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bolsa-para-oculos-princesa-iBolsa protectora de óculos (18,5 cm x 6,5 cm), aveludada, de cor vermelho/tinto, oferecida pelo estabelecimento comercial “FOTO PRINCESA”, na década de 80 (século XX), com a mesma imagem nos dois lados.

foto-princesabolsa-para-oculos-princesa-iiA “Foto Princesa” que está localizada na Avenida Infante D. Henrique 55-59 r/c desde 1970/1971, é um estabelecimento de venda de equipamento fotográfico e acessórios para fotografia.

bolsa-para-oculos-princesa-iii

No dia 27 de Agosto de 1953, com destino a Lisboa, fazendo escala por Manila, Díli, Singapura, Mormugão e Port Said, largou deste porto, o N/M «Índia» (que chegara a Macau em 12-08-1953), da Companhia Nacional de Navegação,  levando carga e passageiros.

Navio ÍNDIAhttp://navios.no.sapo.pt/india.html

A bordo do mesmo barco, e afim de continuarem os seus estudos  na Metrópole, seguiram para Lisboa os estudantes Maria Fragoso, José António da Silva Gomes, José Luís Marques, Ângelo Galdino Dias e José João de Deus Rodrigues do Rosário. No mesmo barco seguiu também para Lisboa, onde foi colocado, o director da Fazenda do Ultramar, Carlos de Almeida Ferreira, acompanhado de sua esposa.” (1)
O Navio «Índia» misto de 2 hélices construído em 1950 (foi abatido em 1971), tinha alojamentos para 4 em classe de luxo, 60 em primeira classe, 25 em terceira e 298 em terceira suplementar no total de 387 passageiros e 120 tripulantes.
(1) De «Macau B.I.,1953»

Nas décadas de 60 a 80 do século XX, o território de Macau foi afectado por vários tufões de intensidade muito apreciável , ainda que com características variáveis.
Foram eles os tufões «Glória» (Setembro de 1957), «Mary»  (Junho de 1960), ««Viola (Maio de 1964), «Ruby» (Setembro de 1964), «Rose» (Agosto de 1971), «Hope» (Agosto  de 1979),  e «Ellen» (Setembro de 1983). (1)
Dos descritos só não “assisti” aos últimos três. (2) Mas recordo da notícia da passagem do «Rose» por Macau, a 17 de Agosto de 1971.
Embora não causasse muitos estragos em Macau, (3) ficou marcada pelo afundamento do navio da carreira Macau – Hong Kong, Fat Shan / 彿山,  que se virou e se afundou em Hong Kong (4).  Das 92 pessoas a bordo somente sobreviveram quatro. (5)
(1)SIMÕES, Joaquim Baião – Macau e o Tufões. Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau, 1985, 83 p.
(2) Dos tufões que me lembro e que tenha “assistido” sem dúvida destaco o tufão «Ruby»  em Setembro de 1964. Hasteamento no sinal 10 durante 1 h e 45 m, com rajadas de maior intensidade de 211 Km/h e precipitação durante 24 horas cerca de 225 milímetros com a morte de 1 pessoa, prejuízos enormes e deflagração de um violento incêndio. (1)
(3) ” 17 de Agosto de 1971 – Formou-se na zona das Carolinas, passou a norte de Luzon e a cerca de 30 milhas para leste de Macau. Provocou alguns estragos e inundações, tendo-se registado a rajada máxima de 130 Km/h“. (1)
(4) Pelo contrário,  o Tufão «Rose» até à década de 70 (século XX), foi  o mais violento e intenso ciclone tropical a atingir Hong Kong em 1971  após o tufão «Wanda» de 1962.
Offshore Hong Kong, storm surge and heavy waves sank or severely damaged at least 300 boats, causing 110 deaths and 283 injuries…(…) A total of 5,644 people – approximately 1,032 families – were left homeless, while 653 huts were destroyed. Approximately 30,000 telephones became out of service. Twenty other fatalities occurred in Hong Kong.
CAMPBELL, S. – Typhoons affecting Hong Kong: Case Studies“. Hong Kong University of Science and Technology, April 2005.
http://www.wind.arch.t-kougei.ac.jp/info_center/APECwind/hongkong2.pdf
(5) Documentado em “彿山輪沉沒 Fat Shan Ferry sinking, 1971” em
https://www.youtube.com/watch?v=WKy3Rk7_e3A

