Archives for posts with tag: 1992.
CAPA DO PROGRAMA – 21 cm x 14,5 cm + CONTRA-CAPA

Um seminário médico “Seminar on Quality Assurance” (língua inglesa) organizado pela Associação dos Médicos de Clínica Geral de Macau”, (1) entre 13 a 15 de Março de 1992 no Hotel Mandarim Oriental.
A primeira de muitas reuniões clinicas/congressos, organizados em Macau pela então recentemente formada “Associação dos Médicos de Clínica Geral de Macau”. Este seminário teve a tutela da “WONCA” (World Organization of Family Doctors) – Região Asia Pacífico – sendo a terceira reunião dos médicos de clínica geral de Hong Kong, Macau, China (Taipei). Com a formação da Associação na China continental (nomeadamente a de Guangdong) esta foi integrada nos encontros seguintes.

ÚNDE TA VAI, QUIRIDA?

Macau di nosso coraçám,
Alma di nosso vida,
Únde vôs ta vai, quirida,
Assi metido na iscuridám?

Qui di candia pa lumiá vôs?
Quelê-môdo vôs pôde andá?
Cuidado, nom-mestê tropeçá!
Vôs cai, nôs cai juntado co vôs.

Macau di rosto tristónho,
Únde têm vôsso alegria?
Quim já suprá vôsso candia
Largá vôs na treva medonho?

Ventania fórti ta zurní,
Tempo ta fazê coraçám esfriado;
Na fugám, fôgo apagado,
Amôr tamêm pôde escapulí.

Nom-têm calôr, bom-têm luz
Mâz fé sã nom-pôde falta.
Dios Misericordios logo achá
Unga Cirineu pa vosso cruz!

Verão portuguesa:
ONDE VAIS, QUERIDA

Macau do nosso coração,
Alma da nossa vida,
Onde vais, querida,
Tão cercada de escuridão?

Onde está a vela para te alumiar?
Como podes caminhar assim?
Cuidado, não tropeces!
Caindo tu, cairemos todos contigo.

Macau de semblante tristonho,
Onde para a tua alegria?
Quem foi que te soprou a vela
E te deixou nessas medonhas trevas?

Fustigam ventos fortes
E o tempo vai arrefecendo o teu coração;
Com o fogo apagado na lareira,
Até o amor acabará por sumir.

Não há calor, não há luz,
Mas fé não poderá faltar
Deus Misericordioso descobrirá
Um Cirineu para a tua cruz!

FERREIRA, José dos Santos – Poema na Língu Maquista, 1992

Para comemorar o XX Aniversário da Assembleia Legislativa (1), os “Correios de Macau” puseram em circulação, a partir de 15 de Outubro de 1996, selos postais e um bloco filatélico alusivos à emissão extraordinária (2)

XX ANIVERSÁRIO ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
立法會二十週年 (3)

Apresento o envelope (16, 2 cm x 14, 4 cm) com um selo (carimbo) com a franquia de 2,8 patacas.
(1) 11-07-1976 – Têm lugar as primeiras eleições para a Assembleia Legislativa de Macau. O escrutínio é ganho pela Associação para a Defesa dos Interesses de Macau (ADIM) liderada por Carlos Assumpção, conservadora que obtém 4 lugares, tendo os restantes dois lugares sido repartidos entre o Centro Democrático de Macau (CDM) e o Grupo de Estudos para o desenvolvimento económico e Comunitário (GEDEC). Contudo, a representatividade destes deputados é mínima, pois, num universo de 175 000 pessoas de idade de votar, só 3 647, ou seja, 2% da população está recenseada. Carlos Assumpção virá a ser eleito pelos seus pares como Presidente da Assembleia Legislativa, lugar que exercerá até à morte o levar em Abril de 1992 Carlos Assumpção  virá a ser eleito pelos seus pares como Presidente da Assembleia Legislativa, lugar que exercerá até à morte o levar em Abril de 1992.
09-08-1976 – Sessão solene de abertura da primeira legislatura da Assembleia Legislativa de Macau. O Governador Garcia Leandro reitera a importância de obter a autonomia financeira do Território. Por outro lado Ho Yin Presidente provisório da Assembleia Legislativa, apresenta como prioridades o fomento da «coexistência pacífica», o melhoramento das condições sociais, o desenvolvimento económico do Território e exorta o Governo de Macau a cooperar com a Assembleia para resolverem muitos dos problemas que afectam o Território,
10-08-1976 – O advogado Carlos d´Assumpção, dirigente da Associação para a Defesa dos Interesses de Macau (ADIM) a ala conservadora da comunidade macaense , é leito Presidente da Assembleia Legislativa de Macau
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998
(2) Portaria n.º 255/96/M: BO N.º: 42/1996, publicado em 14-10-1996, p.2370 – Emite e põe em circulação selos postais alusivos à emissão extraordinária «XX Aniversário da Assembleia Legislativa».
(3) 立法會二十週年 mandarim pīnyīn: lì fǎ huì èr shí  zhōu nián; cantonense jyutping: laap6 faat3 wui2 ji6 sap6  zau1 nin4

