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Extraído de «BGC» XIV-153, Março de 1938.

Extraído de «BGC», XXI-24, Outubro de 1945 pp. 130-131

HANGAR Porto Exterior (1940)O hangar do Centro de Aviação Naval em construção no Porto Exterior. (1940)
Vê-se à esquerda, a casa do Alferes Luís na Estrada de Cacilhas. Ao fundo e no alto, o Farol da Guia.

O Centro de Aviação Naval (ou Marítima) de Macau (1) foi extinta a 11 de Abril de 1933. Foi depois reactivada em 1937 (2) ou 1938 (3) (4) como Centro de Aviação Naval da Colónia de Macau. Desta vez, com aviões OSPREY, dois embarcados nos navios «Afonso de Albuquerque» e «Bartolomeu Dias», a que se juntaram mais tarde quatro aviões também OSPREY, comprados ao governo inglês.
Em 1942, em plena II Guerra Mundial, o Centro de Aviação Naval, foi definitivamente extinta. O hangar inaugurado em 1940, foi bombardeado  por cinco  bombardeiros americanos pertencentes à esquadrilha sino-americana a 16 de Janeiro (duas vezes), a 25 de Fevereiro e a 11 de Junho de 1945. Depois da Guerra, foi reconstruído mas serviu mais para depósitos de materiais e residência para família de militares.

Inauguração Hangar Porto Exterior 1940Inauguração do interior do Hangar do Centro da Aviação Naval de Macau (1940)

Efectivos da Aviação Naval 1940/1941 (5)
1.º Comandante – Capitão-tenente aviador, António Gomes Namorado.
2.º Comandante – 1.º tenente aviador, José de Freitas Ribeiro
1.º tenente aviador – Pedro Correia de Barros
2.º tenente aviador – Rodrigo Henriques Silveirinha
1.º sargento mecânico aviação – Joaquim Macedo Girão
2.º sargentos artífice de aviação – Rafael Afonso de Sousa e João dos Santos Loureiro

Inauguração Hangar Porto Exterior II 1940Inauguração do Hangar do Centro da Aviação Naval de Macau (1940)

(1) Em 1927, havia apenas três centros de Aviação Naval dependentes da Marinha de Guerra: Lisboa, Aveiro e Macau. Em 1928 o Governo aprovou a transferência, para a Marinha privativa da colónia de Macau, do material pessoal e equipamento do anterior centro de Aviação Naval.

HANGAR DA AVIAÇÃO TAIPANa primeira praia, a leste da Taipa Grande, onde é hoje a Avenida da Praia, esteve até 1940, estabelecida a base da aviação naval da Colónia.

O primeiro tenente, José Cabral ex-combatente da I Grande Guerra, foi apresentado voluntariamente em Macau para dirigir o Centro de Aviação Naval.
Esteve três anos no território e escreveu no relatório o que fora a sua actividade na Colónia: quase 500 voos, num total  de 218 horas e 15 minutos. Os aviões , só podiam ser usados em certas condições, com a maré cheia ou quando a água tivesse pelo menos sete pés de profundidade; o pessoal europeu da Aviação Naval não ultrapassava a meia dúzia  com ele e com o sargento, ajudante de carpinteiro, Joaquim Carpeta; havia ainda seis  loucanes e um guarda africano, um cavalo e algumas cabras que querendo em liberdade, insistiam em destruir as árvores e plantas do jardim da Taipa, perante o desespero e indignação da Comissão Municipal das Ilhas e a bonomia do comandante da Aviação Naval que não via como pôr termo a tal abuso ( SÁ, Luís Andrade de – Aviação em Macau, um Século de Aventuras, 1990)

