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Neste dia de 2 de Maio de 1954, (1) o periódico «O Clarim» festejava o seu sétimo aniversário. José dos Santos Ferreira (2) que colaborava no jornal, apresentou um poéma, «“CLARIM” FICHÁ ANO», publicado no jornal desse dia. (3).

VOCABULÁRIO DE ALGUNS TERMOS DO POÉMA: (3)

Boboriça – tolices; coisas próprias de bobos.

Bulí – mexer; meter-se; provocar.

Cholido – intrometido; diz-se da pessoa que costuma meter-se com os outros.

Diabo-cacinha – maldoso; provocador.

Dios – Deus.

Fólia – folha; significa também jornal.

Guelá – gritar; desatar aos gritos (provém de «goela»).

Mordecim – enfado; incómodo.

Ôlo – olho; olhos.

Parabiça – tolice; disparate; coisa sem nexo.

Quiança – criança. Quiança-quiança: crianças.

Rósca – pão.

Sapéca – moeda ínfima de cobre, usada, noutros tempos, na China. Significa também, no dialecto macaense, dinheiro.

Sium – senhor; patrão.

Tudúm – chapéu chinês, de aba muito larga, feito de verga com borda de rota. O tudúm tanto serve para resguardar do sol como da chuva.

(1) “2-05-1948 – Início do periódico O Clarim administrado pela Diocese de Macau. Semanal de 1948 a 1952.bissemanal de 1952 a 1983, semanal de novo a partir de 1983(e em curso em 1997). Teve como suplemento O Clarim, revista mensal. Foi interrompido entre Junho de 1955 e Janeiro de 1956 (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 287)

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-dos-santos-ferreira/

(3) FERREIRA, José dos Santos – Macau Sã Assi, 1967, pp. 57-58

Hoje, 21 de Março, é “Dia Mundial da Poesia”. Nunca é demais aproveitando a data da sua publicação, divulgar mais um “poéma maquista” do saudoso Adé dos Santos Ferreira.

Poesia de José dos Santos Ferreira, publicada no semanário «O Clarim» de 21 de Março de 1954. Posteriormente inserida no livro «Macau sã assim», do mesmo autor, de 1967, pp. 55-56.

NOTA I: este “poéma” é dedicado ao “Ministro”, alcunha carinhoso como era tratado o o empresário macaense, Alberto Dias Ferreira que viria mais tarde a fundar um grande grupo empresarial “Aldifera Grupo Empresarial“, com ligações aos meios, comercial (“Agência Comercial Aldifera“), industrial (“Aldifera Têxteis, Limitada“, uma unidade inovadora, na altura, pela tecnologia moderna aplicada) e financeiro (“Aldifera, Casa de Câmbios, Limtada”). Membro de muitas associações de carácter cívico e desportivo (creio que está ligado ao início -1953 – e depois foi seu presidente, da Associação de Futebol em Miniatura de Macau, vulgo bolinha). Foi deputado à Assembleia Legislativa, curador da Fundação Macau e nomeado Comendador. Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alberto-dias-ferreira/

NOTA II: A data do «Dia Mundial da Poesia» foi criada na 30ª Conferência Geral da UNESCO em 16 de Novembro de 1999.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/11/29/noticia-de-29-de-novembro-de-1953-xavier-cugat-em-macau/ (2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/10/noticias-de-janeiro-de-1954-espectaculos-de-variedades/

Extraído de «O Independente», Vol. I – n.º 15 de 11 de Dezembro de 1868 p. 131.

 Deu-se o nome de Rua dos Prazeres à “travessa desde a Porta de Mello até à escada piquena de S. Lourenço” – relatório do Senado de 14 de Abril de 1847. (1)

 A Rua dos Prazeres, em 28-01-1954, passou a designar-se Rua da Imprensa Nacional (2) porque nesta via pública, nesse dia, foi inaugurado o edifício da Imprensa Nacional de Macau. A rua começa na Rua Central, ao cimo da Travessa do Paiva e termina na Rua de S Lourenço, ao cimo de Rua de Prata.

