Archives for posts with tag: Canhoneira Camões

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», II- 21, de 10 de Fevereiro de 1874.

O episódio referido, assalto e roubo do ópio na Praia Grande, foi a 9 de Setembro de 1873 e relatado no mesmo jornal em 14 de Outubro.

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», II- 4, de 14 de Outubro de 1873

Extraído do «B. G. M.» XII-23, 1866.
Anteriores referências à canhoneira «Camões» em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-camoes/

No dia 25 de Setembro de 1869, a canhoneira a vapor «Camões» do comando do Capitão-Tenente Gregório José Ribeiro foi enviada até à ilha dos Ladrões, à procura do barco que na tarde do dia 24, atacara a barca da Confederação Germânica do Norte (1) «Apenrade» (2) , nas proximidades da ilha Potoe, não conseguindo, porém, encontrar quaisquer vestígios dos piratas cuja lorcha veio a ser capturada, na madrugada do dia 28 sob um violento temporal, no canal conhecido por Broadway. (3)
Este episódio vem noticiado  em dois jornais (disponíveis na net).

No « The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits Settlements, Malay States Siam, Netherlands India, Borneo, The Philippines, &c.» (4)
Set, 24: Piratiacl attack on the German barque «Apenrade», near Macao, 1869″
pirataria-25set1869-i

e no « Sacramento Daily Union, Volume 38, Number 5821, 23 November 1869» (5)
pirataria-25set1869-iiConsiderable sensation has been created in Hongkong by a piratical attack of a most daring nature, made upon the N. G. bark Apenrade, while lying at anchor becalmed near Macao Roads. The captain was wounded, but not seriously, and one of the crew is missing. One of the men concerned in the murder of Williamson is in custody, and admits having followed the boat from Tientsin.

O S.S. «Apenrade», em 18 de Setembro de 1906, encalhou ficando danificado e afundou-se na Ilha Stonecutter em Hong Kong. (6)
pirataria-25set1869-iiiA barca de nacionalidade alemã, propriedade de Michael Jebsen,  era um navio de transporte de cargas, construído em 1892  nos estaleiros de Hamburgo por Blohm & Voss, de 973 ton. e com uma velocidade 10 nós. (7)
 
Outra informação recolhida:  a barca estava atracada nos portos de Singapura no dia 8 de Maio de 1869 (8)
pirataria-25set1869-iv(1) A Confederação Germânica do Norte ( 1867-1871) (no mapa: a vermelho) foi formada em 1867, após a dissolução da Confederação Germânica (fundada em 1815)  Integrava 22 estados do norte da Alemanha, e durou apenas até a fundação do Império Alemão, em 1871. Teve, porém, o condão de fortalecer o controle da Prússia sobre a Alemanha setentrional (papel semelhante desempenhou a Zollverein no sul do país). Ficaram de fora da Confederação a Áustria e a Baviera.
pirataria-25set1869-vhttps://en.wikipedia.org/wiki/North_German_Confederation
https://en.wikipedia.org/wiki/North_German_Confederation#/media/File:Map-NDB.svg
(2) Na pronúncia alemã, Apendorade é hoje a cidade  de Abenrá ou Aabenraa (Schleswig, Dinamarca). A cidade pertencia à Prússia e portanto  à Confederação Germânica do Norte de 1864 a 1871, data em que passou a pertencer ao Império Germânico. Em 1920 por plebiscito, a cidade foi cedida à Dinamarca.
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(4) «The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits Settlements, Malay States Siam, Netherlands India, Borneo, The Philippines, &c. »
https://books.google.pt/books?id=WYxEAQAAMAAJ&pg=PR53&lpg=PR53&dq=apenrade
(5) «Sacramento Daily Union, Volume 38, Number 5821, 23 November 1869».
http://cdnc.ucr.edu/cgi-bin/cdnc?a=d&d=SDU18691123.2.24
pirataria-25set1869-vi(6) Ilha Stonecutter ( 昂船洲; cantonense jyutpingngong5 syun4 zau1) – ilha na baía Vitória de Hong Kong. Com os aterros deixou de ser ilha e passou a fazer parte da península de Kowloon.
(7) http://www.wrecksite.eu/wrecked-on-this-ay.aspx?In4uSHWnpvKQ8xNnEMpQaQ==
(8) « The Straits Times»,  de 8 de Maio de 1869, p. 4.
http://eresources.nlb.gov.sg/newspapers/Digitised/Article/straitstimes18690508.2.14.aspx

Sendo os meses de Verão propícios aos tufões nesta zona do Pacífico, é natural que nos meses de Julho, Agosto e Setembro surjam sempre notícias referentes a temporais,  tufões ou ventos fortes que passaram por Macau.
Tufões q assolaram Macau - Gráfico e frequência

