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Ho Yin – He Xian – 何賢 (1908-1983) Foto de 1950

O correspondente em Macau do jornal diário de Singapura “The Straits Times, do dia 9 de Maio de 1966, na sua página 3, (1) com o título “Bomb injures Macao´s unofficial go-between with Peking, noticiava o atentado bombista ao Sr. Ho Yin. (2)

“A THROWN bomb or grenade today injured the Chinese millionaire who doubles as this Portuguese colony´s unofficial go-between with China. Mr. Ho Yin, 56, his wife, two companions and two bystanders were cut by bomb or grenade fragments as they leave the dog track stadium shortly before 1 a. m.. The police said the explosive was apparently hurled from an upper floor . It appeared to be a deliberate attempt on Mr. Ho´s life. His condition was not serious and so was that of others injured. All were admitted to hospital.”

Sobre Ho Yin, o articulista salienta o seguinte:

“Highly regarded as a businessman, philanthropist and educationist, in this colony on the South China coast, M. Ho also apparently enjoys the trust and respect of Chinese leaders in Peking. Starting his business career in Canton as a junior clerk in a money exchange, he now holds controlling interests in Macao´s only bus and taxi companies, all 10 cinemas, two Chinese language newspapers, five hotels, four banks and the modern greyhound track where the bomb or grenade was thrown at him.”

Nunca ficou bem esclarecido o motivo deste atentado embora atribuíssem as culpas aos membros dos nacionalistas (Kuomintang) que estavam insatisfeitos pela relação íntima que Ho Yin possuía com o Partido Comunista Chinês, Roque Choi, (3) em entrevista a José Pedro Castanheira, publicado no livro “Roque Choi um homem dois sistemas”, de Cecília Jorge e Rogério Beltrão Coelho, na p. 85, (4) afirma:

foram os nacionalistas”; “nunca pensaram em matá-lo. Foi só para o ameaçar”; “Todos reconheciam, incluindo os nacionalistas, que Ho Yin era um elemento insubstituível para o sossego de Macau”.

 (1) “Bomb injures Macao´s unofficial go-between with Peking” – The Straits Times, 9 May 1966, page 3. https://eresources.nlb.gov.sg/newspapers/Digitised/Article/straitstimes19660509-1.2.14.4

(2) Ho Yin 何賢; pinyin: Hé Xián; jyutping: Ho4 Jin4) , 1908 – 1983). Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ho-yin-he-xian-%E4%BD%95%E8%B3%A2-1908-1983/

(3) Roque Choi segundo o seu depoimento:

Quando não havia relações diplomáticas entre Portugal e a China, ambos os governos confiavam numa única pessoa: Ho Yin. Eu era o único intérprete dele, em assuntos políticos. Fui-o durante quase trinta anos”.

(4) JORGE, Cecília; COELHO, Rogério Beltrão – Roque Choi  um Homem dois sistemas (apontamentos para uma biografia”. Livros do Oriente, 2015, 221 p.

Diário de Peter Mundy (1) (2) (3) que veio à China na armada do chamado “contrabandista” (corsário comercial) Squire Courteen (Lord William Corteen) da Companhia das Índias, sob o comando do capitão John Weddel que deixou a Inglaterra em Abril de 1636 e chegou a Macau a 28 de Junho de 1637 (4) depois da sua passagem por Goa. A armada permaneceu por mais de seis meses nas vizinhanças de Macau e do Rio da Pérola, partindo finalmente para a índia, de regresso à Inglaterra em Janeiro de 1638. (1)

Peter Mundy sendo um dos enviados a terra, onde permaneceu algumas semanas, com o fim de aí negociar, estava em boas condições de poder escrever um relato do que viu, tanto mais que os seus conhecimentos das línguas espanhola e portuguesa [ver versão (5)] lhe permitiam conversar livremente com a alta sociedade da localidade.” (1)  

“25 de Novembro: O nosso almirante e outros capitães foram convidados pelos padres de S. Paulo para irem assistir a uma representação na Igreja de S. Paulo feita por crianças da cidade sendo mais de cem os que representaram; mas eles não foram. Eu e os outros, que estávamos em terra, fomos. Era parte da vida do seu muito afamado S. Francisco Xavier, na qual havia passagens muito interessantes, viz. uma dança chinesa por crianças em trajes chineses; uma batalha entre portugueses e holandeses, representada em dança na qual os holandeses eram vencidos sem quaisquer palavras depreciativas ou acções ofensivas a essa nação. Outra dança de caranguejos chamadas vulgarmente Stoole Carangueijos, constando de muito rapazes lindamente vestidos na forma desses animais cantando todos e tocando em instrumentos como se eles fôssem todos os carangueijos. Outra dança de crianças tão pequeninas que parecia impossível que pudesse ser feita por elas (porque podia haver dúvidas sobre se alguns seriam mesmo capazes de andar ou não), escolhida com o fim de causar admiração.

