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A quadra festiva do carnaval, que nesse ano de 1956, coincidiu com o Ano Novo Chinês (12 de Fevereiro-Ano do Macaco/Fogo), decorreu animada em todos os centros de diversões, sobretudo nos três principais clubes da Província, Clube de Macau, Clube Militar e Clube Recreativo 1.º de Junho.

À festa do Clube de Macau, que se realizou no dia 11 assistiu o Governador Marques Esparteiro e Esposa.

A tarde infantil para os filhos dos sócios do Clube de Macau, no domingo, dia 12 esteve igualmente muito animas e concorrida, para isso contribuindo muito os interessantes e originais trajos com que algumas crianças se apresentaram. A todas foi servido um delicado e abundante chá que dispôs bem a pequenada.

O baile do Clube Militar realizou-se no dia 12, domingo, com grande afluência de sócios e suas famílias e de muitos convidados. Num ambiente elegante e distinto, dançou-se amimadamente até altas horas da noite. (1)

 (1) «MBI», III- 61, de 15 de Fevereiro de 1956, p. 16.

O Carnaval em Macau no ano de 1935, na descrição de Henrique de Senna Fernandes (1)
“O Carnaval de 1935 foi animadíssimo e, segundo os coevos, tão divertido e brilhante como o do ano transacto. Houve vários “assaltos” em casas particulares, mas o que excedeu toda a expectativa foi o que se realizou em 16 de Fevereiro, na Sociedade da União Recreativa. Ouçamos o “A Voz de Macau”, de 18, Segunda-Feira:
Realizou-se no Sábado, 16 do corrente, nos salões da U. R., um dos característicos “assaltos” carnavalescos que decorreu com uma animação desusada, tendo uma assistência computada em 200 pessoas.
São de louvar estas festas numa quadra em que a crise económica deprime a alegria salutar da mocidade.
Felicitamos os promotores desta simpática festa, srs. Edmundo de Senna Fernandes; Dr. Adelino Barbosa da Conceição, José Choi Anok, Alberto Barros Pereira e José Tavares.
A tuna do grupo deu uma animação extraordinária à festa e a sua entrada nas salas da S. U. R., acompanhada dum grupo de mais de 60 mascarados, foi verdadeiramente triunfal.
Que estas festas se repitam a fim de quebrar a monotonia em que vivemos.
O Carnaval propriamente dito iniciou-se no Sábado-Gordo, 2 de Março, com o baile local a rigor no Clube de Macau, tão protocolar e chique que alguém, fugindo para outro mais popular, o Clube de Sargentos (Sociedade Recreativa 1° de Junho), apelidou de “baile de embaixada”. E até Terça-Feira seguinte foi um delírio. Nesse ano, para animar os clubes havia um enorme grupo de Hong-Kong e mais a oficialidade da canhoneira inglesa “Moth” e da americana “Izabel”, que se aproveitaram da visita ao nosso porto para gozarem o Carnaval de Macau, que tinha fama nestas paragens.
Sobre o baile de Terça-Feira do Clube de Macau, extraímos o seguinte artigo do mencionado periódico:
Para não fugir à tradição, a festa da Terça-Feira do Carnaval, no Clube de Macau, foi de todas a mais animada. Foi interessante a entrada dum grande grupo de simpáticas meninas trajando diversos costumes regionais das Províncias de Portugal. Dispostas estas meninas numa roda, surgiu, como por encanto, uma interessante cigana que exibiu uma dança fartamente aplaudida pela numerosa assistência.
Tivemos a seguir uma desilusão quando descobrimos que a linda cigana era o Eduardo Silva!
Por volta das onze horas e meia fez a sua entrada na sala a ‘Tuna Camélia’, acompanhada dum luzidio cortejo de mascarados. A festa atingiu então a sua maior animação, tendo durado até altas horas da madrugada.
E assim terminou um Carnaval excepcionalmente animado”.
FERNANDES, Henrique de Senna – Cinema em Macau, III (1932-36)– RC.n.º 23, 1995

Não há nada melhor nesta data, 5 de Março de 2019 – CARNAVAL– para recordar Henrique de Senna Fernandes, (1) e as suas memórias sobre como se divertia a gente de Macau nesta festividade, na década de 30.
“Tudo isto ficou, em breve esquecido (2) com as festas de Carnaval, talvez as mais brilhantes e as mais animadas da década dos 30. Duas semanas antes do Sábado Gordo (10 de Fevereiro), realizaram-se os mais famosos “assaltos” da quadra, com tunas – eram três – a percorrer as ruas do velho burgo macaense. Os “assaltos” de que nos lembramos foram às residências de Abílio Basto, de Edmundo de Senna Fernandes, de Júlio Eugénio da Silva, da família Remédios, que vivia na casa onde reside hoje o Meretíssimo Juíz da Comarca. Também não esquecemos os “assaltos” à residência do Prof. Fernando de Lara Reis e a de António Ferreira Batalha.

