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Extraído de «BGC» X, Janeiro 1934, n.º 103.

Notícia publicada no jornal “A Voz de Macau” no dia 5 de Julho de 1937 e republicada no BGC (1)
NOTA 1 – O Governador era Artur Tamagnini de Sousa (1880-1940), no seu terceiro mandato como governador de Macau: 11 de Abril de 1937 a 1940. (substituiu A. Bernardes de Miranda – B.O. n.º 15/1937)
NOTA 2 – Portaria de 30 de Janeiro de 1937 : o  capitão Afonso da Veiga Cardoso que foi nomeado, a partir de 26 de Dezembro do ano de 1936, para exercer interinamente o cargo de Administrador do Concelho das Ilhas, foi substituído pelo capitão de artilharia, Alexandre dos Santos Majer (B. O. n.º 4)
Quatro fotografias respeitantes a obras de construção e melhoramentos realizadas durante o ano de 1939 nas ilhas de Taipa e Coloane.

ILHA DA TAIPA – represa de água em construção
ILHA DA TAIPA – represa para abastecimento de água
ILHA DE COLOANE – abertura de novas estradas
ILHA DE COLOANE – abertura de novas estradas pelos militares africanos

(1) BGC XIII-146/147 , 1937.

SUMÁRIO DOS LUZIADAS capaCAPA

Livro (26 cm x 15, 5 cm), com 34 folhas dobradas sendo 19 folhas (38 páginas, em português)  e 15 folhas (30 páginas, em chinês) “amarradas” à maneira tradicional chinesa.
A leitura em português faz-se nas primeiras 38 páginas.

SUMÁRIO DOS LUZIADAS contra-capaCONTRACAPA

A leitura em chinês  faz-se à maneira tradicional chinesa, da contra-capa, última página do livro para o princípio, de cima para baixo, da direita para a esquerda.
SUMÁRIO DOS LUZIADAS explicação préviaO autor do livro, António Maria da Silva, Chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico, explica em nota prévia, datada de  15 de Junho de 1937, nas primeiras páginas a razão da publicação do opúsculo.
SUMÁRIO DOS LUZIADAS Lviz de CamõesOs Lusíadas andam traduzidos em grego, latim, espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, holandês, dinamarquês, sueco, húngaro, boémio, polaco, russo, árabe e hebreu.
Os chineses, porém, desconhecem-nos, por não possuírem na sua língua uma única tradução.
SUMÁRIO DOS LUZIADAS ampliação do discursoFoi por isso que S. Exa. o Governador de Macau, Sr. Dr. Artur Tamagnini de Sousa Barbosa, determinou que eu fizesse uma ampliação do discurso por mim proferido na Gruta de Camões , em 10 de Junho de 1937, dia de Camões e a publicasse em chinês, dando assim a conhecer  aos habitantes desta grande porção do continente asiático o conteúdo da nossa admirável epopeia…(…)
SUMÁRIO DOS LUZIADAS explicação em chinês... Finalmente, devo dizer que o texto chinês dêste apanhado sumário dos Lusíadas, não está em linguagem tão chã e são pobre como o original em português, visto que me auxiliou a redigi-lo na língua sínica o Sr. Ch´u-Pui-Chi, distinto letrado da Repartição Técnica do Expediente Sínico e profundo conhecedor da língua de Confúcio.”
SILVA, António Maria da – Sumário dos Luziadas. Edição ?,  68 p. (30 p. em chinês e 38 p. em português),  26 cm x 15,5 cm.

Em anterior “post” de 07/11/2013, referi a esta Exposição  (1), que foi inaugurada a 7 de Novembro de 1926, num terreno entre as Avenidas Coronel Mesquita, Horta e Costa e Ferreira d´Almeida.
Volto a esta notícia com mais elementos.

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 MAPAMapa da localização da Exposição Industrial e Feira de Macau

 De 7 de Novembro a 12 de Dezembro de 1926, Macau assiste à “Exposição Industrial e Feira de Macau”, ideia do Dr. Rodrigo Rodrigues, (2) já de 1923, mas que por vicissitudes várias só permitiram a sua concretização nessa data.
Estava nessa altura como Governador interino o Almirante Hugo de Lacerda. (3) Em 26 de Junho de 1926 foi nomeada a comissão especificamente encarregada da organização da Exposição industrial (4).

