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Celebrou-se, no dia 18 de Julho de 1954, na Ilha da Taipa a costumada festa religiosa em honra de Nossa Senhora do Carmo, orago da Igreja da Vila da Taipa. O Sr. Bispo da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz, à chegada da Taipa foi recebido pelo Administrador das Ilhas, Sr. Alberto Eduardo da Silva, (1) e pelo pároco Revd.º Cónego António Ngan Im-Ieoc.

“Santinho” da Nossa Senhora do Carmo , 10,5 cm x 6cm (2016) (2)

Rezou-se a missa na Igreja de N.ª Sra. do Carmo durante a qual os alunos do Seminário entoaram várias canções religiosas.
Finda a missa, Sua Exa Ver.ª dirigiu uma alocação aos fiéis que foi traduzido para chinês pelo pároco António Ngan. Seguidamente o Bispo concedeu o Sacramento do  Crisma a 45 adultos.
Iniciou-se depois a procissão com o SSmo Sacramento, em que tomaram parte os alunos da Escola «D. João Paulino», os católicos do «Campo de Mendigos», (3) o Seminário e numerosos fieis.
Estavam presentes a todas as cerimónias o administrador do concelho Sr. Alberto Eduardo Da Silva em representação do Sr. Governador, sua esposa, o Capitão Carlos Oliveira e esposa e o Capitão Pedro de Barcelos e esposa.
A assinalar o fim da festa queimou-se uma comprida fita de panchões.(4)

Verso dos Santinhos com a Oração a Nossa Senhora do Carmo individualizados, em português e chinês (2016)

O terreno em que se projecta a Igreja fica num monte sobranceiro à povoação e próximo dela, para o qual se sobe por uma calçada denominada do Carmo, motivo porque tem a invocação de Nossa Senhora do Monte do Carmo.
A egreja tem 29 metros de comprimento, e a sua largura é a nave de 9 metros, e na cappela-mór de 6 e tem uma só torre, correspondendo ao centro da fachada, e cuja base serve de guarda vento. O côro tem três arcadas para o interior da egreja, disfarçando assim a torre. Do côro parte para cada lado uma galeria que circunda a nave da egreja até quasi ao arco da capella-mór. A direita do corpo da egreja fica a capella de S. João Baptista e a sacristia, e à esquerda a escola e a residência parochial.
Alem do altar-mór, que é destinado para exposição do Santíssimo Sacramento, há dois altares laterais fronteiros, um dos quaes é a invocação de S. Francisco Xavier, quem tantos serviços prestou na China em prol do christianismo.
As dimensões do edifício devem satisfazer plenamente às necessidades futuras do culto catholico, e da instrução elementar na ilha da Taipa. As obras foram orçadas em 10 800 patacas , o que corresponde a 9 189$00 réis fortes, mas é provável que custem alguma cousa mais, pelas mesmas razões que tem retardado a construção da egreja. Aos cuidados do incançável actual director das obras publicas o sr. Constantino de Brito, se deve mais este importante edifício.” (5)
(1) Alberto Eduardo da Silva, foi Administrador das Ilhas, de 15 de Janeiro de 1949 a 20 de Agosto de 1950, e de 3 de Novembro de 1953 a 16 de Dezembro de 1957.
(2) SANTINHO – Estampa religiosa com impressão de uma imagem e de uma oração.
(3) 20-02-1954 – Portaria n.º 4:998, de 8 de Setembro de 1951, que criou o Abrigo de Mendigos e Vadios, com sede na Ilha da Taipa, destinado a albergar todos os indivíduos maiores de 16 anos, sem meios de subsistências, que não tenham modo de vida ou residência na província e se entreguem à prática de mendicidade ou à vadiagem nas vias e lugares públicos. (MBI, I-14, 1954)
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998 ; MBI I-24, 1954.
(5) José dos Santos Vaquinhas, major comandante de guarda de polícia de Macau, publicado em “Colónias Portuguesas”, Ano II, n.º 9, Lisboa, 6-09-1884, pág. 222. José dos Santos Vaquinhas, foi Comandante do posto militar da Taipa e Coloane de 04-06-1874 a 30-06-1874
Anteriores referências a esta igreja
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-n-sra-do-carmotaipa/

