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Continuação da publicação dos postais de Macau digitalizados do «Jornal Único» de 1898 (1)

NOTA:Os chichés das vistas photographicoas foram tirados pelo photographo amador Carlos Cabral. Todos os trabalhos respeitantes a este «Jornal Único» foram executados em Macau
Extractos do artigo de Augusto Cézar d´Abreu Nunes ”Avenida Vasco da Gama”, publicado no «Jornal Único».
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jornal-unico/
http://purl.pt/32511/3/html/index.html#/1

A Escola Chinesa «KUNG KAO HOC HAU», também conhecida pelos chineses como a mansão do Choi Lok Chi, nome em chinês de Joel José Choi (Anok) (1) foi mandada construir, em 1916 por um grupo de católicos (entre eles, Joel José Choi) para servir de escola católica e o prédio situa-se na Calçada da Igreja de S. Lázaro, n.º7. (2)

FOTO DE 1927 – ESCOLA CHINESA «KUNG KAO HOC HAU»

No “Anuário de Macau de 1927” refere a «Escola Kung Kao (Cong Cao)» (3) como de ensino em língua chinesa e inglesa e nesse ano tinha um total de 400 alunos e 5 professores.
No «Anuário de 1938», a escola «Kung Kao» estava indicada na Rua Nova de S Lázaro, n.º 1 com 94 alunos e no «Anuário de 1934» – «Kong Káo» na Rua Nova de S. Lázaro, 102  alunos.

FOTO DE 1927 – ESCOLA CHINESA «KUNG KAO HOC HAU» (1.ª CLASSE)

A 22 de Julho de 1916, foi lançada a primeira pedra para a construção duma escola chamada Kung Kao (religião Católica), deveu-se à iniciativa de José Choi Anok, Chan Chee, Francisco Tse Yat, Filip Tam, Francisco Xavier dos Remédios, Paulo Hui e Padre Jacob Lau.
As obras arrastaram-se por falta d dinheiro e o edifício só foi inaugurado a 27 de Maio de 1923; a escola só começou a funcionar a 1 de Setembro desse ano com 100 alunos.
O corpo docente compunha-se de dois professores de português – Com Jacob Lau e Padre Júlio César da Rosa e dois professores de chinês – Lei Yau Sam e Liu Fai Mang. (4)
O governador Rodrigo José Rodrigues, por Portaria n.º 108, de 4-06-1923, diz que, tendo assistido à inauguração do edifício da escola Primária Luso-Chinesa Kung Kao Hok Hao, que um grupo de cidadãos, por seu único esforço, dedicação e contribuição conseguiu erigir, “louvava em primeiro lugar Joel José Choi (Anok)) e ainda todos os cidadãos portugueses e chineses que concorreram para a edificação dessa escola.
Por proposta n.º 35,de Junho de 1924, foi concedido a esta escola a partir de 1-07-1924 um subsídio anual de 1.296$00 para manter uma aula de ensino de língua portuguesa.
O Dr. Nascimento Leitão dizia em 1923:
Hong Cao: – Rua do Monte, 4 – Tem 103 alunos, 11 dos quais do sexo feminino.
As retretes consistem em 5 celhas de madeira, destapadas, sob o respectivo palanque a transbordar de fezes, retardadas. Já há meses pedi que substituíssem aquelas retretes por 5 de caixa, visto não terem água, tendo também recomendado o uso de óleo mineral pesado nos urinóis.
Visitando agora 2.ª e 3.ª vezes, verifiquei que as retretes continuam no mesmo estado. Dei o prazo de oito dias para a sua substituição”
Em 1942 fechou-se esta escola devido à crise da II guerra mundial.” (4)
(1) Joel José Choi Anok – 崔諾枝 (5) (1867- 1945) – Nanhai, província de Guangdong (agora distrito de Nanhai, cidade de Foshan). Filantropo quando se reformou dedicou-se em exclusivo a obras sociais. Foi vogal do Leal Senado, vogal do Conselho do Governo, vogal da Santa Casa da Misericórdia de Macau, presidente da Associação de Beneficência «Tong Sing Tong» (de 1939 até morrer), presidente da Associação Católica Chinesa, e antes da guerra do Pacífico, vice-presidente por mais de dez anos e presidente (por duas vezes) da Associação Comercial/ Câmara Geral de Comércio Chinesa de Macau (depois chamada Associação Comercial de Macau – alvará de 1912). Foi vice-presidente de 1927 a 1940 e presidente da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu.
Foi agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo e várias distinções da Cruz Vermelha Portuguesa.(6)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joel-jose-choi-anok/
NOTA: Joel José Choi, pai de Roque Choi (Roque Choi 崔乐其 (Cui Leqi) (7) tinha também uma casa principal na Calçada do Gaio, n.º20 que o seu filho Roque Choi herdaria após ter adquirido a quota da irmã. Esta casa manteve-se depois durante muitos anos desabitada e depois em ruínas e é nessas condições que me lembro, pois passava por esta rua frequentemente vindo e indo da minha casa, na Estrada de Cacilhas. Diziam as más-línguas que a casa estava assombrada. Esta casa e o seu terreno foi vendida em 2004 para se construir um prédio mas foi embargada, por ter a sua altura ter ultrapassado a quota de protecção da vista do farol da guia. Creio que continua a obra parada.
(2) Calçada da Igreja de S. Lázaro começa na Rua de Volong, em frente da Rua de João de Almeida e termina na Estrada do Repouso, próximo do cruzamento desta estrada com a Rua de Tomás Vieira. Tem uma escadaria de pedra junto da Rua de Sanches de Miranda.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/06/04/leitura-macau-terra-da-doce-saudade-i/
(4) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
(5) Joel José Choi Anok 崔諾枝mandarim pīnyīn: cuī nuò qí; cantonense jyutping: ceoi1 nok6 kei4
(6) Referências retiradas de JORGE, Cecília; COELHO, Rogério Beltrão – Roque Choi, um Homem dois sistemas Apontamentos para uma Biografia. Livros do Oriente, 2015, 221 p.
Ver recensão deste livro por Moisés Silva Fernandes em:
Análise Social, 222, lii (1.º), 2017 ; issn online 2182-2999
http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/AS_222_rec06.pdf
Ver anterior referência neste blogue:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joel-jose-choi-anok/
e em “UMA PASSEATA PELAS RUAS DE MACAU – TRAÇOS DE COMERCIANTES CHINESES FAMOSOS EM MACAU”
https://macaostreets.iam.gov.mo/showFile.ashx?p=macaustreets/doclib/635749087646668.pdf
(7) Roque Choi 崔乐其mandarim pīnyīn: cuī lè qí; cantonense jyutping: ceoi1 iok6 gei1

