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No dia 28 de Agosto de 1855, um violento temporal de nordeste causou vários estragos na cidade e a morte do marinheiro Francisco dos Santos, por alcunha o Caparica, da corveta D. João I (1) que caiu ao mar, na ocasião em que, com mais alguns, tentava desembaraçar a corveta de uma embarcação chinesa, que estava encostada à proa. (2)
A corveta “D. João I” foi a última corveta de vela da Marinha Portuguesa. A carranca da proa era um busto de deus Marte, barbudo, de capacete romano emplumado, cota de combate.

Corveta D. João ICORVETA «D. JOÃO I»
Fotografia tirada em Luanda em 1874 pertencente à Biblioteca da Marinha

Características da corveta “D. João I”
Comprimento fora a fora – 45.54 m, boca – 10.56 m, pontal – 6.27 m, calado a vante – 6027 m; tonelagem – 516 toneladas;
Em 31 de Dezembro de 1855, achava-se armada com a artilharia seguinte:
2 peças de bronze de calibre 18, 1 peça de bronze de calibre 3, 16 caronadas de ferro de calibre 32;
O armamento portátil era constituído por:  60 espingardas de fuzil, 20 pistolas de fuzil, 4 bacamartes de canos de bronze, 45 espadas e respectivos cinturões, 60 baionetas e respectivos cinturões, 20 chuços, 90 cartucheiras de cinto;
Lotação em 1842 – 161 homens. (3)
(1) A corveta “D. João I” foi construída em Damão, em teca, por Jadó Simogi, (4) pelo risco da corveta “Infante D. Miguel”, (5) aproveitando os materiais do desmancho desta corveta que estava podre, aproveitando-se forro, cobre e outros metais. Foi lançada ao mar em 9 de Outubro de 1828. Tinha boas qualidades náuticas.
Alguns dados quanto às comissões/missões desta corveta, relacionados com Macau, recolhidos do Arquivo Histórico da Marinha: (3)
O navio entrou em Goa a 28 de Novembro de 1828.
Em 1830, largou de Goa para Lisboa, conduzindo o ex-Governador de Macau. (6)
Em 1850, largou do Rio de Janeiro para Macau, conduzindo o novo Governador Capitão-de-mar-e-guerra Pedro Alexandrino da Cunha. (7)  Em Janeiro de 1851, a “D. João I” largou de Macau para Hong-Kong, conduzindo o novo Governador, Capitão-de-mar-e-guerra Francisco António Gonçalves Cardoso. (8)
Em 1854, conduzindo o Governador da província (9) e o ministro plenipotenciário francês, largou de Macau para Ning-Pó, fazendo escala por Hong Kong e Amoy.
Em Julho de 1854 a corveta travou combate com os piratas chineses com completo êxito. (10)
Em 1860, o navio preparou-se para desempenhar uma missão importante – conduzir a seu bordo o Capitão-de-mar-e-guerra Isidoro Francisco Guimarães, Governador de Macau, ao Japão, a negociar um tratado de paz, amizade e comércio com os japoneses. (11)
Em 1861, largou em segunda viagem ao Japão, com escala por Xangai, para se proceder ali à ractificação do tratado do comércio luso-japonês. Devido ao mau tempo não chegou ao seu destino.
Em 1869, largou de Lisboa a fim de reforçar a Estação Naval de Macau, durante a travessia o navio sofreu uma violenta tempestade que apenas o seu Comandante Tomás Andreia evitou o pior.
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(3)  https://arquivohistorico.marinha.pt/details?id=2375
(4) “Dom Fernando II e Glória” foi uma fragata à vela da Marinha Portuguesa, que navegou entre 1845 e 1878. e o último navio de guerra inteiramente à vela da Marinha Portuguesa. Foi construída em Damão, na Índia Portuguesa, sob a supervisão do engenheiro construtor naval Gil José da Conceição, por uma equipa de operários indianos e portugueses, liderados pelo mouro Yadó Semogi. Na sua construção foi usada madeira de teca de Nagar-Aveli. Depois do lançamento ao mar, em 22 de Outubro de 1843, o navio foi rebocado para Goa onde foi aparelhado. Em 1963, um violento incêndio destruiu uma grande parte do navio, ficando abandonado no Tejo.
Entre 1992 e 1997 a fragata foi recuperada pela Marinha Portuguesa, recorrendo ao Arsenal do Alfeite e aos estaleiros Rio-Marine de Aveiro. O navio esteve exposto na Expo 98. Atualmente é um navio museu, na dependência do Museu da Marinha e classificada como Unidade Auxiliar da Marinha (UAM 203).
pt.wikipedia.org/wiki/Dom_Fernando_II_e_Glória_(fragata)
(5) A corveta “Infante D. Miguel” foi construída no Arsenal da Marinha de Lisboa. Estava no Estaleiro desde 1819 onde aparece como fragatinha “Liberdade”. Foi lançada à água em 1822. Passou a chamar-se “Infante D. Miguel” desde Junho de 1823. Em Março de 1827, entrou em Damão para receber fabricos. O auto de vistoria de Maio de 1827 mandou abater o navio. Em Dezembro de 1827, chegou ordem para começar a desmanchar a corveta e tirar-lhe o risco. (3)
(6) Terá sido João Cabral d´Estefique que embora lhe esteja atribuída o governo de Macau de 7-07-1829 a 1833 (Beatriz Basto da Silva) , o padre Manuel Teixeira indica o fim em 1830.
(7) Pedro Alexandrino da Cunha – governo de 30-05-1850 a 06-07-1850 – falecido de cólera. Ver anterior referência a este governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pedro-alexandrino-da-cunha/
(8) Erro nesta informação: o governador capitão de Mar-e-Guerra Francisco António Gonçalves Cardoso que foi nomeado em 1850, veio de Hong Kong (onde esteve hospedado em casa de Eduardo Pereira) para Macau no dia 26 de Janeiro de 1851. A posse do governo foi a 3 de Fevereiro de 1851 (governador de 3-02-1851 a 19-11-1851). Regressou à Portugal no vapor da mala com partida de Hong Kong sendo transportado pela mesma corveta D- João I no dia 24 -11-1851 de Macau para Hong Kong.
(9) Capitão-tenente da Armada Isidoro Francisco Guimarães (depois Visconde da Praia Grande)
(10) Terá sido em Junho já que o relato dos conflitos havidos entre essa corveta e seis embarcações chinesa no rio Ningpo, feito pelo Comandante da corveta D. João I, Carlos Craveiro Lopes está datado de 27 de Junho de 1854.
(11) O tratado de Paz, Amizade e Comércio Entre Portugal e o Japão foi celebrado a 3 de Julho de 1860
Anteriores referências à corveta “D. João I”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/corveta-d-joao-i/

