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Em Julho de 1842 foi enviado um Batalhão de Caçadores e outro de Artilharia para Macau, no sentido de defender a cidade. Os militares que se encontravam em Macau eram do “Batalhão do Príncipe Regente” que em 13 de Novembro de 1845, foi substituído pelo Batalhão de Artilharia de Primeira Linha. (1)

Nesse ano, em 26 de Abril de 1842, parte do «Batalhão Provisório» que chegara à Índia com tropas do Reino no ano anterior, sob comando do Major Francisco Maria Magalhães, foi destinado a Macau pelo Governador da Índia, (2) receoso pelo clima de guerra entre Inglaterra e a China. Mas os soldados da referida companhia militar e outras tropas de Pangim amotinaram-se, o que conduziu à deposição do Governador e revogação das ordens pelo Conselho de Governo que o substitui. (3) (4)

NOTA: Durante dois séculos, os Governadores da Índia Portuguesa ou (vice-reis) (5) detiveram a jurisdição sobre todas as possessões portuguesas no Índico desde a África austral ao sudeste asiático; só em 1844 o Estado Português da Índia deixou de administrar os territórios de Macau, Solor e Timor.

(1) CAÇÃO, Armando A. A. – Unidades Militares de Macau, 1999, p.19.

(2) 1840 – 1842 – Governador José Joaquim Lopes de Lima (1797-1852); Governador da India, 1840-1842; Governador de Timor, 1851-1852

(3) 1842 – Conselho de Governo do Estado da Índia – António José de Melo Soutto-Maior Teles, António João de Ataíde, José da Costa Campos e Caetano de Sousa e Vasconcelos ;   1842 – 1843 – Governador Francisco Xavier da Silva Pereira (1.º Conde das Antas)

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 96. 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_governadores_da_%C3%8Dndia_Portuguesa

(5) Durante a vigência do regime monárquico, a titulação do chefe de governo da Índia Portuguesa variou entre «Governador» e «Vice-Rei» O título de vice-rei seria apenas atribuído a membros da alta nobreza; foi oficialmente extinto em 1774, ainda que mais tarde tenha sido conferido esporadicamente, para ser definitivamente extinto após 1835).

Publicação no «BGPMTS» (VII-15 de 11 de Outubro de 1852) do plano para distribuição da Força do Batalhão Provisório de Macau nos casos de incendio ou rebate,

08-07-1859 – Os vapores “Fernandes“(“Shamrock” ?) (1) e “Invejado”, sob o comando do Comandante do Quartel de Força de Polícia (2) major Bernardino Sena Fernandes, (3) largaram para Colan, para resgatarem um junco mercante, o que conseguiram, após grande resistência, por parte dos piratas, travando-se vivo tiroteio, no sítio defronte de Coulan, chamado Ho-Pan” (4 )
(1) “PIRATES – From Macao we hear that the Portuguese steamers Shamrock and Invejado, destroyed four piratical junki. It is reported by the Portuguese, that a British ship, supposed to be the Jeremiah Garntlt, has been taken outside of Macao by pirates.” (Daily Alta Califórnia, Vol. XI, n.º 217, 7 August 1859)
https://cdnc.ucr.edu/cgi-bin/cdnc?a=d&d=DAC18590807.2.7

