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Hoje, em Macau, deveriam realizar-se as cerimónias festivas do dragão embriagado (1), canceladas por cauda da pandemia do Covid19. A propósito deste festival, apresento, um postal pertencendo à colecção de dez postais impressos na Tipografia Seng Si Lda (5.000 exemplares), emitidos pela Direcção dos Serviços de Turismo, em Fevereiro de 2006, publicitando “Eventos de Macau” (2). Sem outras indicações (autores? datas?)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/14/macau-e-o-dragao-v-o-festival-do-dragao-embriagado/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/01/29/postais-da-direccao-dos-servicos-de-turismo-eventos-de-macau-2006-i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/02/29/noticia-de-29-de-fevereiro-de-2020-procissao-do-nosso-senhor-dos-passos-postais-da-direccao-dos-servicos-de-turismo-eventos-de-macau-2006-ii/

Hoje, 17-04-2020, o «Jornal Tribuna de Macau» noticia(1) que “O Corpo de Polícia de Segurança Pública encontrou uma réplica de canhão numa obra de canalização, no Porto Interior. A obra já foi suspensa. Funcionários dos Serviços de Alfândega, Instituto para os Assuntos Municipais e Instituto Cultural já estiveram no local para avaliar a situação.”

De Macau, informam-me que o “achado” foi localizado na Zona do Patane. O canhão estará relacionado com o Forte do Patane (também conhecido como Palanchica) ? E/ou às docas de embarcações que existiram nessa zona? (2)

Pormenor de Mapa de Macau Vista da Lapa de «Ou-Mun Ke- Leok, 1979» p.97

O forte estaria situado perto da Calçada da Palanchica, (3) na pequena elevação do Patane, junto à capela dedicada a Sto. António? (Igreja de N.S. do Amparo?)  e tinha como “missão” proteger a cidade de uma invasão do Continente. Segundo Jorge Graça (4), o forte tinha “3 plataformas, cada qual provida de uma peça de artilharia. O acesso à esplanada superior era efectuado por meio de uma escada que a ligava com a de baixo. Estava ligado à fortaleza de S. Paulo (5) por uma secção da muralha Nordeste da cidade, na encosta ocidental da colina de S. Paulo e ao Porto Interior por outra secção desta muralha. Não é conhecida a data certa da sua construção, mas parece ser a mais antiga das fortificações do Macau primitivo. Estava provido com peças de artilharia retiradas dos barcos de comércio do Japão. Foi demolida juntamente com a muralha da cidade que ligava a fortaleza de S. Paulo ao Porto Interior em 1640 por exigência chinesa.

Segundo Padre Teixeira, o chamado Forte da Palanchica sobre o montículo de Patane não tem História, “ porque os únicos documentos que encontrou sobre Patane: ambos afirmam que se construiu um muro que ia desde S. Paulo a Patane e se tentou construir um forte neste lugar, mas gorou-se esta tentativa devido à oposição chinesa.”(6) Esta também foi a opinião do historiador Ljungstedt: (7) «Parece que em 1925 se tentou construir um forte num lugar chamado Patane a fim de ligá-lo por meio duma cortina com o Monte. Mas os chinas fizeram um tal resistência que se abandonou a obra, e a cortina mudou-se em muro do Jardim, que se estende até um braço do Porto Interior»

Era nessa zona designada por Patane ou Chão do Campo dos Patanes ou Campos de Patane que “corria um importante veio de água potável (Ribeira do Patane), suficiente não só para dessedentar a povoação mas ainda para o fornecimento da aguada aos juncos e mais barcos de cabotagem que já concorriam ao porto. Era por isso a zona que servia não só para abrigo e aguada, mas também servia de doca para reparação das naus da carreira do Japão, ou naus da prata, enquanto aguardavam a monção para prosseguir viagem. A Ribeira do Patane veio com o andar do tempo, após o inquinamento completo das suas águas pelas várzeas que o foram marginando, a converter-se num colector de esgoto que ainda não há muitos anos se via a descoberto e que era conhecido pelo canal de San Kiu” (6)

Planta de Macau, anónimo, Pedro Barreto de Resende no Livro das Plantas de Todas as Fortalezas, Cidade e Povoações do Estado da Índia Oriental de António Bocarro, c 1635

(1) https://jtm.com.mo/local/breves-1220/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ribeira-de-patane/

(3) As obras efectuadas na zona do Patane e Tarrafeiro em 1868 acabaram com o labirinto de becos e travessinhas da Palanchica. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/travessa-da-palanchica/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/palanchica/

