Archives for posts with tag: Estátua Coronel Mesquita

Continuação da postagem anterior (1) sobre um suplemento de 80 páginas dedicado ao Império Colonial Português e às comemorações nas Províncias Ultramarinas dos Centenários da Fundação e da Restauração de Portugal, nomeadamente à parte referente a Macau. (2)

MACAU – Parte sul da península macaísta, p. 63.
Macau, sentinela lusitana às portas da China, p. 64
Portugal Ultramarino 1940- MACAU – Edifício do Liceu , p. 54
Portugal Ultramarino 1940 – MACAU-Condução de hortaliças para o mercado , p. 57

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/05/22/leitura-o-seculo-numero-comemorativo-dos-centenarios-i/

(2) Disponível em: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/RaridadesBibliograficas/OSeculo_Imperio/OSeculo_Imperio_item1/index.html

A data consagrada à memória do grande bombeiro português Guilherme Gomes Fernandes (1) – 20 de Agosto – foi, como nos anos anteriores, aproveitada pelos briosos bombeiros municipais de Macau para assinalar o «Dia do Bombeiro». Constantes dum programa cuidadosamente elaborado, os festejos deste ano tiveram brilhantismo especial, dada a presença honrosa de mais de 30 bombeiros de Hong Kong que se deslocaram a Macau, propositadamente, para assistirem às comemorações. Agrupados em duas deputações, os bombeiros visitantes pertenciam à «Hong Kong Fire Brigade» e ao «Auxiliary Fire Service», os primeiros sob o comando de Lee Pin Cheng e os últimos comandados por Henry Cheng, totalizando as duas deputações 34 homens.

Durante a romagem ao monumento-ossário dos bombeiros

De manhã foi hasteada, no mastro do quartel dos bombeiros municipais, a bandeira da corporação. Pelas 8.30 horas, o Revdo. Cónego Fernando Maciel celebrou, na capela do Cemitério de S. Miguel, uma missa em sufrágio das almas dos bombeiros falecidos, após o qual, houve uma romagem ao monumento-ossário dos bombeiros, onde várias individualidades depuseram coroas de flores naturais e onde foi observado um minuto de silêncio. Pelas 13 horas, no quartel, perante a formatura dos bombeiros, o comandante do Corpo, Sr. Manuel Dimas Pina, leu um trecho sobre a vida e personalidade de Guilherme Gomes Fernandes, cujo valor foi enaltecido com justiça.

O Bispo de Macau, benzeno, no Largo do Senado, a nova autobomba

Pelas 17 horas, no Largo do Senado e imediações, juntou-se uma enorme multidão que ali assistiu à bênção duma nova autobomba «Dennis», adquirida pelo Município de Macau para o serviço dos bombeiros. A bênção da nova viatura foi dada pelo Ver. Bispo de Macau, D. Policarpo da Costa Vaz, tendo a Da. Laurinda Marques Esparteiro servido de madrinha que pronunciou na ocasião as seguintes palavras: «Que a Divina Proveniência acompanhe sempre esta autobomba e todos os que a manejarem na sua nobre e humanitária missão». Em seguida, as viaturas do Corpo de Bombeiros Municipais desfilaram ao longo da Avenida Almeida Ribeiro, vindo prestar continência ao Governador e principais autoridades da Província, próximo do edifício do Leal Senado, em cuja varanda se encontravam.

Milhares de pessoas assistiram, no Largo do Senado, à demonstração do potencial de água

No Largo do Senado e circundando o monumento de Mesquita, houve, seguidamente, uma demonstração do potencial de água, com 12 agulhetas habilmente manejadas pelos bombeiros, demonstração que entusiasmou grandemente a enorme assistência.

No campo desportivo da Praia Grande (antigo campo dos operários; hoje ocupado pelo Hotel Grand Lisboa), realizou-se um encontro de bolinha entre o Grupo Desportivo «Negro- Rubro» e a equipa da «Hong Kong Fire Brigade», o qual terminou pela vitória do primeiro, que ganhou por 6-2. À noite, no quartel da corporação, foi servido um jantar a que assistiram os bombeiros de Hong Kong e de Macau, representantes da Imprensa e outros convidados. A festa terminou com uma animado sarau musical, levado a efeito pelo grupo «Negro-Rubro».” (2)

(1) Guilherme Gomes Fernandes (1850- 1902). Fundador, em Portugal, da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários (1874-75) e do Corpo de Salvação Pública, foi nomeado Comandante do Corpo de Bombeiros em 1877 e Inspector de Incêndios do Porto em 1885. De seguida, transferiu-se para a Companhia de Incêndios (designada Corpo de Salvação Pública a partir de 1889 e Batalhão de Sapadores Bombeiros de 1946 em diante), assumindo o cargo de comandante. Biografia mais completa em: https://ahbvvc.com/pt/guilherme-gomes-fernandes

(2) Retirado de «MBI», III-50 de 31 de Agosto de 1955, pp. 5-6 https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/30/leitura-corpo-de-bombeiros-municipais-de-macau-em-1955/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/18/noticia-de-18-de-agosto-de-1953-dia-do-bombeiro/

