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A Direcção dos Serviços de Correios, (1) pôs em circulação, a partir do dia 1 de Março de 2004, cumulativamente com as que estavam em vigor, uma emissão extraordinária de selos designada «I Ching, Pa Kua IV» (2) constituída por 8 selos (formato hexagonal) , todos com a taxa de 2 patacas e um bloco filatélico com a legenda “Vigor e Vitalidade) com selo de 8,00 patacas. (2)           

Folha Miniatura série de 8 selos com o n.º 212834
Bloco Filatélico, contendo 1 selo de 8 patacas, com o n.º 031017.

Dados Técnicos

(1) Despacho do Chefe de Executivo n.º 300/2003 de 23 de Dezembro de 2003, publicado no n.º 52 de 29-12-2003, Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, Iª série-suplemento.

Despacho do Chefe do Executivo n.º 300/2003

(2) Álbum Selos de Macau: Carteira Anual 2004, p. 2.

NOTA: Os Correios de Macau lançaram, entre 2001 e 2010, sete emissões da série temática “I Ching, Pa Kua”. A oitava e última emissão desta colecção, é composta por oito selos representando os hexagramas Pi, Cui, Jin, Yu, Guan, Bi, Bo e Kun, e foi lançada em 1 de Março de 2012. Os Correios de Macau ainda lançaram no dia 9 de Outubro de 2014, uma elegante filatélica que reúniu numa colecção os produtos filatélicos da série “I Ching, Pa Kua”, da autoria do designer Chan Chi Wai.

Macau,
Entreposto português na China,
Às margens do rio das Pérolas
Que  adornam a fronte da deusa A-má
Refletida no mar de espelho,
Azul, manchado de vermelho.

Camões,
O poeta,
O soldado,
O aventureiro,
O exilado,
Desce da nau,
Sobe à colina,
Ali encontra uma gruta entre rochedos,
Um refúgio
Para armar sua rede,
Guardar a espada
E afiar a pena;

Escreve então um longo poema
De heróis trágicos,
De deuses mitológicos,
Paixões,
Intrigas,
Batalhas e cobiças,
Salvou a si mesmo
E ao nosso idioma.
Lá embaixo, na ilha,
O calor é sufocante,
Sopram  os tufões,
Há jogatina,
Licores,
Cavalhadas,
Amigos vadios
E saiotes de meretrizes,
O poeta perde a fibra
E o fôlego,
Afoga-se em tormentas
Nadando a vau.

Camões – miniatura de 15??
Postal comemorativo do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (1987) (1)

Naufrágio…
Salta do barco,
Braçadas,
Mais braçadas,
O manuscrito colado ao corpo,

Dinamene,
Escrava de quem era escravo,
Engolida no turbilhão,
Terra firme,
Desmaia agarrado ao couro do gibão,
Febre,
Ânsias,
Ardência,
Dói seu coração.
Macau
Foi seu destino,
Rolar como um calhau,
Bastava-lhe amor,
Mas os erros,
A violência,
Os duros fados
Se conjuraram aos desígnios
De um terrível anjo mau.

Raquel Naveira (2)

Raquel Maria Carvalho Naveira nasceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, (Brasil) no dia 23 de Setembro de 1957. Formou-se em Direito e Letras pela UCDB/MS, onde exerceu o magistério superior, desde 1987 até 2006, quando se aposentou. Doutora em Língua e Literatura Francesas pela Universidade de Nancy, França. Mestre em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie/SP. Trabalhou por nove anos como revisora da Editora UCDB. Apresentadora do programa literário “Prosa e Verso” pela TV UCDB e do “Flores e Livros” pela UPTV e pela ORKUTTV. Professora do Curso de Letras da Faculdade Anchieta, de São Bernardo do Campo/SP, desde julho de 2008 a março de 2011 e da Faculdade HOTEC, como professora de Comunicação Aplicada. Pertence à Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e ao Pen Clube do Brasil.
http://novaserie.revista.triplov.com/numero_22/raquel_naveira/index.html
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/06/08/postais-de-macau-a-gruta-de-camoes/
(2) Extraído da «Revista Lusofonia» – Blog dos Países de Língua Portuguesa, coordenação do Círculo Fernando Pessoa; disponível em:
https://revistalusofonia.wordpress.com/2012/03/22/poemas-do-sangue-portugues-camoes-em-macau/