(4) GRAÇA, Jorge – Fortificações de Macau, Concepção e História. ICM, 1985, p.99

(5) “D. Francisco Mascarenhas, governador de Macau (1623-1626) mandou construir uma muralha de 500 barças, que se estendia desde a Fortaleza de S. Paulo ao Patane. Os Chineses objectavam que, estando esta muralha voltada para a China, era contra eles que se dirigia e não contra os inimigos de fora, e, por isso, exigiram a sua demolição. Mascarenhas opôs-se, mas o Senado cedeu às exigências chinesas e revoltou-se contra o governador em Outubro de 1624 e demoliu essas 500 barças de muro em Março de 1625. D. Francisco Mascarenhas, para evitar efusão de sangue, engoliu em seco esta amarga pílula” (6)

(6) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I. ICM, 1997, pp. 36-37

(7) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/andrew-ljungstedt/

Anualmente, no dia 23.º dia da 2.ª lua, celebra.se um pouco por todo o mundo chinês o festival de Cheng Meng (Pura Claridade).

Este culto ancestral está ligado à chegada da Primavera. Antigamente, nas grandes cidades da China, a florida estação do ano era celebrada com um ricamente cortejo pelas ruas em que se destacava a imagem de um boi, em barro, ricamente enfeitado com flores e ramos de salgueiro. Durante o cortejo as mulheres e crianças traziam nas mãos um pequeno ramo de salgueiro com a finalidade de não serem vítimas de picadas de insectos nocivos, como o mosquito, a centopeia, o escorpião, etc. Acreditava-se que, se tal precaução não fosse tomada, as pessoas estavam sujeitas a reencarnar num animal quadrúpede., como é o caso do boi, por ocasião da transmigração das almas.

A tradição do ramo de salgueiro vem do tempo do Imperador Kao Sung, (1)da dinastia Tang, que reinou de 650 a 683 A. C. Os chineses do antigamente tinham também o costume de prender, na véspera desta festividade, um ramo de pessegueiro no umbral da porta principal das suas habitações, com o propósito de se protegerem de todos os males.

É durante a celebração de Cheng Meng que as famílias chinesas vão depositar pivetes e velas aromáticas em frente das campas dos seus antepassados, onde são colocadas também pequenas malgas de arroz e pratinhos com guloseimas várias. Sobre o túmulo dos defuntos queimam-se diversos objectos de papel, incluindo o tradicional “Dinheiro do Inferno”

Em vésperas da data do ritual as famílias retiram das sepulturas as ervas daninhas que crescem durante o ano e mandam pintar de novo as inscrições que nelas figuram. No final das cerimónias em honra dos mortos, os familiares realizam uma espécie de piquenique em pleno cemitério, junto à campa dos seus entes desaparecidos, regressando a casa ao final da tarde.

Manda ainda esta tradição que, durante o período em que decorre o festival, as mulheres são utilizem agulhas de costura nem lavem os cabelos”

Retirado de BARROS, Leonel – Templos e Lendas e Rituais – Macau. APIM, 2003.

Ver anteriores referências a esta festividade em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cheng-mengqingming/

(1) O Imperador Gaozong (唐高宗 – pinyin: Táng Gāozōng;cantonense jyutping: gou1 zung1) (628—683, nascido Li Zhi – 李治), foi o terceiro imperador da Dinastia Tang (618 a 906, considerado o período dourado para as artes e cultura  na China).

Gaozong governou entre 649/650 e 683. embora incapacitado em 665, por ter tido em um acidente vascular cerebral,  o governo ficou praticamente entregue  à  sua segunda esposa, a imperatriz Wu Zetian (武則天 – pinyin: Wǔ Zétiān;cantonense jyutping: mou5 zak1 tin1) (624- 705) e que fora anteriormente uma das concubinas do pai de Gaozong, o imperador  Taizong.

Gaozong faleceu em 683 e embora tivesse dois filhos, Wu Zétian manteve o controle do governo e em 690. proclamou-se Imperatriz (a única mulher na história da China que ocupou o trono imperial) e iniciou uma nova dinastia, Zhōu – 周 – que somente durou até 705., ano em que foi restaurada a dinastia Tang.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Imperador_Gaozong_de_Tang https://pt.wikipedia.org/wiki/Wu_Zetian

Hoje e amanhã, em Macau, realizam-se as cerimónias religiosas do Nosso Senhor dos Passos.E a propósito desta devoção, na continuação da postagem de dez postais impressos na Tipografia Seng Si Lda (5.000 exemplares) e emitidos pela Direcção dos Serviços de Turismo, em Fevereiro de 2006, publicitando “Eventos de Macau” (1). publico o postal referente à procissão. Postal, sem outras indicações (autores? datas?)

