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Hoje e amanhã, em Macau, realizam-se as cerimónias religiosas do Nosso Senhor dos Passos.E a propósito desta devoção, na continuação da postagem de dez postais impressos na Tipografia Seng Si Lda (5.000 exemplares) e emitidos pela Direcção dos Serviços de Turismo, em Fevereiro de 2006, publicitando “Eventos de Macau” (1). publico o postal referente à procissão. Postal, sem outras indicações (autores? datas?)

A Procissão do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos tem lugar anualmente no primeiro sábado e domingo da Quaresma e é parte da “Novena católica e da Festa em Honra do Senhor Bom Jesus dos Passos”.
A procissão conta com a participação do Bispo da Diocese de Macau, dos membros do clero e de um grande número de fiéis locais e estrangeiros, e é acompanhada pela Banda de Música das Forças de Segurança tocando a marcha fúnebre. Segue o caminho da “via dolorosa”, que representa o percurso de Jesus Cristo do Pretório ao Calvário referido na Bíblia. Actualmente, a procissão decorre ao longo de dois dias. Tem início na Igreja de Santo Agostinho e dirige-se à Igreja da Sé, fazendo o percurso inverso no segundo dia. Em designadas estações da “via sacra”, no percurso de regresso, uma mulher interpreta o papel de Verónica entoando um cântico triste enquanto um padre e os numerosos fiéis respondem com preces e cânticos, criando uma atmosfera de pesar. A procissão do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos tem uma longa história em Macau. Remonta a 1708, sendo um evento religioso característico e representativo da cidade.
http://www.culturalheritage.mo/pt/detail/2464/1
“Foram os Agostinhos espanhóis, vindos das Filipinas, que em 1586 terão introduzido, em Macau, o culto da Paixão de Cristo, nomeadamente a procissão dos Passos. A procissão do Senhor do Passos em Macau transcende o seu significado religioso. Em 1717, com a saída dos Agostinhos para Goa, a procissão deixou de se realizar. Nos anos seguintes verificou-se carestia e falta de alimentos em Macau. A população chinesa atribuiu a situação ao facto de não se realizar a procissão, tendo requerido ao Procurador do Senado “que fizesse andar pelas ruas aquele homem de pau às costas”, assim lhe chamavam. E, mais prontificaram-se a arcar com todas as despesas. Estávamos em 1721, e o Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos continua a sair anualmente, pela fé de uns e a crendice de outros. No século XIX, na sequência da extinção das Ordens Religiosas, a igreja de Santo Agostinho é entregue à Confraria de Nosso Senhor do Bom Jesus dos Passos, que tinha sido fundada pelos Agostinhos portugueses quando chegaram a Macau. A Confraria toma posse da Igreja e das casas anexa em 1887.Confraria que é, ainda hoje, responsável pela realização desta procissão. (LOPES, Fernando Sales in
https://pontofinalmacau.wordpress.com/2013/02/15/a-grande-procissao-dos-macaenses/
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/01/29/postais-da-direccao-dos-servicos-de-turismo-eventos-de-macau-2006-i/
Anteriores referências neste blogue desta Festividade Religiosa, Património Cultural Intangível do território:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/08/06/leitura-restituicao-do-convento-de-santo-agostinho-e-o-2-o-cazo-milagroso-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/03/10/noticia-de-10-de-marco-de-2019-o-senhor-dos-passos-em-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/25/noticia-de-25-de-marco-de-1708-tradicoes-que-se-continuam-ii-a-procissao-dos-senhor-dos-passos-ou-senhor-da-cruz-as-costas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/