NOTA: M. Ullman, terá sido Miguel João Ullman, baptizado em 26-02-1810, filho do sueco católico Jacob Gahritl (falecido em 1837) e de Rosa Minas (falecida em 1821) (1)

(1) TEIXEIRA,P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, ICM. 1997, pp. 24, 282, 343 e 353.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/28/noticias-de-28-de-janeiro-de-1954-inuagura-cao-do-edificio-da-imprensa-nacional/

No dia 26 de Setembro de 1954, na Piscina Municipal, realizou-se a extracção da grande rifa promovida por um grupo de abastados capitalistas chineses, entre os quais o Sr. Ho Yin, em benefício do Hospital Kiang Wu. Constava a mesma rifa de 200 bons prémios, o primeiro destes, dois prédios situados na Rua Pedro Nolasco da Silva. (1)

Nesse ano, o Hospital Keang (Kiang) Wu, mantido pela Comunidade Chinesa e subsidiado pela Comissão de Assistência Pública, presta assistência médica diária a mais de 800 doentes, além da média de 400 internados na sua totalidade indigentes Mantém, para isso, um quadro de pessoal médico e de enfermagem bastante numeroso, além do fornecimento gratuito de medicamento. Com tão pesados encargos, a Associação d Beneficência do Hospital «Keang Wu», de que é presidente o abastado capitalista Sr. Hó Yin, não consegue equilibrar o orçamento do hospital, que acusa, em quase todos os anos, um défice de 200 mil patacas (mais de mil conto). Costuma a referida Associação recorrer à generosidade dos benfeitores da meritória obra do Hospital «Keang Wu» para cobrir os défices anuais. (2) Este ano, porém, vai aquela Associação emitir uma grande rifa de 200 prémios, contando com isso saldar as dívidas feitas com a manutenção do hospital durante o ano que findou. Os valiosos prémios, entre os quais se contam um prédio no valor de 180 mil patacas, um automóvel e um frigorifico, foram todos oferecidos por generosos benfeitores, destacando-se a oferta do prédio de 2 andares feita pela Sr-ª Koc I Man, esposa do Sr. Hó Yin. Assim, com a insignificante quantia de $2.00, custo de cada bilhete, vai a população de Macau contribuir para uma obra de assistência que merece o apoio e simpatia, e habilitar-se, ao mesmo tempo, à posse de valiosos prémios” (2)

(1) «MBI», II-28 de 30 de Setembro de 1954, p. 15

(2) Em Janeiro desse ano, 1954, teve lugar na Piscina Municipal de Macau um festival artístico-desportivo, em que o produto das entradas reverteu a favor: 40% – dos sinistrados de um grande incêndio, recente, em Hong Kong; 40% do Hospital Kiang Wu; 20% da Associação de Beneficência «Tong Sin Tong».(SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia de História de Macau, Volume 5, 1998)

(3) Artigo não assinado em «M. B. I.» ANO I, n.º 22, de 30 de Junho de 1954, p. 7

Foi inaugurado, no dia 19 de Setembro de 1954, o novo aparelho transmissor de 3000 «watts» de potência, na Emissora Vila Verde. Este apreciável melhoramento veio alargar o raio de acção da estação e representou mais uma contribuição dos proprietários da Emissora nas actividades radiodifusoras de Macau.

Fotografia com má impressão em «MBI» (1)

Edificada em 1950, por Pedro José Lobo, a estação da Emissora Vila Verde iniciou-se com uma potência de 250 «watts» – uma estação puramente local – mas com o apoio e entusiasmo dos radiouvintes, para intensificar as suas actividades, nos princípios de 1954, a potência foi elevada par 1000 «watts». Neste mesmo ano, formou-se a sociedade «Rádio Oriental , Limitada» que passou a superintender as actividades da Emissora. Assim por proposta de um dos directores, George Ho, a Emissora tratou da aquisição de um novo transmissor de 3000 «watts», tendo, por outro lado, providenciado para que o programa das transmissões se tornasse mais amplo e extensivo a todo o mundo. A estação da Emissora Vila Verde passou a ser ouvida dentro dum raio de 800 milhas.

