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O Governador Almirante António Sérgio de Sousa e outros funcionários da colónia, foram convidados para jantar, no dia 21 de Março de 1869, em casa que ficava em Lin Tin (1) do negociante chinês Hing- chong , um dos mais antigos «hãos» da cidade. (2)

Extraido de «BPMT», XV-12 de 22 de Março de 1869, p. 70

O jornal «O Independente» I-30 de 27 de Março de 1869, p. 263, também deu esta notícia:

(1) Nei Lingding, ou Ilha Nei Lingding, (內伶) também conhecida por Lintin ou Ilha Lin Tin, é uma ilha no estuário do Rio das Pérolas, no sudeste da província chinesa de Guangdong. Embora esteja localizado mais perto da costa oriental (Hong Kong e Shenzhen) do estuário, era até 2009 administrativamente parte da cidade de Zhuhai, cujo centro administrativo principal fica situado na costa ocidental do rio. Em 2009, a jurisdição de Nei Lingding foi entregue a Shenzhen. Em Maio de 1513, Jorge Álvares chegou a Lintin a que ele chamou de “Tamão”
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nei_Lingding
Mapa de Lintin em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/07/10/noticia-de-10-de-julho-de-1522-martim-afonso-de-melo-coutinho/
內伶mandarim pīnyīn: nèi líng dīng dǎo; cantonense jyutping: noi6 ling4 ding1 dou2
(2) Hão – Negociante chinês que era o intermediário oficial entre os europeus e os chineses
Hongs – associações de mercadores chineses que controlavam o comércio externo.
1868 – «As boticas d´aquelle bairro quasi se resumem em três géneros, que alternam em colocação: a casa de comida (cullao), a do jogo (latane) e a dos empréstimos sobre penhores (hão) » – João de Lacerda, Recordações de Viagem, 1868.
1884 – «Para montante divisam-se frondosos arvoredos e magníficos jardins, sendo nos arredores de Cantão que os hãos mais ricos possuem as suas casas de campo e vivendas de recreio» – Adolfo Loureiro, No Oriente.
1898 – «Depois da guerra entre a China, Inglaterra e França, foi abolida a instituição dos Hongs ou agentes officiaes, negociantes intermediarios» – Joaquim Calado Crespo, Cousas da China, p. 15
Segundo Padre Benjamin Videira Pires (3) “Em 1720 instituiu-se, em Cantão, o Cohão – companhia chinesa controlada pelos mandarins, que possuía o exclusivo do comércio com os estrangeiros. Foi dissolvido em 1771, mas restaurou-se em 1782, com 12 membros, primeiro, e mais tarde, 13. Gozava de muitos privilégios. As extorsões, porém, a que o sujeitaram os mandarins tornaram o Cohão odioso para os estrangeiros, contribuindo para bancarrota de vários deles
(3) PIRES, Benjamin Videira – A Vida Marítima de Macau no Século XVIII, 1993,pág 13.

Celebra-se hoje, dia 19 de Março o Dia do Pai. Celebra-se no dia de São José, (José de Nazaré ou José, o carpinteiro), santo popular da igreja católica, marido de Santa Maria e pai terreno de Jesus Cristo.
Neste dia de 1868, a festa de S. José foi celebrada “com pompa e explendor na igreja do Seminário Diocesano”. Relato da notícia do «Boletim da Província de Macau e Timor»: (1)
NOTA: Em 1868, durante a vacância do Bispado em Macau (1857 a 1877), o governador do bispado era o Padre Jorge António Lopes da Silva (nomeado a 5 de Fevereiro de 1866-1870) (2)
O Governador era o major de artilharia José Maria da Ponte e Horta (26 de Outubro de 1866 a 13 de Maio de 1868, data da tomada de posse como governador, do Vice-Almirante António Sérgio de Sousa; no entanto este só chegou a Macau a 3 de Agosto de 1868). Por isso, num “ Directório” desse ano, em inglês, o Conselho do Governo que tinha a seguinte composição e apresentava o Governador como “ausente”.
O Juiz de Direito nesse ano era João Ferreira Pinho e o Comandante do Batalhão de Macau o tenente-coronel Vicente Nicolau de Mesquita
Quanto ao maestro Luigi Antenori, tenor Pizzioli e o barítono Reina ver anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/17/leitura-a-vida-em-macau-no-ano-de-1872-ii-17-de-outubro/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/04/01/noticia-de-1-de-abril-de-1867-espectaculo-de-opera-italiana-no-teatro-d-pedro-v/
(1) «Boletim da Província de Macau e Timor» XIV,  n.º 12, 23 de Março de 1868, p. 61
(2) Ver anterior referência em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/07/14/noticia-de-14-de-julho-de-1870-falecimento-do-padre-jorge-antonio-lopes-da-silva-e-a-escola-principal-de-instrucao-primaria/

