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Gravura apresentada na revista “A Illustração Luso Brasileira” de 1856, (1) com a legenda:

ILUMINAÇÃO DO PALÁCIO DO CONSUL BRASILEIRO EM MACAU

A gravura não é acompanhada de mais informações. No mesmo número deste jornal, na página 124, encontra-se uma pequena notícia do incêndio do bazar em Macau, notícia essa, com maior desenvolvimento, foi dada pelo correspondente Carlos José Caldeira, no mesmo jornal, número 12 de 22 de Março de 1856. (ver “Grande Incêndio do Bazar Chinez em Macau” na postagem de 04-01-2015) (2)

O cônsul do Brasil em Macau, nesse ano, muito provavelmente terá sido o 1.º Barão do Cercal , Alexandrino António de Mello (1809-1877) . Não tenho informações, qual a data da sua nomeação mas no Almanach Luso-Chinez de 1866”, consta o nome do Barão embora com a indicação de ausente. (3) (4)

O filho António Alexandrino foi posteriormente, em 1875, nomeado cônsul do Brasil em Macau, lugar que foi extinto com a sua morte (5)

A residência (gravura) terá sido, o original edifício, mandado construir pelo Barão do Cercal, em 1849, (arquitecto José Tomás de Aquino) e posteriormente adquirido pelo Governo (actual Palácio do Governo, na Praia Grande).

(1) “A Illustração Luso Brasileira”, n.º 16 de 19 de Abril de 1856, p. 125.

A Illustração Luso-Brasileira”, publicou-se nos anos 1856, 1858 e 1859 (Vol. 1, n.º 1 de 5 Jan. 1856 ao Vol. 3, n.º 52 de 31 Dez. 1859), por iniciativa de António José Fernandes Lopes, também editor do Jornal “O Panorama”. http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/FichasHistoricas/IlustrLusoBr.pdf

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/04/noticia-de-4-de-janeiro-de-1856-grande-incendio-do-bazar-chinez-em-macau/

(3) “Almanach Luso-Chinez de 1866”, p. 45

NOTA: Nesse ano 1866, o cônsul da Itália em Macau era António Alexandrino, 2.º Barão do Cercal (também ausente), filho de Alexandrino António (1.º Barão)

(4) Alexandrino António de Mello (1809-1877): 1.º Visconde (Decreto de 13 de Março e Carta de 5 de Abril de 1867) e 1.º Barão do Cercal (Decreto de 11 de Dezembro de 1851 e Carta de 5 de Janeiro de 1852) em duas vidas. Faleceu no «Hotel Beauvan» em Beauvan, junto a Marselha, a 21-05-1877. (6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/barao-visconde-do-cercal/

(5)1.º Filho: António Alexandrino de Melo (S. Lourenço 7-06-1837 – faleceu na sua casa na Calçada da Paz em S. Lourenço a 27-05-1885) – 2.º Barão de Cercal. (recebeu o título em 16 de Setembro de 1863. Foi cônsul da Itália em Macau desde 1864.

28-05-1864 – TSYK I-47 de 25 de Agosto de 1864, p. 191

TSYK I-47 de 25 de Agosto de 1864, p. 191

https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-alexandrino-de-melo/

 (6) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol II, 1996, pp. 646-647

Outro artigo de A. Marques Pereira (1) acerca do busto de Camões encomendado pelo comendador Lourenço Marques (2) ao escultor Bordalo Pinheiro

Extraído de «BGM», VII-20 de 20 de Abril de 1861, p 78

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-feliciano-marques-pereira/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/

Pequeno trecho extraído da “Noticia sobre as Lorchas de Macau” do livro “Macau em 1850 – Crónica de Viagem” de Carlos José Caldeira, Capítulos XXXI- XXXII, pp.193 e 205 (1)

“Em 25 de Abril de 1851 saiu da rada de Macau a corveta. Joaõ I, com destino para Xangai, onde havia pouco tempo fora reconhecido pelas autoridades chinesas o cônsul português, e convinha ali fazer tremular pela primeira vez o nosso pavilhão de guerra. O comandante da corveta levava instruções para recolher informações sobre o procedimento de várias das lorchas de Macau, nas costas do Norte da China, e para adoptar providências oportunas paras erem castigados os excessos e crimes por elas praticados, do que havia contínuas queixas em Macau dirigidas pelo governador de Hong Kong, que pedia ou antes exigia sérias medidas a tal respeito. Desgraçadamente estas queixas tinham em grande parte fundamento, e para elas bem se compreenderem entrarei em algumas particularidades sobre as lorchas de Macau, e importância do seu tráfego; assunto pouco conhecido, porém curioso em mais de um sentido.