Gráfico da “Época e Frequência dos Tufões” (1)

Assim neste dia de 2 de Setembro de 1709:
Neste dia houve hum tao grande temporal nesta Cidade, que fes crescer as agoas fóra dos seus limites, quebrarão os mares toda a praia grande e casas della, e na praia pequena se encherão os Gudões das mesas cazas de agoa, a qual sobio a tres covados de alto dentro delles, durando esta enchente desde 6 horas da manhãa athe as nove da noite sem deminuir. No vasar chegarão as Lorchas a receberem o fatto que estava nas boticas. Em fim não há lembrança a mais remota de que houvesse nesta Cidade outra semelhante ” (2)
E no mesmo dia, mas de 1871: (1)
No dia 2 de Setembro de 1871, passou pela cidade um violento tufão afundando-se na ponta de Kaó (Taipa) a barca holandesa «Rolina Maria» e a galera russa «Vístula». A primeira perdeu sete homens da sua tripulação de 16 homens e da segunda salvou-se toda a tripulação de 22 homens . O brigue português «Conceição de Maria», pertencente a Francisco Manuel da Cunha, que saía para Yokohama, com carga de açúcar e vinho, naufragou na ponta de Kai Kiao (Ponta Cabrita), salvando-se toda a sua tripulação. A corveta «Duque de Palmela», do comando do Capitão-Tenente Gregório José Ribeiro, a galera «D. Maria Pia» e a canhoneira «Camões» sofreram grandes avarias, em consequência dos embates com o barcos chineses dos quais 150 ficaram danificados.” (3)

crveta Duque da Palmela 1864-1913A corveta DUQUE DE PALMELA  (1864 – 1913) (4)

A corveta «Duque de Palmela» (arvorava 3 mastros) que esteve algum tempo destacada em Macau,  foi construído no Arsenal de Lisboa e era uma corveta de propulsão mista (vela/vapor) da Armada Portuguesa. Serviu de 1864 a 1875, passando a  navio escola entre 1876 e 1913 em Lisboa e Faro, sendo depois desmantelado.
Características:
Deslocamento: 952 tons.
Armamento:  12 peças de 32 mm e com um rodízio (Brackeley) de 56 mm
Dimensões: 50 metros de comprimento; 9 metros de boca; 4,50 metros de calado
Propulsão: 1 máquina a vapor (acoplada a 1 veio = 7 nós ), desenvolvendo uma força de 150 hp.
Guarnição: 164 homens incluindo oficiais. (5)
(1) Referência ao mesmo tufão mas com data de 3 de Setembro de 1871: ” Formou-se no Pacífico, passou na ilha de Luzon e afectou seriamente Macau. Naufragaram na ponta de Ká-Hó a barca holandesa «Rolina Morim» e a galera russa «Vístula». Também se afundou o lugre português «Conceição Maria» A pressão desceu até 717,85 mm” (NATÁRIO, Agostinho Pereira – Tufões que Assolaram Macau, 1957) e (SIMÕES, Joaquim Baião – Macau e os Tufões, 1985).
(2) BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado, 1987
(3) GOMES, Luís G. –  Efemérides da História de Macau, 1954.
(4) https://www.revistamilitar.pt/artigo/1065
(5) localhttp://alernavios.blogspot.pt/2016/01/duque-de-palmela.html
Referência anterior à corveta «Duque de Palmela»
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/corveta-duque-de-palmela/

