Archives for posts with tag: Campo Desportivo Coronel Mesquita (Tap Seac)

Continuação da publicação dos postais constantes da Colecção intitulada “澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao”, emitida em Setembro de 2009 pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau (1)

Coreto da Avenida Vasco da Gama

Contíguo a este largo (onde está o monumento a Vasco da Gama, planeado para ser levantado em 1898, mas só inaugurado a 31 de Janeiro de 1911) e do lado da estrada da Victoria procede-se actualmente à construção d´um coreto para música, ao centro d´um pequeno jardim, sendo este jardim fechado por duas rampas circulares d´acesso da Avenida para a estrada da Victoria que devem produzir um lindo efeito.” (artigo do engenheiro Augusto César d´ Abreu Nunes (2) , em 1898, publicado no “Jornal Único”) (3)
Os actuais Jardim da Vitória e Jardim de Vasco da Gama, são o que resta da antiga Avenida Vasco da Gama, aberta em 1898, por ocasião do IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia.
Essa avenida, que com mais propriedade, se deveria chamar alameda ou mesmo pequeno parque, tinha 500 metros de comprimento e 65 de largura. Progressivamente, a partir de 1935, foi retalhada para receber equipamentos urbanos como o campo desportivo do Tap Seac, as escolas primária oficial Pedro Nolasco da Silva e Luso-chinesa Sir Robert Ho Tung, uma piscina municipal e mais tarde, uma unidade hoteleira (Hotel Estoril)” (4)
Ao longo da Avenida corriam dois parques de árvores de S. José (Ficus chloro-carpas) que lhe davam um aspecto bucólico de frescura campestre… (… ) Do lado N. a Avenida terminava pelo Jardim da Vitória , que era de forma circular com 58 m de diâmetro, sendo torneado pela rua central da Avenida. (5)
(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/postais/
(2) A avenida Vasco da Gama foi projectada pelo engenheiro Augusto César d´Abreu Nunes.
(3) O “Jornal Único” publicou-se, num único número, no dia 20 de Maio de 1898,
com óptima apresentação e interessante colaboração, em comemoração do 4. º Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(4) ESTÁCIO, António J. E.; SARAIVA, António M. P. – Jardins e Parques de Macau. Instituto Português do Oriente, 1993, p. 36.
(5) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. I, 1999, pp. 228.

Notícias do “Diário de Notícias” reproduzidas no Boletim Geral do Ultramar (1) referente ao Natal de 1953, nomeadamente ao bodo dos pobres e instituições de caridade.

D. Laurinda Marques Esparteiro distribuindo brinquedos aos filhos do pessoal dos C. T. T.
O Campo Escolar de «Tap Seac» durante a festa do Natal promovida pela Assistência

Extraído de «BGU» XXIX – 344 Fev 1954.

Faleceu em Hong Kong no dia 24 de Março de 1993, José Santos Ferreira (Adé). (1)
José Inocêncio dos Santos Ferreira, nasceu a 28-07-1919. Foi com a idade de 7 anos que começou a aprender as primeiras letras. Matriculou-se em 1931 no Liceu mas devido a falta de dinheiro para as propinas escolares frequentou até ao 5.º ano. O seu primeiro emprego foi na Repartição das Obras Públicas como amunuense recebendo apenas algumas dezenas de patacas. Cumpriu o serviço militar obrigatório de 1939 a 1940 mas devido à Guerra Sino-nipónica e à Guerra do Pacífico foi forçado a prestar o serviço militar mais alguns meses. Foi chefe de secretaria do Liceu. Trabalhou na Sociedade de Turismo e Diversões de Macau apór reformado.
Quando trabalhou no Liceu colaborava com jornais de Macau como por exemplo: “Notícias de Macau”, o “Clarim”, “Gazeta Macaense”. Foi um grande desportista praticando várias modalidades em especial o hóquei no Campo de Tap-Seac. Além disso tomava parte nas representações no Teatro D. Pedro com diálogo em patuá. Foi Mesário da “Santa Casa da Misericórdia de Macau”, director do “Club de Macau”, presidente do “Rotaty Club de Macau”. Condecorado com a medalha de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique em 1979” (2)

JARDIM ABENÇOADO
Nôsso Macau, terá sánto
Sã unga jardim bendito
Co fula di más bonito,
Semeado na tudo cánto
 
Tudo fula são abençoado,
Pôs Dios j´ajudá semeá
Gente antigo regá
Co lágri adocicado.
 
Coraçám, triste, chorá,
Almá fica margurado
Si têm gente mal-prestado
Dessá fula cai, muchá.

