Archives for posts with tag: Comendador Lourenço Marques

Em 7 de Agosto de 1898, celebraram os 60 anos de casados, (1) Lourenço Caetano Cortela Marques e sua prima Maria Ana Josefa Cortela Pereira, com uma grande festa a que compareceram muitos amigos e conhecidos tanto de Macau como de Hong Kong; nesse dia celebrava também o Comendador Lourenço Marques o seu 87º aniversário natalício. Um dos sues amigos Demétrio de Araújo e Silva (2) que viera de Hong Kong assistir a essa festa sentiu-se de repente indisposto, vindo a falecer em 21 de Agosto de 1898, vitimado por uma lesão cardíaca, contando 60 anos e 10 meses de vida, em casa do mesmo Comendador, sendo inúteis todos os esforços empregados pelo Lourenço Pereira Marques para o salvar.

Maria Ana Josefa Cortela Pereira veio a falecer em Macau, em 23 de Agosto de 1901, com 76 anos de idade e o Comendador Lourenço Marques faleceu no ano seguinte, a 14 de Dezembro, na sua casa do Largo Luís de Camões.com 91 anos.

 (1) Lourenço Caetano Cortela Marques, (1811-1902) em 7 de Agosto de 1838, precisamente no dia que completava 27 anos de idade, casou com sua prima, Maria Ana Josefa Cortela Pereira, a qual contava apenas 13 anos de idade, pois nascera, em Macau a 21 de Abril de 1825.

Conta-se até que, quando ela teve o primeiro filho, fazia-se mister andar a chamá-la constantemente para dar o peito à criança, pois que ela – pouco menos que criança – se entretinha a brincar no jardim com outras meninas da sua idade.

(2) Demétrio de Araújo e Silva nasceu em Macau em 21 de Outubro de 1837 e era filho de Demétrio de Araújo e Silva, natural de Lisboa, último Administrador da Alfândega Portuguesa em Macau, desde 1838 até 1845, e de Maria Micaela de Rosa Pereira, natural de Macau, casados em S. Lourenço em 31 de Agosto de 1823. Tendo falecido Maria Micaela de Rosa Pereira, em 19 de Junho de 1842, Demétrio de Araújo e Silva  casou, em segunda núpcias, em 19 de Junho de 1842 com Francisca Maria Antónia de Arriaga, nascida em 28 de Outubro de 1812 e falecida em 11 de Dezembro de 1899.

Com a decadência do comércio de Macau, devido ao estabelecimento dos ingleses em Hong Kong e à abertura de alguns portos da China ao comércio estrangeiro, começouo êxodo dos macaenses para vários portos do extremo Oriente, com o fim de angariarem meios de vida. Demétrio de Araújo e Silva (filho) peregrinou por Cantão e Xangai, até que se estabeleceu em Hong Kong em 1877.

Informações recolhidas de TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942 p. 180-181

Ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/

O Colégio Imaculada Conceição fundado por iniciativa do comendador Albino da Silveira (1) foi inaugurado, em 15 de Março de 1864, sob a direcção das Irmãs do Instituto de S. Paulo de Chartres, discursando nessa ocasião Bernardino de Sena Fernandes, o Governador Coelho do Amaral e o Padre Vitorino de Almeida; em virtude do Decreto de 20 de Setembro de 1870, que excluía do ensino professores estrangeiros, o Colégio fechou em Setembro de 1871, sendo reaberto em 24 de Novembro de 1872, falando nessa ocasião a “sympathica e talentosa jovem Maria José”, (2) o Padre Vitorino de Almeida, o Governador da Colónia, Visconde de S. Januário, e o Governador do Bispado, o Padre António Luís de Carvalho. Os discursos de Maria José Pereira e do Visconde de S. Januário podem ler-se na «Gazeta de Macau e Timor», 1.º anno, n.º 10 de 26 de Setembro de 1872 (3)

O comendador Albino da Silveira, estando em Shanghai, abriu uma subscrição para a fundação de um Colégio feminino em Macau, encarregando-se ele de mandar vir da França as mestras, as Irmâs de Caridade de S. Paulo de Chartres O seu projecto, a requerimento de Bernardino de Sena Fernandes, aprovado por Portaria de 26 de Dezembro de 1863, (4) e autorizada a sua continuação por Portaria de 17 de Março de 1868, (4) o qual o Colégio apenas durou por mais três anos. Em Setembro de 1871, devido ao decreto de 20 de Setembro de 1870 (exclusão do ensino em Macau dos professores estrangeiros), as professoras retiraram-se, encerrando-se o estabelecimento.