No fim de tudo, um deles, (o que representou S. Francisco Xavier), mostrou tal destreza num tambor atirando-o ao ar e apanhando-o, virando-o e fazendo rodar com tão excepcional ligeireza sempre a compasso com a música, que foi admirável à assistência. As crianças eram muitas, muito bonitas e muito ricamente adornadas tanto em trajes como em jóias, sendo os pais quem tinha a seu cuidado vesti-las a seu contento e para seu crédito pertencendo aos jesuítas instruí-las não só naquilo que vimos mas também com todas as formas de educação como tutores tendo a seu cuidado a educação da mocidade e criancinhas desta cidade, especialmente os de categoria.

O teatro era na Igreja e toda a acção foi representada pontualmente. Nem um só, entre tantos, (apesar de crianças e a peça longa) desempenhou mal o seu papel. É verdade que ali estava um jesuíta no palco que os dirigia quendo se oferecia a ocasião.

(1) Descrição de Macau, em 1637, por Peter Mundy, pp- 50-90 do livro de BOXER, Charles Ralph – Macau na Época da Restauração (tradução de “Macao Three Hundred Years Ago), II Volume. Edição Fundação Oriente, 1993, 231 p.

(2) MUNDY, Peter – The Travels of Peter Mundy (1608-1667). Cinco volumes, Londres, 1907-1936.

(3) Peter Mundy (c.1596 ou 1600— 1667?) inglês, comerciante, aventureiro e escritor. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/peter-mundy/

(4) Conforme o diário do próprio PeterMundy: “Em 28 de Junho de 1637, o Sr. John Mountney, Thomas Robinson e eu fomos mandados a terra numa barcaça com a carta de Sua Magestade o nosso Rei e outra do almirante, dirigidas ao capitão Geral de Macau. Fomos recebidos com muito respeito e foi-nos prometida uma resposta para o dia seguinte

O Capitão- Geral de Macau era Domingos da Câmara de Noronha que chegou a Macau a 13 de Abril de 1636 sucedendo a Manuel da Câmara de Noronha. Foi substituído por D. Sebastião Lobo da Silveira, em 1638, no entanto, permaneceu em Macau até 1643. Depois de ter sido feito prisioneiro dos holandeses no caminho de regresso, ao largo de Malaca, a odisseia deste homem bravo acabou bem. Regressou a Portugal e foi recompensado com uma comenda em espécie (400 mil reis). (ALVES, Jorge Santos; SALDANHA, António Vasconcelos (coords) – Governadores de Macau, 2013,pp. 27-28)

(5) “Quanto à viagem à China e a Macau, Peter Mundy e Thomas Robinson (que falava português), acompanharam o Captain John Weddell (e Nathaniel Mountney), comandantes de uma esquadra de quatro navios e duas pinaças enviada a Cantão em 1637 pela Courteen Association (com licença régia concedida dois anos antes por Charles I, em 1635), no que terá sido a primeira embaixada britânica de comércio à China”.  (JORGE, Cecília; COELHO, Rogério Beltrão – Viagem por Macau, Volume I,  Século XVII-XVIII. Livros do Oriente/I.C. da RAEM, 2014, p. 25.

Outras fontes deste tema de interesse, acessíveis pela net: PUGA, Rogério Miguel – Images and representations of Japan and Macao in Peter Mundys travels (1637). Bulletin of Portuguese – Japanese Studies, n.º 1, december, 2001, pp. 97 – 109. https://www.redalyc.org/pdf/361/36100106.pdf

PUGA, Rogério Miguel – Macau (enquanto “cronótopo” exótico) na Literatura Inglesa. Administração n.º 59, vol. XVI, 2003-1.º, 299-324. file:///C:/Users/ASUS/Downloads/MACAU%20(ENQUANTO%20%E2%80%98CRON%C3

