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Aspecto do cemitério de S- Miguel durante a homenagem a Vicente Nicolau de Mesquita em 25 de Agosto de 1950, por motivo da passagem do 101.º aniversário da tomada de Passaleão.

Foto de «BGC» XXVI- 305. 1950.
Anteriores referências a Vicente Nicolau Mesquita em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/vicente-nicolau-de-mesquita/

Numerosos fiéis assistiram, no dia 22 de Setembro de 1953, ao solene «Te-Deum», cantado na Sé Catedral, em acção de graças por Deus ter poupado Macau a maiores estragos, a quando do tremendo tufão que assolou a cidade, em 22 de Setembro de 1874.
«A nossa cidade, que por suas recordações históricas e tradições religiosas era uma das mais famosas e notáveis do oriente, tão bela ainda há poucos dias, perdeu, em poucas horas, grande parte do seu esplendor e formosura, sofrendo a mais horrível e lastimosa transformação!»
«Tal é o destino de todas as coisas humanas! Só Deus é grande, só Ele é imutável!»
Tais as palavras que se lêem na Circular dirigida pelo Governador do Bispado de Macau, em 27 de Setembro de 1874, ao clero e fiéis desta Diocese, convidados a orar pelas necessidades desta cidade.
E os fiéis oraram, então, durante três dias consecutivos, nas igrejas paroquiais, no seminário diocesano e no convento de Santa Clara; e aqueles que não puderam ir ao templo, oraram com boas disposições no interior de suas casas.
E, desde então, todos os anos, se vem cantando um «Te-Deum» em cumprimento do voto feito por essa ocasião.
A 25 de Setembro de 1874, o Governador da província, Visconde de São Januário, publicou no Boletim da Província de Macau e Timor, o seguinte apelo à população de Macau:
«Habitantes de Macau!
Uma grande calamidade acaba de pesar sobre esta cidade!
Os terríveis efeitos do tremendo tufão, importando em graves perdas, levaram a desolação e a desgraça, aonde ainda há pouco reinava o bem estar e a alegria!.
Respeitemos os decretos da Previdência, mas não se abata por isso o nosso ânimo, e juntemos os nossos esforços para remediar os males que não nos era dado evitar .
Macenses! Trabalhai corajosamente para reconquistar o perdido, e confiai na autoridade que há-de velar pela vossa segurança; há-de acudir aos aflitos e há-de prover de pronto à s mais instantes necessidades públicas!
macaenses! Colaborai nobremente nesta grande empresa e tende fé que vereis ainda elevar-se esta antiga possessão portuguesa ao estado florescente em que há pouco se achava»
Os estragos e as perdas causadas foram enormes. Muitos pobres, tanto portugueses como chineses, achavam-se reduzidos às extremidades da fome. Os bairros de S. Lázaro e Santo António encontravam-se em ruínas , sob os montões jaziam muitos cadáveres.
O Hospital S. Rafael ficou destruído e o Hospital Militar de S. Januário seriamente abalado. Por oferta do Governador do Bispado, foi aproveitado o Paço Episcopal para hospital.
Por avaliação feita pelo Procurador dos Negócios Sínicos sabe-se que os estragos causados nos prédios dos chineses deram um prejuízo superior a cem mil patacas. Mais de 700 lorchas grandes de comércio e pesca se perderam completamente. Calculou-se em mais de mil o número das lorchas pequenas que foram destruídas. Todas as embarcações perdidas foram avaliada em quase um milhão de patacas. A perda de mercadorias foi avaliada em cerca de 432 mil patacas. Calculou-se em quatro mil o número de chineses mortos e Macau  e mil os mortos na ilha da Taipa.
Os cadáveres forma queimados uns e sepultados outros.
Os portugueses que sucumbiram e forma sepultados no Cemitério de S. Miguel foram 20, sendo 14 homens , 4 mulheres e 2 crianças.
Foram calculados em 300 mil patacas os prejuízos havidos nas propriedades dos portugueses, estando neste número incluídos os prejuízos sofridos pela administração dos bens das Missões Portuguesas e por algumas instituições de beneficência.
Anteriores referências a este tufão
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
E sobre tufões:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/tufoes/