(1) Albino da Silveira (Macau 1823- Macau 1902) filho de Francisco Cândido Pereira da Silveira e de Francisca Carlota Pereira da Silveira, naturais de Macau, foi empregado, em Cantão, em casa de Robinnet, negociante de sedas e depois em casa de Jardine, Matheson & CO. Mais tarde foi para Shanghai, em casa de Dent & Co e por fim estabeleceu-se em Hong Kong, onde serviu de guarda-livros da “Union Insurance Society of Canton” recebendo, ao reformar-se uma pensão vitalícia desta Sociedade. O comendador foi em Hong Kong Presidente do Club Lusitano, do Círculo Católico, da Confraria de SSmo Sacramento e da Sociedade de S. Vicente de Paulo por 25 ano Nomeado sócio ordinário, em 1892, da Sociedade de Geografia de Lisboa. A comenda da Conceição foi-lhe atribuída pelo Governo Português em 1893. Era também Cavaleiro de S. Silvestre. Em Shanghai foi vice-consul de vários fundou um jornal português “O Aquilão”, de duração efémera. Faleceu em Macau, na residência do Comendador Lourenço Marques, onde vivia. (3)

A filha do comendador Ana Joaquina da Silveira, estudou no Colégio da Imaculada Conceição até Junho de 1870, quando foi para França para continuar os estudos. Foi uma das primeiras alunas macaenses a ingressar no Instituto da Congregação de S. Paulo, e em 1876, tomou o hábito em Chartres  com o nome de Soeur Basilide Joseph e lá faleceu. (5)

(2) Maria José Pereira, nascida em 18 de Outubro de 1861 é filha de Bartolomeu António Pereira e de Belmira da Encarnação e casou com Leôncio Alfredo Ferreira. (6) Maria José foi aluna distinta do Colégio da Imaculada Conceição 

(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942, p. 453

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-da-imaculada-conceicao/

(5)) TEIXEIRA, P. Manuel – A Educaçao em Macau, 1982, p. 315

(6)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leoncio-alfredo-ferreira/

Outro artigo de A. Marques Pereira (1) acerca do busto de Camões encomendado pelo comendador Lourenço Marques (2) ao escultor Bordalo Pinheiro

Extraído de «BGM», VII-20 de 20 de Abril de 1861, p 78

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-feliciano-marques-pereira/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/

Extraído de «TSYK»- III Ano, n.º 18 de 1 de Fevereiro de 1866, p. 77

O busto (e a sua inauguração que foi anteriormente publicada neste blogue)(1), já em 1862, mereceu um “apontamento” no «Boletim do Governo de Macau» (VIII-17 de 19-03-1862, p. 66):

Retrato de Camões – Desenho de F. Gerard e L. Visconti – Gravura de F. Lignon (1817) POSTAL  (14, 5 cm x 10,3 cm) – Colecção “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas “, 1987

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/28/noticia-de-28-de-janeiro-de-1866-busto-de-camoes/

28-01-1866 – “Para solenizar a colocação do busto de Camões, encomendado por Lourenço Marques, proprietário da gruta do mesmo nome, a Bordalo Pinheiro, busto este cuja chegada a Macau foi noticiada, no Boletim do Governo n.º 17 de 29 de Março de 1862, realizou-se «uma escolhida reunião de damas e cavalheiros, nacionais e estrangeiros, n´aquelle ameno e delicioso recinto». Compareceu também, S. Exa. O Governador e mais autoridades, bem como os estudantes do seminário, tocando a interessante banda marcial dos alunos, composta de mais de 20 músicos. Alguns estudantes recitaram, a propósito, várias poesias escolhidas e adequadas, em português, latim, francês e italiano. O Sr. Sá Camello, alferes do batalhão de linha recitou poesia do Sr. António Serpa Pimentel intitulada «Camões na gruta de Macau» ”(GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954, pp. 26-27

1866 – O primeiro busto de Camões, na Gruta do Jardim de Manuel Pereira (1757-1826) foi substituído nesta data, por iniciativa do genro do rico negociante, Lourenço Caetano Cortela Marques, casado com Maria Ana Josefa Pereira. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p.177) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/28/noticia-de-28-de-janeiro-de-1866-busto-de-camoes/

