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Notícia publicada no «Boletim Geral do Ultramar» de 1964 (1)

Uma foto tirada do Quartel da Guia em 09-12-1964, a ponte cais do Porto Exterior e o P/V Macau» (2)

Quando a “Sociedade de Turismo e Diversões de Macau – S.T.D.M.” ganhou a concessão exclusiva de exploração de jogo em Macau nos anos 60 do século XX, assumiu também a gestão da Ponte-cais n°16 para dinamizar o transporte marítimo no Porto Interior principalmente as ligações com Hong Kong. Mas o rápido desenvolvimento do território com a introdução dos “hidroplanadores”e a modernização dos navios até então existentes ( a STDM possuía o “Fat Shan”) exigiu que as ligações marítimas com Hong Kong passassem a ser no Porto Exterior onde se construiu uma Ponte-Cais, precisamente onde havia a rampa de subida dos primeiros hidro-aviões de Macau e sensivelmente na mesma direcção do Hangar Militar.

Anúncio de 1966

O navio P/V «Macau» foi construído em 1931 (inicialmente movido “a carvão”) com o nome de «Princess Margaret» para operar nos portos do Reino Unido. Tinha um peso de 2523 toneladas, 99m de comprimento, velocidade de 20,5 nós e podia transportar cerca de 1250 passageiros. Em 1952 passou a usar “óleo” e foi vendido em 1962 à «Shun Tak Shipping Co. Ltd.», pertencente a Stanley Ho, passando a chamar-se «P/V Macau».
Terá terminado em meados a final dos anos 80s (ainda viajei numa viagem nocturna com partida às 23h00 e chegada a Hong Kong às 6H00, numa “camarata” com camas de beliche, em 1984)
Sobre o transporte marítimo dos anos 60s para Hong Kong, recomendo a leitura dos artigos escritos pelo meu colega do liceu, Jorge Bastos: “Os antigos «ferries» Macau-Hong Kong, dos anos 60s”, disponível em:
https://cronicasmacaenses.com/2013/04/03/os-antigos-ferries-macau-hong-kong-dos-anos-60s-por-jorge-basto/
(1) «BGU»  – XL 473/474, 1964.
(2) Repetição duma fotografia do meu álbum, já publicada em anterior postagem:
https//nenotavaiconta.wordpress.com/2014/12/09/noticia-de-9-de-dezembro-de-1964-fotos-do-porto-exterior/

Artigo do jornal “Diário da Manhã”, 1966 –  “40 anos na vida de uma nação”
Paulo José Tavares – 维理mandarim pinyin: Dai Weili; (1920-1973) ordenado padre a 24 de Abril de 1943, com uma longa carreira diplomática na Secretaria de Estado da Santa Sé de 1947 a 1961, foi nomeado Bispo de Macau, a 24 de Agosto de 1961, Distúrbiospelo Papa João XXIII, tendo chegado e tomado posse no dia 27 Novembro de 1961 (e não, em 1964 como é noticiado no jornal). Tomou parte em todas as sessões do Concílio Vaticano II, de 1962 – 1965. Durante o seu governo, registou-se um desenvolvimento espectacular na área da assistência social aos necessitados e da educação da juventude dirigida pela Diocese de Macau. Durante o seu bispado (até 1973), houve a remodelação das paróquias da cidade de Macau com nova divisão territorial, a construção da igreja paroquial de Nossa Senhora de Fátima e a da missão de Nossa Senhora das Dores em Ká Hó e a ampliação de 20 estabelecimentos assistenciais e educacionais. Criou o Conselho as Escolas Católicas em 6 de Março na sequência dos distúrbios de «1,2,3) para defender a liberdade do ensino nas escolas católicas, mas não conseguiu manter o Seminário de S. José que fechou no Verão de 1967. Nomeou o primeiro padre chinês para Vigário Geral, António André Ngan Im Ieoc. Faleceu em Lisboa a 12 de Junho de 1973. Os seus restos mortais foram sepultados na terra natal, Açores.

Do panfleto turístico “Macau, Garden City ity of the Orient” (1) , retirei estes três anúncios de 1966 referentes aos hotéis mais modernos (na altura), com os comentários do autor do guia.