No dia 1 de Novembro de 1955 deveria ter dado início às Comemorações do IV Centenário de Macau 1555 -1955, programadas para serem realizadas durante o mês de Novembro de 1955.
Sobre este cancelamento, comenta o investigador Moisés Silva Fernandes (1):
“Graças a pressões públicas e particularidades exercidas por círculos nacionalistas macaenses, a administração portuguesa de Macau, foi persuadida a comemorar o 4.º centenário de Macau, em Novembro de 1955. A China não reagiu bem às comemorações e fez saber a nível particular e em público o seu desagrado. Zhou En Lai interviu pessoalmente na matéria e a administração portuguesa viu-se na necessidade (2) de cancelar as comemorações para evitar a deterioração da situação política”
programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-capaO programa estabelecido pela Comissão (submetido em 2 de Março de 1955, mas sujeito a alterações) (3) iniciava essas Comemorações no dia 1 de Novembro de 1955 (Terça-feira), às 6.00 horas, com alvorada e hasteamento da bandeira nacional nas fortalezas, navios de guerra e edifícios públicos e terminava no dia 30 de Novembro (Quarta-feira), as 21.00 horas com a sessão solene do encerramento das Comemorações, falando o Governador da Província, o Presidente da Comissão das Comemorações e o Representante da Comunidade Chinesa.

programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-1-a-pagPágina 1

A maioria das cerimónias programadas foi cancelada e mesmo a pequena cerimónia marcada para o dia 20 de Novembro em que se assinalava os quatro séculos da presença portuguesa em Macau e que constava de uma Procissão da Sé Catedral para as Ruínas e S. Paulo não se realizou.
Estava também prevista para o dia 1 de Novembro, o lançamento de 4 selos postais comemorativos do 4.º centenário. (4)
Estava também prevista a publicação de uma edição popular da História de Macau. (5)

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O Grande Prémio de Macau que estava integrado no programa, realizou-se no dia 5 de Novembro, com provas de automobilismo (prova para principiantes, prova para senhoras) às 10.00 horas e às 15.00 horas e no domingo, dia 6 com a realização do II Grande Prémio de Macau (6) pelas 12.00 horas. O circuito nesse ano foi alargado em diversos pontos e asfaltado nos troços que eram ainda de areia. Atraiu cerca de 30 mil espectadores. Entre os 12 concorrentes (de Singapura, Hong Kong e Macau) alinhados na grelha da partida, foi vencedor Robert Ritchie, ao volante de um «Austin-Healey», completando as 60 voltas do circuito em 3h, 55m e 55,7 s. Nessa noite pelas 20.00 horas realizou-se o Jantar e distribuição de Prémios das Provas de Automobilismo, no Clube de Macau.
programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-comissaoA Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau, nomeada por Portaria de 8 de Janeiro de 1955 era composta pelas seguintes individualidades:
Presidente – Dr. Pedro José Lobo, chefe dos Serviços Económicos
Secretário – Luís Gonzaga Gomes, professor e sinólogo
Vogais – António Magalhães Coutinho, presidente do Leal Senado da Câmara e chefe dos Serviços dos C.T.T.
Engenheiro José dos Santos Baptista, chefe da Repartição Técnica das Obras Públicas
Intendente do distrito José Peile da Costa Pereira, chefe dos Serviços de Administração Civil
Capitão de artilharia João Vítor Teixeira Bragança
Padre Manuel Pinto Basaloco
Ho Yin, presidente da Associação Comercial de Macau
José Maria Braga, publicista e historiador
Primeiro-tenente da Administração Naval Manuel António Lourenço Pereira

programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-posse-iO Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro proferindo o discurso no acto da posse da Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau

A posse da Comissão realizou-se no dia 14 de Janeiro numa cerimónia pública na Sala Verde do Palácio do Governo na Praia Grande e a que presidiu o Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro. A este acto, assistiram o Prelado da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz, o Meritíssimo Juiz de Direito da Comarca, Dr. Alberto Rafael Marques Mano, o Comandante Militar, Coronel Rui Pereira da Cunha, membros do Conselho do Governo e do Corpo Diplomático, chefes de serviço e outros funcionários superiores, elementos da Comunidade Chinesa, representantes da Imprensa e numerosas pessoas. (7)

programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-posse-iiO Sr. Pedro José Lobo, Presidente da Comissão, pronunciando o seu discurso.