Encontrei entre os meus livros um Lai Si – envelope vermelho (1) do Banco da China e no seu interior, uma nota nova (a tradição manda que no Ano Novo Chinês,as notas intoduzidas nestes envelopes sejam novas)  de “10 Patacas”, emissão do Banco Nacional Ultramarino de 1991 com a seguinte numeração: A Q 815568. Certamente, oferta de um familiar mais velho e nos princípios da década de 90 (século XX)

Banco da China, Sucursal Macau
中國銀行     澳門分行 (2)

Dimensões: 12,2 cm x 8.5 cm

FRENTE: 10 PATACAS – 拾圓 (3) – Casa Memorial Dr. Sun Yat-Sen
À esquerda a marca de água com um “junco chinês” À direita, a Casa Memorial do Dr. Sun Yat-Sen (4)
Em cima, à esquerda: “Decreto –Lei n.º 40/91/M  – Boletim Oficial de Macau n.º 27 de 08/07/1991”
Em baixo, ao centro, as assinaturas: “Presidente do Conselho de Administração” e do “Director Geral do Departamento de Macau”, e junto à moldura geral, o logótipo do Banco Nacional Ultramarino
Dimensões 138 x 69 mm
Cores: castanho, verde, azul amarelo. laranja e roxo.
VERSO:
Como ilustração principal, uma vista de Macau da década de 80, incluindo a ponte Macau-Taipa (5) e parte da Baía da Praia Grande e abertura à direita para a marca de água
Cores: castanho, verde, azul, amarelo
Quantidade emitida autorizada até à quantidade de 30 milhões de unidades.
Entrada em circulação: 1992
(1)https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/envelopes-vermelhos-%E5%88%A9%E6%98%AF-%E5%88%A9%E5%B8%82-%E5%88%A9%E4%BA%8B/
(2) 中國銀行 澳門分行 – mandarim pīnyīn: zhōng guó yín háng ào mén fēn háng ; cantonense jyutping: zung1 gwok3 ngan2 haang4 ou3 mun4 fan1 haang4
(3) 拾圓– mandarim pīnyīn: shí yuán; cantonense jyutping: sap6 jyun4
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/casa-memorial-sun-yat-sen/
(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ponte-do-governador-nobre-de-carvalho/

Rua do Auto Novo (Teatro Chinês)

