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Após 35 meses de estadia nesta Província Ultramarina o aviso de 2,ª classe «Gonçalo Velho» (1) partiu de Macau no dia 29 de Setembro de 1954. No dia 27, o Comandante José Aguiar Bastos e os oficiais convidaram o Governador, sua esposa e filha e o pessoal do seu Gabinete, assim como muitos amigos, para um Porto de despedida.
Na noite desse dia, o navio apresentava um magnífico aspecto pela brilhante iluminação e bandeiras multicolores de que se ornamentou. Já no dia 23, O Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, havia convidado o comandante do «Gonçalo Velho» e os seus oficiais para um almoço no Palácio de Santa Sancha, a que assistiram também os oficiais da marinha privativa e o Chefe do Gabinete.
Os sargentos da Guarnição Militar de Macau e os seus camaradas do Aviso «Gonçalo Velho» já se tinham reunidos num almoço de confraternização em Março de 1954.
O navio de guerra seguiu viagem primeiro para a Índia Portuguesa e depois regresso a Portugal. (2)

O aviso «Gonçalo Velho» em final da década de 40 (século XX).

(1) O aviso de 2.ª classe «Gonçalo Velho», (3) sob comando do capitão-de-fragata José Coutinho Garrido (4) esteve em Hong Kong em Agosto de  1953 para receber beneficiações e já sob o comando do capitão de fragata José Aguiar Basto, na mesma doca da colónia de Hong Kong,  em Julho de 1954 esteve em reparações. Regressou a Macau em 23-07-1954 («M. B. I.». I – 2, 1953).
(2) «M. B. I.»  I-16 ; II-28 e 29, 1954.
(3) O aviso colonial de 2.ª classe «Gonçalo Velho» lançado em 1933 esteve em serviço desde esta data até 1961, quando foi abatido ao serviço.
Deslocamento de 1500t (1959) com uma velocidade de 16,5 nós. Tinha um comprimento de 81,5 m, boca de 10,8 m e calado de 3,5 m. Possuía um armamento composto de 3 peças de 120 mm e 5 peças de 20 mm, 4 morteiros, 2 calhas para cargas de profundidade (1959). Tripulação/Equipagem: 142.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_Gon%C3%A7alo_Velho
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aviso-goncalo-velho/
(4) Capitão-de-fragata (desde 1951) José Coutinho Garrido foi comandante do aviso «Gonçalo Velho» de Janeiro de 1952 a Março de 1954; fez depois nova comissão em Macau como Capitão dos Portos e comandante da Defesa Marítima de Macau de Setembro de 1955 a Setembro de 1959. (TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau, 1988).

No dia 24 de Abril de 1864, virou-se, no rio de Macau, a barca portuguesa «Tremelga», por estar à cunha e sem lastro a bordo (1)
A barca Tremelga de 371 ton., comandado por G. Marques, deu entrada a 25 de Junho de 1863 no porto de Macau, vindo de Singapura, tenho ancorado no rio. O consignatário da barca era L. Marques.

TSYK, I-30, 28 de Abril de 1864

O relatório do sinistro elaborado em 3 de Maio pelo Capitão do Porto de Macau, João Eduardo Scharnichia (2) de 1864 e dirigido ao Presidente do Conselho do Governo, Dr. João Ferreira Pinto (3) foi publicado no «Boletim Governo de Macao», X-19 de 9 de Maio de 1864, p. 75.

O mesmo Boletim traz o “Expediente Geral” n.º 124, assinado pelo secretário do Governo, Gregório José Ribeiro, de 4 de Maio de 1863 (sic) que confirma a recepção do relatório e aprova as medidas que foram tomadas por João Eduardo Scharnichia desde que o sinistro teve lugar até que o navio voltasse à sua posição natural, bem como louvar os indivíduos indicados no ofício.