Navio Fat ShanUm dos navios da carreira Macau-Hong Kong no Porto Interior.
Creio tratar-se do navio 彿山 / Fat Shan numa foto de 1971, talvez uma das últimas fotografias deste navio antes de se afundar.

彿山 / FAT SHAN: mandarim pīnyīn: fú shān; cantonense jyutping: fat1 saan1 ; tradução literal: semelhante a montanha.

“A indústria fosforeira ocupou largos anos em Macau, (1) um lugar de relevo entre as actividades transformadoras acentuadamente tradicionais e com feição artesanal no sector da manufactura das respectivas embalagens, em que se ocupava, por vezes, a família inteira, dada a relativa facilidade da tarefa.

MACAU B.I.T. XI - 1-2, MARABR 1973 Indústria Fósforos IConcentrada na preparação de caixas de fósforos e
no seu enchimento, uma actividade confiada à indústria caseira

Esta produção macaense espalhou-se pelos mais diversos mercados nesta zona económica do Sudeste Asiático, onde manteve, durante um longo período , uma posição desafogada e competitiva, sobretudo no seio das comunidades chinesas que se difundiram por diversos países.

MACAU B.I.T. XI - 1-2, MAR-ABR 1973 Indústria Fósforos IIEmpacotamento dos fósforos nas respectivas embalagens, nas fábricas.

Os contingentes de exportação viram-se, nas últimas décadas (50 a 60 do século XX), estimados numa média de cerca de $1 5000 000,00, anualmente, chegando mesmo a ultrapassar os 3 milhões, em anos de mais substanciais encomendas, como sucedeu em 1959, que atingiu a cifra de $ 3 646 329,00. Uma indústria que, na relativa modéstia do meio em que desenvolve, se poderia considerar no gozo de certa prosperidade.
Mas sobre ela estão agora a soprar os ventos frios da decadência, que ameaçam fazê-la soçobrar  ruinosamente perante contratempos que não pode superar, com a falta que se regista de encomendas que justifiquem a continuação da actividade…(…)
Os elementos relativos à exportação deste produto revelam a escala do declínio porque vem descendo de ano para ano, perdendo cada vez mais a posição de importância que gozava nos seus tempos mais áureos:

1969 ……………………….$ 667 523,00
1970 ……………………….$ 483 800,00
1971 ……………………….$ 572 600,00
1972 ……………………….$ 332 150,00
1973 ……………………….$ 380 129,00
1974 ……………………….$   60,845,00
1975 ……………………….$     8 960,00″ (2)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/caixas-de-fosforos/
     https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carteiras-de-fosforos/
(2) Artigo não assinado e fotos de “MACAU B. I. T., 1976″

No dia 24 de Fevereiro de 1969 , “ficou encerrado o famoso Hotel Riviera, o coração da cidade. Viria a ser demolido em Fevereiro de 1971. (1) Era um dos hotéis mais antigos e nele se hospedaram figuras ilustres da Administração de Macau, além de forasteiros.” (2)
O Hotel Riviera abriu em 17 de Janeiro de 1928, no lugar do anterior “New Macao Hotel» (anterior «Hing Kee») situado na Avenida Almeida Ribeiro, cruzamento da Praia Grande, em frente ao Banco Nacional Ultramarino. A fachada principal com a entrada para o antigo «New Macao Hotel” era na Rua da Praia Grande. Mas as obras de remodelação em 1921, a fachada principal (com a entrada principal) passou a ser na Avenida Almeida Ribeiro, permanecendo aí depois aquando da adaptação para o novo Hotel.
Lembro-me bem dessa entrada pois tinha (não sei se seria ainda  o  único em Macau, naquela altura, década de 60) uma porta giratória e um porteiro que para além de outras funções, estava lá para impedir os miúdos de brincarem “com a porta”.

