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Faleceu a 14 de Julho de 1870, dum ataque repentino que o privou dos sentidos, o padre Jorge António Lopes da Silva, nascido em Macau, em 8 de Maio de 1817. Foi muito estimado por toda a população, tendo recebido, em Manila, aos 24 anos de idade a sagrada ordem de presbítero. Na volta a Macau, regeu a cadeira de Português, no Colégio de S. José e abriu, em sua casa, uma escola, donde saíram alguns padres e muitos guarda-livros. Foi depois convidado, pela Câmara Municipal para exercer a cadeira de professor de liceu, que fora então aberto, em Macau (1)
Não foi professor de liceu pois não havia ainda liceu em Macau. O Senado de Macau convidou a 14 de Abril de 1847 o Padre Jorge António Lopes da Silva para ser um dos primeiros mestres da futura Escola Principal de Instrução Primária. (2) O Padre respondeu a 27 do mesmo mês que aceitava ser um dos mestres das primeiras letras com o ordenado de 350 patacas anuais, pondo no entanto as seguintes condições: 1) levar consigo os meninos que estudavam em sua casa; 2) os requerimentos para admissão deveriam ser dirigidos não a ele, mas ao Senado; 3) que se alterasse o horário de inverno, pois o tempo do meio-dia às 2 horas lhe parecia curto para descanso de professores e alunos”, O Senado concordou e o Padre Jorge foi nomeado director e mestre da Escola Principal de Instrução Primária que foi inaugurada a 16 de Junho de 1847. A Escola ficou instalada em metade das casas do Recolhimento de S. Rosa de Lima. (3) (4)
A 14 de Junho de 1847, dois pretendentes oficiaram ao Senado: José Vicente Pereira oferecendo-se para mestre de inglês e francês dessa escola e John Hamilton pedindo-lhe um lugar de professor; a 22 de Novembro de 1847, o Senado comunicou ao Padre Jorge a nomeação de José Pereira e perguntando-lhe se carecia de mais outro professor. A Escola compreendia 3 cadeiras: uma de ensino primário, a cargo de Joaquim Gil Pereira, outra de português a cargo do Padre Jorge Lopes da Silva e outra de inglês e francês a cargo de José Vicente Pereira (3)
Apesar do seu limitado pessoal chegou a ter mais de 300 alunos.
Em fim de 1853, o Padre Jorge António Lopes da Silva pediu a demissão de director e mestre da escola. (5) Para a direcção da Escola foi nomeado o Padre Vitorino José de Sousa Almeida (6) que ficou só um ano pois o Senado teve de o despedir, ou por ter achado nele inaptidão ou por sua severidade pois que no cabo de um ano, estava deserta a aula das línguas portuguesas e latina.

Planta da Colónia Portuguesa de Macau
1870
Desenhada  por M. Azevedo Coutinho (7)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(2) A 27 de Janeiro de 1847, o Senado de Macau oficiou a José Vicente Jorge, Francisco António Pereira da Silveira, Francisco João Marques e Padre António José Victor, comunicando-lhes que haviam sido nomeados para fazer parte duma comissão a fim de elaborar um plano de educação para a mocidade deste estabelecimento. A Escola Principal de Instrução Primária foi fundada pelo Senado de Macau por meio de uma subscrição pública. O  Senado comunicou a João Maria Ferreira do Amaral, governador de Macau entre 1846 e 1849, a 17 de Fevereiro de 1847 que
deliberou com os eleitos das freguesias  solicitar dentre os moradores abastados desta Cidade
Huma subscrição, cujo produto incorporado ao Capital agora existente de $ 5 000 (doado pelo inglês james Matheson feita a Adrião Acácio da Silveira Pinto, governador de Macau de 1837 a 1843), constitua hum fundo capaz de produzir hum rendimento, que junto  ao que este Senado agora despende com a sua escola de primeiras letras seja sufficiente para cubrir as despezas de huma Escola Principal de Instrução Primária: e na qual … se ensine também as línguas Ingleza e Franceza, cujo conhecimento he hoje reconhecidamente de suma utilidade, senão indispensável neste pais”. (3)
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
(4) Em Abril de 1849, a escola foi transferida para o Convento de S. Francisco; mas a 28 do mesmo ano, o Conselho de Governo comunicou ao Senado que, tendo de aquartelar nesse convento a força auxiliar vinda de Goa, a escola devia ser mudada para outro lugar; regressou então ao Recolhimento. (3)
(5) Segundo artigo publicado no «Echo do Povo» n.º 68 de 15-07-1960, o Padre Jorge Lopes da Silva rdeixou a direcção que ocupava porque obrigaram-no a aceitar o vicariato de S. Lourenço. Foi portanto, nomeado pároco de S. Lourenço e a 5 de Fevereiro de 1866, foi nomeado Governador do Bispado. O Padre Jorge Lopes da Silva foi nomeado em 1867 presidente duma comissão encarregada de estudar as necessidades da Santa Casa de Misericórdia, nomeadamente do recolhimento das raparigas abandonas à porta da Santa Casa, que levou posteriormente ao decreto do Governador José Maria da Ponte e Horta à abolição da Roda dos Expostos da Santa Casa, a 2 de Fevereiro de 1867.
(6) Padre Vitorino José de Sousa Almeida chegou a Macau a 2 de Janeiro de 1832 no Novo Paquete. Foi pároco de S. Lourenço de 1842 a 1852. (3)
(7) Ver referência a este Capitão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/22/noticia-de-agosto-de-1952-clube-militar/