Ainda a propósito da restituição do convento de Santo Agostinho e seguindo a leitura dos “3 Casos Milagrosos” descritos por BRAGA, Jack M. em A Voz do Passado, 1987 (1) (2) transcrevo o terceiro “CAZO MILAGROSO” que aconteceu durante os 10 anos em que o Convento de Santo Agostinho foi ocupado por “outros padres”.
“ Os retabolos e as Imagens dos Altares de St.º Agostinho estavão tão podres e destruídas do tempo e pelas formigas brancas que cairão no chão a pedaços, mas quando entrarão os Religiosos a tomar posse e entrega da Igreja repararão os P.es Capuchos e os mais circunstantes que a este acto assistirão que a Imagem de St.º Agostinho não só estava ilesa, mas com toda a encarnação tão viva que supposerão que os novos Religiosos a tinhão levado para Goa, e disendo eles que não, pois era a primeira vês que entravão na Igreja, huns e outros derramarão muitas lagrimas de alegria na consideração do muito com que o Santo Padre recebia a seus filhos.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/07/25/noticia-de-25-de-julho-de-1721-restituicao-do-convento-de-santo-agostinho-e-o-1-o-cazo-milagroso/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/08/06/leitura-restituicao-do-convento-de-santo-agostinho-e-o-2-o-cazo-milagroso-ii/

A propósito da restituição do convento de Santo Agostinho e seguindo a leitura dos “3 Casos Milagrosos” descritos por BRAGA, Jack M. em A Voz do Passado, 1987 (1), transcrevo um outro “CAZO MILAGROSO” que aconteceu durante os 10 anos em que o Convento de Santo Agostinho foi ocupado por “outros padres”.
Com a falta dos Religiosos tinha cessado a procissão dos Passos que se não fasia havião três anos deles irem para Goa, pelas razões que havião por cauza do Patriacha como consta em 1712. Fevereiro 14 succedeo que houvesse nesta Cidade huma grande carestia pela falta de mantimentos. Os Chinas attibuindo isto a não se fazer a procissão requererão ao Procurador do Senado para que fizesse andar pelas ruas aquelle homem de pao ás Costas (palavras delles) oferecendo-se para os gastos. Fes-se com efeito a procissão, cessou a carestia, e os Chinas contentes pagarão as despesas.”
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/07/25/noticia-de-25-de-julho-de-1721-restituicao-do-convento-de-santo-agostinho-e-o-1-o-cazo-milagroso/
Anteriores referências a esta procissão:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/25/noticia-de-25-de-marco-de-1708-tradicoes-que-se-continuam-ii-a-procissao-dos-senhor-dos-passos-ou-senhor-da-cruz-as-costas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/01/noticia-de-1-de-setembro-de-1709-a-excomunhao-do-bispo-o-patriarca-de-antioquia-e-os-frades-de-s-domingos/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/03/10/noticia-de-10-de-marco-de-2019-o-senhor-dos-passos-em-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/03/07/noticia-de-7-de-marco-de-1954-a-grande-devocao-ao-senhor-dos-passos-em-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/

Ephemerides Commemorativas… “  de AMP

A mesma notícia, com mais pormenor em BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado, 1987
“25-07-1721 – Com a chegada do Navio de Vias veio Ordem do sr. Rey D. João 5.º para se restituir o Convento de St.º Agostinho aos seus Padres, os quaes se achavão desapossados havião dez anos e tantos mezes. O mesmo Sr. Lhes mandou huma Grande Custodia, e um Grande Calix para servirem nas Festividades da sua Igreja que tudo isto existe. Mandou ordem ao Senado desta Cidade para annoalmente lhe dar de esmolas 80 Taés, cujos ainda hoje cobrão. Dizem que S. M. F. lhe fizera isto em satisfação do comportamento que tiveram com o Sr. Patriarcha e atenção aos trabalhos que soffrerão por cauza delle. O seu Provincial o P.e Frei Francisco da Purificação logo enviou de Goa os padres para tomarem posse do Convento mas o que he mais digno de memoria são os cazos que acontecerão em o dito Convento os 10 annos (1) que esteve sem Padres. “
1.ª CAZO MILAGROSO
Eu passo a descrevelos – Entregando-se o dito Convento ao ordinário, deputou o Sr. Bispo ahum Clerigo que o habitasse, o qual logo nas primeiras noites experimentou huma tal opposição que espavorido o largou de todo, e não houve quem nelle quisesse assistir, sendo que o dezejavão os Clerigos, tanto pela sua grandesa como pela qualidade do sitio que muitas veses tentarão compra-lo a Religião para nelle faserem a Sé e nisto não há dúvida pelas dilligências que fiserão em Goa. Contão que os Chinas Genios quiseram de noite furtar as pedras do Adro da Igreja, e estes affirmavão constantemente que virão passear nelle um home com habito de Stº Agostinho muito velho, com grande barbas que lhes não deixava furtar pedras.”
(1) O Convento de Santo Agostinho e a sua Igreja passaram para a administração do Ordinário em 15 de Janeiro de 1712, devido à ausência dos padres do Convento, que foram presos para Goa, à ordem do Vice-Rei, em consequência das controvérsias provocadas pelo Patriarca de Antioquia, a quem prestavam obediência.