Comemorando a passagem do 103.º aniversário do feito que imortalizou o bravo Coronel Vicente Nicolau Mesquita, efectuou-se, no dia 25 de Agosto de 1922, uma romagem à campa do herói, no cemitério de S. Miguel. Após um minuto de silêncio, assinalado por um toque de clarim, o sr. Rolando das Chagas Alves (1) pronunciou um discurso.
À cerimónia assistiram diversas autoridades locais.(2)

MOSAICO V-25-26 SET-OUT 1952 Romagem à campa IO sr. Rolando das Chagas Alves proferindo o seu discurso
MOSAICO V-25-26 SET-OUT 1952 Romagem à campa IIUm aspecto da assistência junto da campa do herói

(1) Rolando das Chagas Alves, nasceu em Macau em 1923. Foi funcionário dos Serviços de Saúde e do Banco Nacional Ultramarino em Macau. Um dos fundadores do jornal «O Clarim» e colaborador em vários jornais de Macau. Poeta encontrando-se representado em várias antologias, nomeadamente “Trovas Macaenses” (1992) e “Antologia de Poetas de Macau” (1999).
É seguramente, um dos melhores poetas da sua geração e de até ao tempo actual, nada justificando o semi-anonimato em que permanece a sua poética, te tão impressiva como genuína qualidade.” (REIS, João C. – Trovas Macaenses, 1992.)
Anterior referência em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rolando-das-chagas-alves/
(2) «MOSAICO, 1952»

Faleceu aos 4 de Julho de 1867, na freguesia de S. Lourenço com 57 anos de idade, o ilustre sinólogo macaense José Martinho Marques. (1)
José Martinho Marques nasceu em Macau em 20 de Março de 1810 e casou em S. Lourenço em 20 de Janeiro de 1835 com Vicência Maria Baptista. Tiveram 12 filhos.
O Boletim da Província de Macau e Timor, n.º 27, de 8 de Julho de 1867, pág. 157 consagrou-lhe as seguintes linhas:
No dia 4 de corrente mez falleceu em Macau, o sr. José Martinho Marques. A morte d´este cidadão prestadio foi devida a um novo ataque de hemiplegia, para o qual foram inuteis os recursos da sciencia. A morte prematura do sr. Martinho foi bastante sentida. O sr. Martinho era um chefe de família exemplar, um cidadão mui digno, e um habil synologo. Doente ha muyitos annos, o sr. Martinho era ainda incansavel em cultivar a lingoa synica tão difficil quanto especial. Aos seus estudos se deve a versão em portuguez e em china de não poucas obras.
O enterramento teve logar na sexta-feira de tarde. (2) O sr.  Martinho teve  um numerosos acompanhamento de parentes  e amigos, não esquecendo S. Exa. o Governador (3) o qual acompanhou com o seu estado maior o illustre finado até á sua ultima morada.
À sua desconsolada familia enviâmos d´aqui os nossos pezames
José Martinho Marques foi um abalizado sinólogo; fez os seus estudos no Colégio de S. José, onde foi aluno do Padre Joaquim Afonso Gonçalves; dedicando-se ao estudo da língua sínica, veio a ser distinto intérprete do Governo Português e de várias legações estrangeiras em Macau.
Em prémio dos serviços prestados à legação francesa, foi condecorado pelo Governo Francês coma Legião de Honra.
Escreveu em chinês um «Tratado de Geografia» e, entre as obras que deixou inéditas, é digno de nota um «Dicionário China-Portuguez».
Distinto cultor da música, publicou um compêndio, intitulado «Princípios Elementares da Música ao alcance de todos», Macau, 1853. (4)
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) Foi sepultado dia seguinte, 5 de Julho, no Cemitério de S. Miguel.
(3) José Maria da Ponte e Horta (governador de Macau de 1866 a 1868)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-maria-da-ponte-e-horta/
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria  de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942, pp.153-156.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/20/leitura-galeria-de-macaenses-ilustres-do-seculo-xix/

