Archives for posts with tag: Carlos Eugénio Correia da Silva

Relato sumário das acções realizadas pela Canhoneira “Tejo” desde a saída de Macau no dia 21 de Maio até voltar a 27 de Maio de 1876, período em que esteve, no dia 24 de Maio, em Hong Kong, nos festejos do aniversário natalício da Majestade Britânica (1)

Extraído de «BPMT», XXII – 23 de 3 de Junho de 1876

O primeiro tenente Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, (2) foi nomeado comandante da Canhoneira “Tejo” (3) em despacho de El-Rei de 4 de Março de 1876, em substituição do primeiro tenente da armada Fernando Augusto da Costa Cabral (4)

Extraído de «BPMT», XXII – 24 de 10 de Junho de 1876,

(1) Rainha Vitória (24 de Maio de 1819 – 22 de Janeiro de 1901) do Reino Unido de 1837 até à sua morte

(2) Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, (1844 -1923) (reformado com o posto de Almirante), filho do Governador João Maria Ferreira do Amaral, Tinha 5 anos quando o pai foi assassinado, assentou praça na marinha aos 12 anos de idade; em 1855 era aspirante; e em 1861 completou o curso sendo promovido a guarda marinha em Agosto de 1866 e a primeiro-tenente em 1874. Nesse meio tempo, comandou os seguintes navios: «Penha Firme», o couraçado «Vasco da Gama, em que foi à inauguração do canal de Kiel na Alemanha; imediato da corveta «Mindelo», da fragata «D. Fernando» e comandante da corveta «Duque da Palmela». Como comandante do vapor «Tete» participou na expedição à África Oriental, tomando parte em três combates. Governou S. Tomé e Moçâmedes em 1878 e 1879. Em 1882 nomeado governador de Angola e em 1886 governador da Índia. Ministro da Marinha em 1892 e ministro interino dos Negócios estrangeiros em 1898.

Foi comandante da Estação Naval de Macau de 1876 a 1878. Em 1878 levou a Bangkok na canhoneira «Tejo», o Governador de Macau Carlos Eugénio Correia da Silva, que lá foi em missão diplomática. Esta missão regressou a Macau a 20 de Março de 1878. Ferreira do Amaral que não se dava bem com o governador Correia da Silva, (episódio que relatarei em próxima postagem) recusou receber o mandarim da Província de Cantão que vinha a Macau, em Julho de 1878, pois não podia suportar a afronta à memória do pai. Na véspera entregou o Comando da canhoneira ao oficial imediato e foi para o Hong Kong. O governador vingou-se, pedindo a sua exoneração a El Rei, e Ferreira do Amaral foi exonerado do comando com regresso imediato ao reino. (TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau, 1988, pp. 117-118.)

(3) Ver anteriores referências à Canhoneira «Tejo» em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-tejo/

Na Revista “O Occidente”, XIII- n.º 418 de 1 de Agosto de 1890, na página 171 aparece um apontamento quanto à duração da estadia em Macau da canhoneira, na nota de rodapé do artigo “Apontamentos sobre a Marinha de Guerra dos Diversos Países – Marinha de Guerra Portuguesa”::

(4) Fernando Augusto de Costa Cabral (1839-1901), filho de António Bernardo da Costa Cabral, 1.º conde de Tomar e 1.º marquês de Tomar, instaurou o “Cabralismo” em Portugal) )   irmão de António Bernardo da Costa Cabral, 2.º conde de Tomar, foi oficial na marinha, contra-almirante, condecorado com a medalha da Crimeia e cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, e foi ajudante de campo do rei D. Carlos. O pai adoeceu gravemente em Nápoles, , em princípios de Setembro de 1885, sendo trzido para Portugal a bordo da corveta Estefânia, então sob o comando do seu filho Fernando Augusto da Costa Cabral. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Bernardo_da_Costa_Cabrall