Sobre este assunto “Monumento à memória do Governador Amaral e do Coronel Mesquita”, já abordados anteriormente (1) também a «Revista Colonial», já em 1918 (2) fazia referência a um crédito votado no Parlamento, em 1917, de 30 000 escudos, (3) para ser levantado em Macau aos dois monumentos (ambos da autoria do escultor Maximiliano Alves). O artigo com notícias vindas dos periódicos macaenses “A Colónia” e “O Progresso”, referia-se às solenidades, realizadas no dia 9 de Julho de 1918, comemorativas do centenário do nascimento do coronel Vicente Nicolau de Mesquita. Nesse dia, foi deposta uma coroa de bronze no túmulo de herói de Passaleão e colocada a pedra fundamental do monumento ao coronel.

As solenidades foram programadas por uma comissão composta pelos generais António Joaquim Garcia, Fernando José Rodrigues e tenente-coronel José Luiz Marques. Este último fez o discurso no túmulo do coronel Mesquita.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/30/noticia-de-30-de-outubro-de-1924-os-monumentos-a-ferreira-do-amaral-e-nicolau-mesquita-na-imprensa-portuguesa/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/10/30/noticia-de-30-de-outubro-de-1924-monumentos-coloniais/

(2) «Revista Colonial», 6.º Ano, n.º 70, 25 de Outubro de 1918, p. 168.

(3) O Governo da Colónia de Macau foi autorizada pelo Decreto n.º3:367 de 15 de Outubro de 1917, a dispender 30 000$00, fornecendo o Arsenal do Exército o material necessário. (TEIXEIRA, P. Manuel – Vicente Nicolau de Mesquita, 1958, p.68)

Sobre estas duas estátuas, ver anteriores referências: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/estatua-ferreira-do-amaral/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/estatua-coronel-mesquita/

Artigo publicado na «Gazeta das Colónias» (1), a propósito dos “MONUMENTOS COLONIAIS”, nomeia os monumentos a Ferreira do Amaral e Nicolau Mesquita.
“Desde 1917 que o Governo de Macau está autorizado a dispender uma determinada verba, a que naturalmente for julgada suficiente, com a construção dum monumento à memória dos dois heroicos defensores de Macau, o malogrado governador Ferreira do Amaral e o bravo Nicolau de Mesquita.
Várias vezes a imprensa local tem tratado o assunto, insistindo pela realização dessa justa homenagem.
Passados 7 anos ainda nada há feito. O nosso brilhante colega «O Combate» voltando mais uma vês a lembrar essa sagrada dívida de gratidão, regista o seguinte contraste:
«Na colonia inglesa de Hong Kong, foi em 1919 aberta uma subscrição para um monumento a Sir Henry May, que naquele ano «deixára o Governo da Colonia; pois em abril ou princípio de Maio de 1923, isto é, quatro anos depois, fez-se a inauguração do monumento»
Não estranhe colega; talvez que Sir Henry May tivesse morrido ainda não tivesse feito o monumento.
A gratidão humana, raras vezes é despida duma esperança em futuros benefíios.
Ferreira do Amaral e Nicolau de Mesquita foram dois Portugueses, mas … morreram.”
(1) «Gazeta das Colónias» I n.º 12 de 30 Outubro de 1924, p. 20
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/GazetadasColonias/N12/N12_master/N12.pdf
Sobre estas duas estátuas, ver anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/estatua-ferreira-do-amaral/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/estatua-coronel-mesquita/

Mais dois “slides” digitalizados da colecção  “MACAU COLOR SLIDES  – KODAK EASTMAN COLOR)”comprado em finais da década de 60 (século XX), se não me engano , na Foto PRINCESA (1)

O Largo do Senado já sem a estátua do Coronel Nicolau Mesquita (após 1966)

O Largo Senado começa na Avenida de Almeida Ribeiro, em frente do edifício do antigo Paços do Concelho (Leal Senado) e termina no Largo de S. Domingos, junto da Travessa de S. Domingos.

Avenida Almeida Ribeiro cruzamento com a Avenida da Praia Grande e um bocado da Avenida do Infante D. Henrique

“Of late years Macao after a period of stagnation has been much improved by new roads laid out over the Campo and about the hills. A grand new avenue to cost $ 300,000 and to lead in direct line from the Inner Harbour opposite the Steamboat Company’s wharf to the Praya Grande, was mooted some years since; but the money has been spent on other improvements.”
BALL, J. Dyer – Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth, 1905.