Chegada do Conselheiro Adrião Acácio da Silveira Pinto, (1) no dia 4 de Novembro de 1843, no brigue «Tejo» a Uóng-Pou (Vampu/Whampoa) (2) com os demais membros da missão enviada pelo Governo de Macau, para negociar com o Vice-Rei Kéi-Ieng, (Ki-Yin). Seguiu pelas 7.30 horas, em escaleres, para Cantão, residindo depois de realizada a conferência, na casa de campo do mandarim graduado Pau-Teng-Kua e no Consulado de França, onde realizou repetidas reuniões, durante dez dias. A missão não conseguiu que fosse relevado o foro pago pela colónia nem dispensada a demarcação do limite para fora dos muros do campo de S. º António; igualmente não conseguiu obter: o aumento do número de navios desta praça, então limitado a 25, para irem negociar a Manila e outros portos estrangeiros; a permissão para os navios portugueses frequentarem o porto de Fuchau (3) por este porto não estar ainda franqueado ao comércio estrangeiro; e o reconhecimento dum ministro plenipotenciário.

1843-whampoa-anchorage“Whampoa near Canton, China. Anchorage for European Shipping”
Litografia publicada em 1843 (4)

Os chineses anuíram porém, à igualdade do tratamento na correspondência oficial entre as autoridades portuguesas de Macau e as chinesas do distrito, exigindo, no entanto, que a correspondência a dirigir aos altos-funcionários da capital fosse em forma de tchâm (requerimento) ou pân (representação ou ofício de inferior para o superior); ao idêntico pagamento dos direitos de ancoragem dos navios estrangeiros em Uóng-Pou, (2) com redução de um mês e meio para os 25 navios portugueses de Macau (três mazes por tonelada), (5) mas os que não pertenciam a esse número continuariam a pagar cinco mazes por tonelada; à actualização dos direitos sobre mercadorias importadas pelos chineses de Macau, segundo a nova tarifa, com extinção de todas as gratificações e despesas adicionais; à livre construção de edifícios e barcos e à livre compra de materiais e livre emprego de operários nativos destinados para esse fim, mas do limite dos muros de Sto António; e à permissão para os navios portugueses poderem também comerciar nos portos de Cantão, Amói, (6) Fôk-Tchâu, (3)  Neng-Pó (7) e Xangai. (8) (9)

1843-whampoa-thomas-allom“Whampoa, from Danes Island”
Pintura de Thomas Allom, c. 1843 (10)
Nesta pintura vê-se o porto de Whampoa e a ilha de  Changzhou (ilha de Dane), no rio das Pérolas em Guangzhou (Cantão).

