares, em 17 de Junho de 1517, saiu de Malaca com destino à China, acompanhando Fernão Peres de Andrade (enviado pelo Governador da Índia, Lopo Soares de Albergaria) e o boticário e naturalista Tomé Pires, à China como primeiro embaixador da Coroa Portuguesa à corte do Imperador do Sol Nascente.

 MONUMENTO Joge Alvares 1960Monumento a Jorge Álvares (cerca 1960)

Em Janeiro de 1520 Jorge Álvares distinguiu-se na defesa da cidade de Malaca.
Jorge Álvares atingiu por várias vezes as costas da China, mas em 1521 (8 de Julho), acometido de doença, desembarcou de novo em Tamão, onde morreu, amparado nos braços do seu inseparável companheiro Duarte Coelho, e foi sepultado junto dos restos mortais de seu extremoso filho.

 MONUMENTO Joge Alvares 1980Monumento a Jorge Álvares( cerca 1980)

NOTA: sobre Jorge Álvares, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/ 
EXP 500 Anos Portugal-China(1) Aconselho uma visita (muito interessante) à exposição “Portugal – China: 500 Anos” – uma mostra evocativa do longo historial das relações luso-chinesas, na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa. A mostra estará presente até ao dia 18 de Janeiro de 2014.

http://www.bnportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=865%3Amostra–portugal-e
 
(2) A 6 de Janeiro de 1514, o capitão de Malaca, Rui de Brito Patalim, escreveu a D. Manuel, comunicando ter enviado um junco à China, carregado de pimenta, na companhia doutros juncos chineses. Com esses juncos seguiram cinco portugueses, dois dos quais no junco pertencente ao Rei de Portugal, sendo um feitor e outro escrivão.
A 7 de Janeiro de 1514, Tomé Pires escreveu de Malaca, comunicando ao Rei de Portugal que um junco de sua Majestade, comandado por Jorge Álvares, seguiu com outro para a China, a fim de buscar mercadorias, sendo as despesas partilhadas em partes iguais enter El-Rei e Baemdara Nina Chatu.
(3) “Pequena ilha adjacente à costa sudeste da China, hoje chamada de Lin Teng
GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de macau, 2010, 357 p. ISBN: 978-99937-45-38-9

Onde situar Tamau, Tamang, Tamão, Tun-Mun? Hoje é Lin-Tin, ou será entre Lin-Tin e a cidade de Nam-Tau, ou simplesmente, um porto da ilha de Sanchoão”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Séculos XVI-XVII, Volume 1. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997198 p (ISBN 972-8091-08-7).
(4) Atlas do cartógrafo português Fernão (ou Fernando) Vaz Dourado (c. 1520 – c. 1580).
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f9/Atlas_de_Fernao_Vaz_Dourado_%28Asia%29.jpg?us
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fern%C3%A3o_Vaz_Dourado

RODRIGUES, M. M. Sarmento – Caminhos do Futuro nos Horizontes da Nação. Grupo de Estudo e trabalho para o Aperfeiçoamento do Ensino, Lourenço Marques, 1962. 186 p. 23.5 cm x 17 cm.
No seguimento dao post anterior (1), sobre este livro , transcrevo enxerto dum dos discursos do
Comandante Sarmento Rodrigues: Diálogo em Macau (p. 141)
“Aqui se tem perpetuado, numa constância inalterável, o expansionismo espiritual que Jorge Álvares, em 1513, apadroando pela primeira vez a China, simbòlicamente ofereceu a este velho Mundo fechado. aqui se tem vivido em perfeita compressão e respeito pelas ideias e interesses dos outros povos, nomeadamente o chinês, sem a mais pequena violência contra a sua religião , os seus costumes, os seus direitos.
               Para a China e para todo do o Oriente têm saído missionários, apenas couraçados na força espiritual das suas convicções religiosas e levando como armas a generosidade e abnegação cristãs. De todo o Oriente têm vindo abrigar-se em Macau, e buscar o seu asilo em várias épocas e pelas mais diversas e por vezes antagónicas razões, muitos, sem distinção, a quem os azares da sorte lançaram na desgraça e na desilusão da vida.
               Porta das missões e porta de abrigo, duas designações que lhe têm sido dadas e que tão justamente a definem.”

Por falar em Jorge Álvares, consta-se que foi Sarmento Rodrigues, nessa viagem a Macau, em 1952,  quem mandou erguer uma estátua a Jorge Álvares. Coincidência ou não… eram ambos de Freixo de Espada à Cinta.
A estátua foi colocada frente ao edifício das Repartições, na então zona de aterro da baía da Praia Grande,  a 16 de Setembro de 1954 (data do descerramento)

FOTO DO DIA DE DESCERRAMENTO DA ESTÁTUA

(1) LEITURA – “CAMINHOS DO FUTURO DOS HORIZONTES DA NAÇÃO (I)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/05/leitura-caminhos-do-futuro-dos-horizontes-da-nacao-i/