Tuna e um grupo de mascarados na Casa do Professor Lara Reis (década de 30-séc. XX)

Éramos garotos, mas recordamo-nos de tudo, da esfusiante alegria, das tunas a tocar continuamente, das brincadeiras carnavalescas, das máscaras falando o patois e dos pares, muitos pares a dançar fox-trots, blues, quick-steps, valsas e marchas portuguesas, até alta madrugada.
A direcção do Clube de Macau decidira, nesse ano, ornamentar o salão de baile com motivos regionais portugueses. Um mês antes, ensaiou-se a garotada para se exibir na matinée de Domingo, com danças folclóricas nacionais. Adultos entusiasmados também quiseram aprender e formavam grupos à parte. Em todas as bocas se cantaram “Ora bate Padeirinha, ora põe o pé no chão” e “Rapazes, vamos ao vira, ai, que o vira é coisa boa”.
O Carnaval de 1934 iniciou-se com a soirée mas-quée, o baile tradicional do Clube de Macau. Houve muito poucos trajes carnavalescos, mas imensas casacas, smokings e jaquetinhas de cavalheiros e lindos evenings de senhoras. Madame Lebon, para tal acontecimento, fizera uma pequena fortuna. Todo este rigor e cerimonial era por causa da presença do Governador. Mais animado e popular, foi o baile que nessa mesma ocasião, se realizava no Clube de Sargentos, como era conhecido o Clube Recreativo 1° de Junho, onde não havia preocupações de protocolo e onde se estava mais à vontade. Tão divertida foi a festa do Clube de Sargentos que os sócios do Clube de Macau, mal terminaram a ceia, partiram para aquele Clube.
O Domingo Gordo, realizaram-se as matinées para os filhos dos sócios do Clube de Macau e do Clube de Sargentos. À noite, foi o baile na União Recreativa, com exibição das tunas e centenas de mascarados. Na Segunda, foi a vez do baile tradicional do Grémio Militar, mas também muito protocolar, nas primeiras horas, mas animadíssimo, depois da ceia. Na Terça-Feira, a rematar de novo, no Clube de Macau e no Clube de Sargentos, ambas as festas divertidíssimas, esquecendo-se todos que no dia seguinte era dia de trabalho e Quarta-Feira de Cinzas.
Outro acontecimento que merece menção nessa longínqua Primavera, foi a soirée-cotillon, realizada pelas alturas do “Micareme”, no belo edifício da União Recreativa, à Areia Preta. Foi o último baile no seu género, em Macau. Ali se marcou a quadrilha, com rigor palaciano, bailaram-se os “lanceiros” e as “polcas” dos tempos idos e exibiram-se outras danças próprias dum cotillon.”
(1) FERNANDES, Henrique de Senna – Cinema em Macau III (1932-36)
(2) Referia-se ao desaire da equipa de hóquei em campo do «Macau Hóquei Clube” que  derrotada em Hong Kong por 3 a 1.
“Nesse Fevereiro, para sofrimento e decepção dos aficionados, «Macau Hóquei Clube» é batido pela primeira vez na temporada e em Hong-Kong, perante uma enorme assistência. O oponente vencedor são os oficiais do navio “H. M. S. Midway” (3) que ganham por 3 a l.
O “Jornal de Macau” não esconde a sua amargura e é severo na sua crítica, quando diz no fim:
“Distinguem-se Lino Ferreira – o único que jogou bem do princípio ao fim – Hugo do Rosário, Ramalho e Cardoso, que teve a sua melhor tarde na presente época”.
No entanto, as palavras eram talvez injustas, pois os nossos rapazes tiveram apenas uma tarde de azar e levaram uma tremenda descompostura do Tenente Filipe O’Costa, mentor e treinador, alma do grupo. A derrota não lhes fez perder a confiança e foi mais um treino a sério, para a grande luta futura com a selecção da Malaia.”
http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30023/1797
(3) “The first ship to be named Midway by the Navy, she was built in 1921 as Oritani by Todd Shipyards Corporation, Brooklyn, New York, and renamed Tyee in 1939; was acquired by the Navy on a bareboat charter through the War Shipping Administration (WSA) from Alaska Transportation Company, Seattle, Washington; and commissioned at Puget Sound Navy Yard 10 April 1942.
https://en.wikipedia.org/wiki/USS_Midway_(AG-41)