NOTA: Por volta de 1830, os comerciantes europeus pressionavam os seus governos para que conseguissem a liberdade de comércio na China. Em 1839, o vice-rei Lin Tseu-siu confiscou e destruiu, em Cantão, um carregamento de ópio, levando a Inglaterra a bloqueiar Cantão, iniciando, assim, a Primeira Guerra do Ópio, que durou até 1842. A 19 de agosto de 1842, a a assinatura do Tratado de Nanquim, que leva à abertura da China ao comércio britânico de portos vitais, como o de Cantão e Xangai, e a cedência, à Inglaterra, de Hong-Kong, ocupada desde 1841. Em 1843, a China reconheceu a extraterritorialidade de Hong-Kong. A abertura dos portos a outros países também se verificou em relação aos Estados Unidos, em 1844, e à França, a 24 de Outubro de 1844, por meio do Tratado de Whampoa, que estabeleceu também a tolerância do cristianismo e dos missionários.
(1) “27-10-1843 – O ex Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto (governo de 22 de Fevereiro de 1837 a 3 de Outubro de 1843) que fora nomeado pelo Governador José Gregório Pegado, em sessão do Senado de 10 de Outubro, para tratar com os comissários chineses, no sentido de se melhorarem as condições da existência política deste estabelecimento, seguiu para Cantão no brigue de guerra «Tejo», do comando do capitão-tenente Domingos Fortunato de Vale. Agregaram-se a esta missão o Procurador da Cidade João Damasceno Coelho dos Santos e o intérprete interino José Martinho Marques” (8)
O Governador Adriano Acácio da Silveira Pinto (1818-1868) que faleceu em Lisboa, no posto de Marechal de Campo, ao 23 de Março de 1868, foi governador-geral da Província de Angola de 1848 a 1851.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/adriao-a-silveira-pinto/

1843-whampoa-island-and-the-canton-river“Whampoa Island and the Canton River”, 1843 (11)

(2) Whampoa, distrito da cidade de Guangzhou, romanização de Huangpu 黄埔 – mandarin pīnyīn: huáng pǔ; cantonense jyutping: wong 4 bou3 – porto/mercado amarelo.
(3) Fucheu (nome em português), ou Foochow  é a actual cidade Fuzhou, 福州, capital da província de Fujian (Fuquiém), na China.
(4) Litografia publicada em 1843 em Londres num livro de Julia Corner “The History of China & India, Pictorial & Descriptive”.
http://www.albion-prints.com/corner-1843-print-whampoa-near-canton-china-anchorage-for-european-shipping-178267-p.asp 
(5) Maze – antiga moeda de peso de Malaca; moeda do século XVI equivalente a 50 réis.

1843-amoy-from-the-anchorage“Amoy, from the anchorage, showing the forts”, 1843 (11)

(6) Amói ou Xiamen,  廈門 na província de Fujian . Xiamen foi um dos primeiros lugares onde os europeus assentaram para o comércio com a China, iniciado pelos portugueses no século XVI.

1843-ning-po“Ning-Po, from the river” (11)

(7) Neng Pó ou Ning Pó ou Liam Pó actual Ningbo (寧波)
(8) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(9) “Depois de conferenciar 10 dias com o delegado chinês, não conseguiu a abolição do foro pago por Macau à China nem a demarcação do limite para fora dos muros do campo de S. António nem permissão para construções além desse muro, nem o aumento do número de navios desta praça, limitado a 25 nem sequer autorização para os nossos navios frequentarem o porto de Fu-Chau, nem o reconhecimento dum ministro plenipotenciário.
Foi Ferreira do Amaral que resolveu o problema por si mesmo sem enviar delegações a Cantão. A 27 de Fevereiro publicou um edital comunicando aos chinas que ia abrir uma estrada das Portas de S. António até às Portas do Cerco; o seu objectivo era delimitar o território português,a firmando que todo esse campo era nosso, visto que as sepulturas chinas ali existentes nos pagavam foro. Para remoção dessas sepulturas, deu um prazo até ao fim de Março. O Mandarim de Heung-Sán oficiou logo ao procurador de Macau, intimando-o a parar a obra; mas Amaral não cedeu; e apesar dos vários protestos dos mandarins, as sepulturas foram removidas e a estrada fez-se.”
(TEIXEIRA, Pe. M. – Toponímia de Macau,  Volume 1, 1997.
(10) “Whampoa, from Danes Island’ , pintura de Thomas Allom, c. 1843, baseado num desenho do tenente White da “Royal Marines
(11) Desenhos do periódico “Saturday Magazine” n.º 677, 21 de Janeiro de 1843, no artigo “The Five Ports of China to British Trade”.
https://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/opium_wars_01/saturday_magazine/index.htm 