Extraído do «Boletim do Governo de Macau e Timor» n.º 10 de 868.
O Governador de Macau era José Maria da Ponte e Horta  que tomou posse a 16 de Outubro de 1866 e governou até 13 de Maio de 1868, data da nomeação do novo governador, Vice-Almirante António Sérgio de Sousa (tomada de posse a 3 de Agosto de 1868).
Segundo o “The Sydney Morning Herald” , 10 Ago 1868, numa reportagem sobre” The Chinese Pirates – Attack on a Ship” , o capitão do navio de guerra “Chun Hoi”  nesse ano era Velacroix Marcy.

A Associação Promotora da Instrução dos Macaenses APIM) que foi fundada em 17 de Setembro de 1871 (1) para preencher a lacuna deixada no ensino pela retirada dos professores jesuítas do Seminário de S. José nesse ano, fundou a Escola Comercial (inicialmente “Collegio Comercial”) que começou a funcionar a 8 de Janeiro de 1878. (2)

«Boletim da Província de Macao e Timor» 1871, XVII – 40.

Os Estatutos da APIM foram aprovados por Portaria Provincial n.º 51 de 29-09-1871 do governador António Sérgio de Sousa e publicados no «Boletim da Província de Macao e Timor» de 2-10-1871. Tinha 15 artigos sendo de salientar:
Art. 2.º. O fim da associação era fundar e manter sob a denominação de “Collegio Comercial”, uma casa de educação e de instrução ….
Art. 3.º. (…) …  O capital proveniente de 40 acções de $ 500 cada uma…
Art. 4.º. O valor das acções poderá ser pago imediatamente, ou em 5 soluções anuais de $ 100, pagáveis no começo do ano.
A comissão administrativa com a data de 02-10-1871 publicava um anúncio no «Boletim da Província de Maca0 e Timor» XVII-42 de 16 de Outubro, convidando o público a subscrever as acções desta Associação. Os sócios accionistas foram 31 que entraram com a prestação de cem patacas: alguns pagaram por uma vez a quantia total, outros, em prestações anuais durante 5 anos.
O total da quantia dos accionistas fundadores totalizou $11 000. Juntou-se a esse capital o remanescente dos fundos da “Nova Escola Macaense”, entregue por Alexandrino António de Melo, Visconde do Cercal, na importância de $ 9 417,53. (3)
A Escola Comercial (depois denominada Escola Comercial “Pedro Nolasco”, por este, Pedro Nolasco da Silva, ter sido a alma do empreendimento e seu grande dinamizador) começou a funcionar no dia 8 de Janeiro de 1878 sob a chefia de João Eleutério d’Almeida, numa casa particular.
A lista dos primeiros professores:
José Vicente de Jesus – classe elementar de Português, Geografia, História, Aritmética, Álgebra. Escrituração Comercial  e Catecismo.
Theodosio Rodrigues – classe superior de Português, História e Geografia, classe inferior e superior de Ingês.
João de Lycopolis de Faria Marçal – língua chinesa.
Ly Langshan – língua chinesa.
Câncio Jorge – caligrafia.
Dr. Bernardo Maria das Neves d´Araújo Roza – prelecções sobre rudimentos de ciências naturais (duas vezes por semana)
O edifício situado no alto da Calçada do Gamboa, na Praça do Gamboa n.º 2, construído em 1920, foi sede da Escola Comercial até o ano 1966, ano da inauguração do edifício (actual Escola Portuguesa) no cruzamento das Avenidas D. João IV e do Infante D. Henrique (projecto de arquitectura de Raul Chorão Ramalho e executado pelo construtor civil Osseo Acconci)