Ephemerides Commemorativas… “  de AMP

Referências anteriores ao Convento de S. Agostinho em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/convento-de-s-agostinho/

Por lei desta data, 17 de Abril de 1884, foi efectivamente concedida pelo Governo de Sua Majestade, à Irmandade do Senhor de Bom Jesus dos Passos (1) a posse do Templo de Santo Agostinho, (2) obrigando-se aquela a prover a reedificação e conservação do edifício e sustentação do culto (3) (4)
Na verdade, foi a acção de Lourenço Caetano Cortela Marques (1811-1902) que foi durante muitos anos Presidente da Confraria e que ao ver desabar essa igreja em 27 de Setembro de 1872, (5) apressou-se a requerer a posse dessa Igreja para a Confraria
Assim o Governador Visconde Sam Januário em 28 de Janeiro de 1873 por portaria n.º 16, concedeu a posse, “requerida pela Confraria do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, da igreja de Sto Agostinho, obrigando-se a mesma Confraria a reedificar a referida igreja, e a prover de futuro a sua conservação e asseio”.

Boletim da Província de Macau e Timor, XIX, n.º 5 de 1/2/1873.

(1) A Confraria de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos terá sido constituída, logo após a chegada a Macau dos agostinhos espanhóis, vindos das Filipinas em 1586 (2) pois nesse ano já se praticava o culto da Paixão de Cristo e se efectuava a procissão dos Passos. A Igreja de Nossa Sra. Da Graça, vulgarmente conhecida por Igreja de Sto Agostinho, está a cargo da Confraria do Senhor Bom Jesus dos Passos. Esta igreja foi sempre e continua a ser o centro do culto de Nosso Senhor dos Passos, cuja imagem é ali venerada (4)
(2) Fundado em Macau o convento de S. Agostinho, em fins de 1586 ou princípios de 1587, pelo agostinho espanhol Fr. Francisco Manrique, foi entregue aos agostinhos portugueses em 22 de Agosto de 1589. Encadeados nas múltiplas hipóteses da sua transferência, total ou parcial, para o sítio onde hoje existe, há manuscritos que nos afirmam ter-se mudado o local do convento para a Colina do Mato Mofino, em 1591, sítio actual da sua existência. Embora nos refiramos ao convento de S. Agostinho, o que realmente existe hoje é apenas a igreja e seus anexos, pois o que era o convento já não faz parte deste conjunto; é presentemente a «Vila Flor», residência dos religiosos da Companhia de Jesus” (“A Colina de Santo Agostinho e o seu Convento, artigo não assinado. in MACAU, Boletim Informativo III- 59,  15 de Janeiro de 1956, pp. 4-6)
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942 p. 193-195.

Boletim da Província de Macau e Timor XXX – n.º 25 de 21 de Junho de 1884

(5) O grande incêndio que em 1872 destruiu a capela‐mor, a sacristia e várias outras dependências. Não houve perdas de vida. No ano seguinte, a Confraria do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos requereu para si a igreja, com o compromisso de reedificar as partes derrubadas. Em 1887 já as obras estavam concluídas; no entanto, em 1889 a mesa da confraria resolveu reconstruir integralmente a igreja. O engenheiro Mateus Lima foi então requisitado para fazer a necessária vistoria e elaborar o caderno de encargos, vindo a empreitada a ser arrematada pelo mestre‐de‐obras chinês ou macaense Afoo. Foram também realizadas melhorias na sacristia, na torre e na casa da confraria. O templo voltou a ter culto a 9 de janeiro de 1900.
TEIXEIRA, Padre M. – Macau e a sua Diocese Volume I -Macau e as suas Ilhas. 1940, p. 180.
Ver anterior postagem em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/27/noticias-queda-do-tecto-da-igreja-de-santo-agostinho/

Exemplo de uma dádiva à Confraria

Boletim do Governo de Macau, n.º 8 de 24 de Fevereiro de 1868 p. 46.