Recorte do jornal “Ultramar” (1), órgão oficial da I Exposição Colonial (Dir. Henrique Galvão), de 1934
ULTRAMAR 1934 n.º 6 -adamastor IO Cruzador “Adamastor” construído nos Estaleiros Navais de Livorno, lançado à água em 12 de Julho de 1896, comprado pelas receitas provenientes de uma subscrição pública organizada como resposta portuguesa ao ultimato britânico de 1890, entrou pela primeira vez a barra do Tejo em 7 de Agosto de 1897.

DIARIO ILLUSTRADO 7-8-1897 Adamastor IO “Diario Illustrado” de 7 de Agosto de 1897  dando a notícia da chegada do “Adamastor”, na sua primeira página (2)

DIARIO ILLUSTRADO 7-8-1897 Adamastor II Ferreira do AmaralO seu primeiro comandante foi o Conselheiro, capitão de mar-e-guerra Ferreira do Amaral. (3)
Com um comprimento (entre perpendiculares) de 73.81  metros  81 cm (comprimento de fora a fora) e velocidade máxima de 18 nós (uma propulsão de 4000 cv – 2 máquinas a vapor com 4 caldeiras alimentadas a carvão), o “Adamastor” tinha uma capacidade (inicial) composta de 215 elementos (16 oficiais, 36 sargentos e 163 praças (4). Em matéria de armamento (há várias versões) (5):
2 peças Krupp de 150mm/ 30 Calibres – Mod.1895 (Calibre: 150mm/Alcance: 14Km)
4  peças  Krupp 105mm/4.0GR Mod. 1895 (Calibre: 105mm/Alcance: 9Km)
4 peças Hotchkiss 65/46
2 peças Hotchkiss 37/42
2 metralhadoras Nordenfelt 6,5 mm e 3 tubos lança-torpedos
DIARIO ILLUSTRADO 7-8-1897 Adamastor IIIEm relação à estadia do “Adamastor” em Macau  e Extremo Oriente:
1.ª comissão ao Ultramar em Outubro de 1899 repartida pela Divisão Naval do Índico e pela Estação Naval de Macau. Regressa em Junho de 1901.
2.ª comissão, em Novembro de 1903 parte para o Extremo Oriente. Chega a Macau em Março de 1904. Desde Agosto desse ano até Março de 1905 permanece em Xangai a fim de proteger os interesses da colónia portuguesa residente, missão que se repetiria mais tarde. Em Agosto chega a Lisboa.
3.ª comissão, larga em Junho de 1907. Parte de Luanda em Maio de 1908 com destino a Timor, onde esteve de 6 de Julho a 24 de Agosto de 1908. Regressa a Lisboa em Julho de 1909.
No ano de 1910 foi montado no navio um aparelho T.S.F. e toma parte na implantação da República, marcando o seu início com 3 tiros como sinal. (6)
Em Outubro de 1912 inicia a sua 4.º comissão. Além de Macau escala Xangai e outros portos da China e chega a Lisboa em Outubro de 1913.
Foi durante esta comissão que o cruzador sofreu um acidente, no dia 11 de Maio de 1913, ao sair do porto de Hong Kong, tendo sido assistido pela canhoneira “Pátria” e o contra-torpedeiro inglês “Otter”. (7) Na sequência do acidente, o “Adamastor” deu entrada na doca de Whampoa, em Kowloon, para ser submetido a reparações. Daí seguiu para o Brasil (Rio de Janeiro e Santos) para participar no lançamento nas festividades da primeira pedra para a construção de um monumento em memória do marechal Deodoro da Fonseca, primeiro Presidente da Primeira República Brasileira, terminando esta missão em Dezembro.
Em meados de 1913, o então capitão de fragata, João de Canto e Castro (1862 -1934) (futuro Presidente da República, que sucede a Sidónio Pais) recebe a missão de se deslocar a Macau para aí assumir o comando do cruzador português Adamastor. (8)
De Agosto de 1919 a 18 de Julho de 1925 sofre grandes restauros, em Lisboa.
Em 1926 a 1928, nova comissão de serviço em Macau. Destacado para outras missões, em Julho de 1926 chega a Xangai  a fim de defender as concessões internacionais e render ao mesmo tempo o cruzador “República”, (9) tendo desembarcado uma força de 30 praças sob o comando de um 2.º tenente. Larga de Xangai em Março de 1928 e entra no Tejo em Abril.
