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Extraído da «Revista Colonial», Anno IX- 2, 1921.

Pouco dias antes da fatalidade, explosão da fragata “D. Maria II, no dia 29 de Outubro de 1850, (1) o tenente Luiz Maria Bordalo, uma das vítimas, compôs uma sentida e maviosa poesia (nela um vago pressentimento do destino que o esperava) (2) no dia 20 de Outubro de 1850, que foi publicada postumamente numa Revista Estrangeira. (3)

Viver é gozar – um dia
Também eu vivi, oh! sim!
Como é doce a fantasia,
Sonhar contigo, oh Malim!
Lembras-te? … a flor perfumada,
Às mãos d´ella desfolhada,
E depois lançada ao mar?
Do poeta cifraste a sina,
Como essa flôr, Guilhermina,
Devem meus dias findar.

Onde Camões desterrado
Seu tão triste amor carpira
Vivo eu pobre, eu deslembrado,
Sem ter como elle uma lyra:
Oh! Quem china antes nascêra,
Na minha Lorcha eu vivera
Com velas de esteira fina;
Que lhe importa ao china a terra,
Se tudo qu´elle ama, encerra
A Lorcha dum pobre china?

Oh deusa! … tu, que no céu
Trazes cortejo de estrelas,
Que quando assomas sem véu,
Tanto semelhas às bellas;
Faze tu, casta deidade,
Que a pura ingenua amizade,
Que esses dois anjos estreita,
Seja eterna, como as plagas,
Onde vem quebrar-se as vagas,
Quando a tormenta é desfeita.

Mas se esta canção magoada,
Por vós, ó anjos, fôr lida,
Se por ella recordada,
Fôr do nauta a pobre vida;
Se em meio de alegre dança.
Surgir d´elle uma lembrança …
Oh! Fazei que uma saudade,
Busque ao triste ode elle arquêja,
Venha oh! Venha! … inda que seja
Nas azas da tempestade!.

Macau, 20 de Outubro de 1850
L. M. Bordallo (3)

explosao-da-fragata-d-maria-ii-em-1850-ihttp://www.acessibilidade.gov.pt/accessmonitor/dir/see/?cD0yfG89aW1nfHM9MzI3<

(1) A guarnição da D. Maria II compunha-se de 224 praças, das quais pereceram 188, salvando-se apenas 36 , que estavam em terra, doentes ou destacados e um grumete o único que sobreviveu entre os feridos que foram transportados ao hospital de Macau. Apenas foram enterrados 71 corpos; os outros desapareceram. Entre os mortos contam-se o comandante capitão-tenente, Francisco d´Assis e Silva (o corpo só foi encontrado no dia 31); os 2.ºs tenentes Plácido José de Sousa, Luís Maria Bordalo, Francisco Xavier Teles de Melo, Francisco Xavier Teles de Melo, Francisco Cipriano soa Santos Raposo, o tenente Mouro Samgi, o guarda-marinha João Bernardo das Silva, o 2.º cirurgião José Maria Lucas d´Aguiar e o comissário Manuel Marques. Entre os mortos, além da guarnição, contavam-se três marinheiros franceses presos, e uns 40 chineses que estavam a bordo ou em embarcações próximas. (3)
A fragata “D. Maria II” era um navio mercante “Ásia”, comprado em Inglaterra em 1831 e transformado em fragata no ano de 1832. A grande explosão deu-se no paiol que continha 300 barris de pólvora, e teria sido causada de propósito ou descuido pelo fiel da artilharia.

explosao-da-fragata-d-maria-ii-em-1850-ii“Explosão da Fragata D.ª Maria 2.ª  em Macao no anno de 1850”
Autor desconhecido de origem chinesa. (4)