Bloco de notas em papel, com folhas descartáveis, destinado a apontamentos ou informações com linhas num dos lado. Está incompleta – só com 14 folhas (29,5 cm x 21 cm) com o logotipo do antigo Hotel New Century. (1)
O bloco de notas é de 1995 aquando da realização nesse hotel do “Workshop  1995 – Family Medicine Education in Asia Pacific – Clinical Teaching  da “Wonca Asia Pacific Working Party” e organizado em Macau,  pela Associação dos Médicos de Clínica Geral de Macau.

Lateralmente os logotipos dos vários espaços existentes neste antigo hotel.
Café Lounge; Silver Court; Scenic Veranda; Prince Galaxie; New Century Ballroom; Caesar Terrace; Solar Island e Matsuzaki
(1) Hotel “New Century / 新世纪酒店” hotel de 5 estrelas, estava / está localizado na Taipa, então na década de 90 do século XX, na Estrada Almirante Marques Esparteiro – Taipa, hoje com alteração do endereço: Av. Padre Tomas Pereira, N.º 889, Taipa, Macau. Com as complicações da gestão do hotel, a luta pelo poder pelo controle do casino “Greek Mythology” que aí estava linstalado, mudou o nome para “Beijing Imperial Palace Hotel / Beijing Wangfu Hotel”,” em 2012, e posteriormente encerrou as portas em Dezembro de 2015, para remodelação. Creio que terá sido reaberto (sem o casino) pois assim se apresenta nos “sítios” electrónicos dos hotéis em Macau.

New Century Hotel – 5-star Overview
The Hotel represents an exclusive international 5-star entertainment & leisure complex on the island of Taipa, Macau, overlooking the magnificent view of Pearl River.
Accommodation:
554 guest rooms, inclusive of 8 executive suites, 2 deluxe suites and 1 presidential suite.
Room Facilities:
Air-conditioning, IDD telephone, TV, Music and radio, Pay-movie, Mini bar, Internet Modem Line Connection
Restaurants & Bar:
Caesar Terrace, Scenic Veranda Coffee Shop, New Century Chinese Restaurant, Waterfall Garden Tea House
Recreational & Sports Facilities:
Fitness Center is well equipped with Gym facilities, Swimming Pool(Under Renovation) and New Century Sauna provide a full range of massages.
Other Facilities & Services:
Child Care Centre, Convenience Store, Hair Salon.5-star”

http://www.macauhotel.org/new_century_hotel
(1) Ver referências anteriores deste Hotel:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-new-century

Saco de plástico preto do Instituto Português do Oriente (Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, n.º 95 –G Tel: 370642/3 Fax: 305426 – MACAU), da década de 90 (séc. XX) (1) (2)
O mesmo design em ambos os lados (dimensões: 43 cm x 23 cm): capa da 1.ª impressão de “Os Lusíadas” de Luís de Camões de 1572.
(1) Antiga sede; hoje: Rua de Pedro Nolasco da Silva, n.º 45-1.º

Capa da 1.ª edição, 1572

(2) Instituto Português do Oriente – 東方葡萄牙學會 (IPOR), é uma entidade pública empresarial portuguesa que visa promover a língua portuguesa e a cultura lusófona no continente asiático. O actual director João Laurentino Neves exerce o cargo desde 2012.  O IPOR foi fundado em Macau a 19 de Setembro de 1989 pela Fundação Oriente e pelo Instituto Camões.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Portugu%C3%AAs_do_Oriente

Dois envelopes vermelhos 利是 «lai-si» (1) distribuídos por duas entidades de Macau para a celebração do Ano Novo Chinês referente ao ano de dragão –  龍年 (2012, 2000, 1988) (2)

LAI SI - CTM Ano Dragão

Este foi emitido pela CTM, promovendo a INTERNET (Netscape CTM Internet Services – Macau) (dimensões 12 cm x 8, 5 cm).
No verso, a indicação de  «year of Dragon 龍年»

LAI SI - CTM Ano Dragão verso

Outro envelope, de maiores dimensões: 15, 5cm x 8 cm, com o caractere chinês «龍– Year of Dragon»

LAI SI - Standard Bank Ano DragãoNo verso, a indicação de Standard & Chartered (o banco filial em Macau é a “Standard Chatered Bank Macau”), com o símbolo do dragão para o ano 2000, emitido em Hong Kong.

