Archives for posts with tag: 1968

Uma lembrança do “antigamente” (13,5 cm x 9,5 cm): um salvo-conduto (Pass) n.º 629 do Governo de Macau, emitido pelos Serviços de Identificação de Macau, renovado em 1998 (com validade até 27 de Fevereiro de 2001) e que permitia aos residentes em Macau, a entrada em Hong Kong, para uma estadia até 7 dias. Salvo erro em vigor desde a década de 60 até  quando passou a ser válido a entrada em Hong Kong com o Bilhete de Identificação de Residente.
O salvo-conduto contém 40 páginas

A sagração episcopal de D. Arquimínio da Costa realizou-se a 25 de Março de 1976.
A nomeação do novo bispo de Macau, na pessoa do Padre Arquimínio Rodrigues da Costa (1) pelo Papa Pauli VI, veio preencher a vaga deixada pelo falecimento de D. Paulo José Tavares. A notícia do acontecimento, foi transmitida em 21 de Janeiro de 1976, pela Rádio Vaticano e foi recebida pela população católica de Macau com manifesto regozijo, dada a simpatia que o nomeado desfrutava em Macau.

O novo prelado dá entrada na Sé Catedral

A Sé Catedral vestiu as suas melhores galas pera receber o seu novo Antístite, e os Revs. Prelados que vieram presidir à cerimónia litúrgica da sagração. Dísticos em português e chinês engalanavam o frontispício do templo e saudavam o novo prelado com o dizer evangélico: «BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR».

Arquimínio da Costa dirige, pela primeira vez, como Bispo de Diocese, a palavra aos fiéis

A assistência à cerimónia da sagração episcopal, vendo-se no primeiro plano o Governador, coronel Garcia Leandro e Sua esposa.

Nas primeiras bancadas destacava-se a presença do Governador, Coronel Garcia Leandro e esposa, Madre Maria Clemência da Costa (irmã de D. Arquimínio), os Secretários-adjuntos, o Meritíssimo Juiz da Comarca, o Cônsul-Geral da França e muitos Chefes de Serviços e suas esposas. Em lugar especial da capela-mor, via-se o Bispo Anglicano de Hong Kong, Dr. John Gilbert Baker, o Rev. Frank Lin, pastor anglicano da Igreja de S. Marcos, em Macau e esposa.

Outro aspecto da assistência, estando na primeira bancada, destacadas autoridades oficiais.

D. Arquimínio da Costa entrou na Catedral na companhia do Bispo Sagrante, D. João Baptista Wu, de Hong Kong e dos Bispos consagrantes, D Carlos Lemaire, Bispo titular de Otrus, e D. Júlio X. Labayen, Bispo da Prelatura de Infanta, Filipinas.

O Governador de Macau apresenta os seus cumprimentos de felicitações a D. Arquimínio Rodrigues da Costa

(1) D. Arquimínio Rodrigues da Costa (1924 – 2016)  高秉常, natural da Ilha do Pico (Açores), veio para Macau na companhia de Monsenhor José Machado Lourenço, com mais três companheiros, em 1938, dando ingresso no Seminário de S. José a 8 de Dezembro desse ano. Foi sempre um aluno modelar, tanto no comportamento como nos estudos, pelo que foi durante anos subprefeito da disciplina dos seminaristas (1949-1953). Terminado o Curso Teológico, foi ordenado sacerdote por D. João de Deus Ramalho, S. J., no dia 6 de Outubro de 1949, celebrando a sua missa nova três dias depois. Foi professor de várias disciplinas, entre as quais Filosofia tanto para alunos internos como externos. Ficou reitor interino do Seminário de Fevereiro a Maio de 1955, na ausência do então reitor Cónego Juvenal Alberto Garcia (gozo de licença graciosa). Em 1957 seguiu para Roma a fim de cursar Direito Canónico na Universidade Gregoriana onde se licenciou em 1959. Regressou a Macau no dia 15 de Outubro de 1960, sendo novamente nomeado prefeito da disciplina e professor do Seminário. Em 1 de Agosto de 1961, foi nomeado reitor interino e, em 30 de Novembro, reitor efectivo daquele estabelecimento. Nomeado governador do Bispado nas ausências, em Roma, de D. Paulo José Tavares, em 1963 e 1965, durante o Concílio Vaticano II. Com a transferência do curso filosófico para o Seminário do espírito Santo de Aberdeen, Hong Kong, foi nomeado professor daquele estabelecimento de ensino, a partir do ano lectivo de 1968-69, onde lecionou Filosofia e Latim e foi prefeito de estudos do Curso Filosófico.
A 14 de Junho de 1973, foi eleito pelo Cabido vigário capitular da Diocese, cargo que exerceu até ser eleito Bispo de Macau. Bispo de Macau entre 1976 e 1988. Foi o último bispo de etnia portuguesa da Diocese de Macau. Eleito Bispo emérito de Macau, em 06-10-1988, regressou à sua terra natal nos Açores.
D. Arquimínio da Costa foi o terceiro Bispo de Macau, natural da Ilha do Pico, os outros dois foram D. João Paulino de Azevedo e Castro e o Cardeal D. José da Costa Nunes. É o quinto bispo natural dos Açores, sendo os outros, o Bispo D. Manuel Bernardo de Sousa Enes, da Ilha de S. Jorge, e o falecido Bispo D. Paulo José Tavares, da Ilha de S. Miguel.
Extraído de «MBIT» N.º 1-2, 1976.