Foi iniciativa do comendador Lourenço Marques mandar retirar do fundo do porto da Taipa o casco da fragata «D. Maria II» e algum tesouro, tendo sido o casco vendido por algumas mil patacas em benefício do erário público.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/12/14/noticia-de-14-de-dezembro-de-1902-falecimento-do-comenda-dor-lourenco-marques/
Outras referências a esta fragata:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fragata-d-maria-ii/
Aconselho visualização do vídeo “Explosão da Fragata D. Maria II”, de João Guedes, publicado a 19/01/2014 e artigo “Macau 1850: O mistério do maior desastre naval ultramarino português dos últimos duzentos anos”, do mesmo autor em:
https://www.youtube.com/watch?v=phN-7MWn39Q
https://temposdoriente.wordpress.com/2011/03/06/macau-1850-o-misterio-do-maior-desastre-naval-ultramarino-portugues-dos-ultimos-duzentos-anos-01-marco-11/
(2) “Virá aqui a propósito referir outra extraordinária coincidência relativa ao mesmo acidente:
Pela mala chegada em Outubro, recebeu o 2.º tenente Luís Maria Bordalo, uma carta de Lisboa do seu irmão Francisco Maria Bordalo (5) em que lhe dizia que em Lisboa corria a notícia, de ter voado com uma explosão a fragata «D. Maria II», carta essa que Luís Maria Bordalo mostrou a alguns dos seus camaradas. É extraordinário que tenha sido falado em Lisboa dum acontecimento que só viria a acontecer dali a dois meses e a 3600 léguas de distância” (3)
(3) Transcrito de TEIXEIRA, Padre Manuel – Taipa e Coloane, 1981, pp. 72 e 73. O trecho encontra-se disponível na “Revista Estrangeira”,  n.º 4, 1853, pp. 131. http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/RevistaEstrangeira/N04/N04_master/RevistaEstrangeiraN04.pdf
(4) https://www.google.com/culturalinstitute/beta/u/0/asset/the-explosion-of-the-frigate-dona-maria-ii-off-taipa-island-macau/LwEeQsqGGH7xTQ
(5) Francisco Maria Bordalo (1821-1861) irmão de Luís Maria Bordalo, oficial da armada (promovido a capitão-tenente da armada em 1859), escritor, dramaturgo e colaborador em várias revistas portuguesas, também esteve em Macau de 1849 a 1852 quando era tenente, exercendo o cargo de secretário do governo de Macau. Publicaria em 1854 uma novela, baseada na tragédia da fragata D. Maria II, ocorrida a 29 de Outubro de 1850.  O protagonista Luís Osório seria o seu irmão Luís Maria Bordalo (morto na explosão) e todos os outros nomes (idênticos aos da vida real) correspondiam a tripulantes da fragata, mortos ou não na explosão. Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/08/leitura-sansao-na-vinganca/
NOTA:Luís Maria Bordalo (1814-1850) promovido de guarda marinha a 2.º tenente em 26 de Novembro de 1840 publicou um drama original em 4 actos: “O Judeu” em 1843.

Livro do Padre Manuel Teixeira,  publicado em 1942, (1) preparado no rescaldo das celebrações festivas dos Centenários da Fundação e Restauração, 1940. Justifica  o autor na Introdução:
Galeria de Macenses Ilustres Séc XIX 1942 CAPARessoam ainda aos nossos ouvidos os ecos das festas centenárias, em que comemorámos o oitavo centenário da fundação da nossa nacionalidade (1140) e o terceiro centenário da restauração (1640), após 60 longos anos de sujeição ao domínio castelhano…(…)
A avaliar  pelo filme “Documentário da Exposição Histórica da Ocupação do Século XIX“, exibido nesta cidade no Ano Áureo Português de 1940 (11 e 12 de Maio) a resposta parece que deveria ser negativa, pois que Macau não figurava nesse aliás interessante Documentário. E, no entanto, Macau pode orgulhar-se de ter também os seus heróis que, pela sua virtude, bravura, ciência, arte e entranhado patriotismo , honraram Portugal nestas remotas paragens do Extremo Oriente…”
Estão biografados 16 ilustres macaenses:
José Baptista de Miranda e Lima (1782-1848)
Francisco José de Paiva (1801-1849)
Guilherme José Dias Pegado (1801-1885)
João Rodrigues Gonçalves (1810-1885)
José Martinho Marques (1810-1867)
Lourenço Caetano Cortela Marques (1811-1902)
Vicente Nicolau de Mesquita (1818-1880)
António Alexandrino de Melo (1837-1885)
Pedro Nolasco da Silva (1842-1912)
José Augusto Ferreira da Veiga (1838-1903)
António Joaquim Bastos (1848-1912) (2)
Leôncio Alfredo Ferreira ( 1849-1920)
Alfredo Pereira (1815-19..) (3)
João Feliciano Marques Pereira (1863-1909)
Vitor Hugo de Azevedo Coutinho (1871 – ….) (4)
José Tomaz de Aquino (1804-1852)
Galeria de Macenses Ilustres Séc XIX 1942 CONTRACAPADos biografados há os que embora nascendo em Macau, nunca exerceram a sua profissão em Macau ou viveram pouco tempo em Macau, nomeadamente:
Vitor Hugo de Azevedo Coutinho, filho de Manuel de Azevedo Coutinho e Leonor Stuart Mendonça de Azevedo Coutinho (comissão em Macau comandante de artilharia e de material de guerra. nomeação do governador José Maria da Ponte e Horta   (1866 a 1868. Antes tinha sido escolhido pelo governador Januário Correia de Almeida, (1872 a 1874) na escolha de armamento e artilharia para a defesa do território dirigindo a montagem da bateria da artilharia  Conde de S. Januário. Terá regressado a Europa em 1890 onde  assentou praça na Armada Portuguesa, sendo admitido como aspirante em 5 de Novembro de 1888. Concluído o curso da Escola Naval, foi promovido a guarda-marinha em 1892, iniciando uma carreira militar naval multifacetada até 1933 – quadro de reserva em 1933 no posto de capitão de mar e guerra. Professor da Universidade de Coimbra e da Escola Naval. Político ligado ao Partido Democrático, exerceu as funções de Ministro da Marinha  em 1914-1915. Presidente do Ministério de um dos governos da Primeira República Portuguesa, tendo governado entre 12 de Dezembro de 1914 e 25 de Janeiro de 1915. Novamente Ministro da Marinha em 1915-1917 e pela terceira vez (1922-1923)
Alfredo Pereira, filho de Manuel Pereira e Guilhermina Pereira, aos 6 anos de idade  veio para Lisboa  onde estudou para engenheiro agrónomo-silvicultor. Ingressou nos C.T.T. em 1875; em 1881 nomeado professor do Curso Prático de Correios e Telégrafos, Inspector-Geral em 1886 e Administrador  Geral dos Correios e Telégrafos em 1900. Secretário interino do Ministério das Obras Públicas Político do Partido Regenerador Deputado eleito pelo círculo de Penafiel.
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira Volume 21.
José Augusto Ferreira da Veiga, 1.º visconde de Arneiro concedido por el-rei D. Luiz  em 1870, oficial da ordem de S. Tiago, importante proprietário e de Joana Ulmann Veiga. Matriculou-se na Universidade de Coimbra em 1855 e bacharel em Direito em 1859. Deputado por Sabugal 1861 a 1864. Estudou música em Lisboa.