Em Setembro de 1929 rumo novamente para o Extremo-Oriente, escala Macau e parte no dia 8 de Fevereiro de 1932, com destino a Xangai e dali parte em viagem diplomática para Japão. Volta a Xangai para protecção da comunidade portuguesa em virtude do início da guerra sino-nipónica.
Em 15 de Outubro de 1931, parte para Lisboa, em serviço, levando o  Governador de Macau, capitão de Fragata Joaquim Anselmo da Matta e Oliveira (9)
Em 18 de Junho de 1932 está fundeado em Macau, reclassificado como aviso de 2,.ª classe, em péssimo estado geral nomeadamente do seu aparelho propulsor e da sua guarnição reduzida, pelo que é decidido que seja abatido em Lisboa. Larga de Macau em Março de 1933 chega a Lisboa em Julho (depois de uma atribulada viagem em que é obrigado a diversas paragens por sucessivas avarias).
Após 36 anos de serviço, foi o “Adamastor” abatido ao “Efectivo dos Navios da Armada” em 16 de Novembro de 1933.
Esta notícia do jornal de 15 de Abril de 1934, encerra a “vida” do “Adamastor” – foi arrematado o casco, vendido à Firma F. A. Ramos & Cª., pelo preço de 60.850$00 (10)
Cruzador ADAMASTOR(1) Ultramar n.º 6, 15 de Abril de 1934 , p. 8 .
(2) http://purl.pt/14328/1/j-1244-g_1897-08-07/j-1244-g_1897-08-07_item2/j-1244-g_1897-08-07_PDF/j-1244-g_1897-08-07_PDF_24-C-R0150/j-1244-g_1897-08-07_0000_1-4_t24-C-R0150.pdf
Francisco Joaquim Ferreira do Amaral(3) Francisco Joaquim Ferreira do Amaral (1844 —1923), mais conhecido por Francisco Ferreira do Amaral ou apenas por Ferreira do Amaral, foi um militar (almirante) português, administrador colonial (Governador de S. Tomé e Príncipe, Governador-Geral de Angola, Governador da Índia Portuguesa)  e político da última fase da monarquia constitucional portuguesa (Presidente do Conselho de Ministros) Era o único filho de Maria Helena de Albuquerque (1.ª baronesa de Oliveira Lima)  e do governador de Macau João Maria Ferreira do Amaral.
Mais informações em
https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Ferreira_do_Amaral
(4) Em Macau tinha uma tripulação de 206  (14 oficiais, 23 sargentos e 169 praças.)
BARROS, Leonel – Memórias Náuticas, 2003, p. 67
(5) http://www.portugalgrandeguerra.defesa.pt/Documents/Cruzador%20Adamastor.pdf
(6) “Para além de Machado dos Santos ( comissário naval), a Marinha teve um papel destacado na revolução, através do “Adamastor” e do “S. Gabriel”, e dos oficiais, sargentos e marinheiros que participaram em acções no Quartel de Alcântara, na abordagem ao D. Carlos….” (VENTURA, António – A Marinha de Guerra Portuguesa e a Maçonaria, 2013, pp. 25.
(7) 11-05-1913 – O cruzador «Adamastor» foi de encontro a uma rocha perto de Hong Kong ( SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4)
Ver referência a este episódio em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cruzador-adamastor/
(8) “Em meados de 1913, recebe a missão de se deslocar a Macau para aí assumir o comando do cruzador português Adamastor. Esta será uma viagem inesquecível. Além de conhecer outras paragens (passa pela Alemanha, Rússia e China), contacta duas figuras políticas com que se cruzará mais tarde e em circunstâncias bem diversas: Sidónio Pais, que encontra em Berlim quando ruma a Macau, e Bernardino Machado, que recebe, na qualidade de embaixador de Portugal no Rio de Janeiro, a bordo do cruzador na sua passagem pelo Brasil.”
http://www.museu.presidencia.pt/presidentes_bio.php?id=27
(9) 6-03-1927 – Ida do cruzador «República» para Xangai.
15-10-1931- Parte para Lisboa, em serviço, o Governador de Macau, capitão de Fragata Joaquim Anselmo da Matta e Oliveira no Cruzador “Adamastor” que  sai da Ponte Nova do Porto Exterior (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4)
(10) https://pt.wikipedia.org/wiki/NRP_Adamastor.

