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Hoje, 21 de Março, é “Dia Mundial da Poesia”. Nunca é demais aproveitando a data da sua publicação, divulgar mais um “poéma maquista” do saudoso Adé dos Santos Ferreira.

Poesia de José dos Santos Ferreira, publicada no semanário «O Clarim» de 21 de Março de 1954. Posteriormente inserida no livro «Macau sã assim», do mesmo autor, de 1967, pp. 55-56.

NOTA I: este “poéma” é dedicado ao “Ministro”, alcunha carinhoso como era tratado o o empresário macaense, Alberto Dias Ferreira que viria mais tarde a fundar um grande grupo empresarial “Aldifera Grupo Empresarial“, com ligações aos meios, comercial (“Agência Comercial Aldifera“), industrial (“Aldifera Têxteis, Limitada“, uma unidade inovadora, na altura, pela tecnologia moderna aplicada) e financeiro (“Aldifera, Casa de Câmbios, Limtada”). Membro de muitas associações de carácter cívico e desportivo (creio que está ligado ao início -1953 – e depois foi seu presidente, da Associação de Futebol em Miniatura de Macau, vulgo bolinha). Foi deputado à Assembleia Legislativa, curador da Fundação Macau e nomeado Comendador. Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alberto-dias-ferreira/

NOTA II: A data do «Dia Mundial da Poesia» foi criada na 30ª Conferência Geral da UNESCO em 16 de Novembro de 1999.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/11/29/noticia-de-29-de-novembro-de-1953-xavier-cugat-em-macau/ (2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/10/noticias-de-janeiro-de-1954-espectaculos-de-variedades/

A Sociedade de Abastecimento de Águas (SAAM) trouxe até Macau, o grande pianista de renome mundial José Iturbi que na noite de 6 de Dezembro de 1953, deu no Teatro Oriental um Concerto de Piano. Entre a numerosa assistência, que enchia literalmente o referido teatro, estava o Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro com a esposa e filhas e o seu pessoal de Gabinete.

O produto líquido do concerto, que teve o patrocínio de D. Laurinda Marques Esparteiro, reverteu para os fundos da construção do Colégio de D. Bosco (1) e, por isso, foi de louvar a iniciativa da SAAM.

Após o concerto, o Governador e Esposa conversam com José Iturbi

 O bissemanário «O Clarim», referindo-se ao Recital de piano de José Iturbi escreveu: “O concerto constituiu uma lição magistral de verdadeira arte, que ficará, de certo, registada nas efemérides desta cidade, como facto deveras singular, dificilmente igualável. A magia com os mais harmoniosos acordes se desprendiam do instrumento, desconsertava-nos perante a aparente imobilidade das mãos de Iturbi cujos dedos vibráteis pareciam concentrar em si todo o nervosismo da sua alma de artista.

A Dança Ritual do Fogo, que tantíssimas vezes se apresenta ao público, ouvimo-la quase como uma novidade, tal a beleza que o artista conseguiu equilibradamente imprimir aos contrastes de que esta peça está impregnada; até o efeito de órgão se pôde verificar nesta celebérrima obra de Falla.

Na Rapsódia Azul pudemos apreciar tôdos os efeitos que se podem tirar do piano, tal a gama de sentimentos que o autor da peça nela reuniu e que Iturbi fez viver através as cordas do piano “ (2)

José Iturbi Báguena (1895 – 1980) pianista, regente e maestro, espanhol, considerado um dos cinco mais importantes pianistas nos EUA na primeira metade do século XX (3)

Muito popular pela sua participação em filmes musicais de Hollywood, na década de 40. “Thousands Cheer” (1943), “Music for Millions” (1944), “Anchors Aweigh” (1945), “That Midnight Kiss”(1949), and “Three Daring Daughters” (1948) (4) . No filme biográfico do compositor Frédéric Chopin, “A Song to Remember”, (1945)  (5) as cenas ao piano do actor Cornell  que interpreta Chopin, as “mãos que tocam” são de José Iturbi. https://en.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Iturbi

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-d-bosco/

(2) Extraído de «MACAU B. I.», AnoI, n.º 9 de 15de Dezembro de 1953 p. 14

(3) https://www.amazon.com/Jose-Iturbi-Life-Piano-Technique/dp/9059727894

(4) https://www.imdb.com/video/vi1630781209?ref_=nm_rvd_vi_1

(5) https://www.youtube.com/watch?v=kf6e4eoudE8

“Nos dias 18 e 19 de Setembro de 1954, realizou-se, em Hong Kong, o III «Interport» de ténis entre Macau e Hong Kong, o qual foi ganho pelos tenistas macaenses que, com grande brilhantismo, alcançaram uma merecida vitória de 4 a 1.