Notícia publicada no jornal “Notícias de Macau” do dia 24 de Fevereiro de 1968 e reproduzida com o título “Nota do Dia no «BGU», XLIV – 514, 1968,
A Inauguração oficial do istmo Taipa-Coloane, de 2200 metros de comprimento e 7 metros de largura, entre as ilhas da Taipa e Coloane, foi a 2 de Junho de 1968.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/06/02/noticia-2-de-junho-de-1968-inaugura-cao-do-istmo-taipa-coloane/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/istmo-taipa-coloane/

Dois postais (1) da colecção MAM, de 18 cmx 12 cm, com duas excelentes fotografias de Ou Ping, fotógrafo de Macau.
Lembro-me muito bem destes “ardinas” de Macau que a pé ou, os mais afortunados, de bicicleta, distribuíam logo pela manhã (muitas vezes ainda antes de amanhecer) os jornais (chineses e portugueses), pondo nas caixas de correio das residências dos assinantes, ou como este, verdadeiros malabaristas ao atirarem para as varandas dos 1.ºs e 2.º andares das casas, sem deixarem de pedalar.
歐平mandarin pīnyīn: ōu píng ; cantonense jyutping : au1ping4
Ou Ping trabalhou para o Jornal Ou Mun mais de 40 anos. Foi Presidente da Sociedade Fotográfica de Macau e sócio honorário da Sociedade Internacional de Imagem de Hong Kong. Foi convidado pela Associação de Fotógrafos da China, para em Pequim, integrar no Festival Internacional de Cinema da Ásia. Participou em muitas exposições tanto em Macau como no estrangeiro.
http://www.macaucreations.cn/artist/view/34.html
NOTA: Pode ver e ouvir (em cantonense) este artista aquando duma sua exposição:
Reminiscence – Macao Old Photos Collection Exhibition
https://www.youtube.com/watch?v=F3vUdlgXJCk
(1) Da «Colecção do Museu de Arte de Macau», comprado em 2015.

The Good, the Bad and the Ugly (em italiano: Il buono, il brutto, il cattivo; em Portugal: O Bom, o Mau e o Vilão), de 1966, é um filme épico de «spaghetti western» (hoje considerado um clássico neste género) dirigido por Sergio Leone com os actores Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach (1)
Ennio Morricone (2) compôs a trilha sonora, incluindo o seu tema principal. O filme foi co-produzido entre companhias da Itália, da Espanha, da Alemanha Ocidental e dos Estados Unidos.
The Good, the Bad and the Ugly é o último da chamada Trilogia dos Dólares, dirigido por Sergio Leone que inclui «A Fistful of Dollars » (Por um Punhado de Dólares) (1964) e «For a Few Dollars More» (Por Mais Alguns Dólares)(1965).
Filme de baixo orçamento $1.2 milhões dólares; rendeu 25,1 milhões (só nos E.U.A) até 2014. Há uma nova cópia, restaurada em 2015.