Outras referências à Escola Comercial
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/escola-comercial/
(1) Acta da instalação da associação promotora da instrução dos macaenses:
Aos 17 de Setembro de 1871, em Macau, e na residência do cidadão Maximiano António dos Remedios, senior, estando reunidos os abaixo assignados, se resolveu por unanimidade instalar a “Associação Promotora da Instrução dos Macaenses”, cujos estatutos foram n´este acto lidos, discutidos, e aprovados; e tendo-se procedido à eleição da comissão administrativa, foram eleitos por aclamação os seguintes cavalheiros:
Maximiano António dos Remedios, senior, presidente
João Joaquim Braga, tesoureiro
Pedro Nolasco da silva, junior, secretário
Lourenço Marques, vogal
Vicente de Paulo Portaria, vogal
António Manuel Pereira, vogal
Filomeno Maria da Graça, vogal
Além dos eleitos assinaram esta data:
Joaquim Braga, Domingos Clemente Pacheco, José Homem de Carvalho, José Elleuterio d´Almeida, Antonio dos Remedios, José A. dos Remedios, Albino António da Silva, Miguel Aires da Silva e Maximiano Antonio dos Remedios, junior.
De salientar que do grupo fundador da Associação, estavam representados os comerciantes portugueses de Hong Kong nomeadamente Maximiano Antonio dos Remedios, João Joaquim Braga, Filomeno Maria da Graça e os capitalistas de Macau, Lourenço Marques, António Manuel Pereira e Vicente de Paulo Portaria.
Entre os membros fundadores há quatro da família Remédios: o 1.º presidente da APIM, Maximiano António dos Remédios (12-09-1808/ 1-02-1875) e os seus três filhos: António dos Remédios (14-11-1839), José António dos Remédios (19-03-1842) e Maximiano, júnior (26-05-1872). Só a família Remédios contribuiu com a quantia de $1400 patacas. (António -$200; José – $500; Maximiano senior- $400; Maximiano Junior- $300.
Por isso o Padre Teixeira (  ) refere o seguinte:
Concordamos inteiramente com esta palavras tão justas ( elogio e gratidão ao benemérito Maximiano António d Remédios por essa iniciativa por parte de Leôncio Ferreira num jornal local) ; mas o facto é que o nome de Maximiano dos Remédios foi totalmente obliterado e hoje só é lembrado o do secretário, (na altura, um jovem) Pedro Nolasco da Silva. Pois bem, não há hoje nada que recorde o seu nome , sendo salientados outros que ficam muito aquém destes. Esperamos que a Associação venha a reparar esta ingratidão
TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1981
(2) Francisco da Silva Magalhães insinuou no seu jornal “O Oriente” que na projectada organização da escola comercial, a APIM não tinha em vista a instrução, mas fim um fim oculto e um motivo meramente político, nomeadamente o pretexto para chamarem de volta a Macau os jesuítas.
A APIM reagiu publicando um anúncio no «Boletim do Governo de Macau e Timor» XVIII- 10, 1872, em forma de “PROTESTO”:
(3) Alguns cavalheiros opuseram-se à transferência das quotas dos remanescentes da “Nova Escola Macaense” para a nova associação. Ver anterior referência à «Nova Escola Macaense» em;
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/05/noticia-de-5-de-janeiro-de-1862-nova-escola-macaense/