Extraído do “Anuário de Macau 1921”.
A foto vem legendada com indicação de Rua do Auto Novo (Teatro Chinês)
Trata-se no entanto da Travessa do Auto Novo.
Começa entre as Ruas da Caldeira e da Felicidade e termina na Travessa das Virtudes. Foi-lhe dado este nome por se representarem ali os autos chinas. Em chinês cama-se Cheng Peng Hong ou Ch´eng Sán Kai ou Ch´eng P´eng Chek Kai; tem este nome por lá existir o Cineteatro Cheng Peng que é o prédio n.º 23 dessa Travessa, construído um pouco antes de 1907. (1)
O Padre Teixeira, parece não ter razão quanto à data de início (“um pouco antes de 1907”) pois há indicações do Teatro/Auto China ter iniciado em 1875, construído por Vong Lok, um destacado comerciante de Macau (um dos fundadores do Hospital Kiang Wu) (2) e ainda uma outra referência a este teatro, de 1872, aquando da visita do Príncipe Alexis a Macau (3) pois embora não venha mencionado o nome do teatro, a menção do empresário “Eloc” muito possivelmente será o mesmo do apelido “Lok”
O Cine-Teatro Cheng Peng, no início, a maior parte dos espectáculos eram sessões de ópera chinesa (cantonense e de Beijing) mas a partir da década de 20 do século XX, com a popularidade do cinema, passava já filmes (4) predominantemente filmes chineses embora continuasse a apresentar ópera chinesa e outros tipos de espectáculos: circenses, musicais como por exemplo a do artista Xavier Cugat em 1953 (5), o “Trio Odemira” na década de 60, os chamados “pop concert” com artistas e agrupamentos de Hong Kong na década de 60s, etc. Recordo neste cine-teatro, os dois festivais de música de 1963 e 1964, concurso para eleger o melhor conjunto “ié ié” de Macau. Renovado em 1970 voltou a passar filmes (mais chineses) mas reposições e os chamados filmes “B”. Fechou no dia 21 de Agosto de 1992 quando o sistema de ar condicionado se avariou.
Foi o Cineteatro que mais tempo esteve em actividade em Macau 1875 a 1992 (117 anos).
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau Volume 1,1997, p. 493
(2) https://macaostreets.iacm.gov.mo/p/route/detail.aspx?gid=4&id=0bc7aeda-ee3d-47b8-95f7-493cdc1fc971
Anteriores referências a este Cine Teatro
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cine-teatro-oriental/
(3) “29-09-1872 – No domingo, dia 29 de Setembro, após o almoço, a que assistiram também vários funcionários, o Príncipe Alexis visitou o Leal Senado e a Gruta de Camões. De tarde recebeu cumprimentos dos funcionários e, à noite, novo jantar de gala, após o qual assistiu num teatro a um auto-china. Não se esqueceu de galardoar o empresário do teatro, chamado Eloc, com um alfinete cravejado dum pérola e brilhantes…. “ (TEIXEIRA, Padre Manuel – Residência dos Governadores do Macau, p. 13)
(4) Em 1925, projectou-se neste teatro o célebre filme de Lilian Gish “The White Sister” –  filme mudo americano (drama; filmado em Itália) de 1923 com Lillian Gish e Ronald Colman, dirigido por Henry King para a “Metro Pictures”.
https://www.youtube.com/watch?v=0Hh3ZcAEHPY
(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/11/29/noticia-de-29-de-novembro-de-1953-xavier-cugat-em-macau/

Outro postal da Ilha da Taipa da colecção de oito postais (seis da Ilha da Taipa e dois da Ilha de Coloane), da década de 90 (século XX), com edição da Câmara Municipal das Ilhas. Indicações em português, chinês e inglês. Fotografia de Fong Kam Kuan. (1)

Biblioteca do Carmo, Taipa
氹仔嘉模圖書館 (2)
Carmo´s Library – Taipa

A biblioteca está localizada no Largo do Carmo em frente da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. É um belo edifício, com uma colunata de estilo clássico na frontaria. Foi Escola Municipal no início do século XX. Em 1992 este edifício foi reconstruído e em 10 de Dezembro do mesmo ano foi assinado um protocolo entre a Câmara Municipal das Ilhas e o Instituto Cultural de Macau, no sentido de aí instalar uma biblioteca. É a primeira Biblioteca Pública da Taipa desde Janeiro de 1993.

Foto do “Roteiro das Ilhas – Ilha da Taipa”, 1996

Do lado esquerdo da Biblioteca, encontra-se um edifício de arquitectura europeia, que foi também Escola Municipal no início do século XX. Em 1956 foi transformada em maternidade, designado-se “Maternidade da Junta Local” destinada a auxiliar as mulheres pobres da ilha da Taipa que ali eram internadas e socorridas gratuitamente. Na década de 70 (século XX) este edifício transformou-se num Centro de Idosos gerido pelas Caritas de Macau.

Foto do “Roteiro das Ilhas – Ilha da Taipa”, 1996

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/10/08/postal-da-ilha-da-taipa-da-decada-de-90-seculo-xx-i/
(2) 氹仔嘉模圖書館mandarim pīnyīn: dàng zǎi jiā mú tú tú guǎn; cantonense jyutping: tam5 zai2 gaa1 mou4 tou4 syu1 gun

A revista «MACAU» surgiu nas bancas de Macau em Maio de 1987. (1)
Tinha como Director, Miguel Lemos, director executivo da edição, Helder Fernando, na redacção: Helder Fernando, João Miguel Roque e Armanda Rodrigues e fotografias de Manuel Cardoso.
De periodicidade mensal, terminou com o n.º 42, em Janeiro de 1992.

1.º Número, n.º 1 de Maio de 1987
Último Número, n.º 42, de Dezembro de 1991/Janeiro de 1992.

(1) Edição do Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau. Administração e Redação na Rua da Praia Grande, 31, 1.º E.