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Extraido de «BPMT», XIII-18 de 6 de Maio de 1867, p. 100

A capela da Penha que foi construída em 1622, em resultado de um voto de marinheiros que recorreram a Virgem e foram atendidos, foi reconstruída totalmente (mais o Paço Episcopal) em 1837 (1), Sofreu nova reedificação em 1861. (2)

Vista da Igreja da Penha – George Chinnery c. 1837

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 79

(2) Contracto feito na Procuratura, em 20 de Setembro de 1859, entre o Presbítero assistente da Ermida, Padre Maximo A. dos Santos e o empreiteiro china Atac, publicado no «BGM» VIII-2 de 14 de Dezembro de 1861, p. 6

… continua ..

No campo da cultura musical, estiveram em Macau, as crianças do “Coro Infantil da Rádio NHK de Tóquio” (grupo feminino, com um único elemento masculino) que actuaram no dia 21 de Março de 1977, no Auditório Diocesano, interpretando clássicos e canções populares e eruditas japonesas. Participou neste espectáculo, os “Pequenos Cantores” do Colégio D. Bosco.

«Coro Infantil da Rádio NHK de Tóquio» e os «Pequenos Cantores» do Colégio D. Bosco uniram-se no palco do Teatro Diocesano, na execução dum canto japonês.
O «Coro Infantil», todo trajado com o quimono regional e tradicional, apresentando ao público o único elemento masculino do seu grupo que se integrou nesta digressão, na última parte do seu programa.

Aproveitaram a estadia para uma visita aos pontos turísticos da cidade e das ilhas

Algumas elementos do coro, no varadim da Ermida da Penha
A caravana das pequenas cantoras do «Coro Infantil da Rádio NHK de Tóquio» nas Ruínas de S. Paulo.

Extraído de «MBIT», n-º 1-2, 1977.

Planta da Península de Macau, 1/5 000, reduzida e desenhada por António Heitor, Macau, 15 de Março de 1889
Pormenor NORTE – Ilha Verde (com a fábrica de cimentos); Istmo do Cerco; Pagode de Lin Fong; Fortaleza de Mong Há; Casa do Destacamento
Pormenor CENTRO – Hospital de Sam Januário; Fortaleza de S. Jerónimo; Igreja de Santa Clara; Fortaleza de S. Francisco; Quartel da Bateria de Infantaria do Ultramar; Grémio Militar; Jardim de S. Francisco; Bateria razante 1.º Dezembro; Baía da Praia Grande; Sé Catedral; C. T. T. ; Igreja de Santo Agostinho; Tribunais/Fazenda; Senado; Quartel do Batalhão Nacional; Igreja de S. Domingos
Pormenor SUL – Fortaleza de Nossa Senhora de Bomparto; Praia do Tanque do Mainato; Baía do Bispo; Ermida de Nossa Senhora da Penha; Quartel da Polícia Marítima; Mesquita de Mouros; Fortaleza da Barra; Pagode da Barra; Doca; Matadouro

“A Praia Grande” s/ d 1825-1852
George Chinnery (em Macau de 1825-1852)
A baía da Praia Grande com o Fortim de S. Pedro à direita e ao longe, a colina da Penha com a ermida.
“A Praia Grande vista do norte c. 1830
Litografia dum quadro de George Chinnery (em Macau de 1825-1852)
A baía da Praia Grande vista do norte, com o Fortim de S. Pedro à direita e ao longe, a colina da Penha com a ermida.
“A Praia Grande vista do sul” c. 1830
Litografia dum quadro de George Chinnery (em Macau de 1825-1852)
A baía da Praia Grande vista a sul, com o Forte do Monte (ao longe a esquerda), a Igreja e a fortaleza de S. Francisco (à direita)

