“Inauguração após renovação, em Abril de 1956, do Jardim Público e Miradouro situados à esquerda da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, e junto à praia da Taipa.
MBI III-65 1956 ITrês fogões de cimento, especialmente construídos na extremidade Sul para esse fim, permitem aos visitantes a agradável facilidade de cozinharem ou aquecerem os seus petiscos ao ar livre, enquanto um caramanchão, guardado por dois ciprestes e que a seu tempo se cobrirá de trepadeiras, ensombreia uma grande mesa de marmorite, pronta a aparar as iguarias que farão as delícias dos excursionistas.

Jardim Público da Taipa I 2015O MESMO JARDIM – TAIPA  – ABRIL 2015

A toda a extensão da praia na encosta da Colina do Carmo, viçosas flores espalham seus aromas pelo relvado e pelas graciosas avenidas que levam ao mar, num conjunto harmonioso de singular exotismo e de arrebiques que fazem lembrar as histórias dos Jardins de Castelos de «Fadas e Mouras Encantadas».
Num pequeno lago, também ajardinado, ao lado da Igreja, com dois baloiços e outros tantos escorregadouros de madeira, expande a pequenada suas alegrias e fabrica suas inocentes brincadeiras enquanto não toca o sino para as aulas, ou não chega, nos dias de mais calor, o momento de poder nadar. Um pormenor que nos chamou a atenção: de cada lado duma das escadas que conduzem à praia, um escorregadouro de cimento por onde algumas crianças deslizavam alegremente.

Jardim Público da Taipa II 2015O MESMO JARDIM – TAIPA  – ABRIL 2015

A dominar a paisagem batida pelas ondas e refrescada pela brisa do mar, uma pequena esplanada com mesas e assentos semicirculares de cimento, pintados a vermelho, tendo ao fundo um rico balneário.
O jardim público recente remodelação do que já existia no mesmo local, ornamentado com novas plantas, provido de engenhosos canteiros e enriquecido com larga variedade de flores, ostenta ainda ao centro o aquário-repuxo e ao fundo quatro grandes gaiolas com periquitos, canários e pintassilgos, bicos-escarlates e pardais de Batávia.
MBI III-65 1956 IILá estão ainda a árvore de S. João e a Velha Palmeira, Á direita, e quatro Araqueiras altivas, quase à entrada e ao fundo.” (1)

Jardim Público da Taipa III 2015O  MESMO JARDIM TAIPA – ABRIL 2015

NOTA:Sintoma também da falta de técnicos é um pequeno jardim que se debruçava sobre a zona sul da Taipa (Baía de Nossa Sr.ª da Esperança). Neste espaço o miradouro Dr.ª Laurinda Marques Esparteiro – construído entre Novembro de 1954 e Abril de 1955 a partir de um projecto do então presidente da Junta local das Ilhas, António Maria da Conceição – revela-se de uma cândida imaginação, traduzida na rica inventiva das variadas peças – escadas, floreiras, vedações, mesas e bancos. Dada a semelhança de estilo devem-se certamente ao mesmo autor os jardins junto à antiga Ponte fluvial do Carmo e à Fortaleza da Taipa. Aqui, entretanto, e felizmente as poucas habilitações do projectista funcionaram num sentido positivo, pois dificilmente um técnico com uma formação académica evidenciaria tal liberdade de criação.
SARAIVA, António M. P. – Jardins e a história de Macau in Macau, encontros de divulgação e debate  em estudos sociais, pp. 193-205.
(1) Macau Boletim Informativo ANO III, Abril 1956