SHAMROCK

“The steamship, the “Shamrock,” 294 gross tons, 201 net. Lbd: 147’5″ x 19’4″ x 11’9″was iron paddle steamer, 3 masts, schooner rigged. Built 1841 by Bush and Beddoe at Bristol, England. Arriving Sydney 15 October 1841 under Captain George Gilmore and commenced regular coastal services from October 28th 1841. As a passenger-cargo vessel, she worked the Sydney – Morpeth trade, and in February 1842 she opened the trade to the fledgling ‘Moreton Bay’ area. 1943 saw her moved to the Sydney – Melbourne where she became most familiar. She also completed runs to Launceston and smaller ports along the New South Wales coast as Twofold Bay and Eden. In December 1857 sent to Shanghai and sold to Chinese interests. Lost in the China Sea, 23rd March 1860.”
https://www.flotilla-australia.com/hrsn.htm
(2) Por Portaria Régia de 3 de Março de 1841, foi aprovado o Regulamento Policial da Cidade e Porto de Macau. A partir daí, criou-se um departamento da polícia, composta por cidadãos que foram dispensados do “Batalhão Provisório”. O negociante chinês Aiong-Pong no intuito de proteger as suas propriedades que tinha no mercado, particularmente recrutou em 1857 europeus, formando uma pequena guarda com 50 homens.
Bernardino de Senna Fernandes e alguns chineses principais uniram-se para aumentar essa guarda, para um efectivo de 100 homens de maneira a poder vigiar e guardar também os seus bens, guarda esta, intitulada Guarda de Polícia do Bazar, que foi reconhecida pelo governo com a publicação da Portaria de 14 de Outubro de 1857. Bernardino Senna Fernandes, negociante rico da praça de Macau que armou a Guarda da Polícia à sua custa, com o armamento mandado vir propositadamente da Inglaterra, foi nomeado Comandante desta guarda, com honras de Capitão. E mais tarde, foi-lhe concedido honras de Major, por ministérios da Marinha e Ultramar e Major honorário em 18-07-1861.
Também havia uma Polícia do Bazar, criado a 29 de Setembro de 1857, um grupo civil sustentado por subscrição dos chineses interessados (4)
(3) Bernardino de Senna Fernandes nascido a 20 de Maio de 1815 e falecido em 2 de Maio de 1893, foi comandante da Guarda da Polícia, (1857- 1865) superintendente da Emigração Chinesa, inspector de Incêndios (1866-1872) presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa da Misericórdia e sócio fundador da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses) (APIM). Foi distinguido com os títulos de Barão em 31-01-1889, de Visconde (18-04-1890) e de conde, em duas vidas (31-03-1893). Negociante da praça de Macau rico, um dos 40 maiores contribuintes de Macau durante vários anos.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/
(4) GOMES, L.G.- Efemérides da História de Macau, 1954.

Notícia publicada no Boletim do Governo (1) respeitante à transladacção dos restos mortais do ex governador José Maria Ferreira do Amaral no dia 2 de Janeiro de 1851, do Palácio do Governo onde estava para a Capela de Nossa Senhora do Carmo na Igreja de S. Francisco, contígua ao edifício do então Quartel do Batalhão de linha.
(1) Extraído de «Bol. G.P.M.T.S.», VOL 6, n.º 8, 1851.
NOTA: sobre o governador João Ferreira do Amaral, ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-m-ferreira-do-amaral/

Faleceu no dia 17 de Junho de 1856, de lesão orgânica de coração,  José Severo da Silva Teles que nasceu em Lisboa, em 6-11-1796. Médico-Cirurgião veio para Macau em 1815; foi nomeado Cirurgião do partido desta cidade, em 1816; obteve, em 1817, o despacho de Cirurgião-Mor do Batalhão Príncipe Regente (1) ; em 1846/1947  serviu interinamente como cirurgião-Mor da província. Foi reformado pelo Decreto Real de Janeiro de 1855.
Serviu vários cargos no Leal Senado: almotacé (2) em 1817; vereador de 1827 a 1835,  e na Santa Casa da Misericórdia (provedor eleito em 8 de Abril de 1827).
Foi também comerciante, capitão graduado (1830), médico do navio “Correio da Ásia” que fazia a carreira comercial entre Macau e Lisboa. (3)
Casou na Capela do Paço Episcopal (Sé) a 25-01-1817 com Ana Joaquina do Rego, tendo 7 filhos. (4)
Pelos seus relevantes serviços foi galardoado por decreto de 3-2-1848 sendo armado Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. (5) (6)