LAI SI - Standard Bank Ano Dragão verso

(1) 利是 / 利市 / 利事mandarim pinyin: li shi; cantonense jyutping: lei6 si5; proveito, juro, interesse, ganho, mercado. Tradução literal: bom para o negócio.
Em mandarim é mais conhecido por (mandarim pinyin: hóng bao; cantonense jyutping: hung4 baau1); envelope vermelho.
(2) Anterior referência a estes envelopes, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/31/ano-do-cavalo-madeira-kong-hei-fat-choi/

Em 2012,  foi lançado no mercado o livro “MACAU” de Antoine Volodine (1)
Macau - VolodineDo site da  Editora que publicou o livro, reproduzo algumas partes: (2)
Macau é uma novela que serve de passaporte para esta região cuja História tanta ligação tem a Portugal. É através da memória do narrador que fazemos uma viagem onírica por Macau: um homem condenado à morte encontra-se preso dentro de um junco, drogado e amarrado com fita adesiva, à espera de ser assassinado por um enviado da máfia local. Enquanto aguarda, relembra as ruas, as pessoas e a vida da cidade, uma viagem poética e sonhadora que contrasta com a situação violenta em que o narrador se encontra.
O LIVRO
«Agradava-me a ideia de ser morto na China dentro de um junco ancorado, diante de um velho fotogénico, no meio de uma atmosfera chinesa saturada de maus cheiros, fumo e peixe frito, de tabaco, petróleo e água suja. Afinal fora para isso que eu viera, para acabar com tudo, para estar algures fora de tudo e a tudo pôr termo. Os médicos tinham-me concedido pouco tempo antes do começo dos sofrimentos a sério. Eu tinha previsto abreviá-los por mim mesmo, abreviar essas irreversíveis degradações do corpo. Não é que ser assassinado por engano me fosse de todo indiferente. Claro que havia uma certa dose de injustiça nesta história toda, algo que à última hora me poderia ter deixado uma certa amargura.»
Comentários e crítica do livro: (3)
Em pouco mais de uma centena de páginas, o autor leva o leitor a uma viagem onírica por Macau tendo como ponto de partida um junco ancorado no Porto Interior e três personagens fundamentais na história: um homem à espera da morte, um velho chinês que fuma cigarro atrás de cigarro e uma jovem coreana, Laura Kim, perita em artes marciais e encarregada de garantir que o ‘condenado’ não fugia da sorte traçada pela máfia local..(…)… Fortemente vincado com a parte chinesa da cidade e da sociedade – as máfias, os juncos do Porto Interior e os cheiros caraterísticos das lamparinas para iluminação e da comida – a novela percorre ainda as ruas da cidade, fortemente marcada por uma presença portuguesa na sua arquitetura.”
JCS. Notícias Sapo, 21 de Junho de 2012 (4)

É o que nos conta neste livro sobre uma cidade tão próxima da nossa geografia histórica e afetiva. “Macau ia ser o teatro do meu fim. Macau fora o teatro de numerosos períodos da minha vida, todos eles ricos e diferentes. Exílio, escrita, paixões, tumulto, inércia, delírios, tentações, parênteses de clandestinidade, tentação de refúgio no crime puro e simples, contemplação de um quotidiano  banal e de um dia-a-dia desastroso, felicidade, tragédia, desprendimento, depressão, difícil repisar da memória, e como último ato, a derradeira deambulação antes do fim: eis o que esta cidade representara para mim no decorrer dos últimos 20 anos”
Jornal de Letras, Artes e Ideias, 5 a 18 de setembro de 2012. (5)