Os dois primeiros postais com fotos datadas de c. 1902, da colecção (10 postais), intitulada “MACAU ANTIGA, ETERNA”  – fotografias das primeiras décadas do século – com legendas em três línguas, publicada pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015.(1)

Vista panorâmica da Baía da Praia Grande, de c. 1902
NOTA. Esta mesma foto já tinha sido editada em postal por “Graça &Co” de Hong Kong, com indicação de c. 1890 (LOUREIRO, João – Postais Antigos Macau, 2.ª edição, 1997, p.26)
Postal – Vista panorâmica da Baía da Praia Grande, de c. 1902, verso
Colina da Penha vista do mar, c. 1902
Postal – Colina da Penha vista do mar, c. 1902, verso

NOTA ACTUALIZADA EM 09-11-2020: Numa recente troca de informações a propósito das fotos desta colecção, Rogério Beltrão Coelho, (a quem expresso o meu agradecimento pela ajuda que me prestou) autor e editor de excelentes álbuns, precursores na divulgação das fotos antigas de Macau (2), revela o seguinte: “Esta foto “Vista panorâmica da Baía da Praia Grande”,  foi publicada no «Jornal Único», de 1898, em foto atribuída a Carlos Cabral. Eu próprio tenho afirmado ser assim, mas hoje tenho dúvidas se a fotos seriam mesmo do Carlos Cabral e julgo ter fundamento para duvidar”. Ver anterior postagem sobre o «Jornal Únicohttps://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jornal-unico/

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/25/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-i/

(2) Nomeadamente os que possuo: “Álbum Macau 1844-1974” (1989) – Fundação Oriente; “Macau Retalhos passado-presente-futuro” (1990) – Livros do Oriente; “Álbum Macau, sítios, gentes e vivências” (1990) (com Cecília Jorge) – Livros do Oriente; “Álbum Macau-3, sítios, gentes e vivências” (1993) (com Cecília Jorge) – Livros do Oriente. ; “Álbum Macau, memória da cidade” (texto de Cecília Jorge) – (2005) – Livros do Oriente

A Escola Chinesa «KUNG KAO HOC HAU», também conhecida pelos chineses como a mansão do Choi Lok Chi, nome em chinês de Joel José Choi (Anok) (1) foi mandada construir, em 1916 por um grupo de católicos (entre eles, Joel José Choi) para servir de escola católica e o prédio situa-se na Calçada da Igreja de S. Lázaro, n.º7. (2)

FOTO DE 1927 – ESCOLA CHINESA «KUNG KAO HOC HAU»

No “Anuário de Macau de 1927” refere a «Escola Kung Kao (Cong Cao)» (3) como de ensino em língua chinesa e inglesa e nesse ano tinha um total de 400 alunos e 5 professores.
No «Anuário de 1938», a escola «Kung Kao» estava indicada na Rua Nova de S Lázaro, n.º 1 com 94 alunos e no «Anuário de 1934» – «Kong Káo» na Rua Nova de S. Lázaro, 102  alunos.

FOTO DE 1927 – ESCOLA CHINESA «KUNG KAO HOC HAU» (1.ª CLASSE)