(1) O Batalhão Príncipe Regente, formado em 13 de Maio de 1810 (alvará na mesma da data), para a defesa da cidade, passou a funcionar como polícia da cidade. Era constituído por quatro companhias e um efectivo da ordem dos 400 homens, inicialmente alojados na Casa da Alfândega (2 companhias) e na Fortaleza do Monte (2 companhias).
(2) Almotacé – Antigo oficial municipal encarregado da fiscalização das medidas e dos pesos e da taxação dos preços dos alimentos e de distribuir, ou regular a distribuição, dos mesmos em tempos de maior escassez. (http://www.dicionarioinformal.com.br)
Nau Correio da Ásia(3) Em 2004, foi noticiado ter sido encontrado o navio “Correio da Ásia” afundado em 1816 no recife de Ningaloo, na Austrália Ocidental.
https://www.publico.pt/sociedade/noticia/museu-maritimo-australiano-encontrou-navio-portugues-afundado-em-1816-1194375
http://www.macauart.net/News/ContentP.asp?region=L&id=4167
http://www.clipquick.com/Files/Imprensa/2012/11-11/0/1_1934784_CBE926B99FF019C0597CFC59180880E5.pdf
NOTA: O afundamento do navio “Correio da Ásia” propriedade de José Nunes da Silveira, resultaria um protesto de João Joaquim de Freitas, capitão do Departamento da Marinha em Goa, em 6 de Fevereiro de 1817, ao tabelião público de Macau, José Gabriel Mendes por utilização de cartas náuticas  erróneas em que não estavam aí sinalizados os recifes já conhecidos pelos navegantes dessa zona.
Aconselho a leitura do trabalho académico do arqueólogo Alexandre de Paiva Monteiro:  “José Nunes da Silveira, negociante de grosso trato, capitão de longo curso, armador do Correio d´Azia” disponível em:
http://www.academia.edu/464296/_Jos%C3%A9_Nunes_da_Silveira_negociante_de_grosso_trato_capit%C3%A3o_de_longo_curso_armador_do_Correio_d_%C3%81zia_
(4) O 2.º filho do casal foi Joaquim Cândido da Silva Teles, também médico-cirurgião, cirurgião-Mor do Batalhão Provisório de Macau (a criação deste Batalhão Provisório foi a  17 de Outubro de 1846 – aprovado, por Decreto Régio em  12 de Março de 1847 – pelo Governador Ferreira do Amaral, destinado a auxiliar a Força de 1. º linha. O nome de Joaquim Cândido da Silva Teles foi mencionado em anterior postagem, a propósito da Relação dos oficiais do Batalhão. Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1847-batalhao-provisorio-de-macau-francisco-jose-de-paiva/
(5) A Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, de seu nome completo Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, é uma ordem dinástica portuguesa instituída pelo rei D. João VI de Portugal a 6 de Fevereiro de 1818, dia da sua aclamação, no Rio de Janeiro, Brasil.
(6) GOMES. Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954. Alguns dados foram recolhidos de FORJAZ, Jorge. Famílias Macaenses, Volume III, 1996.

Foi aprovada, por Decreto Régio de 12 de Março de 1847  e publicado no Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor de 10 de Dezembro de 1847,  a criação do Batalhão Provisório de Macau, em 17 de Outubro de 1846, pelo Governador João Maria Ferreira de Amaral,  destinado a auxiliar a Força de 1.ª linha.
Este batalhão foi criado pelo Governador Ferreira de Amaral  (e organizado com os moradores), após a revolta dos faitiões de 8 de Outubro desse ano, (1) para reforçar a força armada da Colónia que então o governador reconheceu ser insuficiente para defender a Colónia de possíveis ataques futuros.(2)(3)
A criação deste Batalhão não foi do agrado do Leal Senado que contrariava a política do Governador Amaral mas este proclamava em 22 de Dezembro de 1847 “ha de conservar-se o Batalhão Provisorio no pé em que está, porque o mui disciplinado batalhão d´Artilharia apenas pode suprir para o serviço ordinario, e só serão punidos os Cidadãos, que ou por mandrice, ou por pouco respeito à lei faltarem às reuniões.” (2)
O seu primeiro Major-comandante foi o macaense Francisco José de Paiva, que comandou o Batalhão até 13 de Dezembro de 1849, data do seu falecimento, aos 48 anos de idade. (4) O Batalhão ficou aquartelado no extinto Convento de S. Domingos.
A Relação dos Oficiais do batalhão que era composta por 4 Companhias, todos elas chefiadas por um Capitão,foi aprovado por Decreto de 13 de Dezembro de 1847.

