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Hoje, décimo quinto dia da oitava lua do calendário, comemora-se a festividade do bolo lunar, a mais importante e a mais típica das festividades que o calendário chinês dedica à Lua ou a qualquer divindade com ela relacionada.
“O povo chinês vive ainda agarrado a uma tradição de milénios e celebrar hoje, como o fazia há milhares de anos, todas as suas festas, subordinadas sempre ao calendário do Ano Lunar. Talvez por ser a rainha da noite, que desfaz com sua luz suave e romântica as trevas que envolvem o nosso planeta, a Lua é considerada pelos chineses o astro que maior influência exerce sobre os filhos da Terra e aquele que, pela sua configuração, proximidade do nosso planeta, brilho e grandeza relativos, foi feito para comandar toda a vida criadora do homem” (1)

As lojas da Avenida Almeida Ribeiro com os seus cartazes alegóricos, iluminados por lâmpadas de variadas cores.

E conhecida como a festa do «Bolo Lunar», o característico bolo que nesta ocasião se permuta entre os parentes, amigos e conhecidos. Antigamente (hoje, já se encontra à venda em avulso e de sabores que não os tradicionais) acondicionados, quatro a quatro, em caixa de papelão, cuja tampa representa sempre um motivo das várias lendas que se contam acerca da invenção deste bolo saíam das pastelarias tradicionais (hoje fabricam-se em grandes fábricas até na Europa) em grandes quantidades.
As pastelarias que confeccionavam os bolos da «Festividade do Outono» ornamentavam as suas fachadas com interessantes quadros alusivos às várias lendas, ligadas a esta festividade.

Aspecto de uma pastelaria das várias que existiam na Avenida Almeida Ribeiro que confeccinavam os bolos da «Festividade do Outono» ornamentada na sua fachada com interessante quadro alusivo às várias lendas, ligadas a esta festividade.

Festejavam-se em reuniões familiares, geralmente realizadas nas varandas voltadas para a Lua, iluminadas por lanternas cujas silhuetas, projectando-se nas paredes, produziam um efeito estranho e exótico, proporcionando a todos os membros da família momentos de alegre confraternização. Acendiam-se pivetes, queimavam-se papéis votivos, entoavam-se preces e faziam-se ofertas à Lua quando ela aparecia no horizonte a iluminar a noite. Em especial as mulheres e raparigas, punham todo o seu cuidado nas oferendas, pois sendo a Lua o símbolo do princípio feminino, dela dependia toda a sua felicidade. (1)

Outro aspecto de uma outra pastelaria na mesma Avenida

Entre as ofertas à Lua não podiam faltar as frutas de formas arredondadas e por isso, as toranjas, as carambolas, os dióspiros e as laranjas são (serão ainda ?) muito procurados apesar do elevado preço, inflacionados nesta época por não serem frutas de estação. Também figuravam (hoje já se vêem muito pouco) as castanhas de água que por causa da sua forma convencional de morcego chinês, é considerada um emblema de felicidade.  Viam-se no passado o trabalho artístico dos artífices com a castanha de água modelada ou em gravação nos objectos de arte, sobretudo jade.

Outro painel de uma outra pastelaria

A ornamentação nas moradias, recintos públicos e lojas comerciais, sobretudo as que vendiam o bolo lunar concentradas na Avenida Almeida Ribeiro, motivava a concorrência entre os empregados que “montavam” o painel dessas lojas e eram muito apreciados, comentados e “visitados” principalmente à noite quando estava tudo iluminado. (1) Na década de 60 (século XX) alguns destes painéis já apresentavam uma sofisticação que chamava a atenção do público (principalmente as crianças) – heróis lendários recortados que se moviam dum lado para o outro no painel.
(1) Fotos e artigos não assinados extraído de «Macau Bol. Inf.» IV-76, 1956.

Hoje dia 15 da 8.ª Lua – FESTA DO «BOLO LUNAR» , na linguagem maquista «bolo bate-pau» (1)