Pedido do Conservador do Registo Predial, Bacharel Camilo d´Almeida Pessanha, no dia 13 de Agosto de 1915, para que seu filho, João Manuel d´Almeida Pessanha, fosse admitido a exame de admissão à terceira classe do Liceu Nacional desta Província.” (1)
João Manuel d´Almeida Pessanha é filho de Camilo Pessanha e da sua companheira, Lei Ngoi Long (2) e  nasceu a 21 de Novembro de 1896.
A 13 de Dezembro de 1897, João Manuel de Almeida Pessanha é baptizado como filho de pais incógnitos, na igreja paroquial de Santo António. Foi seu padrinho Alfredo Augusto Ferreira de Almeida, funcionário público, natural de Lamego, e «madrinha, por devoção, Nossa Senhora da Conceição». (3)
A 24 de Agosto de 1900,  João Manuel de Almeida Pessanha é perfilhado, de acordo com escritura notarial feita na residência de Camilo Pessanha, no Largo de Santo Agostinho, n.º 1, em Macau. Foram testemunhas os seus colegas do Liceu, João Pereira Vasco e Mateus António de Lima. (4) No respectivo registo, afirma-se que «a criança está a ser criada em casa do china Kuoc-va-vai, casado, que vive nesta cidade dos seus rendimentos». (3)
A 17 de Janeiro de 1929, João Manuel de Almeida Pessanha requer o pagamento dos vencimentos de seu pai. (4)
João Manuel de Almeida Pessanha faleceu a 30 de Julho de 1941 de tuberculose pulmonar.  Teve de Francisca Xavier de Sousa do Espírito Santo Rosário (Aquita) uma filha, chamada Maria Rosa dos Remédios do Espírito Santo, (Manhão)  nascida em 1915 (ainda em vida do poeta, portanto) (5) e um filho “Nasce Camilo João de Almeida Pessanha, neto do poeta, no n.º 75 da Rua da Praia Grande. Era filho de João Manuel de Almeida Pessanha, «oficial da marinha mercante, e de mãe gentia», segundo a sua certidão de nascimento” (4)

Camilo Pessanha Campa S. Miguel IFoto tirada em 1988

Camilo Pessanha Campa S. Miguel IIA campa do poeta e da sua companheira (depois também aí enterrado o filho, João Manuel) foi construída a mando de João Manuel de Almeida Pessanha. A laje tumular tem gravada “as armas” da família “Pessanhas”  de que Camilo Pessanha, pelo lado paterno, pertencia. (6)

Camilo Pessanha Campa S. Miguel III

Que razões terão influído na escolha de João Manuel? Para responder, talvez seja necessário voltar um pouco atrás, até ao enquadramento familiar do sepultado…(…)
A relação existente entre pai e filho estava longe de ser boa. Alguns biógrafos dão a entender que Camilo não confiava no comportamento da mãe de João Manuel e que nutria sérias dúvidas acerca da paternidade deste…(…)
A presença das armas na campa de Camilo Pessanha, mantém-se contudo uma questão subjacente: qual terá sido a relação do poeta com a heráldica? João Manuel recorreu para a figuração destas armas. A resposta é fácil: as armas da campa são diretamente copiadas da capa ou folha de rosto da Noticia Historica dos Almirantes Pessanhas e Sua Descendencia Dada no Anno de 1900, da autoria de José Benedito de Almeida Pessanha, primo coirmão de Camilo… ” (7)
(1) Arquivo histórico de Macau – F. A. C. P. n.º 141 – S- E in SILVA,  Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4,1997.
(2) Segundo Danilo Barreiros, em 1895, Camilo Pessanha  compra uma concubina a um corrector, de quem vem a ter, um ano mais tarde, o filho João Manuel. http://purl.pt/14369/1/cronologia1894.html
(3) http://purl.pt/14369/1/cronologia1894.html
(4) O poeta Camilo Pessanha apresentou-se, em Agosto de 1893,  ao concurso para provimento dos cargos de docentes no recém-criado Liceu de Macau. Aprovado na Metrópole, juntamente com Horácio Poiares, Mateus de Lima e João Pereira Vasco.
Camilo Pessanha, morre em Macau, a 1 de Março de 1926, após prolongado sofrimento, na sua residência na Rua da Praia Grande n.º 75, às oito horas da manhã, vítima de tuberculose pulmonar. (SILVA,  Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4,1997.)
(5) http://www.geni.com/people/Jo%C3%A3o-Manuel-de-Almeida-Pessanha/6000000002371365132
(6) Camilo de Almeida Pessanha nasceu como filho ilegítimo de Francisco António de Almeida Pessanha, um estudante de direito de aristocracia, e Maria Espírito Santo Duarte Nunes Pereira, sua empregada, em 7 de Setembro de 1867, às 11.00 horas, na Sé Nova de Coimbra. O casal teria mais quatro filhos.
(7) SEIXAS, Miguel Metelo de – Intersecções Analógicas: Poesia e Heráldica em Camilo Pessanha
http://www.insightinteligencia.com.br/65/PDFs/pdf10.pdf