Galeria de Macenses Ilustres Séc XIX 1942 LOGOTIPOReprodução do logótipo dos “Centenários da Fundação e da Restauração” em Macau, na 1.ª página

(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX. Imprensa Nacional, Macau, 1942, 659 p.
(2) Filho de António Joaquim da Costa Basto (1823-1889) que foi baptizado com o apelido «Bastos», mas usou sempre a versão «Basto» que transmitiu definitivamente aos seus descendentes (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume I, 1996)
(3) O Padre Teixeira refere ignorar a data do seu falecimento. Terá falecido a 29 de Março de 1925 segundo:
http://toponimiaparatotos.blogspot.pt/2011/07/ruas-com-historia-alfredo-pereira.html
(4) O Padre Teixeira não refere, mas faleceu em 27 de Junho de 1955, em Lisboa segundo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Victor_Hugo_de_Azevedo_Coutinho

Na sequência do artigo de José Torres  publicado no semanário ilustrado ” Archivo Pittoresco” de 1864. (1), num número posterior da mesma publicação, fez o mesmo autor, outro comentário a uma outra ilustração de “Macau – Porto Interior”.

ARCHIVO PITTORESCO VII-44 1864 MACAU Porto InteriorMacau – Porto Interior

Ahi fica estampada a vista da parte ocidental da cidade de Macau e o seu ancoradoiro ou porto interior, formado pelas águas de um braço do grande rio de Cantão. É aqui o centro commercial da cidade, como a parte oriental, que estampamos a pag. 345 d´este colume, se pôde chamar o centro official administrativo, mais propriamente cidadão, Estamos a contemplal-o das alturas da Penha. Ao longe, à direita , na altura em que se divisa um confuso arvoredo, é a quinta da Gruta de Camões, propriedade do comendador Lourenço Marques. As montanhas que se elevam ao fundo, à continuação da península em que Macau assenta, são da comarca de Anção ou Hiamxan, da ilha Ngão-men, a maior das que povôam o grande golpho em que desagua o rio Cantão. É ahi, sobre a esquerda, que está situada a povoação chim da Casa Branca. A primeira praia à esquerda (passando a fortaleza e pagode da barra, que ficam áquem do que descobrimos) é a chamada Manduco. Segue-se-lhe  a Praia Pequena, adjacente à qual está a povoação  chim chamada do Bazar, quasi na sua totalidade reconstruída por um plano regular, depois do grande incêndio que, em 1856, lhe devorou umas mil casas grandes e pequenas. Segue-se-lhe a praia do Terrafeiro, que é a última, na baixa ao poente da quinta da Gruta de Camões. A pequena ilha, que a pouca distancia se vê no meio do rio, é a ilha Verde, até 1762 propriedade dos jesuítas, de então até 1828 de particulares, e desde 1828 do collegio de S. José de Macau, hoje seminario diocesano.
ARCHIVO PITTORESCO VII-44 1864 Artigo MACAU Porto InteriorA parte de outra ilha, que apparece à esquerda da estampa, demarcando o ancoradoiro por este lado, é a ilha que antigamente  chamávamos dos Padres, pelas estancias que os das ordens religiosas ahi tiveram, fronteiras à cidade; ilha a que agora chamâmos da Lapa, e os chins Toi-miu-shan, em vulgar Panthera. Na praia que d´ella avistámos, e na sua continuação para barra, tivemos até princípio do seculo XVIII as estancias da Lapa, da Ribeirinha e da Ribeira Grande; e ao sair da barra as da ilha do Bugio e de Oitem.
A historia de cada parte d´este territorio, que nos pertenceu ou pertence, interessando particularmente aos portuguezes, pôde ainda assim ser para todos fonte de grandes e aproveitaveis lições. Reservâmol-a para artigo especial
                                          JOSÉ DE TORRES