Macau sã casa cristám
Qui Portugal já ergui;
Tudo gente vivo aqui
Têm fé na su coraçam.
 
Olá fé co amor juntado,
Sã cuza Dios más querê …
Vôs ne-bom disparecê,
Macau, jardim abençoado
José dos Santos Ferreira (3)

(1) Ver anteriores referências a este grande promotor das récitas em Patuá, além de praticante e dirigente desportivo em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-dos-santos-ferreira/
(2) BARROS, LeonelHomens Ilustres e Benfeitores de Macau, 2007, pp. 103-105.
(3) Poesia em dialecto macaense, primeiro poema do livro “Macau Jardim Abençoado” com poesia e prosa em “língu maquista”, publicado em 1988, pelo Instituto Cultural de Macau. Capa de Ung Vai Meng. O livro está dividido em duas partes. A 1.ª parte, os textos são no dialecto macaense e a 2.ª parte,  os textos são em português.
FERREIRA, José dos Santos – Macau Jardim Abençoado. Instituto Cultural de Macau, 1988, 181 p.

“MACAU. JARDIM ABENÇOADO é um livrinho simples e despretensioso, como o são, afinal, a terra de sonhos e o bom povo de quem fala. Tudo que há nele, página a página, de verso em verso, foi ditado pelo coração, escrito com o amor que Macau nos inspira em todos os momentos e actos da nossa vida.
         Macau cristã
         Minha única riqueza,
         Meu tudo na vida…
O maior bocado deste volume é apresentado na doce “língu maquista”, esse aliciante dialecto antigo criado pelos nossos maiores e que constitui, sem dúvida, uma das mais características tradições desta terra repassada de glórias e sentimentos cristãos, bem orgulhosa da Pátria que jurou amar para todo o sempre…” (“Aos leitores” na pág. 9) (3)

No dia 14 de Janeiro de 1952, realizou-se um encontro de hóquei em campo, no campo desportivo do Tap Seac, caracterizadas por jogadas estonteantemente rápidas entre o Macau Hockey Club e o Army de Hong Kong que foi derrotado por 2 a 1.

mosaico-iii-17-18-1952-equipa-do-hockey-clube-de-macauA equipa do Hockey Clube de Macau

Da esquerda para a direita:
1.ª fila: José Vitor do Rosário, César Capitulé (guarda-redes) e Armando Basto
2.ª fila: Herculano da Rocha (capitão), Alexandre Airosa e Humberto Rodrigues
3.ª fila: Henrique Nolasco da Silva, Fernando Marques, Lourenço Ritchie, Augusto Jorge e Albertino Almeida.

mosaico-iii-17-18-1952-equipa-do-army-de-hong-kongA equipa do Exército (“Army”) de Hong Kong

FOTOS  em «MOSAICO, 1952»

No dia 6 de Janeiro de 1952, no campo de Tap Seac, em Macau, duas equipas de Hóquei em Campo, inteiramente constituídas por oficiais do exército britânico da colónia vizinha de Hong Kong defrontaram-se, as equipas A e B do Hockey Clube de Macau que saíram vencedores deste interessante torneio respectivamente por 9-0 e 3 a 2.

mosaico-iii-17-18-1952-hoquei-em-campo-iA apresentação dos jogadores locais ao Comandante Militar, brigadeiro Paulo Bénard Guedes
mosaico-iii-17-18-1952-hoquei-em-campo-iiO Comandante Militar cumprimentando os oficiais britânicos da equipa “Accidentals

Retirado de «MOSAICO, 1952.»

No dia 6 de Maio de 1972 realizou-se no campo desportivo de Kemigawa (Tóquio) , o primeiro encontro de Hóquei em Campo entre Portugal e o Japão.
A representação portuguesa foi entregue à equipa de honra do Hóquei Clube de Macau que por este motivo fizeram uma digressão por terras do Japão, de 27 de Abril a 7 de Maio de 1972 (os jogadores macaenses actuaram em Osaka, no dia 29 de Abril como Selecção de Macau contra a selecção de Osaka; em Tóquio, no dia 1 de Maio, como Hóquei Clube de Macau contra a Universidade de Keio e  em Tóquio, no dia 3 de Maio como Selecção de Macau contra a Selecção de Tóquio).
MACAU B.I.T. VIII-3-4, 1972 - HÓQUEI CLUBE DE MACAU IFotografia da equipa de honra do Hóquei Clube de Macau, no campo de Tap Seac, no  último treino antes da partida para os encontros no Japão, juntamente com os dirigentes, Eng.º Humberto Fernando Rodrigues (Presidente), Mário Aureliano Robarts (Secretário), António Lagariça (Tesoureiro) e Pedro Xavier (árbitro).
Este encontro ficará para sempre lembrado pois os jogadores macaenses representaram o seu país contra a equipa nacional do Japão onde na altura o hóquei em campo tinha um elevado nível.
MACAU B.I.T. VIII-3-4, 1972 - HÓQUEI CLUBE DE MACAU II