Hotel Riviera 1936HOTEL RIVIERA 1936

Esta foto de 1936 ainda se vê as arcadas inferiores da Rua da Praia Grande abertas, consideradas via pública; em 1948 foram fechadas, embora com polémica, o Leal Senado questionou sobre a legalidade desse espaço como domínio público.
Quem entrava no Hotel Riviera pela portas principal não deixava de se surpreender. Dali partia um pequeno corredor que dava directamente para a sala de espera, elegantemente iluminada e mobilada ao melhor estilo italiano. De um lado do corredor ficava a sala de jantar onde eram servidas as três refeições diárias e das quais o jantar era  mais cara : duas patacas por pessoa. A sala de espera dava ainda para o lounge, aberto até à meia-noite, onde se tomava chá e comiam pastéis de dez avos. E, no fundo do corredor, o indispensável bar que, quase desde o início, manteve a reputação de ser um dos mais bem fornecidos de Macau.
Imagine-se o pasmo dos visitantes a quem era dada a oportunidade de admirar a escadaria, que conduzia ao piso superior, coberta, à semelhança dos corredores , de grossos tapetes «tão bons como os dos melhores hotéis»
Os quartos em número de vinte e dois, permitiam apenas a ocupação de quarenta e quatro pessoas. Uma ocupação  que, no entalho, poderia conhecer outros números caso os hóspedes concordasse, com os editoriais, sempre práticos e expeditos de “A Pátria” : « quando os visitantes não se importarem de dormir três ou quatro no memso quarto, o número (de hóspedes) poderá subir a oitenta»
A maior parte dos quartos dispunha de casa de banho individual, com água quente e fria e todos os pisos tinham telefone, numa clara demonstração de que os directores do hotel que se substituíra ao «New Macao Hotel», não se haviam poupado à despesas. Aliás, a remodelação custou-lhes cento e vinte mil patacas e importou-se tudo o que havia de bom e do melhor – a concepção arquitectónica à Palmer & Turner (de Hong Kong), a decoração, talheres e pratas à Lane Crawford (também de Hong Kong) e a roupa branca e louças à casa Albert Pick, de Chicago. A mobília era, naturalmente, italiana”. (3)
O investidor foi o milionário Lou Lim Ioc (ou Ieoc)  que faleceu antes da sua inauguração, a 15 de Julho de 1927 com 50 anos de idade.
Algumas notícias relacionadas com este Hotel, ao longo dos anos:(4)
12-09-1936 – Publicada no B. O. n.º 37 a constituição da Sociedade «Irmãos Unidos, Lda», dos irmãos Leitão, vocacionada sobretudo para a indústria hoteleira  que envolvia os hotéis «Riviera» e «Majestic», os teatros «Capitol» e «Apollo», a «Vacaria» e «Leitaria Macaense».(5)
“03-11-1942 – O jantar dançante realizado no sábado último no Hotel Riviera, inaugurando a sua orquestra sob a regência do distinto músico sr. Artur Carneiro, foi um grande sucesso. Mais de 150 pessoas assistiram ao jantar e muitos não conseguiram entrada devido à falta de lugares. Informa-nos a gerência do mesmo hotel que todas as tardes haverá chá dançante das 5 às 7.30 horas e jantares dançantes das 9 às 23.30 horas exceptuando sábados, que é das 9 à 1 a.m., com menu especial, sendo o preço do jantar nesse dia de $5.00 e nos outros dia de $2.75. Aos domingos a  mesma orquestra tocará música ligeira durante o almoço, das 12.30 horas às 14.30. Para o jantar de sábado podem ser marcados lugares desde hoje . (A Voz de Macau de 3 de Novembro de 1942).(5)
O Hotel possuía um restaurante bastante amplo no seu rés-do-chão, que a gerente Olga Pacheco da Silva queria transformar em salão de dança, daqueles existentes nos grande hotéis de países do primeiro mundo”. Só que também queria manter a ambiência familiar, pois era o único do género no território. Para tal, a Olga teria que contratar uma boa orquestra de Hong Kong., porque não havia nenhuma disponível em Macau. Foi então apontada a orquestra de Art Carneiro (“Art” de Artur, pianista e maestro), com músicos filipinos, e que na altura tocava no Península Hotel de Kowloon – ainda hoje o mais emblemático e luxuoso de Hong Kong…(…) A escolha desse maestro deveu-se precisamente ao facto de, além de ser um bom profissional, descender de portugueses de Xangai.(7)
Segundo Rigoberto do Rosário Jr, (7) a artista Abbe Lane, esposa de Xavier Cugat, referido em anterior postagem, (8) foi uma atracção estrangeira que fez furor no Riviera em finais de 50” ( não foi em finais de 50, mas no ano de 1953).
(1) “FEVEREIRO de 1971 – Demolição do Hotel Riviera, situado  no cruzamento da Av. Almeida Ribeiro com a  Rua da Praia Grande, em frente do edifício do BNU. Dará lugar a um edifício de 8 andares, também já demolido. E assim se vai descaracterizando o centro histórico de Macau”.(2)
Demolido para construir o prédio, sede do Banco “Nam Tung” que em 1987 foi autorizado a mudar de nome para “Banco da China – Filial Macau” (Bank of China Macau Branch).
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998.
(3) , Luís Andrade de – A História na Bagagem. Instituto Cultural de Macau, 1989, 152 p., ISBN 972-35-0075-2.
(4) Para além das anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-riviera/
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(6) Retirado de  ORTET, Luís – 1942 in ” MacaU, II série, n.º 8, Dez. 92, pp. XXIII”.
(7) ROSÁRIO JR, Rigoberto – Memórias de Um Músico Macaense. MacaU, II série n.º 74, Junho de 98, pp.39-54.
(8) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/11/29/noticia-de-29-de-novembro-de-1953-xavier-cugat-em-macau/

