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No dia 30 de Setembro de 1963, teve início o periódico semanário «Gazeta Macaense». Director Damião Rodrigues; proprietário e administrador – Leonel Borralho. Saia à 2.ª Feira. No primeiro número, dava notícia da inauguração das instalações do canídromo de Macau, e de que até ao fim do ano, deveria chegar a Macau o primeiro hidroplanador para carreira entre Macau e Hong Kong. A Gazeta Macaense foi semanário de 1963 a 1966; bissemanário de 1966 a 1971; diário a partir de 1971, ano em que passa a dispor de versão em língua inglesa. Interrompido entre 1979- 1981. Renovado. Interrompido em 1995. (1)

José dos Santos Ferreira deu as boas vindas ao Neco Borralho, dedicando-lhe o poéma “Gazeta Macaense”, que foi publicado no jornal «O Clarim» de 7 de Outubro de 1963. (2)

   . . .  continua

(1) “10-07-1979 – Início do periódico «Diário de Macau», que substitui temporariamente a Gazeta Macaense e que tem um suplemento em língua inglesa (houve outra publicação periódica com este nome no ano de 1925). Este jornal editou o seu último número em 12 de Setembro de 1981.” (3)

(2) FERREIRA, José dos Santos – Macau Sã Assi, 1967, pp. 67.

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, pp 412 e  347

Foto publicado no Suplemento do «Diário de Notícias” de 1980, “MACAU / 澳門 / OU MUN” (1) (2)

Construção de barcos dragão nos antigos estaleiros de Lai Chi Vun, na Estrada de Lai Chi Vun (3) classificado pelo Património Cultural de Macau, como “Bem Imóvel (SC003) ”

“A indústria de construção naval, que teve início no final da Dinastia Ming e princípio da Dinastia Qing, era uma das quatro principais indústrias tradicionais de Macau. Este sector teve desenvolvimento até à década de 1990 e teve um papel importante na economia de Macau do passado. Os estaleiros navais de Lai Chi Vun eram anteriormente denominados Lai Chi Van. Os estaleiros navais de Lai Chi Vun, propriamente ditos, foram construídos na década de 1950. De acordo com o Anuário Comercial e Industrial de Macau de 1965-1966, existiam seis estaleiros navais em Lai Chi Vun. Localizados ao longo de parte da linha costeira de Coloane, os Estaleiros Navais de Lai Chi Vun, que eram de volume semelhante entre si, e que foram construídos paralelos uns aos outros e com ligação directa à água, constituem um aglomerado de construções modulares que reflecte a perfeita harmonia entre o ambiente natural e o conjunto construído“(4).

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/07/21/leitura-macau-%E6%BE%B3%E9%96%80-ou-mun/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/03/13/fotos-de-macau-de-1980-i/

(3) “A Estrada de Lai Chi Vun tem início no cruzamento da Estrada de Seac Pai Van com a Estrada do Campo, a norte, e termina no Largo do Cais, a sul. A altaneira árvore de pagode (figueira de Bengala) na extremidade norte da via assinala o início da Povoação de Lai Chi Vun, cujo nome está associado à antiga abundância de árvores de lichia, bem como à sua baía em forma de tigela.” https://pt.wikipedia.org/wiki/Coloane

 (4) https://www.culturalheritage.mo/pt/detail/2635/1

Bilhete de cinema (12,2 cm x 7,5 cm) do Teatro Império, n.º 000116, 1.ª Classe ($1.70), para o dia 8 de Julho de 1966, sessão das 17.30 horas. Filme: “The Sound of Music

Filme musical de grande êxito mundial que, em Macau, terá batido o record de permanência em cartaz, mais de um mês, com 4 sessões diárias. Que eu me recordo, em Macau, habitualmente os filmes em estreia permaneciam somente dois a quatro dias (sempre em fins de semana, sábado e domingo ou de sexta a segunda feira quando o filme era  mais popular)

Verso do bilhete

The Sound of Music” – “Música no Coração”, filme americano, mais musical que drama, de 1965, dirigido e produzido por Robert Wise, argumento de Ernest Lehman com os actores principais: Julie Andrews, Christopher Plummer, Richard Haydn, Peggy Wood, Charmian Carr, and Eleanor Parker.