Começa na Rua Ferreira do Amaral, à entrada da Rua de Henrique de Macedo e termina na Calçada do Paiol, em frente da Travessa do Paiol.
Quem era esse homem?
Segundo Padre Teixeira (1) não se sabe se a «Calçada do Gaio» teria sido crismada em memória de Pedro Martins Gayo (Gaio) que foi  Capitão-Geral e governador de Macau, em 1611 mas «se não foi, bem merece que o seu nome seja perpetuado numa via pública»

«1612 – As viagens de Macau ao Japão foram oficialmente renovadas com a chegada do capitão-mor Pedro Martins Gaio no seu galeão São Filipe e Santiago a Nagasaqui a 17 de Agosto. O galeão português fora vendido à cidade de Macau por Dom Diogo de Vasconcelos, que para ali fora destacado como Capitão-mor dos «galeões da guarda da China» , em 1610.
Diogo de Vasconcelos, fora mandado de Goa com a sua bem equipada armada de seis galeões, uma pinaça, e duas galeotas com ordens não só para proteger a navegação portuguesa no mar da China contra os ataques dos holandeses, mas também para cooperar a com os espanhóis de Manila para expulsar os holandeses das Molucas»
Diogo recusou-se a cooperar com eles. Mais: os homens da sua armada envolveram-se em questões com os cidadãos de Macau e com as autoridades chinesas, por se ter recusado a pagar os direitos d ancoragem sob o pretexto de que os galeões eram navios do Rei e portanto estavam isentos dos pagamentos exigidos aos navios mercantes.
No Tribunal de investigação que depois se abriu em Manila, uma das testemunhas declarou que o capitão-mor de Macau, Pedro Martins e « Vicente Rodrigues (seu genro) hombre de autoridade e grande  amigo de el dicho Vasconcelos le habian pedido  e rogado que viniesse com la armada e no lo queria hacer porque era el dicho Vasconcelos mercador e traya 300 000 pessos de sua quenta e los queria emplear e hacer  otros tantos mas de ganancias» . A mesma testemunha acrescentou que, tanto o Bispo de Macau , como o imediato de Dom Nuno Soutomaior o instaram para cooperar com os espanhóis” (2)
Pedro Martins Gaio levou com ele Horacio Neretti (4) (o Capitão-mor da viagem de 1600) como enviado da Cidade de Macau, com a missão de obter do Shogun a confirmação do tratado para a renovação do comércio de Macau-Nagasáqui feito por Dom Nuno de Soutomaior em 1611. (3)  O Bakufu (Governo de cortina», como era chamado a ditadura militar de Tokugawa) mostrou-se favorável e graças à dedicação de Honda Kodzuke-no-suke e Goto Shozaburo, director da casa da moeda, foi passado o selo vermelho confirmando que os Kurofume ou «Navios Negros» podiam vir a Nagasáqui e comerciar, como haviam feito antes da perda da Grande Nau de André Pessoa». (1)
Pedro Martins Gaio e sua filha Maria Gaio, bem como seu genro Vicente Rodrigues, foram grandes benfeitores da Companhia de Jesus, dos Altares do Espirito (Confraria) e S. Miguel sendo todos sepultados na Igreja de S. Paulo.
Não há documento que indique a data do falecimento de Pedro Martins Gayo, mas sabe-se que o seu cadáver ficou incorrupto durante muito tempo e foi sepultado em lugar separado «para veneração». Maria Gayo faleceu a 1 de Fevereiro de 1644 e seu marido Vicente Rodrigues a 12 de Agosto de 1638. O casamento realizou-se antes de 1612. (1)
