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“As obras de construção de uma Universidade privada em Macau, localizada na Ilha da Taipa com uma área de 10 hectares, poderão iniciar-se no corrente ano (1) devendo a mesma entrar em funcionamento até Setembro de 1981. A Universidade terá Faculdades de Ciências Sociais; Artes e Letras e Administração e Gestão de Empresas, prevendo-se que com a experiência adqurida e de acordo com as condições económicas possam vir a ser instituídos novos cursos nomeadamente de formação científica, como Ciências Puras, Medicina e Engenharia. Os interessados no empreendimento, um grupo com capitais de Hong Kong, Canadá e Estados Unidos da América (empresa “Ricci Island West Ltd”, empresa ligada a diversos projectos educativos) comprometem-se a dar prioridade absoluta de matrícula aos estudantes do território devidamente qualificados e que hajam satisfeito as condições de admissão à Universidade. O mesmo estabelecimento de Ensino Superior garante a admissão de alunos de Macau em número e condições a fixar entre o Governo e a Universidade. A Universidade obriga-se a incluir uma secção de estudos portugueses assegurando para o efeito o apoio de instituições congéneres portuguesas através de protocolos ou convénios, designadamente com a Universidade Católica Portuguesa e a Universidade Livre de Lisboa.

A edificação da Universidade incluirá instalações de apoio social desportivo e recreativo cultural e terá capacidade final para dois mil alunos, em instalações construídas por fases, cada uma com a capacidade de 500 alunos. A Universidade, com programas em português, chinês e inglês, englobará ainda acomodações para o pessoal, alunos, corpo docente e visitantes.” (2)

Maqueta das instalações

(1) “Fevereiro de 1979- Assinado o contrato de concessão de terreno para a Construção da Universidade de Macau, localizada na Taipa, para onde Macau prometia crescer a partir da 1.ª ponte, em Outubro de 1974. Mais de cem reitores de todo o Mundo assistiram, engalanados com as suas vistosas insígnias, à cerimónia da abertura da Universidade da Asia Oriental” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 409)

(2) Extraído de «MACAU Boletim de Informação e Turismo»,  Vol. XIV, N.ºs 3 e 4 Mar/Abr, 1979, p. 20.

No dia 14 de Abril de 1979, foi inaugurado no átrio da Escola Comercial «Pedro Nolasco», a primeira galeria de pintura dos artistas macaenses António José Júlio César Guerreiro, José Armando Lau do Rosário, Luís Ribeiro Coutinho, Rafael Augusto César Guerreiro e Gaspar dos Remédios.

No acto da inauguração

A exposição que reuniu ceca de uma centena de óleos e aguarelas, foi inaugurada pelo Director do Centro de Informação e Turismo, substituto, A. Mendes Liz.
Foi muito concorrida e esteve patente ao público até às 22 horas do dia 17 de Abril.

Pormenor da visita à galeria

Extraído de «M. B. I. T.»  XIV-3-4, 1979..

Extraído de BGU XLV- 528, 1969.
NOTA 1 :  A Casa de Macau em Lisboa foi fundada a 11 de Junho de 1966, tendo a sede num edifício arrendado. Em 1969 foi inaugurada a sede na Praça do Principie Real. Após a invasão da sede no período revolucionário de 25 de Abril, em 1974 e fecho das instalações, seria reaberto em 1979. Em 1988, foi declarada com o estatuto de Pessoa Colectiva de Utilidade Pública. (2) Em 1999 foi inaugurada a actual sede-social na Av. Almirante Gago Coutinho n.º 142 em Lisboa.
A propriedade da antiga sede da Casa de Macau, na Praça do Príncipe Real (1) é actualmente da Fundação Casa de Macau (sede e Centro de Documentação), nascida a 26 de Julho de 1996.
NOTA 2: O presidente do Leal Senado era Joaquim Morais Alves (e não como consta no texto, erradamente, “Dr. Moura Alves”.
(1) Praça do Príncipe Real, 25 1º  1250-184  LISBOA
(2) Diário da República –II Série n.º 22 – 27-1-1988, p. 761 

Anúncio da Quinzena de Macau, retirada da revista ARTIS, editada pelo Leal Senado.
NOTA 1: Com edição da “Quinzena de Macau” foi lançada em Outubro de 1979, em Lisboa, uma das edições do livro “Macau Factos e Lendas” de Luís Gonzaga Gomes.
GOMES, Luís Gonzaga – Macau, Factos e Lendas (páginas escolhidas). Edição da Quinzena de Macau, 1979, 152 p., 19,5 cm x 14,5 cm.
NOTA 2: A propósito da “Quinzena de Macau”, realizada em Lisboa no ano de 1979, consultar artigo de António Conceição Júnior em
http://www.arscives.com/25anos/quinzenamacau.htm

diario-de-noticias-1980-desenho-vendedor-de-ruaVendedor de rua – de guloseimas – em Macau, 1979 (1)