(1) FERNANDES, Moisés Silva – Sinopse de Macau nas Relações Luso-Chinesas, 1945-1995: Cronologia e Documentos. Fundação Oriente, Lisboa, 2000, 849 p. + |Documentos LIX|
(2) Zhou Enlai – 周恩來 (Chu En Lai) (1898- 1976) vice-presidente do partido Comunista Chinês de 1956 a 1966, primeiro-ministro de 1949 até à sua morte e de 1949 a 1958 também ministro dos Negócios Estrangeiros.
(3) Programa das Comemorações do IV Centenário de Macau 1555-1955. Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau, Macau-Ásia, 1955, 9 p., 26,5 cm x 19,5cm.
(4) Macau Boletim Informativo, Ano III, 1955.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/02/selos-postais-comemorativos-da-fundacao-de-macau-1955/
(5) “8-01-1955 – Comemorações do IV Centenário do estabelecimento português em Macau (B. O. n.º 2) Entre os eventos e acções previstos conta-se com a publicação de uma edição popular da História de Macau… A Comissão nomeada dá uma ideia das «eminentes» personalidades de então (B. O. n.º 25, de 18 de Junho)” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998).
(6) Ver anteriores referências a este Grande Prémio em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/05/noticia-de-5-de-novembro-de-1955-ii-grande-premio-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/06/noticia-de-6-de-novembro-de-1955-ii-grande-premio-de-macau/
(7) Macau Boletim Informativo, Ano II, 1955.

Desde 24 de Junho de 1622, a memorável data em que os portugueses obtiveram a retumbante  vitória sobre os holandeses que abusivamente se queriam apossar desta terra, Macau vem celebrando a festa de S. João Baptista, patrono da Cidade do Santo Nome de Deus, por voto do Município e da população.
Além do feriado municipal, tem relevo especial a parte religiosa.
Às 18 horas em ponto do dia 23, entrou na Sé Catedral a Comissão Administrativa do Leal Senado, (1)  com a Bandeira do Município à frente, levada pelo secretário, e subiu até ao cruzeiro, onde ocupou os seus lugares reservados. pela primeira vez, de há anos para cá, Sua Ex.º Rev. o Bispo de Macau presidiu às Vésperas Pontificais.
Findo o sermão , panegírico do Santo Precursor do Messias, organizou-se a procissão, em que se incorporaram várias congregações católicas, o Seminário e o Clero diocesanos.

MBI II-46 30JUN1955 S. João Baptista IA imagem de S. João Baptista que se venera na capela do Leal Senado

Sua Ex.ª Rev. o Bispo de Macau, D. Policarpo da Costa Vaz, levava a relíquia do Santo Lenho debaixo do pálio. E, logo após, seguia Sua Ex.ª o Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, acompanhado do chefe de Gabinete e ajudante do campo, capitão José Vaz Dias da Silva, e do seu oficial às ordens, tenente Mário Lopes da Costa. Imediatamente depois, caminhava a Comissão Administrativa do Leal Senado rodeando a Bandeira do Município, e o Deputado por Macau à Assembleia Nacional, Dr. Alberto Pacheco Jorge, e sua esposa.
A banda do Instituto Salesiano da Imaculada Conceição fechava o cortejo… (…)
MBI II-46 30JUN1955 S. João Baptista IIÀ passagem pelo edifício do Leal Senado, S. João agradeceu, com uma bênção especial, ao povo deste Município a sua generosidade e fidelidade à promessa formulada há 3 séculos… (…). E lá vai caminhando para a Sé Catedral, onde está a sua capelinha, abrigo donde despacha todas as petições que Macau lhe apresenta.
Mas a homenagem continuou, no dia 24, ainda em cumprimento da promessa com a missa solene.
Às 10.30 horas entrava, novamente, na Sé a Comissão Administrativa do Leal Senado, ocupando os seus lugares reservados no cruzeiro. E. logo a seguir, veio Sua Ex.ª p Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, e Sua Esposa conjuntamente com o Meritíssimo Juiz da Comarca, Dr. Rafael Marques Mano que foram sentar-se nas cadeiras reservadas à grade da Capela-Mor. Estiveram também presentes o Deputado por Macau, Dr. Alberto Pacheco Jorge e esposa, o Comandante Militar, Coronel Rui Pereira da Cunha e esposa, o corpo consular e várias outras representações.
Num ambiente religioso, em que o povo de Macau dava largas à sua tradicional devoção, iniciou-se a missa.”