A Selecção nacional do Japão

O resultado final foi um empate : Portugal, 1 – Japão, 1
Arbitraram o encontro Pedro Xavier e K.Fukuyama.
Alinharam:
PORTUGAL: Ribeiro, A. Cordeiro (cap.), Sousa, F. Cordeiro, Ferreira, Silva, Badaraco, Jeremias, Jesus, F. Ritchie e Fernandes.
JAPÃO: Obake (cap.) , Ichinose (Kamamura), Enoue, Esuzaki, Yamanove, Hanaya, Jujimura (Takakura), Ando, Konakayama, Hámaoka, Kawamura.
Assistiram a este desafio , membros dos Comité Olímpico Japonês, membros da Associação Japonesa de Hóquei em Campo, o gerente do B. N. U. de Macau, Amílcar Sérgio Peres e esposa, o capitão José dos Santos Raposo e esposa e bastante público.

No dia 16 de Dezembro de 1951, o grupo de hóquei “Thunderbolts”, um dos melhores da vizinha colónia de Hong Kong, veio a Macau defrontar-se com o “Macau Hockey Club” que, perante uma numerosa assistência, o derrotou por 2 a 1. (MOSAICO III-17/18, 1952,p.)

MOSAICO III-17-18 1952 - Hóquei em Campo 16DEZ 1951 IA Esposa do Governador recebendo os cumprimentos dos componentes do Hockey Club de Macau
MOSAICO III-17-18 1952 - Hóquei em Campo 16DEZ 1951 IIA equipa visitante “Thunderbolts” que perdeu ao grupo local por 2 a 1

No dia 20 de Outubro de 1953 chegou a Macau a bordo do «HMS Modeste» (1) em visita oficial ao Governador de Macau, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, o  Comodoro A. H. Thorold, Chefe da Esquadra Britânica do Pacífico Oriental. Passou revista à Guarda de Honra, assistindo depois, com o Comandante Militar de Macau, ao desfile da mesma.
MBI I-6 31OUT1953 MODESTE IÀs 10-30 horas apresentou cumprimentos oficiais ao Governador que , às 12.30 horas, os foi retribuir a bordo do «Modeste».
MBI I-6 31OUT1953 MODESTE IIUma representação da guarnição do «Modeste»  aproveitou a sua vinda a Macau para visitar o Cemitério Inglês, onde  depôs uma coroa de flores naturais junto do mausoléu duma das vítimas da antiga fragata inglesa «Modeste». (2)  A esta homenagem assistiu o Cônsul de Sua Majestade Britânia em Macau, Sr. E. J. Cowan, e uma deputação de marinheiros portugueses acompanhados de um oficial.
MBI I-6 31OUT1953 MODESTE IIIO Comodoro, esteve no  Thorold esteve também no Quartel General a apresentar cumprimentos ao Comandante Militar, Coronel António Cyrne Pacheco. Passou revista a uma Guarda de Honra formada na parada exterior, tendo em seguida visitado alguns aquartelamentos militares e os principais pontos turísticos e históricos desta cidade que lhe causaram a melhor das impressões.
MBI I-6 31OUT1953 MODESTE IVEm homenagem aos ilustres visitantes, o Sr. Capitão dos Portos, Capitão-tenente José Freitas Ribeiro e Esposa ofereceram um almoço que se realizou no Clube Militar e a que assistiram o Comandante Militar e Família e outros oficiais do exército acompanhados de suas esposas.
MBI I-6 31OUT1953 MODESTE VCom início às 15.30  horas, e com assistência do Governador e do Comodoro  Thorold, realizou-se no Campo Desportivo da Caixa Escolar um interessante desafio de hóquei em campo, entre o «Hóquei Clube de Macau» e  a guarnição do «Modeste» reforçada com alguns elementos da «Royal Navy» de Hong Kong, que para esse fim se deslocaram a esta cidade. O encontro, que decorreu num ambiente de  desportiva camaradagem, terminou com a vitória de 5 a 2 a favor do Hóquei Clube.
MBI I-6 31OUT1953 MODESTE VIO Comodoro Thorold ofereceu a bordo do «Modeste» um «cocktail», tendo o Governador a Esposa homenageado os visitantes com um banquete no Palácio do Governo, à Praia Grande, a que assistiram  as mais representativas individualidades da Província.
Informações e fotos de “MACAU B. I, 1953″
(1) HMS Modeste (1945) – sexto navio com o nome de HMS Modeste, um “Black Swan” modificado de uma chalupa de 1942. Lançado ao mar em 1945. Participou na Guerra da Coreia em 1953 onde foi medalhado com a “Battle Honour”. Abatido em 1961.
(2) Trata-se do Tenente Ed. Fitsgerald que faleceu em Macau no dia 22 de Junho de 1841. A campa está no velho Cemitério Protestante (no Largo de Camões) com o número 132:
Sacred to the memory of Lieutenant Ed. Fitzgerald, late belonging to the H. M. S. Modeste who died at Macao, on the 22nd June 1841, from the effects of a wound received while gallantly storming the enemy´s battery at Canton. This monument was erected by his numerous friends and shipmates in the Squadron in which he has served as a tribute of respect to his memory”