Verso do folheto: argumento do filme em chinês

(1) https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Good,_the_Bad_and_the_Ugly
(2) A trilha sonora foi composta pelo colaborador frequente de Sergio Leone, Ennio Morricone, cujas composições originais características, contendo disparos de armas, assovios (por John O’Neill) e iodelei permeiam o filme. O tema principal, que se assemelha ao uivo de um coiote (que se mistura ao uivo de um coiote real na primeira cena após os créditos de abertura), é uma melodia de duas notas que é um motivo frequente, e é usada para os três personagens principais. (1)
https://www.youtube.com/watch?v=KkM71JPHfjk
Música pela orquestra sinfónica nacional dinamarquesa em:
https://www.youtube.com/watch?v=h1PfrmCGFnk
Trailers do filme em:
https://www.youtube.com/watch?v=h1PfrmCGFnk
https://www.imdb.com/title/tt0060196/videoplayer/vi2789278233?ref_=tt_ov_vi

Anúncios, em português, dos três barcos que faziam a ligação diária entre Macau e Hong Kong, em 1962. Exceptuando os barcos da «Companhia Nacional de Navegação», todas as ligações de Macau com o exterior eram feitas através de Hong Kong por estes três barcos. O preço era sensivelmente igual nos três barcos. O custo das passagens:
Cabines de 1.ª classe (singular) …  $ 20,00
Cabines de 1.ª classe (duplas) …… $ 15,00 (por pessoa)
Salão de 1.ª classe ………………… $ 8,00
Cabines de 2.ª classe (duplas) ……. $ 10,00 (por pessoa)
Salão de 2.ª classe ………………… $ 6,00

M. V. TAI LOY -大來 

Concluído em 16 de Setembro de 1948. Lançado à água em 20 de Outubro de 1949.
Navegou de 1950 a 1968, ano em que alterou o nome para “Chung Shan” e depois até 1978, com o nome de “Hong Xing 801” na China Continental.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/tai-loy/

S. S. TAKSHING – 徳星

Construído na Doca de Taikoo (Hong Kong) em 1924, já efectuava a carreira nos finais de década de 40. Tinha o nome de “S.S.Sai On” (西安) e fazia a carreira Macau-Hong Kong antes da guerra. Foi atacado e rebocado para Hong Kong pelos japoneses em 19 de Agosto de 1943 (episódio relatado anteriormente com o nome de “Sean Maru”). Em 1945, voltou a denominar-se “Sai On” até 1950, quando a Companhia “Tai Hip Shipping C.º“, de Hong Kong, o comprou e lhe pôs o nome de “ S.S. Tak Shing”. Era um vapor de 1949 toneladas com dois (três ?) conveses, 225 pés de comprimento e 42 pés de boca. Em 1968, mudou de nome para “Tung Shan” e até ser desmantelado em Janeiro 1974.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/takshing/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/08/19/noticia-de-19-de-agosto-de-1943-episodio-relatado-por-um-militar-no-quartel-da-guia-aquando-do-assalto-ao-vapor-sai-on-ii/
NOTA: O “S.S. Takshing” foi também notícia em 1952, no dia 25 de Setembro, quando foi “capturado” pelos chineses comunistas perto da Ilha de Lafsami tendo os navios “HMS Mounts Bay” e “HMS Consort” da Marinha Inglesa aberto fogo e conseguido rebocar o navio para as águas territoriais inglesas.
Outra referência a este navio está no diário de Ian Fleming (1908-1964 ) autor dos livros de “James Bond”) que anotou o seguinte aquando da sua passagem por Macau em 1959:
“Richard Hughes and I took the S.S. Takshing, one of the three famous ferries that do the Macao run every day, These ferries are not the broken down, smokebillowing rattletraps engineered by whisky-sodden Scotsmen we see on the films, but commodious three-decker steamers run with workmanlike precision. The three hour trip through the islands anda cross Deep Bay, brown with the waters of Pearl River that more or less marks the boundary between the leased territories and Communist China, was beautiful and uneventful…. “

S. S. FAT SHAN – 佛山

Perdido (virou e afundou) no dia 17 de Agosto de 1971, aquando da passagem do Tufão Rose por Hong Kong (perdeu 88 dos 92 passageiros e tripulantes).
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fat-shan-%E5%BD%BF%E5%B1%B1/

Passeio à chuva em Coloane

Passeio longamente na colina verde e nas praias de areia
As cortinas de chuva abrem-se e fecham-se de vez em quando
Para apreciar as nuvens brancas refletidas no espelho da água
Desafio a chuva e o vento a atravessar o rio.