NOTA: esta mesma ilustração foi inserida posteriormente no livro de Rocha Martins ” História das Colónias Portuguesas” (no meu “post” de 28-04-2015 ) (2) com a legenda (errada)  “MACAU EM 1897“. Está incorrecta a data de 1897 pois a ilustração data (pelo menos) de 1864.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/11/23/macau-em-1864-vista-da-praia-grande-do-porto-exterior/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/04/28/leitura-historia-das-colonias-portugue-sas-de-rocha-martins/

” The most interesting object to be seen in Macao is the Cave of Camoens, the author of the ‘* Lusiad.” This cave is situated within the pleasure-ground attached to the residence of a Portuguese gentleman, (1) who was most courteous and polite in conducting me through the walks of his beautiful-arranged garden and groves, where  flourish in perfection the finest trees of various descrptions. I have seen ill-natured observations, relative to this gentleman´s ostentation, but I must  say that they were perfectly unfounded. When I extolled his grounds, the taste and care with which they were laid out, and the beautiful prospect witnessed from the poet’s  seemed inclined to depreciate everything, and attributed my commendation to good breeding. It is very possible, that the person who wrote or dictated the remarques I alude to, may be the same individual who was handed ever to the police for impertinente intrusion, and insults offered to the ladies  of this gentleman´s family.
The owner of the grounds ins noted throughout Macao for his politeness and hospitality.
The cave is situate at the top of a rock, over which is is placed the bust of Camoens.
On the walls are inscribed some of his choicest lines in the original, to which s alson added a Chineses translation. Some of of these are descriptive of the boundless sea-view, lying beneath; and I was a loss, whether most to admire the truthfulness of the description, or the sublimity of the prospect.” (2)

077 Gruta de Camões c. 1910A Gruta de Camões c. 1910

 (1) Comendador Lourenço Marques. Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/
(2) Artigo escrito em 1846, “China and the Chinese” (Capítulo I – Descrição de Macau, suas igrejas e edifícios público, gruta de Camões e cemitério inglês) publicado no «Dublin University Magazine», 1848.
The Dublin University Magazine” foi um “magazine” literário/cultural/político (iniciou-se como publicação política mas com os anos, tornou-se mais literário), independente que se publicou em Dublin de 1833 a 1882.

A propósito da publicação duma estampa, em 1864, num jornal semanário português, “Archivo Pittoresco”, (1), C. J. Caldeira (2) escreveu um artigo sobre «A casa e cêrca do sr. Lourenço Marques».

Archivo Pittoresco 1864 - A casa de Lourenço Marques ICasa e cerca do sr. Lourenço Marques em Macau

 A estampa representa a casa e cêrca do sr. Lourenço Marques, em Macau, na qual está a celebre gruta de Camões. O mirante que a coroa divisa-se por entre o arvoredo acima da casa que tem frontão triangular, que é a da residência do proprietário, cercada de jardins, horta e bosque, que a tornam uma das mais pitorescas da cidade, como se pôde julgar pelo desenho.
Ao lado direito se vê parte da povoação chineza de Patane, já fôra dos muros da cidade, próxima da porta de Santo António e da egreja e freguesia da mesma invocação, que ficam na parte oculta à esquerda do espectador.
A casa vasta e elegante, que está à esquerda do desenho, pertence e é ocupada por irmãos e outros parentes do mesmo sr. Marques, e foi habitação de seu pae. Atraz d´esta divisam-se em grupo os mastros e velas de algumas embarcações chinesas, que costumam fundear próximo à povoação de Patane, ao sopé do montículo, e que o circunda quasi todo.
O fundo representa o porto interior de Macau, vendo-se sobre a esquerda a ilha da Lapa, antigamente denominada dos Padres, e mais ao longe as alturas da chamada ilha, ou antes península Heang-shan, d´onde corre um canal ou pequeno braço do rio de Cantão, denominado Passagem de Macau, que vem desembocar no dito porto interior.