Extraído de «O Macaista Imparcial», I-80 de 13 de Março de 1837

NOTAS: O Governador de Macau era Adrião Acácio da Silveira Pinto (1837 a 1843)
A 3 de Novembro de 1828, os mandarins da Casa Branca e de Tch´in-Sán, respectivamente Lei e Chan, publicaram um edital, proibindo os chineses de causar distúrbios na cidade, por ocasião da representação dos auto chinas no Pagode da Barra A 4 desse mês, o mandarim da Casa Branca ordenou que fossem desmanchadas as barracas da Praia Pequena, Barra e outro lugares por serem coutos de maltrapilhos e publicou um edital, proibindo a construção de mais barracas nos referidos sítios (1)
Na Praia Pequena estava instalada uma alfândega chinesa (hopu grande) (2) no Pátio da Mina (freguesia de Santo António). Onde ficava o hopu grande?
A comissão do tombo das propriedades foreiras à fazenda pública, composta por Manuel Castilho, António de Azevedo e Cunha e Eduardo Marques, dizia no seu relatório de 19 de Maio de 1877:
«Julga a comissão conveniente chamar a atenção de S. Exa. o Sr. Governador (3) para o pateo da Mina que tem duas entradas pelas portas n.º B 19 e 32 na rua de N. S. do Amparo. Occupa a área que dantes constituí ao chamado Hopú grande da Praia pequena que foi derrubado por um dos governadores (4) antecessores de S. Exa…” (1)
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. I.  ICM, 1997
(2) O Hopu pequeno estava instalado na Praia Grande
(3) Governador Carlos Eugénio Correia da Silva –1876 a 1879
(4) Governador João Maria Ferreira do Amaral – 1846-18491

“Plan de la ville et des environs de Macao” – 1846
MAPA de Paul François Dupont (1796-1879)
Bibliothèque Nationale de France (1)

No istmo que liga Macau à ilha de Heong Shan havia um destacamento português no Forte de Passaleão, (2) que o Governador Carlos Eugénio Correia da Silva (governo de 1875 a 1879) ali colocara para evitar as malfeitorias praticadas pelos chinas, mas em princípios de Janeiro de 1879, o vice-rei de Cantão exigiu que os soldados fossem retirados desse posto de COSAC (fora das Portas de Cerco), o que o governador cumpriu em 18 de Janeiro de 1879 (2)

Pormenor do mapa anterior – Istmo da Porta do Cerco

No Relatório de 31 de Agosto de 1908, o Governador Pedro Azevedo Coutinho (governo de 1907 a 1908) (3) refere que «o destacamento militar durante muitos anos, a partir de 1849, ocupava o forte de Passaleão, que algum tempo depois foi abandonada por o terreno compreendido entre esse forte e a Porta do Cerco considerado como zona neutra»
Oficialmente, “ O Destacamento em Cosac retira em consequência da “insalubridade do logar (4)
(1) http://lunamap.must.edu.mo/luna/servlet/detail/MUST~2~2~1121~1376:Plan-de-la-ville-et-des-environs-de?embedded=true&widgetType=detail&widgetFormat=javascript  

(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Macau e a sua Diocese I, 1940.
(3) CAÇÃO, Armando A. A. – Unidades Militares de Macau, 1999
(4) Ordem n.º 2 do Quartel General no Governo da Província de Macau e Timor de 18 de Janeiro de 1879 – Ordem à Força Armada publicado no “Boletim da Província de Macau e Timor” XXV-n.º 3.

Deste livro, (1) transcrevo os dados históricos da corveta «D. João I» relacionados com as comissões em Macau; alguns dados não são condicentes com o publicado nas minhas postagens anteriores (2), dados esses que na altura recolhi do Arquivo Histórico da Marinha (3)
Pelo seu armamento em Goa, assumiu o comando o capitão de mar e guerra José António Marcelino Pereira e entrou pela primeira vez no porto de Lisboa, ido de Goa em 1831. O Governo francês, nas lutas entre liberais e miguelistas, tomou conta de vários navios de guerra portuguesa, entre eles, a corveta «D. João I» que enviou para Brest em 11 de Julho de 1831.
Após negociações ao fim de três anos, foi resgatada em 1834, tendo uma guarnição portuguesa chefiada pelo capitão-tenente João Maria Ferreira do Amaral partido e trazido de Brest com partida a 25 de Julho e chegada ao Tejo a 30 de Julho de 1834.