No dia 23-02-1837, tomou posse do cargo de Governador e Capitão-Geral de Macau,  o major de infantaria, Adrião Acácio da Silveira Pinto, nomeado em 4 de Março de 1836 (1) (2)
O Governador e Capitão-Geral Adrião Acácio da Silveira Pinto que governou Macau até 1843 (3) teve uma governação atribulada e difícil pois durante o seu governo, teve de lidar com o problema do ópio na China que já vinha desde 1932, com a proibição do ópio em Cantão (4), a proibição da importação e tráfico do ópio  pela China  em 1934 (5), a queima de ópio publicamente em Cantão em 1835 (6), a proibição do comércio do ópio pela China em 1938 (7), terminando com a chamada “I Guerra do Ópio”, em 1839.  (8)

Barrier Wall Macao 1844“Barrier Wall, Macao” (1844)
The barrier on the land bridge separating Macao from China is viewed here from a British encampment in Macao, with British warships to the left and Chinese war junks close to the barrier on the right.”
http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/opium_wars_01/ow1_essay03.html

A sua governação foi um constante equilíbrio diplomático entre a ingerência e imposição pela força dos ingleses em Macau (9), expulsão dos súbditos britânicos da China (10) e a necessidade de manter a neutralidade neste conflito com os mandarins de Cantão. (11) Em 1838, assiste-se em Macau ao enforcamento por ordem dos mandarins, do chinês Kuo Si Peng por ter sido apanhado em flagrante delito a vender ópio. (12)
Foi deste Governador a ideia de demolir o Convento e Igreja de S. Francisco, para edificar um palacete residencial para si, tendo o Leal Senado pronunciado contra essa ideia. (13)
Adrião Acácio da Silveira Pinto, após sido substituído por José Gregório Pegado foi por este indicado e depois nomeado em 10 de Outubro de 1843,  embaixador de Portugal para tratar com os plenipotenciários chineses sobre o estabelecimento de Macau. (14)
Faleceu em Lisboa a 23 de Março de 1868, no posto de marechal de campo. (1)

1840Macau vista de Praia Grande Museu PeabodyMacau, vista da Praia Grande, ca. 1840, guache em papel
Museu Peabody Essex  Foto de Jeffrey R. Dykes 2007
http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/cw_gal_01_thumb.html

