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Em 28 de Julho de 1825, tomou posse do cargo de Governador e Capitão-Geral, o Capitão de Mar e Guerra Joaquim Mourão Garcês Palha.(1)
Joaquim Garcês Palha 1825-1827Joaquim Mourão Garcês Palha, filho de Cândido José Mourão Garcês, fidalgo cavaleiro da Casa Real e governador de Damão,  nasceu em Goa, no ano de 1775 e faleceu nessa mesma cidade em 1850.
Em 1800, foi nomeado Governador da fortaleza e cidade de Diu e pertenceu à Junta Provisional da Índia Portuguesa 1822-1823.
Sendo capitão de mar e guerra, foi-lhe entregue o comando da fragata Salamandra, que de Goa partiu para Macau em 1823, afim de libertar a cidade de Macau das mãos dos liberais que em 24 de Agosto 1822, na sequência da Revolução Liberal Portuguesa, instituíram, em Macau, um regime democrático.(2) A fragata regressou a Goa  no dia 15 de Janeiro de 1824.(3)
No desempenho desta comissão houve tanta prudência e bom êxito, que D. João VI, por carta régia de 4 de Maio de 1825 aos juizes, vereadores e procurador do Senado de Macau, e por proposta destes e do vice-rei da Índia, lhe concedeu, além da comenda honorária da Ordem de Cristo, a pensão anual de 500 taés, pelos rendimentos da alfândega de Macau, com sobrevivência aos seus descendentes legítimos.(4)
Regressou a Macau em Julho de 1925, como Governador mantendo essa função de 1825 e 1827. Em 26 de Dezembro de 1825, foi jurada em Macau, a Carta Constitucional.(1)
Em 15 de Novembro de 1927, por doença retirou-se de Macau para Goa, tendo assumido o governo da Colónia, o Conselho Governativo constituído por D. Frei Francisco Chacim, Bispo da Diocese, pelo Desembargador José Filipe Pires da Costa e pelo Major Alexandre Grand-Pré.Este depois substituído pelo Tenente-Coronel Dionísio de Melo Sampaio, Comandante do Batalhão Príncipe Regente. Por morte do bispo ficou servindo o vigário capitular, Inácio da Silva, e depois o deão da Sé.(1)
Joaquim Garçês Palha foi depois Governador da Índia, entre 1843 e 1844.
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954 e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Volume 3, 1995.
(2) “Em 23-09-1923, tomou posse do Governo e Capitania-Geral um Conselho Governativo constituído pelo Bispo da Diocese, D. Francisco Chacim, pelo Major João Cabral de Estefique e por um vereador da Câmara (liberal) nomeado mensalmente. Segundo os liberais do Senado, a fragata Salamandra era o centro do alegado movimento despótico e anti-constitucional que ameaçava Macau. A fragata comandada pelo futuro Governador Joaquim Mourão Garcez Palha, trazia uma força de 200 marinheiros e oficiais vindos de Goa, os quais desembarcaram a 23 de Setembro, ocupando as fortalezas e impondo um Conselho do Governo.“(1)
(3) “8-01-1824 – O Governo de Macau anuncia na Gazeta desta data que no dia 15 seguinte larga do porto de Macau para Goa a fragata Salamandra. Arriaga assina, com Chacim (o Bispo) e Cabral (João Cabral d´Estefique.”
20-01-1824 – Embarcaram na fragata Salamandra o Comandante dela, Capitão de Mar-e-Guerra Joaquim Mourão Gracez Palha. Foi muito obsequiado e saudado à hora da partida, tendo a fortaleza de S. Francisco salvado quando, dirigindo-se do Hopu da Praia Grande para bordo, a lancha que o conduzia passou a frente.“(1)
(4) “04-05-1825 – Por carta régia dirigida aos Juízes, Vereadores e Procurador do Senado de Macau e por proposta destes, foi concedida ao Capitão de Mar-e-Guerra Joaquim Mourão Garcez Palha, além da comenda honorária da Ordem de Cristo, a pensão anual de 500 taéis com sobrevivência nos seus descendentes legítimos.”(1)
NOTA: Joaquim Mourão Garcês Palha casou com D. Lizarda Joaquina de Mendonça Corte Real, filha de Xavier de Mendonça Corte Real, moço fidalgo da Casa Real, capitão de mar e guerra da marinha de Goa, e de sua mulher, D. Violante Luísa Pereira de Castro. Deste consórcio, entre os quatro filhos, houve o 1.º visconde de Bucelas, Cândido José Mourão Garcês Palha, e o 1.º barão de Combarjúa Ludovico Xavier Mourão Garcês Palha.
http://www.arqnet.pt/dicionario/garcezpalhajm.html