Ainda em 1835 contava a praça de Macau 18 navios de longo curso: hoje tem apenas 8 e são: barcas, 2 brigues e 3 escunas. As lorchas da mesma praça andam por 60 actualmente em serviço, medindo ao todo umas 4 000 toneladas.

Há 8 lorchas de 100 toneladas para cima, contando a maior 146; há 34 de 50 a 100 toneladas, e as restantes são para menos de 100 toneladas, sendo a mais pequena de 38.

Estas lorchas montavam 557 canhões de calibres diferentes, a saber:

Calibre 1 …………..………… Canhões   35

Calibre 2 …………..……..…. Canhões   71

Calibre 3 ………………..…… Canhões   82

Calibre 4 …………..….…..… Canhões 198 

Calibre 5 ………..…………… Canhões 134

Calibre 9 …………..…………. Canhões   16

Calibre 12 ………..…..……… Canhões   15

Calibre 18 ………………..….  Canhões     5

Calibre 24 Paixhans……… Canhões     1

                           Total ……………….…..557

A lorcha de maior força montava 20 peças e tinha portinholas para mais 2: as mais pequenas tem de a 6 peças, e em quase todas estão montados em rodizio os canhões do calibre superior.

Os armamentos e apetrechos de guerra eram os seguintes:

Espingardas ………………………………….….. 304

Lanças ……………………………….……………….423

Espadas …………………………………………..….182

Machados………………………………………………81

Pistolas ……………………………………………..….54

Balas …………………………………………..….15 725

Metralha em libras portuguesas ……….14 131

Barris de pólvora …………………………..…….502

O total das lorchas, pelas matrículas correspondentes quando se fazem ao mar, levam termo médio de 380 a 420 portugueses, e de 480 a 525 chinas….(…). Estas lorchas foram feitas em Macau, e grande parte nos anos de 1847 e 1848, e algumas posteriormente. Esta cidade apresenta muitos recursos e operários para as construções navais, e em poucos meses bastantes lorchas se poderiam fazer e apetrechar. … (…)” (1)

Boletim do Governo da Província de Macau, Timor, e Solor, VI, n.º 28 de 31 de Maio de 1851, p.86

“Em 21 de Maio, com excelente tempo, viu-se entrar na rada de Macau a corveta D. João I, toda empavesada e até com sobrejoanetes largos. Causou isto geral supressa, e logo grande desgosto ao governador. A corveta vinha arribada, e falhara a comissão de Xangai. … (…). Em 27 de Maio, 5 dias depois de arribada, saiu a corveta para Vampu no rio de Cantão, onde esteve algum tempo fundeada, e dali regressou para Macau.” (1)

(1) CALDEIRA, Carlos José, Macau em 1850 – Crónica de viagem. Quetzal Editores, 1997, 342 p. Anteriores referências a este autor: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-jose-caldeira/

Nos primeiros dias de Junho, (1) Sir George Samuel Bonham (2) chegou na fragata Cleópatra a Macau, onde veio pela primeira vez, e foi recebido com todas as honras devidas ao seu cargo.
Ao fim de três dias retirou-se precipitadamente para Hong Kong, por ter recebido a desastrosa notícia da perda do belo vapor de guerra Reynard, da Marinha britânica, (3) no Baixo de Prata, onde fora para recolher a tripulação da barca Velocípede, naufragada no mesmo baixio, que demora a leste e a coisa de 200 milhas de Macau, onde grande número de naufrágios tem tido lugar. Por fortuna o brigue de guerra Pilot, (4) que seguia o vapor, pôde recolher os náufragos dos dois navios.
O governador de Hong Kong mostrou-se muito cordial com o nosso governador, e é certo que em geral as autoridades inglesas na China se mostram maís atenciosas e obsequiadoras para os portugueses do que ordinariamente costumam sê-lo na Europa.
Eram decorridos quatro a cinco meses de gerência do novo governador (5) e já sensíveis melhoramentos se observavam em Macau… (…) (6)
(1) “3-06-1851 – Visita a Macau do Governador de Hong Kong, Sir George Samuel Bonham” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(2) Sir George Samuel Bonham (1803-1863) foi o 3.º governador de Hong Kong (1848-1854), plenipotenciário e superintendente do comércio com a China.
(3) “HMS Reynard” foi lançado em 1847 e afundou-se perto do baixio das Pratas no mar da China em 31 de Maio de 1851.