Na presença de Sua Ex.ª o Governador , de Sua Exma. Esposa e das principais autoridades  civis, militares e eclesiásticas da Província foi colocada, cerca das 11.00 horas, a primeira pedra do novo edifício destinado ao Liceu Nacional Infante D. Henrique. Assinalando o acto, o Sr. Engenheiro José dos Santos Baptista, Chefe da Repartição Provincial dos Serviços de Obras Públicas, Portos e Transportes, leu o seguinte auto:
«Auto da solenidade da colocação da pedra fundamental do edifício do Liceu Nacional Infante D. Henrique  que se vai erigir em comemoração do XXX Aniversário da Revolução Nacional.
Aso vinte e oito dias de Maio do ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil novecentos e cinquenta e seis, nesta Cidade do Santo Nome de Deus de Macau, na Ásia e nos terrenos do aterro da Praia Grande, sendo Governador o Contra-Almirante Joaquim Marques  Esparteiro e, na sua presença bem como do Prelado da Diocese, membros do Corpo Diplomático, Conselho de Governo , Chefes das Repartições do Estado  e funcionários civis e militares, se procedeu à cerimónia da colocação da pedra fundamental do edifício do Liceu Nacional Infante D. Henrique, que se há-de erigir como recordação do XXX Aniversário da Revolução Nacional, adentro do programa do Plano de Fomento…” (1)  
O terreno para o novo Liceu ficava situado nos aterros da Praia Grande e compreendia os talhões que eram limitados pela Rotunda Ferreira do Amaral, Avenida Dr. Oliveira Salazar (na altura, depois, Avenida Dr. Mário Soares), Avenida D. João IV e Avenida Infante D. Henrique. O talhão que confina com a Rotunda Ferreira do Amaral, foi destinado ao edifício e, o outro, a campo de jogos dos alunos. O edifício ocupará uma área coberta de 2.465, 16 metros quadrados, e o campo de jogos uma superfície de 4.950,00 metros quadrados.
O Edifício construído dentro da primeira  fase  do Plano do Fomento foi oficialmente inaugurado aos 2 dias de Outubro de 1958 (2)

Esta foto, do ano de 1954, da estátua de Jorge Álvares, “vê-se” os terrenos ao fundo (à esquerda) da antiga Avenida Dr. Oliveira Salazar onde se ergueria o Liceu Nacional Infante D. Henrique. (3)

Esta foto  publicada pela Agência Geral do Ultramar (4) em 1964, já se “vê”, no fundo à esquerda, o edifício construído.

(1) Notícia publicada no “Macau – Boletim Informativo“, 1956, n.º 68.
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel. A Educação em Macau. Direcção dos Serviços de Educação e Cultura, Macau, 1982, 423 p. + |9|
(3) Ver anterior post: LICEU NACIONAL INFANTE D. HENRIQUE (I) – POSTAIS + POSTAIS
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/liceu-nacional-infante-d-henrique/
(4) MACAU. Agência Geral do Ultramar, 1964, 32 p., 17 cm x 12 cm
Ver anterior post: FOLHETO PROPAGANDA – MACAO UNE VILLE PORTUGAISE
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/17/folheto-propaganda-macao-une-ville-portugaise/

Pequeno opúsculo editado pela Agência Geral do Ultramar, sem data , de 32 páginas (não numeradas), 17 cm x 12 cm,  impresso em offset – Tip. da E. N. P. ( Secção Anuário Comercial de Portugal).
Está redigida em francês “MACAO une ville portugaise” e trata-se de uma tradução do opúsculo MACAU (1) , editada pela mesma Agência-Geral do Ultramar, em 1964 – ver post anterior: FOLHETO PROPAGANDA – MACAU, PORTUGAL NO ORIENTE ( I)
Apresenta muitas fotografias do território: 13 fotos a preto-e-branco e 9 coloridas, a maioria delas idênticas à publicação referida em (1).  Nas páginas centrais (pp. 16-17), apresenta uma fotografia das Ruínas de S. Paulo (” Les ruines de S. Paul“), em vez da “Vista Geral de Macau” da publicação (1)
Está dividido em vários “capítulos” (os mesmos do original)

  • “Macao – terre de merveille” pp.2 -5
  • “Une grande ville” – pp. 6 – 11
  • “Un niveau de culture eleve” – pp. 12 – 15

“…Plus loin, dans cette pittoresque Rue de la Felicité, il y a des boutiques, toutes très propes, où l´on vend serpents, des cafards, des lésards et autres bestioles très utilisées dans la cuisine compliquée du Sud  de la Chine. Ces animaux sont vivants; le client n´a qu´à  indiquer celui qu´il désire, qui est immédiatement tué, pesé et placé dans le manier `provisions. Dans de grands aquariums s´ébattent les poissons les plus étranges

  • ” Un peu d´histoire” – pp. 18 – 22
  • “La ville de Macao” – pp. 22- 23
  • “L´Ile de Taipa” – pp. 23 – 24
  • “L´Ile de Coloane” – p. 24
  • “Moyens de comunication” – (onde se inclui “Promenades et sites dignes d´interet”; “Formalites pour l´entree ou la residence  des etrangers a Macao”; “Principaux hotels europeens”; “Principaux hotels chinois”; “Restaurants”; “Theatres, cinemas, et autres divertissements”; “manifestations annuelles”; “Fêtes religieuses”; “Fêtes populaires”; “Horaires des vapeurs du service de Hong Kong”; “Consulats”; “principales Banques” e “Tourisme”) – pp. 28-32

Na última página. apresenta esta foto da estátua de Jorge Álvares; ao fundo à esquerda, o Liceu Nacional Infante D. Henrique

(1) MACAU, edição da Agência-Geral do Ultramar, 1964, 32 p., 16,5 cm x 12 cm