NOTA: Antoine Volodine, pseudónimo mais conhecido de um dos mais destacados escritores franceses contemporâneos, autor de culto, com mais de 30 títulos publicados em França.
Le Port Interieur - VolodineJá havia publicado um livro sobre Macau : “Le Port Intérieur” (éditions de Minuit, 1995, Colecção Double Minuit, 189 p.)
Poderá ler uma análise literária desta obra, em francês, no blogue:
http://littexpress.over-blog.net/article-antoine-volodine-le-port-interieur-98960244.html
Olivier Aubert vive com máquinas fotográficas há cerca de vinte anos. Utiliza-as para fazer explorações, reportagens, inquéritos, retratos. Trabalhou até hoje numa trintena de países, uma grande parte dos quais em África e na Ásia. A sua obra está representada em numerosos museus franceses. (2)
Olivier Aubert vive com máquinas fotográficas há cerca de vinte anos. Utiliza-as para fazer explorações, reportagens, inquéritos, retratos. Trabalhou até hoje numa trintena de países, uma grande parte dos quais em África e na Ásia. A sua obra está representada em numerosos museus franceses. (2)

(1) VOLODINE, Antoine – Macau. Sextante Editora, 112 pp. Traduzido para português por Ana Isabel Sardinha Desvignes. Fotografias de Olivier Aubert
Volodine recebeu em 2008, a bolsa Jean Gattégno do Centro Nacional do Livro para a redacção de “Macau”, que foi publicada em Outubro de 2009 pelas “Éditions du Seuil”.
      http://fr.wikipedia.org/wiki/Antoine_Volodine
(2) http://www.sextanteeditora.pt/media/noticia/ver?id=3101&langid=1&rnd=10907
(3) Em francês: de Michel Abescat, Télérama  n.º 3126, 12/12/2009
http://www.telerama.fr/livres/macau,50256.php
e Isabelle Rüf, Le Temps, 19 décembre 2009
http://www.letemps.ch/Page/Uuid/52a6f8b4-ec1e-11de-976e-533375518f5a/Macao_retour_au_port_int%C3%A9rieur_pour_Antoine_Volodine
(4) http://noticias.sapo.tl/portugues/lusa/artigo/14532031.html
(5) Estante/letras do Jornal de Letras, Artes e Ideias, n.º 1094, Ano XXXII, 5 a 18 de setembro de 2012, p. 15

Neno ta vai conta, nôn sâm p´a brincâ

Ung´a ano já passâ
Estória, posia, livro, pintura
Tanta coisa vêlo iou já gafinhâ
cantinela, rabucénga, cinematógrafo
Tánto-tánto papel já rabiscâ
bugiganga , boboriça, florestia
tim-tim pa tim-tim tudo já explicâ

Sã lenga-lenga di Macau
Nadi ezazerâ
………………..e nadi isquecê
Sã verdades, nâm inventaçam
Macau di nosso coraçám
………………..nosotro mui querê

Gente-gente batê palmas
Fila-Fila  querê mais,
………………………..vasculiâ
Nhum Nhum agradecê
Otrong´a bóca grándi sem vergónha,
………………………..já copiâ

Iou logo vai gardecê vosotro
Chuchumecá estunga blogê
Iou prometê, logo capaz labità,
Falâ vai, falâ vem… isquevê

A propósito dos dois espectáculos que o Herman José irá realizar em Macau no Teatro D. Pedro V, neste mês de Setembro, recordo que no mesmo local, em Junho de 1979 a “vedeta” foi Raul Solnado.

O actor fazia parte da delegação portuguesa presente às comemorações do dia 10 de Junho de 1979. Chefiava a delegação, David Mourão Ferreira, na altura Secretário de Estado de Cultura. Era governador o General Melo Egídio.
Raul Solnado, o maior actor português veio contar a todas estas gentes as suas histórias. E apenas com um telefone fez rir uma plateia inteira, improvisando sempre, sentindo sempre o seu público, qiue o aplaudia delirantemente. Raul Solnado e a sua sensibilidade de sempre, para dizer conforme o público, o que deve ser dito. E ainda hoje, tenho presente a gargalhada sonora do General Melo Egídio, quando Solnado contou a sua ida à tropa…(…) O Solnado teve apenas dois dias para ensaiar, o que ele nunca dispensa, dentro do profissionalismo que o caracteriza…(…). Alagado em suor, ensaiou durante dois dias, não teve tempo para nada, nem mesmo para o jantar oficial do dia 10 de Junho”. (1)
(1) RABAÇA, Maria Manuel – Junho de 1979 – 1.º Fascínio. Nam Van, n.º 24, 1986