Em 2 de Setembro de 1913 foi designada pelo nome de «Avenida Almeida Ribeiro», a nova Avenida do Bazar. A parte, a poente do Largo do Senado foi inaugurada em 1915. O último troço, a parte que ligou à Praia Grande, só teve o projecto aprovado em 16-10-1918, pelo que só posteriormente é que foi construída, após demolições do pavilhão que existia em frente ao Leal Senado e da casa do rico comerciante Lin Lian (então situada no cruzamento da Av. de Almeida Ribeiro com a Rua da Praia) e expropriações de vários prédios (por 77. 360 patacas; P. P. 82) do Largo de Senado, Travessa do Roquete, Rua da Sé e Pátio da Sé (aprovado por P.P.18 de 23-01-1919).
GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).
TEIXEIRA, Pe M. – Toponímia de Macau, 1997
(1) Ver anteriores slides desta colecção em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/

Festejou- no dia 12 de Fevereiro de 1956, a entrada do novo ano lunar – MACACO /FOGO, acontecimento relatado no «BGU» (1)

Em torno da estátua do heróico coronel Vicente Nicolau Mesquita montaram tenda para a tradicional venda de flores naturais e ramos de pessegueiros no dia de ano novo lunar
Uma novidade para este ano novo chinês foi uma banca onde vendiam antiguidades chinesas, estatuetas que faziam o encanto dos colecionadores.
Nas bancas de flores viam-se vasos com tangerineiras de palmo e meio pejadas de frutos maduros

(1) Extraído de «BGU» XXXII – 370 Abril de 1956.

Publicado na «Gazeta das Colónias» (1), a propósito dos monumentos a Ferreira do Amaral e Nicolau Mesquita.
Desde 1917 que o Governo de Macau está autorizado a dispender uma determinada verba, a que naturalmente for julgada suficiente, com a construção dum monumento à memória dos dois heroicos defensores de Macau, o malogrado governador Ferreira do Amaral e o bravo Nicolau de Mesquita.
Várias vezes a imprensa local tem tratado o assunto, insistindo pela realização dessa justa homenagem.
Passados 7 anos ainda nada há feito. O nosso brilhante colega «O Combate» voltando mais uma vês a lembrar essa sagrada dívida de gratidão, regista o seguinte contraste:
«Na colonia ingleza de Hong Kong, foi em 1949 aberta uma subscrição para um monumento a Sir Henry May, que naquele ano deixará o Governo da Colonia; pois em abril ou principio de Maio de 1923, isto é, quatro anos depois, fez-se a inauguração do monumento»
Não estranhe colega; talvez que Sir Henry May tivesse morrido ainda não tivesse feito o monumento.
A gratidão humana, rara vezes é despida duma esperança em futuros benefícios.
Ferreira do Amaral e Nicolau de Mesquita foram dois Portugueses, mas … morreram.
(1) «Gazeta das Colónias» I n.º 12 de 30 Outubro de 1924.
Disponível em:
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/GazetadasColonias/N12/N12_master/N12.pdf

Mais dois ”slides” digitalizados da colecção “MACAU COLOR SLIDES – KODAK EASTMAN COLOR”comprados na década de 60 (século XX), se não me engano, na Foto PRINCESA (1)

A Fortaleza do Monte
O Edifício do Leal Senado e a Estátua do Coronel Mesquita (derrubado em 1966)

Em frente da estátua, estacionados, os triciclos de aluguer.
Na Avenida Almeida Ribeiro, o “bus” em direcção à Barra (nessa época o custo do percurso Porta do Cerco-Barra –  10 avos)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/decada-de-60-seculo-xx/  

No dia 21 de Abril de 1846, tomou posse do Governo da Província de Macau, Timor e Solor, o Conselheiro Capitão de Mar-e-Guera, João Maria Ferreira do Amaral (o Herói de Itaparica), (1) vindo a ser o primeiro Governador a administrar a Província, como independente da Tutela do estado da Índia .
João Maria Ferreira do Amaral embarcou para Macau no navio inglês «Madrid», a 13 de Fevereiro e chegou a esta província, a 19 de Abril de 1846. (2)

Maqueta Estátua Ferreia do Amaral

No ”O Notícias Ilustrado” de 1928, encontrei esta notícia:

“MAQUETTE DO MONUMENTO DESTINADO A MACAU EM

MEMÓRIA DO GOVERNADOR FERREIRA DO AMARAL, OBRA

DOS ARQUITETO CARLOS DE ANDRADE E ESCULTOR MA-

XIMIANO ALVES

A estátua foi inaugurada, no aterro da Praia Grande, no dia 24 de Junho de 1940 (no mesmo dia da inauguração da estátua do Coronel Vicente Nicolau Mesquita, no Largo do Senado).

Fotos do dia da inauguração (3)

Estátua Ferreira do Amaral INAUGURAÇÃO I

Estátua Ferreira do Amaral INAUGURAÇÃO II

Estátua Ferreira do Amaral INAUGURAÇÃO III

Postal Estátua Ferreira Amaral c. 1970

ESTÁTUA DO GOVERNADOR FERREIRA DO AMARAL – POSTAL (década de 70)

NOTA: Os restos mortais do governador deram entrada no cemitério ocidental de Lisboa (Cemitério dos Prazeres) a 19 de Agosto de 1879 (Luís Gonzaga GomesEfemérides da História de Macau)

(1) Ver anterior “post” sobre este Governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-m-ferreira-do-amaral/
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p. (ISBN 972-8091-10-9).
(3) Anuário de Macau 1940/41