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No dia 26 de Maio de 1955, realizou-se no Salão Nobre do Leal Senado a 5.ª e última sessão cultura, promovida pelo Círculo Cultural de Macau, sob o alto patrocínio e orientação do Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro.
Foi conferente o oficial superior do Exército, Major Acácio Cabreira Henriques que proferiu uma conferencia subordinada ao tema «Monumentos Nacionais existentes na Província de Macau» (1).

O Major Acácio Cabreira Henriques proferindo a sua conferência

O Major Cabreira Henriques (2) foi nomeado pelo Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro (Portaria de 10 de Dezembro de 1953) para fazer parte de uma comissão para entre outros estudos, proceder ao da classificação dos Monumentos Nacionais, existentes na Província de Macau. Até então, Macau ainda não existia classificação dos Monumentos.

A assistência que ouviu a conferência

Abrindo a sessão, na qualidade de Presidente do Círculo. O Dr. Pedro José Lobo pronunciou um discurso traçando uma biografia da carreira militar do major Acácio Cabreira Henriques (3)
O autor dividiu a sua conferência em três partes: Monumentos Religiosos, Monumentos Militares e Monumentos Diversos
I – Monumentos Religiosos: (que o autor considera como Monumentos acionais)
Ruínas da Igreja da Madre de Deus (vulgo S. Paulo);
Igreja de Nossa Senhora da Esperança – S. Lázaro
Igreja de Santo Agostinho
Igreja da Sé Catedral
Igreja de S. Lourenço
Igreja de S. Domingos
Igreja do Seminário de S. José
Igreja de Santo António
Considera o autor de Imóveis de Interesse Público
Ermida da Penha
Igreja de Santa Clara Igreja da Missão de Fátima (no BTB)
Igreja de Nossa Senhora do Carmo, na Ilha da Taipa
Capela de S. Francisco Xavier, na Ilha de Coloane
II Monumentos Militares
Fortalezas de Macau: Fortaleza de S. Paulo do Monte
Fortaleza de Nossa Senhora da Guia
Fortaleza de S. Tiago da Barra
Por alto mencionou ainda as Fortalezas de D. Maria II, Mong Há, Bom Parto , S. Francisco, e a Fortaleza da Taipa
III – Monumentos Diversos
Gruta de Camões
Porta do Cerco
Monumento da Vitória
Monumento a Ferreira do Amaral
Monumento a Vicente Nicolau de Mesquita
Monumento a Vasco da Gama
Monumento Comemorativo da Acção Contra os Piratas na Vila de Coloane
Monumento a Jorge Álvares
Imóveis de Interesse Público:
Palácio do Governo, na Praia Grande
Edifício do Leal Senado da Câmara
Santa Casa da Misericórdia
Hospital S. Rafael
Hospital Kiang Wu
Residência do Dr. Sun Yat Sen
Conclui o autor:
É pena que tenham sido destruídos alguns edifícios de certo valor histórico e arquitectónico dos séculos passados, quando Macau tinha possibilidades para a sua restauração, e assim apenas através de desenhos e pinturas de alguns artistas, principalmente estrangeiros, podemos hoje fazer ideia das suas belezas perdidas.”
(1) Esta conferência seria publicada integralmente pelas Edições “Circulo Cultural de Macau”, em 1956 (1)
HENRIQUES, Major Acácio Cabreira Henriques – Monumentos Nacionais Existentes na Província de Macau. Edições “Círculo Cultural de Macau”, 1956, 58 p. (23, 5 cm x17,3 cm)
(2) Em Macau, foi Comandante do Agrupamento Misto das Forças da Guarnição, chefe da secção de Justiça, Presidente da Comissão de Compras e Presidente do Conselho Administrativo do Comando Militar de Macau.
Foi louvado quatro vezes pelos desempenhos das suas funções em Macau, como Chefe da Seção de Justiça, Presidente da Comissão de Compras e Presidente do Conselho Administrativo do Quartel General e ainda, pelas suas qualidades de bom senso, lealdade e camaradagem demonstradas nas inspecções por ele realizadas aos diversos materiais pertencentes ao Comando Militar da Província
(3) Informações do «MBI», ANO II, n.º 47.