«TSYK» I-36 de 9 de Junho de 1864

(1) GOMES. Luís G. – Efemérides da Historia de Macau, 1952.
(2) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-eduardo-scarnichia/
(3) Na ausência do Governador José Rodrigues Coelho do Amaral (de 22-06-1863 a 25-10-1866) que partiu de Macau a 26 de Abril de 1864, para Tientsin, (4) como Ministro Plenipotenciário Enviado Extraordinário de Portugal na China, na intentada missão das ratificações do tratado de 13 de Agosto de 1862, o Conselho do Governo foi chefiada pelo Dr João Ferreira Pinto, como aconteceu anteriormente aquando da partida do anterior governador Isidoro Francisco Guimarães em 30 de Janeiro de 1863 até à chegada do governador Coelho do Amaral em 22 de Junho de 1863.
Sobre o governador José Rodrigues do Amaral, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-rodrigues-coelho-do-amaral/
(4) O Conselheiro Isidoro Francisco Guimarães, governador de Macau de 1851 a 1863 presidiu à missão diplomática que partiu de Macau em 23 de Abril de 1862, chegando a Xangai a 3 de Maio e a Tien-Tsin a 26 do mesmo mês. O Tratado de Tien-Tsin (天津 条约 – Tratado de Tianjin) foi assinado a 13 de Agosto. Regressou a Macau em 9 de Setembro.

Extraído do BGC XXVI-299, Maio de 1950 p. 173
Retirado do blogue http://naviosenavegadores.blogspot.com (1)

NOTA: O Aviso «João de Lisboa» largou de Lisboa a 7 de Março de 1949 para uma comissão de serviço a Macau (chegou a 9 de Maio) e Timor e regressou a 4 de Julho de 1951.
Anteriores referências ao Aviso «João Lisboa» em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aviso-joao-lisboa/
(1) http://naviosenavegadores.blogspot.com/2016/05/memorias-de-um-passado-recente-4.html

Continuação da entrevista dada pelo tenente de engenharia Raul Esteves ao «Diario Illustrado» (1)  cujo excerto publiquei em 22 de Janeiro de 2017 (2). Hoje a segunda parte, intitulada “ A questão do domínio portuguez” (3)
(1) «Diário Illustrado» 22JAN1909
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/22/noticia-de-22-de-janeiro-de-1909-a-defeza-de-macau/
(3) «Diario Illustrado» 26JAN1909

A visita do Comandante-em-chefe da esquadra Inglesa no Extremo-Oriente, vice-almirante Sir Charles Edward Lambe a Macau, no dia 20 de Janeiro de 1954, relatado no «Boletim Geral do Ultramar» de 1954 (1) e publicado neste blogue no dia 20 de Janeiro de 2018, (2) mereceu também uma reportagem mais pormenorizada no «Macau Boletim Informativo» (3)
Em visita oficial ao Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, chegou a Macau no dia 20 do corrente, a bodo do «H.M.S. Alert», o Comandante-em-chefe da esquadra Inglesa no Extremo Oriente, Vice-almirante Sir Charles Edward Lambe.

O Comandante-em-chefe da Esquadra Britânica do Pacífico veio até à ponte da Capitania numa vedeta da Marinha Inglesa

Depois de receber, a bordo, os cumprimentos de boas-vindas do Secretário do Sr. Governador, do Comandante Militar de Macau, do Comandante do Aviso «Gonçalo Zarco, do Capitão dos Portos e do Cônsul de S. M. Britânica, o Vice-almirante Lambe desembarcou na Ponte n.º 1 da Capitania dos Portos, passando em seguida revista à guarda de honra, formada por uma companhia da nossa marinha de guerra.

O Vice-almirante Sir Charles Edward Lambe passa revista à guarda do honra formada por uma companhia do Aviso «Gonçalo Velho»

Dirigiu-se, depois, ao Palácio do Governo, à Praia Grande, onde apresentou cumprimentos ao Governador, que os retribui, a bordo do «Alert», sendo servido em seguida um almoço oferecido pelo Vice-almirante Lambe.

Sir Charles Edward Lambe e o Governador de Macau, Almirante Joaquim Marques esparteiro

À tarde, realizou-se uma recepção no Consulado Britânico a que assistiu o Governador e Esposa, e as mais destacadas entidades do nosso meio social.
O Governador e sua Esposa, homenagearam com um jantar, que se realizou no palácio da Praia Grande, o ilustre visitante, e que assistiram as principais individualidades da Província,

O Governador discursando no jantar de homenagem oferecido ao ilustre visitante no Palácio do Governo, à Praia Grande.

