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O cemitério de S. Miguel foi inaugurado no Dia de Finados, a 2 de Novembro de 1854. Anteriormente a esta data, os mortos eram sepultados no cemitério de S. Paulo. Como este estivesse muito arruinado e as paredes ameaçassem desmoronar-se, em 14 de Outubro de 1852, o governador Isidoro Francisco Guimarães por portaria, ordenou um empréstimo sem juros, por subscrição pública (que chegou a 720 patacas oferecidas por nove cidadãos, concorrendo o governo com 230 patacas) para construção dum novo cemitério a ser construído fora da porta da cidade.
O sítio escolhido foi num pequeno outeiro, o actual Cemitério de S. Miguel.
Excerto do relatório do Padre Francisco Anacleto da Silva, administrador do cemitério de S. Miguel, (1) nomeado presidente duma comissão em 1867, pelo governador José Maria da Ponte e Horta, para avaliar o estado do cemitério de S. Miguel e propor os melhoramentos necessários.
“Antigamente se enterrava nas igrejas e os rendimentos ficavam para a fabrica das mesmas, porem por decreto de 21 de setembro de 1835 foi prohibido esses enterramentos, e mandou se estabelecer cemitérios muralhados em todas as povoações e fora dos limites dellas, passando a sua administração ao municipio.
Em Macau, ao que parece, foi em 1836 que se observou esse decreto aproveitando-se para esse fim, as ruínas da igreja de S. Paulo, incendiada em 1835. Este cemitério foi construído pela Santa Casa de Misericordia, e depois reclamado pela autoridade ecclesiastica, indemnizando-a das despezas que nelle fizeram…” (2)
Do mesmo relatório, na conclusão, a Comissão propunha o seguinte:
A capela de maiores dimensões e com melhor ventilação”, proposta pela comissão só foi construída e inaugurada em 5 de Junho de 1875 pelo Governador do Bispado António Luís de Carvalho tendo a planta desse edifício sido desenhada pelo Barão do Cercal. (3)

A capela do cemitério de S. Miguel Arcanjo, um dos poucos edifícios de Macau em estilo manuelino, no ano de 1956 (4)

(1) A Administração do Cemitério de S. Miguel Arcanjo até 27 de Novembro de 1868 estava a cargo da Diocese; a partir desta data, a administração e a manutenção do cemitério foi transferida para o Leal Senado.
(2) «Boletim do Governo de Macau e Timor», Vol. XIV, n.º 14 de 6 de Abril de 1868.
(3) Ver anterior postagem em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/06/05/noticia-de-5-de-junho-de-1875-inaugura-cao-da-capela-do-cemiterio-s-miguel/
(4) «MBI» IV-79, 15NOV1956.

Foi inaugurada a capela de Cemitério de S. Miguel, (1) pelo governador do Bispado, o padre António Luís de Carvalho, (2) tendo a planta desse edifício sido desenhado pelo Barão do Cercal. (3) (4)  Assistiram à inauguração, o Presidente do Leal Senado, camaristas, pessoal do Seminário e vários outras individualidades, tendo o Padre António Luís de Carvalho procedido à bênção solene da capela, celebrando, em seguida, ali a primeira missa.

Capela de S. MiguelCAPELA DO CEMITÉRIO DE S. MIGUEL NA DÉCADA DE 80

No átrio dessa Capela lêem-se as seguintes inscrições nas bases de duas colunas

Delineada                         Começada em
por                                       1874
Barão                                Concluído em
do                                         1875
Cercal

Recorda-se que o cemitério de S. Miguel foi benzido a 2 de Novembro de 1854, pelo Bispo D. Jerónimo José da Mata e entregue a sua posse ao Leal Senado em 1869.

A pequena capela existente no cemitério de São Miguel do Arcanjo construído com o objectivo de efectuar os ritos católicos funerários daqueles que iam ser sepultados neste cemitério, merece ser visitada. Esta pequena capela é um dos edifícios mais bem conservados em Macau. O exterior está pintado a verde e branco. Um vitral filtra luz colorida para o interior da capela.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Capela_de_S%C3%A3o_Miguel_(Macau)

(1) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/02/noticia-de-2-de-novembro-de-1854-cemiterio-de-s-miguel/
(2) António Luís de Carvalho foi Governador do Bispado entre 1870-1875, no período da vacância (1857-1877) (designa-se vacância, o cargo, neste caso, Bispo de Macau, que ficou vago enquanto não é preenchido por nova nomeação)
Durante a sua governação, foi criado o asilo para pobres e uma escola de português para chineses (1872); o Seminário de S. José, dirigido pelos jesuítas desde 1862, foi secularizado em 1871; e faleceu a última clarissa local (1875).
(3) 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo. Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/barao-de-cercal/
(4) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.