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 C.O.Foto dos Membros da Comissão Organizadora.
No medalhão desta foto, o Almirante Hugo de Lacerda (Ver actualização no final)

Para a atribuição dos prémios (5) e diplomas constitui-se um júri que integrou: almirante Hugo de Lacerda (Governador interino), o eng. João Carlos Alves (Presidente da Comissão da Exposição e Director das Obras dos Portos), Manuel Monteiro Lopes (gerente do B. N.U.), o capitão de fragata Gregório Fernandes, o Pe. Manuel Pita, o dr. Manuel da Silva Mendes e o Dr. Telo de Azevedo Gomes.
A comissão organizadora iniciou os trabalhos com uma intensa actividade de propaganda de Macau e da Feira, tendo sido distribuídos 10 000 prospectos fora de Macau e 15 000 em Macau.
Em Setembro desse mesmo ano, um forte tufão destruiu parte das construções até aí realizadas.
Os artigos que foram apresentados nesta Exposição Industrial, eram da maior diversidade conforme os expositores constante do quadro seguinte.

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 TABELA COMERCIANTES

Além da feira, muitas outras actividades foram realizadas nesse período: jogos desportivos, gincanas de automóveis, batuques e danças guerreiras das tropas africanas e de Timor, serenata pelos estudantes do Liceu, etc.

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 RODA ELECTRICAFotografia do lago natural (iluminado de noite)
onde se “vê” a «roda eléctrica – Ferry-Weel»

Com uma estimativa da despesa entre 30 000 e 50 000 patacas, a Comissão organizadora teve a contribuição de 15 000 patacas (o Governo contribuiu directamente com 3 000 e o restante 12 000 saiu da verba das Obras dos Portos- verba de Propaganda que estava a seu cargo).
A receita total atingiu a importância de 26 612, 66 patacas e a despesa feita foi de 25 865,96 patacas, havendo um saldo positivo de 746,70 patacas que a Comissão da Exposição resolveu destinar ao “Museu Etnográfico Luís de Camões” (criada logo depois de exposição para albergar muito do material desta organização.(6)

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 PAVILHAO IPavilhão de Portugal-Oriente Ltda.

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 PAVILHAO IIPavilhão da China «Merchants Tobacco Co. Ltd.»

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 PAVILHAO IIIPavilhão da «The Goat & Copasses»

MACAU n.º 5-1987 Expo Feira Ind 1926 PAVILHAO IVPavilhão da Livraria Portugália

(1) Ver “Notícia de 7 de Novembro de 1926 – Exposição Industrial e Feira de Macau em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/exposicao-industrial-e-feira-de-macau/ 
(2) Rodrigo José Rodrigues, capitão-médico, governador de Macau de 5 de Janeiro de 1923 a 16 de Julho de 1924.
(3) Em 22-07-1926, foi exonerado o Governador Manuel Firmino de Almeida Maia Magalhães e nomeado, em seu lugar, Artur Tamagnini de Sousa Barbosa. Nessa data, nomeação, a título interino, do Almirante Hugo de Lacerda Castelo Branco, para o cargo, até chegar o proprietário. (GOMES, L.G. – Efemérides da História de Macau). A exoneração do governador terá sido em consequência da mudança política em Portugal com a Revolução Militar de 28-05-1926 e posterior ditadura do Marechal Gomes da Costa.
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.
(5) “«Choi Heng», a principal firma de Macau a trabalhar em cobre obteve o diploma de ouro na Exposição Industrial e Feira de Macau. Os seus artigos vão principalmente para a América.” (4)
(6) O Museu Comercial e Etnográfico «Luís de Camões» foi criado em 1926 (Portaria n.º 221 de 5 de Novembro de 1926), pelo Governador interino, Almirante Hugo de Lacerda. Ver referência a este Museu em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/12/noticia-de-12-de-dezembro-de-1936-museu-luis-de-camoes/

Informações e fotografias recolhidas de ALVES, João Carlos; PIRES, João Barbosa – Macau e a sua Primeira Exposição Industrial e Feira. Com uma breve notícia do Porto. Macau, 1927. Tip. Mercantil da N. T. Fernandes e Filhos, 39 pp., 23 cm.