O comandante-em-chefe regressou a Hong Kong na manhã do dia 21, depois de, na companhia do Sr. Governador, ter visitado os pontos de maior interesse da Província.

O embarque, informal, fez-se também na Ponte n.º 1 da Capitania dos Portos, tendo aí comparecido várias individualidades de destaque.

(1) «Boletim Geral do Ultramar» XXIX-345, Março de 1954.
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/20/noticia-de-20-de-janeiro-de-1954-visita-oficial-do-comandante-das-forcas-navais-britanicas-no-extremo-oriente-i/
(3) «Macau Boletim Informativo» I-12 de 31 de Janeiro de 1954 pp-10-12.

O Comodoro Unwin em continência à Guarda de Honra, após o seu desembarque
O Comodoro Unwin na visita ao velho cemitério dos protestantes de Macau

Extraído de «BGU»  XXXII – 367, Janeiro 1956.

Fragata «HMS Cardigan Bay»

Lançamento em 28th December 1944  Início das actividades de defesa em 1945, no Mediterrâneo onde esteve até 1949. Chegou a Hong Kong a 7 de Outubro de 1949, onde esteve estacionado e depois envolvido na Guerra da Coreia 1950-1953. De novo estacionado em Hong Kong com missões em Singapura e na China em 1959-1960.
«HMS CARDIGAN BAY» entrou em reserva em 1961 e dispensado da marinha inglesa em 1962. Posteriormente vendido para uma empresa escocesa.
http://www.naval-history.net/xGM-Chrono-15Fr-Bay-CardiganBay.htm
O Comodoro J. H. Unwin D. S. C. da Royal Navy foi promovido a almirante (“Rear Admirals”) em 8 de Julho de 1957. Retirou-se em 14 de Fevereiro de 1961.
É autor do artigo “Principles of War . The Acid Test”, publicado no jornal “Royal United Services Institution,”, Vol 92, 1947, n.º 566.
Poderá ler parte deste trabalho em:
https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/03071844709433990

Antigamente, o aviso de aproximação dos tufões, aos habitantes e gentes do mar, era feito com hasteamento de bandeira e com tiros de canhão quando o ciclone caía sobre a cidade. Em 1898, a Repartição da Administração Marítima de Macau começou a adoptar as “Bandeiras do Código Internacional para as Letras”, (1) concebidas pelos Serviços Meteorológicos de Xangai, para informar os cidadãos da vinda e direcção dos tufões. O actual sistema de aviso por código de sinais numerados foi adoptado pela Capitania dos Portos de Macau em 1912, em consonância com os sistemas usados nas zonas costeiras da China e de Hong Kong.(2) 
Mas a adopção dum “signal para indicar a probabilidade de taes temporaes, com uma bandeira “toda branca com um quadrado vermelho no centro” acompanhado “com um tiro de peça”, já é de 1862, com a publicação do AVISO emitido pelo Conselho do Governo no Boletim Oficial de 16 de Agosto de 1862.
Extraído do «Boletim do Governo de Macao» VIII – n.º 37 de 16 de Agosto de 1862
(1)
(2) Retirado do Catálogo “Em Tempo de Tufões” do Instituto Cultural do Governo da RAEM., 2014.
Ver anteriores referências a sinais de tufão em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sinais-de-tufao/

Formou-se no Pacífico, no dia 7 de Julho de 1883, atravessou as Filipinas, passando sobre Manila e entrou no Continente perto de Macau, no dia 12 para 13 de Julho de 1883. O temporal por ter levado muito tempo a passar, produziu consideráveis estragos, perderam-se vidas, embarcações, desmoronaram-se casas e os jardins de S. Francisco e Chunambeiro ficaram completamente destruídos. (1) (2)
Velocidade do vento máxima: 110 Km/h
Pressão mínima: 737, 00 mm.
O «Boletim da Província de Macau e Timor», no suplemento n.º 28 (Vol. XXIX), de 19-07-1883, traz vários relatórios dos diversos serviços do território. Hoje apresento o da Capitania do Porto de Macau de 17 de Julho assinado pelo 2.º tenente, Demétrio Cinatti (3).(1) NATÁRIO, Agostinho Pereira – Tufões que assolaram Macau, 1957.
(2) “12-07-1883 – Grande tufão assolou a cidade de Macau. O tufão desta data danificou muito o edifício que tem servido de quartel ao destacamento da Taipa” (SILVA, Beatriz Basto da Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.)
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/demetrio-cinatti/

Apresento o livro: “O Jardim do Encanto Perdido – Aventura Maravilhosa de Wenceslau de Moraes no Japão”, que começou a ser escrito por Armando Martins Janeiro (1), em Tokushima , em 1 de Julho de 1954,  dia da inauguração do monumento a Wenceslau de Moraes, e acabado de escrever em Tóquio, em Novembro do mesmo.