A Procissão do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos tem lugar anualmente no primeiro sábado e domingo da Quaresma e é parte da “Novena católica e da Festa em Honra do Senhor Bom Jesus dos Passos”.
A procissão conta com a participação do Bispo da Diocese de Macau, dos membros do clero e de um grande número de fiéis locais e estrangeiros, e é acompanhada pela Banda de Música das Forças de Segurança tocando a marcha fúnebre. Segue o caminho da “via dolorosa”, que representa o percurso de Jesus Cristo do Pretório ao Calvário referido na Bíblia. Actualmente, a procissão decorre ao longo de dois dias. Tem início na Igreja de Santo Agostinho e dirige-se à Igreja da Sé, fazendo o percurso inverso no segundo dia. Em designadas estações da “via sacra”, no percurso de regresso, uma mulher interpreta o papel de Verónica entoando um cântico triste enquanto um padre e os numerosos fiéis respondem com preces e cânticos, criando uma atmosfera de pesar. A procissão do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos tem uma longa história em Macau. Remonta a 1708, sendo um evento religioso característico e representativo da cidade.
http://www.culturalheritage.mo/pt/detail/2464/1
“Foram os Agostinhos espanhóis, vindos das Filipinas, que em 1586 terão introduzido, em Macau, o culto da Paixão de Cristo, nomeadamente a procissão dos Passos. A procissão do Senhor do Passos em Macau transcende o seu significado religioso. Em 1717, com a saída dos Agostinhos para Goa, a procissão deixou de se realizar. Nos anos seguintes verificou-se carestia e falta de alimentos em Macau. A população chinesa atribuiu a situação ao facto de não se realizar a procissão, tendo requerido ao Procurador do Senado “que fizesse andar pelas ruas aquele homem de pau às costas”, assim lhe chamavam. E, mais prontificaram-se a arcar com todas as despesas. Estávamos em 1721, e o Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos continua a sair anualmente, pela fé de uns e a crendice de outros. No século XIX, na sequência da extinção das Ordens Religiosas, a igreja de Santo Agostinho é entregue à Confraria de Nosso Senhor do Bom Jesus dos Passos, que tinha sido fundada pelos Agostinhos portugueses quando chegaram a Macau. A Confraria toma posse da Igreja e das casas anexa em 1887.Confraria que é, ainda hoje, responsável pela realização desta procissão. (LOPES, Fernando Sales in
https://pontofinalmacau.wordpress.com/2013/02/15/a-grande-procissao-dos-macaenses/
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/01/29/postais-da-direccao-dos-servicos-de-turismo-eventos-de-macau-2006-i/
Anteriores referências neste blogue desta Festividade Religiosa, Património Cultural Intangível do território:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/08/06/leitura-restituicao-do-convento-de-santo-agostinho-e-o-2-o-cazo-milagroso-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/03/10/noticia-de-10-de-marco-de-2019-o-senhor-dos-passos-em-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/25/noticia-de-25-de-marco-de-1708-tradicoes-que-se-continuam-ii-a-procissao-dos-senhor-dos-passos-ou-senhor-da-cruz-as-costas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/

O Ano Novo Chinês ANO LUNAR DO RATO / ÁGUA / MASCULINO / BRANCO (1) começa hoje, 25 de Janeiro de 2020, e foi precisamente neste dia , há 36 anos, a 25 de Janeiro de 1984, o CTT emitiu e pôs  em circulação 450 000 selos postais da taxa de $ 0,60, alusivos ao signo chinês do Ano Novo Lunar do Rato, que se, iniciou, em 1984, a 2 de Fevereiro.
Em anterior postagem de 25 de Janeiro de 25/01/2018 (1), apresentei a pagela n.º 8 referente a essa emissão extraordinária com um sobrescrito de 1.º dia de circulação, selo e obliteração de 1.º dia.
Hoje apresento, desse ano, 16 selos iguais sem obliteração e um “marcador” de 21 cm x 5 cm (dobrável ao meio) em que um dos lados tem escrito em português:

Correios e telecomunicações de MACAU
República Portuguesa
ANO LUNAR DO RATO
emitidos em 25.1.1984
CTT – MACAU
Divisão de Filatelia.

No verso apresenta

5 selos de 60 avos
3.00 patacas

(1) 鼠年 – mandarim pīnyīn; shǔ nián; cantonense jyutping: syu2 nin4
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/25/noticia-de-25-de-janeiro-de-1984-filatelia-1-o-dia-de-circulacao-ano-lunar-do-rato-i/