HOTEL MATSUYA – Brand spanking new, 1965. Terrace and rooms overlook the Outer Harbour and Pearl River”
HOTEL ESTORIL -Another 1965 model . Night club up-stairs, casino down. Take the lift (of course)”
HOTEL CARAVELA – 1965 model. Superb Outlook. Garden lounge. Picturesque
Anteriores referências a estes hotéis em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-matsuya/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-estoril/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-caravela/
(1)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/07/24/guia-turistico-macau-garden-city-of-the-orient-1966/

Like a Millionaire´s Yacht! Hong Kong – Macau Line
M. V. TAI LOY
Confortable, air- conditioned ferry providing excelente service
Departs: Hong Kong 2.30 p.m. daily          Macau 2.30 a.m. daily

ROCK´ n’  ROLL?
NOT on this ship *!
The smoothest , quietest*, fastest and largest ferry to Macau – 
S.S.MACAU
De-luxe aircraft-type seats,
     Spacious lounges,
          Bar service,
              Dining Room,
                   Private cabins
* except Music in the Coffee lounge

SS TAKSHING
Regular Sailings from Hong Kong to Macao.
Air.conditioned Saloon, De Luxe Cabins.
ExcellentFood, Drinks, Service and Atmosphere.
Take your time and relax aboard Takshing
Ver referências anteriores sobre estes navios:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/transportes-maritimos/

A atriz francesa Jeanne Moreau, (1) faleceu no dia 31 de Julho de 2017. Actriz em mais de 130 filmes, muitos deles inesquecíveis: “Ascenseur pour l’Échafaud” (1958) e “Les Amants” (1958) de Louis Malle; “Les quatre cents coups” (1959) e “Jules et Jim” (1962) de François Truffaut); “Eva” (1962) de Joseph Losey; “Le journal d’une femme de chambre” (1964) de Luis Buñuel;  “Faltaff – Chimes at Midnight “ (1965) de Orson Welles; “Querelle” (1982) de R. W. Fassbinder; entre muitos outros.
Recordo-a na participação do filme com referências a Macau (embora não filmado em Macau) de Orson Welles de 1968, “História Imortal” (” The Immortal Story”) (2)
Embora não seja uma das suas melhores interpretações, recordo-a aqui com o folheto de cinema do Teatro Nam Van, um dos seus filmes de 1965, “Viva Maria”, uma comédia de produção norte americana, filmado na quase totalidade no México, ao lado de Brigitte Bardot e George Hamilton, e dirigido por Louis Malle. (3)
O filme estreou-se neste Teatro “a começar em 1 de Julho de 1966” (espectáculo para maiores de 17 anos).

Brigitte Bardot e Jeanne Moreau, duas actrizes mais populares do cinema francês numa cena de “Viva Maria”, uma paródia numa revolução mexicana.

Verso do folheto publicitando o próximo filme

(1) Jeanne Moreau (1928-2017)
O seu penúltimo trabalho no cinema foi com Manoel de Oliveira, no papel de Candidinha em “O Gebo e a Sombra” (2012).
(2) “The Immortal Story“, filme (média metragem- 58 minutos) francês (Une histoire immortelle) de 1968, dirigido por Orson Welles (o mais curto filem dirigido por Welles) feito originalmente para a televisão francesa, a partir de um conto da escritora dinamarquesa Isak Dinesen (Karen Blixen), com argumento do próprio Orson Welles e de Louise de Vilmorin, posteriormente distribuído em cinemas. Welles interpreta o misterioso e rico comerciante Charles Clay, que no final da sua vida, na colónia portuguesa de Macau no século XIX, (no conto da autora Isak Dinesen, localizava o rico comerciante em Cantão) decide tornar realidade uma lenda de marinheiros, um homem que paga cinco guinéus a um marinheiro para passar uma noite com a sua jovem esposa para lhe dar um herdeiro. Assim Charles Clay que não tem herdeiros para a sua fortuna, com a ajuda do seu único funcionário/escriturário, o polaco imigrante chamado Levinsky procura no cais um marinheiro que aceite uma generosa oferta para passar a noite, com Virginie (Jeanne Moreau), amante doutro colega escriturário (um acordo de 300 moedas) para concretizar a lenda.

Cena do filme “The Immortal Story”

Ver anterior referência em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/05/leitura-macau-cinemateca-portuguesa/
(3) Jeanne Moreau ganhou o prémio  BAFTA de melhor actriz estrangeira, na categoria comédia, por este filme.
Trailers do filme “Viva Maria
https://www.youtube.com/watch?v=QNSSu3vLEas
https://www.youtube.com/watch?v=vZJl2y5ilDk
https://www.dailymotion.com/video/xywp5g

Extraído de BGU, XL, 471/472, 1964.
NOTA: AlexanderMessing-Miezejewski, foi posteriormente, Director da Divisão de Drogas e  Narcóticos e depois, “chief of the representation and liaison unit of the Office for Inter-Agency Affairs and Co-Ordination of the UN”, entre 1969 -1977.
Da leitura do livro “ O Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa em Macau“ (1) do Major Sigismundo Revés, comandante da Polícia de Segurança Pública de Macau e do médico neuropsiquiatra dos Serviços de Saúde e Higiene que trabalhou em Macau de 1957 a 1966, Dr. Alberto Cotta Guerra, recolho as seguintes informações.

A assistência aos toxicómanos em Macau foi oficialmente iniciada em Dezembro de 1946 após publicação da Portaria n.º 4075, deste mês e ano do Encarregado do Governo Samuel da Conceição Vieira.
Até essa data, os doentes eram tratados nos hospitais da cidade – em maior número no Hospital do Governo – sempre que voluntariamente procuravam os serviços médicos ou que, em regime prisional, a iniciativa da assistência dispensada partia das autoridades.
Com a regulamentação estabelecida pela citada portaria, visando já um programa de saneamento social, foram criados dois Centros de Tratamento para Toxicómanos: um no Hospital Conde S. Januário (Hospital do Governo) e outro na Cadeia Pública.

A entrada para o Centro de Recuperação Social.

No primeiro eram assistidos os voluntários e no segundo os doentes cumprindo penas por delitos vários.
Neste regime – entre Janeiro de 1947 e Dezembro de 1960, foram tratados em Macau 6075 toxicómanos, sendo 2326 no Hospital do Governo e 3749 na Cadeia Pública.
A Portaria n.º 4075 foi revogada pela Portaria n.º 6594 de 19 de Novembro de 1960, por S. Ex.ª o Governador de Macau, tenente- coronel do C. E.M. Jaime Silvério Marques, que , por despacho de 17 de Janeiro de 1961, criou uma Comissão destinada a estudar e propor todos os meios de acção necessários à luta  contra o uso ilícito de estupefacientes, tratamento de doentes e sua recuperação social.
Esta Comissão mais tarde deu lugar à criação dum organismo, que foi designado por Centro de Combate à Toxicomania, pelo Despacho n.º 19/61, de 28 de Agosto de 1961, publicado no Boletim Oficial de Macau, n.º 36, de 9 de Setembro de 1961.
Neste despacho faz referência (n.º 2, alínea c, n.º 2: Orientar a acção do Centro de Recuperação Social no combate à toxicomania) ao Centro de Recuperação Social, que substitui o Abrigo de Mendigos e Vadios (2) existente na ilha da Taipa, que fora criado pela Portaria n.º 5529, de 20 de Fevereiro de 1954.

O edifício onde estava instalado o Centro de Recuperação, na Ilha da Taipa.

(1) REVÉS, Major Sigismundo; GUERRA, Dr. Alberto Cotta – O Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa em Macau, Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1962, 45 p., 22.5 cm x 16 cm.
(2) A criação de um centro de apoio e abrigo de vadios e mendigos, a título experimental, na Ilha da Taipa foi em 08 de Setembro de 1951 (Boletim Oficial n.º36, Portaria n.º 4:998)
A Portaria n.º 5529, de 20 de Fevereiro de 1954, cria o Abrigo de Mendigos e Vadios, com sede na Ilha da Taipa, destinado a albergar todos os indivíduos maiores de 16 anos, sem meios de subsistências, que não tenham modo de vida ou residência na província e se entreguem à prática de mendicidade ou à vadiagem nas vias e lugares públicos.
Este este mesmo «Abrigo de Mendigos e Vadios» passa a ser, em 20 de Maio de 1961, o «Centro de Recuperação Social» (1) sob a responsabilidade do Corpo de Policia de Segurança Pública de Macau (Boletim Oficial n.º 20).
Ver anteriores referências ao Centro
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-recuperacao-social-da-taipa/

«Macau Garden City of the Orient», Vol 1, n.º 2 publicado em 1966, por «F. Rodrigues (Sucessores) Lda» e «Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, SARL» e escrito por Geoffrey Powell. (1) Dimensões: 19 cm x 11,5 cm

Capa: dança do leão em frente do antigo Liceu Nacional Infante D. Henrique
Contracapa: publicidade da marca de tabaco: “Rothmans King Size

Introdução dos editores, “H. Rodrigues” e “The Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, S.A.R.L.”

“We Are Proud of Macau !”

(1) Geoffrey Bruce St. Aubyn Powell, (1918-1989) fotógrafo, jornalista, realizador, documentarista e radialista australiano, veio pela primeira vez a Macau num trabalho para a Televisão ABC (Filipinas, Hong Kong e Macau) em 1960 e em 1962 deixou a Austrália para se instalar em Macau. Em 1963 trabalhou na Radio Hong Kong mas devido à sua pronúncia marcadamente australiana, o programa foi cancelado. Procurou então montar em 1962 uma estação de rádio em Macau, sem sucesso. Manteve colaboração com material televisivo para a ABC (Austrália). Em 1964, abriu uma empresa de turismo trabalhando para o Governo de Macau, na promoção do Grande Prémio de Macau.
Geoffrey Powell e Marya Glyn-Danie (2) encontravam-se em Macau, em 1966, trabalhando para o Centro de Informação e Turismo e estiveram incumbidos de organizar a campanha de publicidade do XIII Prémio de Macau, que teve lugar entre os dias 19 e 20 de Novembro de 1966. (3)
Geoffrey Powell casou em Macau em 1970. Em 1971 alargou  o seu negócio de promoção turística para outros países do sudeste asiático e fixou residência em Bankok (Tailândia) Durante todos esses anos manteve sempre a sua paixão pela fotografia, deixando um acerco fotográfico considerável (embora muito se perdeu)
http://www.photo-web.com.au/powell/doc/biography-1.pdf
(2) Marya Glyn-Daniel credenciada como auxiliar do operador de cinema, viveu o último semestre de 1966 em Macau (desde 11 de Agosto de 1966). Por isso presenciou os acontecimentos de «1.2.3». Fez a cobertura televisiva da conferência de imprensa do tenente-coronel Galvão de Figueiredo de 24 de Novembro de 1966. O então comandante da PSP de Macau atribuiu a ocorrência do incidente da ilha da Taipa do dia 15 de Novembro aos chineses e classificou-o como «um motim premeditado». Mas, enquanto a imprensa portuguesa de Macau, não noticiou a ocorrência de qualquer agitação durante a conferência, Marya defende que esta acabou apressadamente no meio de uma grande confusão quando o tenente-coronel Galvão de Figueiredo foi interpelado pela imprensa chinesa. Por outro lado, ela realizou também a cobertura televisiva da cerimónia de chegada a Macau do governador Nobre de Carvalho em 25 de Novembro. Marya Glyn-Daniel partiu de Macau no dia 6 de Dezembro, isto é, dois dias após os distúrbios dos dias 3 e 4 de Dezembro. (3)
Das suas memórias da estadia de Macau publicou 0 livro “The Macau Grand Prix and My Part in the Cultural Revolution in China”. Edição de Charnwood, Ginninderra Press, 1999, 232 páginas.

Provas do Grande Prémio de Macau (1966)

Outros livros publicados:
Gulf Country : a play in one act “ – drama. Publicado por Charnwood, Ginninderra, 2000.
Floating in Foyers Coralie Wood Lashes Out” – biografia. Publicado por Ginninderra Press, Australia (2006)
Hong Kong Lover.” – romance. Publicado por “Trafford Publishing” (2007)
The ball’s up: a play in one act”” – drama produzido em 2001. Publicado por Ginninderra Press 2007.
Colaborou como “location manager” do filme australiano “A Garden of Exotic Plants”(2014), dirigido por Ian Hart.
http://www.imdb.com/name/nm7027862/
(3) FERNANDES, Moisés Silva – análise do livro de Marya Glyn-Daniel “The Macau Grand Prix and My Part in the Cultural Revolution in China” em
http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223992811Y2cMV9qk8Jx83ZM7.