Entre as notícias de Julho de 1992, encontrava-se esta:
“Foram recuperados pela polícia americana os dois valiosos desenhos do pintor George Chinnery pertencentes ao espólio do  Museu Luís de Camões e roubados há quatro anos durante a exposição em Nova Iorque.
O desaparecimento das duas obras de Chinnery, que têm por tema Macau, deu-se em Novembro de 1988 durante a participação de uma representação de Macau no certame ” O Ano do Dragão”, na cadeia Bloomingdale´s de Nova Iorque. (1)
Um dos quadros recuperados era o desenho da Igreja de S. Paulo, antes do violento incêndio de 1835, (2) com destruição da igreja e colégio construídos pelos jesuítas da Companhia de Jesus, na segunda metade do século XVI (1594-1602) restando depois somente as ruínas: a imponente fachada e a escada de granito.

CHINNERY Igreja de S.Paulo antes do incêndio 1834Igreja de S. Paulo, antes do incêndio
George Chinnery, 1834
Lápis e sépia
160 x 180 mm

(1) MacaU, II Série n.º 4, Agosto 92, p.97.
(2) “27 -01-1835 – A bela Igreja de S. Paulo de que hoje só resta a arruinada frontaria  foi destruída por um violento incêndio, na noite de 26 para 27. O Batalhão Príncipe Regente estava instalado no Colégio e o incêndio propagou-se a partir da cozinha ateando-se com rapidez a toda a estrutura.” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)

Faleceu no dia 17 de Junho de 1856, de lesão orgânica de coração,  José Severo da Silva Teles que nasceu em Lisboa, em 6-11-1796. Médico-Cirurgião veio para Macau em 1815; foi nomeado Cirurgião do partido desta cidade, em 1816; obteve, em 1817, o despacho de Cirurgião-Mor do Batalhão Príncipe Regente (1) ; em 1846/1947  serviu interinamente como cirurgião-Mor da província. Foi reformado pelo Decreto Real de Janeiro de 1855.
Serviu vários cargos no Leal Senado: almotacé (2) em 1817; vereador de 1827 a 1835,  e na Santa Casa da Misericórdia (provedor eleito em 8 de Abril de 1827).
Foi também comerciante, capitão graduado (1830), médico do navio “Correio da Ásia” que fazia a carreira comercial entre Macau e Lisboa. (3)
Casou na Capela do Paço Episcopal (Sé) a 25-01-1817 com Ana Joaquina do Rego, tendo 7 filhos. (4)
Pelos seus relevantes serviços foi galardoado por decreto de 3-2-1848 sendo armado Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. (5) (6)

(1) O Batalhão Príncipe Regente, formado em 13 de Maio de 1810 (alvará na mesma da data), para a defesa da cidade, passou a funcionar como polícia da cidade. Era constituído por quatro companhias e um efectivo da ordem dos 400 homens, inicialmente alojados na Casa da Alfândega (2 companhias) e na Fortaleza do Monte (2 companhias).
(2) Almotacé – Antigo oficial municipal encarregado da fiscalização das medidas e dos pesos e da taxação dos preços dos alimentos e de distribuir, ou regular a distribuição, dos mesmos em tempos de maior escassez. (http://www.dicionarioinformal.com.br)
Nau Correio da Ásia(3) Em 2004, foi noticiado ter sido encontrado o navio “Correio da Ásia” afundado em 1816 no recife de Ningaloo, na Austrália Ocidental.
https://www.publico.pt/sociedade/noticia/museu-maritimo-australiano-encontrou-navio-portugues-afundado-em-1816-1194375
http://www.macauart.net/News/ContentP.asp?region=L&id=4167
http://www.clipquick.com/Files/Imprensa/2012/11-11/0/1_1934784_CBE926B99FF019C0597CFC59180880E5.pdf
NOTA: O afundamento do navio “Correio da Ásia” propriedade de José Nunes da Silveira, resultaria um protesto de João Joaquim de Freitas, capitão do Departamento da Marinha em Goa, em 6 de Fevereiro de 1817, ao tabelião público de Macau, José Gabriel Mendes por utilização de cartas náuticas  erróneas em que não estavam aí sinalizados os recifes já conhecidos pelos navegantes dessa zona.
Aconselho a leitura do trabalho académico do arqueólogo Alexandre de Paiva Monteiro:  “José Nunes da Silveira, negociante de grosso trato, capitão de longo curso, armador do Correio d´Azia” disponível em:
http://www.academia.edu/464296/_Jos%C3%A9_Nunes_da_Silveira_negociante_de_grosso_trato_capit%C3%A3o_de_longo_curso_armador_do_Correio_d_%C3%81zia_
(4) O 2.º filho do casal foi Joaquim Cândido da Silva Teles, também médico-cirurgião, cirurgião-Mor do Batalhão Provisório de Macau (a criação deste Batalhão Provisório foi a  17 de Outubro de 1846 – aprovado, por Decreto Régio em  12 de Março de 1847 – pelo Governador Ferreira do Amaral, destinado a auxiliar a Força de 1. º linha. O nome de Joaquim Cândido da Silva Teles foi mencionado em anterior postagem, a propósito da Relação dos oficiais do Batalhão. Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1847-batalhao-provisorio-de-macau-francisco-jose-de-paiva/
(5) A Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, de seu nome completo Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, é uma ordem dinástica portuguesa instituída pelo rei D. João VI de Portugal a 6 de Fevereiro de 1818, dia da sua aclamação, no Rio de Janeiro, Brasil.
(6) GOMES. Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954. Alguns dados foram recolhidos de FORJAZ, Jorge. Famílias Macaenses, Volume III, 1996.