Referências anteriores à Igreja de Santo Agostinho e à Procissão do Senhor:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-agostinho/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/procissoes/<

Extraído de «Boletim do Governo de Macau», 1868.

NOTA: o hábil macaense, Carlos Vicente da Rocha, foi também o autor do engenhoso maquinismo que funcionava com um candeeiro de petróleo e acendeu-se pela primeira vez a 24 de Setembro de 1865, no farol da Guia.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_Santo_Agostinho_(Macau)

O Convento de S. Agostinho (1) foi fundado por frei Francisco Manrique, natural de Espanha, donde partiu para Manila em 1575. Foi ali vigário provincial. Ao deixar este cargo em Março de 1584, embarcou para Macau, em Setembro seguinte, num navio português, de que era proprietário Bartolomeu Vaz Landeiro, no qual vinha o seu sobrinho Vicente Landeiro. O navio foi dar às costas do Japão devido a uma tempestade, e depois de dois meses de demora chegou a Macau, no dia 1 de Novembro de 1584. Foi obrigado a deixar Macau por má vontade que em Macau reinava contra os castelhanos e foi para Malaca. Regressou a Macau onde aportou a 1 de Novembro de 1586, trazendo consigo dois confrades padres Diego Despinal e Nicolau de Tolentim; dirigiram-se ainda a Cantão antes do dia 6 de Julho de 1587, mas foram obrigados a regressar a Macau. Fundou aqui um convento da sua ordem (embora intimidado por muitas oposições locais) em fins de 1586.
Três anos mais tarde, por ordem do rei de Espanha, (22 de Agosto de 1589) o convento passou para os portugueses. O Padre Provincial de Goa, Frei Luís do Paraíso, mandou a Macau o seu comissário Frei Pedro de S. Maria e com ele Frei Pedro de S. José e Frei Miguel dos Santos, que tomaram posse do convento a 22 de Agosto de 1589. Foram estes frades portugueses que em 1591 transferiram o convento (2) para o actual Largo de S. Agostinho e construíram a Igreja anexa de Nossa Senhora da Graça (vulgarmente conhecida por Igreja de Santo Agostinho). Foi reconstruída em 1814. (3)
(1) Anteriores referências da Igreja de Santo Agostinho
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-agostinho/
(2) Embora “Querem outros que só fosse a mudança de algumas portas, e não de todo o corpo do convento, por se não encontar notícia nem vestígios do que se pretende dar por mais antigo
PEREIRA, A. Marques – Ephemerides commemorativas da hostória de Macau, 1868
(3) TEIXEIRA, Pe. M. – Macau e as suas Ilhas , Volume I, 1940

25-03-1708 – Neste dia se fes a Procissão do Sr. Crus as Costas pelas Ordinarios por ordem do Sr. Bispo, visto estarem os Padres de St.º Agostinho impedidos no seu convento por cauza de controvercias que tem havido a respeito do Patriarcha – Os Irmãos que acompanhavão o Sr. ião com Capa branca e murça rôxa. A Procissão foi athé S.m Domingos onde ficou ali. (BRAGA, Jack M.- A Voz do Passado, 1987).
PEREIRA, A. Marques – Ephemerides commemorativas da historia de Macau e das relações da China com os povos Christãos, 1868.