A 22 de Julho de 1916, foi lançada a primeira pedra para a construção duma escola chamada Kung Kao (religião Católica), deveu-se à iniciativa de José Choi Anok, Chan Chee, Francisco Tse Yat, Filip Tam, Francisco Xavier dos Remédios, Paulo Hui e Padre Jacob Lau.
As obras arrastaram-se por falta d dinheiro e o edifício só foi inaugurado a 27 de Maio de 1923; a escola só começou a funcionar a 1 de Setembro desse ano com 100 alunos.
O corpo docente compunha-se de dois professores de português – Com Jacob Lau e Padre Júlio César da Rosa e dois professores de chinês – Lei Yau Sam e Liu Fai Mang. (4)
O governador Rodrigo José Rodrigues, por Portaria n.º 108, de 4-06-1923, diz que, tendo assistido à inauguração do edifício da escola Primária Luso-Chinesa Kung Kao Hok Hao, que um grupo de cidadãos, por seu único esforço, dedicação e contribuição conseguiu erigir, “louvava em primeiro lugar Joel José Choi (Anok)) e ainda todos os cidadãos portugueses e chineses que concorreram para a edificação dessa escola.
Por proposta n.º 35,de Junho de 1924, foi concedido a esta escola a partir de 1-07-1924 um subsídio anual de 1.296$00 para manter uma aula de ensino de língua portuguesa.
O Dr. Nascimento Leitão dizia em 1923:
Hong Cao: – Rua do Monte, 4 – Tem 103 alunos, 11 dos quais do sexo feminino.
As retretes consistem em 5 celhas de madeira, destapadas, sob o respectivo palanque a transbordar de fezes, retardadas. Já há meses pedi que substituíssem aquelas retretes por 5 de caixa, visto não terem água, tendo também recomendado o uso de óleo mineral pesado nos urinóis.
Visitando agora 2.ª e 3.ª vezes, verifiquei que as retretes continuam no mesmo estado. Dei o prazo de oito dias para a sua substituição”
Em 1942 fechou-se esta escola devido à crise da II guerra mundial.” (4)
(1) Joel José Choi Anok – 崔諾枝 (5) (1867- 1945) – Nanhai, província de Guangdong (agora distrito de Nanhai, cidade de Foshan). Filantropo quando se reformou dedicou-se em exclusivo a obras sociais. Foi vogal do Leal Senado, vogal do Conselho do Governo, vogal da Santa Casa da Misericórdia de Macau, presidente da Associação de Beneficência «Tong Sing Tong» (de 1939 até morrer), presidente da Associação Católica Chinesa, e antes da guerra do Pacífico, vice-presidente por mais de dez anos e presidente (por duas vezes) da Associação Comercial/ Câmara Geral de Comércio Chinesa de Macau (depois chamada Associação Comercial de Macau – alvará de 1912). Foi vice-presidente de 1927 a 1940 e presidente da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu.
Foi agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo e várias distinções da Cruz Vermelha Portuguesa.(6)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joel-jose-choi-anok/
NOTA: Joel José Choi, pai de Roque Choi (Roque Choi 崔乐其 (Cui Leqi) (7) tinha também uma casa principal na Calçada do Gaio, n.º20 que o seu filho Roque Choi herdaria após ter adquirido a quota da irmã. Esta casa manteve-se depois durante muitos anos desabitada e depois em ruínas e é nessas condições que me lembro, pois passava por esta rua frequentemente vindo e indo da minha casa, na Estrada de Cacilhas. Diziam as más-línguas que a casa estava assombrada. Esta casa e o seu terreno foi vendida em 2004 para se construir um prédio mas foi embargada, por ter a sua altura ter ultrapassado a quota de protecção da vista do farol da guia. Creio que continua a obra parada.
(2) Calçada da Igreja de S. Lázaro começa na Rua de Volong, em frente da Rua de João de Almeida e termina na Estrada do Repouso, próximo do cruzamento desta estrada com a Rua de Tomás Vieira. Tem uma escadaria de pedra junto da Rua de Sanches de Miranda.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/06/04/leitura-macau-terra-da-doce-saudade-i/
(4) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
(5) Joel José Choi Anok 崔諾枝mandarim pīnyīn: cuī nuò qí; cantonense jyutping: ceoi1 nok6 kei4
(6) Referências retiradas de JORGE, Cecília; COELHO, Rogério Beltrão – Roque Choi, um Homem dois sistemas Apontamentos para uma Biografia. Livros do Oriente, 2015, 221 p.
Ver recensão deste livro por Moisés Silva Fernandes em:
Análise Social, 222, lii (1.º), 2017 ; issn online 2182-2999
http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/AS_222_rec06.pdf
Ver anterior referência neste blogue:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joel-jose-choi-anok/
e em “UMA PASSEATA PELAS RUAS DE MACAU – TRAÇOS DE COMERCIANTES CHINESES FAMOSOS EM MACAU”
https://macaostreets.iam.gov.mo/showFile.ashx?p=macaustreets/doclib/635749087646668.pdf
(7) Roque Choi 崔乐其mandarim pīnyīn: cuī lè qí; cantonense jyutping: ceoi1 iok6 gei1

Natal azinha chega,
Trazê paz pa tudo gente,
Quiança-quiança sã pulá,
Non-pôde más de contente

Pai-mai sentí bólsa ardê
Qui de dinherám gastá
Rópa-nôvo sã fazê,
Pa casa intéro usá

Cavá rópa, sã sapato,
Sã dóci, sã pitisquéra,
Recheá pirú alto-alto,
Bebê, panhá bebedéra.

Na anôte di consoada,
Têm cêa pa tudo gente;
Na Natal sã jantarada,
Qui tudo logo afiá dente.