A edição original foi de 300 exemplares, “em papel arroz japonês, ilustrada com estampas a cores gravadas, por meio de blocos de madeira, em papel especial japonês, na Adachi Hanga Kenkyujo, de Tóquio, e impressa na tipografia Yoshikawa-do, de Tokushima, e na tipografia da Livraria Simões Lopes, do Porto. Foram publicados vários capítulos no jornal «O Comércio do Porto», onde Wenceslau de Moraes deu a conhecer, também em folhetim, a mais importante parte da sua obra” (extraído última página do livro)
Da parte interior da contra-capa retiro o seguinte:
SOBRE ESTE LIVRO: O Jardim do Encanto Perdido
Até hoje houve apenas um ocidental que se passou para o modo de vida oriental e que nos deixou o relato da sua invulgar experiência – foi o português Wenceslau de Moraes. Moraes foi viver para o Oriente, para o Japão, com o simples propósito de encontrar a felicidade, depois de se convencer que o sistema europeu perdeu o sentido fundamental da vida, se afastou do espírito essencial da obra da criação. Desiludido dos ideais do Ocidente, abandonou a sua carreira de oficial de Marinha e de cônsul ´, a família, a sua terra, por outro ambiente social e outros ideais, que lhe pareceram mais sãos e mais conformes à natureza humana. Moraes foi a primeira vítima da atmosfera de frustração e descrença em si mesma que invadiu a Europa já antes da primeira guerra mundial.. (…)
A pedido dum japonês, o próprio Wenceslau de Moraes traça a um ano antes de morrer a sua biografia, e em relação a Macau refere (in pp. 43-44)
De Macau visita repetidas vezes a China e o Japão. Com o lugar de imediato acumula outros cargos: é inspector da importação e exportação do ópio por um ano; é professor de língua portuguesa no Seminário de São José. Aluga uma casa que mobila, cuidadosamente, «descendo às minuciosidades». Gosta de observar os vizinhos chineses na sua lida diária, o formigueiro humano que passa na rua, dos garotos, das mulheres, dos vendilhões, dos mendigos. Com a sua predilecção pelas ciências naturais, vai plantando o seu jardim, madrugador, «passando as manhâs num cómico afã de jardinagem». Tem um companheiro, um cão chinês, Kowloon.
Começa Já a escrever impressões da vida de Macau, do que vê nas curtas visitas à China, pequenas histórias extraídas do que, no espectáculo que o cerca, lhe encanta os olhos ou lhe comove o coração sensível. Tem um grande amigo em Macau, o poeta Camilo Pessanha, a quem dedica as «Paisagens da China e do Japão».
Nas suas viagens ao interior da China, que nunca levou muito longe, poor terra, ou no seu barco, vai conhecendo o povo e a sociedade, que o repelem pela promiscuidade e mau cheiro das imundícies…(…)
Em 1898 teve um enorme desgosto na sua carreira – foi preterido no preenchimento da vaga de Capitão do porto de Macau por um oficial de patente inferior à sua. Orgulhoso e sensitivo como era, nºão quis ficar, como imediato, debaixo da autoridade do coelga menos qualificado. Surgiu-lhe a ideia do Japão, que desde há muito o atría. Pede ao Governo que o nomeie Cônsul no Japão. O pedido é atendido.Em 1899 vem instalar-se em Kobe.