NOTA: George Chinnery (1774-1852) – nasceu em 1774 em Tipperay, Londres, e faleceu em Macau em 1852. Célebre como pintor de retratos, viveu cerca de 50 anos na Ásia -Índia e Macau (1825-1852). Trabalhou em redor da região do rio da Pérola entre Macau e Cantão (Guangzhou). Até morrer manteve um atelier com muitos aprendizes. Foi mestre do grande retratista chinês Lam Qua. (1) A maior parte dos seus trabalhos eram encomendas destinadas a satisfazer ricos comerciantes. .Foi em Macau que executou um grande número de esboços, desenhos e aguarelas relativos à paisagem e vida quotidiana naquele território.
Anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/george-chinnery/
Quadros/desenhos com este tema “Praia Grande” do pintor George Chinnery já postados anteriormente:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/11/25/noticia-25-de-novembro-de-1974-1-o-dia-de-circulacao-bi-centenario-do-nascimento-de-george-chinnery-1774-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/11/25/noticia-25-de-novembro-de-1974-1-o-dia-de-circulacao-bi-centenario-do-nascimento-de-george-chinnery-1774-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/03/noticia-de-2-de-janeiro-de-1851-translada-cao-dos-restos-mortais-do-conselhei-ro-amaral/
(1) Sobre Lam Qua-林官; (1801-c. 1860) (Guan Qiaochang ou Kwan Kiu Cheong 關 喬 昌),ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lam-qua-%E6%9E%97%E5%AE%98-guan-qiaochang-1801-c-1860/

 Notícias de Macau do dia 5 de Maio de 1950, publicado na imprensa portuguesa (BGC), em Julho desse ano, acerca da «Semana da Marinha» iniciada a 1 de Maio com uma missa de sufrágio pelos antigos mareantes, na Ermida de Nossa Senhora da Penha.

Os avisos «Pedro Nunes» e «João de Lisboa» iluminados em arco
Macau à noite,  vista da colina da Penha
Desfile dos marinheiros

A tribuna de honra durante o desafio entre as selecções do Exército e Marinha, vendo-se o governador da Colónia
O tenente Dr. Ruben Lavoura proferindo a alocução junto da memória às vítimas da explosão da fragata «D. Maria II»

Aquele que, deixando Hong Kong viesse a Macau pela primeira vez, gozava as delícias de uma curta viagem de quatro horas, rodeado do maior conforto e desfrutando uma paisagem admirável por entre ilhas e ilhotas cobertas de vegetação e semeadas a capricho, como se tal disposição obedecesse à finalidade de proporcionar o imprevisto.
Para trás ficava a imponente colónia inglesa, cheia de grandeza e majestade, lançada pela íngreme vertente, que parecia dirigir-se ao Céu… (…).
E quanto mais o pequeno e confortável navio se aproximasse de Macau, tanto mais mudava a feição de tudo, desde a brisa, que se tornava suave e branda, à cor das águas, que reflectiam na superfície o amarelado dos fundos que as correntes cobriam de lodo.

A Baía e a Praia Grande (final da década de 40, século XX)

Passadas as Nove Ilhas, semelhantes a nove irmãs imorredouras, que a lenda não deixa esquecer, avistava-se à distância a “Porta do Cerco”, a praia da “Areia Preta”, a “Chácara do Leitão”, mostrando-se no cimo da “Montanha da Guia” o célebre farol, o mais antigo da Costa da China.
Na outra elevação próxima, distinguia-se o “Hospital Conde de São Januário” , que dominava o grande casarão que outrora fora Convento de S. Francisco e que servia de Quartel de Infantaria.
É, então, à recortada costa de pequenas enseadas, seguia-se a “Baía da Praia Grande”, em curva caprichosamente feita, deixando antever as delícias de uma pequena cidade de paz e sossego…(…)
O casario caiado a cores garridas, as Igrejas, as Capelas, os Fortes, Fortins e Bastiões, as casas solarengas e a quietude dolente e embaladora, não deixavam dúvidas de que a China deveria estar longe desta terra, que tudo indicava ser portuguesa.
Ao dobrar a “Fortaleza do Bom Parto”, talhada no regaço do imponente “Hotel Bela Vista”, surgia o sinuoso caminho, que levava ao ”Tanque do Mainato”, com a colina despida de casario, à excepção da velha e abandonada vivenda de “Santa Sancha”.
Em cima, a velha Ermida da Penha, cheia de unção religiosa e graça na sua simplicidade.
Na última curva da ordenada beira-mar, via-se a “Fortaleza da Barra” e, mais adiante, em plano superior, a “Capitania dos Portos”, em estilo mourisco…
continua.
REGO, Francisco de Carvalho e – Macau … há quarenta anos in «Macau». Imprensa Nacional, 1950, 112 p.
Deste autor, anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-de-carvalho-e-rego/ 