Alua, quánto tachada,
Tudo casa lô fazê;
Fárti, coscorám, impada,
Nádi falta pa comê

José dos Santos Ferreira (1)

Agradeço à minha amiga Diana (distinta confrade da Confraria da Gastronomia Macaense) pelas quatro iguarias tradicionais do Natal, que estavam uma delícia “comizaina ui-di saboroso””: a empada impada”, o coscorão “coscorám”, o farte “fárti”, o alua “alua” (estes três últimos, o trio de doces mais simbólicos de religiosidade dos macaenses, já que são a presença (dantes obrigatória) das mesas festivas, por representarem o lençol  (COSCURÃO), o travesseiro (FARTE) e o colchão (ALUA) do menino Jesus) (2)
gastronomia-empada

EMPADA

gastronomia-coscoroesCOSCURÕES
gastronomia-fartesFARTES OU TRAVESSEIROS DO MENINO JESUS
gastronomia-aluaALUA OU ALUAR

(1) Versos recolhidos de “Macau di Tempo Antigo” in FERREIRA, José dos Santos – Qui-Nova Chencho, 1973.
(2) JORGE, Cecília – À Mesa da Diáspora. Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, 2004, 151 p. ISBN 99937-778-4-6.

No dia 3 de Março de 1929, realizou-se um concerto no Teatro D. Pedro V, com o seguinte programa: pianista Harry Ore; (1) director da Banda Municipal, Sr. Constâncio José da Silva; (2) mezzo-soprano Mrs R. Sanger de  Hong Kong.(3)
Nessa mesma data e no mesmo Teatro,  o Padre Teixeira em (4), pág. 32, refere:
“Uma companhia italiana representou a ópera Carmen, com o mezzo-soprano Agozzino, (5) o tenor Giovanni (6) e o barítono Casarosa (7)”.
(1) Sobre Harry Ore, distinto pianista, irei publicar uma postagem em Abril.
(2) Nesta data, 1929, Constâncio José da Silva era director musical e regente da Banda da Polícia. Foi nomeado pelo  Governador Tamagnini Barbosa (Portaria 192, de 27 de Agosto), para director musical e regente da Banda da Polícia em 1927, ano em que foi criada esta a banda. (JORGE, Cecília; COELHO, Rogério  Beltrão  – Roque Choi, Um Homem dois sistemas, 2015, p. 22).
Quanto à Banda Municipal, em 6 de Julho de 1919, a Comissão Administrativa do “Leal Senado da Câmara de Macau (…) no intuito de melhorar a Banda Municipal, de modo a ser de algum proveito para o publico, resolveu nomear  Constâncio José da Silva para se encarregar da remodelação e regência da dita Banda” , mas as condições colocadas por Constâncio não agradaram à Comissão Administrativa que optou por contratar Alessio Benis, director musical do circo italiano “Bostock” que se encontrava na região. (JORGE, Cecília; COELHO, Rogério  Beltrão  – Roque Choi, Um Homem dois sistemas, 2015, p. 21)
Deixarei para uma próxima postagem, uma abordagem a este advogado e jornalista, Constâncio José da Silva que nasceu em Macau, na freguesia da Sé em 8 de Janeiro de 1864 e faleceu em Shanghai em 1947.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(4) TEIXEIRA, Pe. Manuel – O Teatro D. Pedro V, 1971.
Rina Agozzino(5) Rina Agozzino (Mezzo-Soprano) (Summonte/Avellino 1888- ?). Actuou até 1939.
She was born in Sicily and later she moved to Neaples where she studied with Massimino Petrilli. She made her debut in 1906 at Mercadante of Neaples as Lola in Cavalleria Rusticana. In 1914 she appeared at the Teatro Real in Madrid in ”Walkiria” of Wagner  with Ofelia Nieto, Guido Vaccari and Jose Segura-Tallien. In 1916 she sang in ‘’Favorita’’ at the Teatro Regio in Parma with Giuseppe Paganelli as Fernando and Edoardo Faticanti  as Alfonso XI.”
http://forgottenoperasingers.blogspot.pt/2011/08/rina-agozzino.html
No ano de 1929, Rina Agozzino fez um “tour” pelo Oriente actuando em Manila, Batavia, Singapura, Shanghai, Hong Kong, Macau e Tien- Tsin (Tianjin).

