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Celebrou-se, no dia 18 de Julho de 1954, na Ilha da Taipa a costumada festa religiosa em honra de Nossa Senhora do Carmo, orago da Igreja da Vila da Taipa. O Sr. Bispo da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz, à chegada da Taipa foi recebido pelo Administrador das Ilhas, Sr. Alberto Eduardo da Silva, (1) e pelo pároco Revd.º Cónego António Ngan Im-Ieoc.

“Santinho” da Nossa Senhora do Carmo , 10,5 cm x 6cm (2016) (2)

Rezou-se a missa na Igreja de N.ª Sra. do Carmo durante a qual os alunos do Seminário entoaram várias canções religiosas.
Finda a missa, Sua Exa Ver.ª dirigiu uma alocação aos fiéis que foi traduzido para chinês pelo pároco António Ngan. Seguidamente o Bispo concedeu o Sacramento do  Crisma a 45 adultos.
Iniciou-se depois a procissão com o SSmo Sacramento, em que tomaram parte os alunos da Escola «D. João Paulino», os católicos do «Campo de Mendigos», (3) o Seminário e numerosos fieis.
Estavam presentes a todas as cerimónias o administrador do concelho Sr. Alberto Eduardo Da Silva em representação do Sr. Governador, sua esposa, o Capitão Carlos Oliveira e esposa e o Capitão Pedro de Barcelos e esposa.
A assinalar o fim da festa queimou-se uma comprida fita de panchões.(4)

Verso dos Santinhos com a Oração a Nossa Senhora do Carmo individualizados, em português e chinês (2016)

O terreno em que se projecta a Igreja fica num monte sobranceiro à povoação e próximo dela, para o qual se sobe por uma calçada denominada do Carmo, motivo porque tem a invocação de Nossa Senhora do Monte do Carmo.
A egreja tem 29 metros de comprimento, e a sua largura é a nave de 9 metros, e na cappela-mór de 6 e tem uma só torre, correspondendo ao centro da fachada, e cuja base serve de guarda vento. O côro tem três arcadas para o interior da egreja, disfarçando assim a torre. Do côro parte para cada lado uma galeria que circunda a nave da egreja até quasi ao arco da capella-mór. A direita do corpo da egreja fica a capella de S. João Baptista e a sacristia, e à esquerda a escola e a residência parochial.
Alem do altar-mór, que é destinado para exposição do Santíssimo Sacramento, há dois altares laterais fronteiros, um dos quaes é a invocação de S. Francisco Xavier, quem tantos serviços prestou na China em prol do christianismo.
As dimensões do edifício devem satisfazer plenamente às necessidades futuras do culto catholico, e da instrução elementar na ilha da Taipa. As obras foram orçadas em 10 800 patacas , o que corresponde a 9 189$00 réis fortes, mas é provável que custem alguma cousa mais, pelas mesmas razões que tem retardado a construção da egreja. Aos cuidados do incançável actual director das obras publicas o sr. Constantino de Brito, se deve mais este importante edifício.” (5)
(1) Alberto Eduardo da Silva, foi Administrador das Ilhas, de 15 de Janeiro de 1949 a 20 de Agosto de 1950, e de 3 de Novembro de 1953 a 16 de Dezembro de 1957.
(2) SANTINHO – Estampa religiosa com impressão de uma imagem e de uma oração.
(3) 20-02-1954 – Portaria n.º 4:998, de 8 de Setembro de 1951, que criou o Abrigo de Mendigos e Vadios, com sede na Ilha da Taipa, destinado a albergar todos os indivíduos maiores de 16 anos, sem meios de subsistências, que não tenham modo de vida ou residência na província e se entreguem à prática de mendicidade ou à vadiagem nas vias e lugares públicos. (MBI, I-14, 1954)
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998 ; MBI I-24, 1954.
(5) José dos Santos Vaquinhas, major comandante de guarda de polícia de Macau, publicado em “Colónias Portuguesas”, Ano II, n.º 9, Lisboa, 6-09-1884, pág. 222. José dos Santos Vaquinhas, foi Comandante do posto militar da Taipa e Coloane de 04-06-1874 a 30-06-1874
Anteriores referências a esta igreja
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-n-sra-do-carmotaipa/

D. Beatriz Emília Nolasco da Silva

Realizou-se no dia 18 de Junho de 1954, no Palácio do Governo à Praia Grande, a entrega pelo Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro, das insígnias de «Oficial da Ordem da Instrução Pública», agraciada pelo Governo da Nação, à D. Beatriz Emília Nolasco da Silva, Directora da Escola Comercial «Pedro Nolasco», (1)
Assistiram, além de pessoas de família, da Direcção da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses e de professores e alunos da Escola Comercial «Pedro Nolasco», as mais destacadas individualidades e Macau.

