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No dia 3 de Outubro de 1924, o vapor «Taishan», construído em 1913, mas já em 2.ª mão com o nome de «Ninshin», foi assaltado junto da costa de Wengchau pelos piratas, ao que se julga comandados por uma mulher de nome Lam-Choi-San. (1) O seu esconderijo era perto da Ilha da Lapa, nas imediações de Macau e os assaltos eram muito frequentes. Neste assalto foram roubados 97 taeis de prata (cada tael correspondia a US $ 34 daquela época). Parte dos piratas acabou por ser presa e a prata recuperada. (2)
A pirataria continuava nos mares da China nos princípios do século XX, principalmente no delta do rio Pérola (as múltiplas pequenas ilhas eram bons refúgios para os piratas) levando a que em 4 de Novembro desse mesmo ano, a Associação Comercial Chinesa de Macau, pedisse às entidades de Macau para tomar providências a fim de evitar a pirataria de mar e nas ruas marginais. (2)
(1) Lai Choi San aliás Lai Sho Sz´en (1922-1939) comandava uma frota de 12 juncos nos mares do Sul da China, atacando navios ou mesmo a população das ilhas ao redor de Macau. Por vezes aventurava-se até às ilhas das Filipinas.
賴財mandarin pinyin: lài cài shan; cantonense jyutping: laai6 coi4 saan1 – tradução literal: Lai (apelido) montanha de riqueza
http://en.wikipedia.org/wiki/Lai_Choi_San
No artigo “I sailed With Chinese Pirates” (publicado em 1930), o jornalista americano Aleko Lillus (3) descrevia a frota  e a tripulação:
twelve smooth-bore, medieval-looking cannons onboard, and two rather modern ones. Along the bulwarks of the junk were bolted rows of heavy iron plates. Her crew were all fearsome fellows, muscular bare-chested men who wore wide-brimmed hats and tied red kerchiefs around their necks and heads”.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4.
(3) Pode lê-lo em:
http://www.allthingsransome.net/literary/toplil.htm
NOTA: Já em 19 de Outubro de 1922, num assalto ao barco «Sui-An», os piratas eram comandados por uma mulher. Consultar episódio relatado em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/19/noticias-de-pirataria-19-de-outubro-de-1922/

Ontem (10 de Janeiro de 1955), o Governador Joaquim Marques Esparteiro assinou o Despacho n.º 1, nomeando uma comissão composta pelos Chefe dos Serviços Económicos, que serviria de Presidente, Presidente do Leal Senado da Câmara de Macau; Presidente da Associação Comercial de Macau; Presidente da Associação de Beneficência «Tong Sin Tong»; Presidente da Comissão Central de Assistência Pública; Presidente da Associação dos Construtores e Empreiteiros; Engenheiro-Director da Repartição Técnica  das Obras Públicas e Comandante da Polícia de Segurança Pública de Macau, para prestar os socorros que fossem julgados indispensáveis às vítimas do incêndio, no sentido de se lhes dar alojamento, alimentação e vestuário e cuidando ao mesmo tempo dos feridos.
Mais determinava que a mesma comissão estudasse e propusesse a construção de novas barracas de habitação para os sinistrados, a erigir o mais breve possível. (1)

Incêndio 10JAN1955O Governador Joaquim Marques Esparteiro acompanhado pelo Chefe dos Serviços Económicos, Pedro José Lobo e demais autoridades visitando o local do incêndio 

NOTÍCIA:  “UM PAVOROSO INCÊNDIO”
Na madrugada do passado dia 10, registou-se no bairro pobre da Ilha Verde, um pavoroso incêndio que devastou mais de 400 casas de madeira, deixando sem abrigo cerca de cinco mil pessoas ali moradoras. O populoso bairro ficou quase completamente destruído, tendo morrido durante o incêndio uma mulher e duas crianças.
Os Bombeiros Municipais compareceram com a maior prontidão no local do sinistro, conseguindo dominar o violento incêndio umas horas depois. Com o auxílio de alguns militares , de guardas da P. S. P. e de alguns civis, os bombeiros trabalharam, horas seguidas, no salvamento de vítimas e haveres dos moradores daquele bairro.
As vítimas do incêndio, à excepção das que tiveram de ser hospitalizadas, foram alojadas nas dependências do Pagode « Lin Fong Miu», defronte da Esquadra Policial n.º 4, tendo a Comissão Central de Assistência Pública tomado as necessárias medidas quanto à alimentação das vítimas.
(1) Residiam nas barracas de Ilha Verde, nessa altura, cerca de 8 000 chineses.
NOTA: informações recolhidas de MACAU, Boletim Informativo Ano II, N.º 35, 1955.