A representação de Macau, confiada aos tenistas do velho e prestimoso Ténis Civil, portou-se à altura de honrar o desporto local, quer no campo da contenda, em que revelou a sua apreciada classe quer no convívio com os seus leais adversários de Hong Kong, tão fortes foram os seus desejos de contribuir para um estreitamento cada vez maior dos laços de amizade que unem bons desportistas e vizinhos. Foi disputada uma linda taça de prata oferecida pelo Leal Senado, a qual havia já sido ganha pela equipa de Hong Kong nos dois primeiros «Interports» e estava em riscos de ficar definitivamente em poder da mesma, dada a condição de três vitórias sucessivas previamente estabelecida, para a posse definitiva do troféu. Resolvidos a não permitir que tal acontecesse, os tenistas de Macau encheram-se de brio desta vez e foram a Hong Kong das mostras d seu valor, arrancando, por fim, uma vitória nítida e honrosa que lhes valeu regressarem juntamente coma «Taça Leal Senado». A série dos «Interports» de ténis entre Macau e Hong Kong , apesar de iniciada há apenas uns escassos meses, tem já conquistado para si um lugar de destaque na história dos intercâmbios desportivos que anualmente se realizam entre Macau e Hong Kong.

Infelizmente má impressão da foto em «MBI» (1)
Esqª p/ dta: Alexandrino Boyol, Humberto Rodrigues, Artur Canavarro, Artur de Melo e José Boyol

O primeiro «Interport» realizou-se em Macau, a 23 e 4 de Outubro de 1953, registando Hong Kong a sua primeira vitória, com o resultado de 3 a 2.. Para a realização do segundo «Interport», os tenistas de Macau deslocaram-se a Hong Kong , em 20 de Dezembro seguinte, tendo ali perdido novamente, pelo mesmo resultado 3 a 2. O sucesso alcançado agora no terceiro «Interport» pelos tenistas de Macau veio não só quebrar a sequência das sucessivas vitórias dos seus adversários como ainda salvar a má impressão deixada pelos velhos , mas ainda valorosos jogadores do Ténis Civil quando das duas primeiras competições. Eis os resultados dos jogos realizados  

Singulares-homens Artur Canavarro (Macau) venceu Roch Liang por 6-2 e 6-1; Eng.º Humberto Rodrigues (Macau) venceu Cheung Chau, por 6-0 e 6-1; Francis Ma (Hong Kong) venceu António de Melo, por 6-2 e 6-0

Pares-homens Eng.º Humberto Rodrigues e Alexandrino Boyol (Macau) venceram Joseph Hsu e Ernir Pereira, por 6-1, 1-6 e 8-6; Artur Canavarro e José Boyol (Macau) venceram Chung Wing Kuong e Cheng Tai Chi por 6-3 e 8-6.

(1) Artigo não assinado, publicado em «MBI», II. N.º 28 de 30 de Setembro de 1954, p.13/14

“ O vasto recinto da Piscina Municipal serviu de teatro, nos dias 5 e 6 de Setembro de 1953, a uma excelente exibição de esgrima, com a assistência de numeroso público. Participaram neste torneio-exibição uma equipa constituída por esgrimistas de Macau, outra de Hong Kong e outra ainda do Japão, todas elas proporcionando ao público local duas magníficas sessões.

Uma fase do torneio de esgrima

Com a cooperação dos esgrimistas de Hong Kong, os esgrimistas de Macau aproveitaram a estadia, na vizinha colónia britânica, dos ases japoneses, Sugo, Shirai e Omae, para a organização do torneio triangular que, estamos certos, muito deverá ter contribuído para o ressurgimento da esgrima em Macau. Menos treinada que as equipas de Hong Kong e do Japão, a equipa de Macau foi a que obteve menor número de vitórias. Contudo, o seu merecimento não foi menor que o das outras, porquanto todos os esgrimistas se portaram com igual desportivismo e estilo elegante.

Foram os seguintes os resultados: O Japão venceu Macau em florete, por 8 a 1 em sabre, por 7 a 2. Macau venceu o Japão em espada por 4 a 3. O Japão venceu Hong Kong em florete, por 7 a 2. Hong Kong venceu em espada por 7 a 2 e em sabre, por 5 a 4. Hong Kong venceu Macau em florete, por 8 a 1, em espada, por 5 a 4, e em sabre, por 5 a 4.