O mandarim Cso-tang, por apellido Fom, faz saber p. este Edital ao publico, q. em virtude da reprezentação dos Meirinhos Iam-Iun, e outros, dizendo, q. hum Portuguez estava cortando o monte atraz do Pagode da Barra, e q. os Principaes moradores Chinas de Macáo virão, q. isto causava obstaculo ao Fom-Xuei (1) (Agouro) do pagode, e à sua Serpente, e q. o Lingoa tinha já advertido ao Procurador p. mandar parar a obra, mas q. receando, q. esse Portuguez pagando occultam.te a algum China, faça este a obra; pedião p.r tt.º a elle mandarim, que além de Officiar ao Procurador, mandasse affixar Editaes, prohibindo aos Chinas, q. fação a obra, p.ª não redundar consequencias. Por tanto , além de ter mandado officos ao Procurador, manda elle Mandarim tbm affixar este Edital, para que todos vós os Chinas saibaes, e obedeçaes, nao vos deixando subornar pelos Portuguezes, p.ª fazer esta obra , q. grandes obstaculos cauza: os infractores pois desta Ordem serão agarrados, e rigorozam.te, castigados. 30 da 2.ª Lua do anno 9.º de Tau-quam. 3 de Abril de 1829. Traduzido por mim, abaixo assinado, João Roiz Glz, Interprete. (2)

CHINNERY - Praia Manduco e Colina da PenhaPraia de Manduco com a Colina e Ermida da Penha
George Chinnery (ca. 1830-33)
Aguarela sobre papel

Sobre o mesmo assunto, refere António Marques Pereira nas “Efemérides Comemorativas da História de Macau “, mas apontando-o para o dia 1 de Abril desse ano:
” 01-04-1829 (28.º dia da 2.ª do 9.º ano de Tau-kuang)- «O Mandarim de Hian-chan (Heong-San) por apelido Leu, faz saber ao sr. Procurador (do Senado) que lhe consta estarem os europeus cortando o monte no lugar chamado  Tchu-Tchai (3) (próximo da ermida de Nossa Senhora da Penha). Os principais  moradores chinas de Macau viram que isto prejudicava o Fom-xuei (1) (agouro)  do pagode da Barra  e a sua serpente, e pediram ao sr. procurador que mandasse parar a obra. para evitar que os europeus continuem em semelhante abuso, ofício ao sr. procurador, que, obedecendo prontamente, o impedirá, a fim de evitar consequências».
(1) Sobre o Fong Soi (風水 – mandarim pinyin: fēng shuǐ; cantonense jyutping:  fung1 seoi2 ) ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/19/leitura-o-fong-soi-de-macau/
(2) MOSAICO, VI-33/34, MAI/JUN, 1953, p. 85
豬仔 – mandarim pinyin: zhū  zǎi; cantonense jyutping: zyu1 zai2 – porco jovem (porquinho)

Ta-Ssi Yang-Kuo MAPA Macau sec. XVII »1638Macau no seculo XVII (depois de 1638)
(Margem do porto interior, vista da Lapa – Fac-simile (reduzido) d´uma antiga gravura hollandeza) (1)

