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Em comemoração do 100.º aniversário do nascimento de Deng Xiao Ping (1904-1997) os Correios de Macau emitiu dois selos da autoria de Wong Leung Chung nos valores: 1.00 e 1.50 patacas (formato dos selos: 40 mm x 30 mm), um bloco filatélico, o sobrescrito de 1.º dia  e o carimbo respectivo.

Formato do sobrescrito: 114 cm x 162 mm

No dia 30 de Julho de 2004, os Correios de Macau (C.T.T.) emitiram 4 selos e um sobrescrito de 1.º dia subordinado ao tema “JOGOS OLÍMPICOS 2004”.
Publico os 4 selos emitidos nesse dia, que estão inseridos na página 5 da “Carteira Anual 2004 – SELOS DE MACAU”, publicado pelos mesmos Correios.

O autor dos desenhos é Stephen Chung Kui Sing.
Os valores dos selos:
1.00 ptc – corrida
1.50 ptc – Salto em comprimento
2.00 ptc – lançamento do disco
3.50 ptc – lançamento do dardo

Boletim Oficial da RAEM, n.º 29 de 19-7-2004

Os Jogos Olímpicos de 2004 (XXVIII Olimpíada) realizaram-se em Atenas (Grécia) entre 11 e 29 de Agosto. Foi a segunda edição dos jogos nesta cidade (a primeira foi a 1896).

Uma lembrança do 130.º Aniversário do Centro Hospitalar Conde de São Januário (1874-2004)
Um “pisa-papeis” em forma de cubo (4,8 cm x 4,8 cm x4,8 cm) de vidro.
Do Boletim Oficial de 10 de Janeiro de 1874:
«Teve logar no dia 6 do corrente, como estava anunciado, a inauguração solemne do hospital militar de S. Januário segundo o programma que foi publicado n´esta folha. Sua Ex.ª o Governador da província de Macau e Timor, Visconde de S. Januário às 2 horas precisas deu entrada no edifício do hospital, dirigindo-se à sala destinada à inauguração.
A sala achava-se decorada com trophéos artisticamente dispostos, no centro do trophéo principal achava-se o retrato de S. Ex.ª. Na balaustrada que circunda o perímetro onde se acha edificado o hospital e no mesmo edifício tremulavam nas suas hastes, numerosas bandeiras, distinguindo-se nos dois torreos extremos as que são privativas dos hospitaes… (…).
O primitivo Hospital Militar inaugurado a 6-01-1874 começou a ser demolido em Novembro de 1952, para em três fases ser substituído por outro – Hospital Conde de S. Januário.
O primeiro centenário do Hospital de S. Januário foi comemorado no dia 6 de Janeiro de 1974, com uma exposição no salão nobre do Leal Senado intitulada «O Hospital e a Saúde Pública» seguida de uma sessão solene presidida pelo Nobre de Carvalho.
Ver anteriores referências do Centro Hospitalar:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-hospitalar-conde-s-januario/

Natal azinha chega,
Trazê paz pa tudo gente,
Quiança-quiança sã pulá,
Non-pôde más de contente

Pai-mai sentí bólsa ardê
Qui de dinherám gastá
Rópa-nôvo sã fazê,
Pa casa intéro usá

Cavá rópa, sã sapato,
Sã dóci, sã pitisquéra,
Recheá pirú alto-alto,
Bebê, panhá bebedéra.

Na anôte di consoada,
Têm cêa pa tudo gente;
Na Natal sã jantarada,
Qui tudo logo afiá dente.

Alua, quánto tachada,
Tudo casa lô fazê;
Fárti, coscorám, impada,
Nádi falta pa comê

José dos Santos Ferreira (1)

Agradeço à minha amiga Diana (distinta confrade da Confraria da Gastronomia Macaense) pelas quatro iguarias tradicionais do Natal, que estavam uma delícia “comizaina ui-di saboroso””: a empada impada”, o coscorão “coscorám”, o farte “fárti”, o alua “alua” (estes três últimos, o trio de doces mais simbólicos de religiosidade dos macaenses, já que são a presença (dantes obrigatória) das mesas festivas, por representarem o lençol  (COSCURÃO), o travesseiro (FARTE) e o colchão (ALUA) do menino Jesus) (2)
gastronomia-empada

EMPADA

gastronomia-coscoroesCOSCURÕES
gastronomia-fartesFARTES OU TRAVESSEIROS DO MENINO JESUS
gastronomia-aluaALUA OU ALUAR

(1) Versos recolhidos de “Macau di Tempo Antigo” in FERREIRA, José dos Santos – Qui-Nova Chencho, 1973.
(2) JORGE, Cecília – À Mesa da Diáspora. Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, 2004, 151 p. ISBN 99937-778-4-6.

Romance de  Xiaolu Guo, escritora chinesa da chamada nova geração (nasceu em 1973).
“Uma história chocante de abuso, silêncio e vergonha e, contudo, de uma beleza inaudita”


Retiro do romance um pequeno trecho duma superstição que também vigora em Macau entre os pescadores e não só…
Naquele primeiro dia, na presença dos seus recentemente adquiridos sogros e marido mais velho dez anos, a minha avó olhou para as espinhas do peixe e decidiu que seria boa ideia virar o peixe ao contrário com os pauzinhos. assim que ela virou o peixe, o sogro, que fora capitão de um barco de pesca toda a vida, ficou extremamente agitado, tal como a sua mulher. O meu avô, que andara no mar pouco tempo, mas que tivera várias experiências desagradáveis, ainda ficou mais furioso porque a sabedoria convencional dos pescadores da aldeia dizia que um peixe não podia, nunca, ser virado ao contrário à mesa, ou os seus barcos virar-se-iam em alto mar…” (1) (pp. 50-51).
Da consequência desse acto, sugiro que leiam o livro…

(1) XIAOLU Guo – Aldeia de Pedra. Quetzal Editores, Lisboa, 2004, 229 p. (ISBN 972-564-600-2)