“HMS Reynard (1848) wrecked on the Pratas Islands in 1851. The foreground shows a raft crammed the ship’s company, while the ship lies aground and dismasted in the background”

https://en.wikipedia.org/wiki/HMS_Reynard_(1848)
(4) “In rescuing the crew of Velocipede, Reynard herself was wrecked on the Pratas Islands in the South China Sea on 31 May 1851.The whole crew survived the sinking and were rescued by HMS Pilot, which also rescued the crew of Velocipede. The ship could not be saved, and she was paid off as a total loss on 27 February 1852.”
https://en.wikipedia.org/wiki/HMS_Reynard_(1848)
(5) O novo governador, Conselheiro Capitão de Mar-e-Guerra, Francisco António Gonçalves Cardoso, chegou a Macau no dia 24 de Janeiro de 1851 e tomou posse no dia 3 de Fevereiro. Foi exonerado a 18 de Setembro de 1851, e no dia 19 para o substituir foi nomeado o Capitão Tenente da Armada Isidoro Guimarães Júnior, Comandante da corveta D. João I. Este chegou a Macau em 19 de Novembro sendo recebido pelo governador cessante, Francisco Gonçalves Cardoso que seguiu depois para Hong Kong (em 24 de Novembro) para regresso a Portugal.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-a-g-cardoso/
(6) Extraído de CALDEIRA, Carlos José – Macau em 1850, 1997, p. 207.

A Revista «Universal Lisbonense» no seu n.º 22, do dia 9 de Dezembro de 1852, dava a notícia na coluna “NOTICIAS E COMMERCIO” da chegada no dia 2 de Dezembro desse ano, no paquete do norte, de dois chineses Francisco Leu e José Li, provenientes de Macau.
Francisco Leu (o mais idoso) natural e residente em Pequim (北京), era encarregado de representações dos cristãos chineses da diocese de Pequim e vinha a Lisboa para tratar das questões do padroado real, nomeadamente pedir o regresso do bispo eleito de Pequim D. João de França Castro e Moura, (1) (na altura em Timor) e também a ida dos padres portugueses para as missões na sua diocese.
José Li, natural de Macau, estudava para padre e acompanhava Francisco Leu como intérprete, “fazendo-se entender em latim”.
revista-universal-lisbonense-n-o-22-1852-dois-chins-em-lisboa-iA notícia chamava ainda a atenção para o livro de A. C. J. Caldeira, “Apontamentos de uma Viagem de Lisboa à China” (2 volumes) (2), onde o leitor poderia aprofundar os motivos desta deslocação dos prelados.
revista-universal-lisbonense-n-o-22-1852-dois-chins-em-lisboa-ii