Extraído de «O Correio de Macau», Vol. I -13, 21 de Janeiro de 1883, p. 60

Extraído de «BGM»,  XI-2 de 9 de Janeiro de 1865, p.6

Por portaria de 26 de Dezembro de 1863, o governador de Macau, José Rodrigues Coelho do Amaral, deferia o requerimento feito por “Bernardino de Sena Fernandes, por si e em nome de vários outros moradores de Macau, (para) que lhe concedesse autorização para estabelecer uma escola de meninas dirigida por mestras francezas, irmãs do Instituto de S. Paulo”. Em 15 de Março de 1864, estas religiosas inauguravam o Colégio da Imaculada Conceição, usando da palavra Bernardino de Sena Fernandes, o Governador J. R. C. do Amaral e  o Padre Vitorino de Sousa Almeida. Por Portaria Régia de 17 de Março de 1868, foi autorizada a continuação do Colégio da Imaculada Conceição. Em Setembro de 1871, devido ao decreto de 20 de Setembro de 1870 (exclusão do ensino em Macau dos professores estrangeiros), as professoras retiraram-se, encerrando-se o estabelecimento.

Em 28 de Setembro de 1872, reuniram-se na Gruta de Camões, os subscritores do Colégio da Imaculada Conceição e nomearam para a Comissão Directora, as senhoras Maria Pereira Marques, esposa de Lourenço Marques, presidente, Maria Bernardina dos Remédios, esposa de Maximiano António dos Remédios, vogal e vice-presidente, e Fátima Leite, esposa de Jerónimo Pereira Leite, secretária. O Colégio foi novamente inaugurado em 24 de Novembro de 1872 (Domingo), discursando a jovem Maria José Pereira, filha de Bartolomeu António Pereira e de Belmira de Encarnação Pereira, o Padre Vitorino de Sousa Almeida, o Governador Visconde de S. Januário e o Governador do Bispado, Padre António Luís de Carvalho; neste dia foi de novo o Colégio confiado às Irmãs do Instituto de S. Paulo, em número de cinco.” (1)

(1) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982, pp. 308-309

Referências anteriores : https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-da-imaculada-conceicao/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/orfanato-da-imaculada-conceicao/

Na sequência da postagem de ontem sobre a  “soireé musical” no dia 30 de Outubro, (1) realizou-se  no dia seguinte, 31 de Outubro, a grande festa de arromba para assinalar o aniversário natalício do rei D. Luís

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», I- 6 de Novembro de 1872 p. 2 http://purl.pt/26918/1/PT/index.html

Reproduzo a seguir a descrição do mesmo acontecimento feito por Luís Gonzaga Gomes (na continuação de anteriores crónicas “A Vida em Macau no Ano de 1872“, deste mesmo autor) (2) focando o baile dado pelo governador, Visconde de S. Januário no Palácio do Governo.