Nas décadas de 50 e 60 (século XX) era frequente a presença de vendedores, verdadeiros artífices dos chamados “bonecos de farinha”, nas ruas de Macau.
Herdeiros da arte tradicional/folclórica chinesa, (originária da Dinastia Tang: 618-907) com uma grande habilidade em esculpir meticulosamente pequenas (miniatura) esculturas (humanas, animais, etc) com grande detalhe somente com as mãos e um estilete de madeira, e utilizando uma massa caseira a partir da farinha de pão ou de arroz glutinoso. Por fim aplicava-se uma “tinta” (preservativo) de cores vivas. Era uma guloseima muito procurada pelos miúdos.
Na década de 70 principalmente para o fim dessa década ainda se via, um ou outro nas vias públicas de Macau.Desapareceram na década de 80 (século XX).
(1) Desenho com indicação de autor, (mas não consegui “decifrar”), publicado no «MACAU», Suplemento de Diário de Notícias, 1980

No dia 2 de Outubro no Palácio da Praia Grande, realizou-se a cerimónia da assinatura do termo do início das funções, do Dr. Túlio Lopes Tomás (1) como Chefe dos Serviços de Educação de Macau, (2) a que presidiu o Governador da Província tendo lido o termo de  posse, o Dr. Pires Estrela, Chefe dos Serviços de Administração Civil, com a assistência das mais destacadas individualidades.

macau-b-i-t-viii-7-8-set-out-1972-tulio-lopes-tomas-iO Governador ao proferir o seu discurso na cerimónia

O Dr. Túlio Lopes Tomás que chegou a Macau no dia 1 de Outubro assumiu as funções de Chefe da Repartição Provincial dos Serviços de Educação de 1972 a 1979 e de reitor do Liceu Nacional Infante D. Henrique entre 1972 e 1975.

macau-b-i-t-viii-7-8-set-out-1972-tulio-lopes-tomas-iiO Dr. Túlio Tomás no momento em que proferiu o seu discurso

Na foto (esq p/ dt): Governador Nobre de Carvalho, coronel Mesquita Borges (chefe da Repartição de Gabinete), Comendador Joaquim Morais Alves (presidente do Leal Senado), Dr. Armindo Costa (subdirector da Subdirectoria da Polícia Judiciária) e Pe. Ramiro dos Anjos Marta(representante da Diocese)
macau-b-i-t-viii-7-8-set-out-1972-tulio-lopes-tomas-iii(1) O Dr. Túlio Tomás (1910-1995), licenciado e possuidor do Exame de Estado para o magistério liceal (Ciências Físico-Químicas), foi professor nos Liceus «Pedro Nunes», «D. João de Castro» e «Camões ». Com comissões de serviço na Guiné e na Índia, foi director dos Serviços de Instrução de Angola e  desde 1961, era inspector do Ensino Liceal. Autor de obras didácticas em colaboração, de entre as quais o «livro único» «Compêndio de Química» para o 3.º ciclo liceal. Era  comendador das ordens da Instrução Pública e do Infante D. Henrique.
Para uma biografia mais completa aconselho leitura do artigo de António Aresta no jornal “Tribuna de Macau” disponível em:
http://jtm.com.mo/opiniao/tulio-lopes-tomaz/
(2) O anterior Chefe da Repartição Provincial dos Serviços de Educação era a Dra. Ricardina Rosa y Alberty,  que saiu em Dezembro de 1971

macau-b-i-t-viii-7-8-set-out-1972-tulio-lopes-tomas-ivLICEU NACIONAL INFANTE D. HENRIQUE  EM 1972

Informações recolhidas de «MACAU B.I.T.  1972.»

cx-fosforo-bcm-1979-iCarteira de fósforos (dimensão total 13,3 cm x 6,6 cm ) dobrável (num lado 6,8 cm x 6,5  cm;  e no outro 6,5 cm x 6,5 cm incluindo o topo de 0,6 cm de largura).
cx-fosforo-bcm-1979-iicx-fosforo-bcm-1979-iiiDe cor “prateada” (o exemplar que apresento com manchas e usada) tem no seu interior, inferior aos fósforos (pretos com as cabeças de cor azul) a indicação de

Banco Comercial De Macau
澳門商業銀行

com o logótipo do banco no canto esquerdo
cx-fosforo-bcm-1979-ivA caixa de fósforo é do ano de 1979, pois no seu interior apresenta o calendário para esse ano (em inglês).
cx-fosforo-bcm-1979-vSobre o BCM, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/banco-comercial-de-macau/