ACTUALIZAÇÃO em 24-12-2015: a COMISSÃO Promotora da Exposição Industrial e Feira de Macau era constituída por:
Presidente Honorário – Exa. o Governador, Almirante Hugo Carvalho de Lacerda Castel Branco
Presidente –
Engenheiro João Carlos Alves – Director das Obras dos Portos (Interino)
Vogais –
Manuel Monteiro Lopes – Gerente da Agência do Banco Nacional Ultramarino
Comendador Lou-Lim-Ioc
João Gregório Fernandes – Capitão de Fragata (reformado)
Major Victor de Lacerda – Chefe da 2.ª Secção das Obras dos Portos
José Maria Lopes – Capitão-Tenente
Henrique Nolasco da Silva – Advogado
Frederic G. Gellion – Gerente de “Macao Electric Lighting Co. Ltd.”
Fong-Choc-Lam – Capitalista
José Vicente Jorge – Chefe da Repartição do Expediente Sínico (aposentado)
António Maria da  Silva – Sub-Chefe da Repartição do Expediente Sínico (interino)
Artur António Tristão Borges – Escrivão da Capitania dos Portos
P.e Manuel José Pitta – Missionário do Padroado do Oriente
Hu-Cheong – Capitalista
Cap. Afonso da Veiga Cardoso – Administrador do Concelho
Ten. Gaudêncio da Conceição – Comandante do Corpo de Salvação Pública
Secretário –
João Barbosa Pires – Chefe de Propaganda das Obras dos Portos

e a composição do COMISSARIADO da Exposição Industrial e Feira de Macau, era:
Presidente – Rev. P.e Manuel José Pitta
Vogais –
Henrique Nolasco da Silva – Advogado e proprietário
Artur A. Tristão Borges – Escrivão da Capitania dos Portos
Major Victor de Lacerda – Chefe da 2.ª Secção das Obras dos Portos
Afonso de Veiga Cardoso – Administrador do Concelho e Comissário de Polícia
Gaudêncio da Conceição – Comandante do Corpo de Salvação Pública da Polícia  de Segurança
Secretário – João Barbosa Pires – Chefe da Propaganda das Obras dos Portos

Em Setembro de 1929, foi feita a entrega solene de trezentas casas de alvenaria e tijolo, construídas nos terrenos do norte da Ilha Verde (Macau), destinadas aos sinistrados chineses que, no grande incêndio ali ocorrido em 1928 (1), perderam totalmente a habitação e haveres e cujos efeitos desde logo o governador Tamagnini Barbosa (2), procurou atenuar, com a cedência do terreno e a quantia de $ 35.000,00 patacas. Para isso também contribuíram donativos de Macau e Hong Kong (cada casa custou cerca de $ 240.00 patacas).

No acto oficial da entrega, o capitalista chinês sr. Kou Ho Neng (3) pronunciou um discurso (4) em que transcrevo uma parte:
S. Ex.ª o Governador, antes da partida, (5) receando que esmorecêssemos nas obras de construção das ditas casas, recomendou à comissão encarregada de vigiar pela sua construção – a minha humilde pessoa, Chôi Nôk Chi, Vong Su, Mak Meng, Lou, Ch´ui Iôk, Lai Chan Vá e Ung Fat  – que não largássemos a obra a meio de caminho e que tivéssemos pela sua construção o mesmo carinho que tivemos no início.
Foi em virtude desta recomendação queimámos papel amarelo e fizemos um juramento, prometendo trabalhar com ardor e com honestidade até ao fim da obra.
Aproveito a ocasião para agradecer ao sr. Director das Obras Públicas que nos forneceu os fiscais Ló Sá Liu e Ki Li Lu Fi Nan Ti (6) que nos consentiu tirar pedras da colina de Mong Há, de Lin Fong e nos permitiu tomar saibro na colina da Ilha Verde; ao sr. Comissário de Polícia que pôs um polícia secreta para guardar o recinto das obras, dia e noite; à Companhia da Luz Eléctrica pela instalação da luz eléctrica; à Repartição dos Telefones pela instalação de um aparelho telefónico; à Companhia de Navegação «T´ông On», que transportou, gratuitamente o madeiramento pelos seus vapores «Seng Cheong» e «Hang Cheong», cujo frete seria de $ 1.846,00 (se tivéssemos de pagar); aos vapores «Chun Chao» e « Chun Li» que transportaram gratuitamente, 800 sacos de cimento e 190 vigas de pinho; à Vong Chiu que emprestou alguns reservatórios de peixe, para servir de depósitos de água; a Chu Ch´ôn Teng que ofereceu 15 barricas para encher com óleo; a Ló U pela dádiva de algumas tábuas grosseiras; ao Hotel Presidente que, no tempo da seca forneceu um dos dois carros de água por dia, por espaço de mais de dois meses; aos membros da comissão que gastaram algum dinheiro para as despesas de rick-shaw. (riquexó)
Também aproveito a ocasião para declarar que, receando que não tivesse quem quisesse tomar a responsabilidade da fiscalização das obras, incumbi Ung Fat para estar, desde a manhã até à tarde, a vigiar as obras, pelo que o gratifiquei, do meu bolso, com a quantia de $100,00 mensais, por espaço de cinco meses. Cumpre-me, outro-sim, declarar que Ung fat se recusou terminantemente a receber a gratificação que lhe quis dar e só aceitou depois de muito instado por mim, pois que eu não queria que êle arcasse com tão grande responsabilidade sem receber uma compensação.
Devo também declarar que um amigo meu, Li Io Sam, que foi por duas vezes comprar tijolos e telhas, fê-lo sem receber dinheiro para as despesas da viagem.”