http://portalbarcosdobrasil.com.br/bitstream/handle/01/643/003101.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Na sua oitava comissão (a primeira em direcção a Macau), saiu a 23 de Outubro de 1849, sob o comando do capitão-tenente Isidoro Francisco Guimarães, para a estação naval da América do Sul e dali para a de Macau em viagem sem escalas. Chegou ao seu destino, depois de 105 dias de viagem, isto é, a 25 de Abril de 1851. O comandante Guimarães deixou o comando ao oficial imediato, capitão-tenente Domingos Roberto de Aguiar, em 19 de Novembro por ter sido nomeado Governador de Macau.
A corveta partiu de regresso a Portugal a 27 de Dezembro e chegou a Lisboa em 18 de Agosto de 1852.
Na sua décima comissão, a missão de corveta era exigir das autoridades chinesas uma satisfação oficial e pecuniária pelas depredações e injúrias feitas ao comércio marítimo português pelo famoso pirata Apack que na altura havia atacado e roubado diferentes lorchas macaístas. Largou a 6 e Outubro de 1853 sob o comando do capitão-de-fragata Carlos Craveiro Lopes para a Estação Naval de Macau com escala pelo Cabo de Boa Esperança e Timor.  
Era imediato do navio o 1.º tenente Joaquim de Fraga Pery de Linde e faziam quartos os tenentes Zeferino Teixeira, Silva Costa Fonseca e João Eduardo Scarnichia.
O médico era Faustino José Cabral. Seguiam embarcados 10 guarda marinhas (entre estes Carlos Eugénio Correia da Silva (mais tarde conde de Paço d´Arcos)
Em 1 de Fevereiro de 1854 navegava no arquipélago de Sonda com mar de vaga larga, vento oesnoroeste fresco e céu limpo. Sucederam-se calmas, ventos variáveis e trovoadas que cansaram extraordinariamente a guarnição, pelas repetidas manobras que teve de fazer.
Seguia como intérprete o hábil e honesto João Rodrigues, de Macau. Uma parte da esquadra do pirata encontrava-se entre Ning-Pó e Compó, na força de 6 táo-maus ou juncos e 1 haipó, de 32 peças de artilharia. Parte desta artilharia havia sido da fragata D. Maria II, destruída em Macau pela explosão do seu paiol da pólvora.
Em Macau, cedeu à canhoneira «Camões», 12 carabinas pelo que ficou reduzida a 54 visto terem-se inutilizado as restantes.
Em 14 de Maio de 1854 largou a corveta de Macau com destino a Ning-Pó- Fu, fazendo escala por Hong Kong e Amoy. Entrou em Hong Kong no dia seguinte e largou a 17 para Amoy.
Fundeou diante da cidade de Ning-Pó-Fu a 22 de Junho. (4)
A corveta, em 1856 largou para Portugal e a 18 de Janeiro do ano seguinte entrava o Tejo. Em 1 de Agosto de 1859 tendo terminado as reparações, armou, assumindo o comando o capitão de fragata Feliciano António Marques Pereira.
A Décima primeira Comissão, novamente rumo a Macau (missão: viagem diplomática ao Japão) saiu em 28 de Agosto de 1859, sob o comando do capitão de fragata Feliciano António Marques Pereira, fazendo escala por Luanda, para onde levava passageiros e dinheiro, e por Dili. Apanhou uma tempestade próximo do cabo de Boa Esperança, passou por Batávia (autoridade holandesa) onde esteve 13 dias no porto e de onde saiu em 17 de Janeiro de 1860 em direcção a Dili que alcançou a 24 do mesmo mês – passado 6 dias largou para Macau onde só conseguiu ancorar em 15 de Março, devido a ventos banançosos e contrários.
Em Macau recebeu ordem do Governador para partir para Xangai fazendo escala por Hong Kong. Largou a 27 de Maio, tocou em Hong Kong na madrugada do dia seguinte, e saiu para o norte a 5 de Junho.
No dia 23 fundeou em frente de Wussung, um dos afluentes do Yang-Tsé, e a 29 foi embarcar na corveta o Governador de Macau, capitão-de-mar-e-guerra Isidoro Francisco Guimarães que seguia para o Japão na qualidade de ministro plenipotenciário a negociar um tratado de paz e comércio com os japoneses. A corveta em 5 de Agosto largou para Yokohama a fim de se abastecer e no dia 1 de Setembro subiu o rio Wussung e foi largar âncora em Xangai com a missão de proteger o consulado português (luta na China com os ingleses e franceses) e os mais súbditos portugueses pela maior parte macaístas, que ali se achavam empregados ou estabelecidos.
Em 10 de Outubro por ordem do Governador de Macau, largou para o porto de Amoy a exigir uma indeminização ao governador chino pelos roubos praticados pelos chineses num vapor mercante português. Entrou em Amoy a 14 de Outubro. Por ordem do mesmo governador a corveta largou a 29 para Macau onde entrava a 2 de Novembro para nova missão, em 1861 – segunda viagem diplomática.
A Décima Quinta Comissão foi novamente rumo a Macau, em 1869
A última viagem (décima nona comissão) foi cruzeiro na costa Angolana tendo largado a 22 de Novembro de 1873 e recolheu a Luanda a 10 de Dezembro.
(1) ESPARTEIRO, António Marques (capitão-tenente) – A corveta «D. João I» e o Ultramar Português. Subsídios para a História da Marinha de Guerra XII. Separata n.º 288 do Boletim da Agência das Colónias. 1949.
Este livro está disponível para leitura em:
http://portalbarcosdobrasil.com.br/bitstream/handle/01/643/003101.pdf?equence=1&isAllowed=y
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/corveta-d-joao-i/
(3) https://arquivohistorico.marinha.pt/details?id=2421)
(4) Sobre este combate publicarei numa próxima postagem.