(1) TEIXEIRA, P. Manuel- Toponímia de Macau, Volume II, 1997 pp. 21-24
(2) BOXER, Charles Ralph – O Grande Navio de Amacau, 1989, pp. 69-71
(3) Além do navio de Dom Nuno partiu de Macau para Nagasaqui um grande junco, no qual iam como passageiros vários missionários jesuítas, mas afundou-se durante uma tempestade ao largo da costa de Fukien, onde aqueles que chegaram à terra foram mortos por chineses hostis. (2)
(4) Horácio Neretti Sudrini, italiano de Florença, veio para Macau comerciar nos fins do século XVI. Em 1598 encontrava-se em Macau. Neretti fez várias viagens ao Japão, designadamente 1600 e 1612. Foi sepultado em S. Paulo. (1)
東望洋斜巷 – mandarim pīnyīn: dōng wàng yáng xié xiàng; cantonense jyutping: dung1 mong6 joeng4 ce3 hong6

Esferográfica de carga azul, como lembrança do Instituto de Estudos Europeus de Macau (14 cm de comprimento x 1 cm diâmetro) (1)

Institute of European Studies of Macau
澳門歐洲研究學會 (2)

(1) Instituto de Estudos Europeus de Macau
Calçada do Gaio, n°. 6, Macau
東望洋斜巷
Telefone: +853 2835 4326
Edifício classificado de interesse Arquitectónico cuja construção foi concluída em 1 de Abril de 1930. O edifício teve vários proprietários (proprietários (durante a Guerra do Pacífico serviu de residência ao coronel japonês Sawa, chefe da polícia secreta nipónica em Guangdong, – mandou matar o cônsul japonês em Macau, Yasumitsu Fukui em 2-2- 1945, na Calçada do Paiol) até ser vendido ao Governo em 1964. Serviu depois como serviços da Administração local nomeadamente Serviços de Administração Civil (onde a minha pessoa requereu o seu  1º passaporte em 1969 – data da 1.ª  saída de Macau)
Na década de 80 passou para os Serviços de Saúde, em 1986 serviu de dormitório feminino da Escola Técnica dos Serviços de Saúde e depois foi aí instalados os serviços técnicos da Saúde nomeadamente da autoridade de saúde. Em 1995, passou a ser a sede do Instituto de Estudos Europeus de Macau cdfnbhh7 cdfnbhh76un6j
http://www.culturalheritage.mo/contentfiles/attachment/201811/07/091441_4_Edif%C3%ADcio%20na%20Cal%C3%A7ada%20do%20Gaio%20no%206.pdf
NOTA: Em 1984, o edifício de cor verde à esquerda (na foto) pertencia ao 1.º sargento Augusto Coutinho, que o adquiriu em meados de 60 (século XX)  à família Nolasco da Silva. O 1.º sargento Augusto Pereira Coutinho em Dezembro de1975 sendo o militar ao serviço de Macau mais antígo nas fileiras do Comando Territorial Independente de Macau (C.T.I.M) foi escolhido para descerrar a placa comemorativa de mármore que ficou fixada no lado direito do portão de entrada do quartel General, como lembrança da cerimónia da extinção do C.T.I.M., no dia 31 de dezembro de 1975. Após a sua morte, o edifício foi vendido e demolido e posteriormente edificado um novo prédio de vários andares.
(2) 澳門歐洲研究學會 – mandarim pīnyīn: ào mén ōu zhōu yán jiū xué huì; cantonense jyutping: Ou3 Mun4 au1 zhau1 jin4 gau3 hok6 wui2

ANUÁRIO de 1927 - Vivendas particularidades da Estrada da VitóriaVivendas particulares na Estrada da Vitória

Eram bem conhecidas, antes de as demolirem aos poucos, as vivendas da Estrada da Vitória com o seu traço característico.
Esta, mesmo à esquina da Estrada com a subida da Calçada da Vitória.