O filme é uma adaptação da peça teatral musical (adaptado para o teatro musical por Lindsay and Crouse), do mesmo nome, do ano de 1959, composto por Richard Rodgers e letras de Oscar Hammerstein II. Baseado num livro de 1949 “The Story of the Trapp Family Singers” de Maria von Trapp.

É uma das películas que maiores receitas teve em toda a história do cinema. Teve 10 nomeações para o Oscar e obteve cinco estatuetas. https://en.wikipedia.org/wiki/The_Sound_of_Music_(film)

Ho Yin – He Xian – 何賢 (1908-1983) Foto de 1950

O correspondente em Macau do jornal diário de Singapura “The Straits Times, do dia 9 de Maio de 1966, na sua página 3, (1) com o título “Bomb injures Macao´s unofficial go-between with Peking, noticiava o atentado bombista ao Sr. Ho Yin. (2)

“A THROWN bomb or grenade today injured the Chinese millionaire who doubles as this Portuguese colony´s unofficial go-between with China. Mr. Ho Yin, 56, his wife, two companions and two bystanders were cut by bomb or grenade fragments as they leave the dog track stadium shortly before 1 a. m.. The police said the explosive was apparently hurled from an upper floor . It appeared to be a deliberate attempt on Mr. Ho´s life. His condition was not serious and so was that of others injured. All were admitted to hospital.”

Sobre Ho Yin, o articulista salienta o seguinte:

“Highly regarded as a businessman, philanthropist and educationist, in this colony on the South China coast, M. Ho also apparently enjoys the trust and respect of Chinese leaders in Peking. Starting his business career in Canton as a junior clerk in a money exchange, he now holds controlling interests in Macao´s only bus and taxi companies, all 10 cinemas, two Chinese language newspapers, five hotels, four banks and the modern greyhound track where the bomb or grenade was thrown at him.”

Nunca ficou bem esclarecido o motivo deste atentado embora atribuíssem as culpas aos membros dos nacionalistas (Kuomintang) que estavam insatisfeitos pela relação íntima que Ho Yin possuía com o Partido Comunista Chinês, Roque Choi, (3) em entrevista a José Pedro Castanheira, publicado no livro “Roque Choi um homem dois sistemas”, de Cecília Jorge e Rogério Beltrão Coelho, na p. 85, (4) afirma:

foram os nacionalistas”; “nunca pensaram em matá-lo. Foi só para o ameaçar”; “Todos reconheciam, incluindo os nacionalistas, que Ho Yin era um elemento insubstituível para o sossego de Macau”.

 (1) “Bomb injures Macao´s unofficial go-between with Peking” – The Straits Times, 9 May 1966, page 3. https://eresources.nlb.gov.sg/newspapers/Digitised/Article/straitstimes19660509-1.2.14.4

(2) Ho Yin 何賢; pinyin: Hé Xián; jyutping: Ho4 Jin4) , 1908 – 1983). Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ho-yin-he-xian-%E4%BD%95%E8%B3%A2-1908-1983/

(3) Roque Choi segundo o seu depoimento:

Quando não havia relações diplomáticas entre Portugal e a China, ambos os governos confiavam numa única pessoa: Ho Yin. Eu era o único intérprete dele, em assuntos políticos. Fui-o durante quase trinta anos”.

(4) JORGE, Cecília; COELHO, Rogério Beltrão – Roque Choi  um Homem dois sistemas (apontamentos para uma biografia”. Livros do Oriente, 2015, 221 p.

Extraído de «BOGPM», n.º 8 de 20 de Fevereiro de 1926, p. 121

Comparando com os mesmos sinais de 1966 – postagem de 18-04-2012 (1) – os sinais procedidos de dois tiros de peça dados da mesma fortaleza, em 1926, passaram a ser procedidos de toques de sereia, em 1966, e os sinais nocturnos assinalados pelas disposições de uma a três “bolas” (em 1926) passaram a ser sinalizados pela disposição vertical, por lâmpadas de cores (combinação de amarelo e vermelho).

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/18/sinais-de-incendio-na-fortaleza-do-monte/

Em memória do actor Sean Connery (1) falecido no último dia do mês de Outubro passado, o eterno James Bond, o primeiro a dar vida ao icónico espião em 7 filmes: desde o “Dr No” (1962) até “You Only Live Twice”(1967) e depois “Diamonds Are Forever” (1971) e “Never Say Never Again (1983), publico o presente folheto de cinema, do Teatro Nam Van, deste dia, 3 de Novembro de 1996 que no seu verso apresenta o filme “A Fine Madness” que o actor participou em 1966 ( entre dois filmes da série Bond, o 4.º de 1965 e 5.º de 1967)

A Fine Madness” (tradução portuguesa “Malandro Encantador”) é um filme, comédia, americano de 1966 tecnicolorido, baseado numa novela de 1964  de Elliott Baker e dirigido por Irvin Kershner. (boa direcção mas fraco argumento).  Além de Sean Connery participam os actores, Joanne Woodward, Jean Seberg, Patrick O’Neal, e Clive Revill. De interesse o tema musical “ Under my thumb” do grupo “The Who”

Trailers

O folheto apresenta, a começar em 3 de Novembro de 1966, o filme “Upper-Seven, the man to Kill”, em alguns países foi apresentado como “The Spy with Ten Faces” (UK) ou “The Man of a Thousand Masks”(USA). Originalmente o filme de produção Italiana/alemã, é de 1966 com o título “Upperseven, l’uomo da uccidere”, escrito e dirigido por Alberto De Martino. O tema musical é cantado por Paola Orlandi e é dirigido pelo autor, o excelente compositor Bruno Nicolai. O filme pertence aos filmes de baixo orçamento, da fábrica italiana, aproveitando o êxito dos filmes (tipo James Bond) de “agentes secretos e espiões” muito populares na década de 60/70.  Actores: Paul Hubschmid, como Paul Finney, o “super-sete”, Karin Dor, Rosalba Neri, e Vivi Bach.

Trailers:

1) Sir Thomas Sean Connery (25-08-1930 – 31-10-2020) actor (desde o primeiro filme creditado em 1957: “Time in Locke” até o último, em 2003: “The League of Extraordinary Gentlemen”) e produtor escocês. O primeiro actor a dar vida ao célebre agente secreto 007, James Bond em sete filmes. Outros filmes mais conhecidos: “Marnie” (1964), “Murder on the Orient Express” (1974), “The Man Who Would Be King” (1975), “A Bridge Too Far” (1977), “Highlander” (1986), “The Name of the Rose” (1986), “The Untouchables” (1988), “Indiana Jones and the Last Crusade” (1989), “The Hunt for Red October “(1990), “Dragonheart” (1996), “The Rock” (1996) e “Finding Forrester” (2000).

Um bilhete de cinema do Teatro Império, para o dia 15 de Agosto de 1966, 2.ª classe ($1.30), na sessão de 14.30 horas, com o n.º 000762 (11,5 cm x 7,5 cm)  –  filme nesse dia: IS PARIS BURNING?

VERSO DO BILHETE

«Paris Está a Arder?» é um filme franco-norte-americano de 1966, do gênero guerra, ficção histórica,  dirigido por René Clément, argumento de Gore Vidal, Francis Ford Coppola e Larry Collins, baseado no livro de Dominique Lapierre, com um vasto elenco de actores conhecidos (alguns surgindo no écran por segundos) e  entre os principais: Jean-Paul Belmondo, Charles Boyer, Alain Delon e Leslie Caron. Música de Maurice Jarre.

Candidato em 1963 ao “Oscar” para melhor filme.

Alguns trailers disponíveis: https://www.youtube.com/watch?v=X_fTJUGSZ-M&list=PLERYfTPHCPZeqZKQ https://www.youtube.com/watch?v=pYMX12KgiYk https://www.youtube.com/watch?v=-NjZQKgZoIo

Encontrei este papel (19,7 cm vertical x 17.1 cm horizontal) da Mocidade Portuguesa de Macau, de 1965/66, com as posições para sinalização do alfabeto homográfico, utilizado na preparação para a graduação de chefe de quinas (exame prático no átrio do Colégio de S. José.

O alfabeto homográfico, (1) usado inicialmente nas comunicações militares é baseado na movimentação de um par de bandeiras por um sinaleiro seguras com os braços esticados, transmitindo assim códigos de letras e números por bandeiras.

Note-se os 5 sinais inferiores de: sentido, posição normal, atenção (o sinal de erro era comunicado pelo agitar de ambas as bandeiras), entendido e fim de palavra.

(1) Alfabeto homográfico – alfabeto usado em transmissões militares, cujos sinais são obtidos por um semáforo mecânico ou por uma pessoa que empunha duas pequenas bandeiras. https://www.infopedia.pt/dicionarios/linguaportuguesa/homogr%C3%A1fico

A revista «Século Ilustrado», na fase revolucionária depois de Abril de 1974, (1) publicou um artigo intitulado “Por que não fomos expulsos de Macau” de Manuel de Lima, sobre os acontecimentos em dezembro de 1966, durante a revolução cultural chinesa em Macau, o chamado “1-2-3”, relatados pelo entrevistado Dr. Danilo Barreiros. (2)

“Graves acontecimentos foram vividos em Macau nos últimos meses de 1966, época de oiro da «revolução cultural» de Mao Tsé Tung. Apenas o reconhecimento e a confissão de violências por parte do Governo terá evitado a expulsão e o massacre dos portugueses.”

A reconstrução de uma escola pelos habitantes chineses da ilha de Taipa foi obstruída pelas autoridades portuguesas, que enviaram para o local uma força policial, resultando feridos e detidos.

Os documentos fotográficos que se encontram neste artigo, são reproduzidos de uma obra intitulada «Luta contra as Atrocidades Sanguinárias do Imperalismo Portugês em Macau», de Setembro de 1967, publicação do «Aomen Ribao» («Diário de Macau»).

No Palácio do Governo, a detenção de manifestantes
Fora do Palácio do Governo professores e alunos manifestam-se contra a actuação da Polícia portuguesa

(1) «Século Ilustrado», n.º 1897 de 18 de Maio de 1974, pp. 47 a 53. Disponível em: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/OSeculoIlustrado/OSeculoIlustrado_N1897

 (2) “Danilo Barreiros que posteriormente exerceu as funções de delegado da Fazenda nas ilhas da Taipa e Coloane, de professor primário, do chefe de secretaria de Serviços de Saúde e cumulativamente, redactor de um jornal e uma revista “Arquivos de Macau” Foi também membro da Direcção da Delegação de Guerra da Cruz Vermelha, director e professor de uma escola de ensino secundário, particular, chefe e tesoureiro do Rádio Clube de Macau” (1) Leopoldo Danilo Barreiros (1910-1994) advogado e escritor de vários romances e ensaios, chegou a Macau em 1931. Casou em 1935, com Henriqueta, filha de José Vicente Jorge. Colaborou na Revista “Renascimento” (Macau, 1943-45). O seu filho Pedro Barreiros lançou uma biografia do seu pai no centenário do seu nascimento no dia 11 de Outubro de 2010. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leopoldo-danilo-barreiros/ https://jtm.com.mo/local/mundo-de-danilo-barreiros-em-imagens/

Caixa de fósforos de cor vermelha com as letras brancas (5,5 cm x 2,5 cm x 1cm )

VILA UNIVERSAL (1)
CHENG PENG BUILDING MACAU
TEL. 3247

No verso , fundo branco com caracteres chineses de cor verde claro

世界迎 (2)
澳門: 清平大
電話: 三二四七

(1) Havia uma «pensão residencial» com o nome de «Universal», de 32 quartos duplas (não tinha singulares), localizado na Rua da Felicidade n.º 73 (Anuário de Macau, 1966). Será o mesmo mas com o nome de «Vila Universal» registado como hotel de 2 estrelas e com o mesmo endereço: Rua da Felicidade n.º 73 , 1.º andar (Anuário de Macau, 1980)
Hoje ainda funcionante com os 32 quartos e na net traz como morada:
Rua da Felicidade, n.º 73, r/c, Macau; 福隆新街73號2樓
Telefone: +853 2837 7569
https://www.macaotourism.gov.mo/pt/accommodation/vila-universal/?class=0
(1) 世界迎 賓舘 (variante ) – mandarim pīnyīn: shì jiè yíng bīn guǎn; cantonense jyutping: sai3 gaai3 jung4 ban1 gun2
大利迎賓館mandarim pīnyīn: dà lì yíng bīn guǎn; cantonense jyutping: daai6 lei6 jing4 ban1 gun2
https://www.youtube.com/watch?v=pcC1YmJDORk