O funeral do 1.º cabo de infantaria, António Maria d´Oliveira Leite que faleceu em combate com os piratas em Coloane em 1910, realizou-se na quarta-feira, 13 de Julho, saindo do Hospital Militar para o Cemitério de S. Miguel.
Incorporaram-se no préstito fúnebre o governador Eduardo Marques, com o seu ajudante, tenente João Pedro Ruela, o Chefe de Estado-maior, Cor. Fernando José Rodrigues, vários oficiais e soldados.
O extinto era primo do 1.º sargento Manuel d´Oliveira Leite que tomou parte no combate do Cuamato (1) e que esteve em Macau no tempo do governador José Augusto Alves Roçadas (1908-1909)

O governador Eduardo Augusto Marques ordenou ao tenente Albino Ribas da Silva nomeado interinamente comandante da Taipa e Coloane e administrador das mesmas ilhas (com residência no comando da Taipa) que fosse a Coloane capturar os piratas e libertar os reféns. Para esse efeito, partiu de Macau, às 2h. a. m. do dia 12, o tenente Aguiar com um reforço de 45 soldados de infantaria; ambas as forças desembarcaram em Coloane às 4 h a. m.
Há duas versões sobre a morte do cabo relatados nos jornais.
A do jornal “A Verdade” do dia 14 de Julho de 1910:
Depois do desembarque em Coloane, as forças de Ribas e Aguiar dirigiram-se a uma povoação, onde, segundo as informações prestadas, estavam os reféns, ou parte deles, mas encontraram-na quase deserta pois ali estavam, ao que nos contam, apenas um homem e uma mulher china com duas crianças. Como esse homem lhes dissesse que os piratas se haviam refugiado numa das colinas, para lá se dirigiram; mas, ao passar a certa distância de um buraco que parecia indicar a existência dalgum covil, e querendo um cabo aproximar-se para o examinar, partiu dali uma detonação, e pobre cabo recebeu num dos lados uma bala que se lhe internou nos rins, vindo a falecer à noite no Hospital de S. Januário…

Outra versão do jornal ”Vida Nova” de 17 de Julho de 1910, o tiro que matou o 1.º cabo de infantaria António Maria d´Oliveira Leite partiu dum buraco duma casa da povoação. Relata este jornal “Por denúncia certamente de algum partidário dos piratas, estes souberam da aproximação das nossas tropas, e tanto que evacuaram, aparentemente, a vila, a ponto de não se ter encontrado senão um velho, uma mulher e uma criança, chinas, por ventura sentinelas postas pelos próprios piratas. Como não vissem ninguém, as nossa tropas foram avançando em reconhecimento, mas, dados que foram alguns passos além da rua que fica por detrás da casa de fantan, d´um buraco d´um dos pardieiros d´aquele sítio partiu um tiro de espingarda que atingiu o abdómen, um cabo d´infantaria por nome Leite, que pesquisava o local, vindo o desditoso moço a falecer em Macau, no Hospital de S. Januário para onde fôra transportado...”

