Archives for posts with tag: Eduardo Brazão

Esta notícia do «Boletim Geral do Ultramar» terá sido a fonte original (1) para uma posterior reportagem inserida no «Diário da Manhã, “40 anos na vida de uma nação”, 1966 que foi publicada neste blogue em 24 de Agosto de 2017. (2)
(1) Extraído de «BGU»  XXXVII, 436-438.
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/08/24/noticia-de-24-de-agosto-de-1961-d-paulo-tavares-bispo-de-macau/
Anteriores referências a este bispo em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/08/24/noticia-de-24-de-agosto-de-1961-d-paulo-tavares-bispo-de-macau/

Entre as páginas 132 e 133 do livro de Eduardo Brazão (1), do qual reproduzi as pinturas de Macau de 1831-1832 (2), encontra-se um quadro com uma pintura do Porto interior (com a China em frente), em que o autor coloca dúvidas se será do pintor George Chinnery. (3)

Porto Interior - George Chinnery“Porto interior com a China em frente – Pintura de George Chinnery (?)”

Na verdade também duvido muito que seja de Chinnery.  Dos livros que tenho sobre este pintor, não encontrei este quadro referenciado.

(1) Reprodução publicada, entre pp. 132 e 133, do livro:
BRAZÂO, Eduardo – Macau Cidade do Nome de Deus na China não há outra mais leal. Agência Geral do Ultramar, 1957, 267 p.
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/
(3) Sobre George Chinnery, ver anteriores “posts” em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/george-chinnery/

O Leal Senado reunido em sessão no dia 5 de Fevereiro de 1842, pronunciou-se contra a ideia de demolir o Convento e Igreja de S. Francisco, que tinha contígua a ela o «Campo Santo de Pública Devoção». A ideia partiu do Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto, (1) que já andava desde 1839 a diligenciar nesse sentido, para edificar aí o palacete residencial. (2)

No entanto, tal veio a acontecer,   com a autorização do Ministério da Marinha e Ultramar, a 30 de Março de 1861, iniciou-se a demolição do Convento, para no seu lugar, construir-se o quartel para o Batalhão de Macau (Forte de S. Francisco) finalizado só em 1866 (3)

Macau Cidade do Nome de Deus na China Franciscan Church MacaoFranciscan Church Macao” (4)

 (O convento/mosteiro de S. Francisco à esquerda e no fundo, os degraus para a igreja de S. Francisco)

Comparar com uma pintura (lápis sobre papel, sem data) de George Chinnery (1774 – 1852) que chegou a Macau em 1825.

IMAGENS DE CHINNERY - Igreja de S. Francisco

(1) O Major de Infantaria Adrião Acácio da Silveira Pinto foi Governador e Capitão Geral de Macau de 23-02-1837 a 02-10-1843. Em 10-10-1843 (já como conselheiro) foi nomeado Embaixador de Portugal, para tratar com os Plenipotenciários Chineses sobre a existência política de Macau. Partiu de Macau para Cantão a 27-10-1843 para negociar com os comissários chineses (Vice-Rei Ki-Yin). Faleceu em Lisboa, no posto de Marechal em Campo, aos 23 de Março de 1868.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9).
(3) Embora esteja referenciada por Luís Gonzaga Gomes no seu «Efemérides da História de Macau», a data de 30-03-1851 para a autorização da demolição do convento, Beatriz Basto da Silva na sua «Cronologia da História de Macau, 3.º Volume» tem duas entradas para a mesma notícia: 30-03-1851 e 30-03-1861. Esta última data será a mais correcta, pois é mencionado que o desenho do quartel e do forte de S. Francisco, no lugar do antigo edifício, é da autoria de José Rodrigues Coelho do Amaral (militar do ramo da engenharia – 1808-1873) e que também dirigiu as obras. O mesmo tinha sido Governador de Angola de 1854 a 1860 e foi depois Governador de Macau de 22-06-1863 a 25-10-1866.
Mais informações sobre o Convento/Igreja e o governador Coelho do Amaral em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-m-coelho-de-amaral/
(4) Publiquei este mesmo desenho, retirado do livro do Padre Teixeira em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/03/noticia-de-3-de-janeiro-de-1864-festejos-em-macau/
Esta retirei-a do livro de Eduardo Brazão; está referenciada como de 1831, da colecçção de Duarte de Sousa (ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/24/leitura-macau-cidade-do-nome-de-deus-na-china-nao-ha-outra-mais-leal/
A colecção do bibliófilo e livreiro António Alberto Marinho Duarte de Sousa (1896-1950) foi adquirida pelo Estado Português em 1951 e depositada, como património nacional, na antiga Biblioteca do Secretariado Nacional de Informação, no Palácio Foz (actualmente inactiva). Foi posteriormente transferida para a Biblioteca Nacional. É constituída por 2500 obras dos séculos XVI a XX.
(http://www.gmcs.pt/palaciofoz/pt/biblioteca).

