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Artigo de Luís Gonzaga Gomes publicado no jornal “A Voz” e republicado no BGU, Fevereiro de 1953.

O Hospício para Lázaros, em Ka Hó, depois de muita resistência e de alterações várias (1) quanto à escolha do local, quer em Macau (D. Maria, Porta do Cerco) quer na Taipa e depois em Coloane, foi entregue pronto no dia 20 de Janeiro de 1885, com guarda e zona circundante delimitada. O apetrechamento só ficaria completo em Maio desse ano. (2)
mapa-de-ka-hoPor portaria Provincial n.º 327 de 13 de Setembro de 1929 foi nomeada uma comissão, a qual cumpriu o seu mandato, fazendo construir no Hospício Ka Hó, cinco pavilhões e uma capela, com dependências anexas para constituírem a residência das Religiosas que venham ali a instalar. Em Ká Hó, com a preparação do terreno, construções dos cinco pavilhões, capela, poço, tanque e valsa de protecção, canalização de água potável e de esgoto e conservação de todas as obras despendeu-se a bela soma de $ 21.478, 19. A capela foi inaugurada e benzida por D. José da Costa Nunes no dia 21 de Outubro de 1934.

pe-teixeira-macau-e-a-sua-diocesse-i-pavilhoes-das-lazaras-de-ka-hoPAVILHÕES DOS LÁZAROS EM KA-HÓ, 1940

A Leprosaria fica na Baía de Ka Hó, construída num promontório na ponta leste de Coloane, perto da chamada aldeia ou povoação de Ká Hó (é um pequeno vale entre montanhas e era o mais cultivado antigamente). Tem uma bela igreja contemporânea dedicada a N.ª Sr.ª das Dores, ostentando um grande crucifixo de bronze sobre a porta norte.
coloane-igreja-de-nossa-senhora-das-dores-ka-ho(1) Os leprosos que durante três séculos estiveram no Hospital S. Rafael, em 1878 são transferidos para a Ilha de D. João na altura sob a administração portuguesa, em Pac Sá Lan. Em 25-11-1896 é extinto o Hospício de S. Lázaro junto à Igreja de S. Lázaro.
“1878 – Os leprosos, recebidos na primeira instituição congénere no Extremo-Oriente – O Hospital de S. Rafael – durante três séculos, são transferidos neste ano para a Ilha de D. João (para homens) sob a administração portuguesa”. (2)
17-03-1894 – O Administrador das Ilhas, Capitão João de Sousa Canavarro, oficia à Secretaria do Governo fazendo uma breve mas expressiva panorâmica da situação dos leprosos. É estudada a construção de novas barracas para o alojamento dos Lázaros em Pac-Sá-Lan e Ká-Hó.” (2)
Mas os constantes assaltos dos piratas (maus tratos e roubos) ao longo da década de 10 a 30 (século XX), (3) (4) à gafaria de Pac Sa Lan instalada na Ilha de D. João, foram transferidos aos poucos para a Gafaria de Ká Hó que com o tempo foi-se ampliando. Em 1933, o director da leprosaria Fernando Dias Costa informava estarem construídos oito pavilhões para o tratamento da lepra. As instalações da leprosaria de Pac Sá Lan foram destruídas pelos militares comunistas em 1953. (5)
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(3) 19-06-1912 – Pedido dos leprosos instalados no Hospício de D. João para serem dali retirados a fim de não estarem sujeitos aos constantes assaltos de piratas.(GOMES, Luís G. – Catálogo do M.M., n.º 254)
(4) “24-01-1927 – Queixa apresentada pelos asilados da gafaria de Pac-Sa-Lan, na Ilha de D. João, contra os maus tratos e roubos de que eram vítimas às mãos dos piratas. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).
(5) “1953 – Destruídas pelos comunistas a leprosaria de Pak-Sa-Lan. Aventou-se a hipótese dos doentes terem sido transferidos para outra ilha, perto de Hong Kong. Mas não se conseguiu confirmar tal notícia, sendo provável que os últimos leprosos tivessem perecido, porque já em 1949 tinham sido ameaçados de morte por Ng Seng, comandante da guarnição chinesa de Man Lei Wai, se não pagassem $500 em notas portuguesas. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998).

O Governador de Macau, Almirante Joaquim Marques Esparteiro partiu de Macau no dia 23 de Dezembro de 1953 a bordo do Aviso «Gonçalo Velho» para a vizinha colónia de Hong Kong, a fim de assistir a um baile de gala, na Residência do Governo de Hong Kong em honra de S. A. o Príncipe Pedro da Grécia. (1)
Para esta gala o Governador foi acompanhado pela esposa, D. Laurinda Marques Esparteiro, e filhas, Maria Helena e Amélia Marques Esparteiro, do seu oficial às ordens capitão Dias da Silva, e do seu secretário, tenente Lopes da Costa.
Tanto à partida como à chegada, que se efectuou na Ponte cais n.º 1 da Capitania dos Portos, foram prestadas ao Governador as devidas honras

macau-b-i-i-10-1953-visita-governador-a-hk-iO Governador passa revista à guarda de honra
macau-b-i-i-10-1953-visita-governador-a-hk-iiAo desembarque, o Governador foi cumprimentado pelo Encarregado do Governo, Engenheiro José dos Santos Baptista
macau-b-i-i-10-1953-visita-governador-a-hk-iiiApós o desembarque, o Governador assiste ao desfile da guarda de honra.