(1) Os cuamatos são indígenas que habitam o sul da República de Angola. As chamadas campanhas do Cuamato foram acções desenvolvidas (denominadas Pacificação do Sul de Angola) pelos militares portugueses no ano de 1907.

Informações recolhidas de TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II – Ruas com Nomes de Pessoas. Instituto Cultural de Macau, 1997, 560 p., ISBN-972-35-0244-5

Sobre os acontecimentos decorridos na Ilha de Coloane no combate à pirataria, ver anteriores “posts”:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/06/21/noticia-de-21-de-junho-de-1952-visita-a-ilha-de-coloane-pelo-ministro-do-ultramar/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/07/19/noticia-de-19-de-julho-de-1954-comemora-cao-em-coloane/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/05/noticias-5-de-maio-de-1910/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/09/historia-de-piratas-i-ilhas-de-piratas/

Nasceu em Macau, a 7 de Junho de Junho de 1837 (faleceu em 1885), 2.º Conde de Cercal, filho de Alexandrino António de Melo, (1809-1877) (1) (2) e de Carlota Josefa Botelho (1819 – 1892), Viscondes de Cercal.

Aos 7 anos foi estudar para o colégio jesuíta «Stonyhurst» no condado de Essex, Inglaterra, formando-se em engenharia civil. Aos 17 anos foi completar os seus estudos em França. Aos 19 anos estudou pintura em aguarela e a óleo, em Roma, onde se demorou dois anos. Falava correctamente várias línguas: português, francês, espanhol, inglês, italiano e chinês.

António Alexandrino Melo

Como homem público, exerceu em Macau quase todos os cargos onde se requeria supremacia. Vogal do Conselho de Governo; do Conselho Técnico das Obras Públicas; Director das Obras Públicas; Comandante do Batalhão Nacional, no posto de tenente-coronel (no tempo em que o Barão comandou o Batalhão, chegou este a ter um efectivo superior a 400 homens, gastando com ele o dito comandante, uma grossa quantia do seu bolso para o equipar devidamente); Provedor da Santa Casa da Misericórdia; Juiz substituto da Comarca; etc.

Exerceu também os cargos de Cônsul do Brasil, Itália, Bélgica e Vice-Cônsul da França.

Como engenheiro delineou os seguintes edifícios públicos, em que ainda hoje, em alguns, se pode admirar a sua arquitectura: Palácio do Governo, Palacete de Santa Sancha, Hospital Militar Sam Januário (demolido), Cemitério de S. Miguel, Capitania dos Porto/Quartel dos Mouros, Clube Militar e vários outros edifícios (demolidos).

Alguns dos títulos honoríficos:
Barão do Cercal a partir de 1865 ou 1868; Fidalgo Cavaleiro da Casa Real; Comendador da Ordem de Cristo; Cavaleiro do Santo Sepulcro de Jerusalém; Comendador da Ordem de N. S. da Conceição de Vila Viçosa; Cavaleiro da Ordem da Bélgica; Cavaleiro da Legião de Honra de França; Cavaleiro de S. Maurício e S. Lázaro de Itália; Comendador de 1.ª classe do Sol Nascente do Japão e da Indochina; Medalha de Isabel, a Católica, de Espanha. Era sócio Honorário da Real Sociedade de Geografia Inglesa e outras Sociedades Científicas Estrangeiras.

Macau c 1870Macau c 1870 (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:1870Macao.jpg)

Era o único sócio da firma « A. A. de Mello & C.º»  proprietário de 5 navios que faziam ligações com Portugal, Brasil e Austrália. Foi um dos mais ricos comerciantes de Macau mas sofreu duro revés com a instalação dos ingleses em Hong Kong, pelo que devido à má situação financeira, vendeu as casas dos seus pais, o Palácio da Praia Grande (comprado pelo Governo por uma bagatela) e o Palacete de Santa Sancha (comprado pelo inglês Herbert Dent, que a vendeu depois ao Governo por $30.000).