(1) “8 de Outubro de 1928 – Pavoroso incêndio que vitimou a população chinesa que ocupava a aldeia junto à Porta do Cerco, sendo necessário dar alojamento a mais de 2 000 pessoas.
10 de Outubro de 1928 – Construção de 490 barracas para as vítimas do incêndio que devastou a aldeia da Porta do Cerco.”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p . (ISBN 972-8091-11-7)
(2) 2.º mandato como Governador: Artur Tamaginini de Sousa Barbosa de 8-12-1926 a 1-02-1931
(3) Gao Kening (Kou Ho Neng) (1878-1955), conhecido como o «rei do jogo» pois dirigia as casas do jogo e também as do ópio. Em 1911, obteve uma licença para exploração do jogo “fan-tan” (7) na Rua da Caldeira. Em 1937 com Fu Lou Iong, (também conhecido como Fu Tak Iam) fundou a «Tai Hing Company» que viria a obter o exclusivo da exploração do jogo em Macau, por uma soma de 1.8 milhões de patacas por ano e assim continuaria por mais de 20 anos. Também conhecido em Hong Kong e Macau como «Rei das Casas de Penhores” por ter estabelecido muitas dessas “lojas” sobretudo nas cercanias dos estabelecimentos de jogos. (http://www3.icm.gov.mo/gate/gb/www.archives.gov.mo/en/featured/detail.aspx?id=61)
Foi condecorado pelo presidente da República General Craveiro Lopes (1951-1958) e receberia a condecoração a 28-06-1952, aquando da visita do Ministro do Ultramar a Macau. Em 1916 mandou construir uma mansão na Rua do Campo, hoje classificada como Património.
Tem uma rua em Macau, com o seu nome “Rua do Comendador Kou Ho Neng”, na Penha.
(4) Tradução do sr. António Maria da Silva, sub-chefe da Repartição do Expediente Sínico da Colónia.
(5) Em Abril de 1929, o Governador Tamagnini Barbosa partiu para Portugal para conferenciar com o Ministro das Colónias.
(6) Possivelmente Rosário e Guerreiro Fernandes
(7) Sobre o “fan-tan” ver
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/26/leitura-fan-tan/