(1) D. João de França Castro e Moura nunca foi eleito bispo de Pequim.
d-joao-de-franca-e-catro-e-moura-18904-1868D. João de França Castro e Moura (1804-1868) nasceu no Porto e em 1823 partiu de Lisboa para o Convento de Rilhafoles da Congregação da Missão, preparando-se para as Missões do Oriente. Em 10 de Abril de 1825 partiu para Macau, ordenando-se sacerdote nas Filipinas em 1829. Celebrou a sua primeira Missa em Macau no princípio do ano de 1830. Em Agosto desse ano parte para a China primeiro para Fukien (福建) e depois Nanquim (南京). Nomeado Vigário geral em Nanquim. Devido ao falecimento do Bispo de Pequim, D. Caetano Pereira Pires, em 2 de Novembro de 1838, foi nomeado administrador apostólico da Diocese de Pequim. Devido estarem interrompidas as relações diplomáticas entre Portugal e Santa Sé, D. João esteve dezassete anos na China, não chegando a assumir o posto de Bispo de Pequim, proposto por Portugal e não aceite pela Santa Sé (o mesmo acontecendo com a nomeação do Bispo de Claudiópolis para Pequim pela Santa Sé e não aceite por Portugal, e com isso, a perda ao direito do Padroado Português na diocese de Pequim). D. João regressou a Macau em 14 de Julho de 1847 e em 1850 vai para Timor. Regressa a Portugal em Abril de 1853 e é nomeado em 27 de Fevereiro de 1862, Bispo do Porto.
http://biblioteca.cm-gondomar.pt/Topon%C3%ADmia.aspx
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_de_Fran%C3%A7a_Castro_e_Moura
Aconselho ainda a leitura de:
LIU Ruomei – Missionários portugueses e russos em Pequim no Século XIX in Administração n.º 95, vol. XXV, 2012-1.º, 259-278, disponível em:
file:///C:/Users/ASUS/Downloads/10-Missionarios_Liu%20Ruomei(259-278).pdf
(2) Carlos José Caldeira era primo de D. Jerónimo José da Mata (Bispo de Macau de 1845 a 1862) e amigo de D. João de França Castro e Moura bem como de D. João Maria de Amaral e Pimentel (Bispo de Macau nomeado em 1865 pela Santa Sé, mas não aceite por Portugal).
Ver mais informações em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-jose-caldeira/

19-02-1852 – Concluído o fortim novo, sobranceiro à Praia de Cacilhas, tomou este o nome de D. Maria II, (1) segundo a «Ordem à Força Armada n.º 9» que por este motivo, ordenou o desmantelamento do Forte de Mong-Há, por se encontrar em ruínas e desnecessário, em virtude da construção do novo fortim.” (2)
No entanto, o Forte de Mong Há foi reconstruído e reactivado mais tarde. (3)

Ta-Ssi Yang-Kuo Fortim de D. Maria II (1899)FORTALEZA DE D. MARIA 2.ª E LAZARETO
Photograv. de P. Marinho, segundo uma photographia do sr. Carlos Cabral (1899)
(Ta-Ssi Yang-Kuo, Vol. I/II)

De acordo com a ordem n.º 19 do quartel General Militar, de 17 de Fevereiro de 1852, este forte foi ocupado militarmente, nessa data com a intenção de substituir o forte de Mong-Ha, apesar da localização deste último ser de longe superior. Foi edificado sob a direcção do oficial engenheiro Major António de Azevedo e Cunha. (1)
Em 1872, na Fortaleza de D. Maria 2.ª, «fizeram-se nesta fortaleza todos os concertos e reparos de que precizamos; nas muralhas, no terrapleno; no quartel do destacamento; no paiol; e na ponte levadiça junto da entrada, fazendo-se de novo para esta, um molinete» (4)

FORTIM DE D. MARIA II 2015Portal da entrada do Forte de D.Maria II /馬交石炮台 como está actualmente, vendo-se o local onde estava a ponte levadiça. Observar o parapeito saliente, onde se encontram ameias que serviam para o defesa do portal de entrada.
(Foto de https://pt.wikipedia.org/wiki/Fortifica%C3%A7%C3%B5es_de_Macau)

O forte de D. Maria II, bem como o de Mong Há e o  da Taipa são as últimas fortalezas  construídas pelos portugueses em Macau (todas já do século XIX) e têm uma função  diferente das primitivas Já não serviam para se defenderem dos ataques dos estrangeiros e piratas mas para defenderem de eventuais ataques vindas do continente chinês, após o trágico assassinato de Ferreira de Amaral
A casamata deste forte foi destruída por uma bomba durante o bombardeamento americano a Macau em 16 de Janeiro de 1943. (5)

MACAU PASSADO E PRESENTE 1907-1999 Colina , Forte de D. Maria IIFORTE DE D. MARIA II no topo,  o LAZARETO mais abaixo e a antiga Estrada de D. Maria II.
Foto de Man Fook (1907) (6)