Março de 1858 – o Brigue Mondego (1) que voltara a Macau sob o comando do primeiro-tenente José Severo Tavares, (2) travou combate com vários juncos de um pirata chinês que pouco tempo antes tinha apresado duas lorchas de guerra portuguesas. Em resultado desse combate, as duas lorchas foram recuperadas e foi tomado um dos juncos do pirata armado com 15 peças e guarnecido com 50 homens”.(3)
(1) “O brigue Mondego, de 20 peças, foi construído no Arsenal da Marinha pelo construtor Joaquim Jesuíno da Costa e lançado à água em 28 de Outubro de 1844. A quilha foi posta em 4 de Abril do mesmo ano. Também aparece como navio de 14 peças (a notícia do jornal americano, refere 10 peças ) (4). A lotação era de 130 homens…(…)
Chegou a Macau em Maio de 1952 tendo em Julho largado para Timor conduzindo o novo Governador Capitão D. Manuel de Saldanha da Gama… (…)
Desde 1855, passou a servir na Estação Naval de Macau. Em Outubro de 1856, largou para Hong-Kong com o Governador de Macau (Isidoro Francisco Guimarães). Em Julho do ano seguinte, saiu em cruzeiro para a costa da China e, em Maio, visitou vários portos da China. Em Janeiro de 1859, largou para Sião e conduziu o Governador de Macau. Em Dezembro do mesmo ano, partiu de Macau com destino a Lisboa. Reparou em Singapura, tendo o construtor naval assegurado que o navio podia empreender sem receio a sua viagem para a Europa. Partiu em 20 de Dezembro desse ano. Durante a travessia o navio sofreu graves avarias conservando-se à tona com grandes dificuldades. Tendo avistado a galera americana “Uriel”, de Boston, pediu socorro. Da galera prontificaram-se a recolher o pessoal, com extrema dificuldade, em consequência do grande mar. Durante a faina de salvamento, o Mondego afundou-se com os seus 40 tripulantes. O total de sobreviventes foi de 66 e o de falecidos 44. Os náufragos do Mondego chegaram a Lisboa em 26 de Abril de 1860.
https://arquivohistorico.marinha.pt/details?id=925
Há outra descrição do brigue Mondego, a propósito da biografia de José Feliciano de Castilho (1838 – 1864) que recebeu a mercê de cavaleiro da antiga Ordem de Torre e Espada (decreto de 26 de Abril de 1864, por proposta do ministro da Marinha, então José da Silva Mendes Leal) pelos feitos heróicos praticados no naufrágio do brigue Mondego.
http://www.arqnet.pt/dicionario/castilhojosef2.html
(2) Acção Naval de Março de 1858:
“Perto de Macau, o Brigue «Mondego» (1.º ten. José Severo Tavares), realizou uma importante operação contra os piratas, actuando naqueles mares, com óptimos resultados, como se pode
Portaria, publicada na Ordem da Armada n.º 386/1858:
«Havendo sido presente a Sua Magestade El-Rei o Officio datado de 27 de Março ultimo, em que o Primeiro Tenente da Armada José Severo Tavares, Commandante do Brigue Mondego, dando conta da maneira por que tem desempenhado a commissão de que se acha encarregado nos mares da China, participa ter retomado as Lorchas portuguezas n.os 52 e 77, e apprehendido um Tan-mau pirata, montando estas embarcações quinze bôcas de fogo de differentes calibres, e encontrando-se a seu bordo bastante mantimento e munições de guerra, e cincoenta individuos que ficaram presioneiros; e bem assim elogia os Officiaes e praças da guarnição do dito brigue pelo seu procedimento néssa occasião: Ordena Sua Magestade, que pela Majoria General da Armada sejam louvados em seu Real Nome o Commandante, Officiaes e mais tripulação do referido Brigue, pelos bons serviços que prestaram. O que, pela Secretaria dÉstado dos Negocios da Marinha e do Ultramar, se communica á mesma Majoria General para os devidos effeitos.
Paço, em 30 de Junho de 1858. –Sá da Bandeira.”
http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP159/PP1592079.HTM
http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP159/PP1592080.HTM
(3) MONTEIRO, Saturnino – Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, Vol VIII, p. 112
Sacramento Daily, 1850 - Brigue Mondego(4) Notícia publicada no jornal “Sacramento Daily Union, Volume 19, Number 2871, 8 June 1860″: as graves avarias sofridas pelo brigue, foram devidas a um ciclone ou violenta tempestade que durou de 18 a 24 de Janeiro de 1860. Segundo o mesmo relato Oficiais e 55 homens da tripulação foram desembarcados nas Maurícias a 30 de Janeiro.
http://cdnc.ucr.edu/cgi-bin/cdnc?a=d&d=SDU18600608.2.13
Referência anterior do brigue Mondego:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/brigue-mondego/