A fim de comemorar este melhoramento deslocaram-se de Hong Kong a Macau, entre directores da Emissora, jornalistas e outras individualidades, cerca de 50 pessoas que forma obsequiadas, juntamente com os representantes da imprensa em Macau, com um almoço e um jantar no Hotel «Kuoc Chai» (Grande Hotel/Grand Hotel) oferecidos, respetivamente, pelos Srs. Ho Yin e W. C. Liang e Emissora Vila Verde, e com um «Cocktail» oferecido por Pedro José Lobo na sua residência. (1)

(1) Artigo não assinado em «MBI», II-28 de 30 de Setembro de 1954, p. 11

“Nos dias 18 e 19 de Setembro de 1954, realizou-se, em Hong Kong, o III «Interport» de ténis entre Macau e Hong Kong, o qual foi ganho pelos tenistas macaenses que, com grande brilhantismo, alcançaram uma merecida vitória de 4 a 1.

A representação de Macau, confiada aos tenistas do velho e prestimoso Ténis Civil, portou-se à altura de honrar o desporto local, quer no campo da contenda, em que revelou a sua apreciada classe quer no convívio com os seus leais adversários de Hong Kong, tão fortes foram os seus desejos de contribuir para um estreitamento cada vez maior dos laços de amizade que unem bons desportistas e vizinhos. Foi disputada uma linda taça de prata oferecida pelo Leal Senado, a qual havia já sido ganha pela equipa de Hong Kong nos dois primeiros «Interports» e estava em riscos de ficar definitivamente em poder da mesma, dada a condição de três vitórias sucessivas previamente estabelecida, para a posse definitiva do troféu. Resolvidos a não permitir que tal acontecesse, os tenistas de Macau encheram-se de brio desta vez e foram a Hong Kong das mostras d seu valor, arrancando, por fim, uma vitória nítida e honrosa que lhes valeu regressarem juntamente coma «Taça Leal Senado». A série dos «Interports» de ténis entre Macau e Hong Kong , apesar de iniciada há apenas uns escassos meses, tem já conquistado para si um lugar de destaque na história dos intercâmbios desportivos que anualmente se realizam entre Macau e Hong Kong.

Infelizmente má impressão da foto em «MBI» (1)
Esqª p/ dta: Alexandrino Boyol, Humberto Rodrigues, Artur Canavarro, Artur de Melo e José Boyol

O primeiro «Interport» realizou-se em Macau, a 23 e 4 de Outubro de 1953, registando Hong Kong a sua primeira vitória, com o resultado de 3 a 2.. Para a realização do segundo «Interport», os tenistas de Macau deslocaram-se a Hong Kong , em 20 de Dezembro seguinte, tendo ali perdido novamente, pelo mesmo resultado 3 a 2. O sucesso alcançado agora no terceiro «Interport» pelos tenistas de Macau veio não só quebrar a sequência das sucessivas vitórias dos seus adversários como ainda salvar a má impressão deixada pelos velhos , mas ainda valorosos jogadores do Ténis Civil quando das duas primeiras competições. Eis os resultados dos jogos realizados  

Singulares-homens Artur Canavarro (Macau) venceu Roch Liang por 6-2 e 6-1; Eng.º Humberto Rodrigues (Macau) venceu Cheung Chau, por 6-0 e 6-1; Francis Ma (Hong Kong) venceu António de Melo, por 6-2 e 6-0

Pares-homens Eng.º Humberto Rodrigues e Alexandrino Boyol (Macau) venceram Joseph Hsu e Ernir Pereira, por 6-1, 1-6 e 8-6; Artur Canavarro e José Boyol (Macau) venceram Chung Wing Kuong e Cheng Tai Chi por 6-3 e 8-6.