Anúncio, publicado em 1956, da fábrica de fósforos ” TUNG HING” (1)

“A fábrica de maior produção na província
Produto de confiança e boa qualidade”

ANÚNCIO TUNG HING ANUÁRIO 1956Terá sido uma das primeiras fábricas de fósforo, constando já no Anuário de 1927 com o nome de Tung-heng domiciliado na Estrada Coelho do Amaral n.º 18.
No Anuário de 1938 já apresentava outro domicílio: Avenida Almirante Lacerda n. º 22 e no Anuário de 1941 aumentava a fábrica para dois edifícios na mesma Avenida Almirante Lacerda, n.º 22 e 78.
Com este nome ” Tung Hing & C.ª ” aparecia no Anuário de 1950. (2)
Não consegui saber quando terá sido encerrada (provavelmente no início da década de 60) já que alguns dos Anuários da década de 50 (século XX) não traziam referências a fábricas como por exemplo o do anos 1956-57. De certeza já não estaria a laborar no ano de 1966. As fábricas de fósforo em Macau, deixaram de existir em 1979.

(1) Referências anteriores a esta fábrica de fósforos e outros que existiram no território:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/03/02/anuncio-fabrica-de-fosforos-cheong-meng/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/02/12/caixas-de-fosforos-com-publicidade-winston/
(2) As outras fábricas de fósforos registadas nesse ano eram:
Cheong Meng na Rua da Alegria 96 a 135.
Sociedade Man Kuok Ltd na na Ilha Verde.
Tai Kuong Leong Kei Ltda, Sucessores na Avenida Almirante Lacerda n.º 18.

FILATELIA Leão Dragão 30-9-711.º Dia de Circulação do envelope (21,5 cm x 10,5 cm), carimbo e selos de 10 avos com a “cabeça” de leão e 5 avos com a “cabeça” de dragão, emitidos pelo C. T. T. de Macau.