Archivo Pittoresco 1864 - A casa de Lourenço Marques IINa ilha da Lapa há três povoações chinesas, em frente de Macau, que são: Lapa, Parsan e Choimi. Esta ultima é fronteira à gruta de Camões.
Na direcção dos dois navios que se observam no porto está a importante povoação chineza chamada Casa Branca, e um pouco à direita o celebre forte de Passaleão, onde o actual major Vicente Nicolau de Mesquita praticou, com um punhado de valentes soldados, um dos maiores feitos de armas da moderna história portugueza.
O desenho e notícia especial da gruta de Camões deste semanário pôde vêr-se (3) e também a notícia e estampa do busto do grande poeta, (4) que o sr. Lourenço Marques mandou fundir em bronze, em Lisboa, no arsenal do exército, para colocar na dita gruta. Por este e outros factos de patriótica dedicação à memoria de Camões, e pelos longos serviços que tem prestado como membro do senado e procurador da cidade de Macau, é que o mesmo sr. Foi agraciado com a comenda de Christo, que já tivera seu pae, o falecido coronel Pio Marques.
As presentes noções e a gravura, completam, com as anteriores a que nos referimos, o que há de mais notável em Macau em comemoração do principe dos nossos poetas.

TA-SSI-YANG-KUO Quinta da Gruta de Camões e Patane 188..QUINTA DA GRUTA DE CAMÕES E POVOAÇÃO DE PATANE (em 188..)
(Photograv. De P. Martinho, segundo uma photographia) (5)

(1) Archivo Pittoresco, 1864
(2) Referências anteriores de Carlos José Caldeira em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-jose-caldeira/
(3) Publicado em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/11/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xvi-c-j-caldeira-1857-i/
(4) Publicado em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/30/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xxvi-busto-de-camoes-para-a-gruta-de-macau/
(5) Retirado de TA-SSI-YANG-KUO, VOLS I-II. p. 531.
A mesma fotografia foi publicado (embora retirada de outra revista) no meu post:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/30/noticia-de-30-de-marco-de-1827-a-gruta-de-camoes-xx/

Artigo publicado no semanário “Archivo Pittoresco”, de 1861 (1)

No artigo que acompanha aquella gravura, (2) escripto pelo mesmo auctor, está mui cabalmente feita a descripção d´este memorável sítio. Ahi se diz que no centro da gruta há um pedestal que tem gravadas na pedra seis oitavas dos Lusiadas e que sobre elle está o busto de Camões, modelado por artistas chinezes.
Para substituir este busto por outro de bronze, mandou o benemérito proprietário da gruta, o sr. Lourenço Marques, fazel-o a Lisboa, e é d´elle que hoje damos um fiel transunto.
Archivo Pittoresco 1861 - Busto de camões ICommetteu o sr. Lourenço Marques ao sr. C. J.Caldeira, seu correspondente n´esta corte, a superintendência d´esta obra. Foi o sr. Bordalo Pinheiro encarregado de modelar o busto em gesso , para se fundir em bronze no arsenal do Exército.
Tratou o artista de consultar pessoas competentes sobre a escolha do retrato que havia de tomar para typo. O sr. Visconde de Juromenha, que tão porfiados estudos tem feito sobre a vida do nosso grande épico, facultou-lhe quantos possuía, indicando-lhe como o que reúne mais probabilidades de verdadeiro, aquelle que publicou Manuel Severim de Faria nos seus Discursos, edição de Évora, 1624.(3) Por este retrato, e pela atenta leitura da vida do infeliz poeta, ultimamente da à luz pelo mesmo sr. Visconde, é que o hábil esculptor compoz a physionomia do busto, que nos parece estar bem estudada, porque revela com muita naturalidade as amarguras que abreviaram a vida de quem «foi mais afamado que ditoso», e juntamente denota certa altivez própria do caracter indómito que teve Luiz de Camões.
Archivo Pittoresco 1861 - Busto de camões IIIFeito o modelo, encarregou-se da fundição do busto o aparelhador da oficina n. 1 do arsenal do Exercito, o sr. Felisberto José Pereira, que fez obra perfeita, louvada não só pelos entendedores, mas oficialmente n´uma ordem da inspecção do referido arsenal, em data de 27 de março do corrente anno.
Foi este perito fundidor coadjuvado pelos operários da sua oficina, Cyrillo Antonio Teixeira e Hypolito José, aos quaes, em recompensa da tão bom trabalho, se lhes augmentou o jornal, sendo igualmente louvados pelo benemérito inspector do mesmo arsenal, o sr. Marechal Barreiros, que tem levantado aquelle estabelecimento da decadência em que jazia.
Archivo Pittoresco 1861 - Busto de camões IITão perfeito se julgou a fundição d´este busto, que o governo mandou se tirasse segundo exemplar para o museu do arsenal, que ficou tão bom como o primeiro.
Consta-nos que esta obra importou, apenas, em 265:000 réis (4), modelo, fundição e mais despezas acessórias; pesando o busto 49 kilogramas (107 arrateis) (5) de bronze. (…)
………………………………………………..… (…)… continua