No dia 13 de Setembro de 1822, (1) o chamado Batalhão Regenerador, (porque o Batalhão Príncipe Regente, completamente saneado, passa a ser chamado como Batalhão Regenerador) tenta uma revolução absolutista em Macau com o Conselheiro Arriaga a liderar. Alguma agitação. Clima de anarquia. Felizmente em vez de armas, usou-se a força da prudência, e do patriotismo que se identificava com o governo constitucional, Miguel de Arriaga é preso, em tumulto durante a noite de 15 para 16, e é enviado à prisão da fortaleza do Monte. Saiu da lá por estar enfermo a 3 de Dezembro, mas continuou com prisão domiciliária. Foi libertado a 18 de Janeiro de 1823.

Miguel de Arriaga IPosteriormente a 25 de Março de 1823, Miguel de Arriaga Brum da Silveira (2) foi arrancado do seio da sua família às 4 horas da madrugada, sendo entregue pelo patrão-mor, como oficial de marinha, a um oficial de artilharia, que o conduziu para a bordo do navio Vasco da Gama, a fim de o embarcar para Lisboa. Arriaga conseguiu refugiar-se, porém, no navio inglês Páscoa, sob o comando de Hugh Cathre, surto em Vampu, donde escreveu ao Leal Senado, pedindo que o deixassem regressar à sua casa e andar livre, se fosse inocente, ou o julgassem e o prendessem se fosse encontrada alguma culpa. Escreveu também de Cantão ao Vice Rei da Índia, o que lhe viria a valer não só ser autorizado a regressar a Macau como ser recebido em triunfo (3)

(1) A Constituição Política da Monarquia Portuguesa que foi aprovada em 23 de Setembro de 1822, foi uma tentativa de pôr fim ao absolutismo e inaugurar em Portugal uma monarquia constitucional. Esteve vigente durante apenas dois efémeros períodos – um primeiro período entre 23 de Setembro de 1822, altura em que foi aprovada, e 3 de Junho de 1823, data em que as Cortes fazem a declaração da sua impotência que se seguiu ao golpe de D. Miguel que proclamou em Setembro, a queda da Constituição (29 de Maio de 1823; um segundo período entre 10 de Setembro de 1836, com a chamada revolução de Setembro, que, repôs transitoriamente em vigor a Constituição de 1822, abolindo a Carta Constitucional até que se elaborasse uma nova Constituição que só veio a aparecer a 4 de Abril de 1838.
http://www.arqnet.pt/portal/portugal/liberalismo/const822.html
Miguel de Arriaga II(2) Miguel José de Arriaga Brum da Silveira, nasceu na Horta (Açores) a 22-03-1776. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Faleceu em Macau ao fim duma prolongada moléstia, no dia 13 de Dezembro de 1824.
Foi Juiz do Crime em Lisboa, desembargador da Casa de Suplicação do Brasil e da Relação das Índias em Goa, e Ouvidor Geral em Macau. Pelos relevantes serviços prestados à província, foi contemplado por D. João VI com a alcaidaria –mor da Vila da Horta (Açores)
Sobre esta personalidade controversa de “traidor” a “patriota e benemérito”, que em Macau se “portou” como um “pequeno rei” (superintendia a Fazenda, a Instrução religiosa e laica, as áreas administrativa, militar e da Justiça)
Sobre Miguel de Arriaga, ler artigo de Luís Sá Cunha, “Miguel de Arriaga: Uma águia num zoo”, na revista «Macau» (15-12-2013) disponível em:
http://www.revistamacau.com/2013/12/15/miguel-de-arriaga-uma-aguia-num-zoo/
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 3.º Volume.