 

Medalha Hóquei 10JUN 1996 IMedalha desportiva comemorativa do encontro de hóquei de campo, no campo desportivo Coronel Mesquita, em Tap Seac, já em sintético, no dia 10 de Junho de 1996, integrado nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas; oferta do Instituto dos Desportos de Desporto.

Medalha Hóquei 10JUN 1996 IIMedalha de uma liga dourada, de 6,5 cm de diâmetro, com inscrição só de um lado e fita de 2,5 cm largura (vermelho/branco/azul)

Continuação da publicação das fotografias deste pequeno álbum (1)

“SOUVENIR DE MACAU”

Souvenir de Macau 1910 jardim Chinez

 “UM JARDIM CHINEZ”

Jaime do Inso escreve sobre este “Jardim Chinez” – o jardim de Lou Lim Ioc (também conhecido por Jardim de Lou Kao):
“Estes jardins, ali para os lados do Campo do Tap Seac, encerram uma vivenda cheia de verdadeiras fantasias orientais, formada por um palacete, pavilhões, lagos com pontes caprichosas, grutas artificiais, cascatas, flores, muitas flores, sendo de admirar como so chineses, com a aparência que nos manifestam tanto as apreciam.
Encontram-se ali recantos de verdura, fechados, discretos, com mesas e bancos, em redor, caramanchões exóticos, cheios de dragões decorativos, quiosques com vidros de cores casinhas misteriosas dispersas pelos cantos, que bem revelam quando Lu Lim Ieoc era um pagão adorador da vida…
E os trabalhos de embelezamento do famoso jardim nunca se acabavam, havia sempre mais uma gruta, uma cascata, uma árvore a dispor, etc, para não fugir à superstição de que, acabada a casa, o dono morrerá.” (2)
E na verdade, com a morte de Lou Lim Ioc, em 1927, o jardim entrou em decadência e os herdeiros (filhos) após a Segunda Guerra Mundial, em 1951,por questões financeiras venderam a extensa área (parte do jardim foi para construções urbanas, outras partes ocupadas pelas escolas Pui Cheng e Leng Nam) restando pouco, residência, pavilhões, lago que foram adquiridos pelo Governo em 1974. Após restauro abriu como jardim público.

Souvenir de Macau 1910 Um aspecto da Gruta de CamõesOUTRO ASPECTO DA GRUTA DE CAMÕES

Escreve Luís G. Gomes no Boletim do Instituto Camões, Vol. VII, n.º3, Outono de 1973:
Situado no Jardim da Gruta de Camões, está instalado em vetusto palacete, um dos raros exemplos de construção arquitectural dos meados do século XVIII, que sobreviveu ao camartelo inexorável do incessante progresso.
Foi dono, tanto deste edifício como do amplo parque que o rodeia, o abastado negociante Manuel Pereira, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real do Conselho de Sua Majestade, Conselheiro da Fazenda, Comendador das Ordens de Cristo e da Senhora da Conceição de Vila Viçosa, um dos fundadores da Casa de Seguros de Macau e seu Vice-Presidente e Tesoureiro. Tendo-se radicado nesta cidade, aqui constituiu família, casando três vezes e aqui faleceu em 10 de Março de 1826, tendo sido sepultado na igreja do extinto Convento, hoje Quartel de S. Francisco” (2)
(1)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol I, 1997