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995).
(3) 03-10-1843 ou 04-10-1843 (autores consultados): “tomou posse do governo o Chefe da Divisão da Armada José Gregório Pegado, que foi nomeado, em 14 de Dezembro de 1843. Durante o seu governo, iniciou-se a ocupação da ilha da Taipa, depois de uma memorável visita de cortesia ao vice-rei Ki-Yin, alto comissário de Cantão que prometeu «fechar os olhos» ao nosso estabelecimento na mencionada ilha”. José Gregório Pegado faleceu em Aden no seu regresso a Portugal em 1846 tendo embarcado em Macau em 28 de Maio desse ano.” (1) (2)
(4) 09-02-1832 – Proibição de importação de ópio em Cantão.(2)
(5) 07-11-1834 – O Imperador Tou-Kuóng decretou a proibição do tráfico do ópio.(1)
(6) “1835- Queima de ópio, publicamente, em Cantão, em frente à feitoria europeia, como prova de desagrado da China. Mais tarde (1838-1839) são também ali executados contrabandistas de ópio chineses...”(2)
(7) 1938 – A China proíbe o comércio dom ópio.(1)
(8) 03-11-1839 – Data geralmente apontada para o início da I Guerra do Ópio (1839-1842).(2)
(9) “12-07-1838Chegou a Macau num navio de guerra o Almirante Maitland com instruções para proteger o comércio inglês”. (2)
“28-04-1839 – Governador Silveira Pinto escreve ao Comandante Blake, agradecendo mas recusando a oferta inglesa de ajuda para defesa da cidade, proposta por ofício da véspera“. (2)
01-09-1839 – O capitão Charles Elliot que chega a Macau em 26-05-1839, propõe que os ingleses regressem a Macau, pondo à disposição do Governador Silveira Pinto o navio de guerra inglês «Volage» e mais de 800 homens para cooperarem na defesa da Cidade”.(2)
(10) “22-03-1839 o Capitão Elliot pede ao Governador de Macau protecção para os súbditos britânicos: o Governador Silveira Pinto consentiu mas exceptuou todos os que estivessem envolvidos no tráfico do ópio.”(2)
“13-04-1839 – O Superintendente do Comércio Britânico na China, Charles Elliot, perante a ordem de expulsão que recebeu, avisou os súbditos britânicos, em nome de Sua Majestade a Rainha de Inglaterra para, encontrando-se em águas chineses, se porem «imediatamente sob o comando de S. S.ª o Governador de Macau para a defesa dos Direitos de Sua Majestade Fidelíssima, e para a geral protecção das vidas, propriedades e liberdades de todos os súbditos dos Governos Cristãos que frequentam aquele Estabelecimento.”(2)
12-09-1839 – Elliot pede licença ao Governador Silveira Pinto para que os negociantes ingleses se refugiassem em Macau e propõe-lhe que este porto se tornasse no centro do comércio inglês, mas Pinto recusa.“(2)
23-01-1840 – Os súbitos britânicos expulsos da China desembarcam e passam a  viver em Macau, o que desencadeou a reacção das autoridades chinesas, que se apresentaram, na pessoa do Tou T´oi a 31 do mesmo mês, na cidade portuguesa, dando um prazo de 5 dias para a limpar dos ingleses. O Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto reuniu com o Senado e, na sequência da correspondência trocada com o Comandante H. Smith, da corveta «Hyacinth», este acabou por retirar, o mesmo fazendo as forças chinesas estacionadas junto do Templo da Barra. Macau procurou, como em tantas outras vezes estribar-se na neutralidade ... “(2)

LAM QUA 1843 Praia Grande vista da Varanda de KinsmanA Praia Grande vista da varanda, residência do mercador  Nathan Kinsman
Quadro de Lamqua (1843)
Rise & Fall of the Canton Trade System Gallery: PLACES  http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027/rise_fall_canton_04/cw_gal_01_thumb.html

(11) “09-03-1839 – Sessão do Leal Senado em que se publica um Edital suspendendo a introdução do ópio em Macau por depósito ou para consumo. Esse Edital determina que nenhum nacional ou estrangeiro dê asilo em suas casas a chineses que, de alguma forma, estejam envolvidos no tráfico do ópio.”(2)
“10-03-1839 – Violenta crise (sentida em Macau profundamente) do comércio do ópio com a China. Por trás o Delegado Imperial, Comissário  Lin, chegado a Cantão nesta data. No periódico «O Portuguez na China», publicado por Manuel Maria Dias Pegado, em Macau, iria verificar-se o claro elogio à defesa da China que Lin faria, na perspectiva evidente de se demarcar em relação aos ingleses.”(2)
“01-04-1839 – O Mandarim da Casa envia um ofício ao Procurador de Macau, José Baptista de Miranda e Lima, comunicando a ordem do delegado imperial para se entregar todo o ópio existente em Macau.”(2)
“27-04-1839 – O Mandarim da Casa Branca envia um ofício ao Procurador dando um prazo de três dias para lhe ser entregue o ópio existente nas casas dos Portugueses em Macau, pois, caso contrário o porto seria fechado” (2)
(12) “05-04-1838 – Foi enforcado em Macau por ordem dos mandarins o chinês Kuo Si Peng por ter sido apanhado em flagrante delito a vender ópio“(1)
(13)  “05-02-1842 – O Leal Senado reunido em sessão, pronuncia-se contra a ideia de demolir o Convento e Igreja de S. Francisco, que tem contígua a ela um «Campo Santo de Pública devoção. A demolição veio a fazer-se, mas não para edificar um palacete residencial para o Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto, que andava desde 1839 a diligenciar nesse sentido.“(2)
(14) “27-10-1843 – O ex Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto, que fora nomeado pelo Governador José Gregório Pegado, em sessão do Senado de 10 de Outubro, para tratar com os comissários chineses, no sentido de se melhorarem as condições da existência política deste estabelecimento, seguiu para Cantão no brigue de guerra Tejo, do comando do Capitão-Tenente Domingos Fortunato de Vale. Agregaram-se a esta missão o Procurador da Cidade João Damasceno Coelho dos Santos e o interprete interino José Martinho Marques.”(1)