O Estado Maior era formado por:
Major Comandante: Francisco José da Paiva
Tenente  Ajudante: Pedro Marques
Cirurgião-Mór: Joaquim C. da S. Telles
Alferes Porta bandeira: Luiz João da Silva

O Batalhão Provisório de 2.ª linha foi depois reorganizado em Dezembro de 1857 e passou designar-se Batalhão Nacional. Este Batalhão foi extinto em 1876, tendo os militares passado para o Regimento de Infantaria do Ultramar que se manteve até à sua extinção 1893.(5)
Francisco José da Paiva, nascido a 4 de Janeiro de 1801, na freguesia de S. Lourenço era filho de Francisco José de Paiva (natural de Vila do Mato, freguesia de Milhões, do Bispado de Coimbra) (6) e de Inácia Vicência Marques.
Joaquim José de Paiva, avô de Francisco, também natural de Vila do Mato viera de Portugal para Macau no século XVII tornando-se em breve um dos mais ricos comerciantes desta cidade, vindo a família Paiva a ser uma das mais poderosas de Macau. Estava casado com Maria Nunes também natural da Vila do Mato.
Francisco José da Paiva, foi nomeado Juiz ordinário de Senado em 1831, e Encarregado dos Negócios Sínicos, em 1836.(7)
Francisco José de Paiva andou envolvido nas lutas que se travaram em Macau entre constitucionais e absolutistas. Recebida em Macau a nova da revolução de 24 de Agosto de 1820, que proclamara a Constituição em Lisboa, apressaram-se alguns elementos a jurar aqui a Constituição, o que se realizou em 15 de Fevereiro de 1822.
Em 19 de Agosto de 1822, é eleita pelos constitucionais a nova Câmara, sendo escolhido Francisco José da Paiva para Procurador com 87 votos; esta Câmara cessou em 23 de Setembro de 1823 dia em que tomaram posse do Governo de Macau,  o Bispo Fr. Francisco de N. Sra. da Luz Chacim, o Major João Cabral de Estefique e o vereador do senado Inácio Baptista Cortela.
Francisco José de Paiva  foi nomeado em 1846,  o primeiro Cônsul de Portugal em Hong Kong. Foi agraciado com a comenda da Ordem de Cristo.
Fora das suas actividades como grande Homem Público, Francisco José de Paiva tomou parte importante na fundação da antiga «Casa de Seguros de Macau» de que foi, entre as pessoas particulares, o segundo maior accionista. (8)
Francisco José de Paiva casou com Aurélia Pereira (neta paterna do conselheiro Manuel Pereira) e tiveram 3 filhos: Francisco José de Plácido de Paiva (1836) Carolina Maria de Paiva (1839) e António Aurélio de Paiva (1843).

Seminário S. José 1929Igreja do Seminário 1929

Faleceu a 13 de Dezembro de 1849, sendo sepultado no Cemitério de S. Paulo. A lápide sepulcral  de Francisco José de Paiva foi depois transladada para a igreja do Seminário de S. José, onde está na parede debaixo do coro, à esquerda de quem entra do lado do Evangelho.(2)

Seminário S. José -Lápide de Francisco José PaivaTRADUÇÃO
Cristo, alfa e ómega, i. é. princípio e fim

“Aurélia Pereira de Paiva, viúva, com os seus filhos, Francisco José Plácido de Paiva, da Ordem de S. bento, e Carolina Maria de Paiva, pede, aflita, luz e descanso para Francisco José de Paiva, caritativo para com os pobres de Cristo, o qual nasceu em Macau, em 4 de Janeiro de 1801, e aqui faleceu em 13 de Dezembro de 1849, confortado com os sacramentos da Igreja”.