Constitui novidade a inovação de dois porta-machados a ladearem o retrato do Rei D. Luís, colocado sob o dossel, e cujos vistosos uniformes causaram grande agrado no público, que os viu marchar, pela manhã, à frente da guarda de honra. Duzentos e vinte cavalheiros com as suas impecáveis casacas ou reluzentes fardas e setenta e nove daas, elegantemente trajadas e ostentando ofuscantes brilhantes, estonteantes adereços, outras jóias de grande riqueza e raridade, emprestaram inusitado brilho a tão animado baile. As damas que apresentaram com maior elegância, distinção e bom gosto foram a esposa do Governador de Hong Kong, Lady Kennedy, com o seu lindo vestido de faille gris guarnecido de cetim da mesma cor e ricas rendas de Malines; e sua filha, senhorita Kennedy, de faille branco, encantadora na sua simplicidade; e esposa do Secretário-geral do Governo, D. Rosa Pinto Basto de moirée lilás, impondo-se pela sua esbelteza; a esposa do superintendente da emigração chinesa, D. Maria Amália Bruschy Pereira Rodrigues, de branco e azul com rendas de Bruxelas; a esposa do Cônsul do Sião D. Ana de Sena Fernandes, de cetim branco com enfeites verdes e brilhantes; a senhora Pyke, de cetim azul e rendas brancas; a senhorinha May, graciosa no seu vestido de amarelo de brilhantes; a Baronesa do Cercal, de preto e branco; e esposa do Administrador do Concelho, D. Maria Leite Baracho, de seda verde; D. Amélia Pacheco, de grenadine branco com rendas pretas e cetim amarelo, D. Florentina Carneiro, vistosa na sua toilette de faile branco, enfeitado de cetim cor de rosa; D. Idalina Velez, impante de natural elegância (ainda chegamos a conhecê-la na sua triste decadência física e económica), de preto e brilhantes e todas as restantes trajadas com requintes de ajanotamento e no último tom, num verdadeiro alarde de luxo e sumptuosidade. De entre os cavalheiros destacavam-se o Governador de Hong Kong, sir Arthur Kennedy, o General Whitefield, seu ajudante d´ordem; Mr Pauncefote, Juiz da vizinha colónia; o Barão do Cercal, D. Pedro de Lencastre; Mr. Deacon, Cônsul de Portugal em Cantão; Herr Ebel, Cônsul da Prússia, D. Juan Ortiz, Cônsul da Espanha; Alexandre Menacho, Cônsul do Peru; Comendador Bernardino de Sena Fernandes, Cônsul do Sião; João dos Remédios, Cônsul de Portugal em Hong Kong, Lourenço Pereira Marques, Presidente do Leal Senado; Júlio Pereira Pinto Basto, Procurador dos Negócios Sínicos; H. A. Pereira Rodrigues, Superintendente da Emigração Chinesa; Capitão-de-fragata João Eduardo Scarnichia, Capitão do porto; Capitão-de-fragata Tomas de Vila Nova Ferrari, comandante da estação naval e da corveta “Duque de Palmela”; Francisco de Melo Baracho, Administrador do concelho; o tenente-coronel Jerónimo Pereira Leite, Comandante da Polícia e muitas outras individualidades. Este baile deu brado e, pelos tempos adiante, ainda se referia a ele com entusiasmo e saudosas recordações, na sociedade macaense, cujo modo de vida viria a ser profundamente perturbado com a crise económica que se avizinhava. “ (3)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/30/noticias-de-30-e-31-de-outubro-de-1872-soiree-musical-recepcao-e-iluminacao-para-assinalar-o-aniversario-natalicio-do-rei-d-luis-i/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/10/31/noticia-de-31-de-outubro-de-1872-leitura-a-vida-em-macau-no-ano-de-1872-iii/

(3) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau, 2010, p.301.

Continuação da leitura do livro “CHRONICA PLANETARIA (Viagem à Volta do Mundo) ” de José Augusto Correa, publicado em 1904 (1), referido em anteriores postagens (2)

“Uma das primeiras curiosidades de Macau que, naturalmente, o forasteiro procura vêr, é a afamada Gruta de Camões. A collina que a encerra é um pedaço do Bussaco transplantado ao extremo-oriente, assim como a avenida da Praia Grande é, em miniatura, a Promenade des Anglais, em Nice. Visitei a Gruta em um Domingo (22 de Junho). Ao aproximar-me do portão que, ao canto de uma pequena praça, dá entrada ao famoso recinto, ouvi canticos religiosos. Á direita de onde eles partiam vi uma fachada de egreja com uma porta aberta e entrei. Era um templo protestante, e na ocasião um padre inglez discursava. Retrocedendo tranpuz o portão e achei-me em face de um bello prédio azul que serve de repartição de obras públicas. (3) Na frente há um jardim. Contornando este, transpondo outro portão e descendo uma escada, penetra-se na pequena eden que inspirou o grande vate.

Segue-se no bosque um arruado amenisado por massiços de cannas e copado arvoredo, até que um caminho á esquerda, subindo o suave outeiro, nos leva ao local onde uma grande pedra, pousada sobre outras duas, cobre o busto, em bronze, do sublime épico, assente em um pedestal de granito. Sobre as quatro faces de base, estão gravadas outras tantas estancias dos Lusíadas e ao lado esquerdo, quatro grande pedras graníticas, encostadas as rochedo conteem sonetos dedicados ao cantor immortal. Este logar é impropriamente chamado gruta, visto que lhe falta a concavidade interior.