Os representantes do Japão recém as taças por eles ganhos

Os esgrimistas Sugo, Shirai e Omae representaram o Japão em todas as modalidades. Representaram Hong Kong em florete: o major Brewer; j. Osório e J. Tong; em espada Williams, Gros-Hodge e José Marçal e em sabre: o major Brewer, Grose-Hodge e J. Tong. Por Macau esgrimiram: engenheiro H. Rodrigues, capitão Pinheiro e alferes Ferreira em florete; capitão Júlio da Cruz, Fausto Branco e engenheiro H. Rodrigues, em espada; e capitão Júlio da Cruz, tenente Robin de Andrade e tenente Stone, em sabre.”

Reportagem não assinada no «MBI», I-3 de 15 de Setembro de 1953, p. 13

Livro de José dos Santos Ferreira publicado em 1967, (1) composto e impresso na Tipografia da Missão do Padroado (2), com versos (Laia-laia rabusénga) e prosas no dialecto macaense e breve vocabulário de alguns termos utilizados. A maioria dos versos foram publicados anteriormente no jornal «O Clarim», de 1953 a 1955 e depois na «Gazeta Macaense» de 1963. Inclui ainda uma comédia em 1 acto “Mui-mui Sua Neto” e uma opereta em 2 actos (para rir) “Cabo Tamêm Sã Gente”. A ilustração é de Leonel A. S. Barros.

Retiro da Introdução (pp. 9-11) , o seguinte: “O dialecto macaense, como muito bem ensinou João Feliciano Marques Pereira, (3) não se apresenta sob uma única forma, mas sem debaixo de três pelo menos, que é conveniente distinguir: a) o macaísta cerrado ou macaísta puro (se assim se pode chamar) e que é o mais interessante; era falado principalmente pelas classes humildes; b) o macaísta modificado pela tendência a aproximar-se do português corrente, era usado pela gente mais polida e que estava mais em contacto com o elemento metropolitano; c) o macaísta falado pelos chineses. Das duas primeiras formas, sobretudo a primeira, se aproximam mais os escritos contidos neste volume. Sob a última, vem publicado um original, em simples monólogo – MERENDA AI! – que o autor põe na boca de um conhecido chinês de Macau.

Desenho de Leonel A. S. Barros (pág. 7)

MERENDA AI! “Iou sã Merenda Ai!. Tudo gente na Macau, assi chamá pa iou, Seléa nóme nunca muto agradá. Masqui geniado, tamêm pacéncia… Qui cuza pôde fazê, si ilôtro querê batizá iou com estunga nóme? Merenda Ai tamêm sã nóme cristám… Iou sã Macau-filo. Quelê-modo iou sã Macau-filo ? Iuo sã já nacê na Macau, j´olá? Têm tanto ano-iá … Mamã fica na Básso-mónti, quelóra larga iou vêm fora. Cavá crecê, Mamã já ensiná iou fazê merenda, pa ganhá sapéca. Sã assi que iou nuncassá vai escola, j´olá? “…. (continua)

(1) Na última página “Acabou de se imprimir este livro aos 2 de Janeiro de 1968

(2) Trata-se do primeiro livro impresso de Adé Santos Ferreira em “língu maquista” (patuá). Anteriormente, publicou o 1.º, um relato de viagens “Escandinávia, Região de Encantos Mil, em 1960, FERREIRA, José dos Santos – Macau Sã Assi. Macau, 1967, 138 p + Índice., 20, 5 cm x 14 cm x 0,7 cm.

(3) Pequeno trecho de João Feliciano Marques Pereira assinalado na capa (interior)

Comemorando o 3.º aniversário da sua fundação e homenagem os seus jogadores de futebol, muitos sócios do Sport Macau e Benfica reuniram-se, no dia 12 de Outubro de 1953, no restaurante da Piscina Municipal, num jantar de confraternização que decorreu num ambiente de camaradagem. Usaram da palavra várias entidades ligadas à vida do clube, entre elas o Major José Domingos Lampreia, Presidente da Assembleia Geral e Mário Vieira da Costa, Presidente da Direcção.
Extraído de «MBI» I-6 31OUT1953.