(1) Artigo não assinado, publicado em «MBI», II. N.º 28 de 30 de Setembro de 1954, p.13/14

“Promovidos pela Delegação de Macau da Cruz Vermelha Portuguesa, de colaboração com a Associação de Futebol em Miniatura de Macau, realizaram-se, nos dias 21 e 22 de Agosto, no Campo Desportivo da Praia Grande (depois denominado Campo dos Operários), dois encontros de futebol em miniatura com o fim de angariar fundos para as obras de beneficência da referida Delegação. Deslocou-se a Macau, nessa altura, a equipa do Departamento de Comércio e Indústria de Hong Kong, ou à chinesa «Kong Seng», que aqui defrontou, no primeiro dia, contra o Grupo Desportivo «Negro-Rubro» e, no segundo, contra o «Leng I» Futebol Clube. Frente ao forte agrupamento do «Negro Rubro» a equipa do Departamento de Comércio e Indústria saiu derrotada por 6 a 2, patenteando o grupo local a sua indiscutível superioridade numa exibição que a todos agradou.

Os componentes dos grupos «Negro-Rubro» e «Kong Seng» com os seus dirigentes e o presidente da Delegação da Cruz Vermelha Portuguesa.

Constituída por jovens e franzinos jogadores, a equipa do «Negro Rubro» é ainda assim das melhores que Macau pode apresentar, sendo de salientar o seu grande espírito de luta e a excelente técnica do seu jogo combinado. O grupo visitante, sem dúvida, um dos melhores da vizinha colónia britânica, apesar dos seus esforços, pouco conseguiu frente a um adversário bem mais forte e enérgico. As bolas do grupo local foram marcados por Augusto Rocha (3), Rogério Assis (2),  e João Rocha (1). Chau Kit e Iong Lam forma os marcadores dos goals de Hong Kong.

No dia seguinte, 22 de Agosto, a equipa do Departamento de Comércio  e Indústria empatou com a equipa «Leng I» por 2 a 2, após uma exibição que, apesar de não ter sido melhor nem tão boa como a primeira, não deixou de agradar. Sio Mou Sam e Lok Man Vai marcaram as bolas do grupo local, tendo as de Hong Kong sido obtidas por intermédio de Iong Lam e Lei Kuong Hong. Extraído de «MBI» II-26 de 31 de Agosto de 1954. P. 13

NOTA: No ano de 1954 os Corpos Gerentes da Delegação de Macau da Cruz Vermelha Portuguesa, eram: Presidente: Dr. Alberto Pacheco Jorge; Vice-presidente: Dr Adolfo Adroaldo Jorge; Secretário: Joaquim Morais Alves; Tesoureiro: Francisco Xavier da Cruz Hagatong; Vogais: Dr. Fernando H. L. Maciel, Tenente Manuel Nunes Vieira, Lee Pou Lin, e Hermann Machado Monteiro.I

Do Grupo Desportivo «Negro-Rubro»: Presidente: Carlos Augusto Correia Pais de Assunção; Vice-presidente: Jorge Alberto Alves Estorninho; Secretário: Romeu Xavier; Tesoureiro: Luís Atanázio da Rocha; Vogais: Napoleão da Guia de Assis e Augusto Gonçalves e Director Desportivo: Manuel Dimas Pina.

Livro de José dos Santos Ferreira publicado em 1967, (1) composto e impresso na Tipografia da Missão do Padroado (2), com versos (Laia-laia rabusénga) e prosas no dialecto macaense e breve vocabulário de alguns termos utilizados. A maioria dos versos foram publicados anteriormente no jornal «O Clarim», de 1953 a 1955 e depois na «Gazeta Macaense» de 1963. Inclui ainda uma comédia em 1 acto “Mui-mui Sua Neto” e uma opereta em 2 actos (para rir) “Cabo Tamêm Sã Gente”. A ilustração é de Leonel A. S. Barros.