“O povo chinês , agarrado às suas tradições, celebra os ritos dos seus antepassados sempre com a mesma característica dos tempos antigos, vincando um tradicionalismo arreigado.
Embora oficialmente abolido na China, o povo é que não deixa de se orientar pelo ano lunar, barreira que ele acha mais difícil de transpor do que as históricas muralhas do celeste Império.
Integrado nesse modo de pensar, celebra vários factos no decurso do ano, sendo um dos mais importantes o do dia 15 da 8.ª Lua que é designado por festa do «Bolo Lunar»
Quem alguma vez presenciou a forma festiva como se celebra esta data, não se terá esquecido dos não menos célebres bolos  que se confeccionam e se vendem sòmente nesta época do ano.
Os saborosos e tão variados bolos são a vida das padarias por todos esses dias, cujas vitrinas se enfeitam com motivos alusivos a tradições lendárias que os transeuntes apreciam e contemplam demoradamente.
É de ver ainda cruzarer-se os presentes desses bolos levados pelos amigos aos amigos, numa graciosidade de convívio que encanta  pela sua simplicidade e corrobora mais os laços de amizade já existentes.
Pela noite fora há folguedos  e todos se divertem animadamente, abancando às  mesas do característico jogo chinês «Majong», queimando panchões que estalam, num  crepitar ensurdecedor, por todas as ruas  e vielas, logo que a Lua aparece no Horizonte.
E quem aqui nasceu ou passa alguns anos que sejam é forçosamente  contagiado  por este  meio e embebe-se deste saudável espírito de amizade. Não pode mesmo esquecer a simplicidade desse povo tão nosso amigo, que se acostumou a simpatizar connosco  e agora não sabe viver doutra forma, tal a força do contágio….” (2)
bolo-bate-pau(1) “O bolo bate-pau é o symbolo da lua,  e os chins chamam-n´o em dialecto mandarim Yué-ping e em cantonense Yut-peang. Geralmente o seu peso não attige meia libra. Os macaístas conhecem-n´o pelo nome de bate-pau,  por ser preparado com um pau em forma de ferula, com um orifício no centro onde se mettem a massa de farinha e os recheios, carregando com a palma da mão para comprimil-o bem; e em seguida batem o pau com força, por duas ou tres vezes sobre a meza, para fazer expellir o bolo que é levado acto contínuo ao forno, a assar…” (MARQUES, Francisco Pereira – Ta-Ssi-Yang-Kuo, III , p. 393, 1984
月餅mandarim pinyin: yuè bing; cantonense jyutping: jyut6 beng2
(2) Artigo não assinado em «Macau B. I.»,  ano I, n.º 4, 1953.
Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bolo-de-bate-pau/

Hoje , 15.º dia da 8.ª lua do calendário chinês, em que este astro, na sua fase mais cheia, era noutros tempos, objecto de especial veneração, festeja-se a FESTA DO BOLO LUNAR – BOLO DE BATE-PAU.
Neste data, algumas (poucas) manifestações ainda se realizam mas já não têm a projecção social que gozava nos velhos tempos em que se encontrava ligada a tradições poético-guerreiras das primitivas eras.
MACAU B. I. T. VIII-7 e 8, 1972 Bolo Lunar IFazia-se o oferecimento do clássico «bolo lunar» com frutas da estação e iguarias próprias da quadra aos familiares e amigos. Bolos, frutas e iguarias eram depois servidos em ágapes familiares.

MACAU B. I. T. VIII-7 e 8, 1972 Bolo Lunar IINessa noite, admirava-se o luar e procurava-se ver e encontrar na Lua o elixir da longevidade – uma ânsia de todos – para que os anos se prolongassem sem fim.
MACAU B. I. T. VIII-7 e 8, 1972 Bolo Lunar IIIAs crianças andavam de lanternas pelas ruas na exuberância da sua alegria juvenil.

MACAU B. I. T. VIII-7 e 8, 1972 Bolo Lunar IVOfereciam-se ainda aos deuses grande variedade de bolos e frutas que se colocavam nos alteres domésticos ; ia-se ao pagode para impetrar a protecção dos deuses; em casa comiam-se, em família, o «Bolo lunar»
MACAU B. I. T. VIII-7 e 8, 1972 Bolo Lunar VFotos e reportagem retiradas de «MACAU Boletim de Informação e Turismo», 1972

Bolo Bate Pau Wing WahHoje inicia o Festival da Lua (中秋節) (1) – a festa do Bolo Lunar Bate-Pau – 15.º dia do 8.º mês lunar do calendário chinês que coincide com o equinócio de Outono do calendário solar. A lua está cheia, mais redonda e mais brilhante/luminosa, em seu maior esplendor, para comemorar a colheita do verão. A harmonia dos elementos do yang e yin deste dia começa a alterar-se para o predomínio do yin. (2)

Na Lua do “Bate-Pau”
Quanta Lua tem Macau!

Palpita, volita, presa
Em cada lanterna acesa

Que a ponta de um pau balança
Na inquieta mão da criança

E na praia de Hac-Sá
Olha as Luas que ali há!