Neste dia, 22 de Setembro de 1953, foram postos à venda, ploes Correios de Macau (CTT), em envelopes especais, os novos selos postais da emissão «FLORES” (1) (2)

A série de 10 selos usados, da minha colecção

Terá sido os selos mais utilizados em Macau principalmente os da franquia mais baixa, nas décadas de 50 e 60 (século XX). Creio que no princípio da década de 70 ainda circulava.

São 10 selos policromos 2,5 cm x 35 cm, denteado 11 1/2 x 11 ¾, heliogravados na Suiça, por Courvoisier, S.A., em papel porcelana com fios de seda. (2)

1 AVO – Flor de Panchão – Phao Cheong Fá

3 AVOS – Miosota – Tou Kin Fá

5 AVOS – Guarras de Dragão – Pao Ngá Fá

 

10 AVOS – Flor de Freira – Hóc Tang Ling Fá

 

16 AVOS – Jacinto – Soi Sin Fá

30 AVOS – Flor de Pessegueiro – Thou Fá

39 AVOS – Flor de Lotus – Lin Chi Fa

 

 

 

 

1 PATACA – Crisântemo – Côc Fá

 

3 PATACAS – flor da Amixieira – Mui Fá

 

 

 

5 PATACAS – Tangerina de 4 Estações – Sei Kuai Kat
Anterior referência a esta série em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=15061&action=edit
(1) «MACAU B.I.», Ano I-4, 30 de Setembro de 1953, p.15.
(2) A série “Flores” de Macau é considerada pelos filatelistas como a emissão “colonial” mais conseguida, mundialmente conhecida, pela diversidade apresentada nos dez selos, e pela qualidade da gravação e do papel.
http://www.feliciano-filateliaborboletas-dragao.com/novidades/131-flores-selos-portugal.html

 

“Slide”digitalizado da colecção “MACAU COLOR SLIDES  KODAK EASTMAN COLOR” comprado em finais da década de 60 ou princípio de 70 (séculoXX), se não me engano, na Foto Princesa (1) Foi inaugurada a 16 de Setembro de 1954, em Macau, no então recente aterro da Praia Grande, em frente do antigo Palácio das Repartições Públicas o pedestal e a estátua que foi feita em pedra liós, da autoria do escultor Euclides Vaz, ao primeiro português que veio à China, Jorge Álvares. (2) (3)
O Engenheiro José dos Santos Baptista, Chefe da Repartição Técnica da Obras Públicas discursou, tendo salientado:
“ … após abertura do concurso promulgado pelo Ministro do Ultramar , o júri do concurso classificou , em primeiro lugar, o trabalho do escultor Euclides Vaz, a quem, em Setembro de 1953 , foi feita a adjudicação da obra. Em Maio deste ano (1954) chegaram a Macau, no paquete «Índia», todas as peças do monumento.
Elaborado o projecto da sua localização e montagem pela Repartição Técnica das Obras Públicas, é a respectiva execução posta a concurso e, depois, adjudicada ao empreiteiro Vá San. A montagem foi iniciada em fins de Julho e ficou concluída em fins de Agosto…. (…)
Falou de seguida, o Presidente do Leal Senado, António de Magalhães Coutinho, que traçou resumidamente a biografia de Jorge Àlvares.
Finalmente o Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro usou da palavra, enaltecendo profundamente o acto. Saliento uma pequena passagem:
“A viagem de Jorge Álvares e a documentação que lhe confirma o lugar de pioneiro nos contactos do Ocidente com o Imperio Celeste não foram completamente esclarecidos senão há cerca de 20 anos, conservando-se o seu nome injustamente esquecido durante mais de quatro séculos. Diversas causas para tal contribuíram, salientando-se dentre elas os terramotos de Janeiro de 1531 e de Novembro de 1755 que destruíram boa parte dos arquivos de Lisboa sobre os nossos feitos na ìndia e terras do Oriente e que dificultaram consequentemente trabalho de estudiosos e investigadores.
Por sua vez, o autor Ljungstedt, que escreveu o «Esboço histórico dos Estabelecimentos Portugueses na China» – obra editada em Boston em 1836 – prestou-nos muito mau serviço pelos erros e incorrecções que deixou escrito a nosso respeito que infelizmente fizeram escola por esse mundo fora. Segundo Ljungstedt fora o português Rafael Perestrelo quem primeiramente tinha chegado à China embora se saiba que só aqui esteve pelo menos um ano mais tarde… (…)”
Findo os discursos, a esposa do Governador, D. Laurinda Marques Esparteiro puxou o laço que prendia a Bandeira Nacional descerrando assim a estátua de Jorge Álvares.
Numa das faces de pedestal estão gravadas a profecia que sobre Jorge Álvares nos deixou o cronista João de Barros:
«E peró que aquela região de idolatria coma o seu corpo, pois por honra de sua pátria em os fins da terra pôs aquele padrão e seu descobrimento, não comerá a memória da sua sepultura, enquanto esta nossa escritura durara»
Recorda-se que em 1513, Jorge Álvares que largara algum tempo antes de Malaca num junco tendo a bordo o seu filho, aportava ao largo da barra do Rio cantão e lançava ferro no ancoradouro da Ilha de Tamão (Jack Braga identificou-a como a Ilha de Lintin) que nessa época era o centro de todo o comércio da China com o exterior.
Faleceu na Ilha de Tamão na sua quarta viagem para estas paragens, tendo desembarcado em Cantão onde ficou pouco tempo, no regresso à Ilha de Tamão faleceu, a 8 de Julho de m 1521, oito anos depois de ali ter aportado, ficando ali sepultado junto do padrão que ele havia levantado e ao lado do filho que aí falecera em 1513.
NOTA: A cerimónia da inauguração da estátua Jorge Álvares foi filmada por uma equipa técnica da empresa cinematográfica «Eurásia Filmes, Limitada» (4) sob a direcção de Eurico Ferreira para um documentário, que não sei se foi exibido mas que se perdeu a cópia.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/foto-princesa/
(2) «MACAU Boletim Informativo», Ano II, n.º 28 de 30-09-1954.
(3) Ver referências anteriores a este navegador, nomeadamente à inauguração da estátua:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/estatua-de-jorge-alvares/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/22/leitura-caminhos-do-futuro-dos-horizontes-da-nacao-ii/
(4) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/23/noticias-23-11-1955-caminhos-longos-uma-iniciativa-arrojada-da-eurasia-filmes/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/03/filme-caminhos-longos-de-1955-artistas-chineses-de-cinema/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/07/noticia-filme-caminhos-longos/