Tanto na despedida como na recepção, uma bateria de terra e outra do Aviso «Gonçalo Velho» deram as salvas da ordenança. (2)
principe-pedro-da-grecia-1908-1980(1) Príncipe Pedro da Grécia e Dinamarca (1908-1980) era o herdeiro do trono grego mas foi preterido por ter casado com uma russa divorciada, Irina Aleksandrovna Ovtchinnikova. Distinto antropologista, especializado em cultura tibetana. Foi militar na II Guerra Mundial; antes fez uma expedição científica à Ásia (nomeadamente Tibete), e após a guerra, voltou várias vezes à Ásia para continuar as suas pesquisas tibetanas.
href=”https://en.wikipedia.org/wiki/Prince_Peter_of_Greece_and_Denmark”>https://en.wikipedia.org/wiki/Prince_Peter_of_Greece_and_Denmark
(2) Fotos e reportagem de «Macau B.I.» 1953 .

Realizou-se durante a 2.ª quinzena de Dezembro de 1953 um festival desportivo destinado às escolas de Macau, organizado por duas das colectividades desportivas do território, o Sporting Clube de Macau e Sport Macau e Benfica, com um programa variado incluindo atletismo, futebol em miniatura, basquetebol, voleibol, ténis de mesa e badminton. Estava programada também uma corrida de ciclismo entre os estudantes mas por motivos imprevistos, foi cancelada à última hora.
Participaram no festival representações de diferentes escolas chinesas locais e uma representação da Mocidade Portuguesa, dentro da qual fizeram o seu concurso os estudantes portugueses.
Os nomes dos vencedores dos diferentes torneios realizados.
Atletismo – as equipas «A» e «B» do Colégio «Yuet Wah» ganharam os torneios de atletismo
Futebol em miniatura – a «Mocidade Portuguesa» ganhou o torneio folgadamente.

macau-b-i-i-11-15jan1954-festival-desportivo-iA equipa da Mocidade Portuguesa que ganhou o torneio de futebol em miniatura (bolinha). No centro (de joelhos) o jogador Augusto Rocha que ingressaria no Sporting Clube de Portugal em 1955 (1)

Basquetebol – o torneio foi ganho pela equipa do «Colégio de S. José».

macau-b-i-i-11-15jan1954-festival-desportivo-iiiA equipa do Colégio de S. José que ganhou o torneio de basquetebol.

Voleibol – o Colégio «Yuet Wah» ganhou também, o torneio de voleibol.
Ténis de mesa – este torneio foi ganho pela «Mocidade Portuguesa».

macau-b-i-i-11-15jan1954-festival-desportivo-iiOs filiados da Mocidade Portuguesa que ganharam o torneio de ténis-de-mesa: Aureliano Assis, João Castro e Mário Alberto.

Badminton – ganhou a equipa do Colégio «Yut Vá».
(1) Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/augusto-rocha/

Realizou-se, no dia 5 de Dezembro de 1953, um baile no Clube Militar, presidido pelo Major Mário Barata da Cruz, em benefício do «Fundo do Natal dos Pobres de Macau».(1)
mbi-i-9-15dez1953-baile-clube-minlitar-iO baile foi organizado pela Sra. Dra. Laurinda Marques Esparteiro, revestiu-se de grande brilhantismo e tomaram parte nele cerca de cem pessoas.
mbi-i-9-15dez1953-baile-clube-militar-iiEstiveram presentes, o governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro e esposa, suas filhas, Maria Helena e Amélia Marques Esparteiro, o Chefe de Gabinete, capitão Abílio de Oliveira Ferro e esposa, o Oficial às Ordens, capitão José Vaz Dias da Silva e o secretário, tenente Mário Lopes da Costa.
mbi-i-9-15dez1953-baile-clube-militar-iiiEstiveram também presentes os mais destacados representantes da Comunidade Chinesa, vendo-se na fotografia o Comendador Kou Ho Neng (2) a receber uma das prendas que, nos intervalos do baile, foram rifadas.
Houve ainda uma interessante corrida de cavalos de madeira e muitos outros jogos eu entusiasmaram todos os presentes e contribuíram para o objectivo beneficente da festa.
(1) Fotos e reportagem de «MACAU B. I. 1953.»
(2) Sobre o Comendador Kou Ho Neng ver anterior citação em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/27/leitura-o-bairro-chines-ao-norte-da-ilha-verde-em-1929/