NOTA: Francisco José de Paiva tem o seu nome na toponímia de Macau: Travessa do Paiva (擺華巷), construída pelo Eng. Abreu Nunes em 1896, que começa entre a Rua Central e a Rua de S. Lourenço e termina na Rua da Praia Grande, ao lado do Palácio do Governo.
(1) “08-10-1846 – O Governador João Maria Ferreira do Amaral sufocou, prontamente a revolta dos faitiões (embarcações chinesas de passageiros e carga) que se tinham revoltado por ter sido lançado o imposto de uma pataca sobre essas embarcações, o qual fora proposto ao governo pelo Procurador da Cidade Manuel Pereira. “(GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942.
(3) E não tardou muito que os acontecimentos viessem demonstrar a veracidade desta afirmação, pois que, assassinado o Governador Amaral, em 22 de Agosto de 1849, e vendo-se a cidade ameaçada pela invasão china, o batalhão Provisório concorreu bastante para a memorável vitória de 25 de Agosto, segundo se vê, das seguintes palavras do Capitão Ricardo de Melo Sampaio (Boletim do Governo n.º 80 de 5 de Setembro de 1849) : “As forças do batalhão Provisório que me foram enviadas durante a acção concorreram bastante pela sua actividade e disciplina par que o resultado da luta nos fosse favorável, e sem algum acontecimento funesto a não ser um só ferido, não gravemente.(2)
(4) Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor, Ano V, n.º 89, de 10 de Janeiro de 1850:

NECROLOGIA

«Um dos golpes mais severos, que tem soffrido ultimamente esta nossa Cidade, é pela voz geral de todos, a falta do nosso mui digno, e mui chorado concidadão o Ilmo. Sr Francisco Jozé de Paiva, Commendador da Ordem de Christo, nomeado por sua Majestade Fidelíssima, Consul Portuguez em Hong Kong, e Commandante do Batalhão Provisório de Macao. – Elle já não é comnosco! No Cemiterio de Sm. Paulo, onde jaz, está esperando, como os outros que alli moram, o dia final dos seculos …(…)
…Alem d´outras prendas estimaveis, que possuia, fallava a sua lingua materna com pureza, e correcção , assim coomo diversas outras d´Europa, não ignorava o latim, sabia a Historia, e a Geographia, amava e cultivava a Musica e a literatura nacional e estrangeira, de que tinha bom conhecimento. Sua enfermidade foi longa; mas supportada com paciencia…
(5) CAÇÃO, Armando António Azenha – Unidades Militares de Macau, 1999.
(6) Francisco José de Paiva (pai do biografado, com o mesmo nome) nascido em 1758, em Midões,  faleceu em Macau (27-11-1822) sendo sepultado na Igreja do Convento de S. Francisco. Casado com Inácia Vicência Marques (faleceu a 2 -11-1848) que era proprietária do mato/monte do Bom-Jesus onde estava instalado o Carmelo de Bom Jesus. Tiveram  oito filhos.
Uma das filhas Maria Vivência da Paiva (irmã do biografado, Francisco José de Paiva que era o terceiro na linhagem mas varão) nascida em Macau a 22 de Julho de 1802.
casou com Albino Gonçalves de araújo proprietário do navio Conde de Rio Pardo de quem teve um filho, Albino Francisco de Araújo que nasceu em Macau na freguesia de S. Lourenço a 19-05-1824 e se suicidou em paris em 1873 com 51 anos de idade. este episódio relatei em:
“OUTRAS LEITURAS – 365 Dias com histórias da HISTÓRIA DE PORTUGAL (I)”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/02/outras-leituras-365-dias-com-historias-da-historia-de-portugal-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/albino-f-paiva-araujo/
(7) “07-10-1836 -O Procurador Francisco José da Paiva escreve ao Mandarim da Casa Branca, pedindo para autorizar o restauro da Fortaleza da Barra, destruída com o último tufão e chuvas, alegando ser obra pública de grande necessidade.” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)
(8) “29-11-1817 -Foi instalada a Casa de Seguros de Macau que devido ao seu poderio, era conhecido por Casa Forte. A sua primeira direcção, nomeada a 23 de Dezembro de 1817 ficou  assim constituída: Presidente, o Barão de São José de Porto Alegre; Vogais, Francisco José da Paiva e João de Deus Castro ....” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)