Wenceslau de Moraes no JapãoO escritor Wenceslau de Moraes, nascido a 30-05-1854 e falecido em 1 de Julho de 1929, em Tokushima, Japão, (1) esteve ligado a Macau cerca de 10 anos tendo chegado a 7 de Julho de 1888 a bordo do transporte “Índia”. No dia 8 de Julho, Moraes passou do “Índia” para a canhoneira “Rio Lima.” Em 1889 viu pela primeira vez o Japão. Em 31 de Setembro de 1889 passou da canhoneira “Rio Lima” para a canhoneira “Tejo”, tendo posteriormente assumido o comando em 31 de Setembro de 1889.
Wenceslau de Moraes assumiu o comando interino da estação naval de Macau em 20 de Janeiro de 1891 (exercendo o comando somente até Março) tendo regressado na canhoneira Tejo (sob o seu comando) a Lisboa. Voltou a Macau nesse mesmo ano e viveu em Macau até ser exonerado de imediato da capitania de Macau em 8 de Junho de 1898, para ser nomeado encarregado da gerência interina do Consulado Português de Hiogo e Osaka e posteriormente em Kobe e Osaka (de 1899 até 1913). (2)
O seu interesse pela China e por Macau foi escasso ao contrário do Japão que o apaixonaria até á morte.
Em Macau conviveu com Camilo Pessanha por quem tinha «vivíssima estima» , que era correspondido. Camilo Pessanha escreveu e dedicou-lhe, o poema “Viola Chinesa” (3 ) escrito em Macau em Julho de 1898