Macau Cidade do Nome de Deus na China CAPA

As primeiras páginas do livro (pp. 11-22), (1) o autor, Eduardo Brazão (2), na introdução, dedica o livro a “A Sua Excelência  Reverendísssima o Senhor D. João de Deus Ramalho S.J” (3) que foi seu companheiro de viagem, em 1954, de Lisboa às Filipinas num quadrimotor americano da Pan American, com escalas na  Ilha de Santa Maria, Gandara (Terra Nova), Nova York (três dias), Chicago, Montanhas Rochosas, S. Francisco, Honolulu, , Midway, Guam e Manila. Eduardo Brazão não quis seguir o conselho do Bispo para continuarem a viagem para Hong Kong num velho avião chinês, em que “a fuselagem sem bancos em que os passageiros se acocoravam em redor, colocando ao centro a bagagem” (pp.19-20). Ficou por Manila três dias e partiu para Hong Kong num “barco de carga como o nome indiano – chamava-se Benarés”  (p. 20)

Macau Cidade do Nome de Deus na China 1.ª Página

O livro tem como “Índice Geral”:
Apontamentos para uma monografia de Macau
I – Macau nos seus inícios
II – Macau e o nascimento de Hong Kong
III – Macau até ao tratado de 1887.
Como “Apêndice”: apontamentos geográficos sobre Macau, alguns elementos para a iconografia de Macau. No final do livro traz um resumo do “Apêndice” em francês e em inglês.

Entre as pp. 90-91 encontra-se uma gravura, desenho de George Chinnery (4)

Macau Cidade do Nome de Deus na China CHINNERY Rua de MacauUMA RUA DE MACAU – GEORGE CHINNERY

Neste livro estão também reproduzidas vinte e oito gravuras de Macau, Cantão, Whampoa e Juncos chineses, da colecção Duarte de Sousa (5)
Há uma “Nota Final” no livro (p. 199) onde o autor agradece às pessoas que o auxiliaram na realização do trabalho. Entre eles o Sr. Francisco de Carvalho e Rego, erudito da História de Macau, sobre o qual publicou já alguns interessantes volumes, e que me ajudou na identificação de certos locais da Cidade do Nome de Deus apresentados nas gravuras que acompanham este trabalho.
(1) BRAZÃO, Eduardo – Macau: cidade do nome de Deus na China, não há outra mais leal.  Agência Geral do Ultramar, Divisão de Publicações e Biblioteca, 1957, 267 p. 23,5 cm x 16,5 cm (Colecção Monografias dos Territórios do Ultramar)
(2) Eduardo Brazão (1907 – 1987), diplomata e académico da Academia Portuguesa da História. Foi cônsul em Hong Kong durante cinco anos (1945-1950), no rescaldo da guerra.
Pode-se ver a sua extensa biografia (principalmente o trabalho meritório que realizou em Hong Kong) e bibliografia produzida, num artigo de Ana de Lael Faria em:
http://idi.mne.pt/images/docs/eduardo_brazao.pdf
(3) D. João de Deus Ramalho (1890-1958), Bispo de Macau de 1942 – 1954. Foi nomeado Bispo de Macau a 26-09-1942, sendo sagrado em Shui-Heng a 06-11-1942, dia em que tomou posse da diocese por procuração. Chegou a Macau a 23-12-1943. Resignou em 1954.
Refere Eduardo Brazão que enquanto esteve em Hong Kong, sempre que visitava Macau, “ não faltava nunca uma longa conversa com o Bispo no seu Paço”. (p. 21)
(4) Este desenho era da colecção do autor.
(5) António Alberto Marinho Duarte de Sousa (1896-1950) tinha uma livraria cujo espólio foi adquirido pelo Estado Português em 1951 e depositada, como património nacional, na Biblioteca do Palácio Foz (actualmente inactiva). A colecção foi posteriormente transferida  para a Biblioteca Nacional.  http://www.gmcs.pt/palaciofoz/pt/biblioteca)

Macau Cidade do Nome de Deus na China DRAGÃO

Desenho da capa do livro (com a assinatura: MOURA) de

BRAZÃO, Eduardo – Macau cidade do nome de Deus na China, não há outra mais leal.  Agência Geral do Ultramar, Divisão de Publicações e Biblioteca, 1957, 267 p., 23,5 cm x 16,5 cm.