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Extraído de «BPMT», XIV- 2 de 13 de Janeiro de 1868, p. 8

Extraído de «A Voz do Crente», I Anno, n.º 25 de 11 de Junho de 1887

António Joaquim Garcia (1835 – 1919) então capitão da guarnição de Macau, partiu de Macau para Timor a 17 de Janeiro de 1869, a bordo da corveta Sá de Bandeira, ao comando de uma expedição para “castigar os revoltosos timorenses de Cova” (1) e por motivos de saúde do então governador Capitão de fragata Francisco Teixeira da Silva, assumiu o cargo de governador interino de Timor Português em 1869, que ocupou até 1870. Depois de terminar seu serviço em Timor, voltou a Macau e escreveu um relatório (2) muito detalhado sobre as condições da colônia de Timor para seus superiores em Macau, reclamando, entre outras coisas, da má situação financeira da colônia (3)

Em 23 de Março de 1877, já major, foi nomeado em Macau para uma comissão como vogal. (4)

Foi depois como coronel, comandante Geral da Guarda Policial e ajudante de campo do Governador Joaquim Joze da Graça (governou de 28-11-1879 até à tomada de posse de Thomaz de Sousa Roza em 23-04-1883). (5)

Em 29 de Março de 1887, António Joaquim Garcia chegou a Timor para novamente tomar posse como governador interino de Timor, substituindo o capitão Adriano Augusto do Rego. Não terá ficado muito tempo pois nesse mesmo ano, 1887, tomou posse como governador, o major de cavalaria, António Francisco da Costa (1)

É autor de um livro intitulado “ Vicente Nicolau de Mesquita” publicado em 18??  –  50 p., 18 cm.

António Joaquim Garcia. Coronel da guarnição de Macau
Autor não identificado
Copyright: Arquivo Histórico Ultramarino,
Foto retirado do Instituto de Investigação Científica Tropical
https://actd.iict.pt/eserv/actd:AHUD7989/web_n6631.jpg

(1) SILVA, Beatriz Basto da Silva – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995

(2) Relatório do governador interino António Joaquim Garcia, publicado no «Boletim da Província de Macau e Timor», XVI, 44, 31 de Outubro de 1870, pp. 183-185; 184. Veja-se também em Gunn s.d.: 49; e Sherlock 1986: 57, 64.

(3) “Depois de terminar seu serviço em Timor, ele escreveu um relatório detalhado sobre as condições da colônia para seus superiores em Macau. Garcia reclamou, entre outras coisas, da má situação financeira da colônia. Em 1776, 44 reinos pagavam finta, no valor de cerca de 23.000 pardaos de ouro, enquanto em 1869 apenas 23 liurai (pequenos reis) pagaram impostos um total de 2.000 florins. Garcia colocou esperança no uso de recursos naturais: cobre em Vemasse, enxofre em Viqueque e ouro, sal e carvão em Laga . No entanto, não houve sucessos reais. (https://de.wikipedia.org/wiki/António_Joaquim_Garcia)

(4) “21-03-1877 – Portaria n.º 25 publicada nesta data, contém os considerandos que levam à nomeação de uma Comissão que estude o sistema administrativo e económico em vigor nas povoações das Ilhas, introduzindo-lhe as reformas necessárias, segundo a classificação do concelho militar em que se deve basear. A comissão presidida pelo Secretário Interino do Governo, José Maria Teixeira Guimarães integra ainda como vogais o major António Joaquim Garcia, o Comandante Militar da Taipa, tenente João Severino da Silva Reis, o 1.º interprete Sinólogo da Procuratura, Pedro Nolasco da Silva e o 2.º Escriturário da Junta da Fazenda, Francisco de Paula Marçal. ( (1)

(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/19/noticia-de-19-de-marco-de-1880-tragedia-em-macau-vicente-nicolau-de-mesquita-i/

NOTA: Nesta mesma notícia, vem referido o nome de Porfírio Zeferino de Sousa, (1838-1898) que acompanhou o coronel António Joaquim Garcia, como secretário do governo de Timor, já anteriormente (1882-1883) tinha exercido o cargo de governador interino de Timor (quando Bento da França Pinto de Oliveira renunciou a o cargo porque seu filho e um enteado morreram de malária) e seria depois governador em 1889 (até 1890) e novamente (interino) em 1894 entre o governo de Cipriano Forjaz até à posse de José Celestino da Silva

O Coronel Porfírio Zeferino de Sousa, que fez toda a carreira militar no oriente, veio para Macau em 1868 como alferes de Infantaria, como ajudante de campo de seu tio almirante Sérgio de Sousa, então governador de Macau, Acabou por se fixar definitivamente em Macau. Quando era coronel comandante do Grupo de Companhias de Infantaria de Macau, foi assassinado no Quartel de S. Francisco por um subordinado, o cabo António Pereira Borges no dia 29 de Novembro de 1898. O funeral realizou-se a 1 -12-1898 (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume III, 1996)