O novo governador, José Maria da Ponte e Horta (1) que tomou posse a 26 de Outubro de 1866 substituindo o anterior, José Rodrigues Coelho do Amaral, visitou os estabelecimentos públicos do território, na semana de 5 a 9 de Novembro de 1866, conforme notícia publicada no Boletim do Governo de Macau (2)
Visitou no dia 5 de Novembro, o palácio episcopal e o “asylo” dos pobres; no dia 6, a Nova Escola Macaense, o Seminário Diocesano e o Colégio da Imaculada Conceição; no dia 8, a Repartição dos incêndios e os quartéis de polícia de mar e terra; e no dia 9, o Mosteiro de Santa Clara.
Em relação aos estabelecimentos visitados e durante o curto mandato deste governador foram emitidos os seguintes despachos: (3)
Nova Escola Macaense: o governador nomeou em 26 de Novembro de 1866, uma comissão composta por Francisco de Assis e Fernandes, presidente; cónego António Marai de Vasconcelos, secretário; João Eduardo Scarnichia, Gregório José Rodrigues e Francisco Joaquim Marques para elaborar um projecto de Regulamento para a Nova Escola Macaense. Infelizmente por falta de meios para a sustentar a Nova Escola Macaense foi encerrada a 21 de Outubro de 1867.
Seminário Diocesano: foi autorizada por Portaria Régia de 21 de Abril de 1868, a fundação duma escola de português para chineses, paga pelo cofre do Seminário Diocesano e superintendida pelo reitor do mesmo.
Colégio da Imaculada Conceição: pela Portaria Provincial n.º 1 de 7 de Janeiro de 1868, foi permitido ao Colégio da Imaculada Conceição continuar aberto enquanto os seus meios o viabilizarem, regendo-se, nesse caso, pelos estatutos que datava de 26 de Dezembro de 1863.
Repartição dos incêndios: em 18 de Março de 1867, foram aprovados provisoriamente, por Portaria Régia, algumas providências do governo de Macau sobre o serviço de incêndios.
Quartéis de polícia de mar e terra: o Batalhão de Macau tomou posse a 30 de Dezembro de 1866 do seu novo quartel construído no lugar do antigo Convento de S. Francisco (desenho e sob a direcção do antigo governador Coelho do Amaral); o Corpo de Polícia de Macau foi, por Portaria de 18 de Outubro de 1867, mandado instalar no Convento de S. Domingos.
(1) José Maria da Ponte e Horta (1824- 1892) foi nomeado governador de Macau em 17-07-1866 (Decreto Régio da mesma data em que é exonerado o governador Coelho do Amaral) e chega a Macau, vindo de Hong Kong a bordo da canhoneira «Camões» em 26 de Outubro de 1866. Acumulou o cargo de enviado extraordinário e ministro plenipotenciário junto dos imperadores da China e Japão e rei do Sião sendo condecorado, a 16-12-1867, por este último com a insígnia do “Elefante Branco.” Por Decreto Régio de 16-05-1868, é exonerado, a seu pedido, e sido substituído pelo Vice-Almirante António Sérgio de Sousa que só chegou a Macau a 1-08-1868 e tomado posse a 3 de Agosto de 1868. Ponte e Horta partiu para Hong Kong a 6 de Agosto de 1868, no «White-Cloud» e dali para a Europa, a 7 no «Malaca».
Foi depois nomeado governador de Cabo Verde em Fevereiro de 1870 e governador de Angola entre 1870 e 1873.
(TEIXEIRA, Padre Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, 1997)
Outras referências anteriores deste governador neste blogue:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-maria-da-ponte-e-horta/
(2) Do «Boletim do Governo de Macau» XII-46 de 12/Novembro /1866 p. 188.
Por Decreto de 26 de Novembro de 1866, a cidade de Macau e o território português da  Ilha de Timor passaram a constituir uma só província denominada de «Província de Macau e Timor». Os Boletins no entanto, só passaram a serem designados: «Boletim da Província de Macau e Timor» a partir do ano XIII, n.º 7 de 18 de Fevereiro de 1967.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 1995.
NOTA: O «Diário Illustrado» de 17 de Março de 1892, aquando do falecimento deste governador, a 9 de Março, vítima de uma “paralysia”, referia o seguinte:
O finado era cavalheiro muito conhecido em Lisboa pela sua vasta erudição de que falam bem alto os muitos trabalhos literários e scientíficos que deixou.
“Matemático distincto, regia na escola polytecnica de Lisboa a quarta cadeira d´esta sciencia.
Desde 1880 que tinha assento na camara dos pares, onde a sua voz, por vezes, se fez ouvir. Era actualmente vice-presidente da academia real das sciencias, onde fez varias conferencias, sendo umas das mais notáveis a que teve por titulo ”Conferência acerca dos infinitamente pequenos (publicado em livro em 1884). Era general de divisão reformado e condecorado com várias ordens militares …”
Em Macau, ficou a recordá-lo na toponímia, a Praça de Ponte e Horta – 柯邦迪前地 (nome oficial) mas mais conhecido em Macau por 司打口 –.“Si Tá Hau”, (4) situada entre as Rua das Lorchas, do Bocage e do Tesouro, (data de 1867, os últimos aterros que iam das Portas do Cerco até à Barra, nomeadamente o aterro dos canais que existiam nessa zona) local onde havia um Porto-cais de Colecta de Impostos a todos os produtos importados, alguns exclusivos para a importação do ópio (e onde estava a “Fábrica do Ópio”)
(4) 柯邦迪前地 – mandarim pīnyīn: kē bāng dí qián dì; cantonense jyutping: o1 bong1 dik6 cin4 deng6.
司打口mandarim pīnyīn: sī dá kǒu; cantonense jyutping: si1 daa2 hau2 – tradução literal: entrada/porta de controle/colecta.