Nas décadas de 60 a 80 do século XX, o território de Macau foi afectado por vários tufões de intensidade muito apreciável , ainda que com características variáveis.
Foram eles os tufões «Glória» (Setembro de 1957), «Mary»  (Junho de 1960), ««Viola (Maio de 1964), «Ruby» (Setembro de 1964), «Rose» (Agosto de 1971), «Hope» (Agosto  de 1979),  e «Ellen» (Setembro de 1983). (1)
Dos descritos só não “assisti” aos últimos três. (2) Mas recordo da notícia da passagem do «Rose» por Macau, a 17 de Agosto de 1971.
Embora não causasse muitos estragos em Macau, (3) ficou marcada pelo afundamento do navio da carreira Macau – Hong Kong, Fat Shan / 彿山,  que se virou e se afundou em Hong Kong (4).  Das 92 pessoas a bordo somente sobreviveram quatro. (5)
(1)SIMÕES, Joaquim Baião – Macau e o Tufões. Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau, 1985, 83 p.
(2) Dos tufões que me lembro e que tenha “assistido” sem dúvida destaco o tufão «Ruby»  em Setembro de 1964. Hasteamento no sinal 10 durante 1 h e 45 m, com rajadas de maior intensidade de 211 Km/h e precipitação durante 24 horas cerca de 225 milímetros com a morte de 1 pessoa, prejuízos enormes e deflagração de um violento incêndio. (1)
(3) ” 17 de Agosto de 1971 – Formou-se na zona das Carolinas, passou a norte de Luzon e a cerca de 30 milhas para leste de Macau. Provocou alguns estragos e inundações, tendo-se registado a rajada máxima de 130 Km/h“. (1)
(4) Pelo contrário,  o Tufão «Rose» até à década de 70 (século XX), foi  o mais violento e intenso ciclone tropical a atingir Hong Kong em 1971  após o tufão «Wanda» de 1962.
Offshore Hong Kong, storm surge and heavy waves sank or severely damaged at least 300 boats, causing 110 deaths and 283 injuries…(…) A total of 5,644 people – approximately 1,032 families – were left homeless, while 653 huts were destroyed. Approximately 30,000 telephones became out of service. Twenty other fatalities occurred in Hong Kong.
CAMPBELL, S. – Typhoons affecting Hong Kong: Case Studies“. Hong Kong University of Science and Technology, April 2005.
http://www.wind.arch.t-kougei.ac.jp/info_center/APECwind/hongkong2.pdf
(5) Documentado em “彿山輪沉沒 Fat Shan Ferry sinking, 1971” em
https://www.youtube.com/watch?v=WKy3Rk7_e3A

Navio Fat ShanUm dos navios da carreira Macau-Hong Kong no Porto Interior.
Creio tratar-se do navio 彿山 / Fat Shan numa foto de 1971, talvez uma das últimas fotografias deste navio antes de se afundar.

彿山 / FAT SHAN: mandarim pīnyīn: fú shān; cantonense jyutping: fat1 saan1 ; tradução literal: semelhante a montanha.

MACAU B. I. T. XIV 3-4,MAR-ABR,1979 CONTRACAPA DRAGÂORetirado da Contra-Capa da revista “MACAU Boletim de Informação e Turismo, 1979.”, edição do Centro de Informação e Turismo. Sem indicação do nome do autor.

Publicado no Boletim Oficial de Macau n.º 9 de 27-02-1954:
Foi fixada a residência na Ilha da Taipa, pelo prazo de quinze dias, ao sr. Leonel Milcíades dos Passos Borralho, correspondente dum jornal de Hong Kong, pelos abusos cometidos no noticiário que envia para esse jornal acerca de Macau e ainda pela circunstância de que se serviu para lançar nas colunas do jornal de que é correspondente notícias desprestigiantes para o Governo e Administração da Província, o que não pode passar sem o devido correctivo, tanto mais que o referido correspondente, é useiro e vezeiro em façanhas desta natureza. (1)

Era governador da província, Joaquim Marques Esparteiro (1951-1957) que não terá gostado duma notícia enviada por Leonel Borralho à agência UPI (2) de que era correspondente, sobre a explosão de uma bomba no Porto Interior, colocado por uma das seitas de Macau.

Leonel Milcíades dos Passos Borralho, (李安奴) jornalista, deputado da Assembleia Legislativa de Macau (1980-1984), foi proprietário e administrador da «Gazeta Macaense» (o 1.º número saiu a 30-09-1963) como semanário até 1966, depois bissemanário até 1971 e depois, diário (o único no território nessa data) até 1979 (?), Devido a doença deixou nesta data a direcção do diário passando a assumir o cargo de director-adjunto, João Severino. Presidente fundador da Associação Recreativa e Desportiva dos Deficientes de Macau. (ARDDM).

(1) MACAU Boletim Informativo, 1954.
(2) «United Press International», agência de notícias internacional fundada em 1907.
(3) A denominação ARDDM, em 2009, foi alterada para Comité Paraolímpico de Macau-China – Associação Recreativa e Desportiva dos Deficientes de Macau-China. (CPM ARDDM)