Retiro da Introdução (pp. 9-11) , o seguinte: “O dialecto macaense, como muito bem ensinou João Feliciano Marques Pereira, (3) não se apresenta sob uma única forma, mas sem debaixo de três pelo menos, que é conveniente distinguir: a) o macaísta cerrado ou macaísta puro (se assim se pode chamar) e que é o mais interessante; era falado principalmente pelas classes humildes; b) o macaísta modificado pela tendência a aproximar-se do português corrente, era usado pela gente mais polida e que estava mais em contacto com o elemento metropolitano; c) o macaísta falado pelos chineses. Das duas primeiras formas, sobretudo a primeira, se aproximam mais os escritos contidos neste volume. Sob a última, vem publicado um original, em simples monólogo – MERENDA AI! – que o autor põe na boca de um conhecido chinês de Macau.

Desenho de Leonel A. S. Barros (pág. 7)

MERENDA AI! “Iou sã Merenda Ai!. Tudo gente na Macau, assi chamá pa iou, Seléa nóme nunca muto agradá. Masqui geniado, tamêm pacéncia… Qui cuza pôde fazê, si ilôtro querê batizá iou com estunga nóme? Merenda Ai tamêm sã nóme cristám… Iou sã Macau-filo. Quelê-modo iou sã Macau-filo ? Iuo sã já nacê na Macau, j´olá? Têm tanto ano-iá … Mamã fica na Básso-mónti, quelóra larga iou vêm fora. Cavá crecê, Mamã já ensiná iou fazê merenda, pa ganhá sapéca. Sã assi que iou nuncassá vai escola, j´olá? “…. (continua)

(1) Na última página “Acabou de se imprimir este livro aos 2 de Janeiro de 1968

(2) Trata-se do primeiro livro impresso de Adé Santos Ferreira em “língu maquista” (patuá). Anteriormente, publicou o 1.º, um relato de viagens “Escandinávia, Região de Encantos Mil, em 1960, FERREIRA, José dos Santos – Macau Sã Assi. Macau, 1967, 138 p + Índice., 20, 5 cm x 14 cm x 0,7 cm.

(3) Pequeno trecho de João Feliciano Marques Pereira assinalado na capa (interior)

Encadernação de época de lombada em papel

Livro fundamental para quem quiser saber cronologicamente por dias, meses e ano, a história de Macau, de Luís Gonzaga Gomes editado em 1954, pelo “Notícias de Macau», o XII volume da «Colecção Notícias de Macau, embora , como afirma o autor, não seja precursor, em Macau, deste tipo de documentação histórica por datas, numa sequência lógica.
Livro composto e impresso nas oficinas do Jornal «NOTÍCIAS DE MACAU», Calçada do Tronco Velho, n.º 6-8, Macau- Oriente (1)

Luís Gonzaga Gomes na sua introdução, elabora uma pequena “história” deste tipo de trabalho, e justifica a publicação do presente livro.
“ O primeiro trabalho no género do que presentemente apresentamos foi efectuado por A. Marques Pereira e publicado, e em números sucessivos do Boletim do Governo da Província de Macau e Timor de 1867. No ano seguinte, este trabalho foi editado, em forma de livro, por José da Silva, com o seguinte título “Ephemerides Comemorativas da História de Macau e das Relações com os povos christãos,”, por A. Marques Pereira, (2) antigo secretário da Legação de Portugal na China, Procurador dos Negócios Sínicos d Cidade de Macau, Membro honorário da Real Sociedade Asiática (Inglesa), Cavalheiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição, etc.
Em 1922 apareceu no Anuário de Macau um trabalho idêntico, porém, mais simplificado mas quase todo baseado nas “Ephemerides” de A. Marques Pereira.
Em 1842 a revista «Religião e Pátria» reproduziu, na íntegra, o trabalho aparecido no Anuário de Macau. Em 1944, o semanário «União» publicou trabalho idêntico mas, infelizmente, com muitas gralhas tipográficas, na parte respeitante às datas, registando, todavia, vários acontecimentos não mencionados em trabalhos anteriormente publicados.
Com o aparecimento de inúmeras obras de investigação, sobre assuntos referentes à actuação dos portugueses no Extremo-Oriente, conscienciosamente feitas por Jordão de Freitas, Frazão de Vasconcelos, Armando Cortesão, Manuel Múrias, Albert Kammerer, Dr. José C. Soares, C. R. Boxer, J. M. Braga, Pe. M. Teixeira, Pe. A. Silva Rego e outros, bem como a publicação dos “Arquivos de Macau”, surgiu a possibilidade de se elaborar um novo trabalho deste género, só com factos referentes a Macau, que publicamos, em 1950, na revista «Mosaico».
Este trabalho, depois de refundido e muito acrescentado, volta agora a aparecer, pela necessidade que existe duma obra, onde os que se interessem pela história desta província ultramarina podem encontrar breve notícia daquilo que lhes exigira muito tempo perdido em busca e rebusca por bibliotecas, pois tudo quanto se tem publicado sobre Macau…”