No dia 14 de Dezembro de 1902, com 91 anos, faleceu em Macau o Comendador Lourenço Marques. (1) Um dos traços perene da sua passagem pela vida é o Monumento da Vitória (contra os holandeses, 1622), que mandou erguer. Quando Procurador dos Negócios Sínicos e membro do Conselho do Governo, mandou colocar letreiros com os nomes das ruas e os números das casas (já o Governador Ferreira do Amaral, em 23-II-1847, havia mandado dar o nome às ruas e números das casas; propôs que criassem as fontes de rendimentos nas ilhas da Taipa e Coloane que não o tinham). A ele se deve a indicação, por meio de sinais o incêndio e a aproximação de tufões, por sinais públicos, de tufão próximo. A 1.ª iluminação pública de Macau foi da sua iniciativa, fazendo colocar à sua custa – lanternas à frente do Leal Senado e do Palácio do Governo – foi da sua iniciativa e à sua custa. Foi também Procurador do Senado e seu Presidente (1871-72). Foi ele ainda que, igualmente à sua custa, mandou fundir em bronze, no Arsenal de Lisboa, o busto do poeta português Luiz de Camões 1866, para depois o colocar na gruta onde hoje o vemos.
SILVA, Beatriz Basto e – Cronologia da História de Macau, 4.º Volume.

Jardim de Camões AGU c.1950

Jardim de Camões c. 1950

Outros cargos exercidos e contribuições para o benefício da cidade realizadas pelo Comendador:
1839 – Juiz almotacel do Leal Senado da Câmara.
1846 – Juiz substituto de paz das freguesias da Sé e de S.º António; 13 de Dezembro – procurador da Câmara. Cooperou neste ano na formação do Batalhão Provisório de Macau oferecendo ele a bandeira a esse corpo. Em 1847 era Tenente da segunda Companhia; Capitão da mesma companhia em 1850 e mandou construir uma barraca para o aquartelamento da 2.ª companhia de que era capitão das tropas.
1847 – Como membro do Conselho do Governo e Procurador dos Negócios Sínicos, mandou iluminar a cidade e numerar as casas e por nomes às ruas.
Fez parte de uma comissão (2) com o fim de promover uma subscrição voluntaria para levar a efeito um plano de educação, fundo com que se organizou a Escola Principal de Instrução Primária inaugurada em 16 de Junho de 1847. Ofereceu a esta Escola o mobiliário.
1851-1856 e de 1859-a 1861 – Procurador do Leal Senado.
No desastroso incêndio do Bazar em 1856 vendo que na cidade não havia bombas nem bombeiros em estado de poderem funcionar, solicitou-as ao almirante Guerin, e este prontamente mandou três acompanhadas de uma força de 300 homens desembarcados dos vasos de guerra «Glorie», «Ergon» e «Constantine» e devido a tão valioso auxílio é que se conseguiu extinguir esse pavoroso incêndio.
Foi sua iniciativa mandar retirar do fundo do porto da Taipa o casco da fragata «D. Maria II» e algum tesouro, tendo sido o casco vendido por algumas mil patacas em benefício do erário público
1864 – Propôs que se erigisse o Monumento da Vitória e inaugurou-a como Presidente do Leal Senado em 26 de Março de 1871.
1862 – Comendador da Ordem de Cristo a 30 de Janeiro.
1865 – Vice-presidente do Leal Senado.
1869 – Procurador substituto interino dos Negócios Sínicos.

Há um Pátio Lourenço Marques na Toponímia de Macau que fica junto à antiga casa do ópio, indo desembocar na Avenida Almirante Sérgio.

(1) Nasceu a 7 de Agosto de 1811 (baptizado a 14 de Agosto do mesmo ano, na Igreja de Lourenço), Lourenço Caetano (nasceu no dia de S. Caetano) Cortela Marques.
Casou a 7 de Agosto de 1838 (precisamente no dia em que completava 27 anos) com a sua prima Maria Ana Josefa Pereira (nascida a 21 de Abril de 1825, portanto contava apenas 13 anos de idade. Consta-se até que, quando ela teve o primeiro filho (nascido a 27 de Setembro de 1852) fazia-se mister andar a chamá-la constantemente para dar o peito à criança, pois ela – pouco menos que criança- se entretinha a brincar no jardim com outras meninas de idade… (TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942)
(2) Composta por Cónego António José Vítor Dias de Lima, Alexandrino António de Melo, Vicente Paulo Salatwichy Pitter e João Joaquim dos Remédios.