Extraído do «BGC» XXVI-298, Abril de 1950, p. 177

O Serviço de Radiologia e Agentes Físicos era chefiada nesse ano pelo radiologista Dr. Abel Simões de Carvalho Júnior (1) e tinha somente no quadro um funcionário, o operador electroradiologista, Adriano Gomes da Silva
Na verdade, o custo total das aparelhagens foi de 225 883,62 patacas assim distribuídos:
1 – Aparelho de Raios X, portátil, Watson”. Custo – $5 615,27.
2 – Unidade completa “Picker”, de 500 Miliamperes, para fluoroscopia e radiografia com seriógrafo. Custo – $ 142 514,30 patacas.
3 – Aparelho de tomografia “Picker”. Custo -$ 77 754,05 patacas. (2)
Recorda-se que nessa data Abril de 1950 ainda funcionava o velho Hospital Militar Sam JanuárioAlbano que foi demolido a 18-11-1952, começando a 1.ª das 3 fases da construção do novo edifício baptizado com o nome de «Hospital Central Conde de S. Januário» , cuja primeira fase foi inaugurada a 10-06-1953 pelo Alm. Marques Esparteiro. O Hospital completo só terminaria em 1958.
(1) Abel Simões de Carvalho Júnior (1897 – ?), formado em Medicina, em 1922, foi colocado em Moçambique nesse ano. Em 1930, estagiou na Faculdade de Medicina da Universidade de Paris, a fim de se aperfeiçoar nos serviços de radiologia e electroterapia. Em 1949, foi nomeado para exercer o cargo de radiologista do quadro complementar de cirurgiões e especialista e por portaria de 28 de Maio (B. O. n.º 30) foi transferido por conveniência de serviço para a colónia de Macau. Esteve colocado em Macau até 1956, data em que a Junta de Saúde de 28 de Junho de 1956 o considerou incapaz de todo o serviço por sofrer de doença grave e incurável. Em 25-7-1956 embarcou de Macau para seguir para Portugal. Desligado de serviço para efeitos de aposentação (B.O. n.º 52 de 29-12-1956.
Além do serviço de radiologia, elaborou também os projectos da cozinha hospitalar do novo Hospital Central Conde de S. Januário (3)
Refira-se que na inauguração do primeiro bloco do novo edifício, a 10 de Junho de 1953, pelo Governador Almirante Marques Esparteiro, o Eng. José dos Santos Baptista, salientou a importante colaboração do médico-radiologista Abel de Carvalho na elaboração do projecto desse hospital.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/02/19/hospital-central-conde-s-januario-i/
(2) «Obras e Melhoramentos efectuados em Macau no Último Triénio» – Set.1947 a  Set. 1950, Imprensa Nacional, 1950.
(3) TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, volumes III-IV, 1998.

Pequeno opúsculo (16 cm x 21 cm) de 35 páginas do “MÉTODO DE PORTUGUÊS PARA USO DAS ESCOLAS CHINESAS” (1.º) do Cónego António André Ngan / Ngam Im Ieoc (na altura da publicação Vice-Reitor do Seminário de S. José) (1), impresso em Macau pela Imprensa Nacional, em 1953.
Este exemplar é da 6.ª edição.
Trata-se de 30 lições em que o autor apresenta a tradução para chinês, desde as vogais (1.ª lição) até exemplos de palavras com a sílaba “Nh” (30.ª lição).
Apresenta as duas últimas folhas dois Apêndices: o I- sobre a ortografia oficial dalgumas palavras que anteriormente se escreviam de modo diferente (página 34) e o II – a numeração de 1 a 101. (página 35)

(1) Não os tenho mas sei que foram publicados 6 fascículos deste “Método de Português para uso nas Escolas Chinesas”. Todos eles tiveram várias edições. Por exemplo este n.º 1 publicado em 1984 era 14.ª edição. Creio também que esteve anunciado a publicação do mesmo, em volume único em 1996.

 

 

(2) Ver anteriores referências a este cónego em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-antonio-andre-ngan-im-ieoc/

“ Com a presença do Governador e família, e com os artistas portugueses Vasco Barbosa, (1) violinista, Loureiro Dinis, cantor de «lied» e Grazi Barbosa, (2) pianista, realizou-se no teatro D. Pedro V, em 22 de Novembro de 1953, o I Concerto da temporada promovido pelo Circulo de Cultura Musical (3) e integrado nos festejos do 2.º aniversário de posse do Governador. (Almirante Joaquim Marques Esparteiro)

Vasco Barbosa e sua irmã Grazi Barbosa numa das suas interpretações.

Os irmãos Grazi e Vasco Barbosa, artistas de nome feito em Portugal e no estrangeiro, constituem um apreciável conjunto que o tempo e a sua vontade de triunfar transformarão em Artistas de excepcional categoria. Vasco Barbosa  é um violinista de apurada técnica, rara sensibilidade artística e conscienciosa interpretação das obras que executa, sempre com brilho, segurança e nitidez musical. Estas qualidades de virtuoso do violino pô-las ele à prova sobretudo na terceira parte do programa, onde o Rondó Caprichosos de Saint-Saens, a Campanella de Paganini, e o Sapateado de Sarasate saíram das cordas do violino com a grandiosidade com que foram imaginadas e compostas. Perante os entusiásticos aplausos do público, Vasco Barbosa, sempre acompanhado por sus irmã, tocou extra-programa a Dança Ritual do Fogo de Falla e o Voo de Moscardo de Rimsky –Korsakov.