Pela Portaria Provincial n.º 25 de 6 de Fevereiro de 1879, publicado no «Boletim da Província de Macau e Timor» Vol. XXV, n.º 6 de 8 de Fevereiro desse ano, se determinou que o mesmo Boletim se publicaria «em português e em chins, devendo a repartição de sinólogos ser encarregada da traducção de todos os actos offciaes e da revisão e exame de provas para a publicação, a qual será sempre feita com o visto do 1.º interprete sinólogo”.
O despacho é do governador da província, Carlos Eugénio Correia da Silva «Attendendo a que só a publicação em caracteres sínicos poderá facilitar-lhes a leitura de taes actos, pela ignorância quasi completa que têem os chinas da língua portugueza”. Por isso, o Boletim da Província de Macau e Timor “será publicado em português e chinês, devendo a repartição de sinólogos ser encarregada da tradução de todos os actos oficiai
Esta Portaria Nº 25 foi traduzida por Pedro Nolasco da Silva, 1º intérprete.
Para o cumprimento deste despacho, em 4 de Agosto de 1879 (1) foi assinado um contrato feito com Nicolau Tolentino Fernandes proprietário da tipografia mercantil (“visto não haver mais estabelecimentos d´este género n´esta colonia”) para a impressão do Boletim das província e mais papeis imprensa para as diversas repartições.
(1) Publicado no «Boletim da Província de Macau e Timor», XXV, n.º 37 de 13 de Setembro de 1879 p. 210.

Extraído de «BGC III -27, 1927»