O Governador, Almirante Marques Esparteiro proferindo o discurso.

(1) Beatriz Emília Nolasco da Silva (1912- ?) filha de Luís Gonzaga Nolasco da Silva e de Beatriz Emília Bontein da Rosa, é neta de Pedro Nolasco da Silva.(3).  Diplomada pela Escola Cantonal de Lucerna (Suíça), professora da Escola Comercial «Pedro Nolasco»mantida pela Associação Promotora da Instrução dos Macaenses: da Língua Alemã (1934 a 1938), da Língua Inglesa e Noções Gerais do Comércio (1939 até 1950) e da Língua Francesa (1940 a 1952). Directora da mesma Escola na década de 40 (século XX) até 1952/53. Creio que nesse ano de 1954, já não fazia parte dos professores da Escola Comercial (o Director interino em 1953 era o Dr. Edmundo de Sena Fernandes).
(2) Comissão Directora da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses no triénio 1953-55:
Presidente – Henrique Nolasco da Silva
Secretário – Joas José Lopes
Tesoureiro – José Fernandes
Vogais – Dr. Damião de Oliveira Rodrigues, Dr. Pedro Guimarães Lobato, Dr. Henrique de Barros Pereira e Francisco de Paula Barros.
(3) A Escola Comercial “Pedro Nolasco” foi fundada no dia 8 de Janeiro de 1878 sob a chefia de João Eleutério d’Almeida, mas a alma de empreendimento e  seu verdadeiro dinamizador foi Pedro Nolasco da Silva.

Escola Comercial (1927)

O edifício situado no alto da calçada do Gamboa, na Praça do Gamboa n.º 2  construído em 1920, foi sede da Escola Comercial até o ano 1966, ano da inauguração do edifício (actual Escola Portuguesa) no cruzamento das Avenidas D. João IV e do Infante D. Henrique (projecto de arquitectura de Raul Chorão Ramalho e executado pelo construtor civil Osseo Acconci)
Fotos de «MACAU B. I., I-22, 1954».

Artigo de Luís Gonzaga Gomes publicado no jornal “A Voz” e republicado no BGU, Fevereiro de 1953.

O Hospício para Lázaros, em Ka Hó, depois de muita resistência e de alterações várias (1) quanto à escolha do local, quer em Macau (D. Maria, Porta do Cerco) quer na Taipa e depois em Coloane, foi entregue pronto no dia 20 de Janeiro de 1885, com guarda e zona circundante delimitada. O apetrechamento só ficaria completo em Maio desse ano. (2)
mapa-de-ka-hoPor portaria Provincial n.º 327 de 13 de Setembro de 1929 foi nomeada uma comissão, a qual cumpriu o seu mandato, fazendo construir no Hospício Ka Hó, cinco pavilhões e uma capela, com dependências anexas para constituírem a residência das Religiosas que venham ali a instalar. Em Ká Hó, com a preparação do terreno, construções dos cinco pavilhões, capela, poço, tanque e valsa de protecção, canalização de água potável e de esgoto e conservação de todas as obras despendeu-se a bela soma de $ 21.478, 19. A capela foi inaugurada e benzida por D. José da Costa Nunes no dia 21 de Outubro de 1934.

pe-teixeira-macau-e-a-sua-diocesse-i-pavilhoes-das-lazaras-de-ka-hoPAVILHÕES DOS LÁZAROS EM KA-HÓ, 1940