…………………………………continuação do “post” anterior (1)

“Tinha o corpo estendido em todo o seu comprimento com a cara voltada para o sobrado e os cabelos estendidos para a frente, estando o corpo e o sobrado todo ensanguentado. O crâneo estava literalmente macerado, e ao lado uma coronha de clavina de dois canos quebrado pelo delgado, estando a fecharia envolta em cabelos também ensanguentados. Por cima da mesma havia uma folha de espada de boa têmpera e muita antiga, que mostrava não ter servido em toda a luta por não se descobrir nela vestígio de algum sangue. Só restava saber o que fora feita do coronel Mesquita, e logo houve quem se lembrasse de que se a casa tinha poço, Mesquita devia ter ido ali acabar seus dias, e não se enganou.
Todos se dirigiram em massa ao lugar do poço, onde foi encontrado o desventurado Mesquita, julgo que com vida ainda pelo facto de subirem à flor da água algumas bolhas de ar. O poço, porém, era de grande profundidade, que foram frustradas todas as tentativas para o trazer acima, enquanto não chegou um aparelho preparado para aquele fim, conseguindo-se trazê-lo acima sómente às 5 horas da madrugada, tendo na cabeça algumas fracturas por efeito de pancada nas paredes do poço por ocasião da queda.”

O remate desta triste tragédia, é fácil de compreender ou prever, a família Mesquita ficou reduzida a metade:  3 mortos, 2 feridos e 1 sem receber ferimento algum; os mortos foram o coronel Mesquita, sua esposa Carolina Maria Josefa da Silveira e sua filha mais nova, Iluminada Maria Os feridos foram: a filha mais velha, Leopoldina Rosa e o filho mais velho, Geraldo, ficando ileso o filho mais novo, Francisco,  que contava 18 anos de idade. Este veio a falecer mais tarde em Xangai, empregado numa firma comercial; Geraldo foi para Timor, sendo furriel em 31 de maio de 1883, por assim o haver requerido; mais tarde ascendeu ao posto de sargento, de que depois pediu baixa, vindo a falecer em Macau; a última, Leopoldina, faleceu em 1937; como todos três morreram solteiros, ficou para sempre extinta a família do coronel Mesquita, que parecia estar sob a influência de má estrela (2)

………………………..Voltarei ao assunto numa próxima oportunidade.

NOTA: a casa onde se deu a tragédia já não existe; ficava no lugar onde está o prédio n.º 1 da Rua do Lilau. O poço foi entupido com as obras do novo prédio.

 Vicente Nicolau de Mesquitahttp://en.wikipedia.org/wiki/File:Mesquita-portrait.jpg

 Vicente Nicolau de Mesquita casou aos 17 anos de idade ( nessa altura, era já voluntário no Batalhão do Príncipe Regente) com a crioula Balbina Maria da Silveira de quem teve cinco filhas, três das quais faleceram no mês de Maio de 1842, com intervalos de uma semana. Enviuvou. após 24 anos de casamento, tendo depois desposado Carolina Maria Josefa da Silveira, irmã da sua primeira mulher (mais nova 11 anos). A quarta filha do primeiro casamento faleceu meses após o 2.º casamento do pai. Leopoldina Rosa  faleceu em 14 de Outubro de 1937 no asilo da Misericórdia, com 95 anos de idade. (ARAÚJO, Amadeu Gomes – Diálogos em Bronze, Memórias de Macau. Livros do Oriente, 2001, 168 p. + |6|. ISBN 972-9418-88-8)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/19/noticia-de-19-de-marco-de-1880-tragedia-em-macau-vicente-nicolau-de-mesquita-i/
(2) TEIXEIRA, P.e Manuel – Vicente Nicolau de Mesquita. Macau, 2.ª edição, 1958, 98 p.