BUSTO DE CAMÕES NA GRUTA . 1957

É de crer que Camões se inspirasse alguns passos mais acima, no vértice da collina que domina o esplendoroso panorama do porto, da cidade, das ilhas circunvizinhas e de liquida imensidade. N´este alto está uma guarita de pedra e cal, onde de abrigou La Perouse, (4) ao acertar os instrumentos nauticos com que navegou para a imortalidade.”

(1) CORREA, José Augusto – Cronica Planetaria (Viagem à volta do mundo), 2.ª edição. Editora: Empreza da História de Portugal, Lisboa, 2.ª edição, 1904, 514 p. Illustrada com 240 photogravuras; 15,5 cm x 21 cm.

(2)https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/07/04/leitura-chronica-planetaria-de-jose-augusto-correa-i/

(3) Esta casa (Casa Garden) construída em 1770, era originalmente a residência de um rico comerciante português, conselheiro Manuel Pereira. Posteriormente, foi alugado para a Companhia das Índias Orientais.

Em 1885, o seu genro Lourenço Marques, que herdou a propriedade, vendeu-a ao Governo. Em 1887, instalou-se aí a Direcção das Obras Ppblicas, e depois em 1931, a Imprensa Nacional de Macau. Tornou-se parte integrante do Património Mundial da UNESCO Centro Histórico de Macau em 2005. Hoje em dia, é a sede da Fundação Oriente.

(4) Em 3 de Janeiro de 1787, fundearam, no ancoradouro da Taipa, os vasos de guerra franceses «Astrolabe» e «Boussole», e os seus oficiais, sob a direcção do Conde Jean François de Lapérouse. (1714-1788), que por ordem de Luís XVI fazia uma viagem de exploração científica à volta do mundo  Estiveram instalados no recinto da Gruta de Camões, onde efectuaram várias observações astronómicas. (SILVA, Beatriz Basto de – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997)

Ver anteriores referências à Gruta de Camões, em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/07/15/macau-e-a-gruta-de-camoes-iv/

Extraído de «BGPMTS»  I-34 de 9 de Junho de 1855 p-135

O procurador era Lourenço Caetano Cortela Marques mais conhecido pelo nome de Lourenço Marques (1811-1902). (1) Exerceu o cargo de Procurador do Leal Senado de 1851 a 1856 e de 1859 a 1865; em 1865 foi eleito vice-presidente do Leal Senado e em 1871 Presidente do mesmo

(1) Anteriores referências a este Macaense em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/

Gruta de Camões, Macau
George Chinnery
Aguarela em papel sem data
c. 1833-38

Em homenagem a Luís de Camões e à sua hipotética estadia em Macau, o comerciante Lourenço Caetano Marques que herdou do sogro, o rico comerciante Manuel Pereira, os terrenos onde estão o jardim e a gruta, mandou esculpir em Paris um busto em bronze do poeta, que lhe custou a pequena fortuna de 600 francos, que foi colocada no interior da gruta que ele terá frequentado e que, a partir de então, passou a ser conhecida por “Gruta de Camões”.
Mas porque razão o Jardim onde fica a gruta é conhecido em chinês por Pak Kap Chao, 白鴿巢 (1) ou seja, “Jardim do Ninho das Pombas Brancas”?
Tal como a mal conhecida vida de Camões, também neste caso os registos são vagos sobre a origem do topónimo chinês, a versão popular é que está associado ao rico comerciante que gostava muito de pombas e mantinha um numeroso pombal no seu quintal. No entanto tal versão é de autenticidade duvidosa, poiso termo já aparece em muitos documentos e literatura da época, tantos chineses como portugueses, e muito antes de Lourenço Caetano Marques se ter mudado pata tal mansão em 1838.
Uma outra versão defende que o termo “Ninho das Pombas Brancas” deriva de um jardim botânico e zoológico na mansão de um homem rico, ao qual as pessoas se referiam como “Ninho dos Cem Pássaros”, pronunciado em chinês “Pak Liu Chao” (2) e que nos documentos teriam confundido os dois termos (“Pak Kap Chao”» e “Pak Liu Chao” (3)
(1)白鴿巢mandarim pīnyīn: bái gē cháo; cantonense jyutping: baak6 gaap3 caau4
(2) 白鳥巢– mandarim pīnyīn: bái niǎo cháo; cantonense jyutping: baak6 niu5 caau4
(3) As Ruas Antigas de Macau, versão em português. IACM, 2016, p. 86
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jardim-de-camoes/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/gruta-de-camoes/