O Fortim está classificada como património arquitectónico, paisagístico e cultural desde 1984 e mantido sempre este estatuto nas sucessivas revogações, a última em 2013 (Lei n.º 11/2013 da RAEM de 22 de Agosto – Lei de Salvaguarda do Património Cultural).
Hoje recuperado, no entanto, não é visitável o seu interior; o parque que o rodeia é um lugar aprazível com uma boa vista para o reservatório  e o Porto Exterior.
馬交石炮台- mandarim pinyn: mǎ jiāo dàn bāo tái; cantonense jyutping: maa5 gaau1 daam3 baau1 toi4.
(1) “Este forte está localizado no cume da colina de D. Maria II, com uma altitude de 47 metros, a dominar a baía de Cacilhas e o Istmo da Península de Macau. Objectivo: apesar da sua posição estratégica ser inferior, foi construído para substituir o forte de Mong-Ha. Mais tarde  a sua missão principal foi a de reforçar e fornecer fogo de cobertura ao forte de Mong-Ha e, assim, funcionava como posição auxiliar. Tinha também a função de cobrir a Baía de Cacilhas afim de proteger as suas margens. Por isso, a sua única arma era rotativa num arco de 360.º. Apesar de tudo, este forte nunca deve ter sido muito eficiente.”
GRAÇA, Jorge – Fortificações de Macau , Concepção e História, 198?
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) “Os trabalhos de fortificações na colina de Mong-Ha foram iniciados pelo Governador Ferreira do Amaral em 1849 como uma medida preventiva de defesa contra uma temida invasão chinesa, mas não foram concluídas devido ao seu assassinato.”  Foram retomados em 1850, mas em 1852 estavam praticamente reduzidas a ruínas. Em 1864  foi reconstruído o forte  por ordem do Governador Coelho do Amaral e ficou concluído em 1866.”(1)
Carlos José Caldeira a propósito da visita do Governador Francisco António Gonçalves Cardoso (chegou a Macau 26-01-1851 e tomada de posse a 3-02-1851) às fortalezas de Macau: « Em todas as fortalezas poucas peças estavam em estado de fazer fogo e não continuado; no já quasi desmoronado forte de Mohá (feito haveria pouco mais de um anno) n´um dos canhões principais, dirigido sobre a Porta do Cerco, no ouvido faziam as lagartixas seu sossegado ninho; as poucas munições estavam fechadas num caixão do qual se perdera a chave havia tempos, etc, etc, etc… Sirva isto só de dar idêa de todas outras misérias. E, no entanto que faziam os governadores de fortalezas, e o major de engenheiros, todos com denominações alti-sonantes, e bons soldos gratificações?. Tratavam das suas hortas, ou passavam vida airada e folgasã…
O major  de engenheiros, mandado de Portugal pelo Egipto com avultada despesa, recebia mensalmente em Macau 116 patacas»
CALDEIRA, Carlos José – Apontamentos d´uma viagem de Lisboa à China e da China a Lisboa , 1852.
(4) Relatório o Director das Obras Públicas, Ten-Cor. Francisco Jerónimo Luna, relativo a 1871-1872 in TEIXEIRA, Pe. Manuel – Os Militares em Macau, 1975.
(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/01/16/noticia-de-16-de-janeiro-de-1945-bombarde-amentos-em-macau/
(6) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/05/01/noticia-de-1-de-maio-de-1911-epidemia-de-peste-bubonica/
Referências anteriores a este fortim:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fortaleza-de-d-maria-ii/

A propósito da publicação duma estampa, em 1864, num jornal semanário português, “Archivo Pittoresco”, (1), C. J. Caldeira (2) escreveu um artigo sobre «A casa e cêrca do sr. Lourenço Marques».

Archivo Pittoresco 1864 - A casa de Lourenço Marques ICasa e cerca do sr. Lourenço Marques em Macau