Informações recolhidas de
TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX. Macau, Imprensa Nacional, 1942, 659 p.
(1) Ver referência à família macaense Melo ou Mello em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/24/noticias-de-hong-kong-janeiro-de-1930/
(2) Sobre o 1.º Barão do Cercal, mais tarde Visconde do Cercal e Comendador, agraciado com este título pela Rainha D. Maria I, por Decreto de 11 de Dezembro de 1851 e transcrita no Boletim do Governo da província de Macau, Timor e Solor a 3 de Julho de 19852, ver em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/barao-de-cercal/

Foi inaugurada a capela de Cemitério de S. Miguel, (1) pelo governador do Bispado, o padre António Luís de Carvalho, (2) tendo a planta desse edifício sido desenhado pelo Barão do Cercal. (3) (4)  Assistiram à inauguração, o Presidente do Leal Senado, camaristas, pessoal do Seminário e vários outras individualidades, tendo o Padre António Luís de Carvalho procedido à bênção solene da capela, celebrando, em seguida, ali a primeira missa.

Capela de S. MiguelCAPELA DO CEMITÉRIO DE S. MIGUEL NA DÉCADA DE 80

No átrio dessa Capela lêem-se as seguintes inscrições nas bases de duas colunas

Delineada                         Começada em
por                                       1874
Barão                                Concluído em
do                                         1875
Cercal

Recorda-se que o cemitério de S. Miguel foi benzido a 2 de Novembro de 1854, pelo Bispo D. Jerónimo José da Mata e entregue a sua posse ao Leal Senado em 1869.

A pequena capela existente no cemitério de São Miguel do Arcanjo construído com o objectivo de efectuar os ritos católicos funerários daqueles que iam ser sepultados neste cemitério, merece ser visitada. Esta pequena capela é um dos edifícios mais bem conservados em Macau. O exterior está pintado a verde e branco. Um vitral filtra luz colorida para o interior da capela.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Capela_de_S%C3%A3o_Miguel_(Macau)

(1) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/02/noticia-de-2-de-novembro-de-1854-cemiterio-de-s-miguel/
(2) António Luís de Carvalho foi Governador do Bispado entre 1870-1875, no período da vacância (1857-1877) (designa-se vacância, o cargo, neste caso, Bispo de Macau, que ficou vago enquanto não é preenchido por nova nomeação)
Durante a sua governação, foi criado o asilo para pobres e uma escola de português para chineses (1872); o Seminário de S. José, dirigido pelos jesuítas desde 1862, foi secularizado em 1871; e faleceu a última clarissa local (1875).
(3) 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo. Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/barao-de-cercal/
(4) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.

Hoje, dia 14 de janeiro de 1950, faleceu no Hospital Conde S. Januário, com a idade de 57 anos, Fernando Lara Reis.

Hernâni Anjos escreveu no jornal “Notícias de Macau”, do dia 17 de Janeiro de 1950”:

Professor austero e adorado; o turista tenaz e minucioso; o militar que combateue consagrou a memória dos que a seu lado tmbaram no campo da luta; o amigo sincero e firme, o companheiro amável e bem humorado, o cavaqueador que, por si só, eras pessoa para sustentar, durante, horas a animação da conversa em qualquer meio social… (…)
… Fernando de Lara Reis despediu-se esta madrugada de todos os seus inúmeros alunos, que tando o respeitavam e adoraram; de todos os imensos pontos do Mundo até onde conseguiu levar a par das múltiplas malas de viagem, a inesgotável mala da sua curiosidade… (…)
Pôs-se ontem verdadeiramente o Sol no “Sol Poente                       