O 2.º tenente João Eduardo Scarnichia (1) da guarnição da corveta D. João I, (2) foi nomeado, em 10 deste mês, comandante da lorcha Amazona que fez de vela, às 11.30 horas em direitura a Coulan, onde avistou na baía muitas embarcações de piratas, tendo uma delas disparado um tiro que foi imediatamente respondido. A Amazona foi fundear próximo do «Canton», onde estava o comandante do «Encounter», que lhe comunicou tencionar bloquear o porto durante a noite, para atacar os piratas na manhã seguinte. À vista encontravam-se mais cinco barcos a vapor, o «Barracuda», o «Encounter», o «Styx» e o «Charles Forbes», todos ingleses, e o americano «Queen». Pouco depois das 9.00 horas, a Amazona recebeu ordens para romper fogo, batendo as fortificações que os piratas tinham construído à beira mar, a fim de proteger o desembarque das forças anglo-americanas. Uma hora depois, efectuado o desembarque, a Amazona cessou o fogo e Scarnichia desembarcou com 11 soldados da Naval e 16 praças da marinhagem, com os guarda-marinhas J. J. d´Almeida e Álvaro A. M. da Silva, a fim de se juntar às forças anglo-americanas. Os piratas fugiram para as montanhas. Foram capturadas nesta acção 22 peças, sendo o maior calibre 12, queimaram-se 60 embarcações de diversos tamanhos e destruíram-se quatro povoações abandonadas. Perderam-se apenas 2 homens da força americana. (3)
Sobre esta importante acção naval conjunta, o Comandante-Chefe das Forças Navais Inglesas, Contra-Almirante J. Sterling enviou ao Governador de Macau um honroso ofício, em que se exalta a actuação da Lorcha de Guerra «Amazona» e o brilhante comportamento do seu jovem Comandante, nos seguintes termos: (4)
«Bordo do navio Winchester, de S. M. B., surto em Hongkong, 21 de Novembro de 1854.
Ex.ª J. Guimarães, Governador de Macao.
Ex. mo Sr.–A expedição contra a grande força dos piratas, reunidos na ilha de Tylo, tendo cumprido satisfactoriamente o seu objectivo, como V. Ex.ª melhor verá pela cópia inclusa da exposição feita pelo Capitão O´Colloghan; tenho a honra de expressar a V. Ex.ª a minha gratidão pelas informações tão francamente dadas por V. Ex.ª préviamente áquelle serviço, e pelo auxilio prestado á expedição com a cooperação da Amazona. V. Ex.ª conhecerá pelo offido do Capitão O´Colloghan a honrosa menção que elle faz, do brilhante, e habil comportamento do Sr. João Eduardo Scarnichia, commandante da Amazona, e permitta-me V. Ex.ª que eu lhe rogue se sirva tarnsmittir áquelle official o meu respeitoso reconhecimento pelos seus serviços. V. Ex.ª conhecendo desde ha muito tempo a minha pessoal inclinação para com a nação a que pertence o Sr. Scarnichia, facilmente compreenderá o grande prazer que eu tenho em ver-me habilitado a fallar por tal modo da conducta da Amazona. Tenho a honra de ser de V. Ex.ª muito obediente e humilde criado–J. Stirling, Contra-Almirante e Commandante em chefe.”

(1) João Eduardo Scarnichia (1832- 1888) guarda marinha em 1841, colocado na corveta D. João I em 1853, chega a Macau em 1854. Casou na Sé de Macau com Maria Nikol Goularte em 1856. Em 10 de Novembro de 1854, passou a comandar no posto de 2.º tenente, a lorcha de guerra Amazona. Por esta brilhante acção de 12 de Novembro de 1854, foi promovido por distinção em 12-11-1854, a 1.º Tenente. Do comando da Amazona passou a desempenhar o cargo de Capitão do Porto de 1861 a 1876. Depois foi comandante da Polícia Marítima durante 8 anos (1868-1876) e posteriormente em 1877 foi eleito deputado pelo círculo de Macau. Reeleito, exerceu o cargo de deputado até à morte. (TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau)
(2) A corveta D. João I largou de Lisboa a 6-10-1853, chegando a Macau em 1854 sob o comando do capitão-de-fragata Carlos Craveiro Lopes, com escala pelo Cabo da Boa Esperança e Timor, levando na viagem 6 meses e vinte e tantos anos.
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau.
(4) http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP159/PP1592071.HTM
NOTA: pode-se ler o relatório que o Tenente Scarnichia dirigiu ao Governo, pelo Ofício de 13NOV1854 em:
http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP159/PP1592071.HTM

João Eduardo Scarnichia AlmanaqueDo “Almanach Luso-Chinez de Macau para o Anno de 1866”

Anterior referência a João Eduardo Scarnichia em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/24/noticia-24-de-setembro-de-1865-farol-da-guia/

Realizou-se um baile, no Teatro D. Pedro V, dedicado pelos seus habitantes de Macau ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral, (1) tendo o Governador de Hong Kong, sir Richard Graves Macdonell (2) e esposa vindo assistir, em agradecimento pelos actos de Coelho do Amaral para com a Colónia Inglesa. (3)

(1)   José Rodrigues Coelho do Amaral (1808-1873) foi governador de Macau de 22-06-1863 a 25-10-1866. A 26-10-1866, tomou posse do cargo de Governador o Conselheiro José Maria da Ponte e Horta.
O Conselheiro José Rodrigues Coelho do Amaral partiu no dia 30-10-1866, na canhoneira a vapor «Camões», tendo recebido dos habitantes as mais calorosas demonstrações de espontâneo agradecimento pelo bom governo que fez. (4)
(2)   Sir Richard Graves Macdonell (1814-1881), foi governador de Hong Kong de 19-10-1865 (segundo wikipédia) a 1972.
Beatriz Basto da Silva aponta a data da chegada do governador a Hong Kong (4)
“11-03-1866 – Desembarca em Hong Kong o Governador daquela colónia , Sir Richard Graves MacDonell, que granjeou as maiores simpatias da comunidade portuguesa ali residente.”
(3)   GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(4)   SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p. (ISBN 972-8091-10-9)