No dia 2 de Novembro de 1854, foi inaugurado o Cemitério de S. Miguel Arcanjo. Antes da construção deste cemitério, os mortos católicos eram enterrados, nas paredes arruinadas da Igreja de S. Paulo. (1) (2)
Em 14 de Outubro de 1852, por o cemitério de S. Paulo se encontrar muito arruinado, ameaçando desmoronamento das paredes que ainda se encontravam de pé, e onde se enterravam os mortos, ordenou o Governador Isidoro Francisco Guimarães um empréstimo, por subscrição pública, para a construção dum novo cemitério a ser construído fora da porta da cidade (1) (3)
No entanto, há informação que no lugar onde está o cemitério (“que ficava para os lados do Bairro de S. Lázaro”), em 1849, já se enterrava católicos chineses. E a partir de 1852 uma postura do Leal Senado veio fundir com o de S. Miguel (3)
A Benção do Campo Santo de S. Miguel Arcanjo foi feita pelo Bispo D. Jerónimo da Mata,(4) sendo dois dias depois sepultado o primeiro cadáver (Zenóbia Maria Luísa de Freitas).

Cemitério de S. MiguelA capela foi construída somente em 1875.

Em 8 de Fevereiro de 1877, o Cemitério de S. Paulo foi considerado propriedade do Estado (estava na posse da Câmara Municipal desde 24 de Agosto de 1874) e classificada como nacional. Os jazigos e restos mortais que ainda aí se encontravam foram removidos para o cemitério de S. Miguel. (5)

O Regulamento do Cemitério «São Miguel Arcanjo» foi publicado em 29-06-1925.

Do livro de Amadeu Gomes de Araújo (6) retiro:
“…inaugurado, em plena época do liberalismo, o novo cemitério acabou por crescerá sombra do romantismo, tornando-se uma réplica do Cemitério dos Prazeres em Lisboa, com pequenas nuances orientais …(…). Sendo o romantismo a componente cultural do liberalismo, os arranjos, a decoração e a estatutária que lentamente foram invadindo aquele campo santo, acabaram por reflectir uma postura romântica perante a morte. O mármore é um elemento fundamental. Os vivos rejeitam a morte, e, porque desejam anular os efeitos putrefactivos da terra, transformaram os cemitérios em enormes aglomerados de mármore.
Embora a maior parte das estátuas e outros símbolos tenham sido produzidos numa fábrica de mármores de Hong Kong, a simbólica do cemitério é ocidental e cristã, ocupando o crucifixo um lugar de relevo.”
(1)   GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(2)   SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)
(3)   A Portaria Provincial N.º 95, de 14-10-1952, manda abrir subscrição para um empréstimo destinado a construir um cemitério e regula a forma de o realizar.(2)
(4)   D. Jerónimo José da Mata (1804 – 1865) foi bispo de Diocese de Macau de 28-03.1845 a 25-09-1862. Após concluir os estudos teológicos, em Macau, foi ordenado presbítero em 19.12.1829.Foi professor no Seminário de S. José. Em 17-06-1844 foi nomeado bispo-coadjutor de Macau. D. Jerónimo da Mata desempenhou um papel fundamental na reconstrução da Sé de Macau que ele próprio consagrou em 14 de Fevereiro de 1850 e na ampliação do Recolhimento de Santa Rosa de Lima Reorganizou também o Seminário de S. José.
http://www.gcatholic.org/dioceses/diocese/maca1.htm”>http://www.gcatholic.org/dioceses/diocese/maca1.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jer%C3%B3nimo_Jos%C3%A9_da_Mata
(5)   A Portaria Provincial n.º 13, de 08-02- 1877, manda considerar propriedade do Estado, classificada como nacional, o Cemitério de S. Paulo, indevidamente entregue à Câmara Municipal; e dão-se instruções para a remoção dos jazigos e restos mortais ali existentes para o Cemitério de S. Miguel (2)
(6)   ARAÚJO, Amadeu Gomes de – Diálogos em Bronze, Memórias de Macau. Livros do Oriente, 2001, 168 p. + |4|, ISBN 972-9418-88-8

NOTA: A foto foi retirada de http://www.iacm.gov.mo/p/facility/introduction/grave

Pode-se ver fotos do Cemitério de S. Miguel Arcanjo e da Capela de S. Miguel no blogue “Orient´Adicta”:
http://oriente-adicta.blogspot.pt/2013/05/o-cemiterio-de-s-miguel-arcanjo-e.html