(1) GOMES; Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p., 18 cm x 11,5 cm x 2 cm.
Anteriores referências a L. G. Gomes em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/luis-gonzaga-gomes/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-feliciano-marques-pereira/

Após 35 meses de estadia nesta Província Ultramarina o aviso de 2,ª classe «Gonçalo Velho» (1) partiu de Macau no dia 29 de Setembro de 1954. No dia 27, o Comandante José Aguiar Bastos e os oficiais convidaram o Governador, sua esposa e filha e o pessoal do seu Gabinete, assim como muitos amigos, para um Porto de despedida.
Na noite desse dia, o navio apresentava um magnífico aspecto pela brilhante iluminação e bandeiras multicolores de que se ornamentou. Já no dia 23, O Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, havia convidado o comandante do «Gonçalo Velho» e os seus oficiais para um almoço no Palácio de Santa Sancha, a que assistiram também os oficiais da marinha privativa e o Chefe do Gabinete.
Os sargentos da Guarnição Militar de Macau e os seus camaradas do Aviso «Gonçalo Velho» já se tinham reunidos num almoço de confraternização em Março de 1954.
O navio de guerra seguiu viagem primeiro para a Índia Portuguesa e depois regresso a Portugal. (2)

O aviso «Gonçalo Velho» em final da década de 40 (século XX).

(1) O aviso de 2.ª classe «Gonçalo Velho», (3) sob comando do capitão-de-fragata José Coutinho Garrido (4) esteve em Hong Kong em Agosto de  1953 para receber beneficiações e já sob o comando do capitão de fragata José Aguiar Basto, na mesma doca da colónia de Hong Kong,  em Julho de 1954 esteve em reparações. Regressou a Macau em 23-07-1954 («M. B. I.». I – 2, 1953).
(2) «M. B. I.»  I-16 ; II-28 e 29, 1954.
(3) O aviso colonial de 2.ª classe «Gonçalo Velho» lançado em 1933 esteve em serviço desde esta data até 1961, quando foi abatido ao serviço.
Deslocamento de 1500t (1959) com uma velocidade de 16,5 nós. Tinha um comprimento de 81,5 m, boca de 10,8 m e calado de 3,5 m. Possuía um armamento composto de 3 peças de 120 mm e 5 peças de 20 mm, 4 morteiros, 2 calhas para cargas de profundidade (1959). Tripulação/Equipagem: 142.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_Gon%C3%A7alo_Velho
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aviso-goncalo-velho/
(4) Capitão-de-fragata (desde 1951) José Coutinho Garrido foi comandante do aviso «Gonçalo Velho» de Janeiro de 1952 a Março de 1954; fez depois nova comissão em Macau como Capitão dos Portos e comandante da Defesa Marítima de Macau de Setembro de 1955 a Setembro de 1959. (TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau, 1988).