Anúncios publicados no «Boletim do Governo de Macao», IX- 3 , 20 de Dezembro de 1862 p. 12.
NOTA: não sei se o proprietário desta loja será o mesmo José Maria da Silva (nascido a 26-11-1824 e falecido em 24-Julho de 1898) que fundou o jornal “Independente”, quinzenário político e noticioso, em 1867. O jornal viria a ser suspenso por ordem do Governador, almirante António Sérgio de Sousa, em 18-06-1869, tendo reaparecido e suspenso várias vezes tenho o seu redactor José da Silva sido mais de uma vez agredido, multado e preso pelos seus virulentos artigos de crítica contra a administração pública e ataques pessoais. Está também referenciado como proprietário da tipografia onde era impresso o jornal e onde posteriormente em 10-10-1869, foi publicado o hebdomadário político “O Oriente”, fundado pelo Dr. Francisco da Silva Magalhães, tendo por administrador João Albino Ribeiro Cabral. Este jornal também viria a ser suspenso em 14 de Outubro de 1872 pelo Governador Januário Correia de Almeida Visconde e depois Conde de S.. Januário.(GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)

A Comissão para a Classificação das ruas da cidade  que foi nomeada por portaria de 12 de Março de 1869 (1) apresentou o seu Relatório (2) a 16 de Junho de 1869 ao governador Sérgio de Sousa. (3)
A comissão teve o bem senso de restituir a várias ruas os nomes que haviam sido alterados em épocas anteriores.
«Pelo que respeita às estradas, a comissão denominou:
Estrada de Cacilhas a que partindo do cemitério dos Parsis torneia a fortaleza da Guia pelo lado do mar, indo terminar um pouco adiante da fábrica de telha;
Estrada de D. Maria II a que partindo da praia de Cacilhas rodeia a fortaleza de D. Maria II;
Estrada do Isthmo de Mong-ha a que, partindo do isthmo, vae terminar na povoação de Mong-ha;
Estrada do Cemitério a que começa no fim da rua Thomaz Vieira, e vai passar junto da porta do cemitério catholico;
Estrada Ferreira do Amaral a que foi aberta pelo ilustre predecessor de V. Exa. até ao istmo, denominando também o isthmo com o nome de Isthmo Ferreira do Amaral, como acatamento à veneranda memória deste infeliz governador, que, como V. Exa. sabe, foi assassinado naquele lugar»
TEIXEIRA, P. Manuel –  Toponímia de Macau. Volume I, 1997,  p.15
(1) Comissão composta por Félix Hilário de Azevedo, Lourenço Marques, João Correa Paes de Assunção e Manuel de Castro Sampaio, secretário.
(2) o Relatório foi publicado no Boletim da Província de Macau e Timor, ano de 1869, n.º 30 e 31 , de 26 de Julho e de 2 de Agosto.
António Sérgio de Sousa (1809-1878) Macau 1868-1872(3) O Vice-Almirante António Sérgio de Sousa (1809-1878) tomou posse a 3 de Agosto de 1868, sucedendo a Adrião Acácio da Silveira Pinto.  Sucedeu-lhe como governador de Macau, Januário Correia de Almeida , posse a 23 de Março de 1872.
O vice-Almirante Sérgio de Sousa, primeiro e único visconde de Sérgio de Sousa, faleceu no cargo de governador geral da Índia (nomeado em 1877) a 3 de Maio de 1878. Como Capitão de Fragata, foi o 1.º Governador e fundador de Mossâmedes (hoje Namibe) (1849-1851) e depois Governador (interino) de Angola de 1851 a 1853.
O seu filho com o mesmo nome ,António Sérgio de Sousa (1842-1906), foi também oficial da Armada (vice-almirante), ajudante do governador de Angola (1868) e do seu pai, em Macau (1869), governador do distrito de Diu (1878), secretário-geral do governador (seu pai) do Estado da Índia, governador do distrito de Damão (até 1883), e do Congo (1890), tendo regressado à metrópole em 1894.
O seu neto com o nome de António Sérgio de Sousa Júnior (Damão 1883; Lisboa 1969) mais conhecido como  António Sérgio, filósofo, historiador, ensaísta,  pedagogo e político, foi um dos pensadores mais marcantes de Portugal contemporâneo. Também António Sérgio (após a instrução secundária no Colégio Militar e depois, estudante na Escola Politécnica como preparação para a Escola Naval, que lhe ministrou uma boa formação matemática) chegou a estagiar em Macau e Cabo Verde.
Ver anteriores referências a este Governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-sergio-de-sousa/

ANUÁRIO de 1927 - Vivendas particularidades da Estrada da VitóriaVivendas particulares na Estrada da Vitória

Eram bem conhecidas, antes de as demolirem aos poucos, as vivendas da Estrada da Vitória com o seu traço característico.
Esta, mesmo à esquina da Estrada com a subida da Calçada da Vitória.