Por ordem do Bispo D. João do Casal, a procissão de Nosso Senhor dos Passos (ou da Cruz) foi feita pelos Ordinários, pelo facto dos padres agostinhos se encontrarem retidos no seu convento, em consequências do conflito entre eles e o patriarca da Antióquia, o Cardeal Carlos Mailard de Tournon.
A nomeação de D. Carlos Mailard de Tournon pela Santa Sé em 1702 para negociar com o imperador da China uma condenação formal dos ritos que se concluiu a 20 de Novembro de 1704, foi um pretexto da Santa Sé para neutralizar a influência dos jesuítas na corte de Pequim e enfraquecer assim o direito do padroado português sobre as dioceses chinesas. Aliás, o rei D. Pedro II de Portugal não aceitou em 1902 a indigitação do Cardeal. Talvez,por isso, no dia 2 de Abril de 1705 quando o Patriarca na sua rota para Pequim passou por Macau recusou entrar na cidade ficando hospedado por uma noite na Ilha Verde onde recebeu o Bispo D. João da Casal e o Governador da cidade. A missão de Tournon na China foi desastrosa, acabando por ser expulso, sob custódia para Macau onde chegou em 30 de Junho de 1707. A sua permanência em Macau agravou mais esse conflito entre Bispo D. João do Casal, na defesa do padroado português e os prelados que apoiavam o Patriarca da Antioquia, nomeadamente os Agostinos e os Dominicanos. Os Agostinhos  sofreram um interdito logo em 1707 (os dominicanos em 1709) acabando depois pelo encerramento do convento em 1712 (já depois da morte do patriarca) e os religiosos enviados para Goa.
A seguir, continuação da publicação das fotografias da Procissão do Senhor dos Passos de 1974.
Ver anterior artigo e fotos em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/

Tendo sido transferido para o Convento de Sta. Clara a escola de meninas que funcionava no convento de Sto. Agostinho, desde 10-08-1846 (1), em 6 de Julho de 1857, foi este transformado em Hospital Militar até 1874, (2) ano em que foi construído o Hospital Conde de S. Januário (inaugurado a 6 de Janeiro de 1874). Depois “velho e desactivado“, o convento é convertido em Liceu Nacional de Macau (inaugurado em 18-09-1894) (3) e depois comprado por Artur Basto que o transformou em sua residência. Com a morte foi adquirido pela Companhia de Jesus e, sob o nome de Residência de Nossa Senhora de Fátima dos jesuítas ou “Vila Flor” (serve de casa de repouso aos jesuítas), junto à Igreja de Sto. Agostinho. (GOMES, Luís Gonzaga- Efemérides da História de Macau, 1954).

Chinnery Escadas de Sto Agostinho 1829Escadas que conduziam ao antigo Convento de Santo Agostinho
George Chinnery – 1829 (4)

(1) “O convento de Santo Agostinho foi fundado em fins de 1586 ou princípios de 1587, pelo agostinho espanhol Fr. Francisco Manrique, (os padres espanhóis pertenciam à Província Filipina) e foi entregue aos agostinhos portugueses em 22 de Agosto de 1589. (5) Encadeados nas múltiplas hipóteses da sua transferência, total ou parcial, para o sítio onde hoje existe, há manuscritos que nos afirmam ter-se mudado o local do convento para a Colina do Mato Mofino (onde hoje se encontra a residência de Nossa Senhora de Fátima dos jesuítas) em 1591. Outros dizem que só foram mudadas algumas portas e não todo o corpo do convento, por não se encontrar notícia nem vestígios do que se pretende dar por mais antigo.
Esta transferência, e até à fundação dos agostinhos em Macau, atribui-a Casimiro Cristóvão de Nazaré em «Mitras Lusitanas no Oriente», ao agostinho português Fr. Miguel dos Santos.
Em 1711, o Convento de s. Agostinho foi retirado aos seus frades por ordem do Vice – Rei D. Rodrigo da Costa, sob a acusação de serem afectos ao Cardeal de Tournon. Mas foi-lhes restituído em 1721.
Em 1834, com a expulsão e extinção de todas as ordens religiosas no Império Português, esta igreja foi confiscada pelo Governo de Macau e serviu-se de quartel militar (Batalhão de Primeira LInha), escola de meninas desde 10-08-1846   e hospital. No final do séc. XIX,, em 1873, o Governador de Macau devolveu a administração desta igreja à Confraria de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos.
O engenheiro Jerónimo Luna no relatório «Hospital Militar – no extinto convento de Santo Agostinho» refere as obras realizadas neste edifício:
«Neste hospital se fizeram primeiramente diferentes obras, de consertos, reparos e pinturas, e, ultimamente, fizeram-se as obras necessárias para o isolamento completo dos doentes, em relação à parte do edifício arruinado, pelo desmoronamento de parte da igreja. …» (6)
«…Este edifício, por ser velho e ter geralmente má construção, precisa constantemente de reparos.»” (7)
(2) A instalação do Hospital Militar que foi autorizada por portaria de 21 de Novembro de 1855, implicou alterações/adulterações da estrutura do edifício. O Hospital Militar ocupou as alas que conformavam o claustro e dispunha de sessenta e oito camas. Mesmo após 1874 após a transferência dos doentes para o Hospital Sam Januário, a tropa continuou no convento até 1893 (aquando da instalação do Liceu de Macau).( GOMES, L.G.- Efemérides da História de Macau, 1954).
3) “28-09-1894 – Foi inaugurado o Liceu Nacional de Macau, instalado no velho e desactivado Convento de Santo Agostinho (que acabou de ruir, sem causar danos pessoais) com uma simples visita do Governador Horta e Costa. Não se realizou nenhuma solenidade por a família real se encontrar de luto. .(GOMES, L.G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