 A estampa representa a casa e cêrca do sr. Lourenço Marques, em Macau, na qual está a celebre gruta de Camões. O mirante que a coroa divisa-se por entre o arvoredo acima da casa que tem frontão triangular, que é a da residência do proprietário, cercada de jardins, horta e bosque, que a tornam uma das mais pitorescas da cidade, como se pôde julgar pelo desenho.
Ao lado direito se vê parte da povoação chineza de Patane, já fôra dos muros da cidade, próxima da porta de Santo António e da egreja e freguesia da mesma invocação, que ficam na parte oculta à esquerda do espectador.
A casa vasta e elegante, que está à esquerda do desenho, pertence e é ocupada por irmãos e outros parentes do mesmo sr. Marques, e foi habitação de seu pae. Atraz d´esta divisam-se em grupo os mastros e velas de algumas embarcações chinesas, que costumam fundear próximo à povoação de Patane, ao sopé do montículo, e que o circunda quasi todo.
O fundo representa o porto interior de Macau, vendo-se sobre a esquerda a ilha da Lapa, antigamente denominada dos Padres, e mais ao longe as alturas da chamada ilha, ou antes península Heang-shan, d´onde corre um canal ou pequeno braço do rio de Cantão, denominado Passagem de Macau, que vem desembocar no dito porto interior.

Archivo Pittoresco 1864 - A casa de Lourenço Marques IINa ilha da Lapa há três povoações chinesas, em frente de Macau, que são: Lapa, Parsan e Choimi. Esta ultima é fronteira à gruta de Camões.
Na direcção dos dois navios que se observam no porto está a importante povoação chineza chamada Casa Branca, e um pouco à direita o celebre forte de Passaleão, onde o actual major Vicente Nicolau de Mesquita praticou, com um punhado de valentes soldados, um dos maiores feitos de armas da moderna história portugueza.
O desenho e notícia especial da gruta de Camões deste semanário pôde vêr-se (3) e também a notícia e estampa do busto do grande poeta, (4) que o sr. Lourenço Marques mandou fundir em bronze, em Lisboa, no arsenal do exército, para colocar na dita gruta. Por este e outros factos de patriótica dedicação à memoria de Camões, e pelos longos serviços que tem prestado como membro do senado e procurador da cidade de Macau, é que o mesmo sr. Foi agraciado com a comenda de Christo, que já tivera seu pae, o falecido coronel Pio Marques.
As presentes noções e a gravura, completam, com as anteriores a que nos referimos, o que há de mais notável em Macau em comemoração do principe dos nossos poetas.

TA-SSI-YANG-KUO Quinta da Gruta de Camões e Patane 188..QUINTA DA GRUTA DE CAMÕES E POVOAÇÃO DE PATANE (em 188..)
(Photograv. De P. Martinho, segundo uma photographia) (5)

(1) Archivo Pittoresco, 1864
(2) Referências anteriores de Carlos José Caldeira em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-jose-caldeira/
(3) Publicado em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/11/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xvi-c-j-caldeira-1857-i/
(4) Publicado em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/30/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xxvi-busto-de-camoes-para-a-gruta-de-macau/
(5) Retirado de TA-SSI-YANG-KUO, VOLS I-II. p. 531.
A mesma fotografia foi publicado (embora retirada de outra revista) no meu post:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/30/noticia-de-30-de-marco-de-1827-a-gruta-de-camoes-xx/

Artigo publicado no semanário “Archivo Pittoresco”, de 1861 (1)