Os leitores desta notícia (em Portugal de 1927) terão tomado conhecimento que não haveria biblioteca pública em Macau até esse ano. Mas “oficialmente” em 29-11-1895, o Governando José Maria de Souza Horta e Costa criou uma comissão de professores do Liceu para fazer um Regulamento para a «Biblioteca Pública de Macau» a qual teve como primeiro bibliotecário o macaense Matheus António de Lima. (1) Há, no entanto, outras notícias anteriores de tentativas de se estabelecer em Macau uma biblioteca pública.
Em 16-07-1838, é recomendado, em portaria régia, a formação de um jardim botânico, destinado à cultura de plantas medicinais, usadas pelos chineses, e bem assim a fundação de uma biblioteca, composta principalmente de livros e mapas chineses, japoneses ou escritos em outras línguas orientais e em 27-12-1873, o Governador Visconde de S. Januário aprovou os Estatutos da Sociedade chamada «Biblioteca Macaense», que, no entanto, não se sabe se existiu na prática. (2)
(1) Em 1898, o bibliotecário, Matheus de Lima, apresentava o número de utilizadores, em Boletim Oficial. Como amostra mensal, em Fevereiro, 34 leitores e 36 volumes consultados; em Maio, 24 leitores e obras consultadas. Não estavam descriminadas se eram consultas locais ou domiciliárias. A Biblioteca Nacional de Macau estava aberta das 9 horas da manhã às 4 da tarde (2)
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.

Os dois maiores flagelos que vitimavam as povoações da Taipa e Coloane eram a pirataria e os incêndios.
O Comandante do Posto da Taipa, tenente João Severino da Silva Reis, (1) em ofício de 21-02-1877, comunicava o seguinte à Secretaria do Governo de Macau:
“No dia 18 do corrente (2) pelas 6 horas e 30 minutos da tarde, estando uma tancareira da Vila da Taipa, a queimar papeis debaixo d´uma barraca d´ola do estaleiro do chinês Achio, estes incendiaram a dita barraca, e como rajasse muito o vento N., rapidamente se comunicou o incendio a outro estaleiro próximo, continuando com grande intensidade, reduzindo a cinzas sessenta e uma lojas de differentes géneros, e muitas barracas pequenas, entrando n´estes numero treze, onde habitavam muitos mendigos.
Estão calculadas pelos chineses negociantes d´esta villa, em trinta e duas mil, quatrocentas e quarenta patacas, os prejuízos causados pelo fogo, e muito mais seriam se não fossem os prontos socorros vindo de Macau, pelo motivo da grande falta de meios indispensaveis, havendo apenas uma bomba em mau estado com alguns baldes e os chineses não se prestarem a trabalhar pa. debellarem o incendio , a ponto de me abandonarem nas deligencias que fiz para o extinguir, deixando-me cercado de fortes línguas de fogo, sem poder retirar a bomba, sendo unicamente coadjugado n´este serviço e em derrubar barracas pelos soldados n.º 8 da 2.ª João, 8 da 3.ª Domingos Pereira da Sa. , e os soldados n.º 40 da 1.ª J. M. Vilela, 2.ª 84 José Baptista, 4.ª 27 José Joaquim, e 64 Miguel da Espirito Santo , e o chinês logista Chau – si Sio que trabalhou com muita dedicação e coragem.
Às 7 horas vi com desgosto correr grande risco de perder a povoação, por isso fui à fortaleza repetir os signais, e voltei immediatamente chegando n´essa ocasião o alferes conductor Antonio da Cunha Junior com a companhia de limpeza e seu fiscal, baldes e suas bombas; logo depois desembarcou o alferes Oliveira com um piquete de 15 praças, que foi dividido em patrulhas, e só retiraram no dia seguinte.
Compareceu o Fr. Delegado ajudante de campo de S. Exa, alferes Freitas, Capitão dos Portos com uma força do mar, e marinhagem 1.º sargento Cardozo, e ordenanças do Quartel General mais tarde veio a lancha a vapor trazendo a seu bordo, o capitão com um reforço que não chegou a desembarcar….”
O Governador era então Carlos Eugénio Coreia da Silva, Visconde de Paço d´Arcos (1876-1879)
(1) Tenente João Severino da Silva Reis (comandante do posto militar da Taipa e Coloane de 15-05-1876 a 4-5-1879.
(2) Beatriz Basto da Silva aponta a data de 17-02-1877.
17 -02-1877 – Violento incêndio na Taipa, a partir de uma barraca de ola onde uma tancareira inadvertidamente pegou fogo. O vento Norte fez o resto. Apesar dos sinais lançados da Fortaleza para Macau, por duas vezes, houve demora, falta de ajuda local, nível de chineses, pelo que os prejuízos foram elevados, ardendo 60 lojas, e muitas barracas pequenas, incluindo habitações de mendigos. A bomba de incêndio, uma só e em mau estado, os baldes manuseados por um grupo de soldados extenuados até chegarem mais socorros, tudo contribuiu para o desastre ser tão alastrado”. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995).
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – Taipa e Coloane, 1981.