A Estrada da Vitória – 得勝馬路 – começa na Calçada do Gaio, em frente da rua Nova à Guia, e termina na R. da Fonte da Inveja, entre a Avenida de Sidónio Pais e a Fonte da Inveja.
Esta artéria já figurava no relatório elaborado pela comissão nomeada pelo governador António Sérgio de Sousa a 16 de Junho de 1869 e vem referida no “Cadastro das Vias Públicas de Macau”, publicado em 1905. Seria posteriormente prolongada com mudança de direcção, mas em 1925, já o seu traçado era idêntico ao actual. (1)
É chamada “da Vitória” porque a estrada inicial passava no local onde outrora era conhecido por Campo dos Arrependidos passando depois a chamar-se Campo da Vitória, após a colocação da primeira pedra (23 de Junho de 1870) e onde já havia uma pilastra de pedra comemorativa da vitória de 24 de Junho de 1622.
Ver anteriores referências a este monumento em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-da-vitoria/
(1) https://macaostreets.iacm.gov.mo/p/parish5/detail.aspx?id=99755006-3388-4ade-bd2b-ae96ecaea1b6
得勝馬路mandarim pinyin: dé shèng  mǎ  lù; cantonense jyutping: dak1 sing1 maa5 lou6

Continuação da leitura do Relatório do “ESTUDO DA ACTUALIZAÇÃO E AMPLIAÇÃO DO HOSPITAL CENTRAL CONDE DE SÃO JANUÁRIO DE MACAU”, de 1951. (1) (2)

… I Parte – ESTADO ACTUAL:
LOCALIZAÇÂO: O recinto do Hospital Central Conde de São Januário, ocupa parte da Colina de S. Januário e a sua vertente S.W., medindo aproximadamente 15.000 m2, e é limitado a S.E. pela Estrada de S. Francisco, a N.E. pela estrada de acesso ao Observatório Metereológico, e a N.W. pela Calçada do Visconde de S. Januário e S. E. pela Rua Nova.
A Colina de S. Januário continua a Colina da Guia que corre paralela ao mar, na direcção N.E. – S. W.
A entrada principal do Hospital faz-se pela Estrada Visconde de S. Januário (Vide plantas) (2)
DESCRIÇÃO: Os vários serviços do Hospital, ampliações ao traçado original que foram feitas à medida que as necessidades iam aparecendo, estão instalados em pavilhões dispersos pela área do recinto hospitalar em três planos situados e cotas diferentes.

1 – CASA MORTUÁRIA

Relatório Hospital S. Januário Casa Mortuária I

Este edifício com um piso, em mau estado de conservação, construído em 1918, consta de 4 compartimentos, um destinado a autópsias, dois a câmaras ardentes e um a guarda de uma carrete funerária.

Relatório Hospital S. Januário Casa Mortuária II

Impróprio para o fim a que se destina por falta de condições higiénicas sa sala de autópsias, e de um mínimo de decoro das câmaras ardentes.

Relatório Hospital S. Januário Casa Mortuária III

Acresce ainda a sua infeliz localização pois é o primeiro espectáculo que o Hospital oferece aos doentes e às visitas…(…).

Relatório Hospital S. Januário Casa Mortuária IV

NOTA 1 – As mesas de autópsias, de mármore, foram transferidas para a sala de autópsias da nova Casa Mortuária do Hospital Central Conde de S. Januário que ficava na Estrada Visconde de S. Januário.
Aquando da destruição desta casa mortuária para construir o Centro Hospitalar Conde S. Januário (1988), destruíram as mesas, em nome do “progresso”, pois o novo Serviço de Medicina Legal foi totalmente equipado com material mais actualizado e práctico.

NOTA 2 – Confirmo a descrição da Casa Mortuária feita neste Relatório  já que em criança tinha muito medo de passar por este edifício, à direita de quem subia pela Calçada do Visconde de S. Januário para chegar ao Hospital.  Além de decrépito, a casa mortuária estava associada a histórias de fantasmas (tão populares nos contos, lendas  e filmes chineses).