A Leprosaria fica na Baía de Ka Hó, construída num promontório na ponta leste de Coloane, perto da chamada aldeia ou povoação de Ká Hó (é um pequeno vale entre montanhas e era o mais cultivado antigamente). Tem uma bela igreja contemporânea dedicada a N.ª Sr.ª das Dores, ostentando um grande crucifixo de bronze sobre a porta norte.
coloane-igreja-de-nossa-senhora-das-dores-ka-ho(1) Os leprosos que durante três séculos estiveram no Hospital S. Rafael, em 1878 são transferidos para a Ilha de D. João na altura sob a administração portuguesa, em Pac Sá Lan. Em 25-11-1896 é extinto o Hospício de S. Lázaro junto à Igreja de S. Lázaro.
“1878 – Os leprosos, recebidos na primeira instituição congénere no Extremo-Oriente – O Hospital de S. Rafael – durante três séculos, são transferidos neste ano para a Ilha de D. João (para homens) sob a administração portuguesa”. (2)
17-03-1894 – O Administrador das Ilhas, Capitão João de Sousa Canavarro, oficia à Secretaria do Governo fazendo uma breve mas expressiva panorâmica da situação dos leprosos. É estudada a construção de novas barracas para o alojamento dos Lázaros em Pac-Sá-Lan e Ká-Hó.” (2)
Mas os constantes assaltos dos piratas (maus tratos e roubos) ao longo da década de 10 a 30 (século XX), (3) (4) à gafaria de Pac Sa Lan instalada na Ilha de D. João, foram transferidos aos poucos para a Gafaria de Ká Hó que com o tempo foi-se ampliando. Em 1933, o director da leprosaria Fernando Dias Costa informava estarem construídos oito pavilhões para o tratamento da lepra. As instalações da leprosaria de Pac Sá Lan foram destruídas pelos militares comunistas em 1953. (5)
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(3) 19-06-1912 – Pedido dos leprosos instalados no Hospício de D. João para serem dali retirados a fim de não estarem sujeitos aos constantes assaltos de piratas.(GOMES, Luís G. – Catálogo do M.M., n.º 254)
(4) “24-01-1927 – Queixa apresentada pelos asilados da gafaria de Pac-Sa-Lan, na Ilha de D. João, contra os maus tratos e roubos de que eram vítimas às mãos dos piratas. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).
(5) “1953 – Destruídas pelos comunistas a leprosaria de Pak-Sa-Lan. Aventou-se a hipótese dos doentes terem sido transferidos para outra ilha, perto de Hong Kong. Mas não se conseguiu confirmar tal notícia, sendo provável que os últimos leprosos tivessem perecido, porque já em 1949 tinham sido ameaçados de morte por Ng Seng, comandante da guarnição chinesa de Man Lei Wai, se não pagassem $500 em notas portuguesas. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998).

O Governador de Macau, Almirante Joaquim Marques Esparteiro partiu de Macau no dia 23 de Dezembro de 1953 a bordo do Aviso «Gonçalo Velho» para a vizinha colónia de Hong Kong, a fim de assistir a um baile de gala, na Residência do Governo de Hong Kong em honra de S. A. o Príncipe Pedro da Grécia. (1)
Para esta gala o Governador foi acompanhado pela esposa, D. Laurinda Marques Esparteiro, e filhas, Maria Helena e Amélia Marques Esparteiro, do seu oficial às ordens capitão Dias da Silva, e do seu secretário, tenente Lopes da Costa.
Tanto à partida como à chegada, que se efectuou na Ponte cais n.º 1 da Capitania dos Portos, foram prestadas ao Governador as devidas honras

macau-b-i-i-10-1953-visita-governador-a-hk-iO Governador passa revista à guarda de honra
macau-b-i-i-10-1953-visita-governador-a-hk-iiAo desembarque, o Governador foi cumprimentado pelo Encarregado do Governo, Engenheiro José dos Santos Baptista
macau-b-i-i-10-1953-visita-governador-a-hk-iiiApós o desembarque, o Governador assiste ao desfile da guarda de honra.