A Estrada da Vitória – 得勝馬路 – começa na Calçada do Gaio, em frente da rua Nova à Guia, e termina na R. da Fonte da Inveja, entre a Avenida de Sidónio Pais e a Fonte da Inveja.
Esta artéria já figurava no relatório elaborado pela comissão nomeada pelo governador António Sérgio de Sousa a 16 de Junho de 1869 e vem referida no “Cadastro das Vias Públicas de Macau”, publicado em 1905. Seria posteriormente prolongada com mudança de direcção, mas em 1925, já o seu traçado era idêntico ao actual. (1)
É chamada “da Vitória” porque a estrada inicial passava no local onde outrora era conhecido por Campo dos Arrependidos passando depois a chamar-se Campo da Vitória, após a colocação da primeira pedra (23 de Junho de 1870) e onde já havia uma pilastra de pedra comemorativa da vitória de 24 de Junho de 1622.
Ver anteriores referências a este monumento em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-da-vitoria/
(1) https://macaostreets.iacm.gov.mo/p/parish5/detail.aspx?id=99755006-3388-4ade-bd2b-ae96ecaea1b6
得勝馬路mandarim pinyin: dé shèng  mǎ  lù; cantonense jyutping: dak1 sing1 maa5 lou6

Porta do Cerco quadro século XVIPortas do Cerco no século XVI (1)

Foi inaugurado, no dia 31 de Outubro de 1871,  pelo Governador António Sérgio de Sousa (governação de 1868 – 1872), o arco da Porta do Cerco dedicado à memória do Governador João Maria Ferreira do Amaral e ao feito heróico do Coronel Vicente Nicolau de Mesquita. (2)

Eudore de Colomban Porta do Cercol 1927Porta do Cêrco, 1927 (3)

Nas paredes interiores há duas lápides com as datas do início e fim da construção:

22 de Agosto de 1870
31 de Outubro de 1871

Nas exteriores outras duas datas com as datas do assassínio do Governador  Amaral e da tomada do Passaleão

22 de Agosto de 1849
25 de Agosto de 1849

Está também gravada o lema “A Pátria honrai, que a Pátria vos contempla“. (4) POSTAL WONG WAI HONG 1992 Porta do CercoPOSTAL – PORTA DO CERCO – The Border Gate
foto de Wong Wai Hong, 1992

(1) Segundo o Padre Teixeira, reprodução de um quadro de autor desconhecido que existia no Museu Luís de Camões, em Macau. TEIXEIRA, P.e Manuel – Os Militares em Macau, 1975.
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) COLOMBAN, Eudore de – Resumo da História de Macau, 1927.
(4) A Porta do Cerco era encimada por uma inscrição chinesa, que os chineses lá tinham colocado « Admirai a nossa grandeza, respeitai a nossa virtude»

GAZETA COLÓNIAS I-9 9-10-1924 CAPA Porta do CercoO “semanário de propaganda e defeza das colonias“, a «Gazeta das Colonias», n.º 9 de 9 de Outubro de 1924 apresentava no frontispício  como “Monumentos Coloniais”,

MACAU – A PORTA DO CERCO

GAZETA COLÓNIAS I-9 9-10-1924 A PORTA DO CERCO“No limite norte da península de Macau e ligando-se à ilha de Heon-chan, existe uma istmo obra de quinhentos e quarenta metros  de comprido, no fim do qual se levantava destes uma muralha chamada de Limite ou do Cêrco, onde se abriu a chamada Porta do Cêrco.
Esta muralha, construída por ordem do imperador, em 1573, constituía o limite imposto aos portugueses que em 1557 tinham ido estabelecer-se em Macau.
Guardada por soldados chineses, a Porta do Cêrco apenas se abria para dar entrada aos agentes do mandarim que iam a Macau, sendo absolutamente vedado aos portugueses, o ultrapassa-la. Com o decorrer dos tempos porem, forma caindo tais rigores e por ultimo já aporta deixava de se fechar, tendo muitos vendedores chineses passado a viver em Macau…(…)
… Em 1870, sendo o Governador o Contra Almirante Sergio de Sousa, foi levantado ao local onde se achava a antiga Porta do Cêrco, o portico que está representado na capa deste numero.
Nesse portico, além das datas do barbaro assassinato e da vitoria obtida pelos portugueses, lê-se a inscrição:

«A Patria honrai que a Patria vos comtempla»