5 Avos DRAGÃO 30-9-7110 Avos LEÃO 30-9-71As pinturas no envelope têm a indicação de “FOTOCROMO. IMPRENSA NACIONAL DE MACAU.”
Os selos pertencem à série “folclore Dragão e Leão”

Carlos José Caldeira no Boletim do Governo, 28 de Junho de 1851, p.102, explica que a Missa de Acção de Graças é a mais antiga cerimónia histórica ligada ao local, porque tem a sua 1.ª edição no próprio ano da invasão, 1622, por voto tomado em Sessão e Termo na casa da Câmara. Cerca de 1844, a Missa passou a ser celebrada na Capela da Guia mas o Senado, mesmo assim, usava dar cinco patacas de esmolas e as crianças levavam flores e bandeiras ao local, também conhecido por Campo dos Arrependidos.

 Monumento da Vitória 1907 Man Fook MACAU PASSADO E PRESENTEMonumento da Vitória ao fundo da Avenida Vasco da Gama
(Foto de Man Fook de 1907)

 Do Boletim da Província de Macau e Timor, Vol. XVI.N.º 26 de 27/7/1870:
“Collocou-se, no dia 23 do corrente às 6 horas da manhã, a primeira pedra do alicerce sobre que hade alevantar-se um padrão de gloria, que recorde à posteridade um dos mais brilhantes feitos dos nossos maiores.
Foi S. Ex.a o Governador (1) celebrar esta cerimonia e vio à roda de si quasi todos os funcionarios civis e militares, que anuiram solicitos ao convite de S. Exa.; patenteando assim a sua veneração por tudo que signifique gloria das armas portuguezas, desde tanto acostumadas a vencer.
Teve lugar a solemnidade na Praça da Victoria, (2) junto da Flora Macaense, na estrada quepor S. Lazaro,conduz à porta do Cêrco.
Depois de leitura do auto que foi assignado por todos os funcionários presentes foi elle encerrado num cofre com as moedas nacionaes como é d´uso praticar-se nestes actos.
Em seguida S. Ex.a o Governador deitou a primeira colher de cal para segurar ao solo a pedra fundamental de todo o alicerce – e apoz elle algumas outras autoridades praticaram egual cerimonia.
Foi uma festa toda patriótica e que assignalou um dia nunca esquecido pelo povo de Macau.
No sitio destinado a receber o monumento já existia uma pilastra de pedra, que commemorava o feliz resultado da brava peleja, travada ali pelos moradores de Macau no dia 21 de junho do anno de 1622 contra uma expedição hollandeza, que tentava assenhorar-se desta cidade, como que desconhecendo quanto valor e brio usam os portuguezes mostrar sempre que o amor da patria os incita as mais arrojadas empresas para defesa da sua nacionalidade, e revindicação de seus sagrados direitos.
O monumento foi mandado construir em Lisboa por iniciativa do leal senado, e ouvimos que se espera no primeiro transporte vino d´aquella cidade. (3)

 Monumento da Vitória 1939 IO MONUMENTO DA VITÓRIA
Festividades no dia 24 de Junho de 1939

 O texto do auto depois de assinado, foi depositado num cofre assim como moedas nacionais, sendo posteriormente soldado e depositado na cavidade da pedra fundamental do monumento. Uma cópia do auto foi guardada no arquivo do Leal Senado.
O monumento da Vitória foi construído com um fundo originalmente destinado a um monumento a S. João Baptista mas “por escrúpulos, receio de melindres e divergências de alguns vogais”, por proposta do Presidente do Leal Senado da Camara e concordância do Governador, “as $ 400 e seus juros foram entregues ao Cidadão Lourenço Marques, que ficou encarregado de mandar vir o Monumento.
O monumento foi inaugurado no dia 26 de Março de 1871. (4)

Monumento da Vitória 1939 II O MONUMENTO DA VITÓRIA
Festividades no dia 24 de Junho de 1939