O Leal Senado reunido em sessão no dia 5 de Fevereiro de 1842, pronunciou-se contra a ideia de demolir o Convento e Igreja de S. Francisco, que tinha contígua a ela o «Campo Santo de Pública Devoção». A ideia partiu do Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto, (1) que já andava desde 1839 a diligenciar nesse sentido, para edificar aí o palacete residencial. (2)

No entanto, tal veio a acontecer,   com a autorização do Ministério da Marinha e Ultramar, a 30 de Março de 1861, iniciou-se a demolição do Convento, para no seu lugar, construir-se o quartel para o Batalhão de Macau (Forte de S. Francisco) finalizado só em 1866 (3)

Macau Cidade do Nome de Deus na China Franciscan Church MacaoFranciscan Church Macao” (4)

 (O convento/mosteiro de S. Francisco à esquerda e no fundo, os degraus para a igreja de S. Francisco)

Comparar com uma pintura (lápis sobre papel, sem data) de George Chinnery (1774 – 1852) que chegou a Macau em 1825.

IMAGENS DE CHINNERY - Igreja de S. Francisco

(1) O Major de Infantaria Adrião Acácio da Silveira Pinto foi Governador e Capitão Geral de Macau de 23-02-1837 a 02-10-1843. Em 10-10-1843 (já como conselheiro) foi nomeado Embaixador de Portugal, para tratar com os Plenipotenciários Chineses sobre a existência política de Macau. Partiu de Macau para Cantão a 27-10-1843 para negociar com os comissários chineses (Vice-Rei Ki-Yin). Faleceu em Lisboa, no posto de Marechal em Campo, aos 23 de Março de 1868.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9).
(3) Embora esteja referenciada por Luís Gonzaga Gomes no seu «Efemérides da História de Macau», a data de 30-03-1851 para a autorização da demolição do convento, Beatriz Basto da Silva na sua «Cronologia da História de Macau, 3.º Volume» tem duas entradas para a mesma notícia: 30-03-1851 e 30-03-1861. Esta última data será a mais correcta, pois é mencionado que o desenho do quartel e do forte de S. Francisco, no lugar do antigo edifício, é da autoria de José Rodrigues Coelho do Amaral (militar do ramo da engenharia – 1808-1873) e que também dirigiu as obras. O mesmo tinha sido Governador de Angola de 1854 a 1860 e foi depois Governador de Macau de 22-06-1863 a 25-10-1866.
Mais informações sobre o Convento/Igreja e o governador Coelho do Amaral em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-m-coelho-de-amaral/
(4) Publiquei este mesmo desenho, retirado do livro do Padre Teixeira em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/03/noticia-de-3-de-janeiro-de-1864-festejos-em-macau/
Esta retirei-a do livro de Eduardo Brazão; está referenciada como de 1831, da colecçção de Duarte de Sousa (ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/24/leitura-macau-cidade-do-nome-de-deus-na-china-nao-ha-outra-mais-leal/
A colecção do bibliófilo e livreiro António Alberto Marinho Duarte de Sousa (1896-1950) foi adquirida pelo Estado Português em 1951 e depositada, como património nacional, na antiga Biblioteca do Secretariado Nacional de Informação, no Palácio Foz (actualmente inactiva). Foi posteriormente transferida para a Biblioteca Nacional. É constituída por 2500 obras dos séculos XVI a XX.
(http://www.gmcs.pt/palaciofoz/pt/biblioteca).