Fernando Lara ReisFernando de Lara Reis (Leiria, 28-12-1892), frequentou o Colégio Militar (então chamada Escola de Guerra) e participou como tenente aviador militar na I Guerra Mundial aonde veio a sofrer um desastre que o obrigou a reformar-se com a patente de capitão.
Chegou a Macau em 1919, para ensinar no Liceu Central de Macau (nesse ano ainda instalado no Hotel da Boa Vista e depois, já no Tap Seac, em 1937, Liceu Nacional Infante D. Henrique). Professor de desenho, ciências naturais e de ginástica.
A ele ficaram a dever várias acções de âmbito escolar, tais como a fundação da “Associação Escolar do Liceu” (Estatutos publicados em 1935) que foi a sucessora da “Academia” fundada em 1920 (1) pelo reitor, Dr. Carlos Borges Delgado.
Dotado de um grande espírito de iniciativa, para diversão dos alunos, adquiriu mesas de “ping-pong”, uma mesa para xadrez e uma para damas, promoveu a construção de um campo de basquebol, um de voleibol e um de bagminton., fazim-se exposições de trabalho escolar (2) festas de convívio, passeios à China (Choi Hang) (3) (utilizando transportes de Companhia de Autocarro “Kee-Kuan”), campeonatos desportivos inter-escolares. Promotor da Feira Escolar para a construção do Campo Desportivo Escolar depois denominado Campo da Caixa Escolar para uso exclusivo dos estudantes. (4)
Partiu para Portugal em 1940 e daí para o Liceu Afonso de Albuquerque, em Goa onde permaneceu 5 anos. Após a II Guerra Mundial regressou a Macau.
Sócio-fundador do “Rotay Club de Macau”, legou à Santa Casa da Misericórdia de Macau, a sua residência “SOL POENTE” na Avenida da República. Mais tarde, por iniciativa dos rotários, foi aí instalada a Clínica «Lara Reis», o primeiro centro de luta anticancerosa (5).

Clínica Lara ReisClínica «Lara Reis» em 1988 (5)

Fundou em Macau a secção local da “Liga dos Combatentes da Grande Guerra”, tendo como sede, a torre ainda hoje existente no plano superior do Jardim de S. Francisco. (6) e a construção de um ossário–monumento dos Combatentes da Grande Guerra no Cemitério de S. Miguel.(7)

(1) “05-10-1920 – O Liceu Central começa a publicar mensalmente o jornal A Academia, que segue até o número 9 de Julho de 1921, sob a responsabilidade de Pedro Correia da Silva.”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)
(2) “19-04-1928 – O Liceu Central de Macau preparou e vai enviar trabalhos de Desenho ao Congresso Pedagógico do Professorado do Ensino Secundário em Viseu. O Prof de Desenho é Lara Reis. O Liceu mostra, além de um forte vínculo luso-oriental, enormedinamismo a nível local já que acaba de receber a visita do Reitor da Universidade de Hong Kong, Prof. Horneli, que se interessou muito pela História de Portugal, pela produção artística dos alunos, exposta, e pelo apetrechamento do Liceu, nomeadamente a colecção de História Natural” (1)
(3) “03-01-1927 – Visita dos estudantes do Liceu de Macau aos estudantes da Universidade Leng-Nám de Cantão.”
GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(4)  Depois denominado Campo Desportivo Coronel Mesquita (Tap Seac)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/caixa-escolar/
(5) A Clínica «Lara Reis», foi inaugurada a 15 de Abril de 1951, após uma subscrição entre os rotários. Foi o primeiro e único centro de luta anti-cancerosa no Sul da China e também o único nas províncias ultramarinas, nessa época. O edifício foi adquirido (e mantém-se) para sede da Cruz Vermelha, em 1988. A foto de 1988 foi retirada da revista “Macau”, n.º 13, 1988.
(6) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/03/20/servico-postal-militar-em-macau/
(7) Inaugurado a 9 de Abril de 1938  e onde se encontram os seus restos mortais, após transladação em 1954.

Informação e foto retirados de BARROS, Leonel – Homens Ilustres e Benfeitores de Macau. Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), 2007, 196 p., ISBN 978-99937-778-8-5.