Francisco Loureiro Dinis concedendo autógrafos às “fans” de Macau

Francisco Loureiro Dinis é um artista de vincada personalidade, possuidor de uma voz agradável  e bem timbrada e de uma dicção  perfeita em todas as línguas em que canta.
Preencheu esta Artista a segunda parte do programa com deliciosas canções dos melhores compositores estrangeiros e nacionais, e em todas se houve com perfeito domínio do bel-canto emprestando, ora a umas ora a outras, graciosidade poética, apaixonada emoção, vigor e arrogância, simplicidade e elegância. Loureiro Dinis é um cantor romântico que tanto interpreta com emotiva sensibilidade os cantares simples da gente do povo, como põe nas obras dos inspirados compositores todo o fogo ardente da suaalma de verdadeiro artista A Jota de Falla, a Canção da Índia de Rimsky-Korsakov e a canção portuguesa Macelada são peças que, pela maneira como foram cantadas, jamais o público de Macau esquecerá. “ (4)
(1) Vasco Luís Coimbra Barbosa (1930-2016), filho do violinista Luiz Barbosa (considerado o mais importante violinista português da sua geração e fundador do Quarteto de Cordas da Emissora Nacional),  foi um dos mais importantes violinistas portugueses do século XX e “concertino honorário” da Orquestra Sinfónica Portuguesa.
Como concertino (violino solista) de várias orquestras portuguesas e como solista percorreu o mundo em numerosos concertos em Portugal e no estrangeiro, com orquestra ou acompanhado de sua irmã Grazi Barbosa, em Espanha, Itália, Suiça, França, Áustria, Alemanha, Roménia, Grécia, Estados Unidos, África e Hong-Kong/Macau.
 https://pt.wikipedia.org/wiki/Vasco_Barbosa
(2) Grazi Barbosa, (1922-) irmã de Vasco Barbosa, foi uma consagrada pianista que acompanhou o irmão em inúmeras digressões artísticas e professora de piano no Instituto Gregoriano de Lisboa.
(3) A delegação de Macau do Círculo de Cultura Musical (com sede na Avenida da República s/n) foi inaugurada no dia 24 de Junho de 1952, por ocasião da visita do Ministro do Ultramar, Comandante Sarmento Rodrigues a Macau. Nesse dia, foi promovido o primeiro concerto com a apresentação de dois artistas portugueses de destacado valor e conhecido relevo no meio musical: o jovem (com 16 anos de idade) pianista Sérgio Varela Cid e o Director de Orquestra e violinista Silva Pereira.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/circulo-de-cultura-musical/
(4) Extraído da reportagem inserida no «Macau Boletim Informativo» Ano I-8,  1953.

Extraído de “A Visitor´s Handbook. Publicity Office, Macao” e publicado no “The Statesman’s Year-Book: Statistical and Historical Annual of the States of the World for the year 1953”, com edição de S. H. Steinberg.

O Esquadrão Motorizado foi criado em 22 de Setembro de 1951, por transformação da Companhia de Metralhadoras tendo nesse mesmo dia chegado o pessoal para o esquadrão sob o comando do Capitão Cavalaria José Carlos Sirgado Maia. Em Janeiro de 1953 passou a designar-se Esquadrão de Cavalaria Motorizado e estava sediado no Quartel de S, Francisco. (1)
No Anuário de Macau 1953-1955 consta como comandante ,o Capitão de Cavalaria Luís Maria Coelho Casquilho e  no Anuário de Macau de 1956-1957, o capitão Mário Abrantes da Silva.
Extraído de «BGU»  XXIX – 344 Fevereiro de 1954.
(1) CAÇÃO, Armando António Azenha – Unidades Militares de Macau,1999.

Notícias do “Diário de Notícias” reproduzidas no Boletim Geral do Ultramar (1) referente ao Natal de 1953, nomeadamente ao bodo dos pobres e instituições de caridade.

D. Laurinda Marques Esparteiro distribuindo brinquedos aos filhos do pessoal dos C. T. T.
O Campo Escolar de «Tap Seac» durante a festa do Natal promovida pela Assistência

Extraído de «BGU» XXIX – 344 Fev 1954.