Archives for posts with tag: Bairro de Patane

Duas fotografias publicadas no Anuário de Macau de 1922 (as mesmas fotos estão reproduzidas em outras publicações dessa época com maior nitidez) com os títulos de “MACAU ARTÍSTICO” e “MACAU RENASCENTE”

MACAU ARTÍSTICO
Vista parcial da cidade; à direita vê-se o porto exterior da Rada de Macau; à esquerda o porto interior
MACAU RENASCENTE
Vista parcial da cidade: à esquerda o Bairro de Patane; à direita a Ilha Verde e a antiga estrada de comunicação entre a cidade e aquela ilha. Ao norte e sul da estrada vêem-se os aterros feitos nessa época pela Direcção das Obras dos Portos com o produto das dragagens e as docas em construção e o varadouro do Patane. Ao fundo avista-se a ilha da Lapa-

Outros dois desenhos a lápis, do álbum da colecção Duarte de Sousa, presente no livro “Macau, Cidade do Nome de Deus na China” (1).

Pintura de 1831-1832 - Penedos do PataneNear the Campo
No livro, a legenda para este desenho: “Recanto do Campo de Patane junto do rio

Pintura de 1831-1832 - Ribeira do PataneThe Water course near the Campo
No livro, a legenda para este desenho: “Recanto do curso do rio, próximo do Campo de Patane

NOTA: O rio referido era a Ribeira de Patane que “passava” onde é agora o Bairro de Patane (Sá Lei Tâu) (3) indo desaguar no Porto Interior. Existia sobre esta ribeira, uma ponte antiga de madeira e bambu destruída por um tufão e reconstruída depois, pelo que ficou conhecida com Sân Kiu (新 橋mandarim pinyin: xin qiáo; cantonense jyutping: san1 liu4 – Nova Ponte). Esta ponte desapareceu com os aterros dessa zona permanecendo o nome do local (Canal de Sân Kiu) e creio a denominação de uma Travessa chamada da Ponte.
Recordar que já em 1632 existia o «Campo dos Patanes»; Pe. António Cardim (reitor do Colégio de Macau) referia, naquela época, um local “Penedos de Camões, junto do campo dos patanes

1) Álbum de Desenhos a Lápis Sobre Macau e Ilhas do Atlântico e Índico – 50 desenhos.
http://purl.pt/index/porCulture/aut/EN/933589_P6.html.
Ver anteriores “posts”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/21/pintura-de-macau-de-1831-1832
(2) Sobre este autor e referência ao livro, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/j-dyer-ball/
(3) Ver: “O Bairro do Patane” em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/09/o-bairro-do-patane/

O bairro do Patane é também designado pelos chineses por Sá Kong, nome por que era conhecido, outrora, um montículo que, então ali existia, formado por acumulação de areia trazida pelo vento.
Por este motivo, o referido local também tinha a designação de «Fei-Lôi-Kóng» (montículo que apareceu a voar). Este montículo, segundo a tradição, desapareceu durante um abalo sísmico que, dizem os historiadores chineses, devia ter ocorrido entre 1862 a 1875, durante o reinado do imperador T´ông-Tchi. (1)

Os Chineses também chamam a este local «Sá -Lei-T´âu», (2) devido ao facto de as suas ruas, quando da construção das primeiras casas do referido bairro, apresentarem o formato duma pera.

Da primitiva povoação (3) nasceu o actual bairro do Patane, um dos mais populosos dos bairros congéneres. (4) . Nos finais do século XIX e princípios de XX, este bairro chegou a ser um importante bairro comercial, onde se encontravam concentrados os estabelecimentos que, então, negociavam com o interior da China. (5)

É no sopé do montículo do Patane (sobre o qual se ergue o recinto do Jardim da Gruta de Camões) que se encontra o templo conhecido entre os chineses pelo nome de «Templo dos Deuses Locais» – Tou Tei Miu, já referido em anterior postagem: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/05/lenda-do-templo-dos-deuses-locais-tou-tei-miu/

Mapa PATANE, 1984MAPA DE MACAU (ZONA DO PATANE) (1984) (6)

(1) Imperador Tongzhi 同治 (1856-1875), nono imperador da Dinastia Manchu, reinou de 1861 a 1875.
(2) 梨頭 (mandarim pinyin: li tou; cantonense jyutping: lei4 tau4 – cabeça de pera.
(3) Uma das primeiras referências a esta zona, foi feita pelo Padre António Cardim, reitor do Colégio de Macau de 31-08-1632 a 23-05-1636 e autor de “Título dos bens de raiz do collegio de Macau”. Neste, referia que existia já nessa época um local de Macau, denominado «Penedos de Camões», junto do «campo dos patanes»
(4) A população total de Macau sem tomar em conta a população da Taipa e Coloane em finais do século XIX:

BAIRROS

1867

1871

1878

Bazar

14.572

19.877

14.343

Patane

8.481

7.215

6.524

Mong   Há

8.182

5.576

2.328

S.   Lázaro

2.590

2.598

3.111

Sé,   S. Lourenço, Santo António e Barra

22.426

20.941

20.313

TOTAL   DA POPULAÇÃO TERRESTRE

56.252

56.202

46.619

POPULAÇÃO   MARÍTIMA

15.590

10.060

8.831

TOTAL

71.844

66.267

55.450

Quadro retirado de CORVO, João de Andrade – Estudos sobre As Províncias Ultramarinas, Lisboa 1887,189 p.
(5) Vejamos agora quaes são as cinco povoações ruraes mais antigas a que nos referimos, para depois nos ocuparmos da cidade christã, como lá se lhe chama.
O primeiro d´estes bairros suburbanos fica proximo da fortaleza da Barra, e é por isso denominado povoação da Barra.
O outro acha-se na encosta do outeiro da Penha, onde está levantada a fortaleza do Bom Parto; chama-se povoação do Tanque do Mainato.
É aqui que se encontram as mais bonitas vivendas de Macau, chamadas «chácaras».
As tres restantes povoações são a do Patane, de Mong Há, e a de S. Lázaro.
A do Patane é de todas cinco a mais importante, já pela industria fabril, já pelo seu commercio, principalmente em madeiras de construcção.
Fica no littoral do porto interior, na especie de cotovello, que a peninsula faz ao formar a enseada da ilha Verde, terminando onde começa a de Mong Há
A povoação do Patane tem hoje tomado tão grande desenvolvimento, são tantos n´ella os estaleiros e estancias de madeira, que  se pode considerar dividida em tres povoações a saber: Patane propriamente dita (bairro hoje, a bem dizer, urbano), San Kiu e Sá- cong (povoações ruraes e piscatórias.)
É entre o Patane e Mong Há que predominam as hortas e as varzeas.
Artigo não assinado no “O Occidente”, 1890.
(6) Parte do Mapa de Macau retirado de “Antigos Navegadores e Marinheiros Ilustres nos Monumentos e Toponímia de Macau. Edição da Obra Social dos Serviços de Marinha, Macau, 1984, 17 p.