Comemorando o 39.º aniversário da sua fundação, ocorrido no dia 1 de Junho de 1916, (1) a Direcção do «Clube Recreativo 1.º de Junho» promoveu uma  Academia de teatro e música que se realizou no dia 4 de Junho de 1955 no salão principal daquela agremiação.(2)
Antes do espectáculo, a que assistiram os sócios e suas famílias e algumas individualidades convidadas, o Presidente da Direcção, Sr. Tenente reformado Constantino Alves de Almeida, historiou em resumo, num bem elaborado discurso, a fundação daquele Clube, destacando os nomes dos beneméritos, antigos e actuais, que têm tornado possível a continuação de tão popular Clube.
Seguiu-se, depois, o programa da noite, cuja primeira parte, foi preenchida com a comédia em 1 acto «Ressonar sem dormir», levada à cena pelos amadores Mário de Abreu, Tomás da Rosa Pereira, José Paulo Gonçalves e Frederico Godinho.
Constou a segunda parte do programa de fados canções e monólogos, destacando-se, entre estes «Criado despedido»  recitado, num misto de patois macaense e chinês, por Francisco Lobato de Faria que arrancou estrepitosas gargalhadas da assistência.
Terminou o espectáculo com a peça, também em 1 acto, «Capitão de Lanceiros» interpretada por Lopo Ribeiro Cardoso Alves, José Dias Panzina, Tomás da Rosa Pereira e Frederico Godinho.(3)
(1) Beatriz Basto da Silva em “Cronologia da História de Macau Volume 4» (edição de 1997) aponta o dia 13 de Junho de 1916 como data da publicação dos estatutos do «Club Recreativo e de Beneficência 1.º de Junho”. A 7 de Dezembro de 1918, recebeu os fundos do extinto grupo dramático “Centro Recreio e Sport Fraternidade Militar“.
(2) O “Club Recreativo e de Beneficência 1.º de Junho” também conhecida como “Club Recreativo 1.º de Junho” tinha a sua sede na Rua Ferreira do Amaral n.ºs 2 a 6.
Aquando do 2.º ano de Governo do Almirante Marques Esparteiro, a sede sofreu melhoramentos tendo sido visitado pleo Governador a 23 de Novembro de 1953.
(3) Informações retiradas de «Macau Bol. Inf. , 1955»
Os Corpos Gerentes do “Club Recreativo 1.º de Junho” do triénio 1953 a 1955 eram:
DIRECÇÃO:
Presidente – Emídio Custódio Tavares
Secretário – Rolando das Chagas Alves
Tesoureiro – Fernando Maria Marçal
Vogais – Pedro Ló da Silva e Henrique Braga
CONSELHO FISCAL:
Presidente – Mário Vieira da Costa
1.º Secretário – Herculano Estorninho
2.º Secretário –  Adriano dos Santos Cravo
Outras informações deste Clube em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/clube-recreativo-1-o-de-junho/

No dia 8 de Fevereiro de 1864, realizou-se nos salões do Teatro D. Pedro V um baile de máscaras (Carnaval), por meio de subscrição, sendo o primeiro que, no género, se efectuou em Macau. (1)

Os bailes carnavalescos tornaram-se muito populares em Macau, nas décadas de 40 e 50. Os chamados “baile de máscaras” eram muito concorridos e havia uma grande rivalidade entre os vários clubes de Macau, na organização da “melhor” festa. Alguns deles organizavam além do baile de máscaras (para adultos), sessões especiais para os filhos dos sócios (festa infantil de Carnaval) e representações teatrais.

No ano de 1955, os três principais clubes organizaram as suas festas em dias separados (curiosamente, o Governador de Macau Joaquim Marques Esparteiro e família estiveram presentes em todas elas).
Assim, o Clube de Macau realizou a sua festa no dia 19 de Fevereiro de 1955.

MBI II 1955 Clube de MacauNo Clube de Macau

A festa se prolongou até altas horas da noite e “com a presença de um grupo folclórico de holandeses residentes em Hongkong que muito contribuiu com as suas interessantes danças e canções, para a alegria que reinou durante a noite”. (2)

O baile carnavalesco do Clube Recreativo 1.º de Junho realizou-se no dia 20 de Fevereiro, com afluência dos seus numerosos sócios e de muitos convidados.

MBI II 1955 Clube RecreativoNo Clube Recreativo 1.º de Junho, vendo-se a presença do Governador e Família.

Na segunda feira de Carnaval, dia 21 de Fevereiro, efectuou-se o baile do Clube Militar onde predominou, sobretudo, a alegraia da gente moça que se divertiu até de madrugada e onde os grupos típicos, especialmente o chinês e o havaiano, atraíram as atenções gerais e mereceram de todos os presentes entusiásticas referências (2)

MBI II 1955 Clube MilitarNo Clube Militar, os participantes de trajes carnavalescos.

(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(2) MACAU  Boletim Informativo, 1955.