MACAU - A GRUTA DE ACMÕES - Camões 1639Retrato de Camões por Pedro Vila Franca (gravador) 1639 (6)

(1) In ARCHIVO PITTORSCO, 1861.
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/ArquivoP/1861/TomoIV/N024/N024_master/ArquivoPitoresco1861N024.PDF
(2) Artigo de Carlos José Caldeira com o desenho da Gruta de Camões publicado no mesmo semanário, em 1857  Transcrevi-o em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/11/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xvi-c-j-caldeira-1857-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/10/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xvii-c-j-caldeira-1857-ii/
(3) Poderá ler este livro de Manoel Severim de Faria, “Discursos Vários Políticos”, em: http://purl.pt/966 
Archivo Pittoresco 1861 - Busto de camões IVArchivo Pittoresco 1861 - Busto de camões V 
As páginas referentes à “Vida de Luís de Camões” são de 88 a 135.
(4) real (no plural: reais, mais popularizado como réis) foi a unidade de moeda de Portugal de 1430 a 1911. Foi substituído pelo escudo (1000 réis= 1 escudo).
(5) arrátel: antiga unidade de medida de peso correspondente a 459,5 g ou 16 onças.
(6) Da colecção de postais “Macau –A Gruta de Camões”. Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/06/08/postais-de-macau-a-gruta-de-camoes/

Em 14 de Janeiro de 1854, o Governador Isidoro Guimarães, recebeu a infausta notícia, que lhe fora transmitida pelo Ministério da Marinha e Ultramar, do passamento da rainha D. Maria II. Instruiu, de imediatamente, José Carlos Barros, que exercia interinamente o cargo de secretário do governo, que fossem dadas ordens, no sentido de, no dia seguinte, se fazerem da Fortaleza do Monte, de sol a sol, tiros de ampulheta, de quatro em quatro de hora, dobrando concomitantemente os sinos de todas as igrejas da cidade. As fortalezas e os baluartes passaram a içar a bandeira nacional apenas «a meio pau» e o mesmo fizeram os navios e as embarcações surtos no ancoradouro que, além disso, tiveram também de cruzar as vergas. Nos tribunais ficou suspenso o despacho, por 8 dias, e, às 4 horas da tarde desse dia 15, publicou o Leal Senado, o Bando do estilo, pelo qual todos os portugueses em Macau eram convidados a entregar-se ao nojo, durante seis meses, sendo três de luto carregado e três aliviado.

A 7 de Março de 1854, o sinédrio municipal, composto pelos conspícuos edis Maximiano Félix de Rosa, Manuel António de Sousa, Lourenço Pereira, João José Vieira, Gonçalo de Silveira e Lourenço Marques, resolveu convidar o público, por meio de outro Bando, ao som da caixa e afixado em lugar competente, a assistir, na praça das casas da Câmara, à cerimónia da Quebra de Escudos (1) e a juntar-se ao pranto colectivo, pelas 3 horas e meia da tarde do dia 15. (2)

(1) Relatarei numa próxima postagem a cerimónia da Quebra de Escudos.
(2) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de -Macau, 2010, 358 p., ISBN 978-99937-45-38-9