Apezar de não ser não ser desenhada com as devidas proporções, é curiosa porquie é das mais antiga s que conheço. Representa a margem que deita para o porto interior, vista da ilha da Lapa. Para mais facil comprehensão colloquei diversos números que indicam:
1- Fortaleza do Monte; 2 – Ermida e fortaleza da Guia; 4- Ermida e fortaleza (?) da Penha; 5 – Forte do Bom parto ?  ou bateria no alto do monte imminente à fortaleza da Barra ?; 6 – Fortaleza de S. Thiago da Barra; 7 – Pagode da Barra; 8 – Convento de S. Paulo; 9 – Porta do cerco.
É curioso notar n´esta gravura: os torreões da fortaleza do Monte; a Guia já com fortaleza, o que mostra ser a gravura posterior ao anno de 1638 (2);  as ameias e canhoneiras que se notam no muro que circumda a ermida da Penha; e a indicação d´um reducto ou bateria na altura sobranceira à Barra, de que hoje não restam vestígios. E a que vae indicado com o n.º 5, que não parece seja a fortaleza de Bom  porto, (ou Bom parto) que está na outra margem da cidade e não podia ser vista do ponto da Lapa d´onde foi tirada a estampa.” (1)

(1) PEREIRA, J. F. Marques – Ta-Ssi-Yang-Kuo, 1899-1900. Edição da Direcção dos serviços de Educação e Cultura / Arquivo Histórico de Macau, 1984.
(2) A fortaleza de N.ª Senhora da Guia teve princípio em setembro de 1637 e terminou em março de 1638. (1)

FOTOS DE 1953 - Fortaleza do Monte“A FORTALEZA DO MONTE, construída de 1617 a 1626, era a antiga residência de Governadores e, constituindo uma espécie de cidadela de Macau, a ela anda intimamente ligada a História desta Província”
FOTOS DE 1953 - Porta do Cerco“Através deste arco secular das PORTAS DO CERCO, passam, em horas de perigo e incerteza, milhares e milhares de foragidos que, nesta acolhedora cidade de Macau, encontram refúgio, trabalho e sossego”
FOTOS DE 1953 - Ermida da Penha“A ERMIDA DA PENHA  aonde os marinheiros iam, em reconhecida romagem de fé  e de gratidão, depositar, ante o altar da Virgem, sentida homenagem de acção de graças por arribarem sãos e salvos a estas longínquas e incertas paragens”

As fotografias e as legendas foram retiradas de MACAU B.I.,  1953

No dia 29 de Abril de 1622 foi celebrada pelo prior do Convento de Santo Agostinho, Fr. Estevão de Vera Crus, a primeira missa, na ermida da Nossa Senhora da Penha de França, (2) edificada pelos frades de Santo Agostinho com as esmolas dos navegantes e moradores da cidade, em cumprimento da promessa de terem sido salvos, quando o seu barco S. Bártolo, capitaneado por Jorge da Silva, fora atacado em 28 de Julho de 1620, por uma nau holandesa, na ocasião em que fazia a viagem ao Japão. No mesmo dia foi lavrado o auto de posse da ermida pelos Agostinhos.
GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954.

Macau 1626 Mapa de John SpeedPormenor do Mapa “ O Reino da Chinade John Speed (1542-1629)
publicada em 1626.

 “29-04-1622- Consta pela copia authentica do mesmo autto da posse ser fundada a Ermida de N. S. Penha de França no logar que ainda hoje existe (1) pelo Prior Frei Estevão da Vera Crus a custa das Esmolas que os Navegantes promettião a davão das viagens que.  naquelle tempo fasião para o Japão como de outras que os Moradores e Cidadãos desta Cidade derão e o resto que faltou para completar a obra derão os Religiosos do mesmo Convento de  Stº Agostinho, como tudo consta autenticamente pelos Documentos  que se achão no Archivo do dito Convento.”
BRAGA, Jack M. –A Voz do Passado, 1987.

Macau 1626 Pormenor Mapa de John SpeedMacao 1626 – pormenor do mapa de John Speed

 (1) (2) Referências anteriores em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-da-penha/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-da-penha/