No artigo que acompanha aquella gravura, (2) escripto pelo mesmo auctor, está mui cabalmente feita a descripção d´este memorável sítio. Ahi se diz que no centro da gruta há um pedestal que tem gravadas na pedra seis oitavas dos Lusiadas e que sobre elle está o busto de Camões, modelado por artistas chinezes.
Para substituir este busto por outro de bronze, mandou o benemérito proprietário da gruta, o sr. Lourenço Marques, fazel-o a Lisboa, e é d´elle que hoje damos um fiel transunto.
Archivo Pittoresco 1861 - Busto de camões ICommetteu o sr. Lourenço Marques ao sr. C. J.Caldeira, seu correspondente n´esta corte, a superintendência d´esta obra. Foi o sr. Bordalo Pinheiro encarregado de modelar o busto em gesso , para se fundir em bronze no arsenal do Exército.
Tratou o artista de consultar pessoas competentes sobre a escolha do retrato que havia de tomar para typo. O sr. Visconde de Juromenha, que tão porfiados estudos tem feito sobre a vida do nosso grande épico, facultou-lhe quantos possuía, indicando-lhe como o que reúne mais probabilidades de verdadeiro, aquelle que publicou Manuel Severim de Faria nos seus Discursos, edição de Évora, 1624.(3) Por este retrato, e pela atenta leitura da vida do infeliz poeta, ultimamente da à luz pelo mesmo sr. Visconde, é que o hábil esculptor compoz a physionomia do busto, que nos parece estar bem estudada, porque revela com muita naturalidade as amarguras que abreviaram a vida de quem «foi mais afamado que ditoso», e juntamente denota certa altivez própria do caracter indómito que teve Luiz de Camões.
Archivo Pittoresco 1861 - Busto de camões IIIFeito o modelo, encarregou-se da fundição do busto o aparelhador da oficina n. 1 do arsenal do Exercito, o sr. Felisberto José Pereira, que fez obra perfeita, louvada não só pelos entendedores, mas oficialmente n´uma ordem da inspecção do referido arsenal, em data de 27 de março do corrente anno.
Foi este perito fundidor coadjuvado pelos operários da sua oficina, Cyrillo Antonio Teixeira e Hypolito José, aos quaes, em recompensa da tão bom trabalho, se lhes augmentou o jornal, sendo igualmente louvados pelo benemérito inspector do mesmo arsenal, o sr. Marechal Barreiros, que tem levantado aquelle estabelecimento da decadência em que jazia.
Archivo Pittoresco 1861 - Busto de camões IITão perfeito se julgou a fundição d´este busto, que o governo mandou se tirasse segundo exemplar para o museu do arsenal, que ficou tão bom como o primeiro.
Consta-nos que esta obra importou, apenas, em 265:000 réis (4), modelo, fundição e mais despezas acessórias; pesando o busto 49 kilogramas (107 arrateis) (5) de bronze. (…)
………………………………………………..… (…)… continua

MACAU - A GRUTA DE ACMÕES - Camões 1639Retrato de Camões por Pedro Vila Franca (gravador) 1639 (6)

(1) In ARCHIVO PITTORSCO, 1861.
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/ArquivoP/1861/TomoIV/N024/N024_master/ArquivoPitoresco1861N024.PDF
(2) Artigo de Carlos José Caldeira com o desenho da Gruta de Camões publicado no mesmo semanário, em 1857  Transcrevi-o em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/11/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xvi-c-j-caldeira-1857-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/10/leitura-macau-e-a-gruta-de-camoes-xvii-c-j-caldeira-1857-ii/
(3) Poderá ler este livro de Manoel Severim de Faria, “Discursos Vários Políticos”, em: http://purl.pt/966 
Archivo Pittoresco 1861 - Busto de camões IVArchivo Pittoresco 1861 - Busto de camões V 
As páginas referentes à “Vida de Luís de Camões” são de 88 a 135.
(4) real (no plural: reais, mais popularizado como réis) foi a unidade de moeda de Portugal de 1430 a 1911. Foi substituído pelo escudo (1000 réis= 1 escudo).
(5) arrátel: antiga unidade de medida de peso correspondente a 459,5 g ou 16 onças.
(6) Da colecção de postais “Macau –A Gruta de Camões”. Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/06/08/postais-de-macau-a-gruta-de-camoes/

Artigo publicado por Carlos José Caldeira (1) na  “A Illustração Luso-Brasileira” de 1856 (2)

“Em 4 de Janeiro pelas duas horas da tarde, manifestou-se fogo no centro do bazar, ou bairro chinez, n´uma loja ou botica, como lá se dizem. O vento forte, que soprava rijo, espalhou-se rapidamente: ás 5 horas rondou para leste, e algum tempo depois voltou ao norte, o que fez com que as chamas avançassem em todas as direcções. O incêndio durou até ás 11 do dia seguinte.

A Ilustração Luso Brasileira 1856 n.º 16 FOTO  Incêndio Bazar“Incendio do bazar chinez em Macau”

(Gravura publicada no mesmo jornal, visão do artista da Baía da Praia Grande)