No dia 14 de Dezembro de 1902, com 91 anos, faleceu em Macau o Comendador Lourenço Marques. (1) Um dos traços perene da sua passagem pela vida é o Monumento da Vitória (contra os holandeses, 1622), que mandou erguer. Quando Procurador dos Negócios Sínicos e membro do Conselho do Governo, mandou colocar letreiros com os nomes das ruas e os números das casas (já o Governador Ferreira do Amaral, em 23-II-1847, havia mandado dar o nome às ruas e números das casas; propôs que criassem as fontes de rendimentos nas ilhas da Taipa e Coloane que não o tinham). A ele se deve a indicação, por meio de sinais o incêndio e a aproximação de tufões, por sinais públicos, de tufão próximo. A 1.ª iluminação pública de Macau foi da sua iniciativa, fazendo colocar à sua custa – lanternas à frente do Leal Senado e do Palácio do Governo – foi da sua iniciativa e à sua custa. Foi também Procurador do Senado e seu Presidente (1871-72). Foi ele ainda que, igualmente à sua custa, mandou fundir em bronze, no Arsenal de Lisboa, o busto do poeta português Luiz de Camões 1866, para depois o colocar na gruta onde hoje o vemos.
SILVA, Beatriz Basto e – Cronologia da História de Macau, 4.º Volume.

Jardim de Camões AGU c.1950

Jardim de Camões c. 1950

Outros cargos exercidos e contribuições para o benefício da cidade realizadas pelo Comendador:
1839 – Juiz almotacel do Leal Senado da Câmara.
1846 – Juiz substituto de paz das freguesias da Sé e de S.º António; 13 de Dezembro – procurador da Câmara. Cooperou neste ano na formação do Batalhão Provisório de Macau oferecendo ele a bandeira a esse corpo. Em 1847 era Tenente da segunda Companhia; Capitão da mesma companhia em 1850 e mandou construir uma barraca para o aquartelamento da 2.ª companhia de que era capitão das tropas.
1847 – Como membro do Conselho do Governo e Procurador dos Negócios Sínicos, mandou iluminar a cidade e numerar as casas e por nomes às ruas.
Fez parte de uma comissão (2) com o fim de promover uma subscrição voluntaria para levar a efeito um plano de educação, fundo com que se organizou a Escola Principal de Instrução Primária inaugurada em 16 de Junho de 1847. Ofereceu a esta Escola o mobiliário.
1851-1856 e de 1859-a 1861 – Procurador do Leal Senado.
No desastroso incêndio do Bazar em 1856 vendo que na cidade não havia bombas nem bombeiros em estado de poderem funcionar, solicitou-as ao almirante Guerin, e este prontamente mandou três acompanhadas de uma força de 300 homens desembarcados dos vasos de guerra «Glorie», «Ergon» e «Constantine» e devido a tão valioso auxílio é que se conseguiu extinguir esse pavoroso incêndio.
Foi sua iniciativa mandar retirar do fundo do porto da Taipa o casco da fragata «D. Maria II» e algum tesouro, tendo sido o casco vendido por algumas mil patacas em benefício do erário público
1864 – Propôs que se erigisse o Monumento da Vitória e inaugurou-a como Presidente do Leal Senado em 26 de Março de 1871.
1862 – Comendador da Ordem de Cristo a 30 de Janeiro.
1865 – Vice-presidente do Leal Senado.
1869 – Procurador substituto interino dos Negócios Sínicos.

Há um Pátio Lourenço Marques na Toponímia de Macau que fica junto à antiga casa do ópio, indo desembocar na Avenida Almirante Sérgio.

(1) Nasceu a 7 de Agosto de 1811 (baptizado a 14 de Agosto do mesmo ano, na Igreja de Lourenço), Lourenço Caetano (nasceu no dia de S. Caetano) Cortela Marques.
Casou a 7 de Agosto de 1838 (precisamente no dia em que completava 27 anos) com a sua prima Maria Ana Josefa Pereira (nascida a 21 de Abril de 1825, portanto contava apenas 13 anos de idade. Consta-se até que, quando ela teve o primeiro filho (nascido a 27 de Setembro de 1852) fazia-se mister andar a chamá-la constantemente para dar o peito à criança, pois ela – pouco menos que criança- se entretinha a brincar no jardim com outras meninas de idade… (TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942)
(2) Composta por Cónego António José Vítor Dias de Lima, Alexandrino António de Melo, Vicente Paulo Salatwichy Pitter e João Joaquim dos Remédios.

Carlos José Caldeira no Boletim do Governo, 28 de Junho de 1851, p.102, explica que a Missa de Acção de Graças é a mais antiga cerimónia histórica ligada ao local, porque tem a sua 1.ª edição no próprio ano da invasão, 1622, por voto tomado em Sessão e Termo na casa da Câmara. Cerca de 1844, a Missa passou a ser celebrada na Capela da Guia mas o Senado, mesmo assim, usava dar cinco patacas de esmolas e as crianças levavam flores e bandeiras ao local, também conhecido por Campo dos Arrependidos.