Reportagem retirada de «Macau B. I.»,  1955.
(1) A Comissão Administrativa do Leal Senado,  nesse ano:
Presidente – António de Magalhães Coutinho
Vice-presidente – Luís Gonzaga Gomes
Vogais – Jorge Alves Estorninho, Alferes Joaquim Ramos da Costa Roque e Guilherme Vitaliano da Silva.

A data «28 de Maio» – 30.º Aniversário da Revolução Nacional,  foi assinalada em Macau com as seguintes comemorações:
1.º – Às 8.00 horas – Hastear da bandeira Nacional nos edifícios das Repartições Públicas, Quartéis e Fortalezas.
2.º – Às 9.00 horas – “Te-Deum” de acção de graças pela paz e benefícios concedidos pela providência à Nação Portuguesa, celebrado pelo Bispo da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz, na Sé Catedral.
3.º – Às 10.00 horas – Parada Militar com desfile das forças diante da tribuna colocada em frente do palácio do Governo da Praia Grande, no qual tomaram parte contingentes das forças do Exército, da Polícia de Segurança, da Polícia Marítima e Fiscal, do Corpo de Bombeiros Municipais, sendo a guarda de honra o Governador prestada pela Milícia da Mocidade Portuguesa.

MBI III-68 31MAI56 COMEMORAÇÕES DE 28 DE MAIO (I)O Governador Almirante Marques Esparteiro passando revista à guarda de honra constituída por um grupo de castelos da Mocidade Portuguesa, com terno de clarins, banda e bandeira.

MBI III-68 31MAI56 COMEMORAÇÕES DE 28 DE MAIO (II)Às 10.00 precisas, o Comandante das Forças em Parada, major Mário Barata da Cruz dirigindo-se à tribuna pediu licença ao Governador para começar o desfile. Este foi   constituído apenas por forças apeadas que incluíram unidades europeias e indígenas em formatura de três, com banda de corneteiros e bandeira da guarnição da Província, um pelotão da Polícia Marítima e Fiscal, uma Companhia da Polícia de Segurança Pública e um pelotão do Corpo de Bombeiros Municipais. Desfilou por último a guarda de honra e a banda da P.S.P. que, diante da tribuna, tocara durante o desfile.
4.º – Às 10.45 horas – Lançamento da primeira pedra do novo edifício destinado ao Liceu Nacional Infante D. Henrique.

MBI III-68 31MAI56 COMEMORAÇÕES DE 28 DE MAIO (III)Lançamento da primeira pedra do novo Liceu de Macau

Na presença do Governador e principais autoridades civis, militares e eclesiástica foi colocada, cerca das 11.00 horas, a primeira pedra do novo edifício destinado ao Liceu Nacional Infante D. Henrique. assinalando o acto, discursou o Engenheiro José dos Santos Baptista, Chefe de Repartição Provincial dos Serviços de Obras Públicas.
O terreno para o novo Licei  ficava situado nos aterros da Praia Grande e compreendia os talhões limitados pela Rotunda Ferreira do Amaral, Avenida Dr. Oliveira Salazar (hoje Avenida Mário Soares) Avenida D. João IV e Avenida Infante D. Henrique . O talhão que confinava com a Rotunda Ferreira do Amaral foi destinado ao edifício (área coberta de 2 465.16 metros quadrados) e o outro , a campo de jogos dos alunos (uma superfície de 4 950.00 metros quadrados).
5.º – Às 11.45 horas – Inauguração de diversos melhoramentos públicos na Ilha da Taipa
6.º – Às 16.45 – Sessão solene promovida pela União Nacional no Salão Nobre do Leal Senado. Usou da palavra o Governador, o Dr. Henrique de Sena Fernandes e o Presidente da Comissão Provincial da União Nacional.
7.º – Às 18.15 – Final do Torneio Relâmpago Escolar no Campo Desportivo «28 de Maio», promovido pela Associação de Futebol de Macau com a colaboração da Mocidade Portuguesa.
8.º – Das 21- às 24.00 horas – Iluminação de gala nos edifícios públicos e quartéis que o puderam fazer.