Wenceslau de Moraes ajoelhado sobre as esteiras de palha de arroz (tatami), ao lado do braseiro (hibachi), como um japonês. Em frente, a caixa de fumar (tabako-bon) , onde se põe o tabaco, o lume sempre aceso e o delgado cachimbo japonês (kiseru)

(1) Armando Martins Janeiro viveu três anos no Japão, (como Primeiro Secretário de Legação em Tóquio, de 1952 a 1955; viria posteriormente a exercer funções de Embaixador de Portugal em Tóquio, de 1964 a 1971), visitou lugares e conversou co pessoas que conviveram  com Moraes, na pequena cidade de Tokushima, e reuniu grande número de documentos e escritos inéditos, de fontes japonesa e portuguesa.
Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/armando-martins-janeiro/
JANEIRO, Armando Martins – O Jardim do Encanto Perdido – Aventura Maravilhosa de Wenceslau de Moraes no Japão, Manuel Barreira-Editor, Porto, 1956, 245 p. + XCIX anexos “101 Bilhetes Postais Ilustrados de Wenceslau de Moraes”
Traduzida para japonês uma versão resumida – Yoake no Shirabe (Em Busca da Madrugada) – a que se juntaram os estudos Lafcadio Hearn e Wenceslau de Moraes – Dois Intérpretes do Japão e Bases Ocidentais e Orientais para um Humanismo Universal; tradução de Minako Nonoyama, Katsura Shobo, 1969.

Aviso publicado no «Boletim do Governo de Macau e Timor,» XVIII – n.º 20 de 11 de Maio de 1872
Escaler – Pequena embarcação de quilha ordinariamente de remos ou vela, para serviço de um navio ou de uma repartição ou estação marítima. pública.
João Eduardo Scarnichia (1832 – 1888) -斯卡尼西亚capitão-de-mar-e-guerra da Marinha
Aos treze anos, assentou praça na Armada, iniciando-se muito cedo na vida do mar. Após frequência da escola Politécnica, foi promovido a guarda marinha em 1841 e embarca neste posto no vapor Mindelo.

Annaes Maritimos e Coloniaes, 1846
http://library.umac.mo/ebooks/b31365243f.pdf

Em Fevereiro de 1848 completa o curso da Escola Naval sendo promovido a guarda-marinha efectivo. Envolve-se nas lutas liberais que deflagraram em 1846 sendo deportado. É integrado no Exército de operações em Janeiro até Agosto do mesmo ano, voltando a embarcar no Mindelo. E nesse mesmo ano é-lhe concedido o grau de cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada.
Em 3 de Setembro de 1853, passou à corveta D. João I que largou de Lisboa a 6-10-1853 chegando a Macau em 1854 sob o comando do capitão-de-fragata Carlos Craveiro Lopes, levando na viagem 6 meses e vinte e tantos dias (passando pelo cabo de Boa Esperança e Timor).
Em 1854 passou a comandar, no posto de 2.º tenente, a lorcha de guerra Amazona Promovido por distinção (várias expedições contra a pirataria nos mares da China) em 12-11-1854, a 1.º tenente.
Casou em Macau a 15-07-1856 na Sé Catedral com Maria Kikol Goularte (nascida em Macau)
Nomeado Capitão do Porto de 1861 a 1876, sendo nesse tempo promovido a capitão-tenente e capitão-de-fragata e
Comandante da Polícia Marítima de 1868 a 1876. Em 16-08-1876 foi promovido a Capitão-de-mar-e-guerra, Regressou a Portugal em 1877.
Em 1877, (1) foi eleito deputado pelo círculo de Macau cargo que exerceu até à sua morte, em 26 de Fevereiro de 1888 (no posto de contra-almirante) vítima de congestão cerebral.
Informações de TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com  Macau, 1988.
Anteriores referências a João Eduardo Scarnichia em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-eduardo-scarnichia/
(1) Foi João Eduardo Scarnichia que, como deputado, teve uma intervenção no parlamento em 1880 chamando a atenção da decadência e incúria do jardim de Camões e da necessidade de aquisição do espaço por parte do Governo. Esta aquisição sé seria concretizada em 1885 com a intervenção do Governador Tomás Roa e do comendador Lourenço Marques
Ver
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/page/3/ 
卡尼西 mandarin pīnyī: sī qiǎ ní xī yà; cantonense jyutping: si1 kaa1 nei4 sai1 ngaa3
Do «Diário Illustrado» de 26 de Setembro de 1878 (n.º 1972) na coluna  “High Life” extraí esta nota social: