Archives for posts with tag: Avenida Vasco da Gama

Retirado (disponível na net) em:
The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits … , 1904, p. 492

Eudore de Colomban Busto de Camões 1927José Inácio de Andrade, em “Cartas escriptas das Índia e da China“, (1), escreve:
 «Existe em Macao, no téso de uma quinta, na freguesia de Santo António, um alpendre sôbre columnas, ao qual uns chamam pagode outros gruta de Camões.
Foi erigido há séculos, em comemoração de ter composto alli a sua epopéa, os Lusíadas.. (…)
Compoe-se de três grandes penedos facetados, levantados pelas mãos da Natureza, a poucos passos do alpendre: dois a prumo, e o terceiro horizontal, servindo de tecto à lapida, onde o meu excelente amigo Manoel Pereira mandou exculpir , em bronze , os versos de Camões proprios a enriquecer aquele veneravel monumento»

Eudore de Colomban Monumento de Vasco da Gama 1927O monumento de Vasco da Gama  que se planeava levantar no centro da Avenida Vasco da Gama, em 1898, foi inaugurado a 31 de Janeiro de 1911, tendo as obras começado em 1907. O escultor foi Tomás da Costa A parte central do jardim onde está o monumento fazia parte da extinta Avenida de Vasco da Gama (abrangia as áreas ocupadas pelas antigas instalações das Escolas Primárias Oficiais Luso-Chineses «Sir Robert Ho Tung», Hotel Estoril, Escola Primária Oficial «Pedro Nolasco da Silva», e Comando da Polícia de Segurança Pública. Foi rasgada em 1898 pelo Eng. Augusto César d´Abreu Nunes para comemorar o IV Centenário da Descoberta da Índia por Vasco da Gama. Media 500 metros na sua maior extensão tendo a largura média de 65 m. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997)
Fotos retirados de COLOMBAN, Eudore de – Resumo da História de Macau, 1927
(1) ANDRADE, José Inácio de (1780-1863) – Cartas escriptas da India e da China nos annos de 1815 a 1835. Macau, Livros do Oriente, 1998.

Continuação da publicação das fotografias deste pequeno álbum (1)

“SOUVENIR DE MACAU” 
Souvenir de Macau 1910 Estrada da Av Vasco da GamaESTRADA DA AVENIDA VASCO DA GAMA

A área do T´ap Seac (que significa Torre de Pedra a qual deve ter existido nesse local) era uma extensa várzea, que foi saneada quando se abriu a ampla Avenida de Vasco da Gama de 65 m de largura e 500 m de extensão. Esta avenida desapareceu para nela ser construídos o monumento de Vasco da Gama, a Escola Luso-Chinesa Sir Robert Ho Tung, o Hotel Estoril, as Escolas Primárias Municipais, a Escola Infantil e o Comando a Polícia de Segurança Pública.” (2)

Souvenir de Macau 1910 Estrada da FloraESTRADA DA FLORA

Nos Bairros de T´ap Seac, de Sá Kong e de Mong Há, entre a Estrada da Flora, a Estrada Adolfo Loureiro, a Estrada Coelho do Amaral e a povoação, existiam extensas várzeas de 300 mil metros quadrados de área, as quais pelas águas das chuvas represadas pelos agricultores e pelo adubo que nelas se empregava – fezes humanas – constituíam um grande foco de infecção e de paludismo. O governador, José Maria de Sousa Horta e Costa (1894-1897), que era capitão de engenharia, a quem Macau muito deve no campo de sanidade, dedicou-se ao saneamento desses bairros começando pelo de T´ap Seac.” (2)
(1)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/04/29/macau-de-1910-souvenir-de-macau-i/ 
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol I, 1997.

Souvenir de Macau 1910 CAPAPequeno álbum de fotografias de J. Arnold (dimensões da capa: 18,5 cm x 12,5 cm; 25 folhas), contendo 24 fotografias de Macau (dimensões: 14,5 cm x 9 cm), da década de 10 do século XX, com legendas em português.

Souvenir de Macau 1910 1.ª páginaFoi publicado em 1921 pela gráfica “HOOD & Co. LTD., Engravers and Printers, MIDDLESBROUGH, ENGLAND”

Souvenir de Macau 1910 Panorama de MacauPANORAMA DE MACAU

 Muitas das fotografias deste álbum são já conhecidas pois foram reproduzidas em muitas publicações quer em revistas/jornais quer em livros.
NOTA: John Arnold é autor de A Handbook to Canton, Macao and the West River, revised and re-witten (Hong Kong: Hong Kong, Canton and Macao Steamboat Co., Ltd, etc, 1910) e de A Day in Macao wiih a Camera, Scenery on the West River com fotos tiradas em Fevereiro de 1910.
Muito possivelmente foram tiradas, como em Hong Kong, com uma camera construída por Messes J. A. Sinclair & Co. Ltd, London.
É autor de dois livros com fotografias de Hong Kong que podem ser vistos em:
“Through Hong Kong with a camera : some photographs of picturesque scenery and other views in Hong Kong”, by J. Arnold. Middlesbrough, England,Hood & Co., 1910.
http://ebooks.lib.hku.hk/archive/files/3c66345ba7948c688d9289f7c42d0b58.pdf
“Picturesque Hong Kong: a handbook for travellers / illustrated with original and copyrighted photographs by J. Arnold.” Hong Kong,  Tillotson & Sons, 1911.
http://ebook.lib.hku.hk/CADAL/B38633735.pdf
No “website” do Arquivo Histórico de Macau, (1), acerca destas fotografias, encontramos oito delas, com esta explicação:
UM DIA EM MACAU COM MÁQUINA FOTOGRÁFICA
Este pequeno livro da biblioteca de Luís Gonzaga Gomes revela-nos, através da lente de um fotógrafo, a Macau de 1910. Imagens de há cem anos que nos fazem recuar a um Macau pacato, de vias quase desérticas e de um céu límpido: a marginal da Praia Grande; o descarregar do peixe nos portos interior e exterior; a Avenida Vasco da Gama ladeada de árvores, e a Estrada da Bela Vista, ambas desertas; as serenas Ruínas de S. Paulo, os tranquilos Templo de A-Ma e Jardim de Camões. Macau, tal como era antes do desenvolvimento e prosperidade que trariam mais tráfico e turistas à cidade.
Das 8 fotos digitalizadas pelo Arquivo Histórico, as seis primeiras (legendadas em inglês) estão presentes neste meu pequeno álbum, embora as legendas dos lugares, em português, não coincidam com as legendas inglesas.

Souvenir de Macau 1910 Praya Grande “Praya Grande”

 “A view of Macao from the sea is exquisitely fine. The semicircular appearance of the shore, which is unencumbered and unbroken by wharfs or piers [there are one or two small landing places projecting] and upon which the surge in continually breaking and receding in waves of foam, whereon the sun glitters in thousands of sparling beams, presents a scene of incomparable beauty. The Parade [Praia Grande] which is faced with an embankment of stone, fronts the sea and is about half a mile in length. A row of houses of a large description extends along its length, Home are coloured pink, some pale yellow and others whit.e The houses, with their large windows extending to the ground with curtains,  convey an idea to the visitor that he has entered a European rather than an Asiatic seaport. ” (Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth, by J. Dyer Ball, 1905).

Souvenir de Macau 1910 Entrance to the Barra Temple“Entrance to the Barra Temple”

“The temple near the inner harbour is remarkable for its situation. A mass of gigantic boulders are heaped together by Nature in chaotic confusion and at their feet are the main buildings of the temple while stone steps lead up amongst the masses of the rock, amidst which here and there, are perched different buildings and shrines. Inscriptions are cut in the rocks, and stone seats are placed on the little terraces, which occupy every coin of advantage, grudgingly granted by the great granite boulders.” (Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth, by J. Dyer Ball, 1905.)

Souvenir de Macau 1910 Inner Harbour“Fishing Fleet Inner Harbour”

“Unfortunately the outer Harbour on which the Praya Grande faces is shallow and any large vessels which may call at Macao have to lie some miles from the shore in the offing. The Inner Harbour lying between the Peninsula and the Island of Lappa affords a secure harbour, but, unfortunately it has been silting up with mud for many years past. Of late years, however, a dredger has improved matters. The Praya on the Inner Harbour presents a great contrast to the other Praya for whereas quiet reigns on the seaward one, the inland one is all bustle; rows of Chinese vessels are anchored off the shore and boats and sampans line the banks on which coolies are busy loading or unloading cargo to carry into the stores, shops, and wholesale Chinese merchants’ places of business on this Menduia Praya or into the back streets.” (Macao: the Holy City,  the Gem of the Orient Earth, by J. Dyer Ball, 1905)

Souvenir de Macau 1910 Ruin S. Paulo Cathedral “Ruin of San Paulo Cathedral”

 Descrição do frontispício da antiga catedral de S. Paulo por J.. Dyer Ball, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/27/pintura-de-macau-de-1831-1832-vi-ruinas-de-s-paulo/

Souvenir de Macau 1910 Villa Leitão View from Road Below the Guia Lighthouse

 Esta foto é conhecida por apresentar a Villa ou Chácara Leitao (2) que ficava à beira mar no Porto Exterior, na encosta onde hoje está o Cemitério dos Parses e o começo da antiga Estrada de Solidão (desde 1869, Estrada de Cacilhas), que torneia a fortaleza da Guia pelo lado do mar. Termina na antiga praia de Cacilhas.
Curiosamente a legenda em português, está “Estrada da Bella Vista” (levando por isso certos autores a atribuírem esta foto, à actual Avenida da República na zona do Hotel Bela/Boa Vista) mas a Estrada com esse nome existe, não no sítio da foto mas na estrada que circunda a Montanha Russa junto à Estrada de D. Maria II portanto perto da antiga praia de Cacilhas (hoje reservatório) e da Colina D. Maria II:
“Tem este nome Macau Seac (Má-Káu-Seak 馬交石)(3),a via pública designada actualmente por Avenida do Almirante Magalhães Correia, via esta que começa na Estrada da Areia Preta  e termina na Rua dos Pescadores. Teve também a mesma designação, em época anterior, uma via pública que começava na Estrada da Bela Vista e terminava na Estrada de D. Maria II”. (4)
Em 1858, Osmund Cleverly comprou uma propriedade chamada «Jardim do Carneiro» e também «Bela Vista», fora das muralhas da cidade para o novo Cemitério Protestante, que fica na Estrada de Ferreira do Amaral” (4)

Souvenir de Macau 1910 Avenida Vasco da GamaEntrance to the Avenida Vasco da Gama.

 Creio que o a legenda correcta é “Rua do Campo” pois esta estava ladeada de árvores e casas já no ano de 1910.
Recorda-se que na entrada da Avenida «Vasco da Gama», em 1911 (31 de Janeiro) foi inaugurado o busto de Vasco da Gama e ainda nesse ano de 1911 existia um Coreto. A abertura de novas ruas através da propriedade denominada «San Fá Un», Jardim de Vasco da Gama foi só em 1928. (5)
As duas últimas fotos do Arquivo, legendadas como “ Scenes on the quays, inner harbour”, não constam deste meu álbum.Souvenir de Macau 1910 Scenes of Inner Harbour(1)  http://www.archives.gov.mo/pt/featured/detail.aspx?id=15
(2) Ver em https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/chacara-leitao/
(3)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-de-ma-kau-seak/
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau Volume I
(5) “31-03-1928 – Expropriação de vários prédios e faixas de terreno para alargamento das ruas Central e Entena, e para a abertura de novas ruas através da propriedade denominada «San Fá Un» (Jardim de Vasco da Gama)”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.

ACTUALIZAÇÃO EM 15-03-2016: o nome do autor estava errado, por isso corrijo-o hoje. J. Arnold é John Arnold. Peço desculpas a todos pelo erro. Ao João Botas, muito obrigado por me ter alertado para esse facto.

Carlos José Caldeira no Boletim do Governo, 28 de Junho de 1851, p.102, explica que a Missa de Acção de Graças é a mais antiga cerimónia histórica ligada ao local, porque tem a sua 1.ª edição no próprio ano da invasão, 1622, por voto tomado em Sessão e Termo na casa da Câmara. Cerca de 1844, a Missa passou a ser celebrada na Capela da Guia mas o Senado, mesmo assim, usava dar cinco patacas de esmolas e as crianças levavam flores e bandeiras ao local, também conhecido por Campo dos Arrependidos.

 Monumento da Vitória 1907 Man Fook MACAU PASSADO E PRESENTEMonumento da Vitória ao fundo da Avenida Vasco da Gama
(Foto de Man Fook de 1907)

 Do Boletim da Província de Macau e Timor, Vol. XVI.N.º 26 de 27/7/1870:
“Collocou-se, no dia 23 do corrente às 6 horas da manhã, a primeira pedra do alicerce sobre que hade alevantar-se um padrão de gloria, que recorde à posteridade um dos mais brilhantes feitos dos nossos maiores.
Foi S. Ex.a o Governador (1) celebrar esta cerimonia e vio à roda de si quasi todos os funcionarios civis e militares, que anuiram solicitos ao convite de S. Exa.; patenteando assim a sua veneração por tudo que signifique gloria das armas portuguezas, desde tanto acostumadas a vencer.
Teve lugar a solemnidade na Praça da Victoria, (2) junto da Flora Macaense, na estrada quepor S. Lazaro,conduz à porta do Cêrco.
Depois de leitura do auto que foi assignado por todos os funcionários presentes foi elle encerrado num cofre com as moedas nacionaes como é d´uso praticar-se nestes actos.
Em seguida S. Ex.a o Governador deitou a primeira colher de cal para segurar ao solo a pedra fundamental de todo o alicerce – e apoz elle algumas outras autoridades praticaram egual cerimonia.
Foi uma festa toda patriótica e que assignalou um dia nunca esquecido pelo povo de Macau.
No sitio destinado a receber o monumento já existia uma pilastra de pedra, que commemorava o feliz resultado da brava peleja, travada ali pelos moradores de Macau no dia 21 de junho do anno de 1622 contra uma expedição hollandeza, que tentava assenhorar-se desta cidade, como que desconhecendo quanto valor e brio usam os portuguezes mostrar sempre que o amor da patria os incita as mais arrojadas empresas para defesa da sua nacionalidade, e revindicação de seus sagrados direitos.
O monumento foi mandado construir em Lisboa por iniciativa do leal senado, e ouvimos que se espera no primeiro transporte vino d´aquella cidade. (3)

 Monumento da Vitória 1939 IO MONUMENTO DA VITÓRIA
Festividades no dia 24 de Junho de 1939

 O texto do auto depois de assinado, foi depositado num cofre assim como moedas nacionais, sendo posteriormente soldado e depositado na cavidade da pedra fundamental do monumento. Uma cópia do auto foi guardada no arquivo do Leal Senado.
O monumento da Vitória foi construído com um fundo originalmente destinado a um monumento a S. João Baptista mas “por escrúpulos, receio de melindres e divergências de alguns vogais”, por proposta do Presidente do Leal Senado da Camara e concordância do Governador, “as $ 400 e seus juros foram entregues ao Cidadão Lourenço Marques, que ficou encarregado de mandar vir o Monumento.
O monumento foi inaugurado no dia 26 de Março de 1871. (4)

Monumento da Vitória 1939 II O MONUMENTO DA VITÓRIA
Festividades no dia 24 de Junho de 1939

 (1) Sobre António Sérgio de Sousa (1809-1878), governador de Macau de 1868 a 1872, ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-sergio-de-sousa/
(2) Local onde antes estivera uma cruz (de que provavelmente já só restava a pilastra vertical, o braço caiu por um tufão) em memória dos acontecimentos de Junho de 1622, com os holandeses.
Carlos José Caldeira in Boletim do Governo, 28 de Junho de 1851, p.102, explica que a Missa de Acção de Graças (esta missa chamava-se de Vitória) é a mais antiga cerimónia histórica ligada ao local, porque tem a sua 1.ª edição no próprio ano da invasão, 1622, por voto tomado em Sessão e Termo na casa da Câmara. Cerca de 1844, a Missa passou a ser celebrada na Capela da Guia mas o Senado, mesmo assim, usava dar cinco patacas de esmolas e as crianças levavam flores e bandeiras ao local, também conhecido por Campo dos Arrependidos.
Campo dos Arrependidos, “pois era ali que noutros tempos, os condenados iam expiar no patíbulo, os seus crimes (Luís Gonzaga Gomes) (3) ou segundo Beatriz Basto da Silva “A zona chamava-se, por ter sido o recuo dos holandeses, o «Campo dos Arrependidos»”(5)
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 357 p., ISBN: 978-99937-45-38-9.
(4) Sobre o Monumento ver:
http://nenotavaiconta.wordpre HYPERLINK “https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-da-vitoria/”ss.com/tag/monumento-da-vitoria/
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)

Continuação do artigo de Adolfo D´Eça, publicado numa revista portuguesa, em 1918 (1)

“Avista-se então a cidade de Macau, edificada nas encostas dos montes. É de pitoresco e magnífico aspéto aquele anfiteatro subindo desde o semi-circulo de Praia Grande como em escalões pelas alpenduradas das  montanhas os edifícios pintados  de diversas côres, destacando no meio  de frondentes arvoredos e por cima de todos coroando os mais altos pico as velhas fortalezas do Monte e da Guia; o elegante e grandioso Hospital de S. Januário, o magestoso frontespício da destruída Igreja de S. Paulo, pesada  mole de maçiça cantaria, adornada de estruturas de bronze em tamanho natural; a branca ermida da Senhora da Penha, residencia favorita do ultimo prelado de Macau e o magestoso Hotel de Boa Vista, hoje transformado no Liceu Nacional.

Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU IV“O grandioso edifício do hospital militar de S. Januário. no meio de frondentes arvoredos e n´um dos pontos mais altos da peninsula”

            Entrando a seguir no porto interior a vista é tambem linda, mas d´um aspéto diferente. Filas de juncos chinezes de varias dimensões ancorados em ambas margens do rio, deixam vago um estreito caminho para a entrada e saída dos vapores da carreira. Minutos depois chega-se ao terminus de uma viagem de 44 milhas. O vapor atraca-se ao caes, onde se efectuam o desembarque dos passageiros e a descarga dos passageiros e a descarga das mercadorias. O turista conduzido em automoveis ou em jerinshas (carros puxados á mão) percorre por momento algumas das estreitas ruas do bairro chines, entra na Nova Avenida (Ribeiro d`Almeida), onde estão construídos edifícios novos e elegantes, que dão uma impressão mais agradável do que as antigas lojas avistadas logo á entrada do porto interior; ao mesmo tempo que o seu movimento comercial dá de conhecer ao forasteiro que está n´uma cidade, que, embora pequena, conta com uma população de 80 mil almas.

Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU V” Um panoramico aspéto da Praia Grande, vendo-se ao fundo o magestoso Hotel de Boa-Vista, onde atualmente está instalado o Liceu Nacional”

             Minutos depois encontra-se em Praia Grande a curva graciosa que de bordo atraiu a atenção do viajante: edifícios grandiosos, taes como: Palacio de Justiça, Palacio do Governo, residencias de capitalistas chinezes e edificios construídos à europeia.