Mas o episódio verídico que vou contar, relatado pelo meu pai, passou-se nessa casa mortuária:
Faleceu um soldado, militar português. Confirmado o óbito pelo médico de serviço hospitalar, iniciaram-se os preparativos para o enterro a realizar no dia seguinte. O corpo já vestido com a farda, foi colocado na casa mortuária numa “cama” de uma das cãmaras ardentes, aguardando  a chegada do caixão (no dia seguinte) e para vigília da noite foram nomeados quatro soldados africanos (landins).
A meio da noite, o “morto” acordou e levantou-se, pondo em pânico os quatros soldados africanos que fugiram para o quartel. Constou-se que um dos landins fugiu descalço, deixando as botas para trás e que o “morto” foi a pé para o quartel. Estava vivo, aparentemente de boa saúde e radicou-se em Macau como polícia, mas não se livrou nunca mais do nome porque era conhecido: o “Morto-Vivo”.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/02/19/hospital-central-conde-s-januario-i/
(2) Conforme planta do edifício, apresentado neste “post”, a entrada principal seria Calçada do Visconde S. Januário já que (embora não tenha a certeza) a Estrada do Visconde S. Januário é a estrada atrás do edifício e aquela que vem da Calçada do Gaio.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/09/leitura-hospital-central-conde-de-sao-januario-ii/

Muitos dos sítios de Macau já não são conhecidos pelos seus nomes primitivos pois desusaram-se com a transformação da sua fisionomia original, outros, não obstante as alterações impostas, por não se sabe quão voluntariosos edis, capricham em reter, pelo menos, em chinês, as designações por que primitivamente foram baptizados pelo vulgo.
Assim, há um trecho da cidade que ainda é conhecido pelos chineses com o nome de Tchèok-Tchâi-Un (雀子園) (1), um local hoje dos mais populosos e sobrecarregado de casas encostadas uma às outras e separadas por uma apertada rede de ruas. Entre nós, é este sítio conhecido por Horta da Mitra e abrangia todo o terreno que ia desde a antiga rua de Pák-T´âu- Kâi (白頭街)(2) (Rua Nova dos Cabeças-Brancas, isto é, dos Parses), actualmente denominada de Rua Nova-à-Guia, até ao Ho-Lán-Un (荷蘭園) (3) (Jardim dos Holandeses), ou seja o bairro Uó-Lông ( 和隆) (4), sendo limitado ao norte pela Calçada do Gaio, na altura por onde passava a muralha que noutros tempos cercava a antiga cidade. Todo este terreno foi outrora ocupado por  uma extensa e densa mata e, como há trezentos anos a cidade era ainda pouco povoada, no intuito de se fomentar o seu desenvolvimento populacional, foi permitido a um grupo de emigrantes chineses de apelidos Mâk () (5), Tch´iu () (6)e Léong (梁) (7) estabelecerem-se ali. Este minúsculo núcleo inicial conseguiu transformar, com o tempo, o local numa aldeiazinha e os seus componentes viviam da venda da lenha que podavam na mata e cujas altas e frondosa árvores que a cercavam estavam sempre cobertas de pássaros que alegravam o bosquete com a chilreada, dando ao sítio um aspecto de parque. Foi pois este motivo que os chineses deram ao local o nome de Tchèok-Tchâi-Un que quer dizer “Jardim de Passarinhos” .(8)
(1) 雀子園pinyin: qué  zi yuán; cantonense jyutping: zoek 3 zi2 jyun4
(2) 白頭街pinyin: hé lán yuán; cantonense jyutping: ho4 laan4 jyun4
(3) 荷蘭園 pinyin: hé lán yuán; cantonense jyutping: ho4 laan4 jyun4
(4) 和隆pinyin: huó lóng; cantonense jyutping: wo4 lung4
(5) pinyin: mài; cantonense jyutping: maak6
(6) – pinyin: zhao; cantonense jyutping: ziu1
(7) pinyin: liáng; cantonense jyutping: loeng4
(8) GOMES, Luís Gonzaga – Curiosidades de Macau Antiga. Instituto Cultural de Macau, 2.ª edição, 1996, 184 p., ISBN-972-35-0220-8

NOTA: Sobre a muralha que noutros tempos cercava a antiga cidade, pode-se ver, actualmente  parte dela protegida, após abertura de uma entrada para Colégio de Santa Rosa de Lima, pela Rua Nova à Guia.