No dia 26 de Maio de 1955, realizou-se no Salão Nobre do Leal Senado a 5.ª e última sessão cultura, promovida pelo Círculo Cultural de Macau, sob o alto patrocínio e orientação do Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro.
Foi conferente o oficial superior do Exército, Major Acácio Cabreira Henriques que proferiu uma conferencia subordinada ao tema «Monumentos Nacionais existentes na Província de Macau» (1).

O Major Acácio Cabreira Henriques proferindo a sua conferência

O Major Cabreira Henriques (2) foi nomeado pelo Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro (Portaria de 10 de Dezembro de 1953) para fazer parte de uma comissão para entre outros estudos, proceder ao da classificação dos Monumentos Nacionais, existentes na Província de Macau. Até então, Macau ainda não existia classificação dos Monumentos.

A assistência que ouviu a conferência

Abrindo a sessão, na qualidade de Presidente do Círculo. O Dr. Pedro José Lobo pronunciou um discurso traçando uma biografia da carreira militar do major Acácio Cabreira Henriques (3)
O autor dividiu a sua conferência em três partes: Monumentos Religiosos, Monumentos Militares e Monumentos Diversos
I – Monumentos Religiosos: (que o autor considera como Monumentos acionais)
Ruínas da Igreja da Madre de Deus (vulgo S. Paulo);
Igreja de Nossa Senhora da Esperança – S. Lázaro
Igreja de Santo Agostinho
Igreja da Sé Catedral
Igreja de S. Lourenço
Igreja de S. Domingos
Igreja do Seminário de S. José
Igreja de Santo António
Considera o autor de Imóveis de Interesse Público
Ermida da Penha
Igreja de Santa Clara Igreja da Missão de Fátima (no BTB)
Igreja de Nossa Senhora do Carmo, na Ilha da Taipa
Capela de S. Francisco Xavier, na Ilha de Coloane
II Monumentos Militares
Fortalezas de Macau: Fortaleza de S. Paulo do Monte
Fortaleza de Nossa Senhora da Guia
Fortaleza de S. Tiago da Barra
Por alto mencionou ainda as Fortalezas de D. Maria II, Mong Há, Bom Parto , S. Francisco, e a Fortaleza da Taipa
III – Monumentos Diversos
Gruta de Camões
Porta do Cerco
Monumento da Vitória
Monumento a Ferreira do Amaral
Monumento a Vicente Nicolau de Mesquita
Monumento a Vasco da Gama
Monumento Comemorativo da Acção Contra os Piratas na Vila de Coloane
Monumento a Jorge Álvares
Imóveis de Interesse Público:
Palácio do Governo, na Praia Grande
Edifício do Leal Senado da Câmara
Santa Casa da Misericórdia
Hospital S. Rafael
Hospital Kiang Wu
Residência do Dr. Sun Yat Sen
Conclui o autor:
É pena que tenham sido destruídos alguns edifícios de certo valor histórico e arquitectónico dos séculos passados, quando Macau tinha possibilidades para a sua restauração, e assim apenas através de desenhos e pinturas de alguns artistas, principalmente estrangeiros, podemos hoje fazer ideia das suas belezas perdidas.”
(1) Esta conferência seria publicada integralmente pelas Edições “Circulo Cultural de Macau”, em 1956 (1)
HENRIQUES, Major Acácio Cabreira Henriques – Monumentos Nacionais Existentes na Província de Macau. Edições “Círculo Cultural de Macau”, 1956, 58 p. (23, 5 cm x17,3 cm)