 Monumento da Vitória 1907 Man Fook MACAU PASSADO E PRESENTEMonumento da Vitória ao fundo da Avenida Vasco da Gama
(Foto de Man Fook de 1907)

 Do Boletim da Província de Macau e Timor, Vol. XVI.N.º 26 de 27/7/1870:
“Collocou-se, no dia 23 do corrente às 6 horas da manhã, a primeira pedra do alicerce sobre que hade alevantar-se um padrão de gloria, que recorde à posteridade um dos mais brilhantes feitos dos nossos maiores.
Foi S. Ex.a o Governador (1) celebrar esta cerimonia e vio à roda de si quasi todos os funcionarios civis e militares, que anuiram solicitos ao convite de S. Exa.; patenteando assim a sua veneração por tudo que signifique gloria das armas portuguezas, desde tanto acostumadas a vencer.
Teve lugar a solemnidade na Praça da Victoria, (2) junto da Flora Macaense, na estrada quepor S. Lazaro,conduz à porta do Cêrco.
Depois de leitura do auto que foi assignado por todos os funcionários presentes foi elle encerrado num cofre com as moedas nacionaes como é d´uso praticar-se nestes actos.
Em seguida S. Ex.a o Governador deitou a primeira colher de cal para segurar ao solo a pedra fundamental de todo o alicerce – e apoz elle algumas outras autoridades praticaram egual cerimonia.
Foi uma festa toda patriótica e que assignalou um dia nunca esquecido pelo povo de Macau.
No sitio destinado a receber o monumento já existia uma pilastra de pedra, que commemorava o feliz resultado da brava peleja, travada ali pelos moradores de Macau no dia 21 de junho do anno de 1622 contra uma expedição hollandeza, que tentava assenhorar-se desta cidade, como que desconhecendo quanto valor e brio usam os portuguezes mostrar sempre que o amor da patria os incita as mais arrojadas empresas para defesa da sua nacionalidade, e revindicação de seus sagrados direitos.
O monumento foi mandado construir em Lisboa por iniciativa do leal senado, e ouvimos que se espera no primeiro transporte vino d´aquella cidade. (3)

 Monumento da Vitória 1939 IO MONUMENTO DA VITÓRIA
Festividades no dia 24 de Junho de 1939

 O texto do auto depois de assinado, foi depositado num cofre assim como moedas nacionais, sendo posteriormente soldado e depositado na cavidade da pedra fundamental do monumento. Uma cópia do auto foi guardada no arquivo do Leal Senado.
O monumento da Vitória foi construído com um fundo originalmente destinado a um monumento a S. João Baptista mas “por escrúpulos, receio de melindres e divergências de alguns vogais”, por proposta do Presidente do Leal Senado da Camara e concordância do Governador, “as $ 400 e seus juros foram entregues ao Cidadão Lourenço Marques, que ficou encarregado de mandar vir o Monumento.
O monumento foi inaugurado no dia 26 de Março de 1871. (4)

Monumento da Vitória 1939 II O MONUMENTO DA VITÓRIA
Festividades no dia 24 de Junho de 1939

 (1) Sobre António Sérgio de Sousa (1809-1878), governador de Macau de 1868 a 1872, ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-sergio-de-sousa/
(2) Local onde antes estivera uma cruz (de que provavelmente já só restava a pilastra vertical, o braço caiu por um tufão) em memória dos acontecimentos de Junho de 1622, com os holandeses.
Carlos José Caldeira in Boletim do Governo, 28 de Junho de 1851, p.102, explica que a Missa de Acção de Graças (esta missa chamava-se de Vitória) é a mais antiga cerimónia histórica ligada ao local, porque tem a sua 1.ª edição no próprio ano da invasão, 1622, por voto tomado em Sessão e Termo na casa da Câmara. Cerca de 1844, a Missa passou a ser celebrada na Capela da Guia mas o Senado, mesmo assim, usava dar cinco patacas de esmolas e as crianças levavam flores e bandeiras ao local, também conhecido por Campo dos Arrependidos.
Campo dos Arrependidos, “pois era ali que noutros tempos, os condenados iam expiar no patíbulo, os seus crimes (Luís Gonzaga Gomes) (3) ou segundo Beatriz Basto da Silva “A zona chamava-se, por ter sido o recuo dos holandeses, o «Campo dos Arrependidos»”(5)
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 357 p., ISBN: 978-99937-45-38-9.
(4) Sobre o Monumento ver:
http://nenotavaiconta.wordpre HYPERLINK “https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-da-vitoria/”ss.com/tag/monumento-da-vitoria/
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)