Conferência pronunciada, no Salão Nobre do Leal Senado, no dia 28 de Fevereiro de 1948, por António Maria da Silva, chefe de Repartição Técnica do Expediente Sínico aposentado, e advogado (1)
Canonização S. João Brito“Como V. Exas, devem ser conhecimento, todas as representações das nossas possessões ultramarinas, na peregrinação a Roma, ao regressarem às suas terras, testemunharam publicamente o seu profundo reconhecimento pela forma cativante como foram recebidas  não só  pelos seus irmãos metropolitanos, mas também pelos supremos dirigentes do nosso grande País… (…)… Faziam parte da Delegação de Macau alguns católicos de pura raça chinesa. estes foram recebidos na Metrópole com igual entusiasmo e tratados com o mesmo carinho e afecto….(…)…  Saímos de Hong Kong pelas 8 horas, do dia 3 de Junho de 1947, e, no dia 7, o “Skymaster” norueguês, que nos levou, descia no aeroporto de Lisboa, pelas 13  horas. Se não tivéssemos passado a primeira noite em Bangkok, a segunda em Karachi e a terceira na encantadora cidade do Cairo, onde nos demorámos 27 horas, o mesmo avião ter-nos-ia transportado de Hong Kong a Lisboa em 18 horas!
Admirável progresso da ciência moderna !!
No aeródromo de Portela aguardavam-nos o Sr. Dr. Braga Paixão, representando a Comissão Organizadora da grandiosa peregrinação, o Deputado por Macau, Sr. Tenente-coronel Fontoura da Costa, um representante do Governo, outro do Patriarcado, alguns amigos, jornalistas e fotógrafos. No dia seguinte, a Delegação de Macu foi recebida por S. exa., o Sr. Ministro das Colónias…(…)… Esta deputação de portugueses de 4 continentes do mundo, incluindo o Rei do Congo, D. Pedro VII, com sua esposa e os príncipes, ali se reuniu em Lisboa, donde se seguiu para a Cidade Santa, para render homenagem a um insigne compatriota, morto ao serviço da Religião e da Pátria.  Às 2 horas da da tarde, realizou-se uma solene recepção, concedida por S- Exa. o Presidente da República, Sr. Marechal Carmona, no Palácio de Belém…..(…)…  Ao cair da tarde, entre palmas e aclamações, o paquete Mouzinho largava o porto de Lisboa. Com uma esplêndida viagem, chegámos 5 dias depois a Civitá Vecchia, donde fomos transportados para a Cidade Santa em dezenas de auto-ónibus… (…)… Depois de mais alguns dias em Roma, seguimos de comboio para Assis, percorrendo os lugares santos do Poverello e dali para Florença e Génova, atravessando a maravilhosa Riviera italiana. Em Génova embarcámos novamente no Mouzinho e 5 dias depois desembarcávamos em Lisboa…”
Canonização S. João Brito IIEste exemplar está assinado pelo autor na 1.ª página. Tem a seguinte dedicatória: “Ao  “meu” (?) caro Dr. Fernando Pacheco. Com um abraço do melhor amigo, António Maria da Silva”
NOTA 1: As cerimónias da canonização de S. João de Brito realizaram-se no dia 22 de Julho de 1947, na Basílica de S. Pedro. Estiveram presentes 2500 portugueses que entraram na Basílica, em procissão, cantando o hino em honra de S. João de Brito. Sua Santidade (Papa Pio XII), para distinguir os peregrinos portugueses do Ultramar, recebeu-os numa audiência especial, entregando, ele próprio, e pela sua própria mão, a cada um uma medalha, tendo numa das faces a sua efígie e na outra representada a Sagrada Família. Nas mesmas cerimónias, foram canonizados também os italianos “Santos Confessores” Bernardino Realino e José Cafasso.
João Heitor de Brito (Lisboa, 1 de Março de 1647 — Oriur, Índia, 4 de Fevereiro de 1693) foi um missionário jesuíta português e mártir, frequentemente chamado de “O Francisco Xavier Português”. No ano que sobe ao trono D. Afonso VI, 1662, a 17 de Dezembro, entra no noviciado da Companhia de Jesus em Lisboa. Faz estudos em Évora e Coimbra, será professor no Colégio de Santo Antão, em Lisboa, mas o sonho dele é a Índia. No ano de 1668, pede ao Superior Geral que o deixe ser missionário. Entretanto, passam os anos, consolida-se a vocação, ordenado sacerdote (1673) e recebe com alegria o mandato de partir as missões da Índia, não obstante a intervenção do núncio apostólico, solicitado por influências da Corte movidas a rogos de sua mãe. Partiu a 25 de Março de 1673 numa expedição em que vão 27 jesuítas (16 portugueses, 1 romeno, 1 italiano, 1 siciliano, 1 de Trento, 1 saboiano, 1 inglês, 2 belgas e 1 bávaro), sendo capitão-mór Rodrigo da Costa. Uns destinam-se à China, outros como João à India. (2). No ano de 1674, desembarca em Goa, a grande capital do Oriente. Logo vai fazer visita ao túmulo de S. Francisco Xavier.  A missionação na Índia como é sabido pode caracterizar-se em várias fases. A 1ª (de 1498 a 1542) é marcada pela actividade dos franciscanos e dominicanos. A 2ª. corresponde à estadia de S. Francisco Xavier, durante uns 6 a 7 anos, antes de partir para o Japão. Xavier limitou-se à costa marítima, passando ao lado da civilização hindú. A 3ª. fase é marcada pela chegada de novas Ordens e congregações religiosas, mas em que pouco se altera  a postura anterior. A 4ª fase, os missionários, como João de Brito, adoptam um modo de viver, vestir e de comer dos “pandarás-suamis”, género de penitentes aceites por todas as castas da Índia. Com este novo método os missionários aumentam a sua aceitação.(3) . Foi canonizado em 22 de Junho de 1947, pelo Papa Pio XII.
Emblema Escola S. João BritoNOTA 2: Em Macau, existe a Escola S. João de Brito (Rua de Pedro Coutinho n.º 118), dirigida pelas Caritas Macau (Fundação Casa de Macau/ São João de Brito)
(1) SILVA, António Maria da – Canonização de S. João de Brito. Macau – Imprensa Nacional, 1949, 20 p., 21,5 cm x 14,5 cm (com dedicatória, assinada pelo autor).
(2) http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_de_Brito
(3) http://alvalade.no.sapo.pt/sjoaobrito.htm