MACAU B. I. Ano II n.º 29 15OUT1954 Procissão de velas Mong Há INo dia 12 de Outubro de 1954 , como de costume, realizou-se no aquartelamento das barracas metálicas de Mong-Há, a tradicional procissão de velas, um culto à Virgem de Fátima, muito participado pelos militares estacionados em Macau.
Presidiu à cerimónia o Bispo da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz, tendo assistido o Governador da província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, o Comandante Militar, coronel António Cirne Rodrigues Pacheco  e esposa que foram recebidos pelo comandante do aquartelamento, Major Sousa, e a numerosa família militar bem como muitos fiéis macaenses.
MACAU B. I. Ano II n.º 29 15OUT1954 Procissão de velas Mong Há IIApós a missa,  seguiu-se a procissão de velas com a imagem de Nossa Senhora de Fátima  num percurso à volta da montanha russa com saída e retorno à gruta no interior do aquartelamento.
Informações e fotos retirados de Macau B. I.,  1954

“A pequenina mas pitoresca e aprazível Vila da Taipa registou este ano a maior enchente de excursionistas de que há memória nos anais da sua vida, ao receber no dia 22 de Julho de 1956, (1) milhares de pessoas que ali se deslocaram para assistir à festividade de Nossa Senhora do Carmo e atraídas por um cartaz recreativo-desportivo realmente prometedor” (2)
O Festival foi organizado pela Junta Local das Ilhas (Presidente: Administrador Alberto Maria da Conceição), com o contributo dos Serviços Militares, dos Serviços de Marinha, do Clube Náutico de Macau e da Mocidade Portuguesa e reverteu o lucro aos pobres do Concelho das Ilhas.
O programa das festas estava dividida em três partes: religiosa, desportiva e recreativa.
Parte religiosa:
Presidiu a todas as cerimónias litúrgicas o Bispo da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz que celebrou a missa e administrou o Sacramento da Confirmação, tendo assistido a Encarregado do Governo, Brigadeiro João Carlos Guedes Quinhones de Portugal e Silveira, acompanhado de todas as altas individualidades civis e militares. A parte musical esteve a cargo da capela de Santa Cecília do Seminário de S. José.

MBI III-72 22JUL1956 Procissão N. S. Carmo ISaiu a procissão que percorreu o itinerário do costume com alunos e professores de Colégios Católicos e um grupo de Catequistas à frente.
MBI III-72 22JUL1956 Procissão N. S. Carmo IINa Igreja de Nossa do Carmo, em lugar de honra, o Encarregado do Governo, Brigadeiro João Carlos G. Q. de Portugal da Silveira.
MBI III-72 22JUL1956 Procissão N. S. Carmo IIIOs professores dos Colégios Católicos que concluíram o curso de catequistas (3) com os seus diplomas. A direita da foto, o pároco da Taipa, o cónego António André Ngan