Camilo Pessanha INSTITUTO 1920 Gruta de CamõesOs fundadores do Instituto de Macau (Da esquerda para a direita: Eng. Eugénio Dias de Amorim, Camilo Pessanha, D. José da Costa Nunes, Com. Correia da Silva (Paço d´Arcos), Humberto S. de Avelar,, Alm. Hugo de Lacerda Castelo Branco, Dr. José António F. de Morais Palha, Padre Régis Gervais, José Vicente Jorge, Dr. Manuel da Silva Mendes, Dr. Telo de Azevedo Gomes e Ten. Francisco Peixoto Chedas) a homenagem ao poeta, na Gruta de Camões, no ano de 1920. (1)
Foi a 15 de Junho de 1920 que foi aprovado os estatutos da Associação Científica, Literária e Artística denominada «Instituto de Macau», criada para promover o estudo da sinologia e da acção e influência portuguesas no Oriente. (2)
Foi nesse ano que o único livro de poemas de Camilo Pessanha «Clepsydra» foi publicado em Lisboa, sem a sua participação (estava em Macau) com edição de Ana de Castro Osório, 1920, 1a edição. (3)
Foi também em 17 de Agosto desse ano que Camilo de Almeida Pessanha foi nomeado para 1.º substituto do Juiz de Direito, da comarca de Macau. (2)
(1) Postal da Colecção «CAMILO PESSANHA no 70º aniversário da publicação do “CLEPSIDRA”». Edição do Instituto Português do Oriente, Macau, 1990.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7).
(3) Há edição fac-símile publicada pela Ecopy em 2009. Graças à iniciativa  de Ana Castro Osório, que publicou o livro a partir de autógrafos e recortes de jornais, os versos de Pessanha se salvaram do esquecimento. Posteriormente, o filho de Ana de Castro Osório, João de Castro Osório, ampliou a Clepsidra original, acrescentando-lhe poemas que foram encontrados. Essas edições foram publicadas em 1945, 1954 e 1969.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Camilo_Pessanha

“Felizmente não teve maiores consequências o incidente que se deu em Macau entre as tropas da nossa guarnição e a população  chineza que enxameia na cidade. As primieras notícias telegráficas, na sua concisão, deixavam antever acontecimentos graves. Originou esse incidente um das praças indígenas de Moçambique, ali em serviço ter na dua passagem, tropessado, sem querer, n´uma chineza que ia pela mão da mãe, levantando esta um berreiro injustificado.
               Soldados africanos guardando um caes que foi fechado
 
Os chinezes, tomando o partido da mulher, amotinaram-se e lançaram-se ao soldado, defendendo-se este valentemente e levando um d´eles preso para a esquadra, mas, ao retirar-se d´ali, a canalha saltou em cima d´ele, deixando-o em estado tão lastimoso que teve de recolher à enfermaria do hospital.
No dia seguinte declarou-se a greve geral e uma multidão enorme acumulou-se sussurrante e agitada  na avenida Marginal, havendo cabecilhas  que incitavam contra os portuguezes. Os manifestantes rodearam a esquadra, ocupando completamente as ruas próximas, formando barricadas e não deixando passar ninguém.
               No quartel – Uma força de soldados africanos, muito temidos pelos chinezes, em parada no quartel

 A força militar encontrava-se isolada e a gentalha ameaçava ruir sobre ela. O tenente sr. Rogério Ferreira (1) resolveu sair d´aquela situação. Um dos amotinados lançou-se-lhe ao pescoço para o estrangular. O oficial puxou da espada, e com ela ainda feriu alguns, mas, por fim, arrancaram-lha das mãos. Não havia paciência que resistisse por mais  tempo Da multidão partiram vários tiros de revolver e um soldado baqueou.” (2)
……………………………………………………………continua
 