No dia 2 de Novembro de 1854, foi inaugurado o Cemitério de S. Miguel Arcanjo. Antes da construção deste cemitério, os mortos católicos eram enterrados, nas paredes arruinadas da Igreja de S. Paulo. (1) (2)
Em 14 de Outubro de 1852, por o cemitério de S. Paulo se encontrar muito arruinado, ameaçando desmoronamento das paredes que ainda se encontravam de pé, e onde se enterravam os mortos, ordenou o Governador Isidoro Francisco Guimarães um empréstimo, por subscrição pública, para a construção dum novo cemitério a ser construído fora da porta da cidade (1) (3)
No entanto, há informação que no lugar onde está o cemitério (“que ficava para os lados do Bairro de S. Lázaro”), em 1849, já se enterrava católicos chineses. E a partir de 1852 uma postura do Leal Senado veio fundir com o de S. Miguel (3)
A Benção do Campo Santo de S. Miguel Arcanjo foi feita pelo Bispo D. Jerónimo da Mata,(4) sendo dois dias depois sepultado o primeiro cadáver (Zenóbia Maria Luísa de Freitas).

Cemitério de S. MiguelA capela foi construída somente em 1875.

Em 8 de Fevereiro de 1877, o Cemitério de S. Paulo foi considerado propriedade do Estado (estava na posse da Câmara Municipal desde 24 de Agosto de 1874) e classificada como nacional. Os jazigos e restos mortais que ainda aí se encontravam foram removidos para o cemitério de S. Miguel. (5)

O Regulamento do Cemitério «São Miguel Arcanjo» foi publicado em 29-06-1925.

Do livro de Amadeu Gomes de Araújo (6) retiro:
“…inaugurado, em plena época do liberalismo, o novo cemitério acabou por crescerá sombra do romantismo, tornando-se uma réplica do Cemitério dos Prazeres em Lisboa, com pequenas nuances orientais …(…). Sendo o romantismo a componente cultural do liberalismo, os arranjos, a decoração e a estatutária que lentamente foram invadindo aquele campo santo, acabaram por reflectir uma postura romântica perante a morte. O mármore é um elemento fundamental. Os vivos rejeitam a morte, e, porque desejam anular os efeitos putrefactivos da terra, transformaram os cemitérios em enormes aglomerados de mármore.
Embora a maior parte das estátuas e outros símbolos tenham sido produzidos numa fábrica de mármores de Hong Kong, a simbólica do cemitério é ocidental e cristã, ocupando o crucifixo um lugar de relevo.”
(1)   GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(2)   SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)
(3)   A Portaria Provincial N.º 95, de 14-10-1952, manda abrir subscrição para um empréstimo destinado a construir um cemitério e regula a forma de o realizar.(2)
(4)   D. Jerónimo José da Mata (1804 – 1865) foi bispo de Diocese de Macau de 28-03.1845 a 25-09-1862. Após concluir os estudos teológicos, em Macau, foi ordenado presbítero em 19.12.1829.Foi professor no Seminário de S. José. Em 17-06-1844 foi nomeado bispo-coadjutor de Macau. D. Jerónimo da Mata desempenhou um papel fundamental na reconstrução da Sé de Macau que ele próprio consagrou em 14 de Fevereiro de 1850 e na ampliação do Recolhimento de Santa Rosa de Lima Reorganizou também o Seminário de S. José.
http://www.gcatholic.org/dioceses/diocese/maca1.htm”>http://www.gcatholic.org/dioceses/diocese/maca1.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jer%C3%B3nimo_Jos%C3%A9_da_Mata
(5)   A Portaria Provincial n.º 13, de 08-02- 1877, manda considerar propriedade do Estado, classificada como nacional, o Cemitério de S. Paulo, indevidamente entregue à Câmara Municipal; e dão-se instruções para a remoção dos jazigos e restos mortais ali existentes para o Cemitério de S. Miguel (2)
(6)   ARAÚJO, Amadeu Gomes de – Diálogos em Bronze, Memórias de Macau. Livros do Oriente, 2001, 168 p. + |4|, ISBN 972-9418-88-8

NOTA: A foto foi retirada de http://www.iacm.gov.mo/p/facility/introduction/grave

Pode-se ver fotos do Cemitério de S. Miguel Arcanjo e da Capela de S. Miguel no blogue “Orient´Adicta”:
http://oriente-adicta.blogspot.pt/2013/05/o-cemiterio-de-s-miguel-arcanjo-e.html