Parte desportiva:
O Festival desportivo efectuou-se na Praia da Aviação e na Avenida da Praia, que estava engalanada e iluminada, à guisa de arraial.
O programa consistia em:
prova de regatas disputadas entre os velejadores do Clube Náutico de Macau e os da Mocidade Portuguesa nas classes «Redwing» e «Moths». Venceu na classe «Redwings» o Clube Náutico e na de «Moths», a Mocidade Portuguesa.
natação
corrida de barcos-dragão que foi disputada por duas equipas de 24 homens do mar representando uma os marítimos da Ilha da Taipa e a  outra os da Ilha de Coloane. Esta prova desenrolou-se ao largo da baía que se estendia  em frente ao antigo Hangar dos Aviões. Venceu a equipa representativa da Taipa.
prova de ciclismo dividida em duas categorias: bicicletas de passeio e bicicletas de corrida. As provas puderam ser seguidas pela multidão, nas várias etapas, pelos relatos dum «Posto de Rádio» cedido pelos Serviços Militares e montado e dirigido por praças da Companhia de Engenharia estacionadas na Ilha.
corrida da «maratona» com um elevado número de concorrentes que percorreram as ruelas e carreiros da Vila da Taipa.
Após a maratona foram distribuídos os prémios (taças e medalhas) aos vencedores pelo Presidente do Concelho dos Desportos, Major Barata da Cruz e D. Celestina da Conceição (esposa do Administrador das Ilhas).
Organizou e dirigiu o certame de natação, as provas de ciclismo e a corrida da «maratona» , o conhecido desportista e jornalista Leonel dos Passos Borralho.(4)
Parte recreativa:
Principiou com uma secção de ginástica com arma, na praia da aviação executada por um «pelotão eléctrico» da 2.ª Companhia do B. C. 1 orientado pelo capitão Abel de Almeida, coadjugado pelo furriel Rodrigues.
Orfeão Indígena: constituído por praças da B. A. A. L. 8,8, dirigido pelo alferes Morgadinho. Presenteou os ouvintes com alguns cantos em português e landim.
Grupo musical «Negro-Rubro» este agrupamento musical actuou durante meia hora números do seu vasto reportório.
Batuque (19h30) : Oa praças do B. C. 1 levaram a efeito na Avenida da Praia curiosas exibições desta singular dança africana.
Dança do leão e ginástica chinesa (22h00) no adro da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, os grupos do «Leão Acordado, Cheng Nin», de Macau e «Chin I Sé»  da Ilha da Taipa travaram entre si uma interessante luta simbólica que só terminou quando ambos caíram exaustos, frente a frente, fitando-se de juba erguida à espera cada qual que o seu inimigo fosse o primeiro a propor as tréguas.
Fogo de artifício  chinês (22h30) – na praia da Aviação sessão de fogo de artifício chinês gratuitamente fornecido e queimado pelas conhecidas fábricas de panchões «Kuong Heng Tai» e Kuong Un», estabelecidas na Ilha da Taipa.
(1) De acordo com o calendário litúrgico, a festa de Nossa Senhora do Carmo ocorre no dia 16 de Julho, no entanto, a sua realização tem lugar no domingo mais próximo dessa data.
(2) Informações e fotos de MACAU Bol Inf, 1956.
(3) Curso de catequista patrocinado pelo Dr. Pedro José Lobo que ofereceu à escola paroquial «D. João Paulino», um gravador eléctrico «Brunding».
(4) Sobre Leonel Borralho ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/02/27/noticia-de-27-de-fevereiro-de-1954-a-proposito-da-liberdade-de-imprensa/

4JUL54 Chegada do Bispo I MACAU BI II-23 15-07-54

“O Revmo. Bispo, acompanhado do seu secretário, desembarcando na Ponte cais n.º 16”

Cerca das 18.40 horas do dia 4 de Julho de 1951, o barco “Tai Loy” atracava na ponte cais trazendo o novo bispo de Macau, D. Policarpo da Costa Vaz e o seu secretário particular Revdo. Pe. José Ferreira de Almeida. Teve uma recepção entusiasta, desde o Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, elementos militares chefiados pelo Capitão-tenente Freitas Ribeiro, elementos eclesiásticos com o Revdo. Chantre Morais Sarmento, a banda salesiana, os internados das instituições de caridade assim como vários conhecidos capitalistas além numerosos dos católicos portugueses, chineses e estrangeiros de todas as categorias sociais.

4JUL54 Chegada do Bispo II MACAU BI II-23 15-07-54“O cortejo da Igreja de S. Lázaro para a Sé Catedral”  

 Depois de se demorar cerca de meia hora na ponte, retribuindo os cumprimentos, dirigiu-se, na companhia do seu secretário, para a Igreja de S. Lázaro onde foi recebido à entrada pelo Padre Roque Lui e membros de Organismos Católicos Chineses. No interior do templo, a «Capela de Santa Cecília» do Seminário S. José entoou «Ecce Sacerdos Magnus». Depois de paramentado com as vestes pontificais, solenemente desfilou a procissão em que tomou parte grande massa do povo. Sob o pálio caminhava o novo e venerando Prelado com o bastão episcopal. Este costume é uma velha tradição de Macau entre quando se recebia um novo bispo.