Outro Aspecto da InauguraçãoOutro aspecto da inauguração do interior do Hangar

(2) “1937 – É Criado o Centro de Aviação Naval da Colónia de Macau pelo artigo 144.º do Decreto n.º 28 263, de 8 de Dezembro de 1937, publicado no Suplemento ao B. O. N,º 4 de 26-I-1938. Fica fazendo parte da marinha privativa, nos termos do decreto n.º 28 641 de 9 de Maio de 1938, publicado no B.O. n.º 26, de 25 de Junho de 1938. Logo no início de 1938 é nomeado o capitão-tenente piloto aviador José Cabral para ira Inglaterra receber e verificar o material de aviação destinado a Macau” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.)
(3) 1938 – Reactivado o Centro de Aviação Naval desta vez com aviões OSPREY, primeiro os n.ºs 71 e 72, aviões que tinham embarcado nos navios «Afonso de Albuquerque» e «Bartolomeu Dias», a que se juntam mais tarde quatro aviões também OSPREY. Em 1942, em plena II Guerra Mundial, o Centro de Aviação Naval, é definitivamente extinta. (VILARINHO, Manuel – entrevista à Revista «MACAU», n.º18, 1989, p.50)
(4) “Só em 1938, quando o conflito sino-nipónico, assinalava o agravamento da situação no continente chinês, o Governo da República decidiu enviar para a colónia de Macau o aviso Afonso de Albuquerque com dois aparelhos Osprey e elementos da aeronáutica. O navio chegou a Macau no dia 22 de Outubro de 1937 e na colónia encontrou um hangar desactivado,  com dois aviões de tela apodrecida, guardado por uma companhia indígena, cujas portas, baixas, eram demasiadas pequenas para que um dos Osprey pudesse ficar abrigado do mau tempo. Em Dezembro desse ano comprou-se ao Governo inglês mais quatro aviões Osprey, além de peças e motores sobresselentes. (, Luís Andrade de – Aviação em Macau, um Século de Aventuras, 1990).
(5) Anuário de Macau 1940/1941

Duas fotos com as respectivas legendas publicadas na revista “ILUSTRAÇÃO” (1928) referente ao Centro de Aviação Naval de Macau, localizado na Vila da Taipa e que foi inaugurado em 10 de Novembro de 1927. O comando foi entregue ao 1.º Tenente José Cabral. (1)
Estava equipada com três aviões Fairey, n.º s 17, 19 e 20. O Fairey 17, o «Santa Cruz» era um dos três aviões que pilotados por Sacadura Cabral e tendo com Gago Coutinho por navegador, tinham tomado parte na travessia aérea Lisboa-Rio de Janeiro, em 1922.

                         Ilustração 1928 Aviação Naval I

AVIAÇÃO COLONIAL PORTUGUESA – O «Fairey» III D (Motor Rolls Royce Eagle) na Estação aérea de Macau (ilha da Taipa, defronte de Hong Kong, China do Sul). Êste aparelho é aquele em que o falecido capitão de mar e guerra Sacadura Cabral e o contra-almirante Gago Coutinho cruzaram o sul do Atlântico em 1922. A estação aérea de Macau é comandada pelo 1.º tenente aviador José Cabral que se vê no meio do grupo. Foto publicitada no «Aeroplane» a revista inglesa de aeronáutica, a melhor do mundo”.

Ilustração 1928 Aviação Naval II

VISITA DA AVIAÇÃO INGLESA – Visita da aviação inglesa à base aeronáutica portuguesa de Macau. Grupo de oficiais ingleses de Kai Tak, (Hong Kong) com os seus camaradas portugueses, junto dum dos aviões da base da Ilha da Taipa, obtido no curto intervalo das muitas e brilhantes festas ali realizadas (Foto gentilmente oferecida pelo comandante José Cabral)”

(1) O Centro de Aviação Naval (ou Marítima) de Macau  foi extinta a 11 de Abril de 1933. Foi depois reactivada em 1937 (segundo Beatriz Basto da Silva, na sua Cronologia) ou 1938 (segundo Manuel Vilarinho, entrevista à revista «Macau») como Centro de Aviação Naval da Colónia de Macau. Desta vez com aviões OSPREY, primeiro os n.os 71 e 72, aviões que tinham embarcado nos navios «Afonso de Albuquerque» e «Bartolomeu Dias», a que se juntam mais tarde quatro aviões também OSPREY. Em 1942, em plena II Guerra Mundial, o Centro de Aviação Naval, é definitivamente extinta.

Comunicação apresentada na Academia de Marinha pelo Membro Efectivo

Contra-Almirante EMQ José Luís Roque Martins

em 14 de Dezembro de 2010 (1)