Precisamente hoje, dia do pai, dia de S. José, início do pontificado do Papa Francisco –  19 de Março, aconteceu uma tragédia em Macau no ano de 1880: o herói de Passaleão (1) , o coronel Vicente Nicolau de Mesquita depois de ter assassinado quase toda a sua família, num acesso de loucura, suicidou-se, lançando-se num poço da sua residência.  (2)

Vicente Nicolau de Mesquita INarração de uma testemunha, que foi a primeira a entrar em casa de Mesquita, aí pelas duas horas da madrugada do dia 20 de Março de 1880, pouco depois da tragédia: (3)
“À uma hora da madrugada de 20, batia à porta do coronel Garcia e ajudante de campo do Sr. Graça, (4) ordenando-lhe, da parte deste, que fosse sem demora prender o coronel Mesquita que estava doido e queria assassinar a família.
O coronel Garcia correu a casa de Mesquita não só para cumprir a ordem do governador, mas ainda como comandante do corpo da guarda policial, encontrando, quando ali chegou, todas as autoridades judiciais e administrativas, bem como força armada, mas nãos e haviam adoptado quaisquer providências.
O coronel Garcia, informado de que Mesquita havia trucidado a família, ordenou imediatamente ao capitão Porfírio de Sousa, que mandasse trazer machados da segunda divisão policial por ser a mais próxima, e em pouco tempo foi arrombada a porta principal, apesar da resistência e boa madeira de que era construída.
Não havia uma só luz; não obstante, o coronel Garcia acendendo fósforos entrou seguido por várias pessoas presentes e alguns soldados de machado; quando subiam a escada principal apareceu o tenente Brito, com uma vela acesa que serviu de grande auxílio. No tope da escada havia um lampião que mostrava não ter servido naquela noite, porque a torcida sendo nova não tinha vestígios de queimada; acendeu-se portanto esta luz que tão necessária se tornava enquanto os soldados trabalhavam no arrombamento das portas que davam ingresso para o interior de casa. Ao mesmo tempo apareceu um soldado com um lampião tirado  da iluminação pública, que muito serviu para as primeiras investigações, porque tudo era trevas. Entrou-se pois na primeira casa e desde logo se convenceram todos de que uma grande luta havia tido lugar. Roupas espalhadas e atiradas ao acaso, cadeiras fora do seu lugar, aqui pratos quebrados, acolá vidros no mesmo estado; tudo fez compreender que o espectáculo de que iam ser testemunhas era horroroso.
À entrada, no segundo quarto, deparou-se logo com o cadáver todo ensanguentado da esposa que, com a cabeça atravessada com algumas balas, caíra, de costas, próximo da cama; enquanto se fazia esse exame, ouviu-se no mesmo quarto um fraco gemido; todas as atenções se dirigiram para aquele ponto. Era a filha mais velha que estava ferida, sendo o ferimento mais grave na cabeça. Interrogada disse, que sentindo-se desfalecer com uma pancada, que com a arma seu pai lhe dera na cabeça, caíra no chão no momento em que se apagara a luz, e que arrastando-se até à sua cama ali se escondera fechando as cortinas, e que perdendo completamente os sentidos depois de estar na cama, só os recuperara com as pancadas dadas nas portas quando as arrombavam.
Não lhe fizeram mais perguntas, porque a perda de sangue, que acabava de sofrer, a tinha posto em tanta fraqueza, que a muito custo se podia perceber o que dizia, e como estava presente o facultativo da guarda policial, Bernardo Araújo da Rosa, por ele foram prestados os primeiros socorros. Em acto contínuo, pediu-se a uma senhoras que moravam próximo, para acompanharem a enferma até poder ser conduzida ao hospital, o que fizeram por humanidade, apesar do susto com que estavam.
Prosseguiram-se as investigações até à última casa onde foi encontrada a filha mais nova debaixo duma mesa que estava a um canto da casa e próxima ao alçapão que dava comunicação com os gudões e mais serventia da casa.

……………………………………..continua no próximo “post”.

(1) Na sequência do assassinado do Governador João Ferreira do Amaral  no dia 22 de Agosto de 1849, as tropas chinesas concentraram-se no forte de Pak- Shan-Lan ou Baishaling (em português Passaleão),  perto das Portas do Cerco. No dia 25 de Agosto de 1849, o então segundo-tenente Mesquita, com apenas 16 homens  da sua confiança e mais alguns voluntários paizanos,  conseguiram tomar o Forte onde estavam 400 soldados e 20 peças de artilharia de calibre 18.
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(3) TEIXEIRA, P.e Manuel – Vicente Nicolau de Mesquita. Macau, 2.ª edição, 1958, 98 p.
(4) Trata-se do Governador Joaquim Joze da Graça (governou de 28-11-1879 até à tomada de posse de Thomaz de Sousa Roza em 23-04-1883). O ajudante de campo era o coronel António Joaquim Garcia (Comandante-Geral da Guarda Policial)
Sobre Vicente Nicolau de Mesquita ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/vicente-nicolau-de-mesquita/