Arderam umas 1:500 casas entre grandes e pequenas, incluindo mais de 600 lojas. As propriedades e valores perdidos sobem a mais de um milhão de patacas, ou para cima de 1:000 contos. Houve também alguma perda de vidas.
A Ilustração Luso Brasileira 1856 n.º 12 Incêndio Bazar p+. 91Ás 7 horas da tarde do mesmo dia, outro fogo se manifestou em sitio afastado do bazar, n´uma espécie de pequena doca, onde estavam fechados uns 100 tancares, ou botes chinezes, que serviam de habitação a mulheres publicas chins. Em poucos minutos tudo ardeu, e d´aquellas infelizes morreram 17, mulheres e creanças. O resto salvou-se dificultosamente através d´um postigo que conseguiram abrir na porto da doca, que estava cerrada á chave.
As autoridades, e força militar de mar e terra, e todos os cidadãos de Macau, trabalharam quanto poderam para atalhar o incendio, e evitar os roubos e desordens que sempre em taes ocasiões pratica a população chineza. Tambem prestaram valiosos auxílios as guarnições das fragatas francezas  Virginie e Constantine, que estava surtas no porto.
Os melhores meios e os mais bem dirigidos esforços para atalhar na China fogos similhantes, são afinal pouco eficazes. O bazar ou bairro chinez de Macau, é um labyrintho de ruas e de casas, mais estreito, tortuoso e complicado do que o nossos bairro d´Alfama. Em varias partes são apenas corredores cobertos de esteiras, por onde os viandantes com dificuldade podem transitar. As casas são muito frágeis, construídas na maior parte de madeira. Em taes circumstancias quasi o único remedio de terminar um incendio, é derrubar todas  as propriedades que se lhe avizinham, ao que os chins sempre repugnam.
Estes sucessos são mui frequentes na China, principalmente nas províncias meridionais, onde os edifícios são quasi todas de madeira. Contribue para isto o costume de fumar continuamente, o haver em todas as casas sempre lume para preparar chá e a pouca precaução e ordem que o chin tem no lar doméstico…” (continua).

NOTA: Esta mesma notícia, já foi referenciada em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/04/noticia-de-4-de-janeiro-de-1856/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/batalhao-provisorio-de-macau/

A Ilustração Luso Brasileira 1856 n.º 12 CAPA(1) Referências anteriores de Carlos José Caldeira em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-jose-caldeira/
(2) “A Illustração Luso-Brasileira: jornal universal” foi um jornal de periodicidade semanal que se publicou durante 3 anos: 1856, 1858 e 1859, em Lisboa, na Travessa da Victória, n.º 52

Na noite de 3 de Janeiro de 1851 saiu a corveta D. João I para Hong Kong, a fim de esperar o novo governador de Macau (1); mas encalhou no lodo em frente da bateria de S. Francisco.
Foi necessário aliviá-la da artilharia, e só no fim de três dias pode seguir o seu destino, onde chegou a 7: ali o comandante e oficialidade receberam muitas distinções, e cumprimentos, bem como depois o novo governador à sua chegada no vapor Pequim.
Em 24 regressou a corveta a Macau conduzindo o novo governador Cardoso, que só desembarcou a 26, ao meio dia sendo recebido no cais chamado do Governador, pelo presidente e membros do Conselho do Governo, e com todas as honras do estilo. (2)
Francisco A. G. Cardoso 1851NOTA: O Governador esteve hospedado em Hong Kong em casa de Eduardo Pereira e só foi investido na posse do Governo no dia 3 de Fevereiro, pelas 5 horas da tarde, na porta principal da Fortaleza de S. Paulo do Monte, entregando-lhe o Conselho do Governo a chave da dita Fortaleza e o bastão e com eles a posse do Governo desta cidade com todas as artilharias e armas, apetrechos e munições de todas as fortalezas da guarnição. Depois da posse, o Governador dirigiu-se à Igreja da Sé onde depositou o bastão aos pés da Nossa Senhora da Conceição e onde se cantou um solene Te-Deum, seguido de recepção no Palácio do Governo. (3)

(1) Francisco António Gonçalves Cardoso, Conselheiro Capitão de Mar-e-Guerra foi nomeado governador de Macau, por decreto de 17 de Outubro de 1850, para suceder a Pedro Alexandrino da Cunha que faleceu em Macau no dia 6 de Julho de 1850, após 39 dias de Governo, vítima de cólera que se manifestou apenas 8 horas antes, aos 49 anos de idade.
(2) CALDEIRA, Carlos José – Apontamentos d´uma viagem de Lisboa à China e da China a Lisboa, 1.º Vol.
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau.