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Recordando o 1.º Grande Prémio de Macau (1) com imagens publicadas no «Boletim Geral do Ultramar»

O governador almirante Marques Esparteiro, acompanhado por um dos organizadores do Grande Prémio (Carlos Humberto da Silva ?) cumprimenta Eduardo de Carvalho, vencedor do «Grande Prémio» (2)

Ganhou brilhantemente o Grande Prémio, no qual se classificou vencedor absoluto, o hábil volante português Eduardo de Carvalho, que conduziu na prova um «Triumph TR2», de 1991 cm3-

O vencedor do «I Grande Prémio» Eduardo de Carvalho, no seu «Triumph TR2», de 1991 cm3 (3)

A esposa do governador, D. Laurinda Marques Esparteiro, entregando a taça ganha na sua classe pela chinesa Miss Wen (4)

(1) Ver anterior referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/30/primeiro-grande-premio-de-macau-1954/
(2) «BGU»  XXXI – 356, Fevereiro 1955.
(3) Esta foto foi publicado «BGU» XXXII – 367 Janeiro 1956, com uma legenda (errada), referindo-se ao «II Grande Prémio) realizado em 5 e 6 de Novembro  de 1955 “vencedor do «Grande Prémio» Eduardo de Carvalho”.
(4) Após uma pesquisa sumária, não tenho informações  que tenha havido no programa do «I Grande Prémio» uma prova de senhoras. No «II Grande Prémio de Macau» de 1955,  a Prova de Senhoras efectuou-se no dia 5 de Novembro , constando de 5 voltas ao circuito em que participaram somente dois carros. A prova foi “ganha” por Jean Lam, em 24 m. 46,7s. num «Jaguar XK 120»
Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/05/noticia-de-5-de-novembro-de-1955-ii-grande-premio-de-macau/

Extraído de BGU, XL, 471/472, 1964.
NOTA: AlexanderMessing-Miezejewski, foi posteriormente, Director da Divisão de Drogas e  Narcóticos e depois, “chief of the representation and liaison unit of the Office for Inter-Agency Affairs and Co-Ordination of the UN”, entre 1969 -1977.
Da leitura do livro “ O Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa em Macau“ (1) do Major Sigismundo Revés, comandante da Polícia de Segurança Pública de Macau e do médico neuropsiquiatra dos Serviços de Saúde e Higiene que trabalhou em Macau de 1957 a 1966, Dr. Alberto Cotta Guerra, recolho as seguintes informações.

A assistência aos toxicómanos em Macau foi oficialmente iniciada em Dezembro de 1946 após publicação da Portaria n.º 4075, deste mês e ano do Encarregado do Governo Samuel da Conceição Vieira.
Até essa data, os doentes eram tratados nos hospitais da cidade – em maior número no Hospital do Governo – sempre que voluntariamente procuravam os serviços médicos ou que, em regime prisional, a iniciativa da assistência dispensada partia das autoridades.
Com a regulamentação estabelecida pela citada portaria, visando já um programa de saneamento social, foram criados dois Centros de Tratamento para Toxicómanos: um no Hospital Conde S. Januário (Hospital do Governo) e outro na Cadeia Pública.

A entrada para o Centro de Recuperação Social.

No primeiro eram assistidos os voluntários e no segundo os doentes cumprindo penas por delitos vários.
Neste regime – entre Janeiro de 1947 e Dezembro de 1960, foram tratados em Macau 6075 toxicómanos, sendo 2326 no Hospital do Governo e 3749 na Cadeia Pública.
A Portaria n.º 4075 foi revogada pela Portaria n.º 6594 de 19 de Novembro de 1960, por S. Ex.ª o Governador de Macau, tenente- coronel do C. E.M. Jaime Silvério Marques, que , por despacho de 17 de Janeiro de 1961, criou uma Comissão destinada a estudar e propor todos os meios de acção necessários à luta  contra o uso ilícito de estupefacientes, tratamento de doentes e sua recuperação social.
Esta Comissão mais tarde deu lugar à criação dum organismo, que foi designado por Centro de Combate à Toxicomania, pelo Despacho n.º 19/61, de 28 de Agosto de 1961, publicado no Boletim Oficial de Macau, n.º 36, de 9 de Setembro de 1961.
Neste despacho faz referência (n.º 2, alínea c, n.º 2: Orientar a acção do Centro de Recuperação Social no combate à toxicomania) ao Centro de Recuperação Social, que substitui o Abrigo de Mendigos e Vadios (2) existente na ilha da Taipa, que fora criado pela Portaria n.º 5529, de 20 de Fevereiro de 1954.

O edifício onde estava instalado o Centro de Recuperação, na Ilha da Taipa.

(1) REVÉS, Major Sigismundo; GUERRA, Dr. Alberto Cotta – O Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa em Macau, Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1962, 45 p., 22.5 cm x 16 cm.
(2) A criação de um centro de apoio e abrigo de vadios e mendigos, a título experimental, na Ilha da Taipa foi em 08 de Setembro de 1951 (Boletim Oficial n.º36, Portaria n.º 4:998)
A Portaria n.º 5529, de 20 de Fevereiro de 1954, cria o Abrigo de Mendigos e Vadios, com sede na Ilha da Taipa, destinado a albergar todos os indivíduos maiores de 16 anos, sem meios de subsistências, que não tenham modo de vida ou residência na província e se entreguem à prática de mendicidade ou à vadiagem nas vias e lugares públicos.
Este este mesmo «Abrigo de Mendigos e Vadios» passa a ser, em 20 de Maio de 1961, o «Centro de Recuperação Social» (1) sob a responsabilidade do Corpo de Policia de Segurança Pública de Macau (Boletim Oficial n.º 20).
Ver anteriores referências ao Centro
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-recuperacao-social-da-taipa/

Celebrou-se, no dia 18 de Julho de 1954, na Ilha da Taipa a costumada festa religiosa em honra de Nossa Senhora do Carmo, orago da Igreja da Vila da Taipa. O Sr. Bispo da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz, à chegada da Taipa foi recebido pelo Administrador das Ilhas, Sr. Alberto Eduardo da Silva, (1) e pelo pároco Revd.º Cónego António Ngan Im-Ieoc.

“Santinho” da Nossa Senhora do Carmo , 10,5 cm x 6cm (2016) (2)

Rezou-se a missa na Igreja de N.ª Sra. do Carmo durante a qual os alunos do Seminário entoaram várias canções religiosas.
Finda a missa, Sua Exa Ver.ª dirigiu uma alocação aos fiéis que foi traduzido para chinês pelo pároco António Ngan. Seguidamente o Bispo concedeu o Sacramento do  Crisma a 45 adultos.
Iniciou-se depois a procissão com o SSmo Sacramento, em que tomaram parte os alunos da Escola «D. João Paulino», os católicos do «Campo de Mendigos», (3) o Seminário e numerosos fieis.
Estavam presentes a todas as cerimónias o administrador do concelho Sr. Alberto Eduardo Da Silva em representação do Sr. Governador, sua esposa, o Capitão Carlos Oliveira e esposa e o Capitão Pedro de Barcelos e esposa.
A assinalar o fim da festa queimou-se uma comprida fita de panchões.(4)

Verso dos Santinhos com a Oração a Nossa Senhora do Carmo individualizados, em português e chinês (2016)

O terreno em que se projecta a Igreja fica num monte sobranceiro à povoação e próximo dela, para o qual se sobe por uma calçada denominada do Carmo, motivo porque tem a invocação de Nossa Senhora do Monte do Carmo.
A egreja tem 29 metros de comprimento, e a sua largura é a nave de 9 metros, e na cappela-mór de 6 e tem uma só torre, correspondendo ao centro da fachada, e cuja base serve de guarda vento. O côro tem três arcadas para o interior da egreja, disfarçando assim a torre. Do côro parte para cada lado uma galeria que circunda a nave da egreja até quasi ao arco da capella-mór. A direita do corpo da egreja fica a capella de S. João Baptista e a sacristia, e à esquerda a escola e a residência parochial.
Alem do altar-mór, que é destinado para exposição do Santíssimo Sacramento, há dois altares laterais fronteiros, um dos quaes é a invocação de S. Francisco Xavier, quem tantos serviços prestou na China em prol do christianismo.
As dimensões do edifício devem satisfazer plenamente às necessidades futuras do culto catholico, e da instrução elementar na ilha da Taipa. As obras foram orçadas em 10 800 patacas , o que corresponde a 9 189$00 réis fortes, mas é provável que custem alguma cousa mais, pelas mesmas razões que tem retardado a construção da egreja. Aos cuidados do incançável actual director das obras publicas o sr. Constantino de Brito, se deve mais este importante edifício.” (5)
(1) Alberto Eduardo da Silva, foi Administrador das Ilhas, de 15 de Janeiro de 1949 a 20 de Agosto de 1950, e de 3 de Novembro de 1953 a 16 de Dezembro de 1957.
(2) SANTINHO – Estampa religiosa com impressão de uma imagem e de uma oração.
(3) 20-02-1954 – Portaria n.º 4:998, de 8 de Setembro de 1951, que criou o Abrigo de Mendigos e Vadios, com sede na Ilha da Taipa, destinado a albergar todos os indivíduos maiores de 16 anos, sem meios de subsistências, que não tenham modo de vida ou residência na província e se entreguem à prática de mendicidade ou à vadiagem nas vias e lugares públicos. (MBI, I-14, 1954)
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998 ; MBI I-24, 1954.
(5) José dos Santos Vaquinhas, major comandante de guarda de polícia de Macau, publicado em “Colónias Portuguesas”, Ano II, n.º 9, Lisboa, 6-09-1884, pág. 222. José dos Santos Vaquinhas, foi Comandante do posto militar da Taipa e Coloane de 04-06-1874 a 30-06-1874
Anteriores referências a esta igreja
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-n-sra-do-carmotaipa/

No verso do panfleto de cinema que publiquei em 14 de Julho de 2014 (1), publicitava o filme “A História de Glenn Miller (The Glenn Miller Story)”,  “A começar em 16 de Julho de 1954”
Inexplicavelmente o filme só ficou um dia no cartaz pois a 17 de Julho de 1954, no mesmo Teatro, já estreava o filme “Missão Perigosa (Dangerous Mission)”, anunciado como “surpreendente filme tecnicolorido” com o actor Victor Mature.
Filme musical de 1954 da «Universal International Pictures» do género drama biográfico dirigido por Anthony Mann, baseado num bom argumento de Valentine Davies e Oscar Brodney e duas boas interpretações dos actores, James Stewart e June Allyson, não falando das músicas de Glenn Miller (incluindo o inolvidável “Moonlight Serenade”)
Biografia cinematográfica do músico e compositor Glenn Miller (desde o início da sua carreira, até à morte, morto na II Guerra Mundial).
Participações especiais de Louis Armstrong, Ben Pollack (baterista que pertenceu à orquestra de Glenn Miller) e Gene Krupa (baterista e líder do “Gene Kupa Group”;  actuou também com Glenn Miller e Benny Goodman) (2) (3)
“Trailers” do filme:
https://www.youtube.com/watch?v=Tn-WKsv_oDM
https://www.youtube.com/watch?v=u09fYcbn2xU
https://www.youtube.com/watch?v=Brkv5YVXbKI
https://archive.org/details/TheGlennMillerStory1954 
Nos “Oscar” de 1955, foi o vencedor na categoria de melhor som. Indicado também para as categorias de melhor trilha sonora de filme musical (Joseph Gershenson e Henry Mancini) e melhor argumento original.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/07/14/noticia-de-14-de-julho
(2) https://en.wikipedia.org/wiki/The_Glenn_Miller_Story
(3) http://www.imdb.com/title/tt0047030/

Jorge Álvares morre nos braços do seu grande amigo Duarte Coelho, na tarde do dia 8 de Julho de 1521: « … e foi enterrado ao pé de hum padrão de pedra com as Armas deste Reyno, que elle mesmo Jorge Àlvares alli puzera hum ano ante que Rafael Perestrello fosse aquellas partes no qual ano que ali esteve, ele tinha enterrado hum seu filho que lhe faleceo…» (1)
« … Estando os nossos no qual trabalho em perigo, em vinte e sete de Junho de quinhentos e vinte e um, chegou Duarte Coelho em um junco seu aperecebido, e com êle outro dos moradores de Malaca. O qual, tanto que soube dos nossos o estado da terra, e como o Itau, que era Capitão-mor do Mar, os cometera já por vezes, quisera-se logo tornar a sair; mas, vendo que os nossos não estavão apercebidos pera isso, po-los ajudar a salvar, ficou com êles. E principalmente por amor de Jorge Álvares, que era grande seu amigo, o qual estava tam enfêrmo, que da chegada dêle, Duarte Coelho, a onze dias, faleceu e foi enterrado ao pé de um padrão de pedra com as armas dêste reino, que êle mesmo Jorge Álvares ali pusera um ano ante que Rafael Perestelo fêsse àquelas partes; no qual ano que ali esteve, êle tinha enterrado um seu filho que lhe faleceu…» (2)
Numa postagem anterior sobre Jorge Álvares (3) sublinhei o seguinte:
Por falar em Jorge Álvares, consta-se que foi Sarmento Rodrigues, nessa viagem a Macau, em 1952, quem mandou erguer uma estátua a Jorge Álvares. Coincidência ou não… eram ambos de Freixo de Espada à Cinta.
Ora este Jorge Álvares embora venha mencionado em muitos trabalhos como natural de Freixo de Espada à Cinta, não há documento que comprove tal facto.
Artur Basílio de Sá, autor do livro “Jorge Álvares”, (2) retrata não o Jorge Álvares (cuja naturalidade não se conhece) escrivão, por mercê do capitão de Malaca e modesto armador de um junco, primeiro europeu a aportar a China por via marítima em 1513 mas outro Jorge Álvares, este sim, natural de Freixo de Espada à Cinta, abastado mercador e capitão de um navio, homem do mar, navegador por vocação, primeiro cronista do Japão, grande amigo do padre Mestre Francisco Xavier, a quem tanto procurou auxiliar nos seus trabalhos apostólicos, pondo ao serviço do santo o seu navio, o seu saber e a sua fé de zeloso e instruído cristão.
Assim mesmo na Introdução, o mesmo autor escreve:
“Com sobejos motivos e fundamentos se interessou pois, o Sr. Comandante Sarmento Rodrigues quando ainda Ministro do Ultramar, por uma justa consagração daquele seu conterrâneo na sua vila natal. E para que naquela terra transmontana se pudesse erguer um condigno monumento ao insigne navegador dos ares do Oriente e primeiro cronista do Japão, teve intervenção decisiva e generosa o Sr. Governador de Macau, contra-almirante Joaquim Marques Esparteiro, concedendo para esse efeito um subsídio, retirado da verba destinada ao levantamento em Macau da estátua do outro Jorge Álvares, o primeiro navegador ocidental que foi à China e cuja naturalidade ainda se não conhece.”
Cita o mesmo autor: “ … no período situado entre 1511 e 1550, o nome de Jorge Álvares aparece-nos a designar alguém que desempenha ofícios vários em datas diferentes:
– Em 1511, o escrivão da nau «S. João Rumessa» chamava-se Jorge Álvares
-Em 1514, o primeiro português qua vai à China como feitor da fazenda de el-rei embarcada no junco do bendara de Malaca, chamava-se Jorge Álvares.
-Em 1518, o homem de armas que sabia a língua malaia e traduziu três cartas dos reis das Moluscas tinha igualmente o nome de Jorge Álvares.
– Finalmente, em 1548, um dos grandes amigos do Padre Mestre Francisco chama-se também Jorge Álvares., que Fernão Mendes Pinto diz ser natural de Freixo de Espada à Cinta.”
A estátua que está em Freixo de Espada à Cinta (foto anterior) é deste navegante (e não o da China) embora a escultura dele seja de Euclides da Silva Vaz (1916), o mesmo escultor que fez a estátua do Jorge Álvares colocada em  Macau (foto seguinte).

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_%C3%81lvares

A estátua foi colocada frente ao edifício das Repartições, na então zona de aterro da baía da Praia Grande, a 16 de Setembro de 1954 (data do descerramento)
(1) BARROS, João de – Da Ásia (edição de 1777), Década III, Liv VI, Cap. II in KEIL, Luís – Jorge Álvares O Primeiro Português que foi à China (1513). Instituto Cultural de Macau, 1990.
(2) SÁ, Artur Basílio de – Jorge Álvares, Quadros da sua biografia no Oriente. Agência Geral do Ultramar, 1956, 143 p.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/01/07/noticia-de-7-de-janeiro-de-1514-leitura-jorge-alvares-o-primeiro-portugues-que-foi-a-china-1513/
Anteriores referências a Jorge Álvares
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/

Certificado de vacinação dos Serviços de Saúde de Macau, com o n.º 320802

Vacinação Anticolérica no dia 03/06/1954. Nessa época a vacinação anticolérica era obrigatória nos anos em que a cólera era frequente, principalmente nos meses de maior calor e a vacina era válida para três meses. Ainda me lembro já na década de 60 (século XX) a vacinação na via pública – a polícia “fechava” uma vida pública e todos aqueles que não estavam vacinados ou não apresentavam o Certificado de Vacinação válido, eram logo aí vacinados por uma equipa de enfermeiros dos serviços de saúde.
Muito obrigado à minha amiga Leonor que me cedeu uma digitalização deste certificado.

Aspecto da procissão de S. João (1)
O andor de S. João entrando na Sé Catedral

Todos os anos, em cumprimento da promessa de proclamar S. João Baptista como Patrono de Macau, o dia de 24 de Junho, dia de S. João Baptista era condignamente festejado, com cerimónias religiosas. Assim foi, também no dia 23 de Junho de 1954. Pelas 18.00 horas, Iniciaram-se na Sé Catedral as festividades religiosas em honra de S. João Baptista, Padroeiro da cidade.
O Administrador Apostólico de Diocese presidiu às cerimónias que constaram de Vésperas solenes e de sermão proferido pelo Chantre Morais Sarmento, aludindo ao significado histórico e religioso da data. Foi também lembrada a vitória que os portugueses alcançaram sobre os holandeses nesse inolvidável dia 24 de Junho de 1622.
A procissão saiu cerca das 19.00 horas percorrendo o itinerário do costume. Os rapazes do Orfanato de Imaculada Conceição e do Colégio D. Bosco abriram alas à frente destacando-se os guiões e estandartes dos Padres Salesianos.
O andor do santo Padroeiro completa e artisticamente enfeitado com flores naturais, era conduzido pelos fiscais municipais, ladeado por uma deputação de bombeiros municipais, vendo-se à frente algumas crianças vestidas de anjos. Seguia após o elemento eclesiástico, onde se viam os alunos do Seminário de S. José, membro do clero secular e regular e o Cabido Diocesano. O Prelado da Diocese levava, sob o pálio, o Santo Lenho seguindo atrás as entidades oficiais. Um grande acompanhamento de fiéis fechava o cortejo sendo de notar, a par da grande multidão de civis, uma larga representação  elemento militar.  Banda dos Salesianos tocou durante o percurso.
No dia 24, às 10.30 horas foi celebrada Missa Solene na Sé Catedral com a presença da Vereação Municipal e de entidades civis e militares.
Na noite do mesmo dia, em continuação dos festejos em honra dos Santos Populares, promovidos pelo Leal Senado e patrocinados pela Esposa do Governador, D. Laurinda Marques Esparteiro, houve arraial à portuguesa no amplo terraço do mercado de S. Domingos. A festa dessa noite, como nos anteriores iniciadas pelo Santo António e as dedicadas depois a S. Pedro teve carácter beneficente, sendo as receitas inteiramente destinadas às obras de assistência.
Além da música de «pick up», o recinto foi abrilhantado por música de «jazz», pelos Grupos «Esperança» e «Negro-Rubro», música instrumental pela banda da Polícia e por fados, guitarradas e canções portuguesas em que alguns elementos dos soldados expedicionários se revelaram amadores competentes. (2)
(1) Foto de BGU XXX- 35, 1954.
2) Reportagem e fotos (infelizmente mal impressas) retirados de «MACAU B. I.» I-22, 1954.