 Versos de Liang Beiyun (1907 – 2001) de 1968
Tradução de Wei Ling / Luís Rebelo in (1)

Praia de Hac Sá – Coloane em finais da década de 80 (século XX)

(1) ABREU, António Graça de; JOSÉ, Carlos Morais (coordenadores) – Quinhentos Poemas Chineses. Nova Veja, 2014, 390 p.
Ver anterior referência a este poeta:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/liang-beiyun-
E6%A2%81%E5%8C%97%E4%BA%91/

Com a minha bengala passeio pela margem da Praia Grande
A rua ziguezagueante estende entre salgueiros verdejantes
Contemplo uma parte do céu através da folhagem do arvoredo
Respiro o ar puro da madrugada na colina da Guia

As gaivotas voam sobre o mar que parece um espelho
Os barcos à vela voltam em ondas calmas
De manhã, compra-se peixe fresco no mercado
Esqueço os perigos da navegação

Aprendo a plantar flores nos vãos da varanda
Orquídeas e crisântemos brotam dia a dia
Aconselho a brisa primaveril que vem à janela:
Não arranques as flores para pintar os arrebóis do crepúsculo.

Versos de Liang Beiyun – 梁北云 (1907 – 2001) de 1968
Tradução de Wei Ling / Luís Rebelo in (1)

Postal (20 cm x 13,3 cm) – Fotografia de Lei Chiu Vang (2)
A Praia Grande, o hotel Lisboa, a estátua Ferreira do Amaral e a Penha
Século XX, anos 80

Liang Beiyun nasceu na província de Fujian. Estudou em Wuhan, Xangai e no Japão. Activista cultural, dedicou grande parte da sua vida à criação de escolas na China e entre as comunidades chinesas do sudeste asiático. Calígrafo, pedagogo, poeta viveu em Macau nos últimos anos da sua vida (1)
梁北云  – mandarim pīnyīn: liáng  běi yún; cantonense jyutping:  loeng4bak1 wan4
(1) ABREU, António Graça de; JOSÉ, Carlos Morais (coordenadores) – Quinhentos Poemas Chineses. Nova Veja, 2014, 390 p.
(2) Postal da Colecção “Memória Colectiva dos Residentes de Macau – Imagens Antigas de Macau, n.º 2”

Dentro do programa das comemorações do V Centenário do Nascimento de Pedro Álvares Cabral, o Ministério do Ultramar pôs em circulação em todas as províncias ultramarinas uma série de 14 selos postais nas dimensões de 35 mm x 25 mm, no dia 22 de Abril de 1968, com carimbo do primeiro dia de circulação e envelopes comemorativos. (1)
De Macau foram dois selos:

4000000 da taxa de 20 avos – (Monumento de Pedro Álvares Cabral, em Lisboa) – Azul-da-prússia-claro, castanho-escuro, castanho-claro, verde-salsa, verde-alface-claro, carmim-escuro, violeta, preto, ocre, ouro e branco.
3000000 da taxa de 70 avos – (Estátua de Pedro Álvares Cabral, em Belmonte) – Salmão-claro, castanho-escuro, verde-salsa, verde-alface-claro, carmim-escuro, violeta, azul-da-prússia-claro, preto, ouro e branco.
«BGU» XLIV – 514, Abril de 1968, p. 166
(1) Em Macau, Portaria 23315 de 17 de Abril:
“Manda emitir e pôr em circulação nas províncias ultramarinos selos postais comemorativos do 5.º centenário do nascimento de Pedro Álvares Cabral.”

Mais uma velha naná ou canção de embalar do folclore macaísta citado pela Dra. Graciete Batalha. (1)

Já pagá candia
Já nom tê azeite;
Tomá quiança-quiança
Fazê ramalhête
 
Ramalhête feito
Na ponta do lenço
Quê càsá com preto
Tê grande sentimento
 
Más qui seja preto,
Sã nossa naçãm
Panhá vento suzo
Ficá cor de jambolam 

Possível “tradução”:

Apagou-se a candeia
Já não tem azeite
Pegar nas crianças
Que fazem ramalhete (birra)

Ramalhete feito
Na ponta do lenço
Quem casar com preto
Tem grande sentimento

Embora seja preto
É da nossa nação
Apanhar “vento sujo” (doença)
Ficar com cor de jambolão

Note-se a referência à superstição do “vento suzo” (vento sujo, «mau ar»). Por apanhar vento sujo, a pessoa ficou com a cor de jambolão, isto é, com a pele escura.
Jambolão – fruto semelhante a um grande bago de uva preta e «doce como a uva ferral» segundo Dalgado, Gloss. I, s. v. Há porém, quem o descreva como uma azeitona preta, com caroço semelhante, mas muito doce. (2)
(1) BATALHA, Graciete – Aspectos do Folclore de Macau, 1968.
(2) BATALHA, Graciete Nogueira – Glossário do Dialecto Macaense, 1977.