Mãos-cheias de Lua-cheia
Giram e jogam na areia

Toda a face iluminada
Faz-se Lua enluarada!

E o céu do Meio-Outono
Envolve num véu de sono

A sua Lua, por ver
Luas mais lindas a arder

António Manuel Couto Viana (3)
Até ao Longínquo China Navegou, 1991

NOTA: a foto é de um bolo “ bate-pau”, comprado no “Hong Kong Wing Wah Cake Shop Limited” (“founded in 1950, the Hong Kong Yuen Long Wing Wah Mooncake is marked leader in Hong Kong, overseas and Mainland market”)

(1) 中秋節; mandarim pinyin: zhòng qiu jiè; cantonense jyutping: zung1 cau1 zit3.
(2) Aproveitar para reler a crónica de Leonel Barros, publicado no Jornal Tribuna de Macau de 13 de Setembro de 2008.
http://arquivo.jtm.com.mo/view.asp?dT=292402001
(3) Sobre este poeta, ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-couto-viana/ .

Celebra-se amanhã, dia 30 de Setembro, a Festividade do dia 15 da 8.ª lua – comemora a dupla festa da colheita e do «aniversário» da Lua. Oferece-se aos amigos e familiares, umas caixas do tradicional bolo doce característico da festa do Outono (Chong Chau Chit – 中秋節 – Festividade de Outono) (1), ou seja da 8.ª lua. A este bolo dão os chineses o nome de “UT PEANG” () (2) que corresponde, em português a «bolo lunar». Em Macau, o saboroso pastel é também conhecido por «bolo de bate-pau» e esta designação não é de todo descabida, se atendermos à explicação de que os tais bolos são feitos em formas de madeira e que os pasteleiros, na sua confecção, batem essas formas com estrondoso espalhafato. Feito de farinha grisalha (cor da Lua), o bolo é colocado no altar em número de treze, representando os meses do calendário chinês completo e, outrossim, o círculo completo da felicidade.
O «aniversário» da Lua é determinado na 8.ª lua, na estação em que, segundo a lenda chinesa, o princípio feminino, personificado pela Lua, começou a tomar conta do universo, juntamente como Sol, ou seja o YANG que é o manancial da energia viril, da luz e do calor. Assim, é nessa altura que se assinala o período de transição do calor do Verão para a frescura do Outono e da clareza do Verão para a escuridão do Inverno.
Para os chineses, é a Lua a padroeira das mulheres e é por isso que, em todas as famílias, cabe à mulheres o dever de adorar a Lua. Há um ditado chinês que diz: «Não cabe aos homens adorar a Lua, nem às mulheres sacrificar-se ao Deus da Cozinha»~
Debaixo dos olhos fiscalizadores da mãe, as filhas e noras ornamentam o altar, regra geral colocado ao ar livre, para a festa da Lua. São então colocados – maças, pêssegos, romãs, uvas, melões, etc – dado que a sua forma não só simboliza a Lua como também sugere a união da família.(3)
Na década de 50 e princípios de 60, nesta altura, durante os primeiros 15 dias da 8.ª lua, percorria-se a Avenida de Almeida Ribeiro para ver os ornamentos com alusivos à festa do «bolo lunar» colocados nas principais pastelarias. Muitos deles, mais sofisticados, já com ” figuras” que se mexiam (de noite, estavam iluminados) e quase sempre enquadradas em lendas ou histórias antigas chinesas como este em que se recorda o feito dos patriotas do Século XIV, contra a opressão dos mongóis.


As crianças percorriam as ruas com lanternas decorativas, de várias formas, imitando animais como borboletas (símbolo da longevidade), lagostas (símbolo da felicidade e fortuna), coelhos, peixes, etc (daí erradamente conhecido também como Festival das Lanternas) (4)

NOTA: As duas fotos foram retiradas dum artigo não assinado “A Festa do Bolo Lunar”, revista NAM VAN, n.º 5, 1984
(1)  中秋節 pinyin: zhong qiu jie; em cantonense jyutping: zung1 cau1 zit3
(2) 月餅 pinyin: yuè bing; em cantonense jyutping: jyut6 beng2
(3) Retirado dum artigo não assinado do Boletim Macau, , n.º 52, 1955.
(4) O Festival das lanternas 猜燈謎 (pinyin: cāi dēng mí; cantonense jyutping: caai1 dang1 mai4) é comemorado no 15.º dia do primeiro mês do calendário lunar, data do encerramento oficial da celebração do ano novo chinês.