Giovanni Martinelli(6) Giovanni Martinelli (1885-1969), tenor italiano com vida artística de 1929-1962. Um dos mais famosos tenores do século XX tendo uma longa carreira no Metropolian Opera em Nova Iorque. Não encontrei registos que confirmem ser este “Giovanni”, o que actuou em Macau.

Giovanni Martinelli  (foto entre 1918-1928)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Martinelli#/media/File:Giovanni_Martinelli3.jpg
(7) Giuseppe Casarosa, barítono italiano, actuações em Itália desde 1911 a 1942 com uma interrupção ente os anos 1927 a 1932, onde possivelmente terá feito actuações no estrangeiro nomeadamente no Oriente.
http://musicsack.com/TheatreYearEvents.cfm?TheatrePK=801000384&Year=1926

Este livro “Voyage pittoresque autour du monde: résumé général des voyages de découvertes” é um resumo dos relatos da expedição do francês, Jules-Sébastien-César Dumont d’Urville (1) pelo Pacífico, publicado em 1843, um ano depois da sua morte.(2) (3)

Voyage Pittoresque Autour du Monde 1842 CAPAO Capítulo XXXIII é dedicado a “CHINE –MACAO”.
Voyage Pittoresque Autour du Monde 1842 IDa sua estadia em Macau, descreve-a nas páginas 277 a 286.

Voyage Pittoresque Autour du Monde 1842 IIPágina 277

Tem interessantes desenhos de Macau.

Voyage Pittoresque Autour du Monde 1842 IIIXXXV – 1. Macau
Voyage Pittoresque Autour du Monde 1842 IVVoyage Pittoresque Autour du Monde 1842 VXXXV – 2 . Gruta de Camões
Voyage Pittoresque Autour du Monde 1842 VIVoyage Pittoresque Autour du Monde 1842 VII

XXXIV – 3 . Entrada de Macau

Voyage Pittoresque Autour du Monde 1842 VIIIVoyage Pittoresque Autour du Monde 1842 IXVoyage Pittoresque Autour du Monde 1842 XXXXIV – 4. Parte de Macau
Voyage Pittoresque Autour du Monde 1842 XIVoyage Pittoresque Autour du Monde 1842 XIIXXXV – 3. Rio de Macau

Voyage Pittoresque Autour du Monde 1842 XIIIVoyage Pittoresque Autour du Monde 1842 FOTO(1) Jules Sébastien César Dumont d’Urville (“Condé-sur-Noireaux”) (1790-1842), oficial naval, explorador francês, botânico e cartógrafo. De Agosto de 1822 a Março de 1825, o tenente Dumont e o comandante do navio “La coquille”, tenente Louis Isidore Duperrey, fizeram uma expedição pelo Pacífico (Ilhas Malvinas, costas do Chile e Peru, ilhas do Pacífico, Nova Zelândia, Nova Guiné, Austrália e Antártida). Em Abril de 1826 como o mesmo barco, rebaptizado de “Astrolabe” e como comandante, partiu de novo de Toulon (França) para uma nova expedição pelo Pacífico, fazendo uma circum-navegação com chegada a Marselha em 1829. Fez uma terceira expedição, com o mesmo barco “Astrolabe”, em 1837 à Antártida e Pacífico. Em 25 de Fevereiro do mesmo ano descobriu o Pólo Sul Magnético. Voltou a França em 1840.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jules_Dumont_d%27Urville
(2) “Voyage pittoresque autour du monde: résumé général des voyages de découvertes de Jules-Sébastien-César Dumont d’Urville“. Publié sous la Direction de M. Dumont d´Urville, capitaine de vaisseau. Tome Premier. Paris, 1843”  (584 p.).A introdução do livro foi feita por M. Dumont d´Urville. (https://books.google.pt/books?id=CT5DAQAAMAAJ&pgPA198&lpg=PA198&dq=D%C3%A9barcad%C3%A9re+de+Macao&source=)da postage

(3) NOTA – actualização da postagem em 16-01-2016.
A edição deste livro que retirei da net, não é a primeira edição. A primeira é do ano 1834. A página de rosto é a mesma mas a da primeira edição tem o desenho de um junco diferente , com a legenda”Jonque de mandarin chinois“. A editora também não é a mesma.
Chamo a atenção para a leitura deste mesmo relato de viagem bem como para a excelência das ilustrações do livro “Viagem por Macau”  de Cecília Jorge e Rogério Beltrão Coelho, editado em 1999 (Vol. II nas pp. 142-159) e reeditado em 2014 (VolII – Século XIX – I Parte nas pp. 217-246).