Pessanha e Wenceslau em HK c.1895Camilo Pessanha e Wenceslau de Moraes, cerca de 1895, em Hong Kong
(Postal – Edição do Instituto Português do Oriente – Macau, 1990)

Foi professor de Matemática Elementar do Liceu Nacional de Macau (posse a 16 de Abril de 1894)
NOTA: anteriores referências a Wenceslau de Moraes em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/wenceslau-de-moraes/
(1) GOMES, L. G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(2) DIAS, Jorge – A Presença de Macau na Vida e na Obra de Venceslau de Morais. MACAU- edição do Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau, n.º 1, Maio de 1987.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/07/01/noticia-de-01-de-julho-de-1929-poesia-viola-chinesa

Às 19.00 horas do dia 20 de Novembro de 1873, o 1.º Tenente da Armada, Vicente Silveira Maciel (1), comandante da escuna Príncipe Carlos, acompanhado do guarda-marinha Caminha e do Capitão de Infantaria Caetano Gomes da Silva, que jantara a bordo com os oficiais, quando seguiam numa baleeira (remadas por cinco robustos marujos) para terra, um fai-hái, (2) abalroou, premeditadamente, contra a baleeira.
Apesar das manobras do 1.º Tenente Maciel, que guinou, imediatamente para bombordo, a embarcação chinesa bordejou acto contínuo, para estibordo, continuando a dirigir-se de encontro à baleira. O fái-hái vinha com tal velocidade que não foi possível esquivar-se ao brusco choque. A baleeira apanhada de chofre, ao pé da voga, meteu, imediatamente toda a borda de bombordo debaixo da água e ficando atravessada na proa do barco chinês.
Lançaram-se, então, os marujos da baleeira bem como o guarda marinha ao mar e agarrando-se com desespero aos remos do fái-hái, que continuava a deslizar à voga arrancada com rumo para a Ilha da Lapa, conseguiram não sem grande dificuldade, saltar dentro dela.
Tendo conseguido trepar até ao fai-oi, os oficiais e dois ou três marinheiros que iam na baleeira travaram rijo combate com os chineses, caindo o Tenente Maciel no mar, onde foi salvo por um marinheiro, agarrando-se ambos a um bambu. Salvaram-se também o guarda- marinha Caminha e um marinheiro. O Capitão Silva e outros marinheiros foram considerados como desaparecidos. (3)
NOTA: No ano de 1873, governava Macau o Capitão Januário Correia de Almeida, Conde de S. Januário e a Estação Naval de Macau era comandada pelo 1.º Tenente Fernando Augusto da Costa Cabral
(1) A escuna Príncipe Carlos, comandada pelo 1.º tenente Vicente Silveira Maciel, já em Novembro de 1871, tinha dirigido uma expedição de nulo resultado, contra os piratas da Ilha da Montanha.
(2) 快 蟹 mandarim pinyin: kuài xiè; cantonense jyutping: faai3 haai5)
Fái-hái (caranguejo veloz), tipo de embarcação rasa, utilizada, principalmente, no contrabando do ópio importado pelos ingleses e que fazia a ligação da Ilha Lintin para Cantão.
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 357 p., ISBN: 978-99937-45-38-9