“Aquele ano de 1960 tinha começado normalmente. Os cadetes do Curso D. Lourenço de Almeida preparavam-se para concluir o 3º semestre do seu curso, o que deveria acontecer até ao fim de Fevereiro. Todos nós sabíamos que no programa de ensino da Escola Naval, o 4º semestre correspondia a uma viagem de instrução. No entanto, apesar de nos aproximarmo-nos rapidamente de Março confesso que não notei que houvesse grande dramatismo com o caso, correndo às vezes notícias desencontradas a que se não dava grande importância. Até que numa tarde, quase no fim de Fevereiro, encontrando-nos a jogar futebol no campo da Base Naval, vejo descer a correr pela rampa do topo sul o meu primo, 1º ten. Martins Salvador, nosso professor na Escola Naval, gritando “Luís, Luís-vocês vão dar a volta ao Mundo!… (…)
Efectivamente aproveitando as Comemorações do V Centenário da morte do Infante D. Henrique que ocorriam em 1960, era proporcionado aos cadetes do curso D. Lourenço de Almeida uma viagem de circumnavegação… (…)
Saímos do Japão rumo a Hong-Kong pelo estreito da Formosa. A visita a este território, grande centro comercial e também cinematográfico, mostrou-nos um lugar cosmopolita com imensa população, com um centro da cidade onde predominavam os grandes bancos e grandes empresas.
Daí a Macau foi um pequeno passeio entre ilhas. Em Macau foi pena termos de ficar no Porto Exterior a 4 milhas de terra. A ligação era feita por um rebocador que ia lançando fagulhas, que com o tempo chuvoso que apanhámos quase sempre, nos sujava as fardas permanentemente. Estivemos pouco tempo em Macau, mesmo assim deu para visitar os pontos mais importantes da cidade, desde o Farol da Guia até à Porta do Cerco, às ruínas da Igreja de S. Paulo e à gruta de Camões e às instalações da Marinha. Circulámos no Centro e tivemos uma recepção no Leal Senado e uma pequena festa no Clube Militar e ainda tivemos tempo de ir uma noite ao velho Casino Central, experimentar aquele ambiente de fumos e odores exóticos.
Macau em 1960 tinha casas relativamente baixas e não havia nenhuma construção moderna, como as que vieram a ser construídas no último quartel do século XX. Ficámos um pouco surpreendidos com a reduzida percentagem da população que falava português. Tirando o pessoal dos correios, da polícia, e das funções oficiais, poucos mais falavam a nossa língua.”

AVISO DE 1.ª CLASSE “AFONSO DE ALBUQUERQUE” (2) 

Esta viagem, a bordo aviso de 1ª classe “Afonso de Albuquerque” iniciou-se  em 18 de Março de 1960.
O aviso “Afonso de Albuquerque” ficou em Goa tendo os cadetes sido transferidos para o “Aviso Bartolomeu Dias ” que regressava a Lisboa. O Aviso “Afonso de Albuquerque” não voltaria a Lisboa pois em Dezembro de 1961. no combate com a esquadra indiana, acabou por se perder encalhado perto de D. Paula (praia de Bambolim). Do combate resultou 5 mortos e 13 feridos . A heroicidade da guarnição do “Afonso de Albuquerque” foi reconhecida pelo próprio inimigo, sendo Cunha Aragão (o comandante, António da Cunha Aragão, capitão de mar e guerra ficou ferido durante o combate) visitado no hospital, pelos comandantes dos navios que enfrentou. Depois de capturado, o navio foi rebatizado “Saravasti” pelos indianos, sendo rebocado para Bombaim (hoje, Mumbai). (3)

AVISO DE 1.ª CLASSE “BARTOLOMEU DIAS (4)

NOTA: Os cursos da Escola Naval tinham  um patrono. O curso «D. Lourenço de Almeida» foi o primeiro curso da chamada «nova» reforma da Escola Naval, aprovada pelo Decreto-Lei nº 41.881, de 26 de Setembro de 1958, que veio alterar, substancialmente, o ensino naquela Escola. Os 63 Cadetes que iniciaram o curso em 2 de Dezembro de 1958, com destino às classes de Marinha, Aviação Naval, Engenheiros Maquinistas Navais e Administração Naval, constituíram, muito provavelmente, o maior curso que alguma vez frequentou a Escola Naval. (5)
Lourenço de Almeida  (1480-1508) foi capitão-mor de Portugal, único filho varão do vice-rei D. Francisco de Almeida e de Brites Pereira. Combateu em Tânger (1501) e chegou ao Ceilão (actual Sri Lanka) em 1506 onde submeteu o rei e descobriu a origem da canela. Derrotou a poderosa esquadra do rei de Calecute. Faleceu em combate, em 1508, na batalha de Chaul frente à esquadra mameluca egípcia comandada por Mirocem. (6)
(1)  http://www.marinha.pt/PT/amarinha/actividade/areacultural/academiademarinha/Conferencias/Documents/14DEZ10.pdf
(2)  http://www.guerracolonial.org/specific/guerra_colonial/uploaded/graficos/naviosfichas/navios.swf(3)  http://pt.wikipedia.org/wiki/NRP_Afonso_de_Albuquerque
(4)  http://naviosenavegadores.blogspot.pt/2009/04/bartolomeu-dias-o-navegador-e-os-navios.html
(5)  http://avozdaabita.blogspot.pt/2008/11/os-50-anos-do-curso-d-loureno-de_20.html
(6)  http://pt.wikipedia.org/wiki/Louren%C3%A7o_de_Almeida,_capit%C3%A3o-mor