NOTA: Embora a “reportagem” não dê a data dos acontecimentos, tratou-se das confrontações entre grupos representativos de associações de classe (operários) e os patrões, iniciadas em 1 de Maio de 1922, com uma manifestação das associações operárias de Macau. Estas confrontações  prolongaram-se por todo o mês de Maio e Junho desse ano.
Por isso o Ano de 1922  ficou conhecido por “Ano da Greve“.
Seguimos os acontecimentos relatados por Beatriz Basto da Silva (3):
“Os ânimos opondo patrão e o operário estão exaltados e, como é comum nesta circunstâncias, as manifestações multiplicam-se. Um incidente entre um soldado moçambicano e uma prostituta chinesa, a 28 de Maio, desencadeia um tiroteio grave, que conduz a troca de explicações entre o Governo de Macau e a autoridade de Cantão, levando ao castigo de militares envolvidos bem como à retirada de Macau do contingente de forças africanas. A 29 de Maio de 1922 é proclamado o estado de sítio em todo o território. A 30 de Maio são convocados todos os cidadãos portugueses válidos a apresentarem-se no Quartel do Corpo de Voluntários (em Santa Clara), a fim de serem mobilizados para o serviço do Governo
Só a firmeza da resposta do Governador, Comandante Corrêa da Silva – Paço d´Arcos às autoridades de Cantão evitou crise maior. A 5 de Junho a situação é considerada calma e normal”

As consequências: exoneração por abandono de serviço (greve) de alguns funcionários, por exemplo da Imprensa Nacional. Outros preferiram pedir a exoneração. Em 08 de Junho é determinado o encerramento de 68 associações de Macau. O estado de sítio prolongaria até finais do mês de Junho.

(1) Será o mesmo (?) que tendo sido promovido posteriormente a capitão, proferiu em 1934, a conferência “Os Portugueses na China e a Fundação de Macau” – ver anterior blogue
               https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/1934/
(2) Artigo não assinado da Ilustração Portuguesa n.º 860, 1922
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1997, 454 p. ISBN-972-8091-11-7.

Foi criada por portaria n.º 345 de 4 de Novembro de 1920 do governador Henrique Monteiro Correa da Silva. (1)
Segundo o Regulamento de 4-11-1920, o professor seria contratado; o curso era gratuito e durava dois anos, sendo o 1.º teórico e o 2.º prático; os exames de passagens constavam de ditados dum trecho, durante 3 minutos, com a velocidade de 130 sílabas por minuto, as provas do exame final constavam de escrita taquigráfica e tradução imediata, em caracteres comuns, dum ditado de 3 minutos co a velocidade de 213 sílabas por minuto.
A   Escola abriu a 15 de Novembro de 1920, mas pouco durou, pois morreu com a retirada do seu fundador. (2)
A Taquigrafia ou Estenografia é o termo geral que define todo o método abreviado ou simbólico de escrita, com o objectivo de melhorar a velocidade da escrita ou a brevidade, em comparação a um método padrão de escrita.(3)
(1) Henrique Monteiro Correa da Silva ( Macau, 1878/1935), capitão-de-Mar -e-Guerra da Armada, Ministro do Ultramar e Governador de Macau de 23-08-1919 a 1922  (4). Filho do Primeiro Visconde e Conde de Paço d´Arcos, Carlos Eugénio Correia da Silva (1834 – 1905), que também Governou de Macau de 1876-1879. Como curiosidade, nunca se encartou com o titulo nobiliárquico, sendo 2.º Conde, o seu filho Henrique Belford Correa da Silva (conhecido como poeta Anrique Paço d´Arcos). Outro filho conhecido: o escritor/poeta Joaquim Paço d´Arcos. (sobre este escritor ver anterior post: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joaquim-paco-d%C2%B4arcos/ 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Eug%C3%A9nio_Correia_da_Silva 
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau. Direcção dos Serviços de Educação e Cultura, 1982, 422 p + |10|
(3) http://pt.wikipedia.org/wiki/Taquigrafia
(4) O Governador que se seguiu, foi Rodrigo José Rodrigues que tomou posse em 5 de Janeiro de 1923