 (1) Sobre António Sérgio de Sousa (1809-1878), governador de Macau de 1868 a 1872, ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-sergio-de-sousa/
(2) Local onde antes estivera uma cruz (de que provavelmente já só restava a pilastra vertical, o braço caiu por um tufão) em memória dos acontecimentos de Junho de 1622, com os holandeses.
Carlos José Caldeira in Boletim do Governo, 28 de Junho de 1851, p.102, explica que a Missa de Acção de Graças (esta missa chamava-se de Vitória) é a mais antiga cerimónia histórica ligada ao local, porque tem a sua 1.ª edição no próprio ano da invasão, 1622, por voto tomado em Sessão e Termo na casa da Câmara. Cerca de 1844, a Missa passou a ser celebrada na Capela da Guia mas o Senado, mesmo assim, usava dar cinco patacas de esmolas e as crianças levavam flores e bandeiras ao local, também conhecido por Campo dos Arrependidos.
Campo dos Arrependidos, “pois era ali que noutros tempos, os condenados iam expiar no patíbulo, os seus crimes (Luís Gonzaga Gomes) (3) ou segundo Beatriz Basto da Silva “A zona chamava-se, por ter sido o recuo dos holandeses, o «Campo dos Arrependidos»”(5)
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 357 p., ISBN: 978-99937-45-38-9.
(4) Sobre o Monumento ver:
http://nenotavaiconta.wordpre HYPERLINK “https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/monumento-da-vitoria/”ss.com/tag/monumento-da-vitoria/
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)

Para complementar  a notícia de ontem (1), reli o opúsculo histórico do Padre Teixeira (2) “O TEATRO D. PEDRO V“, publicado em 1971, pelo Clube de Macau (3) com subsídio do Governo da Província.

O Teatro D. Pedro V capa

Refere o autor, na introdução “Breves Palavras”:
“… Durante este século, foi o Teatro D. Pedro V que o Clube de Macau apresentou ao público não só os talentos locais mas os grandes artistas de renome internacional. Pode dizer-se que até à Guerra do Pacífico, a vida artística macaense se concentrou no Teatro D. Pedro V, devido aos bons ofícios das Direcções do Clube de Macau
O Teatro D. Pedro V fachada 1971

A Fachada do Teatro em 1971, degradada revelando as suas instalações, precárias condições de funcionamento

 O teatro, após obras que custaram 4 000 patacas (empréstimo pedido pela Direcção da Sociedade) (4) foi inteiramente restaurado e reabriu a 30 de Setembro de 1873.
O Jornal Gazeta de Macau e Timor (5) deu extensa notícia da festa de abertura:
” Abriu esta noite os seus salões o THEATRO DE D. PEDRO V – restaurado, elegante e perfeitamente armado, obras estas que deve à actual e incansável direcção que dotou o teatro com uns estatutos razoáveis, necessários e convenientes, trabalho este em que havia naufragado mais de uma direcção, havendo desgostos, discussões acaloradas e improdutivas.”

Ao longo do seu historial, o teatro passou por muitas vicissitudes: falência com penhora em 1879 (6); desavenças dos sócios;  cisão do Club União que organizava as festas no teatro;  fundação de uma nova Associação  denominada «Proprietários do Teatro D. Pedro V» que comprou o teatro, e o arrendou por um período de 10 anos à sociedade Club União, mediante ao pagamento de 15 % dos rendimentos brutos do clube e do Teatro; apogeu da sua utilização para espectáculos, récitas, óperas, concertos, conferências, etc; degradação do edifício ao logos de anos e outras tragédias ….. que relatarei em posteriores postagens.

O Teatro D. Pedro V lista dos proprietários IO Teatro D. Pedro V lista dos proprietários II(1) “NOTÍCIA  DE 7 DE MARÇO DE 1857 – TEATRO D. PEDRO V”
         https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/teatro-d-pedro-v/
(2) TEIXEIRA, P.e Manuel – O Teatro D. Pedro V. Clube de Macau, I Centenário, 1971, 50 + !2! p. 26,5 cm x 19 cm
(3) Nesse ano (1971), a Direcção do Clube de Macau era composta por:

 Presidente: Fernando José Rodrigues
Secretário: Dr. João Bosco da Silva
Tesoureiro: Estanislau Alberto Carlos
Vogais: Hugo José Sales da Silva e António V. N. Barros Amorim.