Tanto na despedida como na recepção, uma bateria de terra e outra do Aviso «Gonçalo Velho» deram as salvas da ordenança. (2)
principe-pedro-da-grecia-1908-1980(1) Príncipe Pedro da Grécia e Dinamarca (1908-1980) era o herdeiro do trono grego mas foi preterido por ter casado com uma russa divorciada, Irina Aleksandrovna Ovtchinnikova. Distinto antropologista, especializado em cultura tibetana. Foi militar na II Guerra Mundial; antes fez uma expedição científica à Ásia (nomeadamente Tibete), e após a guerra, voltou várias vezes à Ásia para continuar as suas pesquisas tibetanas.
href=”https://en.wikipedia.org/wiki/Prince_Peter_of_Greece_and_Denmark”>https://en.wikipedia.org/wiki/Prince_Peter_of_Greece_and_Denmark
(2) Fotos e reportagem de «Macau B.I.» 1953 .

Realizou-se durante a 2.ª quinzena de Dezembro de 1953 um festival desportivo destinado às escolas de Macau, organizado por duas das colectividades desportivas do território, o Sporting Clube de Macau e Sport Macau e Benfica, com um programa variado incluindo atletismo, futebol em miniatura, basquetebol, voleibol, ténis de mesa e badminton. Estava programada também uma corrida de ciclismo entre os estudantes mas por motivos imprevistos, foi cancelada à última hora.
Participaram no festival representações de diferentes escolas chinesas locais e uma representação da Mocidade Portuguesa, dentro da qual fizeram o seu concurso os estudantes portugueses.
Os nomes dos vencedores dos diferentes torneios realizados.
Atletismo – as equipas «A» e «B» do Colégio «Yuet Wah» ganharam os torneios de atletismo
Futebol em miniatura – a «Mocidade Portuguesa» ganhou o torneio folgadamente.

macau-b-i-i-11-15jan1954-festival-desportivo-iA equipa da Mocidade Portuguesa que ganhou o torneio de futebol em miniatura (bolinha). No centro (de joelhos) o jogador Augusto Rocha que ingressaria no Sporting Clube de Portugal em 1955 (1)

Basquetebol – o torneio foi ganho pela equipa do «Colégio de S. José».

macau-b-i-i-11-15jan1954-festival-desportivo-iiiA equipa do Colégio de S. José que ganhou o torneio de basquetebol.

Voleibol – o Colégio «Yuet Wah» ganhou também, o torneio de voleibol.
Ténis de mesa – este torneio foi ganho pela «Mocidade Portuguesa».

macau-b-i-i-11-15jan1954-festival-desportivo-iiOs filiados da Mocidade Portuguesa que ganharam o torneio de ténis-de-mesa: Aureliano Assis, João Castro e Mário Alberto.

Badminton – ganhou a equipa do Colégio «Yut Vá».
(1) Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/augusto-rocha/

Realizou-se, no dia 5 de Dezembro de 1953, um baile no Clube Militar, presidido pelo Major Mário Barata da Cruz, em benefício do «Fundo do Natal dos Pobres de Macau».(1)
mbi-i-9-15dez1953-baile-clube-minlitar-iO baile foi organizado pela Sra. Dra. Laurinda Marques Esparteiro, revestiu-se de grande brilhantismo e tomaram parte nele cerca de cem pessoas.
mbi-i-9-15dez1953-baile-clube-militar-iiEstiveram presentes, o governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro e esposa, suas filhas, Maria Helena e Amélia Marques Esparteiro, o Chefe de Gabinete, capitão Abílio de Oliveira Ferro e esposa, o Oficial às Ordens, capitão José Vaz Dias da Silva e o secretário, tenente Mário Lopes da Costa.
mbi-i-9-15dez1953-baile-clube-militar-iiiEstiveram também presentes os mais destacados representantes da Comunidade Chinesa, vendo-se na fotografia o Comendador Kou Ho Neng (2) a receber uma das prendas que, nos intervalos do baile, foram rifadas.
Houve ainda uma interessante corrida de cavalos de madeira e muitos outros jogos eu entusiasmaram todos os presentes e contribuíram para o objectivo beneficente da festa.
(1) Fotos e reportagem de «MACAU B. I. 1953.»
(2) Sobre o Comendador Kou Ho Neng ver anterior citação em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/27/leitura-o-bairro-chines-ao-norte-da-ilha-verde-em-1929/