4JUL54 Chegada do Bispo III MACAU BI II-23 15-07-54“O Governador da Província e elementos militares assistiram ao Solene «Te Deum»”

A procissão deslocou-se para a Sé Catedral, executando a banda dos Salesianos várias marchas enquanto caminhava atrás do pálio.4JUL54 Chegada do Bispo IV MACAU BI II-23 15-07-54

2O novo Bispo ora, pela primeira vez, na Sé Catedral”

Na Sé Catedral, o acto foi assinalado com todas as cerimónias litúrgicas próprias da ocasião. Seguidamente cantou-se o «Te Deum», tendo tomado parte o coro do Seminário sob a regência do Revdo. P.e Guilherme Schmid.  No final da cerimónia, o Bispo proferiu do alto do púlpito uma alocução de religiosidade e patriotismo.

4JUL54 Chegada do Bispo V MACAU BI II-23 15-07-54 “A Sé Catedral encheu-se de fiéis”

Informações e fotos de “MACAU Bol. Inf., 1954
 

“A católica e quadrissecular Cidade do Santo Nome de Deus de Macau viveu, nos dias 18 e 19 de Fevereiro de 1956, momentos valiosos de piedade e devoção, enquanto celebrava a conclusão das festas em honra do Senhor Bom Jesus dos Passos.
Esta festividade, que se comemora através de cerimónias de rico significado religioso, é quase tão remota como a vinda dos primeiros portugueses para esta terra de cristãos.
Todas as cerimónias da festividade em honra do Senhor dos Passos se impõem pela grandiosidade da concorrência dos fiéis…(…)
Das mais piedosas são, sem dúvida, as cerimónias de que se revestem as duas procissões com que fecha tão respeitável manifestação de fé.
A população católica de Macau acorreu em massa a todas as comemorações, dando com a sua presença um exemplo extraordinário da devoção e da piedade com que os fiéis acolhem a tradicional e solene festividade….(…)

SEnhor dos Passos n.º 62 1956 IA veneranda Imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos sai da Sé Catedral

Na velha igreja de Santo Agostinho, onde, durante nove dias, se rezou a Novena do Senhor dos Passos, os fiéis marcaram a sua presença, enchendo o templo sem deixar  único lugar vago. Durante a Novena, mais de seis mil pessoas se abeiraram da Sagrada Mesa da Comunhão.

Na noite do sábado, dia 18, um mar de gente se acercou da igreja de Santo Agostinho, aguardando pacientemente a saída da Procissão da Cruz, aprazada para as 19 horas. À multidão, concentrada no largo, se juntaram as centenas de pessoas que se encontravam no templo, caminhando todas, com piedade devotamento, atrás do andor, rigorosa e respeitavelmente coberto com ténues cortinados roxos.
A banda do Corpo de Polícia de Segurança Pública tocou durante a Procissão, quer percorreu o itinerário de todos os anos. Na Sé Catedral onde recolheu a Procissão, pregou o sermão da Cruz o Venerando Bispo da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz.

No domingo, à tarde, à hora marcada, subiu ao púlpito o Revdo P.e José Barcelos Mendes, que, com empolgante emoção, pregou o sermão do Pretório, escutado pela igreja transbordando de fiéis.
Antes da saída da Procissão dos Passos, a Verónica– cujo papel esteve este ano confiado à menina Maria Henriques da Silva – entoou, na Sé, em 1.ª estação, o cântico de «O vos omnes…»
«Ó vós que passais pelo caminho, detende-vos e vede se há dor semelhante à minha dor….»
Juntamente com o clero e seminaristas, muitos fiéis entoaram, em seguida ao cântico da Verónica, o «Parce, Domine»P e «Senhor, Deus, misericordioso»

SEnhor dos Passos n.º 62 1956 IIA Verónica faz ouvir, perante a multidão, contrita e silenciosa, a sua lamentação.