 (4) A Direcção era composta por António Alexandrino de Melo, barão do Cercal, João Eduardo Scarnichia, José Maria Teixeira Guimarães, Carlos Vicente da Rocha e Joaquim das Neves e Sousa que tinham elaborado novos estatutos da Sociedade «Theatro de D. Pedro V», os quais foram aprovados a 3 de Fevereiro de 1873 (data citada por Padre Teixeira e Luís Gonzaga Gomes, mas Beatriz Basto da Silva refere na sua Cronologia, a data de 10-02-1873.
(5) Gazeta de Macau e Timor, 2.º Ano, nº 2, de 30-09-1873
(6) “29-03-1879 – O Boletim Oficial publica o anúncio da arrematação do edifício do « Theatro D. Pedro V», penhorado em execução movida pelo Leal Senado contra a sociedade proprietária. O Teatro é vendido em leilão judicial por 1.400 reis (mais 672 reis pelos trastes), segundo o Boletim Oficial de 10 de Julho de 1880. Entretanto é fundado o Clube União e são os seus sócios (agremiados publicamente por escritura celebrada em 25 de Setembro de 1879) – que adquirem o teatro, com o nome de « Associação dos Proprietários do Theatro D. Pedro V»; nos Estatutos do Clube União, aponta-se para um único fim: o clube deve manter o teatro, ao serviço da população portuguesa de Macau “
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)

O bilhete carta-avião denominada correntemente por aerograma, é (era?) um impresso-carta pré-franqueado  que se enviava por correio aéreo, emitido especificamente pelos Correios (mais económico que a franquia das cartas). É no fundo, uma folha única  de papel fino e leve (de dimensão mais pequeno que uma folha A4) que quando dobrados sobre si mesmo, (apresenta nos lados goma para o fecho),  adquire o formato de um envelope, já preparado para o envio aéreo com o selo imprimido. Era proibido incluir outro objecto no seu interior.
O termo aerograma (aerogramme) (1) foi oficialmente criado em 1952 pela União Postal Universal no seu congresso em Bruxelas, embora este tipo de correio já existisse (muito popularizado na II Guerra Mundial) desde 1920.
A frente era reservada ao endereço, à franquia, menções ou rótulos de serviço, (obrigatoriamente a menção aerograma).
Não sei quando se iniciou este tipo de carta em Macau. Recordo de algumas:
1 –  Aerogramas com a taxa de 26 avos (lorchas e selo reproduzindo a igreja do seminário)
Portaria n.º 19500 de 13 de Novembro de 1962
2 – Aerogramas com a taxa de 26 avos, (rua típica de Macau, selo reproduzindo uma efígie do apóstolo S. Paulo)
Portaria n.º 20534 – 25 de Abril de 1964
3 – Aerogramas com a taxa de 50 avos (lorchas no porto de Macau e selo reproduzindo a fachada do Colégio de Santa Rosa de Lima).
Portaria 297/71 de 7 de Junho de 1971


Lembro que circulou também um aerograma, com vários templos chineses emitidos em 1979 (?) pelos Correios de Macau e  impressos na Imprensa Nacional – Casa da Moeda – Portugal
Este exemplar (década de 70) com a franquia  de 1,20 pts, tinha como motivo, as igrejas de Macau.
A imagem central era as ruínas de S. Paulo (o mesmo do selo) e lateralmente, as imagens das Igrejas de São Domingos, São Lourenço, Santo António e da Sé Catedral.
O REMETENTE estava inserido na mesmo local do destinatário.
Neste exemplar acrescentaram um selo no valor de 1 pataca ( Macau-Portas do Cerco)
Sobre o mesmo assunto e exemplos de outros aerogramas de Macau, consultar macauantigo.blogspot.com
(1) http://en.wikipedia.org/wiki/Aerogram