(2) Em Macau, foi Comandante do Agrupamento Misto das Forças da Guarnição, chefe da secção de Justiça, Presidente da Comissão de Compras e Presidente do Conselho Administrativo do Comando Militar de Macau.
Foi louvado quatro vezes pelos desempenhos das suas funções em Macau, como Chefe da Seção de Justiça, Presidente da Comissão de Compras e Presidente do Conselho Administrativo do Quartel General e ainda, pelas suas qualidades de bom senso, lealdade e camaradagem demonstradas nas inspecções por ele realizadas aos diversos materiais pertencentes ao Comando Militar da Província
(3) Informações do «MBI», ANO II, n.º 47.

Extraído do «BGC» XXVI-298, Abril de 1950, p. 177

O Serviço de Radiologia e Agentes Físicos era chefiada nesse ano pelo radiologista Dr. Abel Simões de Carvalho Júnior (1) e tinha somente no quadro um funcionário, o operador electroradiologista, Adriano Gomes da Silva
Na verdade, o custo total das aparelhagens foi de 225 883,62 patacas assim distribuídos:
1 – Aparelho de Raios X, portátil, Watson”. Custo – $5 615,27.
2 – Unidade completa “Picker”, de 500 Miliamperes, para fluoroscopia e radiografia com seriógrafo. Custo – $ 142 514,30 patacas.
3 – Aparelho de tomografia “Picker”. Custo -$ 77 754,05 patacas. (2)
Recorda-se que nessa data Abril de 1950 ainda funcionava o velho Hospital Militar Sam JanuárioAlbano que foi demolido a 18-11-1952, começando a 1.ª das 3 fases da construção do novo edifício baptizado com o nome de «Hospital Central Conde de S. Januário» , cuja primeira fase foi inaugurada a 10-06-1953 pelo Alm. Marques Esparteiro. O Hospital completo só terminaria em 1958.
(1) Abel Simões de Carvalho Júnior (1897 – ?), formado em Medicina, em 1922, foi colocado em Moçambique nesse ano. Em 1930, estagiou na Faculdade de Medicina da Universidade de Paris, a fim de se aperfeiçoar nos serviços de radiologia e electroterapia. Em 1949, foi nomeado para exercer o cargo de radiologista do quadro complementar de cirurgiões e especialista e por portaria de 28 de Maio (B. O. n.º 30) foi transferido por conveniência de serviço para a colónia de Macau. Esteve colocado em Macau até 1956, data em que a Junta de Saúde de 28 de Junho de 1956 o considerou incapaz de todo o serviço por sofrer de doença grave e incurável. Em 25-7-1956 embarcou de Macau para seguir para Portugal. Desligado de serviço para efeitos de aposentação (B.O. n.º 52 de 29-12-1956.
Além do serviço de radiologia, elaborou também os projectos da cozinha hospitalar do novo Hospital Central Conde de S. Januário (3)
Refira-se que na inauguração do primeiro bloco do novo edifício, a 10 de Junho de 1953, pelo Governador Almirante Marques Esparteiro, o Eng. José dos Santos Baptista, salientou a importante colaboração do médico-radiologista Abel de Carvalho na elaboração do projecto desse hospital.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/02/19/hospital-central-conde-s-januario-i/
(2) «Obras e Melhoramentos efectuados em Macau no Último Triénio» – Set.1947 a  Set. 1950, Imprensa Nacional, 1950.
(3) TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, volumes III-IV, 1998.