Encontrei, entre os livros “herdados”, um pequeno “livrete” com 19 páginas, intitulada “BEST SONGS” n.º 1. (13 cm x 19 cm, de capa acinzentada).  Não traz mais nenhuma informação nem da editora/impressora nem do ano de publicação. (1)
Contém 57 letras de cancões que muito provavelmente, eram as “mais populares”, na década de 50. Analisando os títulos de algumas canções que conheci através de versões mais recentes. pressuponho ter sido publicado em 1952-1953.
Na época, eram músicas “populares”, emitidas na Rádio Vila Verde (2) (3) (綠邨738台 – luk6 cyun1 toi4), rádio que era muito ouvida entre 1950-1960 (mais popular que o Rádio Clube de Macau, fundado em 1941, canal oficial). E muito provavelmente, terão sido “tocadas” no programa muito popular durante anos, o famoso”REQUEST” – música a pedidos.
Segundo informações da minha prima, eram adquiridas na “Papelaria SIO SIO” que ficava na Rua de S. Domingos 1-C (no Anuário de Macau de 1938, o “SIO SIO” estava referenciada como “livraria portuguesa e chinesa” e não como “papelaria e artigos de escritório” que na verdade o era, ao longo de muitos anos de funcionamento)
Pode-se ler em (5), a propósito de um artigo sobre Johnny Reis:
” E apresentou programas como os “Hit Parade”, “Yours for the Asking” (em inglês) e os “Request”, de grande audiência, porque dias havia em que o carteiro despejava na emissora quilos de cartas com pedidos de discos e se preenchiam 5 folhas A4 com dedicatórias de cada canção. Eram tantas e tão fiéis as radiouvintes que chegou a ser necessário apaziguar pais que julgaram atentatório do bom nome das filhas a frequência alarmante de dedicatórias públicas dos (múltiplos) enamorados. Alegavam forte “distracção em horas de estudo”. E o meio-termo foi a proibição de inclusão de apelidos.”
Analisarei algumas das músicas desse “livrete”, em futuros postagens.
(1) Este livro terá sido o precursor de outras pequenas revistas que foram aparecendo e  que continham letras das músicas. Eram muito populares  em Macau no final da década de 50 (lembro-me dos “Hit Parade“, “Songs“)  e toda a década de 60, (“OK HIT SONGS), publicadas em Hong Kong. “Aprendíamos”, as letras das canções do Elvis Presley, Paul Anka, Neil Sedaka, Ricky Nelson, Connie Francis e depois na década  seguinte dos Beatles, Rolling Stones, etc. Enquanto que as revistas antigas  continham somente as letras, (para serem “cantaroladas” ao ouvir o “request” por exemplo),  as mais recentes (década de 60), vinham já acompanhadas com a pauta e o acorde de viola/ guitarra.
(2) http://pt.wikipedia.org/wiki/R%C3%A1dio_Vila_Verde
A rádio Vila Verde iniciou emissão em 1948 (ou em 1952 segundo outras versões) fundada por Pedro José Lobo. Emitia em cantonense (principalmente ao longo do dia, programas e anúncios publicitários) e à noite ( a partir das 21H00 até à meia noite), programas em língua portuguesa e inglesa (a música era quase exclusivamente em língua inglesa). A partir de 1965, após a morte de Pedro José Lobo passou a transmitir somente em cantonense. Adquirida em 1994 pela STDM suspendeu funções. Já na fase terminal passou a transmitir somente relatos das corridas de galgos e cavalos. Terá reiniciado actividade 2000 ou 2002, emissão em cantonense
(3) http://macao.communications.museum/por/exhibition/secondfloor/moreinfo/2_9_3_RadioMacau.html
(4) em cantonense jyutping
(5) JORGE , Cecília -Revista Macau Junho 1998
Pode-se ler mais sobre esta rádio em “Rádio Vila Verde e outras rádios
http://macauantigo.blogspot.com/2010/11/radio-vila-verde-e-outras-radios.html
e “Rádio Vila Verde” em
cronicasmacaenses.wordpress.com/tag/radio-vila-verde
e fotos dessa rádio  em
http://macauantigo.blogspot.com/2009/04/radio-e-televisao-em-macau.html
http://rpdluz.tripod.com/projectomemoriamacaense/johnny-reis.html