A Procissão saiu depois, levando consigo um acompanhamento calculado em mais de dez mil pessoas, das quais muitas vindas expressamente de Hong Kong, e novamente nela se incorporou a banda de Policia…(…)
Em cada uma das estações seguintes, até à sétima, se ouviu novamente por sobre a multidão, constrita e silenciosa, a lamentação da Verónica . (1)

SEnhor dos Passos n.º 62 1956 IIIDebaixo do Pálio e à frente da multidão, seguia o Prelado da Diocese levando o Santo Lenho

Recolhida a Procissão, em Santo Agostinho, pregou o sermão do Calvário, o Revdo P.e Artur das Neves, que nos disse de quanto sofreu Jesus e Maria Santíssima, Jesus pregado na cruz, no alto do Gólgota, entre o Céu e a Terra, e Maria Virgem Mãe chorando a perda do Filho Amado, Salvador do Mundo.
(1) Reportagem recolhida de Macau B. I., 1956

COMUNHÃO 13-12-1959 IA minha primeira comunhão (1) e crisma (2) no dia 13 de Dezembro de 1959, na Sé Catedral.

COMUNHÃO 13-12-1959 IIO Bispo celebrante era D. Policarpo da Costa Vaz (bispo de Macau de 1954 a 1960).Nesse dia, além das crianças locais (portugueses, chineses e macaenses) também foram crismados, militares africanos.

COMUNHÃO 13-12-1959 IIIO pároco da Sé, o Padre João Guterres.

COMUNHÃO 13-12-1959 IVAos amigos que comigo compartilharam este dia, um grande abraço ao Alberto Melo e Silva, Fausto Lopes, Mário Xavier e Pedro Xavier,

(1) Primeira comunhão é uma celebração, cerimónia religiosa da Igreja Católica Apostólica Romana, em que os cristãos participantes desta cerimónia recebem pela primeira vez o “Corpo e Sangue de Cristo sob a forma de pão e vinho”, respectivamente (hóstia). Hóstia é o nome dado a partícula da eucaristia após sua consagração.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_comunh%C3%A3o
(2) Crisma ou Confirmação, é um sacramento da Igreja Católica em que o fiel recebe através da ação do bispo uma unção com a Crisma (óleo de oliveira). Trata-se de um rito em que o ministro impõe as mãos sobre os confirmandos, invocando o Espírito Santo, e os unge com óleo de oliveira. É uma confirmação do Baptismo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Crisma

O 1.º dia de Dezembro, data da Restauração da Independência Nacional, era celebrado em Macau com as características dos feriados nacionais.
Assim, a bandeira nacional era hasteada em todos os edifícios públicos da Província e nesse ano de 1955, troou compassada a artilharia com a salva de 21 tiros disparada do alto da Fortaleza do Monte e do Aviso «Pedro Nunes». Os edifícios ostentaram suas fachadas com iluminação de gala desde o fechar da noite até às 24 horas, o mesmo fazendo o «Pedro Nunes».
A Mocidade Portuguesa celebrou, neste dia, a sua festa anual, com programa escolhido ao qual presidiu o Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro que chegou ao campo de Tap Seac, pelas 9 horas onde passou revista à guarda de honra que a Mocidade lhe prestou.

MBI III-57 1955 1.º Dezembro IA seguir foi celebrada a missa campal no altar improvisado para esse fim junto ao edifício da Caixa Escolar pelo Bispo de Macau, D. Policarpo da Costa Vaz.

No final da missa, seguiu-se o desenrolar do programa de demonstrações pelos filiados da Mocidade Portuguesa, com curiosos números de ginástica e sinalagem, e entoações de números de canto coral.

MBI III-57 1955 1.º Dezembro IIEm seguida, distribui-se diplomas aos graduados promovidos e a «Bandeira da Mocidade», em formatura geral prestou continência ao Primeiro Magistrado da Província.

MBI III-57 1955 1.º Dezembro IIIEncerrou-se o programa com o Hino Nacional, cantado em coro por todos os filiados.

Informações   e fotos de Macau B. I., 1955
NOTA: Ver idêntica cerimónia , o 1º de Dezembro de 1953, em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/12/01/noticia-de-1-de-dezembro-de-1953-mocidade-portuguesa/