Ha varios passeios em Macau. O mais preferido pelos turistas é: a Avenida Vasco da Gama de uma extensão de 600 metros e fechado n´uma extremidade por um rico jardim cuidadosamente tratado e nóutra pelo elegante monumento dedicado a Vasco da Gama.

 Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU VI

“O portico tradicional «As Portas do Cerco», que perpetuam a memoria de dois heroes macaenses, a cuja vida se encontra ligada a historia da peninsula“.

Saindo d´esta Avenida percorre o viajante estradas bem lançadas e assombradas por grandes arvores até que atinge «As Portas do Cerco», portico historico onde existem lapides atestando os feitos dos dois heroes tão bemquistos e venerandos  pelos macaenses Amaral e Mesquita.

Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU VII

O interior da historica Gruta de Camões, onde o notavel poeta escreveu a maior parte da sua grandiosa obra «Os Lusíadas»”

Voltando continua o viajante o seu passeio atravessando a antiga povoação da Patane, hoje transformada em um local assás prazenteiro, até chegar à Gruta de Camões , onde, segundo a tradição, o grande poeta passou horas bem amargas para concluir a sua gigantesca obra “Os Luziadas”.

Ilustração portuguesa n.º 663 1918 - MACAU VIII“A escadaria e o frontespicio da destruida egreja de S. Paulo, que se avista da entrada do canal de Macau”

            Não deixa turista algum a cidade de Macau sem visitar as ruinas da Egreja de S. Paulo , cujo frontespício começou a contemplar de bordo do vapor. Só depois de admirar estas antiguidades que atestam o dominio secular de Portugal sobre aquela possessão genuinamente portugueza é que o turista regressa a Hong Kong contente, satisfeito e bem impressionado do que viu, estudou e admirou n´essa velha cidade portugueza, que possue paginas tão brilhantes na história das conquistas portuguezas.”

(1) “Ilustração Portuguesa“, n.º 633, 1918, pp. 373-374
A primeira parte deste artigo está em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/07/18/lei tura-roteiro-turistico-de-macau-de-1918-i/

Como de costume, toca amanhã, dia 12 de Junho de 1929, quarta-feira, na Avenida Vasco da Gama, a Banda Municipal, sob a regência do sr. João Franco. A Banda Municipal actuará o seguinte programa:

PROGRAMA

1.ª Parte

1. Marcha, The N. C.1 … … … … … … … … …  Bigelar
2. La Paloma … … … … … … … … … … … … Yradier
3. Selecção Havaiana … … … … … … … … …  Lake
4. Geraldina, Valsa … … … … … … … … … …. Lodge

2.ª Parte

5. Comédia Francesa, Abertura … … … … … … Keler-Bela
6. Chacone… … … … … … … … … … … … … Durand
7. Selecção de Melodias Espanholas … … … … Meyrelles
8. Dew-dew-dewy-day, Fox-trot … … … … … … Johnson

Man Fook Coreto 1907O Coreto da Avenida Vasco da Gama (Foto de Man Fook c. 1907)

No mesmo jornal (1), anunciava-se na coluna “Echos e Notícias
” E em vez de tocar neste sábado, dará no domingo imediato uma audição no adro da igreja de Sto. António, executando, sob a regência do seu director, sr. C. J. da Silva, um programa especial, que no proximo número publicaremos.
– Esta banda foi autorizada a adquirir um xilofone, devendo esta despesa sair da verba respectiva e não do fundo da Banda.”

(1) Jornal de Macau, 11 de Junho de 1929
NOTA: O “Jornal de Macau” iniciou a sua publicação a 02-05-1929, três vezes por semana.   Terminou em Setembro de 1931 (continuado pela “Voz de Macau”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p., ISBN 972-8091-11-7