Numerosos fiéis assistiram, no dia 22 de Setembro de 1953, ao solene «Te-Deum», cantado na Sé Catedral, em acção de graças por Deus ter poupado Macau a maiores estragos, a quando do tremendo tufão que assolou a cidade, em 22 de Setembro de 1874.
«A nossa cidade, que por suas recordações históricas e tradições religiosas era uma das mais famosas e notáveis do oriente, tão bela ainda há poucos dias, perdeu, em poucas horas, grande parte do seu esplendor e formosura, sofrendo a mais horrível e lastimosa transformação!»
«Tal é o destino de todas as coisas humanas! Só Deus é grande, só Ele é imutável!»
Tais as palavras que se lêem na Circular dirigida pelo Governador do Bispado de Macau, em 27 de Setembro de 1874, ao clero e fiéis desta Diocese, convidados a orar pelas necessidades desta cidade.
E os fiéis oraram, então, durante três dias consecutivos, nas igrejas paroquiais, no seminário diocesano e no convento de Santa Clara; e aqueles que não puderam ir ao templo, oraram com boas disposições no interior de suas casas.
E, desde então, todos os anos, se vem cantando um «Te-Deum» em cumprimento do voto feito por essa ocasião.
A 25 de Setembro de 1874, o Governador da província, Visconde de São Januário, publicou no Boletim da Província de Macau e Timor, o seguinte apelo à população de Macau:
«Habitantes de Macau!
Uma grande calamidade acaba de pesar sobre esta cidade!
Os terríveis efeitos do tremendo tufão, importando em graves perdas, levaram a desolação e a desgraça, aonde ainda há pouco reinava o bem estar e a alegria!.
Respeitemos os decretos da Previdência, mas não se abata por isso o nosso ânimo, e juntemos os nossos esforços para remediar os males que não nos era dado evitar .
Macenses! Trabalhai corajosamente para reconquistar o perdido, e confiai na autoridade que há-de velar pela vossa segurança; há-de acudir aos aflitos e há-de prover de pronto à s mais instantes necessidades públicas!
macaenses! Colaborai nobremente nesta grande empresa e tende fé que vereis ainda elevar-se esta antiga possessão portuguesa ao estado florescente em que há pouco se achava»
Os estragos e as perdas causadas foram enormes. Muitos pobres, tanto portugueses como chineses, achavam-se reduzidos às extremidades da fome. Os bairros de S. Lázaro e Santo António encontravam-se em ruínas , sob os montões jaziam muitos cadáveres.
O Hospital S. Rafael ficou destruído e o Hospital Militar de S. Januário seriamente abalado. Por oferta do Governador do Bispado, foi aproveitado o Paço Episcopal para hospital.
Por avaliação feita pelo Procurador dos Negócios Sínicos sabe-se que os estragos causados nos prédios dos chineses deram um prejuízo superior a cem mil patacas. Mais de 700 lorchas grandes de comércio e pesca se perderam completamente. Calculou-se em mais de mil o número das lorchas pequenas que foram destruídas. Todas as embarcações perdidas foram avaliada em quase um milhão de patacas. A perda de mercadorias foi avaliada em cerca de 432 mil patacas. Calculou-se em quatro mil o número de chineses mortos e Macau  e mil os mortos na ilha da Taipa.
Os cadáveres forma queimados uns e sepultados outros.
Os portugueses que sucumbiram e forma sepultados no Cemitério de S. Miguel foram 20, sendo 14 homens , 4 mulheres e 2 crianças.
Foram calculados em 300 mil patacas os prejuízos havidos nas propriedades dos portugueses, estando neste número incluídos os prejuízos sofridos pela administração dos bens das Missões Portuguesas e por algumas instituições de beneficência.
Anteriores referências a este tufão
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
E sobre tufões:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/tufoes/

No dia 21 de Setembro de 1953, realizou-se na Sé Catedral uma cerimónia religiosa onde cento e quarenta e uma praças indígenas de Moçambique receberam as águas lustrais do Santo Baptismo.
mbi-i-4-30set1953-baptismo-de-soldados-iA cerimónia foi presidida pelo Bispo da Diocese, D. João de Deus Ramalho esteve presente o representante das Forças Militares da Província, Comandante Militar, Coronel António Cirne Pacheco.
mbi-i-4-30set1953-baptismo-de-soldados-iiTreze sacerdotes da Diocese de Macau ministraram o santo Baptismo aos 141 soldados.
mbi-i-4-30set1953-baptismo-de-soldados-iiiO Rev. D João de Deus Ramalho , o Comandante Militar e Família e demais Oficiais que assistiram ao Baptismo e os neófitos.
Fotos e reportagem de «MACAU B. I.», 1953.