ACTUALIZAÇÃO em 16 de Outubro de 2016:
O guarda marinha Caminha que com o 1.º Tenente da Armada, Vicente Silveira Maciel e o marinheiro se salvaram neste episódio, viria a ser capitão de mar-e-guerra, governador de Benguela (1883-1886) e mais tarde Vice-Almirante. Caetano Rodrigues Caminha (4) prestou serviço em Macau na escuna “Príncipe D. Carlos” que se afundou devido a um forte tufão em 1874 (5) e fez parte da tripulação da corveta “Duque de Palmela” (6)
(4) Caetano Rodrigues Caminha (1850-1930) Correspondente nacional, 1893 Capitão-de-fragata, comandante da Escola da Marinha. Sócio do Instituto de Coimbra (1852-1978)
https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/21258/3/Lista%20de%20s%C3%B3cios_2015.pdf

caetano-rodrigues-caminha-1893Capitão de fragata 1893 (7)
caetano-rodrigues-caminha-1901Capitão de mar e guerra (1901 ?) (7)
caetano-rodrigues-caminha-1911Vice-Almirante (1911) (7)
caetano-rodrigues-caminha-dr-8jan1911Diário da República n.º 8-11 de Janeiro de 1911 p. 114 (8)

(5) “Príncipe D. Carlos” (1866-1874) — Escuna de vapor construída em Inglaterra e que foi adquirida pelo governo de Macau em 1866. Armou com quatro bocas de fogo.
Em 1874, em Macau, perdeu-se por encalhe, devido a um tufão.
(6) A corveta “Duque de Palmela”, que em 1873 partiu de Hong-Kong para ir a Saigão receber o governador de Macau, Visconde de Januário, e a sua comitiva, para serem conduzidos a Banguecoque na corveta portuguesa. No trajecto, o comandante do navio ficou tão perturbado com os perigos da navegação na baía de Banguecoque que, ao passar uma zona bastante perigosa de bancos de areia, e ao ver a embarcação soçobrar, pediu para ser substituído pelo Caetano de Rodrigues Caminha e atirou-se ao mar! Este episódio é descrito por um jornal brasileiro da época, da província do Maranhão.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Caetano_Rodrigues_Caminha
(7) http://www.flickriver.com/photos/cgoulao/21904590309/
(8) file:///C:/Users/ASUS/Downloads/portaria_de_diario_da_republica_8_11_serie_i_de_quarta_feira_11_de_janeiro_de_1911.pdf

“É difícil nos primeiros tempos perceber os macaístas a falarem entre si, porque usam um patois especial que não é nem chinês nem português, entremeado de gritos rápidos.
Quando falam com um português de Portugal lá se explicam melhor, mas com uma entoação à inglesa.
Assim, ao recém-chegado nunca se esquecem de perguntar:

 Como gosta di Macau?

 Está-se a ver o how do you like dos ingleses e ainda a resposta, a querer dizer – muito…infinito!
Dizem sempre em resposta:

 Oh! Sim … (tradução do Yes   britânico)

 E quando não entendem dizem: Como não!
Os géneros masculino e feminino são trocados, dizem – o mesa e a bule di chá, e arranjam frases que só a experiência é que nos dá conhecimento do que significam, tais como, por exemplo,   Abra a janela plan plan!, que quer dizer,  abra a janela de par em par!.
Como exclamação admirativa ou de indignação, de surpresa ou de pasmo, têm uma cousa assim parecida com          

Ou-I-àà!  An-na ”  (1)

NOTA: Filipe Emílio de Paiva assumiu as funções de oficial imediato da canhoneira «Diu», em missão de serviço na Estação Naval de Macau, em 25 de Abril de 1903. O navio estava fundeado no Porto Interior. O 1.º tenente Filipe Emílio de Paiva esteve embarcado na canhoneira até 28 de Fevereiro de 1905. (dados retirados da “Introdução” do livro)

(1)   PAIVA, Filipe Emílio de – Um Marinheiro em Macau 1903. Museu Marítimo de Macau, 1997, 284 p. , ISBN: 972-96755-6-2