SMIRNOFF Igreja Sto Agostinho 1944Fachada principal da Igreja de Santo Agostinho
George Smirnoff, 1944
O Convento ficava à direita (na foto) da Igreja

(4) Este desenho de Chinnery vem mencionado com este título nos catálogos das exposições, ambas em 1995 “Macau Uma Viagem Sentimental” e “Imagens de Macau Oitocentista“. Mas tem uma referência ao “Convento de S. Francisco”, embora interrogado, no catálogo da exposição em 1985 “George Chinnery – Macau“.
(5) “22-08-1589 – Tomarão posse os Religiosos de Stº Agostinho desta Cidade do Convento de N. S. da Graça que hoje possuem o qual foi fundado pelos Religiosos desta Ordem vindos de Filipinas …” (BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado, 1964).
(6) “Isto escrevia-se depois do grande incêndio de 1872, que destruiu a capela‐mor, a sacristia e várias outras dependências e que nos faz crer que essa parte do convento, já não alinhava com o bloco da igreja, pois era considerada dependência militar, e , posteriormente, passou a pertencer a particulares.” (7)
(7) ” A Colina de Santo Agostinho e o seu Convento”, sem indicação de autor in . MACAU, Boletim Informativo, 1956.
Anteriores referências ao Convento de Santo Agostinho:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/convento-de-s-agostinho/
Ver ainda «NOTÍCIAS – QUEDA DO TECTO DA IGREJA DE SANTO AGOSTINHO» em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/27/noticias-queda-do-tecto-da-igreja-de-santo-agostinho/

No dia 29 de Abril de 1622 foi celebrada pelo prior do Convento de Santo Agostinho, Fr. Estevão de Vera Crus, a primeira missa, na ermida da Nossa Senhora da Penha de França, (2) edificada pelos frades de Santo Agostinho com as esmolas dos navegantes e moradores da cidade, em cumprimento da promessa de terem sido salvos, quando o seu barco S. Bártolo, capitaneado por Jorge da Silva, fora atacado em 28 de Julho de 1620, por uma nau holandesa, na ocasião em que fazia a viagem ao Japão. No mesmo dia foi lavrado o auto de posse da ermida pelos Agostinhos.
GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954.

Macau 1626 Mapa de John SpeedPormenor do Mapa “ O Reino da Chinade John Speed (1542-1629)
publicada em 1626.

 “29-04-1622- Consta pela copia authentica do mesmo autto da posse ser fundada a Ermida de N. S. Penha de França no logar que ainda hoje existe (1) pelo Prior Frei Estevão da Vera Crus a custa das Esmolas que os Navegantes promettião a davão das viagens que.  naquelle tempo fasião para o Japão como de outras que os Moradores e Cidadãos desta Cidade derão e o resto que faltou para completar a obra derão os Religiosos do mesmo Convento de  Stº Agostinho, como tudo consta autenticamente pelos Documentos  que se achão no Archivo do dito Convento.”
BRAGA, Jack M. –A Voz do Passado, 1987.

Macau 1626 Pormenor Mapa de John SpeedMacao 1626 – pormenor do mapa de John Speed

 (1) (2) Referências anteriores em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-da-penha/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-da-penha/